Estão abertas, até 1 de outubro, as candidaturas à próxima edição dos PAA — Prémios Audiovisuais Açorianos, o projeto bienal organizado pela associação MiratecArts para celebrar e distinguir os profissionais e as produções do setor audiovisual na região autónoma. A iniciativa está integrada no Montanha Pico Festival e tem como objetivo central destacar trabalhos produzidos nas ilhas, funcionando simultaneamente como um incentivo direto à produção audiovisual local, uma área que, longe dos grandes centros de produção do continente, encontra nos PAA uma das poucas montras dedicadas exclusivamente ao seu trabalho.
A gala de entrega dos prémios está marcada para 9 de janeiro de 2027, no Auditório da Madalena, na ilha do Pico, e reconhecerá trabalhos em várias categorias abertas a qualquer empresa do setor audiovisual ou produtor sediado nos Açores. As categorias incluem Vídeo Promocional, destinada a realizadores ou diretores de fotografia açorianos que promovam os Açores, seja em contexto privado ou institucional; Videoclipe, para realizadores que promovam música ou músicos açorianos; Série, televisiva ou online, filmada no arquipélago; Documentário, de televisão ou cinema, realizado por um açoriano ou filmado nos Açores; Filme, curta ou longa-metragem, com os mesmos critérios de origem; e ainda Trailer e Cartaz, destinada a materiais promocionais de obras audiovisuais produzidas nos Açores entre 2025 e 2026. As entidades e artistas interessados devem registar-se em miratecarts.com e formalizar a candidatura através do email [email protected] ou da plataforma FilmFreeWay.
A última edição dos PAA decorreu em janeiro de 2025, e entre os nomes distinguidos destacou-se Rosa Coutinho Cabral, vencedora de Melhor Filme com “A Mulher Que Morreu de Pé”, um ensaio poético e ficcionado sobre a vida e a obra da escritora Natália Correia, figura incontornável da liberdade de pensamento e criação em Portugal, antes e depois do 25 de Abril. O reconhecimento aos PAA não ficou, aliás, isolado: já este ano, a mesma obra viria a conquistar o prémio de Melhor Documentário de Longa-Metragem nos Prémios Sophia, a mais importante distinção do cinema português, atribuída pela Academia Portuguesa de Cinema, batendo concorrência forte como “As Estações”, “Cartas Telepáticas” e “Lindo”. É um percurso que ajuda a validar o papel dos PAA como uma espécie de primeiro filtro de qualidade para trabalhos que, mais tarde, acabam por singrar também nos principais prémios nacionais.
Para além das candidaturas aos PAA, a MiratecArts recorda ainda que decorre, também até 1 de outubro, o prazo de submissão de filmes para o Montanha Pico Festival, aberto a obras de todo o mundo, desde que centradas em temática de cultura montanhosa ou ambientadas em cenário de montanha, sem restrição geográfica de origem dos realizadores. A 13ª edição do festival, que este ano assinala também 15 anos de programação cultural na ilha do Pico, está marcada para decorrer em três ecrãs simultâneos: o Auditório da Madalena, o Auditório Municipal das Lajes do Pico e o Auditório do Museu dos Baleeiros, distribuídos por três fins de semana, entre 8 e 15, 22 e 29 de janeiro de 2027.
Para quem acompanha o panorama audiovisual português para além do eixo Lisboa-Porto, os PAA continuam a ser um dos raros espaços dedicados especificamente a reconhecer e a incentivar a produção feita, ou inspirada, pelos Açores, numa região onde fazer cinema implica, quase sempre, lidar com desafios logísticos e de financiamento muito distintos dos do continente.



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