Tim Curry, o inesquecível Frank-N-Furter e Pennywise, morre aos 80 anos

Tim Curry, o ator britânico que se tornou um dos rostos mais reconhecíveis e mais versáteis do cinema de género das últimas cinco décadas, morreu aos 80 anos, a 26 de agosto, na sua casa em Toluca Lake, Califórnia. A morte foi confirmada pela sua representante de longa data, Marcia Hurwitz, que descreveu um falecimento pacífico, sem que uma causa específica tenha sido divulgada. Curry vivia com sequelas de um AVC grave sofrido em 2012, que o tinha afastado gradualmente dos palcos e dos ecrãs, sem nunca deixar de trabalhar por completo.

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Curry ficará para sempre associado ao papel de Dr. Frank-N-Furter, o cientista alienígena travestido que protagoniza “The Rocky Horror Picture Show” (1975), uma interpretação que se tornou, ao longo de cinco décadas, um dos maiores ícones camp da história do cinema, sustentando ainda hoje sessões de meia-noite e comunidades de fãs fervorosas em todo o mundo. Foi esse papel, mais do que qualquer outro, que definiu a carreira de Curry aos olhos do grande público, mas está longe de resumir a amplitude do seu trabalho.

Ao longo da carreira, Curry interpretou também Pennywise, o palhaço metamorfo nascido da imaginação de Stephen King, na minissérie televisiva “It” (1990), uma interpretação que aterrorizou uma geração inteira de espectadores e que continua a ser, para muitos, a referência definitiva do género antes do remake cinematográfico de 2017. No registo cómico, deu vida a Wadsworth, o mordomo enigmático de “Clue” (1985), e ao vilão Senhor das Trevas em “Legend” (1985), ao lado de um Tom Cruise ainda no início da carreira, além do papel do inquieto concierge de hotel em “Sozinho em Casa 2: Perdido em Nova Iorque” (1992), memoravelmente enganado pelo jovem protagonista da saga.

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Para além do cinema em ação real, Curry construiu uma das carreiras de dobragem mais prolíficas de Hollywood, com a sua voz teatral e inconfundível a marcar centenas de séries animadas, audiolivros e videojogos ao longo de décadas, incluindo participações em “The Wild Thornberrys” e “The Mighty Ducks”, além de um Daytime Emmy conquistado pela interpretação do Capitão Gancho na série animada “Peter Pan and the Pirates”. Nos palcos da Broadway, Curry recebeu três nomeações para o Tony, por “Amadeus”, “My Favorite Year” e “Monty Python’s Spamalot”, confirmando uma versatilidade que atravessou praticamente todos os formatos de interpretação disponíveis a um ator da sua geração.

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Poucos atores conseguiram deixar tantas marcas distintas na cultura popular como Tim Curry, e mesmo depois do AVC de 2012, continuou a somar conquistas, mais recentemente também como escritor. Fica a memória de um intérprete que soube ser, em igual medida, assustador e hilariante, sedutor e grotesco, muitas vezes dentro da mesma personagem.

Tim Curry Revela Que Deve a Vida ao Massagista Que Ignorou as Suas Ordens Durante o AVC de 2012 ❤️‍🩹

O lendário ator Tim Curry, eterno Dr. Frank-N-Furter de The Rocky Horror Picture Show, revelou no seu novo livro de memórias, Vagabond, que só está vivo graças à coragem — e teimosia — do seu massagista.

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O intérprete britânico, hoje com 79 anos, sofreu um AVC grave em 2012, na sua casa na Califórnia. O episódio deixou-o parcialmente paralisado do lado esquerdo e com a fala afetada. Segundo o próprio, tudo aconteceu durante uma sessão de massagem que parecia, até então, absolutamente normal.

“Achei que ele estava a exagerar”

Curry recorda que não sentiu dor, tontura ou qualquer sinal de alarme. “Não me senti estranho, nem percebi que algo estava errado”, escreve. “Achei que estava tudo bem.”

Foi o massagista quem notou alterações subtis no corpo do ator e decidiu agir por instinto. Quando anunciou que ia chamar uma ambulância, Curry tentou impedi-lo. “Disse-lhe que estava a exagerar”, admite. “Provavelmente devo-lhe a vida por ele não me ter ouvido.”

Pouco depois, o ator foi levado para o hospital, onde os médicos confirmaram o pior: tinha sofrido um acidente vascular cerebral que exigia uma craniectomia — uma cirurgia de emergência para aliviar a pressão no cérebro.

“Só depois da operação me explicaram o que tinha acontecido. O sangue deixou de circular normalmente, dois coágulos tiveram de ser removidos. Percebi então o quão improvável era eu estar vivo”, confessa.

A dura recuperação e o regresso pela voz

O AVC deixou marcas permanentes. “Foi um AVC paralisante, por isso ainda hoje tenho limitações físicas. Mas estou muito grato por não ter sido um AVC da fala. Se tivesse perdido a capacidade de falar, teria sido devastador.”

Durante várias semanas após a cirurgia, Curry não conseguiu pronunciar uma única palavra. “Foi um inferno”, descreve. “Mas disseram-me que a linguagem voltaria com o tempo — e tinham razão.”

Desde então, o ator passou a dedicar-se sobretudo ao dobramento de voz, onde continua a brilhar. Emprestou a sua inconfundível dicção britânica a personagens como o Imperador Palpatine em Star Wars: The Clone Wars e a Terrence, o tucano falante, no filme de animação Ribbit.

Um ícone que nunca perdeu o humor

Apesar das sequelas, Tim Curry mantém o espírito irreverente que o tornou num ícone do cinema. Numa rara aparição pública, durante a celebração dos 50 anos de The Rocky Horror Picture Show, o ator comentou, com o sorriso que os fãs bem conhecem:

“Já não consigo andar, por isso estou nesta cadeira tola. É limitador, claro. Mas continuo cá — só não me verão a dançar muito em breve.”

Curry, que interpretou o papel de Frank-N-Furter no teatro antes de o eternizar no filme de 1975, nunca renegou o fenómeno que o tornou famoso. “Olho para The Rocky Horror com uma espécie de tolerância divertida”, disse à Los Angeles Magazine. “Nem uma bênção, nem uma maldição. Tive sorte em tê-lo.”

Um sobrevivente com alma de artista

Hoje, mais de uma década após o AVC, Tim Curry vive longe dos holofotes, mas o seu legado continua intacto — de Annie a Sozinho em Casa 2, de Charlie’s Angels a It, onde aterrorizou gerações como o palhaço Pennywise.

Com Vagabond, o ator reflete sobre uma vida de excessos, talento e reinvenção — e sobre o milagre improvável que o manteve entre nós.

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“Se aprendi alguma coisa”, escreve, “é que às vezes a vida depende de alguém que decide não fazer o que lhe pedimos. Felizmente, o meu massagista era uma dessas pessoas.”