“Bem Bom” chega ao NOS Studios: a história das Doce revisitada, cinco anos depois da estreia nos cinemas

O NOS Studios estreia, no sábado, 26 de setembro, às 21h15, “Bem Bom”, o drama português realizado por Patrícia Sequeira que reconta a ascensão das Doce, a banda pop feminina que, na viragem para a década de 1980, se tornou um dos maiores fenómenos populares da música portuguesa. Embora surja agora com o rótulo de “estreia” no canal, o filme não é propriamente novo: chegou originalmente às salas de cinema portuguesas em julho de 2021, depois de um adiamento forçado pela pandemia, que empurrou a estreia inicialmente prevista para novembro de 2020.

A história acompanha a formação e a ascensão meteórica das Doce, um grupo composto por quatro jovens que, em plena ditadura primeiro e depois em plena Revolução, desafiaram convenções sociais rígidas para se tornarem num fenómeno de popularidade sem precedentes em Portugal, marcando indelevelmente a cultura popular nacional numa época de profunda transformação política e social. Segundo a própria realizadora, Patrícia Sequeira, o percurso das Doce ajudou a mudar mentalidades num Portugal que ainda engatinhava na sua relação com a liberdade de expressão, sobretudo no que toca à imagem e à autonomia de mulheres jovens no espaço público.

O elenco reúne Bárbara Branco no papel de Fátima “Fá” Padinha e Lia Carvalho no papel de Teresa Miguel, duas das vozes mais reconhecíveis da formação original das Doce, ao lado de Carolina Carvalho e Ana Marta Ferreira a completar o quarteto. O argumento é assinado por Filipa Martins e Cucha Carvalheiro, com consultoria histórica de Helena Matos, um cuidado que se reflete sobretudo na recriação minuciosa do guarda-roupa e da maquilhagem que se tornaram parte central da identidade visual do grupo.

A receção crítica ao filme, na altura da estreia nos cinemas, ficou dividida: por um lado, a entrega das atrizes principais foi amplamente elogiada, com vários críticos a destacar o dinamismo e a credibilidade que Branco e Carvalho conseguiram emprestar às suas personagens, além do cuidado visual na recriação de época. Por outro, alguns críticos apontaram limitações de produção, sobretudo na repetição visual das cenas musicais, sempre filmadas no mesmo tipo de palco, o que retirava alguma da variedade que a carreira real das Doce teria justificado num tratamento cinematográfico mais ambicioso em termos de escala.

Independentemente das reservas críticas, “Bem Bom” continua a ser um dos raros exemplos recentes de cinema português a debruçar-se sobre um fenómeno de cultura pop nacional com este nível de reconhecimento popular, e a sua chegada ao NOS Studios garante uma nova oportunidade para quem perdeu a estreia em sala, ou simplesmente quer reviver a banda sonora que embalou uma geração inteira de portugueses.

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