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“Unabomber”: Russell Crowe e Jacob Tremblay reconstroem o percurso de um dos terroristas mais procurados da história dos EUA

A Netflix estreia, a 25 de setembro, “Unabomber”, um novo thriller biográfico centrado em Ted Kaczynski, o antigo prodígio matemático de Harvard responsável por uma campanha de ataques com engenhos explosivos enviados pelo correio que se prolongou ao longo de quase duas décadas, entre 1978 e 1995, causando três mortos e mais de vinte feridos, antes de ser detido em 1996 numa cabana isolada no Montana.

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Realizado por Janus Metz, a partir de argumento de Sam Chalsen e Nelson Greaves, o filme organiza-se em duas linhas temporais. Uma acompanha um jovem Kaczynski, interpretado por Jacob Tremblay, então com apenas 16 anos, já admitido em Harvard, e submetido a um conjunto de experiências psicológicas hoje amplamente reconhecidas pela comunidade académica como um dos episódios mais controversos da história da psicologia experimental norte-americana, conduzidas pelo professor Henry Murray, interpretado por Russell Crowe. A outra segue, décadas depois, a investigação que levaria à sua captura, liderada pela agente do FBI Joanne Miller, interpretada por Shailene Woodley, numa das operações mais longas e dispendiosas de sempre do FBI.

Importa notar que a ligação entre as experiências de Murray e a violência posterior de Kaczynski é uma leitura proposta pelo filme, não um facto estabelecido: continua a ser objeto de debate entre historiadores e criminologistas até que ponto esse episódio terá pesado na radicalização de Kaczynski, e até que ponto serve apenas de moldura dramática conveniente para uma história que, no fundo, é sobre uma escolha deliberada de matar. “Unabomber” arrisca-se, como acontece com frequência neste género, a simplificar essa fronteira entre explicação e justificação, um equilíbrio que só se poderá avaliar com o filme já disponível.

Ao elenco junta-se ainda Annabelle Wallis, no papel de Christiana Morgan, parceira académica de Murray e codiretora da Clínica Psicológica de Harvard, além de Alexander Ludwig, Steven Ogg e Marc Menchaca em papéis secundários. Russell Crowe, vencedor do Óscar de Melhor Ator por “Gladiador”, e Shailene Woodley, atriz habitual de projetos de prestígio televisivo como “Big Little Lies”, reforçam um elenco que a Netflix tem vindo a apostar de forma consistente no género true crime ao longo dos últimos anos.

“Unabomber” chega numa altura em que o true crime continua a ser um dos géneros mais rentáveis do catálogo da plataforma, ainda que o subgénero levante regularmente a mesma pergunta: até que ponto vale a pena continuar a contar, e a lucrar com, a história de quem matou.

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