“Mother Mary”: o thriller surreal de Anne Hathaway estreia na HBO Max a 21 de agosto

Nem todos os filmes de Anne Hathaway conquistam o público da mesma forma, e “Mother Mary” é precisamente o tipo de projeto que se resolve através do tempo — depois de uma passagem discreta pelas salas de cinema, o filme da A24 chega agora à HBO Max, já a 21 de agosto, dando-lhe uma segunda oportunidade junto de um público bem mais alargado.

Escrito e realizado por David Lowery, cineasta conhecido pela sensibilidade visual em obras como “A Ghost Story” e “O Regresso de Peter Pan”, “Mother Mary” segue Hathaway no papel de uma ícone pop de fama internacional, que se vê forçada a reconectar-se com a sua antiga figurinista, de quem se afastou há muito, interpretada por Michaela Coel, precisamente no momento em que se prepara para aquele que pode ser o grande regresso definidor da sua carreira. O filme mergulha em amizades complicadas, cicatrizes emocionais antigas e no custo pessoal — quase sempre invisível ao público — de viver permanentemente exposta entre fama e criatividade.

A produção, com um orçamento de 20 milhões de dólares, arrecadou apenas cerca de 3 milhões nas salas de cinema, um resultado comercial modesto que, no entanto, não reflete de forma justa a receção crítica ao trabalho de Hathaway, amplamente elogiado, nem o estilo visual arrojado e distintivo que Lowery imprimiu ao projeto. Como é já hábito nas produções da A24 desde a renovação do acordo de distribuição com a Warner Bros. Discovery, todos os lançamentos do estúdio passam a estrear em exclusivo na HBO Max antes de qualquer outra plataforma de streaming — e é exatamente esse acordo que traz agora “Mother Mary” para casa.

A narrativa dividiu opiniões precisamente pela sua abordagem pouco convencional: em vez de seguir a estrutura tradicional de um drama biográfico sobre fama e celebridade, “Mother Mary” opta por uma construção mais fragmentada e onírica, característica do estilo autoral de Lowery, que privilegia atmosfera e sensação sobre exposição narrativa direta. É esse mesmo elemento que gerou reações tão díspares entre a crítica e o público desde a estreia nas salas: para uns, um exercício de estilo genuinamente arrojado; para outros, uma experiência deliberadamente distante que dificulta a ligação emocional com a personagem central.

O elenco de apoio reúne ainda Hunter Schafer, Kaia Gerber e FKA twigs, um grupo de nomes que reflete bem o posicionamento do filme algures entre o cinema de autor mais exigente e a cultura pop contemporânea — um equilíbrio que, aliás, é também o tema central da própria história que conta. Para quem gosta de descobrir os títulos mais discutidos e divisivos do ano, “Mother Mary” chega agora à HBO Max como uma oportunidade de formar opinião própria.

“Cem Anos de Solidão” chega ao fim: o grande final estreia a 26 de agosto na Netflix

Primeiras imagens de “Tangled” em live-action reveladas no D23

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Alternativa: “A maldição de Úrsula Iguarán cumpre-se: o desfecho de ‘Cem Anos de Solidão’ já tem data”

Uma das adaptações mais ambiciosas alguma vez produzidas pela Netflix está prestes a fechar o círculo. “Cem Anos de Solidão”, a série baseada na obra-prima de Gabriel García Márquez, prémio Nobel da Literatura, está a chegar ao fim: depois de os primeiros sete episódios da segunda parte terem estreado a 5 de agosto, o grande final — um episódio-filme com quase duas horas de duração — chega a 26 de agosto, encerrando definitivamente a saga da família Buendía e da cidade fictícia de Macondo.

Adaptar “Cem Anos de Solidão” para o ecrã foi, durante décadas, considerado praticamente impossível. O próprio García Márquez recusou repetidamente vender os direitos da obra em vida, precisamente por temer que qualquer adaptação traísse a complexidade narrativa e a densidade temporal do romance — uma história que atravessa gerações inteiras da mesma família, misturando realismo mágico, história política colombiana e um ciclo trágico de repetição que parece condenar os Buendía a cometer sempre os mesmos erros. Foram os filhos do escritor que, já depois da sua morte, autorizaram finalmente o projeto, com a condição expressa de que a série fosse filmada na Colômbia, em espanhol, e com elenco maioritariamente colombiano — exigências que a Netflix respeitou integralmente.

Esta segunda e última parte retoma a história exatamente onde a primeira temporada a tinha deixado, avançando pelos últimos cinquenta anos abrangidos pela obra original. Depois da assinatura do armistício, a paz continua a não chegar a Macondo: os conservadores tramam um atentado contra a vida do Coronel Aureliano Buendía, o que obriga Fernanda del Carpio a deslocar-se de Bogotá até à cidade. É também nesta fase da história que chega a companhia bananeira, atraída pela chegada da linha ferroviária — um acontecimento que desencadeia a decadência económica e moral de toda a cidade, cumprindo finalmente a maldição lançada por Úrsula Iguarán, matriarca da família: a de que as gerações condenadas a cem anos de solidão nunca teriam uma segunda oportunidade sobre a Terra.

O elenco reúne, entre outros, Claudio Cataño no papel do Coronel Aureliano Buendía, Marleyda Soto como Úrsula Iguarán, María Adelaida Puerta como Amaranta Buendía, e Julián Román e Jorge Quintero a dividirem, respetivamente, os papéis dos dois José Arcadio Segundo e Aureliano Segundo — um detalhe de casting particularmente relevante numa obra em que a repetição de nomes entre gerações é, ela própria, um elemento estrutural central da narrativa, um dos muitos recursos que García Márquez usou para sublinhar o ciclo trágico e aparentemente inescapável que atravessa toda a história familiar.

Com este desfecho, a Netflix conclui aquela que é, sem exagero, uma das apostas literárias mais arriscadas e ambiciosas de todo o seu catálogo — um teste real à capacidade do streaming de dar corpo visual a uma das obras mais influentes e intraduzíveis da literatura latino-americana do século XX.

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Primeiras imagens de “Tangled” em live-action reveladas no D23

A Disney continua a expandir o seu catálogo de adaptações em imagem real dos seus clássicos de animação, e o D23 deste ano trouxe o primeiro olhar oficial sobre “Tangled”, a versão live-action de “Enrolados”, um dos musicais animados mais queridos da última geração de produções do estúdio. A data de estreia foi também confirmada durante a apresentação: 31 de março de 2028.

O papel de Rapunzel ficou a cargo de Teagan Croft, atriz australiana já conhecida do público mais jovem pelo trabalho em “Titans”, série de super-heróis que lhe deu experiência relevante em produções de grande escala. Ao seu lado, Milo Manheim interpreta Flynn Rider, o charmoso fora-da-lei que se torna, contra todas as probabilidades, no companheiro de aventuras de Rapunzel. O restante elenco reúne nomes de peso: Kathryn Hahn assume o papel de Mãe Gothel, a vilã manipuladora que mantém Rapunzel presa numa torre durante toda a sua vida; Caitríona Balfe interpreta a Rainha Arianna; e Elliot Cowan dá vida ao Rei Frederic, os pais biológicos de Rapunzel. Uma novidade relevante para os fãs da animação original: Diego Luna junta-se ao elenco no papel de Hawthorne, uma personagem inteiramente nova, que não existia na versão de 2010 e que promete trazer uma dinâmica narrativa adicional a esta releitura.

A realização está entregue a Michael Gracey, o cineasta por trás de “O Grande Showman”, uma escolha que faz todo o sentido dado o pedigree do realizador em produções musicais de grande espetáculo visual, com números de dança e canção coreografados ao detalhe. As filmagens já estão a decorrer em Espanha, o que ajuda a explicar a ausência física de Croft e Manheim no evento: os dois protagonistas não puderam comparecer pessoalmente ao D23 por estarem a filmar, mas enviaram uma mensagem em vídeo diretamente do set para os fãs presentes no evento, um gesto que ajudou a compensar a sua ausência física.

A decisão da Disney de avançar com mais um remake em live-action não é isenta de controvérsia — o histórico recente do estúdio com este tipo de adaptações tem gerado reações mistas, entre nostalgia genuína e ceticismo sobre a necessidade de recriar em imagem real histórias que já funcionavam perfeitamente em animação. Ainda assim, a expectativa em torno de “Tangled” mantém-se elevada, em parte pela força da banda sonora original, composta por Alan Menken, e que se espera venha a ser reinterpretada nesta nova versão.

Com mais de um ano e meio ainda pela frente até à estreia, o primeiro olhar revelado no D23 serve sobretudo para confirmar que a produção está em marcha avançada, e que a Disney continua apostada em transformar o seu catálogo de animação num pilar central da sua estratégia de cinema em imagem real para os próximos anos.

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Novo trailer de “Avengers: Doomsday” mostra Robert Downey Jr. a comandar um exército de Sentinelas

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O D23 deste ano trouxe aquele que é, sem margem para dúvidas, o momento mais aguardado por qualquer fã da Marvel: um novo e extenso trailer de “Avengers: Doomsday”, apresentado em palco com Robert Downey Jr., Chris Evans e Hayley Atwell presentes para a ocasião, a poucos meses da estreia do filme, marcada para 18 de dezembro.

O material revelado oferece, até agora, o olhar mais claro e completo sobre a interpretação de Downey Jr. do Doutor Destino — uma escolha de casting que continua a gerar debate acalorado entre os fãs desde que foi anunciada, precisamente pelo facto de o mesmo ator ter interpretado Tony Stark, um dos maiores heróis da saga, durante mais de uma década. O trailer, no entanto, parece ter conquistado até os mais céticos: em vez de um vilão genérico decidido a destruir o mundo sem mais explicações, o que se vê é um Destino com um passado trágico e genuinamente comovente. Há imagens do próprio Doom a olhar, com pesar evidente, para um retrato que parece representar uma esposa e um filho — um indício forte de que o filme vai seguir a origem clássica da banda desenhada em que Destino perde a família e é essa perda que o transforma definitivamente no vilão que todos conhecem. É uma abordagem que promete dar uma camada de humanidade trágica a uma das maiores ameaças de sempre do Universo Cinematográfico Marvel.

Em termos de espetáculo puro, o trailer não decepciona: Destino surge a derrotar Thor em combate direto, a tomar posse do lendário Mjolnir, e a comandar um verdadeiro exército de Sentinelas — as máquinas gigantes historicamente associadas à perseguição de mutantes nos X-Men — contra a aliança improvável formada pelos Vingadores, os Quatro Fantásticos e os próprios X-Men. É precisamente essa fusão de universos, um dos grandes objetivos anunciados desde há muito para esta nova fase da Marvel, que o trailer finalmente começa a mostrar de forma concreta.

O elenco reunido em palco confirma a escala verdadeiramente colossal deste projeto: além de Downey Jr., Chris Evans regressa como Steve Rogers e Hayley Atwell como Peggy Carter, juntando-se a Vanessa Kirby, no papel de Sue Storm, a Mulher Invisível, e Pedro Pascal, como Reed Richards, o Senhor Fantástico. A lista de nomes estende-se ainda a Chris Hemsworth, Paul Rudd, Anthony Mackie, Florence Pugh e muitos outros, numa reunião de super-heróis que promete ser uma das maiores já vistas no cinema.

Com este trailer, a Marvel deixa claro que “Avengers: Doomsday” não é apenas mais um capítulo na saga — é o momento de convergência de anos de planeamento narrativo, chamando de volta rostos que os fãs já davam como definitivamente arrumados, e prometendo consequências que deverão redefinir o rumo de toda a próxima fase do MCU.

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Marvel revela finalmente o elenco dos novos X-Men no D23

Depois de meses de especulação e de um silêncio quase absoluto por parte da Marvel Studios, o mistério chegou ao fim. No D23: The Ultimate Disney Fan Event, em Anaheim, o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, subiu ao palco para revelar, finalmente, o elenco da tão aguardada reformulação dos X-Men no Universo Cinematográfico Marvel — um dos anúncios mais esperados dos últimos anos por parte dos fãs de banda desenhada.

A lista de nomes revelados junta talento jovem em ascensão a atores já consagrados. Kit Connor, conhecido do público mais jovem pela série “Heartstopper”, interpreta Scott Summers, o Ciclope, o líder clássico da equipa mutante. Sadie Sink, que já se tinha estreado no MCU este ano com um pequeno papel como Jean Grey em “Spider-Man: Brand New Day”, assume agora oficialmente o papel completo da telepata mais poderosa da equipa — uma progressão natural que confirma que essa aparição não foi um mero cameo isolado, mas sim uma preparação deliberada para este momento. Christopher Abbott dá corpo ao Professor Charles Xavier, o mentor e fundador da escola de mutantes, enquanto Samara Weaving interpreta Emma Frost, a telepata de gelo com um passado tão sedutor quanto perigoso. Inde Navarrette assume o papel de Rogue, a mutante que absorve poderes e memórias através do toque, e Maya Boyd interpreta Tempestade, a controladora dos elementos com uma das histórias mais icónicas de toda a Marvel Comics.

A escolha mais surpreendente, no entanto, foi a de Adam Driver, confirmado no papel de Nathaniel Milbury — nome que os fãs mais atentos reconhecem imediatamente como o alter ego secreto de Senhor Sinistro, um dos maiores e mais perturbadores antagonistas da mitologia dos X-Men na banda desenhada, conhecido pela sua obsessão genética com a evolução mutante e pela manipulação da própria linhagem de Ciclope ao longo de gerações. É uma escolha de casting que sugere uma abordagem séria e psicologicamente complexa ao vilão, em linha com o histórico de Driver em papéis dramaticamente exigentes.

A realização do filme, ainda sem título oficial, ficará a cargo de Jake Schreier, cineasta que já mostrou aptidão para equilibrar ação e profundidade emocional em projetos anteriores. A estreia está marcada, para já, para 5 de maio de 2028 — uma data que deixa ainda um longo caminho de produção, promoção e, muito provavelmente, mais anúncios de elenco pela frente. O próprio Feige fez questão de sublinhar, no momento da revelação, que esta lista de nomes está longe de estar completa, deixando em aberto a porta para outras adições de peso ao elenco nos próximos meses.

O momento em palco teve ainda um detalhe emotivo: os atores revelados conheceram-se pela primeira vez uns aos outros precisamente nos bastidores do D23, momentos antes do anúncio — um gesto que a Marvel soube explorar bem em termos de espetáculo, mas que também sinaliza a fase ainda muito inicial em que este projeto se encontra.

Para os fãs portugueses da Marvel, este anúncio representa o arranque oficial de uma nova era mutante dentro do MCU, depois de anos de expectativa gerada pela integração dos X-Men no universo principal, na sequência da aquisição da Fox pela Disney. Resta agora aguardar mais detalhes sobre argumento, tom e a restante composição do elenco.

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A um mês da estreia, marcada para 10 de setembro, “Santo António, O Casamenteiro de Lisboa” confirma-se como uma das apostas mais ambiciosas do cinema português para este outono — e talvez a que melhor resuma aquilo a que se propõe logo no próprio material de divulgação: uma carta de amor a Lisboa, escrita em forma de comédia.

A história parte de uma das tradições mais emblemáticas da cidade, os Casamentos de Santo António, e da ameaça, cada vez mais concreta, de essa tradição desaparecer. Carmo e Valentim, dois funcionários da Câmara Municipal de Lisboa com mais de 25 anos dedicados à organização do evento, veem o seu trabalho de uma vida inteira posto em causa quando a Stardust, um grande grupo francês prestes a assumir a gestão dos Casamentos, decide que a tradição “bateu no fundo” e precisa de ser modernizada — ou extinta. O ultimato que recebem é duro: ou conseguem transformar o evento em algo moderno e bem-sucedido, ou serão despedidos. Contra todas as probabilidades, os dois lançam-se então na missão de criar a edição mais icónica de sempre dos Casamentos de Santo António, movidos por uma convicção simples e inegociável: Lisboa e as suas tradições não estão à venda.

É esta tensão entre tradição e modernidade, entre o afeto por aquilo que sempre existiu e a pressão constante para “atualizar” tudo o que é genuinamente local, que dá ao filme o seu verdadeiro fôlego dramático — sem nunca perder o tom de comédia romântica que o caracteriza. Entre marchas populares, bairros históricos, encontros inesperados e personagens que prometem ficar na memória do público, o filme convida a redescobrir uma Lisboa onde passado e presente convivem em harmonia, e onde os afetos continuam a atravessar gerações inteiras.

O elenco é, sem exagero, um dos mais extensos e cuidados vistos recentemente numa produção nacional. Rita Blanco e Joaquim Monchique protagonizam, mas à sua volta reúne-se um verdadeiro quem-é-quem do cinema e da televisão portuguesa: Joaquim de Almeida, Maria João Bastos, Albano Jerónimo, o ator espanhol Paco León, Maria Rueff, Isabel Abreu, Ana Bola, Lídia Franco, Rui Mendes, João Catarré, Jacqueline Corado, Inês Aires Pereira, Miguel Amorim, Nuno Nolasco, Pedro Nuno, Vasco Pereira Coutinho, Catarina Rabaça, Francisco Soares, Catarina Raimundo e João Azevedo completam um elenco coral raramente visto à escala nacional — o tipo de escalação que só um filme genuinamente sobre a identidade coletiva de uma cidade conseguiria justificar.

Atrás das câmaras está Ruben Alves, realizador de “A Gaiola Dourada”, um dos maiores êxitos de bilheteira do cinema português junto do público francês, e que regressa agora à comédia depois de ter conquistado esse público com uma história igualmente centrada na identidade e no orgulho de pertencer a um lugar. O argumento é coescrito por Alves ao lado do argumentista espanhol Fer Pérez, conhecido pelo trabalho em “Kiki, o Amor Faz-se” e “Arde Madrid” — uma parceria que ajuda a explicar o equilíbrio entre humor, romance e emoção que atravessa toda a narrativa.

Com distribuição pela NOS Audiovisuais e estreia marcada para 10 de setembro, “Santo António, O Casamenteiro de Lisboa” já tem site oficial (blablablamedia.com/santoantonio) e página de Instagram dedicada (@santoantonio_film), onde é possível acompanhar novidades até à estreia. Uma comédia profundamente portuguesa, pensada, acima de tudo, para quem sente que Lisboa não se explica sem as suas tradições.

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Alternativa: “Quatro nomeações aos Óscares depois: a versão de Robert Eggers de ‘Nosferatu’ chega à televisão portuguesa”

Poucas figuras do cinema de terror carregam tanto peso histórico quanto o Conde Orlok. Em 1922, o realizador alemão F.W. Murnau criou “Nosferatu, uma Sinfonia do Horror” como uma adaptação não autorizada de “Drácula”, de Bram Stoker — um esquema tão descarado de contornar direitos de autor que a viúva do escritor processou os produtores e conseguiu, num tribunal alemão, uma ordem judicial para destruir todas as cópias do filme. Sobreviveram apenas algumas, escondidas, e foi por sorte que uma obra hoje considerada um dos pilares fundadores do cinema de terror e do expressionismo alemão chegou até nós. Mais de um século depois, essa mesma criatura das trevas ressuscita pelas mãos de Robert Eggers, e a sua versão de “Nosferatu” estreia na televisão portuguesa a 21 de agosto, pelas 21h30, no TVCine Top e no TVCine+.

A história mantém os contornos essenciais do original: na Alemanha do século XIX, Thomas Hutter é enviado à distante Transilvânia para fechar a venda de uma propriedade a um misterioso conde. O que começa como uma simples transação imobiliária transforma-se rapidamente num pesadelo, quando Hutter percebe que o enigmático Conde Orlok está longe de ser humano. Enquanto a criatura viaja até à cidade de Wisborg, deixando um rasto de terror e morte por onde passa, Ellen, a jovem esposa de Hutter, começa a ser assombrada por sonhos cada vez mais perturbadores — visões que a ligam, de forma inexplicável e profundamente inquietante, ao próprio Orlok.

O elenco é um dos grandes trunfos desta versão: Bill Skarsgård, irreconhecível sob camadas de maquilhagem e prostética, interpreta o Conde Orlok; Lily-Rose Depp dá corpo a Ellen, numa interpretação fisicamente exigente que exigiu da atriz um investimento emocional pouco comum; e Nicholas Hoult veste a pele de Hutter. Completam o elenco principal Willem Dafoe, Aaron Taylor-Johnson e Emma Corrin, um naipe de atores que reflete bem a ambição do projeto.

Eggers, realizador conhecido pela obsessão com o rigor histórico e pela construção de atmosferas hipnóticas — visível já em “A Bruxa”, “O Farol” e “O Homem do Norte” —, tratou este “Nosferatu” como um projeto pessoal de longa data, tendo manifestado interesse em realizá-lo muito antes de qualquer um dos seus filmes anteriores ter sido produzido. O resultado valeu-lhe reconhecimento imediato da Academia: o filme recebeu quatro nomeações aos Óscares, nas categorias de Melhor Fotografia (Jarin Blaschke, colaborador habitual do realizador, na sua segunda nomeação depois de “O Farol”), Melhor Design de Produção, Melhor Guarda-Roupa e Melhor Maquilhagem e Penteados. Para além do reconhecimento crítico, o filme foi também um sucesso comercial claro, arrecadando 182 milhões de dólares em bilheteira mundial contra um orçamento de 50 milhões — tornando-se, até à data, a produção mais rentável da carreira de Eggers.

Mais do que um simples remake, este “Nosferatu” propõe-se como uma reafirmação daquilo que torna o vampiro uma das figuras mais duradouras da cultura popular: o desejo, a morte e a perdição condensados numa única criatura, tão sedutora quanto aterradora. Um conto de horror gótico, belo e trágico, que prova que mais de cem anos depois da sua primeira aparição nos ecrãs, o Conde Orlok continua a ter muito por revelar.

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O Top 10 de filmes da Prime Video em Portugal esta semana revela um padrão pouco óbvio: três dos dez títulos, “Emmanuelle”, “Flight Risk” e “Nosferatu”, não são lançamentos novos, mas sim filmes de 2024 e 2025 que acabaram de ser adicionados ao catálogo da plataforma, gerando um pico de visualizações que nada tem a ver com uma estreia real. Ao mesmo tempo, a Amazon aposta em dois originais mesmo recentes e vê dois antigos êxitos de bilheteira consolidarem-se em streaming.

1. Afterburn

Filme de ação pós-apocalíptico realizado por J.J. Perry, com Dave Bautista, Samuel L. Jackson, Olga Kurylenko e Kristofer Hivju. Depois de uma explosão solar destruir o hemisfério oriental da Terra, um caçador de tesouros parte para a Europa em busca da Mona Lisa. Teve uma passagem discreta pelos cinemas, 1,3 milhões de dólares face a um orçamento de 56 milhões, mas tornou-se sucesso de streaming meses depois.

2. Masters of the Universe

Adaptação em ação real da franquia He-Man, realizada por Travis Knight, com Nicholas Galitzine no papel de Príncipe Adam e Jared Leto como Skeletor. O elenco inclui ainda Camila Mendes, Idris Elba e Kristen Wiig. Estreou nos cinemas a 5 de junho de 2026 pela Amazon MGM Studios e chega agora à Prime Video 22 dias depois de entrar no top.

3. Emmanuelle

O remake de 2024 do clássico erótico francês, realizado por Audrey Diwan, com Noémie Merlant no papel principal e Naomi Watts em papel secundário. Estreou nos cinemas em setembro de 2024. A presença no top da Prime Video esta semana, com apenas 3 dias de permanência, deve-se à sua chegada recente ao catálogo da plataforma, não a um novo lançamento.

4. Project Hail Mary

Adaptação do romance de Andy Weir, com Ryan Gosling no papel de um professor de ciências enviado ao espaço para travar a extinção do Sol. Estreou nos cinemas em março de 2026 e ultrapassou os 677 milhões de dólares em bilheteira mundial. É o título com mais tempo consecutivo no top da lista desta semana, 41 dias, confirmando a força de permanência de um sucesso de cinema quando chega ao streaming.

5. Flight Risk

Thriller de ação realizado por Mel Gibson, com Mark Wahlberg, Michelle Dockery e Topher Grace, sobre um piloto que transporta uma agente federal e um fugitivo pela natureza selvagem do Alasca. Estreou nos cinemas em janeiro de 2025. Tal como “Emmanuelle”, os seus 9 dias no top da Prime Video correspondem à chegada recente ao catálogo, não a uma estreia.

6. Shadow Force

Filme de ação realizado por Joe Carnahan, com Kerry Washington e Omar Sy no papel de antigos líderes de uma unidade multinacional de elite obrigados a voltar à ação. Estreou nos cinemas em maio de 2025.

7. The Devil’s Mouth

Thriller de sobrevivência realizado por Jeff Wadlow, com Kathryn Newton e Lana Condor, sobre um grupo de amigos atacado por um tubarão-touro num sistema de grutas subaquáticas na Tailândia. É um original Amazon, lançado diretamente na Prime Video a 29 de julho de 2026, o que explica os seus 15 dias no top.

8. Beast Race

Ficção científica distópica brasileira, corealizada por Fernando Meirelles (o primeiro filme em português do realizador desde “Cidade de Deus”), com Rodrigo Santoro e Isis Valverde. Passa-se num Rio de Janeiro futuro onde o mar secou, e segue um jovem obrigado a participar numa competição mortal de parkour para salvar a irmã. Lançado como original Amazon a 7 de agosto de 2026, o que corresponde aos seus 6 dias no top.

9. Nosferatu

O remake de Robert Eggers do clássico de terror, com Bill Skarsgård no papel do Conde Orlok, Lily-Rose Depp e Nicholas Hoult. Estreou nos cinemas em dezembro de 2024. Como os outros títulos “antigos” desta lista, os seus 10 dias no top da Prime Video refletem a chegada recente ao catálogo da plataforma.

10. How to Have Sex

Drama de amadurecimento britânico, estreia na realização de Molly Manning Walker, com Mia McKenna-Bruce no papel principal. Segue um grupo de adolescentes inglesas numa viagem pós-exames à ilha grega de Malia. Venceu a secção Un Certain Regard no Festival de Cannes de 2023.

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Chegam hoje aos cinemas portugueses cinco novas estreias, lideradas por “O Fim de Oak Street”, um caso raro em que a força comercial e a aclamação da crítica coincidem no mesmo título. A semana traz ainda “Apenas Uma Noite”, comédia romântica construída à volta de uma premissa insólita, e o regresso de dois nomes consagrados da comédia francesa em “Oh La La 2”.

O Fim de Oak Street

Anne Hathaway e Ewan McGregor protagonizam este thriller de ficção científica realizado por David Robert Mitchell, conhecido por “It Follows”. A história acompanha uma família suburbana transportada, com toda a sua rua, para um lugar desconhecido depois de um acontecimento cósmico. As primeiras reações da crítica têm sido excecionalmente positivas, com comparações à saga “Jurassic Park” e elogios como “a maior surpresa do Verão”. As previsões apontam para uma receita entre 15 e 20 milhões de dólares só na estreia norte-americana. Distribuído em Portugal pela Cinemundo, é o título com maior força comercial da semana, e também o mais bem cotado pela crítica, uma combinação pouco frequente.

Apenas Uma Noite

Will Gluck realiza esta comédia romântica de alto conceito, situada num mundo onde as relações sexuais fora do casamento são ilegais, exceto numa janela de doze horas por ano. Monica Barbaro, Callum Turner e Maya Hawke protagonizam. A receção da crítica dividiu-se, com 51% de aprovação no Rotten Tomatoes, entre elogios de “deleite absoluto” e avaliações de zero estrelas, mas há consenso quanto à química entre o elenco principal.

Oh La La 2

Christian Clavier e Didier Bourdon regressam nesta sequela de comédia francesa, sobre duas famílias que descobrem, através de testes de ADN, estarem ligadas entre si, e decidem organizar o casamento dos filhos. O arranque em França ficou aquém do primeiro filme, com 26 mil entradas no dia de estreia, face às 63 mil do original, e a receção da crítica foi morna. Ainda assim, o peso dos dois protagonistas garante uma base de público em Portugal.

Finnik: Criaturas Mágicas

Sequela da animação russa sobre Finnick, criatura invisível que perde os seus poderes e parte à procura de os recuperar. Distribuído pela Pris Audiovisuais, é um título dirigido ao público infantil, mas com marketing internacional limitado, o que o coloca em desvantagem face a animações ocidentais de maior orçamento já em exibição.

Reflexo Num Diamante Morto

Hélène Cattet e Bruno Forzani assinam esta homenagem estilizada ao giallo e ao cinema de espionagem dos anos 60, sobre um espião reformado confrontado com o desaparecimento misterioso de uma vizinha. O filme passou pela competição do Festival de Berlim e recebeu elogios pela ousadia visual. Distribuído pela No Comboio com uma escala mínima de exibição, é o título mais restrito da semana, dirigido a um público de cinefilia de género.

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“Anaconda” chega ao TVCine: a comédia de ação que reinventa um clássico trash dos anos 90

Há filmes que se tornam clássicos pela qualidade, e outros que se tornam clássicos precisamente pelo oposto — pela sua incompetência tão sincera que acaba por ser adorável. “Anaconda”, de 1997, com Jennifer Lopez, Ice Cube, Jon Voight e Eric Stoltz, pertence claramente à segunda categoria: um filme de terror sobre uma cobra gigante na Amazónia que, décadas depois, continua a ser revisitado com carinho irónico por gerações de espectadores que cresceram a vê-lo em tardes de televisão. Agora, essa nostalgia ganha uma nova camada de metaficção: “Anaconda” (2025) estreia na televisão portuguesa a 14 de agosto, sexta-feira, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e no TVCine+.

O conceito é tão simples quanto engenhoso. Doug (Jack Black) e Griff (Paul Rudd) são melhores amigos desde a infância e partilham uma obsessão de longa data: o filme “Anaconda” original, que ambos consideram uma obra-prima involuntária. Em plena crise de meia-idade, decidem finalmente avançar com o projeto que sempre sonharam — refazer o filme, cena a cena, com um orçamento modesto e uma equipa de amigos improvisada. Rumam então ao coração da Amazónia para começar as filmagens, entusiasmados e despreocupados. O problema é que, desta vez, a ameaça não é de plástico e efeitos especiais baratos: uma anaconda gigante genuinamente real surge no meio da produção, transformando um set de filmagens já de si comicamente caótico numa autêntica luta pela sobrevivência. A ironia central do filme está mesmo no título do comunicado: os planos eram grandes, mas as cobras são maiores.

Esta releitura é assinada por Tom Gormican, realizador conhecido pela também meta-referencial “O Peso Insuportável de Um Enorme Talento”, com Nicolas Cage a interpretar uma versão exagerada de si próprio — e é fácil perceber porque foi o nome escolhido para este projeto, dado o gosto do realizador por comédias que brincam abertamente com o género e com as próprias estrelas que as protagonizam. Ao lado de Rudd e Black, o elenco reúne Steve Zahn e Thandiwe Newton como outros dois amigos de longa data que se juntam à expedição amazónica, e Selton Mello a completar o núcleo principal.

Há ainda um motivo de orgulho adicional para o público português: Daniela Melchior integra o elenco principal no papel de Ana Almeida, a capitã do barco que conduz o grupo pela Amazónia — mais um passo na carreira internacional em ascensão constante da atriz portuguesa, que se junta assim a um elenco maioritariamente americano num projeto de grande visibilidade da Sony Pictures. Depois da estreia nos cinemas, em dezembro do ano passado, e do sucesso de bilheteira que confirmou o apetite do público por este tipo de comédia autoconsciente, “Anaconda” chega agora aos Canais TVCine prometendo a mesma dose de aventura, humor absurdo e boa disposição que já tinha conquistado as salas.

“Reacher” está de volta: 4.ª temporada estreia a 12 de agosto na Prime Video
“The Dog Stars”: Ridley Scott leva Jacob Elordi a um mundo pós-apocalíptico
“Coyote vs. Acme”: o filme que a Warner Bros. quis apagar chega finalmente aos cinemas

“Reacher” está de volta: 4.ª temporada estreia a 12 de agosto na Prime Video

Alan Ritchson veste de novo a pele de Jack Reacher. A quarta temporada da série chega à Prime Video já a 12 de agosto, com estreia tripla — os três primeiros episódios ficam disponíveis logo no arranque, seguidos de lançamentos semanais até meados de setembro.

James Gray homenageado em Locarno com o Pardo de Carreira

Baseada em “Gone Tomorrow”, o 13.º livro da saga de Lee Child, esta nova temporada muda de cenário: pela primeira vez, a ação sai das pequenas cidades que caracterizaram as temporadas anteriores e instala-se em Filadélfia. Tudo começa com um encontro aparentemente inocente com uma desconhecida angustiada no metro, que corre mal e arrasta Reacher para um jogo mortal contra inimigos ligados aos escalões mais altos do poder. Maria Sten regressa como Frances Neagley, e juntam-se ao elenco Chris Marquette, Sydelle Noel, AGNEZ MO, Anggun, Kevin Weisman, Marc Blucas, Kevin Corrigan e Kathleen Robertson.

“The Dog Stars”: Ridley Scott leva Jacob Elordi a um mundo pós-apocalíptico

Com três temporadas de sucesso consolidado, “Reacher” continua a ser um dos valores mais seguros do catálogo de ação da Prime Video — e esta mudança de cenário promete injetar fôlego novo à fórmula.

“The Dog Stars”: Ridley Scott leva Jacob Elordi a um mundo pós-apocalíptico

James Gray homenageado em Locarno com o Pardo de Carreira

O Festival de Locarno homenageou o realizador norte-americano James Gray com o Pardo alla Carriera — o prémio de carreira da 79.ª edição do festival —, entregue a 9 de agosto, antes da apresentação do seu mais recente filme, “Paper Tiger”. Gray, autor de obras como “Armageddon Time” e “Ad Astra”, aproveitou a conferência de imprensa para partilhar algumas das suas reflexões mais pessoais sobre o ofício de fazer cinema.

“The Dog Stars”: Ridley Scott leva Jacob Elordi a um mundo pós-apocalíptico

Uma das ideias centrais da conversa: os atores, defende Gray, “ditam o estilo do filme muito mais do que se costuma falar”, e o trabalho do realizador passa sobretudo por garantir que se sentem completamente confortáveis para dar o seu melhor. Gray falou ainda sobre a dificuldade dos homens em lidar com o seu lado mais sensível no cinema, e sobre como a sua “fantástica mulher” e os seus “ótimos filhos” são, nas suas palavras, “material pouco bom para drama” — uma vida estável, ao que parece, não faz um argumento.

TVCine dedica sextas-feiras de agosto e setembro ao cinema de culto de Pete Walker

A frase que resume melhor a sua visão sobre o cinema, no entanto, ficou para o fim: “Para mim, o cinema é a forma de arte mais bonita, porque é o mais próximo que temos de um sonho. O sono REM dura, com sorte, hora e meia a duas horas por noite.” Aos 56 anos, Gray fez ainda questão de deixar claro que não se considera “velho” e que tem, “espero, muitos bons filmes ainda pela frente — talvez até melhores”.

FEST leva cinema gratuito, ao ar livre, a todas as freguesias de Espinho

“The Dog Stars”: Ridley Scott leva Jacob Elordi a um mundo pós-apocalíptico

Ridley Scott regressa ao género de sobrevivência com “The Dog Stars”, thriller pós-apocalíptico que chega aos cinemas a 28 de agosto. Baseado no romance best-seller de Peter Heller, o filme segue Hig (Jacob Elordi), um jovem piloto que, ao lado do sobrevivencialista militar Bangley (Josh Brolin), construiu uma pequena base isolada mas eficiente num mundo devastado. Tudo muda quando uma misteriosa transmissão de rádio o leva a arriscar-se para além dos limites conhecidos, em busca da esperança e da humanidade em que ainda acredita existirem algures.

TVCine dedica sextas-feiras de agosto e setembro ao cinema de culto de Pete Walker

O elenco reúne nomes de peso: além de Elordi e Brolin, contam-se ainda Margaret Qualley, Allison Janney, Benedict Wong e Guy Pearce. O trailer mostra Hig e o seu cão a explorarem as ruínas de uma cidade abandonada no seu biplano amarelo, revivendo memórias de uma vida anterior ao fim da civilização, enquanto a personagem de Qualley lhe atira a pergunta que resume todo o filme: “Então, o que é que fazias antes do mundo acabar?”

FEST leva cinema gratuito, ao ar livre, a todas as freguesias de Espinho

O projeto foi revelado pela primeira vez na CinemaCon, e junta-se a um ano particularmente produtivo para Scott, que continua a explorar, década após década, os limites da sobrevivência humana em cenários hostis — desta vez, sem naves espaciais nem gladiadores, apenas um homem, um cão e um mundo que já não existe.

Antestreia de “O Fim de Oak Street” já a 12 de agosto em Lisboa e Matosinhos

TVCine dedica sextas-feiras de agosto e setembro ao cinema de culto de Pete Walker

Entre 14 de agosto e 11 de setembro, os Canais TVCine mergulham no universo grotesco e deliberadamente provocador de Pete Walker (n. 1939), figura de culto do cinema britânico que fez do terror e da sexploitation a sua marca registada ao longo dos anos 1960 e 1970. O especial decorre todas as sextas-feiras, a partir das 23h, em exclusivo no TVCine Edition e no TVCine+.

Walker construiu carreira à margem da indústria — e sempre com noção plena disso. “Eu era o convidado indesejado da indústria cinematográfica britânica, ninguém queria conhecer-me”, recordava o realizador numa entrevista ao The Guardian em 2005, na qual descrevia uma época em que conseguiu sucesso comercial relativo com filmes de baixo orçamento que ele próprio financiava. A filosofia por trás do trabalho não deixava margem para dúvidas: “Irrito deliberadamente as pessoas, quero que elas entrem no cinema e fiquem chocadas.” O mesmo jornal resumia a fórmula do realizador como filmes que “cativavam o público com sexo e violência para depois testar os seus limites, transformando os pilares do sistema em alvos de medo e ridículo”. Hoje reformado no Algarve, Walker tem visto a sua obra ser progressivamente reavaliada: em março deste ano, o The Telegraph definiu-o como “o mais controverso realizador britânico” e defendeu que “precisamos de mais realizadores como ele”.

“School For Sex” (1969), 14 de agosto, às 23h05
Lord Wingate, absolvido de um julgamento por fraude, decide criar uma “escola de boas maneiras” para raparigas, com a ajuda da Duquesa de Burwood e de Hector — recrutando o primeiro grupo de alunas diretamente da prisão de Holloway. Com Derek Aylward e Rose Alba.

“Hot Girls For Men Only” (1967), 21 de agosto, às 23h
Uma sofisticada colunista de moda londrina aceita um emprego numa editora dirigida por um autoproclamado “defensor da moral” numa pequena cidade, para desagrado do namorado rico e ciumento. Com David Kernan e Andrea Allan.

“The Flesh and Blood Show” (1972), 28 de agosto, às 23h
Um grupo de jovens atores aceita ensaiar uma peça obscura num teatro abandonado à beira-mar — uma oportunidade artística que rapidamente se transforma em isolamento, paranoia e numa ameaça mortal, à medida que um maníaco começa a eliminar o elenco. Com Ray Brooks e Robin Askwith.

“The Big Switch” (1968), 4 de setembro, às 23h
O playboy John Carter é acusado do homicídio de uma loira numa discoteca e obrigado, por um grupo de gangsters, a posar para fotografias pornográficas. Com Sebastian Breaks e Virginia Wetherell.

“Cool It, Carol!” (1970), 11 de setembro, às 23h
Um casal ingénuo abandona a sua pequena cidade rumo a Londres, em busca de sucesso no mundo do entretenimento para adultos. Com Robin Askwith e Janet Lynn.

Cinco filmes, uma filmografia inteira construída à margem do bom gosto — e, precisamente por isso, cada vez mais reivindicada como parte legítima da história do cinema britânico.

FEST leva cinema gratuito, ao ar livre, a todas as freguesias de Espinho

O top de filmes do Netflix: crime real, nostalgia coreana e a sombra do Homem-Aranha

“Coyote vs. Acme”: o filme que a Warner Bros. quis apagar chega finalmente aos cinemas

FEST leva cinema gratuito, ao ar livre, a todas as freguesias de Espinho

Nos últimos dias de agosto, a associação cultural FEST junta-se à Câmara Municipal de Espinho para levar o cinema às ruas — literalmente. A iniciativa passa por todas as freguesias do concelho, com sessões ao ar livre e totalmente gratuitas, sem necessidade de reserva.

O ciclo arranca a 19 de agosto, na Freguesia de Anta (Adro da Igreja), com “Refrigerantes e Canções de Amor”, de Luís Galvão Teles, comédia romântica sobre um músico falhado que vê o antigo parceiro de banda tornar-se numa das maiores estrelas pop portuguesas — e lhe roubar a namorada — antes de se apaixonar, à primeira vista, por uma misteriosa mulher fantasiada de dinossauro cor-de-rosa num supermercado. No dia seguinte, 20 de agosto, é a vez da Freguesia de Silvalde (também no Adro da Igreja) receber “DOT.COM”, também de Galvão Teles, sobre uma pequena aldeia portuguesa que se torna notícia depois de uma multinacional espanhola pressionar os moradores a fechar o site da comunidade por partilhar nome com uma marca de água engarrafada.

A 21 de agosto, o Parque Américo Magano, em Paramos, acolhe “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, drama sobre uma jovem que joga futebol na equipa masculina juvenil de uma aldeia remota nas montanhas portuguesas, e cuja rotina de treinos intensos com o pai é abalada pelo regresso inesperado do irmão mais velho, ausente desde um incêndio trágico que lhes tirou a mãe.

O ponto alto do ciclo chega a 27 de agosto, nas Escadas da Baía, em Espinho: “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, vencedor do Grande Prémio do Júri (Urso de Prata) no Festival de Berlim de 2025, além do Prémio do Júri Ecuménico e do Prémio do Júri de Leitores do Berliner Morgenpost — o primeiro filme brasileiro a competir pelo Urso de Ouro desde 2020. Ambientado numa Amazónia distópica, segue Tereza, 77 anos, chamada pelo governo a viver numa colónia residencial destinada a idosos, mas decidida a não abdicar dos seus sonhos nem da sua liberdade. O elenco reúne Denise Weinberg, Rodrigo Santoro, Adanilo e a atriz cubana Miriam Socarrás.

O ciclo fecha a 28 de agosto, no Largo da Igreja de Guetim, com “Benzinho”, de Gustavo Pizzi, comédia dramática sobre Irene, mãe de família que precisa de lidar com a partida do filho mais velho, Fernando, rumo à Alemanha para tentar a vida como jogador de andebol.

Qualquer dúvida sobre a iniciativa pode ser esclarecida através do email [email protected].

Estreias de 6 de agosto: de Tânger a Wonderland, passando por Carlos Paião

Antestreia de “O Fim de Oak Street” já a 12 de agosto em Lisboa e Matosinhos

Venice 2026: divulgado o lineup completo, com McDonagh, Zeller e Casey Affleck em competição

Antestreia de “O Fim de Oak Street” já a 12 de agosto em Lisboa e Matosinhos

Quem não quiser esperar pela estreia oficial já tem alternativa: “O Fim de Oak Street”, com Anne Hathaway e Ewan McGregor, tem antestreia marcada para quarta-feira, dia 12 de agosto, às 21h30, nos cinemas NOS Colombo, em Lisboa, e NOS NorteShopping, em Matosinhos — véspera da estreia oficial nas salas portuguesas, a 13 de agosto.

Realizado por David Robert Mitchell, o filme de ficção científica segue um acontecimento misterioso que transporta Oak Street, uma rua suburbana típica da classe média americana, para um lugar desconhecido e extremamente perigoso. Além de Hathaway e McGregor, o projeto tem a chancela de J.J. Abrams na produção, ao lado de Hannah Minghella, Jon Cohen, o próprio Mitchell, Matt Jackson e Tommy Harper — uma combinação de nomes que garante, à partida, um elevado nível de ambição visual e narrativa.

Para quem gosta de descobrir os filmes antes de toda a gente, esta é uma das antestreias mais aguardadas do mês.

Estreias de 6 de agosto: de Tânger a Wonderland, passando por Carlos Paião

“Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé”: o papel que valeu a Rose Byrne o Óscar chega ao TVCine

Universal torna-se o primeiro estúdio a ultrapassar 4 mil milhões de dólares em 2026

“Spider-Man: Brand New Day” já é a segunda maior estreia global de sempre

Venice 2026: divulgado o lineup completo, com McDonagh, Zeller e Casey Affleck em competição

O Festival de Veneza revelou o programa completo da sua 83.ª edição, que decorre de 2 a 12 de setembro. A abrir o festival está “Ink”, de Danny Boyle, sobre a ascensão de Rupert Murdoch — a fechar, fora de competição, “Dio Ride”, drama histórico de Giovanni Veronesi.

Na corrida ao Leão de Ouro destacam-se nomes de peso: Martin McDonagh apresenta “Wild Horse Nine”, thriller da CIA passado pouco antes do golpe chileno de 1973, com John Malkovich, Sam Rockwell e Steve Buscemi; Florian Zeller estreia “Bunker”, com um elenco que junta Penélope Cruz, Javier Bardem, Stephen Graham, Paul Dano e Patrick Schwarzenegger; Casey Affleck estreia-se na realização com “Company”, já descrito como horror gótico; e Robert Pattinson protagoniza “Primetime”, um dos títulos mais aguardados da seleção. A lista de competição inclui ainda novos filmes de Werner Herzog, Lee Chang-dong e Hirokazu Kore-eda.

O júri principal é presidido por Maggie Gyllenhaal, que se junta a Kaouther Ben Hania, Johnnie To, Xavier Giannoli, Shahrbanoo Sadat, Daniel Blumberg e Francesco Casetti na decisão de quem leva o Leão de Ouro para casa. Com este naipe de realizadores e atores, Veneza confirma-se, mais uma vez, como o primeiro grande ponto de encontro da corrida aos prémios do próximo ano.

O top de filmes do Netflix: crime real, nostalgia coreana e a sombra do Homem-Aranha
“Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé”: o papel que valeu a Rose Byrne o Óscar chega ao TVCine
“Spider-Man: Brand New Day” já é a segunda maior estreia global de sempre

O top de filmes do Netflix: crime real, nostalgia coreana e a sombra do Homem-Aranha

Se o top do Disney+ era um mapa da antecipação a “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, o top de filmes do Netflix desta semana é outra coisa: um retrato quase perfeito do que faz esta plataforma funcionar. True crime a dominar, comédia a viralizar em 24 horas, um blockbuster de terror recém-saído dos cinemas e, no meio de tudo isto, um dragão coreano de 2007 a lembrar-nos que às vezes basta estar disponível para voltar a ser visto.

1. The Last House

No topo está a estreia mais recente da lista, com apenas dois dias de catálogo. Greta Lee e Wagner Moura protagonizam este thriller de sobrevivência realizado por Louis Leterrier, sobre uma família selada dentro de casa por uma ameaça invisível, sem saída e com os recursos a esgotar-se. A crítica recebeu-o com frieza, mas a novidade da estreia é, por si só, suficiente para o lançar directo ao primeiro lugar.

2. GOAT

A animação da Sony Pictures Animation sobre uma cabra que sonha ser a melhor no desporto fictício “roarball” já tinha feito o trabalho pesado nos cinemas: maior estreia de um animado original desde “Elemental” e mais de 100 milhões de dólares arrecadados. Produzida por Stephen Curry e com vozes como Gabrielle Union e Nick Kroll, chega agora ao streaming a confirmar o que já sabíamos, o público familiar segue sempre a animação de qualidade, seja em sala ou em casa.

3. 72 Hours

Kevin Hart e Tim Story voltam a fazer o que sabem fazer melhor: comédia rápida, situações absurdas, boa companhia. A história de um executivo de 40 anos arrastado por engano para uma despedida de solteiro em Miami com vinte-e-poucos anos tornou-se o filme mais visto do mundo em apenas um dia, presente no top 10 de 92 países. É o exemplo mais limpo desta lista de como a Netflix ainda sabe fabricar um fenómeno instantâneo.

4. Dragon Wars: D-War

A curiosidade da semana. Não é lançamento novo, é o blockbuster sul-coreano de monstros de 2007, com dragões da mitologia coreana a atacar Los Angeles, que acaba de chegar ao catálogo. Sem campanha, sem imprensa, sem qualquer novidade além da disponibilidade, e ainda assim consegue lugar no top. É a prova de que um catálogo bem recheado às vezes vale tanto quanto um lançamento novo.

5. Elize: Shadows of a Woman

O true crime brasileiro continua a ser uma das apostas mais seguras da plataforma. Lorena Comparato interpreta Elize Matsunaga neste drama sobre o homicídio de Marcos Matsunaga em 2012, um dos casos criminais mais mediáticos do Brasil recente. O filme soma força à docussérie “Elize Matsunaga: Once Upon a Crime”, já no catálogo, um exemplo claro de como a Netflix gosta de explorar o mesmo caso em formatos diferentes para manter o interesse vivo.

6. Final Destination Bloodlines

Catorze anos depois do filme anterior da saga, este sexto capítulo tornou-se o mais bem-sucedido de sempre da franquia, com 105,8 milhões de dólares mundiais na estreia e 93% de aprovação da crítica. Parte do sucesso veio de nostalgia pura, o público mais velho respondeu com particular entusiasmo. Agora, a chegada ao streaming estende a vida comercial de um dos maiores regressos de terror dos últimos anos.

7 e 8. A dupla Spider-Man

“Homecoming” e “Far From Home” repetem exactamente o padrão já visto no top do Disney+: os dois filmes de Tom Holland sobem em antecipação directa à estreia de “Homem-Aranha: Um Novo Dia” nos cinemas. É revelador ver o mesmo efeito a acontecer em duas plataformas ao mesmo tempo, prova de como um lançamento em sala já não afecta só a bilheteira, molda também o que o público escolhe rever em casa semanas antes.

9. Desire

Thriller erótico mexicano, estreia na realização de Teresa Simone, sobre uma advogada casada que arrisca tudo numa relação com o treinador de natação da filha. Depois de passar pelos cinemas do México e de Espanha, chega ao Netflix a confirmar que o género continua a ter um público fiel e internacional, discreto mas consistente.

10. A Toxic Love Story

Fecha a lista outro true crime, desta vez americano: o caso real de Michelle Hadley, presa injustamente durante 88 dias depois de ser incriminada pelo ex-noivo e a nova companheira dele, num esquema elaborado de emails falsos e ameaças fabricadas. Subiu rápido às tabelas nos primeiros dias, reforçando o mesmo padrão que já vemos em “Elize”: não há género que converta melhor curiosidade em visualizações do que uma história de crime verdadeiro bem contada.

O que este top revela

Três dos dez títulos são true crime ou inspirados em casos reais, dois vivem à boleia directa da expectativa por “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, e um é uma relíquia de quase vinte anos que só precisou de aparecer no catálogo para voltar a ser vista. Se o Disney+ mostra como o streaming reage às notícias de Hollywood, o Netflix mostra o oposto: um catálogo que gera os seus próprios fenómenos, quase sempre a partir de histórias verdadeiras e de comédias feitas para durar exactamente o tempo de uma conversa de café.

“Coyote vs. Acme”: o filme que a Warner Bros. quis apagar chega finalmente aos cinemas
“Palestina 36” leva ao TVCine um olhar sobre as origens de um conflito sem fim
“Honeyjoon” chega aos Açores com estreia no Montanha Pico Festival

“Coyote vs. Acme”: o filme que a Warner Bros. quis apagar chega finalmente aos cinemas

Poucos filmes têm uma história de bastidores tão insólita quanto “Coyote vs. Acme”. A comédia que finalmente leva ao grande ecrã a rivalidade mais icónica dos Looney Tunes estreia nas salas portuguesas a 27 de agosto, com distribuição pela NOS Audiovisuais — mas só chega às salas depois de ter sido praticamente condenado ao esquecimento.

O filme estava concluído desde 2023, mas a Warner Bros. Discovery decidiu engavetá-lo, numa das decisões mais polémicas do início do mandato de David Zaslav à frente do estúdio: usar o filme já pronto como prejuízo fiscal, em vez de o lançar. A manobra, que envolveu também o já célebre caso de “Batgirl”, gerou uma onda de indignação entre fãs e dentro da própria indústria. O desenlace só chegou quando o realizador Dave Green foi pessoalmente oferecer o filme a outros distribuidores, e a Ketchup Entertainment acabou por adquirir os direitos mundiais — devolvendo “Coyote vs. Acme” ao caminho dos cinemas, mais de dois anos depois de ter sido dado como perdido.

Na história, Wile E. Coyote decide finalmente responsabilizar a ACME depois de décadas de engenhocas desastrosas na perseguição interminável ao Bip Bip — bombas, ímanes, pedregulhos, comboios, molas, monociclos, tudo o que se possa imaginar já lhe correu mal. Junta-se então ao advogado especializado em acidentes pessoais Kevin Avery (Will Forte) para processar judicialmente a empresa, enfrentando o astuto advogado corporativo Buddy Crane (John Cena) num confronto em tribunal que promete pôr em causa uma das marcas mais emblemáticas do universo Looney Tunes. Lana Condor completa o elenco principal, ao lado das personagens clássicas da Warner Bros., numa mistura de imagem real e animação assinada por Dave Green.

Mais do que uma comédia com nostalgia à mistura, “Coyote vs. Acme” chega às salas como um pequeno triunfo simbólico: o filme que uma gigante do audiovisual preferiu apagar dos livros de contas acabou, afinal, por encontrar o seu caminho até ao público.

Estreias de 6 de agosto: de Tânger a Wonderland, passando por Carlos Paião
“Spider-Man: Brand New Day” já é a segunda maior estreia global de sempre

“Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé”: o papel que valeu a Rose Byrne o Óscar chega ao TVCine

“Palestina 36” leva ao TVCine um olhar sobre as origens de um conflito sem fim

Um dos dramas históricos mais discutidos do circuito de festivais chega agora à televisão portuguesa. “Palestina 36” (“Palestine 36”), da realizadora palestiniana Annemarie Jacir, estreia dia 13 de agosto, quinta-feira, às 22h40, em exclusivo no TVCine Edition e no TVCine+.

O filme recua a 1936, quando aldeias palestinianas se insurgem contra o domínio colonial britânico naquele que ficou conhecido como a Grande Revolta Árabe — um dos episódios mais determinantes e menos retratados no cinema da história do Médio Oriente do século XX, num momento em que o aumento da imigração judaica para a região tensiona ainda mais um território já sob administração do Império Britânico. É nesse contexto que a narrativa segue Yusuf, dividido entre Jerusalém e a sua aldeia natal, à procura de um lugar num futuro cada vez mais incerto.

Jacir, que assina argumento e realização, reuniu um elenco internacional de peso: Jeremy Irons — que interpreta o alto-comissário britânico da época — Hiam Abbass, Saleh Bakri, Robert Aramayo, Billy Howle, Liam Cunningham e Yasmine Al-Massri encabeçam a distribuição de papéis. Irons e Abbass acompanham o projeto desde cedo — o ator conheceu Jacir em 2020, quando ambos integravam o júri da competição principal da Berlinale, e Abbass já tinha trabalhado com a realizadora na série “Ramy”, da Hulu. O filme estreou mundialmente no Festival de Toronto, em setembro, com distribuição internacional assegurada pela mk2 Films e pela Lucky Number.

Mais do que reconstituição histórica, “Palestina 36” propõe-se como uma chave de leitura sobre as raízes de um conflito que, quase um século depois, continua por resolver — um convite a compreender um lugar e um povo através da ficção, sem prescindir do rigor histórico.

“Honeyjoon” chega aos Açores com estreia no Montanha Pico Festival

Estreias de 6 de agosto: de Tânger a Wonderland, passando por Carlos Paião

“Foi Só Um Acidente”, de Jafar Panahi, estreia nos Canais TVCine

Jane Fonda protagoniza adaptação de “The Correspondent”, best-seller de Virginia Evans