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“Nosferatu”: Robert Eggers reinventa o vampiro mais antigo do cinema para o TVCine

Alternativa: “Quatro nomeações aos Óscares depois: a versão de Robert Eggers de ‘Nosferatu’ chega à televisão portuguesa”

Poucas figuras do cinema de terror carregam tanto peso histórico quanto o Conde Orlok. Em 1922, o realizador alemão F.W. Murnau criou “Nosferatu, uma Sinfonia do Horror” como uma adaptação não autorizada de “Drácula”, de Bram Stoker — um esquema tão descarado de contornar direitos de autor que a viúva do escritor processou os produtores e conseguiu, num tribunal alemão, uma ordem judicial para destruir todas as cópias do filme. Sobreviveram apenas algumas, escondidas, e foi por sorte que uma obra hoje considerada um dos pilares fundadores do cinema de terror e do expressionismo alemão chegou até nós. Mais de um século depois, essa mesma criatura das trevas ressuscita pelas mãos de Robert Eggers, e a sua versão de “Nosferatu” estreia na televisão portuguesa a 21 de agosto, pelas 21h30, no TVCine Top e no TVCine+.

A história mantém os contornos essenciais do original: na Alemanha do século XIX, Thomas Hutter é enviado à distante Transilvânia para fechar a venda de uma propriedade a um misterioso conde. O que começa como uma simples transação imobiliária transforma-se rapidamente num pesadelo, quando Hutter percebe que o enigmático Conde Orlok está longe de ser humano. Enquanto a criatura viaja até à cidade de Wisborg, deixando um rasto de terror e morte por onde passa, Ellen, a jovem esposa de Hutter, começa a ser assombrada por sonhos cada vez mais perturbadores — visões que a ligam, de forma inexplicável e profundamente inquietante, ao próprio Orlok.

O elenco é um dos grandes trunfos desta versão: Bill Skarsgård, irreconhecível sob camadas de maquilhagem e prostética, interpreta o Conde Orlok; Lily-Rose Depp dá corpo a Ellen, numa interpretação fisicamente exigente que exigiu da atriz um investimento emocional pouco comum; e Nicholas Hoult veste a pele de Hutter. Completam o elenco principal Willem Dafoe, Aaron Taylor-Johnson e Emma Corrin, um naipe de atores que reflete bem a ambição do projeto.

Eggers, realizador conhecido pela obsessão com o rigor histórico e pela construção de atmosferas hipnóticas — visível já em “A Bruxa”, “O Farol” e “O Homem do Norte” —, tratou este “Nosferatu” como um projeto pessoal de longa data, tendo manifestado interesse em realizá-lo muito antes de qualquer um dos seus filmes anteriores ter sido produzido. O resultado valeu-lhe reconhecimento imediato da Academia: o filme recebeu quatro nomeações aos Óscares, nas categorias de Melhor Fotografia (Jarin Blaschke, colaborador habitual do realizador, na sua segunda nomeação depois de “O Farol”), Melhor Design de Produção, Melhor Guarda-Roupa e Melhor Maquilhagem e Penteados. Para além do reconhecimento crítico, o filme foi também um sucesso comercial claro, arrecadando 182 milhões de dólares em bilheteira mundial contra um orçamento de 50 milhões — tornando-se, até à data, a produção mais rentável da carreira de Eggers.

Mais do que um simples remake, este “Nosferatu” propõe-se como uma reafirmação daquilo que torna o vampiro uma das figuras mais duradouras da cultura popular: o desejo, a morte e a perdição condensados numa única criatura, tão sedutora quanto aterradora. Um conto de horror gótico, belo e trágico, que prova que mais de cem anos depois da sua primeira aparição nos ecrãs, o Conde Orlok continua a ter muito por revelar.

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