Há histórias de cinema que fecham o círculo de forma quase poética. Foi em férias nos Açores com a mãe que a realizadora americana Lilian T. Mehrel imaginou “Honeyjoon”, a sua primeira longa-metragem — e é agora às próprias ilhas que o filme regressa, com estreia no Montanha Pico Festival, marcada para a noite de abertura, sexta-feira, 8 de janeiro de 2027, no Auditório da Madalena.
O projeto nasceu da parceria entre Mehrel e a produtora portuguesa Andreia Nunes, da Wonder Maria Filmes, que submeteram a ideia ao programa “Untold Stories” do Festival Tribeca — e conseguiram, entre mais de 400 candidaturas, garantir um milhão de dólares de financiamento e estreia assegurada na edição de 2025 do festival. Filmado inteiramente na ilha de São Miguel no outono de 2024, “Honeyjoon” estreou mundialmente no Tribeca em junho de 2025, seguiu para Lisboa e depois para uma extensa digressão por festivais nos EUA e por todo o mundo — já leva mais de 50 festivais e uma dúzia de prémios de público e de júri, de Nova Iorque à Califórnia, de Austin a Budapeste.
A história, inspirada na vida da própria realizadora — de ascendência alemã e iraniana —, segue June e a sua mãe persa-britânica, Lela, numa viagem aos Açores para assinalarem, cada uma à sua maneira, o aniversário de luto pela morte do marido e pai. Pelo caminho, um surfista filósofo e charmoso acompanha as duas nas ondas da vida, da perda e de um namorico inesperado. Ayden Mayeri e Amira Casar protagonizam, com José Condessa a completar o elenco principal.
A apresentação em terreno açoriano faz parte da programação regular do festival, que junta sessões de filmes de cultura e cenário montanhoso a uma seleção dedicada a obras feitas por açorianos ou filmadas no arquipélago. “Faz todo o sentido apresentar o filme da Lilian T. Mehrel, com uma história conseguida nas ilhas”, resume Terry Costa, diretor artístico da MiratecArts e fundador do festival, que este ano dedica uma sessão especial em destaque a New Bedford. A 13.ª edição do Montanha Pico Festival decorre a 8, 15, 22 e 29 de janeiro de 2027.
Depois de ter dedicado o primeiro domingo de agosto a Akira Kurosawa, o TVCine Edition continua o ciclo de retrospetivas com outro nome incontornável da história do cinema: Andrei Tarkovsky (1932-1986). Amplamente considerado um dos maiores realizadores de sempre, o cineasta russo defendia que fazer cinema era, acima de tudo, “esculpir o tempo” — e deixou uma obra que continua a inspirar gerações de cineastas. A maratona decorre já no domingo, dia 9 de agosto, a partir das 11h55, no TVCine Edition e no TVCine+.
“O Rolo Compressor e o Violino” (1961), às 11h55 A abrir o dia está a média-metragem que Tarkovsky realizou como trabalho de conclusão de curso na VGIK, a escola de cinema de Moscovo. A história de um rapaz, um violino e um condutor de rolo compressor que o defende do escárnio dos arruaceiros locais já introduz muitos dos temas que viriam a marcar toda a obra do realizador. Com Igor Fomchenko e Vladimir Zamanskiy.
“A Infância de Ivan” (1962), às 12h40 A estreia de Tarkovsky na longa-metragem valeu-lhe, de imediato, o Leão de Ouro no Festival de Veneza. O filme segue Ivan Bondarev, órfão de 12 anos que atua como batedor por trás das linhas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial, criando laços com três oficiais soviéticos enquanto o trauma da perda da família o consome por dentro. Nikolai Burlyaev protagoniza.
“Andrei Rublev” (1966), às 14h15 Considerado hoje um dos filmes essenciais da história do cinema, “Andrei Rublev” segue o monge pintor de ícones que dá nome ao filme através da Rússia medieval do século XV, entre guerras, fome e invasões tártaras, até um voto de silêncio ser quebrado pela inspiração de um jovem fundidor de sinos. Venceu o Prémio FIPRESCI em Cannes, com Anatoly Solonitsyn no papel principal.
“Solaris” (1972), às 17h25 Um dos grandes filmes de ficção científica do século XX, “Solaris” segue o psicólogo Kris Kelvin, enviado para investigar comunicações misteriosas vindas de uma estação espacial — e que acaba por ser arrastado para os recantos mais sombrios da própria consciência. Vencedor do Grande Prémio do Júri e do Prémio FIPRESCI em Cannes, conta com Donatas Banionis e Natalya Bondarchuk.
“O Espelho” (1975), às 20h15 Considerado por muitos a obra-prima de Tarkovsky, este filme profundamente autobiográfico segue um homem moribundo aos quarenta anos que recorda a infância, a mãe, a guerra e o misticismo do quotidiano, num retrato fragmentado da memória e da história da Rússia moderna. Margarita Terekhova protagoniza, com a mãe do próprio realizador, Maria Tarkovskaya, também no elenco.
“Stalker” (1979), às 22h A fechar a noite está talvez o filme mais enigmático de Tarkovsky: na chamada “Zona Proibida”, um escritor e um professor partem à procura de um quarto onde os desejos mais íntimos se realizam, guiados por Stalker — figura tão santo tolo quanto apóstolo de uma nova fé. Aleksandr Kaidanovsky lidera o elenco.
Seis filmes, uma carreira inteira: para quem quer perceber porque é que Tarkovsky continua, quase quatro décadas depois da sua morte, a ser citado como referência incontornável por realizadores de todo o mundo, este domingo no TVCine Edition é uma oportunidade rara.
A semana de 6 de agosto traz um dos cartazes mais heterogéneos do verão: um documentário musical dos anos 2010 a reviver-se em sala, um biopic sobre um dos maiores ícones da música pop portuguesa, dois vencedores de festival vindos de Marrocos e de Itália, uma comédia negra de Gregg Araki, um slasher de Eli Roth com gelados assassinos, um clássico literário francês reinventado e, a fechar, a garantia de bilheteira das férias grandes. Eis o que fica para trás da fila e o que vai encher as salas.
Pulp: Um Filme Sobre a Vida, a Morte e Supermercados
Começamos pela reedição mais inesperada da semana. O documentário de Florian Habicht sobre a banda Pulp, originalmente de 2014, regressa às salas portuguesas pela Alambique, quase de certeza a reboque do renovado interesse pela banda de Jarvis Cocker. É cinema de nicho absoluto, dirigido aos fãs de Britpop e aos cinéfilos com memória de festival, mas continua a ser um retrato delicioso sobre o que significa fama numa cidade pequena.
Campo de Batalha (Campo di battaglia)
Gianni Amelio, veterano do cinema italiano, competiu com este drama de guerra em Veneza. Alessandro Borghi lidera um elenco que atravessa a Primeira Guerra Mundial pela óptica de dois médicos com visões opostas sobre o conflito. É cinema sério, bem cotado pela crítica, mas o peso do tema histórico e a distribuição discreta da Risi Film confinam-no ao público habitual do circuito de autor.
Calle Málaga
Carmen Maura, um dos rostos mais reconhecíveis do cinema ibérico das últimas quatro décadas, protagoniza esta história de uma viúva que luta para não perder a casa de família em Tânger. Maryam Touzani, a realizadora de “O Kaftan Azul”, venceu o Prémio do Público na secção Venice Spotlight, sinal claro de que este é arthouse acessível, feito para tocar sem exigir demasiado do espectador. Tem tudo para agradar ao público mais velho fiel ao cinema europeu, mesmo que a Leopardo Filmes lhe reserve um lançamento modesto.
I Want Your Sex
Gregg Araki, figura fundadora do New Queer Cinema, volta a provocar com Olivia Wilde e Cooper Hoffman numa comédia negra sobre uma artista que transforma o seu assistente em musa sexual, até a obsessão descambar em algo mais sombrio. As críticas são muito positivas, 89% no Rotten Tomatoes, elogiando sobretudo a química entre os protagonistas. Não é filme para multidões, é filme para quem gosta de ver os limites empurrados, mas vai gerar conversa.
Os Miseráveis: A História de Jean Valjean
Éric Besnard pega nas primeiras cem páginas do romance de Victor Hugo e transforma-as num filme autónomo sobre o momento em que Jean Valjean encontra pela primeira vez a bondade. Grégory Gadebois veste a pele da personagem mais icónica da literatura francesa, mas o desempenho em França ficou aquém do que o prestígio da fonte fazia prever, pouco mais de 350 mil entradas para uma produção de sete milhões de euros. Tema respeitável, impacto comercial discreto.
Ice Cream Man
Eli Roth regressa ao terror puro e duro com um conceito de trailer perfeito: um vendedor de gelados transforma as crianças de uma cidade suburbana em assassinos. É o tipo de filme que não precisa de convencer ninguém através da crítica, o nome de Roth e a premissa bastam para encher salas de fim de semana junto do público mais jovem, e a distribuição ampla da NOS Audiovisuais ajuda.
Playback
Se há um filme desta semana feito para tocar o público português de forma mais directa, é este. Rafael Ferreira dá corpo a Carlos Paião num biopic com o aval da família do artista, incluindo uma música inédita recuperada de demos caseiras deixadas pelo compositor. É nostalgia bem dosada para quem cresceu com “Play-Back” e “Chico Fininho”, com cobertura mediática que já vinha a crescer há meses antes da estreia. Tem tudo para ser a grande surpresa nacional do cartaz desta semana.
E o que vai dominar: Patrulha Pata — O Filme dos Dinossauros
Fica para o fim o título que, sem grande margem para dúvida, vai liderar as bilheteiras portuguesas nas próximas semanas. Os dois filmes anteriores da franquia já somam perto de 350 milhões de dólares mundiais, e as previsões para esta terceira aventura apontam para uma estreia entre 15 e 20 milhões de dólares só nos Estados Unidos. É animação de marca reconhecida, com público garantido nas férias grandes e distribuição maciça pela NOS Audiovisuais em praticamente todas as salas do país. Nenhum dos outros sete títulos desta semana tem hipótese de rivalizar com este alcance, mas é precisamente esse contraste, entre o gigante infantil e o resto do cartaz repleto de cinema de autor, terror de nicho e nostalgia nacional, que torna esta semana de estreias uma das mais interessantes de ler, mesmo que não seja a mais interessante de prever em bilheteira.
Poucos papéis geraram tanto consenso crítico nos últimos tempos como o de Rose Byrne em “Se Eu Tivesse Pernas, Dava-te Um Pontapé” (“If I Had Legs I’d Kick You”). O filme, com selo A24, estreia dia 9 de agosto, domingo, às 21h55, em exclusivo no TVCine Top e no TVCine+.
Byrne interpreta Linda, uma terapeuta sobrecarregada que tenta, sem sucesso, encontrar alguma calma para gerir a doença misteriosa da filha e a ausência do marido. Um pequeno desastre no apartamento familiar obriga as duas a mudarem-se para um motel, longe de qualquer zona de conforto — e é aí que tudo começa a desmoronar-se ainda mais: uma paciente de Linda desaparece, as más decisões multiplicam-se, e a personagem mergulha num frenesim de pavor obsessivo onde dependências, desigualdades e neuroses a vão aproximando do abismo.
A interpretação de Byrne rendeu-lhe uma das temporadas de prémios mais notáveis do ano: Urso de Prata de Melhor Interpretação em Berlim, Globo de Ouro, Independent Spirit Award de Melhor Interpretação Principal e, pela primeira vez na carreira, uma nomeação para o Óscar de Melhor Atriz — além de nomeações para o Critics’ Choice Award e o BAFTA. O filme estreou mundialmente no Festival de Sundance de 2025 antes de chegar às salas americanas pela A24.
Por trás das câmaras está Mary Bronstein (realizadora de “Yeast”), que se inspirou nos seus próprios traumas de maternidade para construir um retrato brutalmente honesto — e, ao mesmo tempo, absurdamente cómico — da exaustão de cuidar de outra pessoa enquanto a própria vida rui. Byrne contracena com um elenco de apoio inesperado, que inclui Conan O’Brien, A$AP Rocky e Danielle MacDonald, num filme que equilibra o delírio cómico com o desconforto genuíno. Uma estreia obrigatória para quem gosta de cinema que não tem medo de ser desconfortável.
A Universal escreveu história esta semana: tornou-se o primeiro estúdio a ultrapassar os 4 mil milhões de dólares em bilheteira mundial em 2026, um marco atingido no domingo, dia 2 de agosto. Ao todo, os filmes do estúdio já renderam 1,5 mil milhões de dólares na América do Norte e 2,5 mil milhões a nível internacional.
Três títulos lideram esta corrida, todos eles já estreados também em Portugal. “The Odyssey”, de Christopher Nolan, está a três semanas de exibição e já vai em 911,4 milhões de dólares a nível mundial (395,5 milhões nos EUA, 515,9 milhões fora), a caminho da fasquia dos mil milhões. “The Super Mario Galaxy Movie”, da Illumination e da Nintendo, já ultrapassou esse marco e tornou-se o primeiro filme de 2026 a chegar aos mil milhões de dólares, com 429,8 milhões domésticos e 581,7 milhões internacionais. E “Michael”, o biopic de Michael Jackson distribuído internacionalmente pela Universal, também já passou a fasquia do bilião, com 566 milhões de dólares a render fora dos EUA.
É um ano particularmente forte para o estúdio, que consegue este feito sem depender de um único blockbuster isolado, mas de uma combinação de apostas em géneros bem diferentes entre si — épico histórico, animação familiar e biopic musical.
Os recordes não param. “Spider-Man: Brand New Day” faturou 927 milhões de dólares na estreia global, distribuído por 90 mil salas em todo o mundo — a segunda maior abertura da história do cinema, atrás apenas dos 1,22 mil milhões de dólares de “Avengers: Endgame” em 2019.
O filme vai agora expandir-se à rede IMAX na América do Norte a partir de 6 de agosto, data que coincide com o fim da exclusividade que “The Odyssey”, de Christopher Nolan, tinha sobre esses ecrãs. As duas produções vão passar a partilhar a rede IMAX doméstica, que conta com pouco mais de 440 salas nos EUA — as salas de 70mm continuam reservadas em exclusivo ao filme de Nolan. Antes mesmo desta expansão norte-americana, “Brand New Day” já tinha faturado 23 milhões de dólares só em sessões IMAX em mercados internacionais como a China, o Japão e a Coreia do Sul, somando-se aos 365 milhões de dólares que toda a saga do Homem-Aranha já rendeu em bilheteira IMAX.
Com estes números, o novo capítulo do Homem-Aranha confirma-se como o fenómeno de bilheteira do ano — e ainda só está a começar a explorar o mercado IMAX doméstico.
Chega à televisão portuguesa um dos filmes mais aclamados do ano: “Foi Só Um Acidente” (“It Was Just an Accident”), de Jafar Panahi, vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2025 — atribuída por um júri presidido por Juliette Binoche —, estreia dia 8 de agosto, domingo, às 22h, em exclusivo no TVCine Edition e no TVCine+.
A história passa-se num bairro dos subúrbios de Teerão, onde Vahid, mecânico de automóveis e antigo prisioneiro político, leva uma vida tranquila até um cliente entrar na sua oficina: Eghbal, um homem com uma prótese na perna, cujo som ao caminhar desperta em Vahid memórias terríveis — o mesmo ruído que ouvia, de olhos vendados, durante os interrogatórios e agressões a que foi submetido na prisão. Convencido de que tem à sua frente um dos seus torturadores, Vahid rapta-o com a intenção de o enterrar vivo. Mas a certeza inicial dá lugar à dúvida, e o mecânico parte à procura de antigos companheiros de cárcere que sofreram às mãos do mesmo carrasco, em busca de provas irrefutáveis antes de decidir o que fazer.
O filme carrega um peso que vai além da ficção. Panahi, um dos nomes maiores do cinema iraniano e crítico público do regime da República Islâmica, esteve preso entre 2022 e 2023 e chegou a fazer greve de fome. “Foi Só Um Acidente” é o primeiro filme que realiza desde então, filmado de forma clandestina no Irão — as autoridades iranianas nunca autorizaram a sua produção. Precisamente por essa oposição pública ao regime, o filme não pôde representar o Irão na corrida aos Óscares: foi a França, através de produtores e distribuidores sediados em Paris, quem o submeteu à categoria de Melhor Filme Internacional. A nomeação veio, e juntou-se a uma segunda, para Melhor Argumento Original — duas indicações que transformam esta estreia num dos acontecimentos televisivos mais relevantes do mês nos Canais TVCine.
Arrancou oficialmente o processo que vai definir o filme que representará Portugal na corrida a Melhor Filme Internacional na 99.ª edição dos Óscares. A Academia Portuguesa de Cinema (APC) anunciou esta semana os oito nomes que integram o Comité de Pré-Seleção deste ano, responsável por avaliar as candidaturas e escolher os finalistas que serão depois submetidos a votação pelos membros da Academia.
O comité junta profissionais de diferentes áreas da indústria: Andreia Esteves (produtora), Elsa Ferreira (editora e designer de som), Hoji Fortuna (ator, conhecido do público internacional pelo papel em “Corsage”, ao lado de Vicky Krieps), Íris Peleira (caracterizadora e maquilhadora), Paolo Marinou-Blanco (realizador), Paulo Trancoso (produtor), Ricardo Ferreira (supervisor de efeitos visuais) e Valerie Braddell (atriz). Segundo a APC, a composição procurou garantir representação diversificada das várias áreas do setor cinematográfico e audiovisual, com equilíbrio de género entre os membros.
A fase de visionamento e seleção decorre até 20 de agosto, e nela entram todas as longas-metragens nacionais elegíveis, submetidas pelas respetivas produtoras, com estreia comercial entre 1 de outubro de 2025 e 30 de setembro de 2026. Os filmes pré-selecionados serão anunciados em breve, e é dessa lista curta que sairá, por votação dos membros da Academia, o candidato oficial de Portugal.
O processo ganha um significado particular depois do desfecho do ano passado: Portugal submeteu “Banzo”, de Margarida Cardoso, aos Óscares 2026, mas o filme não avançou para a fase de pré-indicações da categoria. Resta agora saber que filme a Academia escolhe desta vez para tentar romper esse ciclo.
O novo filme de Ruben Alves já tem cara e voz. Foram divulgados esta semana o trailer e o poster de “Santo António, o Casamenteiro de Lisboa”, com a estreia marcada para 10 de setembro nas salas portuguesas — as primeiras imagens chegaram, oportunamente, na noite das Marchas Populares.
O realizador de “A Gaiola Dourada”, um dos maiores êxitos de bilheteira do cinema português em França, regressa à comédia com uma história construída em torno de um dos ritos mais lisboetas do calendário: os Casamentos de Santo António. Carmo e Valentim, dois funcionários da Câmara Municipal de Lisboa com mais de 25 anos de carreira dedicados à organização do evento, recebem um ultimato depois de a gestão passar a ser cobiçada por um grande grupo francês, a Stardust, que considera a tradição ultrapassada: reinventam os Casamentos ou assistem ao fim de tudo o que construíram. Contra todas as expectativas, os dois lançam-se na missão de criar a edição mais memorável de sempre.
Rita Blanco e Joaquim Monchique protagonizam, à frente de um elenco que reúne nomes como Joaquim de Almeida, Maria João Bastos, Albano Jerónimo, Paco León, Maria Rueff, Isabel Abreu e Ana Bola, entre muitos outros — uma daquelas escalações corais que só um filme genuinamente sobre Lisboa conseguiria justificar. O argumento é assinado a duas mãos por Ruben Alves e pelo argumentista espanhol Fer Pérez, conhecido pelo trabalho em “Kiki, o Amor Faz-se” e “Arde Madrid”.
Mais do que uma comédia romântica, “Santo António, o Casamenteiro de Lisboa” apresenta-se como uma declaração de amor à cidade: marchas populares, bairros históricos e a ideia central de que há tradições que continuam a fazer sentido precisamente porque resistem à pressão de serem “modernizadas” a qualquer custo. O filme é uma produção da Blablabla Media e da São Films, em coprodução com a Comba e a Bombom Filmes, com distribuição da NOS Audiovisuais e apoios do Disney+, da Turismo de Lisboa e do ICA, entre outros.
Há jogadores que mudam um jogo. Johan Cruyff mudou a forma como se pensa o futebol. “Cruyff”, a nova minissérie documental sobre o holandês que reinventou o Ajax e o Barcelona, estreia dia 8 de agosto, sábado, às 21h10, em exclusivo no TVCine Edition e no TVCine+, com novos episódios aos sábados.
A produção junta um trio com currículo de peso: é assinada por James Gay-Rees, vencedor de um Óscar e produtor de “Senna”, “Diego Maradona” e “Drive to Survive”, ao lado de Jaap Schneider, com realização de Sam Blair, através das produtoras Box to Box Films e Lusus. Ao longo de quatro episódios, a série reconstrói pela primeira vez a história completa de Cruyff — o futebolista, o treinador, o pai, o revolucionário — com acesso a imagens nunca antes vistas do arquivo pessoal da família e a gravações de áudio exclusivas em que o próprio Cruyff, pouco antes de morrer em 2016, conta a sua própria história.
O elenco de testemunhos lê-se como uma lista dos nomes mais influentes do futebol europeu das últimas décadas: Pep Guardiola, Xavi Hernández, Dennis Bergkamp, Marco van Basten, Ruud Gullit, Ronald Koeman e Frank Rijkaard, além de entrevistas inéditas e aprofundadas com a família de Cruyff. A tese central da série é clara: onde outros viam sistemas rígidos e resultados a preto e branco, Cruyff via possibilidades — a mesma filosofia que hoje se reconhece no jogo de Guardiola e nas gerações que vieram depois, de Van Basten a Xavi, de Frenkie de Jong a Messi.
A estreia da série já teve direito a um momento à altura do legado do próprio Cruyff: em março deste ano, dez anos depois da sua morte, o Johan Cruijff ArenA, em Amesterdão, recebeu uma antestreia global transmitida ao vivo, apontada como a maior première alguma vez feita para uma série documental. Um documentário obrigatório não só para quem gosta de futebol, mas para quem se interessa por como uma ideia pode mudar por completo uma forma de fazer as coisas.
A Netflix vai levar aos ecrãs uma das maiores histórias de sobrevivência do século XX: a expedição do explorador irlandês Ernest Shackleton à Antártida, e o resgate improvável da tripulação do Endurance depois de o navio ficar preso e ser esmagado pelo gelo.
O projeto reúne um trio de nomes fortes. A realização fica a cargo de Philip Barantini, ainda a colher os elogios da crítica pela minissérie “Adolescence”, um dos fenómenos televisivos deste ano. O argumento é assinado por Mark L. Smith, o escritor por trás de “O Regresso” (“The Revenant”), outra história de sobrevivência extrema que valeu um Óscar a Leonardo DiCaprio. Ridley Scott entra como produtor, juntando-se a Cliff Roberts, Michael Pruss, Joey McFarland, Brian Oliver e Samantha Beddoe.
A escolha de Barantini surge num momento particularmente forte da sua carreira: depois do sucesso televisivo de “Adolescence”, o realizador tem vindo a ser associado a vários projetos de peso, incluindo “Hell Jumper” para a Netflix e “The Alchemist”. A combinação com o argumento de Smith, especialista em levar o corpo humano ao limite no ecrã, promete um épico de sobrevivência ambicioso — território que a Netflix já explorou com sucesso noutras produções de grande escala.
Ainda não há elenco confirmado nem data de estreia.
A Lionsgate venceu uma disputa entre sete estúdios pelos direitos de adaptação de “The Correspondent”, romance de estreia de Virginia Evans que vendeu mais de um milhão de cópias e passou 17 semanas na lista de best-sellers do New York Times. Jane Fonda vai protagonizar e produzir o filme.
A história segue Sybil Van Antwerp, uma advogada reformada de língua afiada e opiniões fortes, que ao longo da vida usou a escrita de cartas para impor ordem a um mundo complicado — dirigidas a amigos, família, ícones literários e a um destinatário a quem nunca chegou a enviar nada. Quando uma carta inesperada do passado surge, Sybil é forçada a confrontar um capítulo há muito enterrado de luto, arrependimento e culpa por resolver.
O argumento é de Cat Vasko, que também assume o papel de produtora executiva ao lado da própria Virginia Evans. A produção fica a cargo de Todd Lieberman, através da sua produtora Hidden Pictures — o mesmo responsável pelo recente êxito de época festiva da Lionsgate, “The Housemaid”.
Ainda sem data de estreia confirmada, o projeto junta-se a um regresso cada vez mais visível de Jane Fonda ao cinema de autor centrado em personagens femininas complexas e maduras — território onde a atriz continua a ser uma referência incontornável.