Hoje é o Dia Internacional do Cão — e há um filme inteiro dedicado a essa relação, disponível na Prime Video

Assinala-se hoje, 26 de agosto, o Dia Internacional do Cão, uma data instituída em 2004 pela ativista norte-americana pelos direitos dos animais Colleen Paige, com o objetivo de celebrar os cães de todas as raças e origens, promover a adoção e chamar a atenção para as condições de milhões de animais ainda por adotar em abrigos espalhados pelo mundo. A escolha da data não é arbitrária: foi precisamente num 26 de agosto que Paige, ainda criança, adotou o seu primeiro cão, uma Shetland Sheepdog chamada Sheltie, com os pais.

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Para assinalar o dia, fica a sugestão de um filme que faz da relação entre humanos e cães o seu próprio motor narrativo: “Dog Days”, conhecido em Portugal como “Vidas de Cão”, estreou nas salas portuguesas em dezembro de 2018 e está atualmente disponível na Prime Video. Realizada por Ken Marino, a partir de um argumento de Elissa Matsueda e Erica Oyama, esta comédia romântica coral segue um grupo de personagens de Los Angeles que, à partida, não têm absolutamente nada em comum, mas cujas vidas se cruzam precisamente através dos seus companheiros caninos, numa estrutura narrativa que lembra outros filmes corais ambientados na mesma cidade, mas aqui filtrada por um tom despretensioso e voluntariamente sentimental.

O elenco reúne um naipe generoso de caras conhecidas: Vanessa Hudgens, Eva Longoria, Nina Dobrev, Lauren Lapkus, Thomas Lennon, Adam Pally e um ainda muito jovem Finn Wolfhard, antes da fama global que “Stranger Things” lhe traria pouco depois. Cada um destes atores interpreta uma personagem cuja vida é, de alguma forma, reorganizada por um cão, seja através da adoção, da perda ou do simples acaso de um encontro no parque, um mosaico que a crítica internacional descreveu, na altura da estreia, como “frívolo mas espumoso”, com uma frase que resume bem o espírito do filme: um convite honesto e sem grandes pretensões a uma “afirmação suave do vínculo da humanidade com os seus melhores amigos”.

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A receção crítica ficou, na globalidade, num território de aprovação moderada, com 63% de críticas positivas no agregador Rotten Tomatoes, uma pontuação que sobe consideravelmente entre o público, que atribuiu ao filme 75% de aprovação, uma diferença que costuma ser reveladora: “Dog Days” não foi pensado para impressionar a crítica especializada, mas sim para agradar diretamente a quem procura, precisamente, aquilo que o título promete, uma dose confortável e sem complicações de histórias entrelaçadas por cães.

Numa data pensada para celebrar precisamente esse vínculo, “Dog Days” oferece pouco mais do que aquilo que anuncia à partida, mas fá-lo com um à-vontade que, para muitos espectadores, é exatamente o que se procura numa tarde dedicada aos melhores amigos do homem.

Top 10 Prime Video Hoje (o Dave Bautista está duas vezes seguidas nesta lista)

No Top 10 de filmes da Prime Video esta semana, uma curiosidade de casting: Dave Bautista aparece em dois títulos seguidos, “In the Lost Lands” no terceiro lugar e “Afterburn” no quarto. A lista tem também pouca rotação face à semana anterior, com seis dos dez títulos repetidos.

1. Roofman

Baseado em factos reais, o filme de Derek Cianfrance segue Channing Tatum no papel de Jeffrey Manchester, antigo Ranger do Exército que assalta lojas McDonald’s abrindo buracos no teto, o que lhe vale a alcunha que dá nome ao filme. Depois de fugir da prisão, Manchester vive escondido durante seis meses dentro de uma loja Toys “R” Us, onde se apaixona por uma mãe solteira interpretada por Kirsten Dunst, uma relação que acaba por pôr em risco o anonimato que o mantinha a salvo. Peter Dinklage completa o elenco. Estreou em outubro de 2025.

2. Flight Risk

Mel Gibson realiza este thriller de ação com Mark Wahlberg, Michelle Dockery e Topher Grace, centrado num piloto que transporta uma agente federal e um fugitivo através da natureza selvagem do Alasca, numa viagem que rapidamente se transforma numa luta pela sobrevivência a bordo de um avião pequeno demais para conter tanta desconfiança. Estreou em janeiro de 2025.

3. In the Lost Lands

Paul W.S. Anderson assina esta aventura de fantasia, com argumento baseado num conto de George R.R. Martin. Milla Jovovich interpreta uma feiticeira que parte, ao lado de um caçador interpretado por Dave Bautista, numa missão pelas terras perdidas do título.

4. Afterburn

J.J. Perry realiza este filme de ação pós-apocalíptico com Dave Bautista, Samuel L. Jackson e Olga Kurylenko. Dez anos depois de uma explosão solar ter devastado o hemisfério oriental do planeta, um caçador de tesouros (Bautista) parte para a Europa com uma missão tão improvável quanto específica: recuperar a Mona Lisa.

5. Shadow Force

Joe Carnahan realiza este filme de ação com Kerry Washington e Omar Sy no papel de antigos líderes de uma unidade multinacional de elite, obrigados a voltar à ação quando o passado que tentavam deixar para trás volta a persegui-los.

6. The Long Walk

Francis Lawrence adapta o romance de Stephen King publicado em 1979, com Cooper Hoffman e David Jonsson à frente do elenco. Numa América distópica, cem rapazes são obrigados a caminhar sem parar, num concurso televisivo brutal em que só um sobrevive. Estreou em setembro de 2025.

7. Masters of the Universe

Travis Knight dirige esta adaptação em ação real da franquia He-Man, com Nicholas Galitzine no papel do Príncipe Adam e Jared Leto como Skeletor. Estreou nos cinemas em junho de 2026.

8. Eden

Ron Howard realiza este drama de sobrevivência inspirado em factos reais, com Jude Law, Vanessa Kirby, Ana de Armas e Sydney Sweeney no elenco. A história segue colonos europeus que, a partir de 1929, tentam construir uma utopia numa ilha remota das Galápagos, só para descobrirem que a maior ameaça à sua sobrevivência não é a ilha, mas eles próprios. Estreou em agosto de 2025.

9. Project Hail Mary

Adaptação do romance de Andy Weir, com Ryan Gosling no papel de um professor de ciências enviado ao espaço numa missão para travar a extinção do Sol. Com 51 dias consecutivos no top, é o título mais resistente de toda a lista.

10. Emmanuelle

Audrey Diwan realiza este remake de 2024 do clássico erótico francês, com Noémie Merlant no papel principal e Naomi Watts em papel secundário.

“Ted Lasso” está de volta ao ativo, e a quarta temporada divide críticos e públicos

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“Unabomber”: Russell Crowe e Jacob Tremblay reconstroem o percurso de um dos terroristas mais procurados da história dos EUA

A Netflix estreia, a 25 de setembro, “Unabomber”, um novo thriller biográfico centrado em Ted Kaczynski, o antigo prodígio matemático de Harvard responsável por uma campanha de ataques com engenhos explosivos enviados pelo correio que se prolongou ao longo de quase duas décadas, entre 1978 e 1995, causando três mortos e mais de vinte feridos, antes de ser detido em 1996 numa cabana isolada no Montana.

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Realizado por Janus Metz, a partir de argumento de Sam Chalsen e Nelson Greaves, o filme organiza-se em duas linhas temporais. Uma acompanha um jovem Kaczynski, interpretado por Jacob Tremblay, então com apenas 16 anos, já admitido em Harvard, e submetido a um conjunto de experiências psicológicas hoje amplamente reconhecidas pela comunidade académica como um dos episódios mais controversos da história da psicologia experimental norte-americana, conduzidas pelo professor Henry Murray, interpretado por Russell Crowe. A outra segue, décadas depois, a investigação que levaria à sua captura, liderada pela agente do FBI Joanne Miller, interpretada por Shailene Woodley, numa das operações mais longas e dispendiosas de sempre do FBI.

Importa notar que a ligação entre as experiências de Murray e a violência posterior de Kaczynski é uma leitura proposta pelo filme, não um facto estabelecido: continua a ser objeto de debate entre historiadores e criminologistas até que ponto esse episódio terá pesado na radicalização de Kaczynski, e até que ponto serve apenas de moldura dramática conveniente para uma história que, no fundo, é sobre uma escolha deliberada de matar. “Unabomber” arrisca-se, como acontece com frequência neste género, a simplificar essa fronteira entre explicação e justificação, um equilíbrio que só se poderá avaliar com o filme já disponível.

Ao elenco junta-se ainda Annabelle Wallis, no papel de Christiana Morgan, parceira académica de Murray e codiretora da Clínica Psicológica de Harvard, além de Alexander Ludwig, Steven Ogg e Marc Menchaca em papéis secundários. Russell Crowe, vencedor do Óscar de Melhor Ator por “Gladiador”, e Shailene Woodley, atriz habitual de projetos de prestígio televisivo como “Big Little Lies”, reforçam um elenco que a Netflix tem vindo a apostar de forma consistente no género true crime ao longo dos últimos anos.

“Unabomber” chega numa altura em que o true crime continua a ser um dos géneros mais rentáveis do catálogo da plataforma, ainda que o subgénero levante regularmente a mesma pergunta: até que ponto vale a pena continuar a contar, e a lucrar com, a história de quem matou.

“Ted Lasso” está de volta ao ativo, e a quarta temporada divide críticos e públicos

“Ted Lasso” regressou à Apple TV+ a 5 de agosto, com a estreia da quarta temporada da série que se tornou, ao longo dos últimos anos, sinónimo de otimismo televisivo numa era marcada por narrativas cada vez mais sombrias. Com dez episódios previstos, lançados semanalmente todas as quartas-feiras até 7 de outubro, a série já vai a meio do seu percurso e, a esta distância, o balanço é claro: o coração da série mantém-se intacto, mas a receção crítica já não é tão unânime como nas primeiras temporadas.

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Desta vez, o desafio de Ted (Jason Sudeikis) muda significativamente de escala: em vez de comandar o AFC Richmond na Premier League masculina, o treinador norte-americano assume agora o comando de uma equipa feminina de segunda divisão, uma mudança que abre a porta a novas dinâmicas de equipa, novos desafios competitivos e, inevitavelmente, novas comparações com o que a série já tinha explorado nas temporadas anteriores. É uma decisão de argumento arriscada, mas que tem permitido à escrita explorar terreno que as primeiras três temporadas não tinham abordado, evitando cair na simples repetição de fórmula.

Do lado da crítica especializada, os números contam uma história de alguma divisão: no agregador Rotten Tomatoes, a quarta temporada tem oscilado entre os 78% e os 91% de aprovação, fixando-se atualmente nos 90%, uma pontuação sólida mas claramente distante do consenso quase absoluto que caracterizou as primeiras épocas da série. Já no Metacritic, a nota é mais reservada, situando-se nos 62 pontos, a mais baixa de qualquer temporada da série até à data, e 11 pontos abaixo do patamar mínimo anteriormente registado. Ainda assim, é importante contextualizar: mesmo esta pontuação “mais baixa” continua a situar-se num território de aprovação geral, longe de uma rejeição crítica generalizada.

“Tony”, o biopic sobre os primeiros anos de Anthony Bourdain, estreia com aclamação quase unânime da crítica

O terceiro episódio da temporada, intitulado “Richmond’s Got Talent”, tem sido especialmente discutido nos últimos dias, com a crítica a elogiar a forma como a série aborda o tema da construção de equipa e da confiança conquistada, mas a apontar alguma hesitação na gestão dos arcos amorosos: a relação entre Rebecca e Matthijs tem vindo a ganhar destaque, num ritmo que alguns críticos consideram estar a atrasar propositadamente o desfecho, já muito aguardado pelos fãs, da relação entre Keeley e Roy, dois dos casais mais acompanhados de toda a série desde a primeira temporada.

“Spider-Man: Brand New Day” já vai em quatro semanas seguidas no topo da bilheteira mundial

Para os fãs de sempre, esta quarta temporada continua a oferecer aquilo que fez de “Ted Lasso” um fenómeno cultural: humor caloroso, personagens profundamente humanas e uma mensagem de otimismo persistente sem nunca cair na ingenuidade vazia. Resta saber se, nos episódios finais, a série consegue reencontrar a unanimidade crítica que a acompanhou desde o início, ou se esta temporada ficará conhecida como aquela em que “Ted Lasso” finalmente mostrou as suas primeiras rugas.

Matthew McConaughey regressa ao cinema, seis anos depois, com “Os Rivais de Amziah King” — e a crítica está rendida

“Os Rivais de Amziah King” estreia nos cinemas portugueses a 3 de setembro, trazendo Matthew McConaughey de volta ao grande ecrã depois de um interregno de seis anos sem qualquer papel de protagonista em sala, um regresso que a crítica internacional já começou a apelidar de continuação da sua “McConaissance”, o renascimento criativo que relançou a carreira do ator há mais de uma década com títulos como “Mud” ou “Dallas Buyers Club”. Realizado por Andrew Patterson, o filme estreou nos Estados Unidos a 14 de agosto e reuniu, entretanto, uma das receções críticas mais entusiásticas do ano: 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, com base em mais de trinta críticas, e uma nota média de 8,3 em 10.

“Spider-Man: Brand New Day” já vai em quatro semanas seguidas no topo da bilheteira mundial

A história leva-nos até às zonas rurais mais remotas do Oklahoma, onde Amziah King (McConaughey), uma figura carismática e dotada de talento musical invulgar, lidera uma banda de bluegrass composta por um grupo heterogéneo de músicos, enquanto gere simultaneamente a mais importante operação de produção de mel de toda a região. Quando a sua filha adotiva, de quem está afastado há anos, regressa inesperadamente à sua vida, Amziah agarra a oportunidade para reconstruir a relação entre os dois e transformar o negócio do mel num verdadeiro projeto de família. O problema é que o mundo da produção de mel se revela tudo menos pacífico: os rivais de Amziah, decididos a destruir tudo aquilo que ele construiu ao longo de uma vida, transformam a reconciliação familiar num verdadeiro campo de batalha.

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Ao lado de McConaughey, destaca-se a estreia de Angelina LookingGlass, atriz que a crítica tem apontado como uma das revelações mais surpreendentes do ano, ao lado de nomes já consolidados como Kurt Russell, Cole Sprouse, Owen Teague, Rob Morgan, Tony Revolori e Scott Shepherd, um elenco coral que reflete bem a ambição narrativa do próprio filme. Andrew Patterson, o realizador, já se tinha destacado anteriormente com “The Vast of Night”, uma estreia de ficção científica de baixo orçamento que se tornou rapidamente um pequeno fenómeno de culto entre a crítica especializada, e que já antecipava o gosto do cineasta por narrativas atmosféricas, ambientadas em comunidades rurais isoladas dos Estados Unidos.

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O consenso da crítica, resumido pelo próprio Rotten Tomatoes, descreve o filme como “uma epopeia expansiva, imprevisível e que confunde deliberadamente as fronteiras entre géneros, ancorada no charme de Matthew McConaughey e na estreia impressionante de Angelina LookingGlass”, uma descrição que ajuda a explicar por que razão “Os Rivais de Amziah King” se tem destacado entre a oferta cinematográfica do verão norte-americano, longe do habitual espetáculo de blockbuster e muito mais próximo de um cinema de género autoral, com raízes profundas na tradição americana do sul rural.

Para quem sentia falta de ver Matthew McConaughey a liderar um filme com este nível de ambição dramática, “Os Rivais de Amziah King” promete ser um dos regressos mais celebrados do ano.

“Spider-Man: Brand New Day” já vai em quatro semanas seguidas no topo da bilheteira mundial

“Spider-Man: Brand New Day” mantém-se, pela quarta semana consecutiva, no primeiro lugar da bilheteira norte-americana, arrecadando 39 milhões de dólares apenas no fim de semana de 21 a 23 de agosto, um resultado que representa a sétima melhor quarta semana de sempre para um filme em exibição nos Estados Unidos. Este novo marco confirma o que já se desenhava desde a estreia: o mais recente capítulo do homem-aranha tornou-se um dos fenómenos de bilheteira mais duradouros dos últimos anos, capaz de resistir mesmo à concorrência de estreias diretas, como “Insidious: Out of the Further”, que abriu na semana passada em segundo lugar.

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Os números acumulados ajudam a explicar a dimensão do fenómeno: o filme já ultrapassou os 2,2 mil milhões de dólares em bilheteira mundial, repartidos por cerca de 855 milhões de dólares no mercado doméstico norte-americano e 1,365 mil milhões de dólares no resto do mundo, tornando-se o filme de maior sucesso de sempre da Sony Pictures Studios, superando qualquer outro título alguma vez distribuído pelo estúdio. Ao longo do seu percurso em sala, “Spider-Man: Brand New Day” já bateu vários recordes de velocidade: foi o filme mais rápido da história a ultrapassar os 800 milhões de dólares no mercado doméstico, e o segundo mais rápido de sempre a atingir os 2 mil milhões de dólares a nível mundial, um feito alcançado por apenas oito filmes na história do cinema.

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Este desempenho surge num contexto particularmente favorável para a indústria: o ano de 2026 está a revelar-se o melhor ano para o cinema em sala desde antes da pandemia, com a bilheteira doméstica norte-americana já a ultrapassar os 7 mil milhões de dólares, um crescimento de 20% face ao período homólogo de 2025. Analistas da indústria têm apontado “Spider-Man: Brand New Day” como um dos principais motores dessa recuperação, ao lado de outros títulos de sucesso surpreendente lançados ao longo do ano, mas o filme distingue-se sobretudo pela sua capacidade de continuar a atrair público semana após semana, muito depois do habitual pico inicial de curiosidade que costuma definir o desempenho da generalidade dos blockbusters.

“Orwell 2+2=5”: o documentário de Raoul Peck que devolve George Orwell à atualidade, estreia dia 29 nos Canais TVCine

Para a Sony e para a Marvel, que partilham os direitos cinematográficos do herói, este sucesso reforça a validade da aposta contínua no personagem mais rentável de sempre do universo Marvel fora do guarda-chuva direto dos Estúdios Marvel, numa altura em que o género de super-heróis enfrenta, globalmente, um período de alguma fadiga de mercado. “Spider-Man: Brand New Day” parece, para já, imune a essa tendência.

“Tony”, o biopic sobre os primeiros anos de Anthony Bourdain, estreia com aclamação quase unânime da crítica

“Tony”, o novo filme da A24 sobre os anos de formação de Anthony Bourdain, chegou aos cinemas norte-americanos em exibição limitada a 7 de agosto e alargou a sua distribuição a 21 de agosto, reunindo, entretanto, uma das receções críticas mais entusiásticas do ano para um biopic. O filme ainda não tem data de estreia confirmada para as salas portuguesas, mas a repercussão internacional que já gerou torna-o um dos títulos a acompanhar nos próximos meses.

Jason Statham enfrenta uma conspiração internacional em alto mar em “Mutiny: Código Vingança”

Realizado por Matt Johnson, o mesmo cineasta responsável por “BlackBerry”, um dos biopics mais elogiados dos últimos anos sobre o nascimento e queda do fabricante canadiano de smartphones, “Tony” foca-se não no Anthony Bourdain que o mundo conheceu através da televisão, o chef irreverente que se tornou uma das vozes mais influentes da gastronomia e da viagem através de programas como “No Reservations” ou “Parts Unknown”, mas sim no jovem de apenas 19 anos que ainda procurava o seu lugar no mundo. A história acompanha Bourdain quando este viaja até Provincetown, no estado norte-americano do Massachusetts, e acaba por mergulhar, quase por acaso, no universo caótico e imprevisível de uma cozinha de restaurante, um verão que viria a moldar o rumo de toda a sua vida profissional e pessoal.

No papel do jovem Bourdain está Dominic Sessa, ator que se notabilizou em 2023 com “The Holdovers” e que confirma, com “Tony”, o estatuto de uma das revelações mais interessantes da sua geração em Hollywood. A crítica tem sido particularmente generosa com a sua interpretação, destacando a forma como consegue capturar a energia inquieta e o carisma tosco de um Bourdain ainda por polir, sem cair na tentação de imitar diretamente os maneirismos do Bourdain televisivo que o público veio a conhecer décadas depois.

No agregador Rotten Tomatoes, “Tony” reúne uma das pontuações mais altas de sempre para um biopic recente, com a crítica a elogiar de forma quase transversal tanto o elenco como o tom do filme, descrito por vários críticos como uma homenagem sentida e ao mesmo tempo despretensiosa a um dos ícones culinários mais complexos e queridos da cultura popular americana, morto em 2018. Longe de se limitar a uma cronologia factual da vida de Bourdain, “Tony” opta por um retrato de origem mais íntimo, focado num momento específico e transformador, uma abordagem que tem sido apontada como um dos motivos do sucesso crítico do filme.

“Harry Potter e a Pedra Filosofal” volta aos cinemas para celebrar 25 anos de magia

Para os fãs de Anthony Bourdain, sobretudo aqueles que o descobriram através da televisão já na fase mais madura da sua carreira, “Tony” oferece uma oportunidade rara de conhecer o homem antes do mito, num filme que a crítica internacional já classifica como um dos melhores biopics do ano.

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Jason Statham enfrenta uma conspiração internacional em alto mar em “Mutiny: Código Vingança”

“Mutiny: Código Vingança” estreou em Portugal a 20 de agosto, trazendo Jason Statham de volta ao território que melhor conhece: o thriller de ação direto, económico na duração, mas denso em confrontos físicos. Realizado por Jean-François Richet, o mesmo realizador francês que já tinha trabalhado com Statham em “Mutiny” (título original mantido em Portugal), o filme junta-se à já longa lista de produções de ação protagonizadas pelo ator britânico ao longo da última década e meia.

A história segue Cole Reed (Jason Statham), um antigo membro das Forças Especiais que passou também pela polícia metropolitana de Londres antes de se dedicar à segurança privada. Reed é enquadrado pelo assassinato do seu patrão, um bilionário tailandês, e vê-se obrigado a embarcar sozinho numa cruzada pessoal para provar a sua inocência e vingar a morte do seu empregador. É precisamente aí que a trama ganha forma: a bordo de um cargueiro, Reed acaba por descobrir uma conspiração internacional muito maior do que aquilo com que inicialmente contava, incluindo um contentor com pessoas contrabandeadas que o capitão do navio, Marko Madsen, planeia entregar a uma rede de tráfico humano.

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Ao lado de Statham, destaca-se a atriz Annabelle Wallis no papel de Angie Ellis, oficial do cargueiro que descobre, pelo seu próprio lado, a operação criminosa a decorrer a bordo do navio onde trabalha. Segundo entrevistas recentes da atriz à imprensa internacional, Angie foi pensada como uma líder natural, tão determinada quanto Reed, mas movida também pela sua condição de mãe solteira, o que confere à personagem uma dimensão emocional que ajuda a equilibrar o ritmo mais frenético do filme. Completa o elenco principal Roland Møller no papel do antagonista Marko Madsen, além de Adrian Lester, Ramon Tikaram e Arnas Fedaravicius.

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Com apenas 95 minutos de duração, “Mutiny: Código Vingança” segue a fórmula que tem definido boa parte da carreira recente de Jason Statham: ritmo compacto, sem grandes desvios narrativos, focado quase exclusivamente na ação e na sobrevivência física do protagonista. É uma abordagem que tem conquistado consistentemente audiências fiéis ao género, mesmo quando a crítica especializada se mostra mais reservada quanto à originalidade da história, e que garante ao filme um lugar confortável entre os thrillers de ação de verão pensados para entretenimento imediato mais do que para prestígio.

Adria Arjona enfrenta um exército de supersoldados em “Ataque Implacável”, de Adam Wingard

Argumento assinado por Lindsay Michel e J.P. Davis, “Mutiny: Código Vingança” estreou nos Estados Unidos também a 21 de agosto, pela Lionsgate, muito próximo da data de estreia portuguesa, o que confirma a aposta do estúdio numa estratégia de lançamento global simultâneo para maximizar o impacto do filme logo na primeira semana em sala.

“Harry Potter e a Pedra Filosofal” volta aos cinemas para celebrar 25 anos de magia

Os Cinemas NOS trazem de volta ao grande ecrã “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, entre 27 e 30 de agosto, no âmbito da celebração global “Back to Hogwarts 2026”, que assinala os 25 anos desde a estreia do primeiro filme da saga baseada nos livros de J.K. Rowling. A reposição integra um programa mais alargado da Warner Bros. Discovery que, entre 27 de agosto e 3 de setembro, disponibiliza os oito filmes da franquia nos cinemas de todo o mundo, ainda que o calendário exato de exibição varie consoante a região e o exibidor.

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Há 25 anos, em novembro de 2001, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” introduzia o mundo ao jovem bruxo interpretado por Daniel Radcliffe, dando início a uma das franquias mais bem-sucedidas comercialmente da história do cinema, que viria a somar oito filmes ao longo de uma década, arrecadar mais de sete mil milhões de dólares nas bilheteiras mundiais e transformar Hogwarts, o Beco Diagonal e o Expresso de Hogwarts em referências culturais reconhecíveis muito para além do público que leu os livros originais.

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Para esta reedição especial, o filme não regressa exatamente igual ao que o público viu em 2001: a versão exibida nos cinemas nesta celebração inclui 12 minutos de material nunca antes visto, com imagens dos bastidores da produção, o que representa um incentivo adicional mesmo para quem já assistiu ao filme dezenas de vezes ao longo destes 25 anos. É uma estratégia que a Warner Bros. Discovery tem vindo a repetir noutras franquias marcantes do seu catálogo, apostando na nostalgia como motor de bilheteira num ano particularmente forte para o cinema em sala.

Brad Pitt luta pela sobrevivência ao lado do seu cão de combate no trailer de “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”

A celebração “Back to Hogwarts 2026” não se fica pela reedição: o anúncio inclui também eventos presenciais para fãs em quatro regiões globais e novos vislumbres da futura série da HBO baseada nos livros originais, atualmente em produção e aguardada com enorme expectativa por parte dos fãs da saga, que a acompanham como uma possibilidade de recontar a história com maior fidelidade ao material literário do que os filmes permitiram em alguns momentos.

Para o público português, esta é uma oportunidade rara de reviver em sala o início de uma saga que marcou gerações, não apenas pela nostalgia do primeiro contacto com o universo criado por J.K. Rowling, mas também pela experiência coletiva do cinema, algo que o consumo doméstico em streaming raramente consegue replicar. Vinte e cinco anos depois, Hogwarts continua, aparentemente, a encher salas.

“Orwell 2+2=5”: o documentário de Raoul Peck que devolve George Orwell à atualidade, estreia dia 29 nos Canais TVCine

Os Canais TVCine estreiam, em exclusivo, no sábado, dia 29 de agosto, às 22h10, no TVCine Edition e no TVCine+, “Orwell 2+2=5”, o documentário de Raoul Peck sobre a vida e a obra de George Orwell, um dos autores mais lidos e mais citados do século XX. O filme teve a sua estreia mundial em maio de 2025, na secção Cannes Première do Festival de Cannes, onde concorreu ao prémio L’Œil d’Or, e chega agora, pela primeira vez, à televisão portuguesa.

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Em 1949, poucos meses antes de morrer, George Orwell terminava aquele que ficaria conhecido como o seu romance mais importante: “1984”. Foi esse livro, ao lado de “A Quinta dos Animais”, que transformou Orwell num dos autores mais visionários do século passado, responsável por antecipar, com um rigor de detalhe hoje difícil de ignorar, um futuro autoritário assustadoramente credível. Conceitos como a novilíngua, o duplo pensamento ou a onipresença do Big Brother deixaram de pertencer apenas à ficção, tornando-se vocabulário corrente para descrever fenómenos políticos e sociais bem reais, décadas depois de terem sido escritos.

É precisamente essa persistência, essa capacidade de continuar a explicar o presente muito depois de ter sido escrito para imaginar o futuro, que “Orwell 2+2=5” se propõe explorar. Raoul Peck entrelaça excertos históricos, leituras do diário do próprio Orwell, referências cinematográficas retiradas de diferentes adaptações de “1984” e de “A Quinta dos Animais” ao longo dos anos, e imagens dinâmicas da atualidade, construindo não apenas um retrato biográfico convencional, mas uma verdadeira investigação sobre o que torna a obra de Orwell tão incomodamente atual. Segundo a crítica internacional, que recebeu o filme de forma bastante positiva em Cannes, o documentário não se limita a apresentar factos e datas: procura ativamente revelar padrões e ligações entre o pensamento de Orwell e os dias de hoje, defendendo o autor como um homem do passado que poderá, ainda assim, deter uma chave importante para compreender o futuro.

A narração está a cargo de Damian Lewis, ator britânico conhecido de séries como “Homeland” e “Billions”, que empresta a Orwell uma voz íntima e grave, um dos elementos mais elogiados pela crítica que acompanhou a estreia em Cannes. Já a realização pertence a Raoul Peck, um dos documentaristas mais respeitados da atualidade, nomeado para o Óscar de Melhor Documentário em 2017 por “I Am Not Your Negro”, um retrato do escritor e ativista James Baldwin que se tornou uma referência do género. Com “Orwell 2+2=5”, Peck assina ainda a sua primeira colaboração com os herdeiros de George Orwell, o que lhe permitiu um acesso pouco habitual a materiais de arquivo e diários pessoais do escritor.

Adria Arjona enfrenta um exército de supersoldados em “Ataque Implacável”, de Adam Wingard

Mais do que uma simples biografia, “Orwell 2+2=5” posiciona-se como um ensaio cinematográfico sobre a linguagem, o poder e a manipulação da verdade, temas que, mais de setenta e cinco anos depois da publicação de “1984”, continuam a atravessar o debate público em praticamente todo o mundo. Para quem já leu Orwell e para quem nunca lhe pegou num livro, o documentário promete oferecer motivos igualmente válidos para (re)descobrir por que razão este continua a ser um dos autores mais incontornáveis da literatura política contemporânea.

“Está Cordialmente Convidado” estreia nos Canais TVCine, com Will Ferrell e Reese Witherspoon numa guerra de casamentos

Os Canais TVCine estreiam esta sexta-feira, dia 28 de agosto, às 21h30, no TVCine Top e no TVCine+, “Está Cordialmente Convidado” (“You’re Cordially Invited”), a comédia romântica de Nicholas Stoller que junta, pela primeira vez no grande ecrã, Will Ferrell e Reese Witherspoon. O filme tinha estreado originalmente em janeiro de 2025 na plataforma Amazon Prime Video, chegando agora, mais de um ano depois, à televisão portuguesa.

Adria Arjona enfrenta um exército de supersoldados em “Ataque Implacável”, de Adam Wingard

A premissa assenta num erro de reserva tão simples quanto explosivo: dois casamentos, organizados por famílias diferentes, acabam marcados para o mesmo dia e no mesmo resort remoto. De um lado, uma irmã dedicada a planear o casamento perfeito para a sua irmã; do outro, um pai igualmente empenhado em garantir que o casamento da filha corre sem percalços. Quando ambos descobrem a coincidência, nenhum está disposto a ceder, dando origem a uma batalha de vontades cada vez mais caótica, em que cada grupo de convidados é chamado a proteger, a todo o custo, o momento especial da respetiva família.

É precisamente esse confronto entre Margot, interpretada por Reese Witherspoon, e Jim, interpretado por Will Ferrell, que sustenta o filme, num duelo cómico entre dois protagonistas igualmente teimosos e igualmente decididos a não abdicar do dia perfeito que planearam para quem mais amam. A química entre os dois atores, ambos com décadas de experiência em comédia, é apontada por boa parte da crítica internacional como o principal trunfo do filme, ainda que a receção geral tenha sido dividida: no agregador Rotten Tomatoes, o filme reúne cerca de metade de críticas positivas, com muitos críticos a elogiar precisamente a dupla protagonista, mas a apontar alguma falta de fôlego nalgumas das peripécias cómicas ao longo da história.

After: Depois de Tudo” fecha a saga em Portugal — e chega ao Cinemundo no fim de agosto

Nicholas Stoller, realizador e argumentista do filme, não é propriamente um estreante no género: assina também comédias como “Má Vizinhança” e “Ressaca de Amor”, dois títulos que ajudaram a consolidar o seu nome como um dos realizadores mais associados à comédia americana contemporânea, com um estilo caraterizado por humor físico, situações de embaraço social crescente e um ritmo de escrita bastante ágil, elementos que voltam a estar presentes nesta história de casamentos que corre inevitavelmente mal.

Ao lado da dupla principal, o elenco conta ainda com Geraldine Viswanathan, Meredith Hagner e Jimmy Tatro, nomes que têm vindo a afirmar-se sobretudo em comédias e séries de streaming dos últimos anos, e que reforçam o tom coral que a produção procura equilibrar em torno do confronto central entre Ferrell e Witherspoon.

Brad Pitt luta pela sobrevivência ao lado do seu cão de combate no trailer de “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”

Para quem gosta de comédias de casamento com uma pitada extra de caos organizado, “Está Cordialmente Convidado” promete uma noite de sexta-feira descontraída, com duas estrelas veteranas da comédia americana a mostrar, finalmente juntas, se a espera valeu a pena.

Adria Arjona enfrenta um exército de supersoldados em “Ataque Implacável”, de Adam Wingard

“Ataque Implacável”, título português para “Onslaught”, o novo filme de Adam Wingard, o realizador responsável por “Godzilla vs. Kong”, “Godzilla x Kong: O Novo Império” e “The Guest”, estreia nos cinemas portugueses a 3 de setembro, um dia antes da estreia norte-americana, marcada para 4 de setembro pela A24. A distribuição em Portugal fica a cargo da NOS Audiovisuais.

“After: Depois de Tudo” fecha a saga em Portugal — e chega ao Cinemundo no fim de agosto

A história é simples na premissa e violenta na execução: no coração do deserto, uma experiência militar foge ao controlo, e uma unidade de supersoldados geneticamente modificados, concebidos originalmente para controlar populações, transforma a pequena comunidade de Windy Oasis num verdadeiro campo de batalha. A missão dos supersoldados passa a ser simples e brutal, eliminar todos os que possam revelar a verdade sobre a experiência que lhes deu origem, o que coloca os habitantes da comunidade, e sobretudo uma mãe em particular, numa luta pela sobrevivência ao longo de uma única noite.

Essa mãe é Celeste Cross, interpretada por Adria Arjona, atriz que se tem afirmado nos últimos anos como uma das presenças mais consistentes do cinema de ação e thriller, com papéis em “Assassino Profissional” e “Splitsville”. No filme, Celeste é uma antiga sniper do Exército que vive com a filha num parque de caravanas, tentando deixar para trás um passado militar que julgava enterrado, até ser obrigada a recuperar exatamente essas competências para proteger a filha e sobreviver.

Ao lado de Arjona, o brasileiro Alex Pereira, atual campeão de duas categorias de peso no UFC e uma das figuras mais dominantes das artes marciais mistas na atualidade, faz a sua estreia no cinema como uma das ameaças mais implacáveis que Celeste terá de enfrentar, seguindo uma tendência cada vez mais comum de Hollywood recrutar atletas de combate para papéis que exigem presença física e credibilidade em cena de ação. O elenco conta ainda com Dan Stevens, Rebecca Hall e Drew Starkey, entre outros nomes.

Brad Pitt luta pela sobrevivência ao lado do seu cão de combate no trailer de “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”

O argumento é assinado por Simon Barrett, colaborador habitual de Adam Wingard desde “You’re Next” e “The Guest”, parceria que ajudou a definir o estilo caraterístico do realizador: ação visceral, humor negro afiado e uma abordagem assumidamente pulp que recusa a solenidade típica de tantos thrillers de ação contemporâneos. Em “Ataque Implacável”, essa identidade mantém-se firme, com aposta declarada em efeitos práticos, violência gráfica e sequências de combate de alta intensidade, num regresso do realizador às raízes mais independentes e irreverentes que o notabilizaram antes do salto para as produções de grande escala do universo MonsterVerse.

Com uma premissa que soa a cruzamento entre um filme de sobrevivência isolada e um thriller militar de ficção científica, “Ataque Implacável” aposta claramente na intensidade acima da subtileza, prometendo uma noite de cinema tão visceral quanto a experiência que a sua protagonista é forçada a enfrentar.

“Lion” leva a assinatura de Jon Favreau ao documentário — e estreia já esta semana no Disney+

“After: Depois de Tudo” fecha a saga em Portugal — e chega ao Cinemundo no fim de agosto

O Cinemundo reserva o horário nobre de domingo, dia 23 de agosto, às 21h00, para “After: Depois de Tudo” (“After Everything”, 2023), o quinto e último capítulo da saga romântica que transformou os livros de Anna Todd, originalmente publicados como fanfiction sobre a banda One Direction, num dos fenómenos mais rentáveis do cinema jovem-adulto da última década.

A história retoma Hardin Scott (Hero Fiennes Tiffin) já depois do fim da sua tempestuosa relação com Tessa Young (Josephine Langford), o par central que sustentou toda a franquia desde o primeiro filme, em 2019. Agora transformado em autor de um livro best-seller inspirado na sua própria história de amor, Hardin viaja até Portugal com um objetivo muito concreto: confrontar o próprio passado e tentar redimir-se dos comportamentos tóxicos e destrutivos que marcaram os capítulos anteriores da saga. É precisamente esse detalhe, a decisão de ambientar o desfecho da história em solo português, que torna esta estreia particularmente relevante para o público nacional — não é todos os dias que uma franquia com bilhões de visualizações no TikTok e milhões de livros vendidos escolhe Portugal como cenário para o seu capítulo final.

Ao elenco habitual juntam-se ainda Mimi Keene e Benjamin Mascolo, com realização a cargo de Castille Landon, responsável também pelos dois filmes anteriores da saga (“After: A Alma do Amor” e “After: O Amor de Sempre”), o que garante alguma continuidade visual e tonal ao fechar deste ciclo.

Vale lembrar o percurso pouco convencional desta franquia: nascida como fanfiction publicada na plataforma Wattpad, “After” tornou-se um fenómeno editorial antes sequer de chegar ao cinema, vendendo milhões de cópias em todo o mundo e conquistando uma base de fãs particularmente jovem e fiel, sobretudo através das redes sociais. Essa base de fãs foi determinante para o sucesso comercial contínuo da saga nos cinemas, mesmo com a receção critica sempre dividida — um caso de estudo interessante sobre como o boca-a-boca digital consegue sustentar uma franquia inteira ao longo de cinco filmes.

Para quem acompanhou Tessa e Hardin desde o início, este é o momento de fechar o círculo. Para quem nunca viu nenhum dos filmes anteriores, a curiosidade de ver Portugal no ecrã pode ser motivo suficiente para espreitar.

Brad Pitt luta pela sobrevivência ao lado do seu cão de combate no trailer de “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”

Já está disponível o novo trailer de “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”, o thriller de aventura realizado por David Ayer que junta Brad Pitt a um cão de combate numa luta pela sobrevivência no coração da natureza selvagem do Alasca. O filme estreia nas salas portuguesas a 24 de setembro, com distribuição a cargo da NOS Audiovisuais, um dia antes da estreia norte-americana, marcada para 25 de setembro pela Paramount Pictures.

A história arranca com um acidente de avião que deixa o oficial das Forças Especiais James Belmont (Brad Pitt) e o seu cão de combate, Odin, isolados numa região remota e inóspita do Alasca. Sem qualquer possibilidade de ajuda externa e perante condições climáticas extremas, os dois protagonistas terão de contar exclusivamente um com o outro para sobreviver, entre paisagens hostis, perigos inesperados e uma luta constante contra os elementos. Mais do que um simples filme de sobrevivência na natureza selvagem, um género que Hollywood tem revisitado com regularidade nos últimos anos, “Heart of the Beast” propõe-se colocar em destaque o vínculo entre um homem e o seu melhor amigo, transformando a relação entre James e Odin no verdadeiro centro emocional da narrativa.

Vale notar que este reencontro entre Brad Pitt e David Ayer não é o primeiro: os dois já tinham trabalhado juntos em 2014 em “Fury”, o drama bélico sobre uma tripulação de tanque norte-americana na Segunda Guerra Mundial que se tornou um dos papéis mais marcantes da carreira do ator na última década. Mais de dez anos depois, a dupla volta a reunir-se, desta vez trocando o campo de batalha pela natureza selvagem, mas mantendo o interesse do realizador por histórias de sobrevivência extrema e vínculos forjados sob pressão.

No papel de Odin, o cão de combate que partilha o protagonismo com Brad Pitt, está Uber, um Malinois belga, raça frequentemente associada a funções militares e policiais precisamente pela sua inteligência, resistência física e capacidade de trabalho em condições adversas, características que fazem dele uma escolha particularmente adequada para o papel.

Ao elenco junta-se ainda J.K. Simmons, ator vencedor de um Óscar por “Whiplash”, e Anna Lambe, atriz inuk que se tem destacado em produções canadianas dos últimos anos. Para além da realização, David Ayer integra também a produção do filme, ao lado do próprio Brad Pitt, de Olivia Hamilton e de Marty Bowen, com argumento assinado por Cameron Alexander.

Com esta nova aposta, David Ayer reforça o seu percurso como um dos realizadores de Hollywood mais associados a histórias de resistência física e emocional em ambientes extremos, um território que já explorou em títulos como “Fury” ou “Suicide Squad”, e que agora revisita através de uma escala mais intimista: apenas um homem, um cão, e a natureza selvagem do Alasca a testar os limites de ambos.

Estreias da Semana 20 de Agosto

Atriz Hayden Panettiere morre aos 36 anos

“Psico” continua o ciclo Hitchcock no Cinemundo — e continua a assustar 65 anos depois
Cineclubes portugueses dedicam agosto a David Lynch

Estreias da Semana 20 de Agosto

Chegam amanhã aos cinemas portugueses seis novas estreias, lideradas por “Insidious: O Longínquo”, sexto capítulo da saga de terror da Blumhouse, com previsões de ultrapassar os 30 milhões de dólares só na estreia norte-americana. A semana traz ainda o regresso de Andrew Garfield ao cinema familiar, numa adaptação do clássico infantil “A Magia da Árvore Longínqua”, já um dos maiores êxitos independentes britânicos de 2026.

Insidious: O Longínquo

Sexto filme da franquia de terror produzida pela Blumhouse, realizado por Jacob Chase, com Brandon Perea, Lin Shaye e Amelia Eve. A tracking do Boxoffice Pro aponta para uma abertura entre 26 e 34 milhões de dólares nos Estados Unidos, o que faria dele o maior lançamento de agosto de 2026 no mercado norte-americano. As reações ao trailer têm sido mistas, mas há expectativa em torno de uma nova direção para a saga, com os espíritos de “O Longínquo” a conseguirem agora atravessar para o mundo real. Distribuído em Portugal pela Big Picture.

Mutiny: Código Vingança

Jason Statham protagoniza este thriller de ação realizado por Jean-François Richet, sobre um homem que tenta limpar o nome depois de ser incriminado por um homicídio. Ao lado de Statham, o elenco inclui Annabelle Wallis e Roland Møller. Nos Estados Unidos, a estreia é feita pela Lionsgate, com previsões mais modestas, entre 8 e 12 milhões de dólares. Em Portugal, a distribuição ampla pela NOS Audiovisuais garante presença forte nas salas.

A Magia da Árvore Longínqua

Adaptação do clássico infantil de Enid Blyton, realizada por Ben Gregor, com Andrew Garfield, Claire Foy, Nicola Coughlan e Nonso Anozie. Tornou-se o filme independente britânico com maior receita no primeiro semestre de 2026, ultrapassando as 15 milhões de libras só no Reino Unido, e já têm duas sequelas confirmadas, com produção prevista para 2027. Distribuído em Portugal pela Cinemundo.

Elisa

Drama italiano realizado por Leonardo Di Costanzo, com Barbara Ronchi no papel de uma mulher condenada por homicídio que participa na investigação de um criminologista sobre crimes familiares. Competiu pelo Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2025, com elogios generalizados à interpretação de Ronchi. Distribuído pela Leopardo Filmes.

Morte e Vida Madalena

Comédia dramática brasileira realizada por Guto Parente, coprodução com Portugal, com Noá Bonoba, Nataly Rocha e Tavinho Teixeira. Acompanha uma produtora de cinema grávida de oito meses que tenta terminar um filme de ficção científica escrito pelo pai, recentemente falecido. Venceu prémios no FIDMarseille e no Festival de Brasília. Distribuído pela Uma Pedra no Sapato.

Confidente

Drama turco-francês realizado por Guillaume Giovanetti e Çağla Zencirci, com Saadet Işıl Aksoy no papel de uma operadora de linha erótica que recebe, em 1999, o pedido de socorro de um jovem preso nos escombros do terramoto de Istambul. Estreou no Festival de Berlim de 2025. É o título com distribuição mais pequena da semana, a cargo da The Stone and The Plot.

“Lion” leva a assinatura de Jon Favreau ao documentário — e estreia já esta semana no Disney+

O Disney+ estreia esta quinta-feira, dia 20 de agosto, “Lion”, uma série documental da National Geographic que marca a estreia de Jon Favreau no género, depois de uma carreira construída sobretudo em torno de blockbusters de ficção como “O Rei Leão” (2019) e “The Mandalorian”, série da qual é argumentista e produtor executivo. A ironia não passa despercebida: depois de ter dirigido a versão em fotorrealismo digital de “O Rei Leão”, Favreau regressa agora aos leões, mas desta vez através da câmara documental, sem qualquer efeito visual gerado por computador.

Atriz Hayden Panettiere morre aos 36 anos

“Lion” é o resultado de quatro anos consecutivos de rodagem no terreno, uma escala de produção pouco habitual mesmo para os padrões da National Geographic, que junta Favreau, na produção executiva, a Mike Gunton, um dos nomes mais respeitados da produção de documentários de natureza a nível mundial, e à BBC Studios Natural History Unit, responsável por alguns dos documentários de vida selvagem mais aclamados das últimas décadas. A série acompanha a vida extraordinária de Kio, um filhote de leão nascido na Maasai Mara, no Quénia, e destinado, segundo a narrativa da série, a tornar-se rei da sua própria alcateia.

Ao longo de vários anos de filmagem, a equipa documenta o crescimento de Kio no seio de uma comunidade de leões africanos, retratando com um realismo pouco comum os desafios que este enfrenta para sobreviver e afirmar-se num ambiente hostil e altamente competitivo. Segundo Favreau, citado recentemente pela revista Variety, um dos aspetos mais desafiantes da produção foi precisamente a incerteza sobre se o protagonista sobreviveria até ao fim da rodagem, um fator que a própria equipa descreveu como profundamente angustiante ao longo dos quatro anos de acompanhamento.

“Psico” continua o ciclo Hitchcock no Cinemundo — e continua a assustar 65 anos depois

Do ponto de vista técnico, a série recorre a arrays de câmaras remotas e tecnologia de alta taxa de fotogramas, ferramentas que a equipa de Favreau já tinha testado e aperfeiçoado em projetos anteriores da Disney, permitindo capturar comportamentos da vida selvagem que nunca antes tinham sido registados por câmaras humanas. A banda sonora está a cargo do compositor vencedor do Óscar Hans Zimmer, em conjunto com Niccolò Pacella e George Huston Warren, através da Bleeding Fingers Music, o que promete emprestar à série uma dimensão épica mais próxima do cinema do que do documentário televisivo tradicional.

“Lion” estreia primeiro no canal National Geographic, a 19 de agosto, seguindo-se a disponibilização no Disney+ já no dia seguinte, um lançamento faseado que a Disney tem vindo a repetir noutros projetos de grande escala da National Geographic, e que reforça o estatuto desta série como um dos projetos mais ambiciosos já produzidos pela marca no género documental.

Atriz Hayden Panettiere morre aos 36 anos

A atriz, modelo e cantora norte-americana Hayden Panettiere, conhecida pelos seus papéis nas séries “Heróis” e “Nashville”, morreu aos 36 anos, confirmou à ABC News o seu representante. A notícia foi avançada este fim de semana e confirmada entretanto por várias agências e órgãos de comunicação norte-americanos, incluindo a CNN, a NBC News e a CBS News.

Segundo informação policial citada pela imprensa norte-americana, as autoridades foram chamadas na Carolina do Sul na sequência de uma denúncia de uma mulher inconsciente, cerca das 13h50 local. A investigação às circunstâncias da morte está ainda em curso, mas a polícia não indicou, para já, quaisquer sinais de crime ou de circunstâncias suspeitas. A causa da morte não foi divulgada. Panettiere completaria 37 anos esta sexta-feira.

“Com profunda tristeza, partilhamos a trágica notícia do falecimento da nossa querida Hayden. Era uma pessoa incrível, uma força da natureza que trouxe um amor e uma alegria imensuráveis a todos os que a conheceram, e aos milhões que a viram no ecrã”, declarou o pai da atriz, Skip Panettiere, em comunicado, pedindo privacidade “enquanto a nossa família dispõe de tempo para assimilar esta perda inimaginável”.

Panettiere começou a carreira ainda criança, como estrela infantil, com aparições em séries populares como “Ally McBeal” e “Malcolm in the Middle”. Cresceu em Palisades, Nova Iorque, filha de uma antiga atriz de telenovelas e de um capitão do corpo de bombeiros. É recordada sobretudo pelo papel de Claire Bennet na bem-sucedida série “Heróis”, que a projetou internacionalmente ainda em adolescente, e por Juliette Barnes no drama musical “Nashville”, personagem que interpretou ao longo de 128 episódios entre 2012 e 2018 e que lhe valeu duas nomeações para os Globos de Ouro. No cinema, protagonizou ainda “Remember the Titans” (“Duelo de Titãs”), “Raising Helen” (“A Educação de Helen”), “Ice Princess” (“A Princesa do Gelo”) e “Gritos 4”.

Em maio deste ano, Panettiere publicou umas memórias intituladas “This Is Me: A Reckoning”, nas quais falou abertamente sobre as dificuldades pessoais que atravessou desde a infância até à idade adulta. Segundo a sinopse do livro, a obra oferece “uma visão íntima e invulgar da sua vida privada”, abordando de forma franca a depressão pós-parto, a adição e o processo de recuperação, o trauma, o abuso doméstico e a perda. Já em 2022, numa entrevista ao programa “Good Morning America”, a atriz tinha falado abertamente sobre a sua luta contra o alcoolismo e a depressão pós-parto, tornando-se uma voz pouco habitual em Hollywood na forma direta como abordava estes temas publicamente.

A artista tinha uma filha, Kaya Klitschko, nascida em 2014, fruto da relação com o seu ex-companheiro, o antigo campeão mundial de pesos-pesados de boxe Wladimir Klitschko. A família de Panettiere foi já marcada por outra perda trágica: o seu irmão, Jansen Panettiere, também ator, morreu subitamente aos 28 anos, em fevereiro de 2023, devido a cardiomegalia e complicações na válvula aórtica, segundo comunicado da família na altura.

A morte de Hayden Panettiere encerra a história de uma das caras mais reconhecíveis da televisão americana dos anos 2000 e 2010, que optou, nos últimos anos, por transformar as suas próprias dificuldades numa conversa pública sobre saúde mental que continua, hoje, a ecoar entre quem a seguiu desde criança.

“Psico” continua o ciclo Hitchcock no Cinemundo — e continua a assustar 65 anos depois

O ciclo “Estrela do Mês: Alfred Hitchcock” chega, esta segunda-feira, dia 17 de agosto, às 20h30, ao seu terceiro capítulo — e é, sem qualquer margem para dúvida, o mais influente de todos os cinco filmes selecionados pelo Canal Cinemundo. Depois de “O Homem que Sabia Demais” e “A Mulher que Viveu Duas Vezes” (“Vertigo”), é a vez de “Psico” (“Psycho”, 1960) preencher o horário nobre das segundas-feiras dedicado ao mestre do suspense.

É difícil exagerar o impacto que “Psico” teve, e continua a ter, sobre a história do cinema. Antes deste filme, o género de terror vivia sobretudo de monstros clássicos, criaturas sobrenaturais e cenários exóticos e distantes. Hitchcock decidiu, em vez disso, instalar o horror num motel de beira de estrada perfeitamente banal, gerido por um jovem aparentemente inofensivo chamado Norman Bates — e, com isso, redefiniu para sempre aquilo que o público entende por medo no cinema. A célebre cena do chuveiro, filmada ao longo de vários dias, com dezenas de ângulos de câmara diferentes e uma banda sonora de cordas dissonantes composta por Bernard Herrmann, tornou-se provavelmente a sequência mais estudada, analisada e imitada de toda a história do cinema — e continua, décadas depois, a ser ensinada em escolas de cinema de todo o mundo como exemplo máximo de montagem ao serviço do terror psicológico.

Parte do génio de “Psico” está também na forma como Hitchcock brincou, de forma deliberada e quase provocatória, com as expectativas do próprio público. Ao matar a sua protagonista principal — interpretada por Janet Leigh, então uma das grandes estrelas de Hollywood — a meio do filme, numa altura em que nenhuma convenção narrativa da época permitia sequer imaginar tal coisa, Hitchcock retirou ao espectador qualquer sensação de segurança narrativa. Ninguém, a partir daquele momento, podia ter a certeza de quem sobreviveria até ao final. Essa quebra brutal de expectativas tornou-se, ela própria, um modelo replicado inúmeras vezes por gerações posteriores de realizadores de terror e suspense.

O filme foi ainda pioneiro em termos de estratégia de exibição: Hitchcock insistiu, junto dos donos das salas de cinema, para que nenhum espectador pudesse entrar depois do início da sessão — uma prática hoje considerada absolutamente normal, mas que na época constituiu uma verdadeira revolução na forma como o público consumia cinema, obrigando as pessoas a respeitar o horário de início como parte essencial da experiência da própria história.

Anthony Perkins, no papel de Norman Bates, entrega uma das interpretações mais marcantes de toda a carreira, condenando-o, de certa forma, a ficar para sempre associado a esta personagem perturbadora — um destino que o próprio ator reconheceu, com alguma amargura, em entrevistas ao longo dos anos seguintes. Mais de seis décadas depois da sua estreia original, “Psico” continua a funcionar como uma verdadeira aula de tensão cinematográfica, prova de que o medo mais eficaz nem sempre precisa de sangue nem de efeitos especiais — só precisa de um realizador que saiba exatamente quando e como o revelar.

Cineclubes portugueses dedicam agosto a David Lynch

“Outer Banks” chega ao fim com a 5.ª temporada, a 20 de agosto na Netflix
“Mother Mary”: o thriller surreal de Anne Hathaway estreia na HBO Max a 21 de agosto

“Nosferatu”: Robert Eggers reinventa o vampiro mais antigo do cinema para o TVCine

Cineclubes portugueses dedicam agosto a David Lynch

Alternativa: “De ‘Eraserhead’ a ‘Uma História Simples’: o cinema português presta homenagem ao mestre do surreal”

Ano e meio depois da morte de David Lynch, em janeiro de 2025, o circuito de cineclubes portugueses continua a prestar-lhe homenagem através daquilo que melhor sabem fazer: programar, com cuidado e afeto, o trabalho de um dos cineastas mais singulares e influentes da história do cinema. Ao longo do mês de agosto, vários cineclubes espalhados pelo país — de Guimarães a Santarém, passando por Faro, Joane e Pombal — incluem sessões dedicadas ao realizador na sua programação regular.

O Cineclube de Guimarães escolheu, para a sua sessão do mês, “Uma História Simples” (1999), talvez o filme mais atípico de toda a filmografia de Lynch — uma produção da Disney, sem qualquer um dos elementos perturbadores ou surreais habitualmente associados ao realizador, que segue a viagem real de Alvin Straight, um homem idoso que atravessa vários estados americanos a bordo de um cortador de relva para visitar o irmão doente, de quem está afastado há anos. É precisamente essa capacidade de Lynch para alternar entre o pesadelo mais absoluto e a ternura mais desarmante, muitas vezes dentro da mesma filmografia, que torna esta escolha tão reveladora sobre a real amplitude do seu talento.

Já o Cineclube de Santarém optou por uma abordagem mais abrangente e ambiciosa: depois de ter exibido, em julho, “O Homem Elefante” (1980) — o drama que consagrou Lynch junto de Hollywood e lhe valeu nomeações ao Óscar — e “Eraserhead: No Céu Tudo é Perfeito” (1989), a sua estreia na longa-metragem e ainda hoje um dos filmes mais radicalmente perturbadores já produzidos, o cineclube dedicou o mês de agosto a uma sessão inteiramente dedicada às curtas-metragens do realizador. Ao todo, seis títulos raramente exibidos em conjunto: “Six Men Getting Sick” (1966), a sua primeira experiência cinematográfica enquanto ainda estudava pintura; “O Abecedário” (1968); “A Avó” (1970), talvez a mais inquietante das seis; “The Amputee” (1973); “The Cowboy and the Frenchman” (1988); e “Lumière” (1995), a sua contribuição ao projeto coletivo francês que assinalou o centenário do cinema.

Esta programação de curtas é particularmente valiosa para quem quer compreender a génese do universo visual de Lynch: é nestes trabalhos iniciais, muitas vezes esquecidos em favor dos longas-metragens mais conhecidos, que já se encontram em embrião as obsessões que definiriam toda a sua carreira — o corpo como fonte de horror e fascínio, a domesticidade transformada em pesadelo, o som como elemento tão narrativo quanto a imagem, e uma iconografia absolutamente própria que nenhum outro realizador conseguiu replicar com a mesma autenticidade.

Este tipo de homenagem descentralizada, feita não através de um grande evento único mas de pequenas sessões espalhadas por cineclubes de todo o país, talvez seja, aliás, a forma mais adequada de recordar um cineasta que sempre valorizou o cinema como experiência comunitária e ritual — e que, ao longo de décadas, encontrou em Portugal um público particularmente fiel e apaixonado pela sua obra.

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“Outer Banks” chega ao fim com a 5.ª temporada, a 20 de agosto na Netflix

Depois de cinco temporadas e seis anos de caça ao tesouro, romances adolescentes e fugas cada vez mais improváveis, “Outer Banks” está prestes a escrever o seu capítulo final. A quinta e última temporada da série da Netflix estreia a 20 de agosto, com todos os dez episódios disponíveis de uma só vez — ao contrário da quarta temporada, que tinha sido dividida em duas partes, desta vez os criadores optaram por entregar a história completa de uma só vez, permitindo um maratona sem interrupções para os fãs mais impacientes.

A temporada final retoma a ação exatamente onde a anterior tinha ficado, no momento mais sombrio de toda a série: os Pogues no seu ponto mais baixo, ainda a processar a devastadora perda de JJ Maybank, um dos membros mais queridos e imprevisíveis do grupo, morto em Marrocos no final da quarta temporada. É a partir dessa perda que a turma parte para uma última e definitiva aventura, desta vez movida não apenas pela habitual busca por tesouros escondidos, mas por um objetivo muito mais pessoal e emocional: vingar o amigo perdido.

O elenco principal mantém-se praticamente intacto: Chase Stokes, Madelyn Cline, Madison Bailey, Jonathan Daviss, Carlacia Grant, Austin North, Drew Starkey e Fiona Palomo regressam todos como membros regulares do elenco, com Cullen Moss e J. Anthony Crane a subirem também ao estatuto de regulares nesta reta final. A ausência mais sentida será, inevitavelmente, a de Rudy Pankow, cujo regresso como JJ não estava previsto — uma decisão de argumento coerente com o desfecho trágico da temporada anterior, mas que ainda assim promete pesar emocionalmente sobre toda a temporada final, funcionando quase como um luto coletivo, tanto das personagens como do próprio público que acompanhou a série desde o início.

Os criadores Jonas Pate, Josh Pate e Shannon Burke regressam todos como produtores executivos e argumentistas, fechando pessoalmente uma história que começaram a construir ainda em 2020, num contexto televisivo completamente diferente do atual — “Outer Banks” tornou-se, entretanto, um dos maiores fenómenos juvenis da Netflix, com um fandom apaixonado que acompanhou o crescimento dos protagonistas ao longo de vários anos, quase em tempo real.

Para quem seguiu os Pogues desde o início — a busca pelo ouro de La Merde, as sucessivas fugas de Kildare Island, os romances que se fizeram e desfizeram ao longo das temporadas —, esta última temporada promete ser tanto um fecho de contas emocional quanto uma última grande aventura, no espírito genuíno que sempre definiu a série.

“Mother Mary”: o thriller surreal de Anne Hathaway estreia na HBO Max a 21 de agosto

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