A um mês da estreia, marcada para 10 de setembro, “Santo António, O Casamenteiro de Lisboa” confirma-se como uma das apostas mais ambiciosas do cinema português para este outono — e talvez a que melhor resuma aquilo a que se propõe logo no próprio material de divulgação: uma carta de amor a Lisboa, escrita em forma de comédia.
A história parte de uma das tradições mais emblemáticas da cidade, os Casamentos de Santo António, e da ameaça, cada vez mais concreta, de essa tradição desaparecer. Carmo e Valentim, dois funcionários da Câmara Municipal de Lisboa com mais de 25 anos dedicados à organização do evento, veem o seu trabalho de uma vida inteira posto em causa quando a Stardust, um grande grupo francês prestes a assumir a gestão dos Casamentos, decide que a tradição “bateu no fundo” e precisa de ser modernizada — ou extinta. O ultimato que recebem é duro: ou conseguem transformar o evento em algo moderno e bem-sucedido, ou serão despedidos. Contra todas as probabilidades, os dois lançam-se então na missão de criar a edição mais icónica de sempre dos Casamentos de Santo António, movidos por uma convicção simples e inegociável: Lisboa e as suas tradições não estão à venda.
É esta tensão entre tradição e modernidade, entre o afeto por aquilo que sempre existiu e a pressão constante para “atualizar” tudo o que é genuinamente local, que dá ao filme o seu verdadeiro fôlego dramático — sem nunca perder o tom de comédia romântica que o caracteriza. Entre marchas populares, bairros históricos, encontros inesperados e personagens que prometem ficar na memória do público, o filme convida a redescobrir uma Lisboa onde passado e presente convivem em harmonia, e onde os afetos continuam a atravessar gerações inteiras.
O elenco é, sem exagero, um dos mais extensos e cuidados vistos recentemente numa produção nacional. Rita Blanco e Joaquim Monchique protagonizam, mas à sua volta reúne-se um verdadeiro quem-é-quem do cinema e da televisão portuguesa: Joaquim de Almeida, Maria João Bastos, Albano Jerónimo, o ator espanhol Paco León, Maria Rueff, Isabel Abreu, Ana Bola, Lídia Franco, Rui Mendes, João Catarré, Jacqueline Corado, Inês Aires Pereira, Miguel Amorim, Nuno Nolasco, Pedro Nuno, Vasco Pereira Coutinho, Catarina Rabaça, Francisco Soares, Catarina Raimundo e João Azevedo completam um elenco coral raramente visto à escala nacional — o tipo de escalação que só um filme genuinamente sobre a identidade coletiva de uma cidade conseguiria justificar.
Atrás das câmaras está Ruben Alves, realizador de “A Gaiola Dourada”, um dos maiores êxitos de bilheteira do cinema português junto do público francês, e que regressa agora à comédia depois de ter conquistado esse público com uma história igualmente centrada na identidade e no orgulho de pertencer a um lugar. O argumento é coescrito por Alves ao lado do argumentista espanhol Fer Pérez, conhecido pelo trabalho em “Kiki, o Amor Faz-se” e “Arde Madrid” — uma parceria que ajuda a explicar o equilíbrio entre humor, romance e emoção que atravessa toda a narrativa.
Com distribuição pela NOS Audiovisuais e estreia marcada para 10 de setembro, “Santo António, O Casamenteiro de Lisboa” já tem site oficial (blablablamedia.com/santoantonio) e página de Instagram dedicada (@santoantonio_film), onde é possível acompanhar novidades até à estreia. Uma comédia profundamente portuguesa, pensada, acima de tudo, para quem sente que Lisboa não se explica sem as suas tradições.
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