James Gray tem uma relação de décadas com Cannes — We Own the Night, Two Lovers, The Immigrant, Armageddon Time passaram todos pela Croisette em Competição — mas nunca ganhou a Palma de Ouro. Paper Tiger, o seu novo filme, completa os 22 títulos da Competição Oficial de 2026 e é, à partida, uma das candidaturas mais sólidas ao prémio principal. E chegou a Cannes de forma tortuosa: Thierry Frémaux admitiu publicamente que estava à sua espera quando anunciou a selecção a 9 de Abril, e o filme só entrou na lista oficial duas semanas depois, após a resolução de questões contratuais.
A história centra-se em dois irmãos — interpretados por Adam Driver e Miles Teller — que tentam alcançar o sonho americano e acabam enredados num esquema demasiado bom para ser verdade, terrorizado pela máfia russa. Scarlett Johansson completa o trio principal num papel ainda não revelado. A premissa é um regresso claro ao Gray mais genre — o realizador de The Yards e We Own the Night, que começou a carreira no thriller urbano antes de se tornar num autor de prestígio com The Immigrant e Ad Astra. Frémaux descreveu-o como “um filme muito James Gray, muito indie” — formulação que os fãs do realizador reconhecerão imediatamente como um elogio.
O elenco tem uma história própria que vale contar: Anne Hathaway e Jeremy Strong estavam originalmente ligados ao projecto e saíram por incompatibilidades de agenda. A substituição por Johansson e Teller não foi um recuo — foi uma reconfiguração que reuniu Driver e Johansson pela primeira vez desde Marriage Story de Noah Baumbach (2019), o filme que valeu a ambos nomeações ao Óscar. Gray nunca tinha trabalhado com nenhum dos três actores, o que torna este Paper Tiger num filme de primeiras vezes em vários sentidos.
A Neon — a distribuidora por detrás dos últimos seis vencedores da Palma de Ouro, incluindo Parasita e Anatomia de uma Queda — adquiriu os direitos norte-americanos, o que é o sinal mais claro possível de que o filme chega a Cannes com expectativas sérias. Gray será um dos dois realizadores americanos em Competição este ano, ao lado de Ira Sachs com The Man I Love. A Palma de Ouro está em aberto — e Paper Tiger é uma das razões pelas quais.
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