“The Bear” termina na próxima temporada — e é a melhor notícia possível para uma série sobre fazer as coisas bem

The Bear termina após a próxima temporada, confirmou o FX esta semana. É uma decisão que os criadores tomaram com a mesma filosofia que tem definido a série desde o primeiro episódio: saber quando parar. 

The Bear estreou em Junho de 2022 e tornou-se rapidamente numa das séries mais discutidas da televisão contemporânea — não pelo espectáculo, mas pela intensidade. Uma cozinha de Chicago, um chefe em colapso depois da morte do irmão, uma equipa disfuncional que tenta transformar um restaurante de sanduíches num lugar de refeições a sério. É uma série sobre trabalho, trauma, família e a obsessão que separa as pessoas que fazem algo de forma mediana das que fazem de forma extraordinária. Jeremy Allen White, Ayo Edebiri e Ebon Moss-Bachrach construíram três personagens que raramente aparecem na televisão com esta profundidade.

A quinta temporada — que ainda não tem data de estreia mas que deverá chegar em 2027 — será a última. Os criadores da série, liderados por Christopher Storer, têm evitado consistentemente esticar a narrativa para além do que ela aguenta, e a decisão de terminar está alinhada com essa postura. O episódio surpresa “Gary”, lançado em Abril sem qualquer anúncio prévio e protagonizado por Ebon Moss-Bachrach e Jon Bernthal, foi o primeiro sinal de que a série estava a preparar uma despedida em condições. Em Portugal, The Bear está disponível no Disney+.

As estreias de 14 de Maio: uma saga com Salvador Sobral, o documentário dos Iron Maiden e uma Madre de Calcutá com Noomi Rapace

Spielberg regressa com OVNIs, Emily Blunt e a maior questão de sempre — “Disclosure Day” estreia a 12 de Junho

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Steven Spielberg tem uma relação de décadas com o extraterrestre. Encontros Imediatos do Terceiro GrauE.T.A Guerra dos Mundos — são filmes que definiram como o cinema imagina o contacto com o desconhecido. Depois de The Fabelmans em 2022, Spielberg regressa com Disclosure Day, um thriller de ficção científica sobre o que aconteceria se a prova definitiva da existência de vida extraterrestre fosse tornada pública. Estreia nos cinemas a 12 de Junho.

A história segue Josh O’Connor como um homem com acesso a segredos governamentais sobre contacto extraterrestre; Emily Blunt como uma meteorologista que começa inexplicavelmente a falar em línguas durante um directo televisivo; e Colin Firth como um burocratas disposto a tudo para impedir a divulgação pública. “Essa verdade vai subverter toda a ordem estabelecida no mundo inteiro”, diz Firth a O’Connor no trailer. “Se fizeres isto, não há como desfazê-lo.” Colman Domingo interpreta Hugo Wakefield, um desertor que defende activamente a divulgação. 

O argumento é de David Koepp — Parque JurássicoA Guerra dos MundosIndiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal — e Spielberg disse na CinemaCon que a premissa é “mais próxima da verdade do que se pensa”: “Tenho curiosidade desde que era criança sobre o que acontece no céu nocturno. O mundo tornou-se mais receptivo ao facto de que provavelmente não estamos sozinhos.” A partitura é de John Williams — a sua trigésima colaboração com Spielberg. 

É o maior filme do verão que ainda não está em cartaz. Chega a Portugal a 12 de Junho.

“Reacher” renovado para a quinta temporada antes de a quarta estrear — Alan Ritchson é imparável

Conan O’Brien vai apresentar os Óscares pela terceira vez consecutiva — e já é uma tradição

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“Reacher” renovado para a quinta temporada antes de a quarta estrear — Alan Ritchson é imparável

O Prime Video renovou Reacher para uma quinta temporada antes de a quarta ter sequer data de estreia confirmada. A terceira temporada foi vista por 54,6 milhões de espectadores globalmente nos primeiros 19 dias — o registo mais alto da plataforma desde Fallout. Com esses números, a renovação antecipada não é uma surpresa. É uma declaração de franchise. 

A quarta temporada baseia-se em Gone Tomorrow, o 13.º livro de Lee Child, e começa quando um encontro fortuito com uma desconhecida perturbada no metro corre terrivelmente mal, arrastando Reacher para uma conspiração que chega aos níveis mais altos do poder americano. O novo elenco inclui Chris Marquette, Sydelle Noel, Agnez Mo, Anggun, Kevin Weisman, Marc Blucas, Kevin Corrigan e Kathleen Robertson. A data de estreia não foi ainda confirmada mas espera-se para o segundo semestre de 2026.

“De os romances globalmente adorados de Lee Child à sua adaptação exemplar no ecrã, Reacher tornou-se numa verdadeira franchise de poder”, disse Peter Friedlander, responsável pela televisão global da Amazon MGM Studios. Alan Ritchson, que também é produtor executivo da série, é neste momento a maior estrela de acção da televisão de streaming — um título que sustenta com uma consistência e uma presença física que o género exige e raramente encontra. 

Para os fãs portugueses, as primeiras três temporadas estão disponíveis no Prime Video. A quarta chegará pela mesma via assim que tiver data confirmada.

Conan O’Brien vai apresentar os Óscares pela terceira vez consecutiva — e já é uma tradição

O regresso do Justiceiro tem um problema de PlayStation — e o Disney+ já admitiu que está a corrigi-lo

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Conan O’Brien vai apresentar os Óscares pela terceira vez consecutiva — e já é uma tradição

Conan O’Brien foi confirmado como apresentador da cerimónia dos Óscares pelo terceiro ano consecutivo, com Raj Kapoor e Katy Mullan a regressarem como produtores executivos pelo quarto ano seguido. A notícia gerou a reacção mais previsível possível nas redes sociais: “Claro que sim.” 

A progressão foi rápida. O’Brien apresentou a 96.ª cerimónia em 2024 como substituto de última hora depois de uma série de escolhas controversas — e resultou tão bem que a Academia o convidou imediatamente para 2025. A 97.ª confirmou o que a 96.ª tinha sugerido: Conan O’Brien tem exactamente o registo certo para os Óscares — suficientemente irreverente para ser divertido, suficientemente respeitoso para não eclipsar o evento, e com um talento de improvisação que transforma os momentos embaraçosos inevitáveis de qualquer cerimónia ao vivo em material de comédia. A cena em que consolou um realizador que tropeçou a subir ao palco foi um dos momentos mais partilhados da noite passada.

A 99.ª cerimónia dos Óscares — que reconhecerá os filmes de 2026, incluindo provavelmente títulos de Cannes que estão a estrear esta semana — realiza-se a 14 de Março de 2027. Com Disclosure Day de Spielberg a estrear em Junho, Paper Tiger de James Gray em Cannes esta semana e The Mandalorian and Grogu a chegar em Maio, o calendário de potenciais nomeados já está a tomar forma. Conan O’Brien vai ter muito material.

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“Good Omens” terminou — e foi o melhor final possível para uma série que quase não teve nenhum

O episódio final de Good Omens chegou hoje ao Prime Video como um telefilme de 90 minutos — uma redução forçada face à temporada completa de seis episódios que estava planeada, após a saída de Neil Gaiman do projecto em 2024 na sequência de acusações de agressão sexual. O que poderia ter sido um desastre narrativo acabou por ser, nas palavras de quem o viu esta manhã, “o melhor final possível dado o que estava disponível.” 

A crítica do TV Fanatic descreve o episódio como uma “carta de amor a uma história de amor inesquecível”, elogiando a forma como os 90 minutos equilibram o caos narrativo dos dois primeiros terços com “os momentos finais devastadores”. A missão de encontrar o Livro da Vida e o desaparecimento de Jesus são tratados com a leveza característica da série, enquanto Aziraphale e Crowley navegam as consequências do cliffhanger da segunda temporada. 

O Review Geek dá 4 em 5 estrelas e nota um callback ao Doctor Who de David Tennant — a Bentley a mover-se pelo espaço como uma Tardis — e a utilização de “Don’t Stop Me Now” dos Queen no clímax como “o número perfeito”. A crítica mais cautelosa, do Screen Rant, aponta o ritmo acelerado e personagens secundárias subaproveitadas, mas reconhece que “Aziraphale e Crowley são a cola que mantém tudo”. 

Nas palavras do Cinemablend: “Os fãs de Good Omens são, francamente, sortudos por terem um final de todo.” É uma frase que resume tudo — e que qualquer fã da série vai reconhecer como verdadeira. Good Omens está disponível no Prime Video em Portugal. 

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O regresso do Justiceiro tem um problema de PlayStation — e o Disney+ já admitiu que está a corrigi-lo

Jon Bernthal fez exactamente o que os fãs esperavam: The Punisher: One Last Kill tem 86% no Rotten Tomatoes e 91% de aprovação do público. A performance de Bernthal como Frank Castle é descrita unanimemente como um dos pontos mais fortes do especial. E ainda assim, a internet está a falar de outra coisa.

Uma cena de stunt no segundo acto — em que Frank Castle é empurrado de um edifício e cai numa grelha de ventilação metálica — está a ser ridicularizada por parecer “um cutscene de PlayStation”. As reacções incluem: “Parece genuinamente um cutscene de GTA”; “Parece uma versão de teste de uma cena de Joel de The Last of Us“; “A Marvel a lançar VFX inacabados em 2026 é loucura — o Bernthal está a fazer uma raiva de nível divino mas meteram-lhe física de ragdoll de PS3.”

Uma fonte próxima da produção disse ao Hollywood Reporter que o plano é real — Bernthal fez o início da queda, o seu duplo de acção fez o impacto, e houve uma substituição de rosto por VFX que pode explicar o aspecto estranho do resultado. O Disney+ reconheceu publicamente o problema do som — diálogos demasiado baixos, configuração de surround incorrecta — e confirmou que está a trabalhar numa correcção. 

O resultado é um especial tecnicamente imperfeito que a crítica e o público consideram, ainda assim, uma das melhores versões do Justiceiro alguma vez colocada em ecrã. Frank Castle merecia melhor do que física de PS3 — mas Bernthal entregou exactamente o que prometeu. O resto é conversa de internet.

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As estreias de 14 de Maio: uma saga com Salvador Sobral, o documentário dos Iron Maiden e uma Madre de Calcutá com Noomi Rapace

Esta semana o cartaz português é presidido por um filme português premiado no IndieLisboa, um documentário sobre uma das maiores bandas de metal de sempre e um biopic sobre Teresa de Calcutá com uma das melhores actrizes europeias em cena. São dez estreias — aqui estão as que mais merecem atenção, por ordem de potencial de audiência.

Iron Maiden: Burning Ambition (Cinemundo, M/12) é provavelmente o título mais aguardado da semana para a audiência do Clube de Cinema — não porque o metal seja o género mais transversal, mas porque este documentário vai muito além dos fãs da banda. Cinquenta anos de carreira contados através de entrevistas com os membros da banda, a última conversa registada com o vocalista original Paul Di’Anno — que morreu em Outubro de 2024 — e testemunhos de Lars Ulrich dos Metallica, do actor Javier Bardem e de Chuck D dos Public Enemy. É a história de como uma banda de East London se tornou num fenómeno global com um exército de fãs em todos os continentes — incluindo Portugal, onde os Iron Maiden têm uma das maiores bases de fãs da Europa. O documentário estreou mundialmente a 7 de Maio e chega agora às salas portuguesas. 

A Providência e a Guitarra (Desforra Apache) é o destaque do cinema português desta semana — e não por acaso. O novo filme de João Nicolau, com Pedro Inês, Clara Riedenstein e Salvador Sobral, ganhou o Prémio de Melhor Realização no IndieLisboa há menos de duas semanas, com o júri a elogiar “um humor inteligente e uma construção narrativa audaciosa”. Nicolau é um dos realizadores portugueses mais singulares da sua geração — RapaceJohn From e Technoboss definem um cinema que não se parece com nada — e a presença de Sobral no elenco é uma garantia de que a música e a errância vão ter aqui um papel central.

Teresa – A Madre de Calcutá (NOS Audiovisuais, M/12) é realizado pela macedónia Teona Strugar Mitevska e protagonizado por Noomi Rapace numa das personagens históricas mais complexas e mais debatidas do século XX. O filme não é uma hagiografia — Mitevska tem um historial de retratos femininos que recusam o conforto — e Rapace, depois de PrometheusThe Girl with the Dragon Tattoo e Lamb, está completamente à vontade em personagens de intensidade extrema. Com Nikola Ristanovski e Sylvia Hoeks no elenco de apoio.

13 Dias, 13 Noites (Cinemundo) é um thriller político francês sobre a evacuação da embaixada francesa em Cabul durante a tomada taliban em Agosto de 2021. Baseado no livro de Mohamed Bida, com realização de Martin Bourboulon — o mesmo de Os Mosqueteiros — e Roschdy Zem no papel principal, o filme estreou fora de competição em Cannes 2025 com críticas positivas, com destaque para a performance de Zem. É o tipo de thriller de acção com substância política que raramente chega ao cinema português — e que vale a pena ver em sala. IMDb

As Águias da República (Leopardo Filmes) é um thriller do sueco-egípcio Tarik Saleh — o mesmo de O Cairo Confidencial e Boy from Heaven — desta vez com Fares Fares e Lyna Khoudri numa história de espionagem e poder político no mundo árabe contemporâneo. Saleh é um dos realizadores mais consistentes do thriller político europeu e o filme foi bem recebido nos festivais onde passou.

Mais Forte Que Eu (Pris Audiovisuais, M/12) é um drama britânico realizado por Kirk Jones com Robert Aramayo — conhecido de Game of Thrones como o jovem Ned Stark — e Maxine Peake numa história de luta e resistência ambientada no norte de Inglaterra. Peter Mullan completa o elenco. É o tipo de filme britânico de classe trabalhadora que tem uma tradição sólida e uma audiência fiel.

Completa o cartaz Soco a Soco (sem classificação etária atribuída), o documentário português de Diogo Varela Silva sobre o pugilista Orlando Jesus — que já esteve em cartaz durante o IndieLisboa e que chega agora ao circuito comercial — e Obsession – A Felicidade É Relativa (Cinemundo, M/14), um terror americano. Para o público mais jovem e familiar há Tom & Jerry: A Bússola Perdida (Cinemundo), uma animação chinesa baseada nos personagens clássicos, e A Dança das Raposas, drama belga de estreia.

Há Um Comboio Desgovernado Cheio de Animais e Pode Ser a Aventura Familiar Mais Divertida do Ano

Preparem as pipocas, porque está prestes a chegar aos cinemas uma daquelas aventuras animadas onde o caos parece aumentar de minuto a minuto — e isso é claramente uma excelente notícia. Bichos a Bordo: O Comboio Mais Desgovernado estreia nas salas portuguesas a 28 de Maio e promete juntar acção, humor e muitos animais em pânico dentro de um comboio completamente fora de controlo.

E sejamos honestos: qualquer filme que misture um guaxinim heróico, um texugo vingativo e um comboio prestes a descarrilar já merece, pelo menos, alguma atenção.

A premissa é simples mas eficaz. Um grupo de animais fica preso num comboio desgovernado enquanto Hans, um texugo movido por vingança, ameaça transformar a viagem numa verdadeira catástrofe. Com o tempo a esgotar-se rapidamente, os passageiros peludos terão de unir forças para impedir a colisão e sobreviver ao caos que se instala carruagem após carruagem.

Um guaxinim improvável como herói da história

No centro da aventura está Falcão, um guaxinim descrito como inteligente, engenhoso e destemido, que acaba por assumir o papel de improvável líder deste grupo de sobreviventes. E convenhamos: os guaxinins já têm naturalmente ar de criaturas que sobreviveriam perfeitamente a um desastre ferroviário.

Entre perseguições, trapalhadas e momentos de tensão, tudo indica que Bichos a Bordo aposta naquela fórmula clássica das animações familiares que mistura acção acelerada com personagens excêntricas e piadas constantes para manter miúdos e graúdos entretidos.

O conceito do “comboio desgovernado” também ajuda bastante ao potencial cómico da coisa. Afinal, poucas situações criam tanto caos cinematográfico como personagens desesperadas a tentar travar um veículo gigante enquanto tudo abana, explode ou corre terrivelmente mal.

Humor, acção e espírito de equipa

Segundo a informação divulgada, o filme aposta bastante no trabalho de equipa e na amizade entre personagens improváveis. Claro que isso significa também discussões, confusões e provavelmente vários planos absurdos antes de alguém perceber finalmente como travar o comboio.

Mas esse é precisamente o encanto deste tipo de animação: aventuras frenéticas onde o perigo nunca impede o filme de manter um tom leve e divertido.

Além disso, a presença de um vilão como Hans, o texugo sedento de vingança, dá ao filme aquele toque clássico de antagonista exagerado que costuma funcionar muito bem em animações familiares. E sejamos sinceros outra vez: “texugo vingativo num comboio desgovernado” parece exactamente o tipo de ideia que teria nascido de uma reunião particularmente caótica de argumentistas.

Uma aposta para toda a família

Bichos a Bordo: O Comboio Mais Desgovernado chega aos cinemas portugueses no dia 28 de Maio, com versão dobrada em português, e tudo indica que poderá ser uma das apostas familiares mais divertidas das próximas semanas.

Num panorama onde muitas animações tentam desesperadamente parecer épicas ou excessivamente sofisticadas, há algo refrescante num filme que simplesmente abraça o caos, os animais falantes e a diversão pura sem grandes complicações existenciais pelo meio.

Às vezes é exactamente isso que o público procura.

Hugh Jackman Troca o Herói Clássico por um Robin Hood Sombrio e Brutal em “A Morte de Robin Hood”

Há personagens que parecem condenadas a regressar eternamente ao cinema. Robin Hood é uma delas. Ao longo das décadas, o lendário fora da lei de Sherwood já foi aventureiro romântico, herói familiar, guerreiro épico e até protagonista de blockbusters cheios de explosões e flechas digitais. Mas a nova versão promete fugir a tudo isso. E, honestamente, já era altura.

A Morte de Robin Hood, que estreia nos cinemas portugueses a 18 de Junho, apresenta uma abordagem muito mais sombria, humana e emocional da figura mítica, colocando Hugh Jackman no centro de um drama sobre culpa, violência, envelhecimento e redenção.

O título deixa logo claro que este não será um Robin Hood de aventuras leves entre árvores verdejantes e gargalhadas com o Pequeno João. Aqui, o herói surge ferido, física e emocionalmente, confrontado com as consequências da vida que levou. Depois de uma batalha que julgava ser a última, Robin encontra-se gravemente ferido e acaba sob os cuidados de uma mulher misteriosa, interpretada por Jodie Comer, que lhe oferece uma possibilidade inesperada de redenção.

Um Robin Hood mais humano e menos lenda

O realizador Michael Sarnoski, que chamou a atenção da crítica com Pig – A Viagem de Rob e mais recentemente realizou Um Lugar Silencioso: Dia Um, parece determinado em desmontar o mito clássico para encontrar algo mais cru e intimista. Segundo o comunicado divulgado pela NOS Audiovisuais, o filme procura explorar “um retrato mais humano de uma figura confrontada com o seu passado e com a lenda que ajudou a construir”.

E a verdade é que Hugh Jackman parece uma escolha particularmente interessante para essa abordagem. O actor australiano já provou inúmeras vezes que consegue equilibrar intensidade física com fragilidade emocional — basta lembrar Logan, filme que também pegava num herói lendário e o transformava numa figura cansada, violenta e profundamente marcada pelo peso da própria história.

Tudo indica que A Morte de Robin Hood segue um caminho semelhante: menos fantasia heróica e mais reflexão sobre o homem por trás da lenda. Um fora da lei envelhecido, perseguido pelos erros do passado e pela violência que ajudou a alimentar.

Jodie Comer e Bill Skarsgård juntam-se ao elenco

Além de Jackman, o filme conta ainda com Jodie Comer e Bill Skarsgård, dois nomes que continuam a consolidar carreiras particularmente interessantes em Hollywood. Comer, vencedora de um Emmy graças a Killing Eve, tem demonstrado uma capacidade rara para misturar vulnerabilidade e intensidade. Já Skarsgård continua a afastar-se da sombra de Pennywise para construir uma filmografia cada vez mais variada e imprevisível.

Embora ainda não tenham sido revelados muitos detalhes sobre as personagens, a presença dos dois actores reforça a ideia de que este não será apenas mais um filme de acção medieval feito à pressa para aproveitar um nome conhecido.

Até porque Robin Hood tem vivido uma relação complicada com o cinema moderno. Nos últimos anos, várias tentativas de revitalizar a personagem acabaram por passar despercebidas ou falhar junto da crítica e do público. Talvez precisamente porque insistiam em transformar a lenda numa espécie de super-herói medieval em vez de explorarem aquilo que sempre tornou a personagem interessante: a ambiguidade moral.

Uma nova vida para uma velha lenda?

O mais curioso nesta nova versão é precisamente o facto de parecer interessada em discutir o próprio mito de Robin Hood. O comunicado fala num herói confrontado “com o peso do mito” e isso pode abrir espaço para algo mais introspectivo e adulto do que o habitual.

Num momento em que Hollywood parece cada vez mais obcecada por reciclar personagens conhecidas, talvez a única forma de justificar mais um Robin Hood seja precisamente esta: abandonar a aventura confortável e olhar para a figura com alguma melancolia, violência e humanidade.

Se Michael Sarnoski conseguir trazer para este universo o mesmo tom emocional que mostrou em Pig, então A Morte de Robin Hood pode acabar por surpreender muita gente.

E convenhamos: ver Hugh Jackman de arco na mão continua a soar bastante melhor do que mais uma origem genérica de super-herói.

Cannes Invade o TVCine: Há Um Domingo Inteiro Dedicado ao Melhor Cinema de Autor

O brilho da Croisette vai chegar mais cedo a casa dos cinéfilos portugueses. Enquanto o mundo do cinema volta a olhar para o sul de França com mais uma edição do lendário Festival de Cannes, o TVCine Edition prepara uma verdadeira maratona cinematográfica dedicada ao espírito do mais prestigiado festival do mundo. No próximo dia 17 de Maio, a partir das 14h35, o canal exibe o especial “Um Domingo em Cannes”, uma selecção de cinco filmes que passaram por diferentes secções do festival e que prometem transformar o sofá numa espécie de mini Palais des Festivals. 

Mais do que uma simples programação temática, esta iniciativa funciona quase como uma carta de amor ao cinema de autor contemporâneo. Ao longo de décadas, Cannes tornou-se muito mais do que um desfile de estrelas e vestidos extravagantes na passadeira vermelha. O festival francês continua a ser uma das principais plataformas mundiais para descobrir novos realizadores, tendências cinematográficas e histórias capazes de desafiar o público, provocar discussão e redefinir a linguagem do cinema.

E o alinhamento escolhido pelo TVCine Edition mostra precisamente essa diversidade artística que fez de Cannes uma referência incontornável para qualquer amante da sétima arte.

Palestina, Taiwan, Paris, Londres e mundos virtuais

A viagem começa às 14h35 com A Uma Terra Desconhecida, segunda longa-metragem do realizador palestiniano Mahdi Fleifel. O filme, apresentado na Quinzena dos Realizadores de 2024, acompanha dois primos palestinianos presos numa realidade marcada pela sobrevivência, imigração e desespero. Em Atenas, tentam reunir dinheiro para fugir para a Alemanha, mas rapidamente mergulham num esquema perigoso que os obriga a explorar outros refugiados. Uma história dura, humana e profundamente actual.

Às 16h20 chega Locust, estreia em longa-metragem do realizador taiwanês-americano KEFF, exibida na Semana da Crítica em 2024. O thriller dramático acompanha um jovem dividido entre a vida familiar e o submundo criminoso de Taiwan, enquanto o país vive um período de tensão política influenciado pelos protestos de Hong Kong. O filme cruza violência, juventude marginalizada e corrupção social num retrato intenso e sombrio.

Mas um dos momentos mais curiosos da programação surge às 18h30 com Nouvelle Vague, o novo filme de Richard Linklater. Sim, o realizador de Boyhood e da trilogia Before decidiu mergulhar na história do cinema francês para recriar os bastidores do nascimento da revolucionária “Nouvelle Vague”. O filme acompanha um jovem Jean-Luc Godard durante a produção de O Acossado, mostrando como aquele grupo de cineastas franceses mudou para sempre a forma de fazer cinema. Para os verdadeiros cinéfilos, isto soa quase como pornografia cinematográfica — no melhor sentido possível.

Harris Dickinson estreia-se atrás das câmaras

À noite, o especial continua com um dos filmes mais comentados da recente edição de Cannes. Urchin – Pelas Ruas de Londres, exibido às 20h20, marca a estreia na realização de Harris Dickinson, actor que muitos conheceram em filmes como Triangle of Sadness ou The Iron Claw. O drama acompanha um jovem sem-abrigo e toxicodependente que tenta desesperadamente reconstruir a sua vida nas ruas de Londres.

O filme conquistou o prémio FIPRESCI da crítica internacional e também o prémio de melhor actor para Frank Dillane, algo que imediatamente chamou a atenção da imprensa especializada durante o festival. A crítica internacional destacou sobretudo a forma crua, mas profundamente humana, como Dickinson retrata exclusão social, dependência e vulnerabilidade emocional.

A fechar a maratona, às 22h00, chega Devorar a Noite, da dupla francesa Caroline Poggi e Jonathan Vinel. O filme mistura romance queer, thriller psicológico e obsessão digital numa história onde o mundo virtual se torna tão importante quanto a realidade. Entre videojogos online, relações intensas e destruição emocional, o filme explora a solidão e o desejo de pertença numa geração cada vez mais ligada a universos digitais.

Um festival dentro de casa

O especial “Um Domingo em Cannes” parece pensado precisamente para quem gosta daquele cinema que não aparece normalmente nos grandes multiplexes, mas que fica na memória durante dias. Histórias desconfortáveis, humanas, provocadoras e visualmente ousadas — exactamente o tipo de obras que Cannes costuma transformar em fenómenos cinéfilos.

E para quem ficar com vontade de continuar a viagem cinematográfica, o TVCine Edition já confirmou também o especial “Além Cannes”, nos dias 24 e 31 de Maio, dedicado a filmes premiados noutros festivais internacionais.

Resumindo: preparem as mantas, desliguem o cérebro de scrolling automático e entreguem-se a um domingo inteiro de cinema que quer fazer pensar, sentir e discutir o mundo. Porque às vezes o melhor bilhete para Cannes… é mesmo o comando da televisão.