“Good Omens” terminou — e foi o melhor final possível para uma série que quase não teve nenhum

O episódio final de Good Omens chegou hoje ao Prime Video como um telefilme de 90 minutos — uma redução forçada face à temporada completa de seis episódios que estava planeada, após a saída de Neil Gaiman do projecto em 2024 na sequência de acusações de agressão sexual. O que poderia ter sido um desastre narrativo acabou por ser, nas palavras de quem o viu esta manhã, “o melhor final possível dado o que estava disponível.” 

A crítica do TV Fanatic descreve o episódio como uma “carta de amor a uma história de amor inesquecível”, elogiando a forma como os 90 minutos equilibram o caos narrativo dos dois primeiros terços com “os momentos finais devastadores”. A missão de encontrar o Livro da Vida e o desaparecimento de Jesus são tratados com a leveza característica da série, enquanto Aziraphale e Crowley navegam as consequências do cliffhanger da segunda temporada. 

O Review Geek dá 4 em 5 estrelas e nota um callback ao Doctor Who de David Tennant — a Bentley a mover-se pelo espaço como uma Tardis — e a utilização de “Don’t Stop Me Now” dos Queen no clímax como “o número perfeito”. A crítica mais cautelosa, do Screen Rant, aponta o ritmo acelerado e personagens secundárias subaproveitadas, mas reconhece que “Aziraphale e Crowley são a cola que mantém tudo”. 

Nas palavras do Cinemablend: “Os fãs de Good Omens são, francamente, sortudos por terem um final de todo.” É uma frase que resume tudo — e que qualquer fã da série vai reconhecer como verdadeira. Good Omens está disponível no Prime Video em Portugal. 

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“Good Omens” termina a 13 de Maio com um único episódio de 90 minutos — e chegou aqui por um caminho muito difícil

Há finais de séries que chegam como foram planeados. E há finais que chegam apesar de tudo. Good Omens pertence à segunda categoria — e isso torna a sua chegada ao Prime Video a 13 de Maio num evento que vai muito além de uma última temporada.

A história começa em Julho de 2024, quando o Tortoise Media publicou acusações de agressão sexual contra Neil Gaiman, o criador e showrunner da série. As acusações, expandidas pelo Vulture em Janeiro de 2025, levaram a Amazon a suspender a produção em Setembro de 2024 e a anunciar, em Outubro, que Gaiman saía do projecto. A terceira temporada, que estava planeada como uma temporada completa de seis episódios, foi reformulada num único episódio especial de 90 minutos. As filmagens, em Dezembro, tinham começado na Escócia em Janeiro de 2025 como planeado — mas com um projecto completamente diferente do original. Gaiman é creditado na escrita do episódio final, mas não participou enquanto showrunner nem produtor executivo. A realização ficou a cargo de Rachel Talalay.

É neste contexto que Michael Sheen e David Tennant regressam como Aziraphale e Crowley para o que foi descrito pelo próprio Sheen ao The Times como “sombrio mas satisfatório” — uma formulação que, vinda de alguém que claramente pesou cada palavra, diz bastante sobre o que esperar. A história retoma exactamente onde a segunda temporada terminou: Aziraphale aceitou o cargo de Arcanjo Supremo e deixou Crowley para trás — o momento que deixou os fãs em choque há quase três anos. Agora, como Arcanjo Supremo encarregado de supervisionar a Segunda Vinda, Aziraphale vê-se forçado a pedir ajuda a Crowley. O elenco de apoio inclui Jon Hamm como Gabriel, Derek Jacobi como o Metatron, Quelin Sepulveda como Muriel e Bilal Hasna numa estreia como Jesus — uma escolha que, num contexto de fim do mundo, faz todo o sentido narrativo.

Terry Pratchett, que morreu em Março de 2015, deixou expresso o desejo de que Gaiman adaptasse o romance que escreveram juntos e o levasse até ao fim. O que chegou a 13 de Maio não é o final que qualquer um deles imaginou. Mas é um final — e isso, dadas as circunstâncias, é mais do que era garantido.

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