Há personagens que parecem condenadas a regressar eternamente ao cinema. Robin Hood é uma delas. Ao longo das décadas, o lendário fora da lei de Sherwood já foi aventureiro romântico, herói familiar, guerreiro épico e até protagonista de blockbusters cheios de explosões e flechas digitais. Mas a nova versão promete fugir a tudo isso. E, honestamente, já era altura.
A Morte de Robin Hood, que estreia nos cinemas portugueses a 18 de Junho, apresenta uma abordagem muito mais sombria, humana e emocional da figura mítica, colocando Hugh Jackman no centro de um drama sobre culpa, violência, envelhecimento e redenção.
O título deixa logo claro que este não será um Robin Hood de aventuras leves entre árvores verdejantes e gargalhadas com o Pequeno João. Aqui, o herói surge ferido, física e emocionalmente, confrontado com as consequências da vida que levou. Depois de uma batalha que julgava ser a última, Robin encontra-se gravemente ferido e acaba sob os cuidados de uma mulher misteriosa, interpretada por Jodie Comer, que lhe oferece uma possibilidade inesperada de redenção.
Um Robin Hood mais humano e menos lenda
O realizador Michael Sarnoski, que chamou a atenção da crítica com Pig – A Viagem de Rob e mais recentemente realizou Um Lugar Silencioso: Dia Um, parece determinado em desmontar o mito clássico para encontrar algo mais cru e intimista. Segundo o comunicado divulgado pela NOS Audiovisuais, o filme procura explorar “um retrato mais humano de uma figura confrontada com o seu passado e com a lenda que ajudou a construir”.
E a verdade é que Hugh Jackman parece uma escolha particularmente interessante para essa abordagem. O actor australiano já provou inúmeras vezes que consegue equilibrar intensidade física com fragilidade emocional — basta lembrar Logan, filme que também pegava num herói lendário e o transformava numa figura cansada, violenta e profundamente marcada pelo peso da própria história.
Tudo indica que A Morte de Robin Hood segue um caminho semelhante: menos fantasia heróica e mais reflexão sobre o homem por trás da lenda. Um fora da lei envelhecido, perseguido pelos erros do passado e pela violência que ajudou a alimentar.
Jodie Comer e Bill Skarsgård juntam-se ao elenco
Além de Jackman, o filme conta ainda com Jodie Comer e Bill Skarsgård, dois nomes que continuam a consolidar carreiras particularmente interessantes em Hollywood. Comer, vencedora de um Emmy graças a Killing Eve, tem demonstrado uma capacidade rara para misturar vulnerabilidade e intensidade. Já Skarsgård continua a afastar-se da sombra de Pennywise para construir uma filmografia cada vez mais variada e imprevisível.
Embora ainda não tenham sido revelados muitos detalhes sobre as personagens, a presença dos dois actores reforça a ideia de que este não será apenas mais um filme de acção medieval feito à pressa para aproveitar um nome conhecido.
Até porque Robin Hood tem vivido uma relação complicada com o cinema moderno. Nos últimos anos, várias tentativas de revitalizar a personagem acabaram por passar despercebidas ou falhar junto da crítica e do público. Talvez precisamente porque insistiam em transformar a lenda numa espécie de super-herói medieval em vez de explorarem aquilo que sempre tornou a personagem interessante: a ambiguidade moral.
Uma nova vida para uma velha lenda?
O mais curioso nesta nova versão é precisamente o facto de parecer interessada em discutir o próprio mito de Robin Hood. O comunicado fala num herói confrontado “com o peso do mito” e isso pode abrir espaço para algo mais introspectivo e adulto do que o habitual.
Num momento em que Hollywood parece cada vez mais obcecada por reciclar personagens conhecidas, talvez a única forma de justificar mais um Robin Hood seja precisamente esta: abandonar a aventura confortável e olhar para a figura com alguma melancolia, violência e humanidade.
Se Michael Sarnoski conseguir trazer para este universo o mesmo tom emocional que mostrou em Pig, então A Morte de Robin Hood pode acabar por surpreender muita gente.
E convenhamos: ver Hugh Jackman de arco na mão continua a soar bastante melhor do que mais uma origem genérica de super-herói.
