Jason Statham e David Ayer Voltam a Juntar-se em John Doe — Um Homem Sem Memória e Sem Nome Para o Mercado de Cannes

Há parcerias que o mercado adopta com uma naturalidade quase reflexa. Jason Statham e David Ayer são uma delas. Depois de The Beekeeper — 163 milhões de dólares em bilheteira mundial — e de A Working Man, que rendeu 89 milhões com um orçamento contido, os dois voltam a unir forças em John Doe, um thriller de acção com argumento de Zak Penn que a Miramax e a Black Bear vão apresentar aos compradores internacionais no mercado de Cannes, em Maio.

A premissa é deliberadamente arquetípica — e isso é precisamente o ponto. Statham interpreta um homem sem memória, sem passado e sem nome, cuja única certeza é um rosto que não consegue esquecer: o de Eliza. À medida que fragmentos da sua identidade regressam, descobre que foi treinado para uma missão que ainda está em curso e que os próprios que o enviaram agora o caçam. A escolha entre cumprir o que começou ou proteger a única coisa que o faz sentir humano é o motor dramático. É, em traços largos, a geometria do thriller de amnésia que o género conhece bem — mas com Statham a executá-la e Ayer a dirigir, o mercado sabe exactamente o que está a comprar.

O argumento é de Zak Penn, um nome que em Hollywood é sinónimo de blockbuster funcional e bem construído. Penn escreveu ou co-escreveu Os Vingadores, Ready Player One, Free Guy, X2 e O Incrível Hulk — um currículo que não produz Palmas de Ouro mas que enche salas com uma consistência que poucos argumentistas conseguem. A junção Penn-Ayer-Statham é, do ponto de vista comercial, uma proposta sem grande risco.

A produção está prevista para arrancar em Setembro de 2026, com a Miramax a financiar e a produzir, e a Black Bear a tratar da venda internacional — precisamente o modelo que funcionou nas duas colaborações anteriores. Statham produz também através da sua Punch Palace Productions. O título chega a Cannes como uma das apostas mais sólidas do mercado independente, numa edição do festival que, como sempre, equilibra a competição artística com o pragmatismo comercial do Marché du Film.

Para contextualizar a dimensão de Statham enquanto activo de mercado: os seus filmes acumulam 8,5 mil milhões de dólares em bilheteira global. A agenda dos próximos anos inclui Viva La Madness de Guy Ritchie, com Ben Foster e Camila Mendes; Jason Statham Stole My Bike, a meta-comédia de acção de David Leitch; e The Beekeeper 2, com Jeremy Irons e Pom Klementieff. É, por qualquer medida, um dos actores mais rentáveis do cinema de acção contemporâneo — sem franquia, sem universo partilhado, apenas com a sua presença como garantia.

John Doe não vai disputar a Palma de Ouro. Mas vai provavelmente disputar o topo das bilheteiras europeias no Verão de 2027, e o leitor português que gosta de Statham já tem razões para apontar a data no calendário.

Jackass: Último Shot de Loucura Já Tem Trailer — e Johnny Knoxville Promete uma Despedida à Altura

Vinte e cinco anos. Isso é quanto tempo Johnny Knoxville, Steve-O, Chris Pontius, Wee Man e companhia levam a atirar-se contra o mundo com o entusiasmo suicida de quem nunca ninguém disse que não. Jackass começou como um programa de televisão na MTV em 2000, tornou-se fenómeno cinematográfico com quatro filmes — o último, Jackass Forever, em 2022 —, sobreviveu a lesões graves, mortes, polémicas e à própria MTV, e agora chega ao fim. Ou pelo menos é o que dizem: o trailer de Jackass: Último Shot de Loucura, revelado esta segunda-feira, apresenta-se explicitamente como a despedida definitiva da saga, com estreia marcada para 25 de Junho nos cinemas portugueses, com distribuição da NOS Audiovisuais.

O trailer — disponível no YouTube e à altura de tudo o que os fãs esperam — mistura novas acrobacias com momentos que revisitam o melhor de 25 anos de caos organizado. É simultaneamente um greatest hits e uma última volta à pista, com o grupo a garantir que vai sair pela porta grande, ou seja, provavelmente a voar pela janela com algo a arder.

É legítimo perguntar se Jackass merece atenção como fenómeno cultural. A resposta é sim, e não apenas porque os números sempre o justificaram. A saga teve um impacto genuíno na forma como a comédia física foi entendida nas últimas duas décadas, influenciou incontáveis criadores de conteúdo — para o melhor e para o pior —, e construiu em torno de si uma mitologia de camaradagem masculina disfuncional que encontrou eco em gerações inteiras. O académico pode franzer o sobrolho. O espectador que cresceu a ver Steve-O a fazer coisas que não vamos descrever aqui já comprou o bilhete.

A escolha do subtítulo em português — Último Shot de Loucura — é também uma declaração de intenções: este é um evento social tanto quanto cinematográfico. O PR é directo: “Reúna os amigos, levante o copo e prepare-se para um evento cinematográfico único.” Difícil imaginar uma sinopse mais honesta. Não há pretensões, não há arcos de redenção, não há mensagens. Há Johnny Knoxville a sofrer de formas que continuam, inexplicavelmente, a ser muito engraçadas.

Para quem nunca entrou neste universo — e que, admitamos, provavelmente não vai começar aqui —, Jackass é o tipo de coisa que se explica mal em palavras mas que funciona em sala com o público certo. Para quem cresceu com a saga, este quinto e alegadamente último filme é uma despedida que merece ser vista onde sempre fez mais sentido: numa sala cheia, às gargalhadas, com alguém ao lado que também não consegue acreditar que aquilo aconteceu mesmo.

Jackass: Último Shot de Loucura estreia a 25 de Junho nos cinemas em Portugal.

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Elden Ring — Alex Garland Filma para a A24 com Kit Connor e Cailee Spaeny, Estreia em Março de 2028

Há videojogos que são arte. Elden Ring — o RPG de acção da FromSoftware e Bandai Namco lançado em Fevereiro de 2022, com world-building de George R.R. Martin e direcção criativa de Hidetaka Miyazaki — é um deles. Mais de 30 milhões de cópias vendidas, mais de 400 prémios Jogo do Ano, e uma comunidade global que continua activa e apaixonada quatro anos depois do lançamento. É o tipo de material que o cinema raramente toca bem — porque a experiência de jogar Elden Ring é fundamentalmente sobre solidão, descoberta e morte repetida, e nenhuma dessas coisas se traduz directamente para o ecrã. Alex Garland é provavelmente a escolha mais inteligente que a A24 poderia ter feito para tentar

A produção do filme está já em curso, com estreia confirmada para 3 de Março de 2028, filmagem para IMAX e um elenco que inclui Kit Connor, Ben Whishaw, Cailee Spaeny, Tom Burke, Nick Offerman, Jonathan Pryce e Havana Rose Liu. Garland — o realizador de Ex MachinaAnnihilation e Civil War, e argumentista de 28 Days Later e Sunshine — fez uma apresentação pessoal à Bandai Namco e à FromSoftware para ganhar os direitos de adaptação. É o sinal mais claro possível de que este projecto parte de uma obsessão genuína, não de um cálculo comercial.

O elenco é um estudo em escolhas inesperadas. Kit Connor — que toda a gente conhece de Heartstopper e que Garland já trabalhou em Warfare — como protagonista de uma fantasia de acção medieval sombria é uma subversão deliberada das expectativas. Ben Whishaw, um dos actores mais completos da sua geração, num universo de monstros e ruínas. Nick Offerman, recentemente nomeado ao Emmy por The Last of Us, num papel que os fãs do jogo especulam ser o do Dung Eater — o personagem mais perturbador de toda a narrativa. E George R.R. Martin como produtor executivo, fechando um círculo entre os dois criadores de mundos mais influentes da fantasia contemporânea.

O orçamento reportado de 100 milhões de dólares torna-o no filme mais caro da história da A24  — uma aposta que reflecte tanto a dimensão do projecto como a confiança que o estúdio deposita em Garland. O realizador descreveu Elden Ring como um universo que lhe permite explorar “a liberdade criativa total” — o mesmo adjectivo que usou para descrever o que a FromSoftware deu aos jogadores. Se Garland conseguir transferir para o ecrã a sensação de descoberta que define o jogo — a arquitectura de significado escondido, a narrativa que existe para quem a procura —, pode ser um dos filmes mais originais de 2028.

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Clayface — O Primeiro Trailer do Horror do DCU Chegou e É Exactamente Tão Perturbador Quanto Precisava de Ser

Tiago Guedes em Cannes Première — Aqui Leva o Cinema Português à Selecção Oficial

Quando se fala de cinema português em Cannes, a memória recente não é escassa. Miguel Gomes esteve em competição com As Mil e Uma Noites. João Pedro Rodrigues tem uma relação longa com o festival. Teresa Villaverde, João Salaviza, Susana de Sousa Dias — o cinema português tem uma presença discreta mas consistente na Croisette ao longo das últimas décadas. E ontem, com o anúncio das últimas adições à Selecção Oficial de 2026, o nome de Tiago Guedes entrou nessa lista.

Aqui, o novo filme de Tiago Guedes, foi seleccionado para Cannes Première — a secção que acolhe filmes fora da competição principal mas com uma visibilidade e um prestígio que qualquer realizador do mundo reconhece imediatamente como significativos. Cannes Première é onde estreiam filmes de realizadores com carreira consolidada que o festival quer celebrar sem os colocar na corrida pela Palma de Ouro. É um lugar de honra, não uma concessão.

Tiago Guedes é um dos realizadores portugueses mais interessantes da sua geração. Tristeza e Alegria na Vida das Girafas (2013) — a adaptação da peça de Tiago Rodrigues sobre uma rapariga que decide falar com o primeiro-ministro — foi uma estreia que demonstrava uma voz cinematográfica com confiança e originalidade raras. O Filho (2019), com Albano Jerónimo e Sandra Faleiro, confirmou que Guedes sabe explorar a intimidade das relações familiares com uma contenção formal que amplifica em vez de diminuir a intensidade emocional.

Os detalhes de Aqui são ainda escassos — o festival não disponibilizou sinopse no momento do anúncio. Mas a presença em Cannes Première, numa edição que já inclui filmes de Almodóvar, Farhadi, Koreeda, Zvyagintsev, Dhont e James Gray, é por si mesma uma afirmação sobre a qualidade e a relevância do projecto. Para o cinema português, e para os que o acompanham, é a confirmação de que Tiago Guedes pertence a essa conversa internacional — e que Cannes, o árbitro mais exigente do cinema de autor mundial, reconhece isso.

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Stranger Things: Tales From ’85 — O Universo de Hawkins Regressa Hoje em Animação

O universo de Stranger Things ficou formalmente fechado em 2025, quando a quinta e última temporada encerrou a história de Eleven, Mike, Dustin, Lucas e Will com uma despedida que a Netflix tratou como um evento cultural de primeira ordem. O que a Netflix e os Duffer Brothers deixaram em aberto — deliberadamente — foi a possibilidade de regressar ao universo sem regressar à mesma história. Stranger Things: Tales From ’85, que estreia hoje na plataforma, é a primeira resposta a essa possibilidade.

A série animada passa-se no inverno de 1985, em Hawkins, e segue os personagens originais em novas aventuras paranormais.  É, nas palavras dos Duffer Brothers, uma tentativa de capturar “a magia de Hawkins de uma forma nova” — e a forma nova é a animação, com uma estética deliberadamente inspirada nos desenhos animados de sábado de manhã dos anos 80. O showrunner é Eric Robles, que produziu o projecto através da Flying Bark Productions, os mesmos responsáveis por What If…? da Marvel.

A aposta é arriscada por razões que qualquer fã de franchise conhece bem. A animação pode parecer uma extensão comercial — um produto para manter a marca activa entre os fãs mais jovens sem o risco criativo e financeiro de uma nova temporada live-action. Ou pode ser exactamente o oposto: uma forma de explorar o universo com uma liberdade que a série original não tinha, sem o peso das expectativas que cada temporada carregava. Os Duffer descreveram-na como uma oportunidade de “regressar no tempo e simplesmente estar com estas crianças” — uma frase que soa sincera e que, se a série concretizar essa promessa, pode ser exactamente o que a franchise precisava para sobreviver além do seu arco principal.

A série junta ao elenco de vozes de personagens familiares uma nova personagem, Nikki Baxter, com voz de Odessa A’zion, conhecida de Marty Supreme. Os Duffer Brothers e Hilary Leavitt produzem executivamente através da Upside Down Pictures, junto com Shawn Levy e Dan Cohen. É uma produção com o mesmo nível de cuidado da série original — a questão é se o público vai abraçar Hawkins numa dimensão diferente, ou se a magia era inseparável dos actores que a construíram ao longo de oito anos.

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Miami Vice ’85 — Michael B. Jordan e Austin Butler São Tubbs e Crockett no Regresso ao Neon de Miami
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Clayface — O Primeiro Trailer do Horror do DCU Chegou e É Exactamente Tão Perturbador Quanto Precisava de Ser

James Gunn disse desde o início que queria que cada filme do novo DC Universe tivesse um tom diferente. Superman era esperança e optimismo. Supergirl era aventura espacial. Clayface é horror. Horror a sério, classificação R, body horror vitoriano com influências de Darkman e O Homem Invisível — e o trailer que a Warner Bros. e a DC Studios lançaram ontem confirma que ninguém exagerou na descrição.

O filme estreia a 23 de Outubro de 2026 — posicionamento de Halloween deliberado e inteligente — e é realizado por James Watkins, com argumento de Mike Flanagan e Hossein Amini. A combinação de Flanagan — o mestre do horror literário adaptado, responsável por Haunting of Hill HouseMidnight Mass e a adaptação de Stephen King Doctor Sleep — com Watkins, realizador de A Mulher de Negro e episódios de Black Mirror, é exatamente o tipo de parceria criativa que sugere um filme com ambições além do franchising.

A história segue Matt Hagen, um actor em ascensão em Hollywood que é violentamente desfigurado por um gangster. Para recuperar a face e a carreira, submete-se a uma cirurgia experimental que o transforma no Clayface — feito de argila viva, capaz de se moldar a qualquer forma, imparável na sua busca de vingança. O trailer, com banda sonora de um remix etéreo de “Do You Realize??” dos Flaming Lips, mostra Hagen na cama de hospital com o rosto coberto de ligaduras, flashbacks da vida anterior, e finalmente a transformação — um braço que se transforma numa maça espinhosa para golpear alguém. É uma promessa de body horror que evita deliberadamente a estética de superhero habitual.

Tom Rhys Harries — o actor galês conhecido do público de streaming por White Lines e The Gentlemen — lidera o elenco no papel de Matt Hagen. A escolha é consistente com a estratégia de Gunn de evitar estrelas de primeira linha nos papéis principais em favor de actores menos conhecidos que possam ser associados definitivamente com as suas personagens. Naomi Ackie — indicada ao Óscar por I Wanna Dance with Somebody — interpreta a Dra. Caitlin Bates, a cientista cujos experimentos são centrais à transformação. Max Minghella é um detective de Gotham, e Eddie Marsan e David Dencik completam o elenco principal.

O que torna Clayface potencialmente o filme DC mais interessante do ano não é o horror em si — é o que o horror permite explorar. A história de um actor que perde o rosto e com ele a identidade, e que encontra na capacidade de ser qualquer coisa uma forma perversa de liberdade, tem uma densidade psicológica que a maioria dos filmes de superhero não tem paciência para explorar. O trailer sugere que Watkins e Flanagan não desperdiçaram essa oportunidade.

Miami Vice ’85 — Michael B. Jordan e Austin Butler São Tubbs e Crockett no Regresso ao Neon de Miami

Há franchises que o tempo trata com uma generosidade que os seus criadores não previram. Miami Vice — a série da NBC que entre 1984 e 1989 definiu literalmente a estética de uma década, da moda ao cinema, das gravatas às mangas dobradas dos fatos brancos — é uma delas. A adaptação cinematográfica de Michael Mann em 2006 com Colin Farrell e Jamie Foxx foi recebida com frieza na altura e tem vindo a ser progressivamente reabilitada pela crítica nas últimas duas décadas. A Universal Pictures decidiu que é hora de tentar de novo — e desta vez com uma combinação de estrelas e realizador que torna a aposta muito mais clara.

Miami Vice ’85 foi confirmado ontem com Michael B. Jordan e Austin Butler a fecharem os contratos para interpretar Tubbs e Crockett, respectivamente, sob a direcção de Joseph Kosinski.  O título diz tudo sobre a abordagem: não é uma adaptação contemporânea nem uma reimaginação que foge ao material original — é um regresso deliberado e assumido ao Miami dos anos 80, ao neon, à corrupção, à estética que a série original transformou em ícone cultural. O filme vai ser rodado para IMAX e está previsto para 6 de Agosto de 2027. 

O elenco é uma declaração de intenções. Michael B. Jordan acaba de ganhar o Óscar de Melhor Actor por Sinners de Ryan Coogler — o thriller de horror de blues que foi a maior surpresa cinematográfica de 2025 — e está no pico da sua relevância artística e comercial. Austin Butler transformou-se em nome bankable depois de Elvis e consolidou essa posição com Dune: Parte Dois e Bonecracker. Os dois juntos representam exactamente o tipo de casting que a Universal precisa para fazer de Miami Vice ’85 algo mais do que nostalgia.

Joseph Kosinski, por seu lado, tem uma relação muito específica com o cinema de acção de grande escala. Top Gun: Maverick — o maior blockbuster de 2022, com 1,49 mil milhões de dólares mundiais — demonstrou que o realizador sabe como fazer filmes de acção que funcionam tanto como espectáculo visual como como estudo de personagens. F1, estreado este ano, confirmou essa capacidade. A rodagem para IMAX é um sinal de que a Universal está a posicionar Miami Vice ’85 como um evento cinematográfico, não apenas como um produto de franchise.

O argumento é de Dan Gilroy — o realizador e argumentista de Nightcrawler, o thriller de 2014 com Jake Gyllenhaal que é um dos filmes mais perturbadores sobre o jornalismo e a América contemporânea. O filme baseia-se na inspiração do episódio piloto e da primeira temporada da série original, criada por Anthony Yerkovich e executivamente produzida por Michael Mann. TV Guide Mann, cujo nome está indissociavelmente ligado à série e ao filme de 2006, está associado ao projecto como produtor executivo. Há rumores de que Tom Cruise está em conversas para o papel do antagonista — conhece bem Kosinski de Oblivion e de Top Gun: Maverick, e o seu calendário de verão está aparentemente disponível.

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Tucker Carlson admite arrependimento por ter apoiado Trump: “Vou ser atormentado por isto durante muito tempo”

Numa reviravolta inesperada no universo conservador norte-americano, Tucker Carlson veio a público admitir que está “atormentado” por ter apoiado Donald Trump, pedindo desculpa aos seus ouvintes por os ter, nas suas palavras, “enganado”.

A declaração foi feita no mais recente episódio do podcast The Tucker Carlson Show, numa conversa com o seu irmão, Buckley Carlson, antigo autor de discursos de Trump. Segundo o comentador, este é um momento de consciência e de responsabilidade pessoal, especialmente face aos mais recentes desenvolvimentos políticos e militares associados à presidência norte-americana.  

“Vou ser atormentado por isto durante muito tempo. Quero pedir desculpa por ter enganado as pessoas. Não foi intencional”, afirmou Carlson no programa.  

De crítico feroz a apoiante de Trump

O posicionamento de Carlson em relação a Trump sempre foi marcado por mudanças bruscas. Em 1999, o antigo rosto da Fox News chegou a descrever o actual Presidente dos Estados Unidos como “a pessoa mais repugnante do planeta”.

No entanto, anos mais tarde, antecipou-se a muitos comentadores conservadores ao defender que Trump deveria ser levado a sério durante a corrida presidencial de 2016. A partir daí, tornou-se um dos seus mais influentes defensores mediáticos, posição que se reforçou durante a campanha de 2024, onde apoiou activamente o então candidato republicano.  

Ruptura agravada pela guerra com o Irão

A actual ruptura entre Carlson e Trump parece ter-se aprofundado nos últimos meses, em particular devido ao conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão.

Segundo várias fontes internacionais, Carlson tem criticado duramente a postura da administração norte-americana, considerando a linguagem usada por Trump sobre o Irão “vil a todos os níveis”.  

No podcast, o comentador foi ainda mais longe ao assumir responsabilidade pelo regresso de Trump à Casa Branca.

“Tu, eu e milhões de pessoas como nós somos a razão pela qual isto está a acontecer agora.”

A frase revela não apenas distanciamento político, mas uma tentativa de fazer mea culpa perante a sua audiência.  

Trump respondeu com insultos

A resposta de Trump não tardou. Numa publicação na rede social Truth Social, o Presidente atacou diretamente Carlson, bem como outras figuras do universo MAGA, incluindo Candace Owens e Alex Jones.

Entre os insultos, Trump escreveu que Carlson “nunca mais foi o mesmo” desde que saiu da Fox News, sugerindo inclusivamente que deveria “consultar um psiquiatra”.  

Carlson respondeu dias depois, afirmando que continua a sentir simpatia por Trump, mas considera que o Presidente está “encurralado por outras forças”.

Uma mudança sincera ou cálculo político?

A mudança de discurso já está a gerar fortes reacções nos Estados Unidos. Enquanto alguns interpretam as palavras como um raro momento de reflexão pública, outros questionam a sinceridade do gesto.

Em programas de comentário e nas redes sociais, várias vozes acusam Carlson de oportunismo, lembrando as contradições entre as suas posições públicas e privadas ao longo dos anos.  

Seja qual for a motivação, o episódio marca uma fissura relevante dentro do universo conservador norte-americano e pode ser sintomático das tensões internas que atravessam o movimento MAGA.

Steven Spielberg quase realizou um dos melhores filmes de Christopher Nolan

O realizador de Lincoln passou um ano a desenvolver Interstellar, mas o projeto acabou por lhe escapar. Anos mais tarde, o próprio Spielberg admitiu: a versão de Nolan “é muito melhor”.

Grandes filmes de estúdio raramente nascem na forma que o público acaba por ver. Mesmo os êxitos mais associados a um realizador passam anos a ser ajustados e a evoluir nos bastidores, trocando de estúdios, de argumentos e, por vezes, de cineastas antes de as câmaras começarem a rodar. Foi precisamente isso que aconteceu com Interstellar (2014), hoje indissociável de Christopher Nolan, mas que esteve muito perto de ser realizado por Steven Spielberg.

De acordo com uma nova entrevista à revista Empire, o projeto começou em 2006, nas mãos da produtora Lynda Obst e do físico teórico Kip Thorne. Spielberg foi a primeira escolha para realizar. Em 2007, Jonathan Nolan — irmão de Christopher — foi contratado para escrever o primeiro argumento, o que coloca os irmãos Nolan na génese do filme muito antes do que muitos fãs imaginam.

Spielberg terá passado cerca de um ano a desenvolver a épica de ficção científica antes de o projeto lhe escapar. A passagem de testemunho não terá sido resultado de um qualquer rompimento criativo, mas antes de questões de calendário e logística de estúdio. A DreamWorks mudou o seu acordo de distribuição da Paramount — que detinha os direitos de Interstellar — para a Disney em 2009, e a atenção de Spielberg desviou-se para outros filmes, como Lincoln (2012) e War Horse (2011). Com isso, o projeto perdeu o fôlego sob a sua liderança.

Foi então que a porta se abriu para Christopher Nolan. E a transição aconteceu de forma natural: Jonathan Nolan sugeriu o irmão para o lugar. Christopher pegou no argumento de Jonathan e combinou-o com algumas das suas próprias ideias “mal amanhadas” sobre viagens no tempo. É fácil perceber porque é que o material o atraiu. Mesmo na sua forma mais inicial, Interstellar já estava construído à volta do tipo de ficção científica em grande escala que convida à ambição formal.

Nas palavras do próprio Spielberg:

“Eu contratei o Jonah, irmão do Chris Nolan, para escrever o primeiro e o segundo rascunho para mim, mas não pegou. O Jonah disse-me: ‘Se chegar a um ponto em que decidas não fazer este filme, posso dizer-te quem o vai agarrar. Ele já me está a chatear com isso. E esse é o meu irmão Chris.'”

O que torna esta história especialmente interessante é o quão diferente parece ter sido a versão de Spielberg. Os primeiros detalhes do argumento sugerem um filme mais abertamente político, incluindo um elemento de corrida espacial em que a China já teria chegado primeiro às estrelas. Essa abordagem aproximaria o filme de uma ficção científica geopolítica, em vez da versão mais intimista e emocional que chegou às salas.

A relação central também terá mudado significativamente durante o desenvolvimento. A versão de Spielberg terá apostado mais forte no romance entre Cooper (Matthew McConaughey) e Amelia Brand (Anne Hathaway), enquanto o filme final de Nolan colocou o peso emocional no vínculo entre Cooper e a sua filha, Murphy. Essa mudança definiu, em grande medida, o resultado final. Interstellar continua a lidar com ideias cósmicas e teoria densa, mas a sua clareza emocional vem dessa ligação entre pai e filha.

Houve ainda outra grande diferença tonal. A abordagem de Spielberg terá explorado mais o território do primeiro contacto com vida extraterrestre, enquanto Nolan reformulou os misteriosos “outros” como versões futuras da própria humanidade. Essa decisão deu a Interstellar uma forma filosófica muito diferente, mantendo a história focada no tempo, no legado e na sobrevivência, em vez de a transformar numa narrativa mais convencional de encontro com alienígenas.

Spielberg tem sido, desde então, generoso sobre a versão que o público recebeu. Afirmou que o filme é “muito melhor” nas mãos de Nolan do que seria nas suas, e elogiou o resultado final como um clássico moderno da ficção científica.

E embora isto possa ser verdade, é difícil não olhar para as estrelas e imaginar como seria o Interstellar de Steven Spielberg.

Spielberg Põe Duna na Lista dos Melhores Filmes de Ficção Científica de Sempre — e Já Quer Ver o Terceiro

Há elogios que ficam. E quando é Steven Spielberg — o homem que inventou o blockbuster moderno com Tubarão, que nos levou ao espaço com E.T. e que transformou a Segunda Guerra Mundial em cinema com A Lista de Schindler — a dizer que um filme está entre os seus favoritos de sempre, a indústria para e ouve.

Numa entrevista à revista britânica Empire, publicada a propósito do seu próximo filme O Dia da Revelação, previsto para Junho, Spielberg foi questionado sobre o cinema contemporâneo — e aproveitou a oportunidade para deixar um elogio que Denis Villeneuve vai guardar para sempre. “Ultimamente, tenho adorado os filmes de Dune. Estão entre os meus filmes de ficção científica favoritos, não só de agora, mas de sempre. Especialmente o segundo filme.” E continuou: “Acho que é o melhor filme que o Denis já fez. Mal posso esperar para ver o terceiro. Tenho a certeza de que ele me vai mostrar antes da estreia. Sou um grande fã dele.”

A declaração tem um peso particular neste momento. Dune: Parte Três estreia a 18 de Dezembro de 2026 — com os bilhetes IMAX 70mm já esgotados meses antes, como noticiámos esta semana —, e Spielberg acaba de acrescentar combustível a uma antecipação que já estava nas alturas. Que o realizador de A Lista de Schindler e Encontros Imediatos do Terceiro Grau coloque Dune: Parte Dois ao nível dos grandes clássicos do género diz muito sobre a dimensão do que Villeneuve está a construir.

Para enquadrar o elogio, Spielberg recorreu a uma comparação que é, em si mesma, um argumento literário. Comparou a relação de Villeneuve com os livros de Frank Herbert à que Guillermo del Toro estabeleceu com Mary Shelley ao adaptar Frankenstein: “Ele honrou Mary Shelley tal como o Denis honrou Frank Herbert.” É uma forma elegante de dizer que Villeneuve não apenas adaptou os livros — honrou-os. Tratou-os como literatura, não como matéria-prima para espectáculo.

A conversa na Empire não ficou por Villeneuve. Spielberg falou também de Zach Cregger, o realizador de A Hora do Desaparecimento — o filme de terror que valeu o Óscar de Melhor Actriz Secundária a Amy Madigan na cerimónia de 15 de Março. Spielberg admitiu que sempre quis realizar um filme de terror — “e talvez um dia venha a realizar” — mas que A Hora do Desaparecimento satisfez essa vontade de tal forma que, por enquanto, a ideia ficou em suspenso. “Quando vejo um grande filme de terror como este, fico satisfeito. Satisfaz-me tão completamente que, na verdade, acaba com a minha vontade de fazer um dia um filme verdadeiramente assustador.” É um elogio de fazer qualquer realizador sonhar — e uma frase que Cregger vai certamente citar pelo resto da vida.

Spielberg, que este ano regressa às salas com O Dia da Revelação em Junho, continua a ser o cineasta que toda a gente quer impressionar — incluindo os maiores nomes da geração seguinte. O facto de estar a seguir o trabalho de Villeneuve e de Cregger com esta atenção diz muito sobre a forma como continua ligado ao presente do cinema, sem nostalgia nem distância. Não é um veterano a olhar para o passado. É alguém que ainda vai ao cinema — e ainda se entusiasma.

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O filme que expõe o que se passa nas escolas russas — e a pergunta que fica no ar

A realidade das escolas russas tornou-se tema central de um dos documentários mais discutidos do ano — Um Zé Ninguém Contra Putin, vencedor do Óscar de Melhor Documentário — e levanta uma questão inquietante: até que ponto a propaganda dirigida às crianças pode moldar uma geração inteira?

O filme, co-produzido pela BBC, acompanha o trabalho de Pavel Talankin, um cinegrafista que registou o quotidiano de uma escola primária numa pequena cidade nos montes Urais. O que começou como um registo interno acabou por se transformar num retrato perturbador de como o sistema educativo foi progressivamente integrado numa máquina de narrativa estatal, sobretudo após a invasão da Ucrânia em 2022.

No centro da história estão famílias reais, ainda que protegidas por anonimato, que vivem um dilema difícil de resolver. Nina, mãe de uma criança de sete anos, descreve a tensão constante entre o ambiente escolar e os valores que tenta transmitir em casa. A filha participa com entusiasmo nas actividades patrióticas, sente-se integrada, gosta dos professores e dos colegas. E é precisamente isso que torna tudo mais complexo: recusar estas dinâmicas pode significar isolamento social.

O documentário mostra como práticas aparentemente banais — como cerimónias de hasteamento da bandeira ou aulas temáticas — ganharam um novo significado. As chamadas “Conversas sobre Coisas Importantes” são agora momentos estruturados para transmitir uma visão oficial da história e do presente, incluindo a narrativa em torno da guerra, apresentada como uma acção defensiva. Em paralelo, manuais escolares foram revistos e conteúdos ajustados para reflectir essa posição.

Especialistas apontam que a infância é um período particularmente sensível à influência de figuras de autoridade. A psicoterapeuta Anastasia Rubtsova sublinha que crianças pequenas tendem a aceitar como verdade aquilo que lhes é ensinado em contexto escolar. No entanto, também destaca que o papel da família pode ser determinante a longo prazo, sobretudo quando existe um esforço consciente para transmitir valores alternativos, como a empatia ou a resolução pacífica de conflitos.

Ainda assim, o contexto russo levanta desafios adicionais. Quando o acesso a fontes de informação é limitado e as mensagens são reforçadas por diferentes níveis da sociedade — escola, media e discurso público — torna-se mais difícil prever o impacto real dessa exposição prolongada.

O filme de Talankin evita respostas fáceis. Em vez disso, constrói um retrato subtil, onde coexistem entusiasmo, conformismo e silêncio. Há crianças que participam activamente, outras que assistem com indiferença, e muitas que simplesmente aprendem a não questionar.

No fim, a pergunta permanece — não apenas sobre a eficácia da propaganda, mas sobre o que acontece quando crescer significa aprender a navegar entre duas versões da realidade.

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Louis Theroux mergulha no lado mais polémico da internet — e o resultado é inquietante

Há documentários que informam… e depois há aqueles que nos obrigam a olhar para realidades desconfortáveis. É exactamente isso que faz Louis Theroux: Inside the Manosphere, o mais recente trabalho do incontornável Louis Theroux, já disponível na Netflix.

E o tema não podia ser mais actual — nem mais perturbador.

Um mundo online que está a crescer… e a preocupar

O documentário leva-nos para dentro da chamada “manosphere”, um universo digital dominado por influenciadores — quase sempre homens — que falam sobre sucesso, dinheiro, fitness e relações.

À primeira vista, pode parecer apenas mais um segmento do mundo do desenvolvimento pessoal. Mas, como Theroux mostra, existe uma fronteira cada vez mais ténue entre conteúdos mainstream e discursos extremistas.

À medida que nos aproximamos dessa margem, surgem ideias marcadas por misoginia, racismo e teorias perigosas — muitas vezes consumidas por públicos surpreendentemente jovens.

Porque é que isto está a acontecer?

Segundo Theroux, o crescimento deste fenómeno está ligado a um sentimento de desorientação entre muitos homens, especialmente jovens.

A promessa é simples — e sedutora: sucesso rápido, controlo da vida e respostas fáceis para frustrações complexas. Quando alguém carismático, aparentemente bem-sucedido e confiante aponta culpados e oferece soluções directas, o impacto pode ser enorme, sobretudo em adolescentes.

O problema é que essas “respostas” nem sempre correspondem à realidade — e podem reforçar visões distorcidas do mundo.

Entre dar voz… e expor o perigo

Fiel ao seu estilo, Theroux não adopta uma postura agressiva. Em vez disso, aproxima-se dos seus entrevistados com curiosidade, deixando-os falar — mas sem deixar de os questionar.

O equilíbrio é delicado: dar espaço para compreender sem amplificar mensagens perigosas.

O resultado são conversas que, por vezes, revelam mais do que os próprios protagonistas gostariam — mostrando contradições, fragilidades e, em alguns casos, traumas pessoais que ajudam a explicar estas ideologias.

O impacto real… fora do ecrã

Uma das questões mais inquietantes levantadas pelo documentário é o alcance deste tipo de conteúdos.

Não se trata apenas de nichos isolados da internet. A influência da manosphere está a chegar às escolas, aos locais de trabalho e ao quotidiano de milhões de jovens.

E isso levanta um desafio difícil para pais e educadores: como competir com horas e horas de conteúdo online que moldam comportamentos, ideias e atitudes?

Um documentário necessário — e difícil de ignorar

“Inside the Manosphere” não é um documentário confortável. Nem pretende ser.

Mas é precisamente essa frontalidade que o torna essencial. Ao invés de simplificar ou demonizar, Theroux tenta compreender — e ao fazê-lo, expõe uma realidade que muitos preferiam ignorar.

Num mundo cada vez mais influenciado por algoritmos e vozes digitais, este é um retrato importante de uma tendência que já não está à margem… e que continua a crescer.

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Rambo Vai Voltar… Mas Sem Sylvester Stallone no Papel Principal

Depois de mais de quatro décadas a interpretar um dos heróis de ação mais emblemáticos do cinema, Sylvester Stalloneprepara-se para quebrar uma tradição histórica da saga Rambo film series. O novo filme John Rambo será a primeira produção da franquia, em 44 anos, a apresentar um actor diferente no papel principal.

O escolhido para interpretar a versão mais jovem de John Rambo é Noah Centineo, conhecido por projectos recentes de ação e televisão. A decisão representa uma mudança significativa para uma saga que sempre esteve profundamente ligada à presença de Stallone.

Stallone regressa… mas atrás das câmaras

Embora não volte a interpretar Rambo no ecrã, Stallone continuará ligado ao projecto. O actor confirmou que participará como produtor executivo, algo que nunca tinha acontecido anteriormente na história da franquia.

Ao longo dos anos, Stallone esteve envolvido de várias formas nos filmes da série: escreveu ou co-escreveu os argumentos de praticamente todas as entradas e chegou mesmo a realizar Rambo, o quarto capítulo da saga.

No entanto, esta será a primeira vez que assume oficialmente um papel de produção num filme do universo Rambo.

O próprio actor comentou a novidade nas redes sociais, recordando a importância da personagem na sua carreira e na cultura popular:

Segundo Stallone, Rambo sempre representou temas como resistência, sobrevivência e as cicatrizes da guerra — elementos que continuam a definir a essência da personagem.

Um regresso às origens da história

O novo filme funcionará como prequela de First Blood, o clássico que introduziu Rambo ao público em 1982.

Enquanto First Blood apresentava um veterano traumatizado da Guerra do Vietname que apenas queria ser deixado em paz, John Rambo pretende explorar os acontecimentos anteriores que moldaram essa personalidade.

A narrativa deverá acompanhar o período de Rambo durante a Guerra do Vietname, mostrando como o jovem soldado se transformou no guerreiro silencioso e endurecido que os espectadores conheceram no primeiro filme.

Realizador promete uma abordagem mais crua

A realização está a cargo de Jalmari Helander, cineasta finlandês responsável pelo explosivo Sisu.

Helander já afirmou que pretende oferecer uma versão mais realista e visceral da personagem. Segundo o realizador, a ideia é regressar à essência do mito de Rambo, apostando numa história de sobrevivência marcada pela perda da inocência.

O próprio Helander revelou que viu First Blood pela primeira vez aos 11 anos e que o filme teve um impacto decisivo na sua vontade de se tornar realizador.

Elenco internacional e produção em curso

Além de Noah Centineo, o elenco inclui Jason TobinJefferson WhiteQuincy IsaiahTayme Thapthimthong e Yao.

As filmagens decorrem actualmente em Bangkok, com produção do estúdio Lionsgate.

Uma nova era para uma das maiores franquias de ação

A decisão de avançar com uma prequela e um novo actor no papel principal pode dividir fãs de longa data. Ainda assim, a presença de Stallone como produtor executivo surge como um sinal de continuidade e respeito pelo legado da personagem.

Sem data oficial de estreia confirmada, John Rambo deverá chegar aos cinemas em 2026, marcando o início de um novo capítulo para uma das franquias de ação mais emblemáticas da história do cinema.

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Jason Momoa Depois de Game of Thrones: O Mito e a Verdade Sobre o “Desaparecimento” do Actor

Quando Jason Momoa apareceu em Game of Thrones como Khal Drogo, em 2011, parecia que Hollywood tinha descoberto um novo gigante para filmes de acção. A presença física impressionante, o carisma silencioso e a intensidade da personagem fizeram dele um dos favoritos dos fãs — mesmo com um tempo de ecrã relativamente curto.

Por isso, quando Momoa revelou anos mais tarde que passou por dificuldades financeiras e escassez de trabalho depois da série, muitos ficaram surpreendidos. Afinal, como é possível que um actor que participou numa das séries mais populares da história tenha tido dificuldades em conseguir novos papéis?

A explicação é bem menos dramática do que algumas histórias que circulam online.

O problema de interpretar uma personagem demasiado marcante

Uma das razões principais prende-se com um fenómeno comum em Hollywood: o “typecasting”.

Khal Drogo era uma personagem extremamente específica. Um guerreiro brutal, quase sempre silencioso, que falava numa língua fictícia e cuja presença dependia sobretudo da fisicalidade. O impacto visual da personagem foi enorme — mas isso também criou um problema.

Durante algum tempo, muitos produtores passaram a ver Momoa apenas como “o tipo do Khal Drogo”. Encontrar papéis que não fossem simplesmente variações do mesmo guerreiro bárbaro tornou-se mais difícil do que se poderia imaginar.

Além disso, a personagem morre logo na primeira temporada da série, o que limitou bastante a exposição prolongada que outros actores tiveram ao longo das temporadas seguintes.

Hollywood nem sempre reage rapidamente ao sucesso televisivo

Outro factor importante é que, naquela altura, o salto directo da televisão para grandes filmes ainda não era tão comum como é hoje. Actualmente, estrelas de séries passam facilmente para blockbusters, mas no início da década de 2010 esse caminho ainda era mais irregular.

Momoa chegou a admitir em entrevistas que houve um período em que ele e a família estavam literalmente com dificuldades para pagar contas. Durante algum tempo, o telefone simplesmente deixou de tocar.

Histórias exageradas e mitos da internet

Algumas histórias que circulam online — como episódios envolvendo alegados conflitos com produtores ou jogos físicos que teriam causado ressentimentos — não têm qualquer confirmação credível e fazem parte sobretudo do folclore que frequentemente se cria em torno de produções gigantes como Game of Thrones.

Não existem provas de que algum incidente pessoal com David Benioff, um dos criadores da série, tenha prejudicado a carreira de Momoa. Pelo contrário, várias entrevistas mostram que o actor manteve boas relações com a equipa da série.

O regresso em força

Se houve um período de silêncio na carreira de Momoa, ele não durou muito tempo. O actor acabou por regressar com força através de vários projectos importantes.

Primeiro surgiu “Conan the Barbarian” (2011), que tentou relançar o clássico personagem. Depois vieram papéis em séries e filmes de género, como Frontier.

Mas o verdadeiro ponto de viragem aconteceu quando a DC Comics o escolheu para interpretar Aquaman. A personagem apareceu pela primeira vez em Batman v Superman (2016) e ganhou um enorme destaque em Aquaman(2018), filme que arrecadou mais de mil milhões de dólares nas bilheteiras mundiais.

A partir daí, Momoa tornou-se um dos rostos mais reconhecíveis do cinema de acção contemporâneo, participando em filmes como DuneFast X e várias produções de grande orçamento.

Uma carreira que acabou por florescer

Hoje, olhando para trás, o período difícil depois de Game of Thrones parece mais um intervalo inesperado do que um verdadeiro bloqueio de carreira.

Jason Momoa acabou por transformar a imagem que o tornou famoso — o guerreiro imponente — numa marca pessoal que lhe abriu portas em Hollywood. E se Khal Drogo foi o ponto de partida, Aquaman foi a confirmação de que aquele actor gigantesco e descontraído tinha vindo para ficar.

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De “Tubarão” a “Guerra das Estrelas”: Hollywood Vai a Leilão com Peças Avaliadas em 9 Milhões

Arpões, sabres de luz e a cabeça original de C-3PO estão entre os objectos mais cobiçados

Alguns dos objectos mais icónicos da história do cinema vão mudar de mãos em Março, num leilão que promete atrair coleccionadores de todo o mundo. Um arpão de Tubarão, um blusão de Exterminador Implacável, um sabre de luz e a cabeça de C-3PO de Guerra das Estrelas fazem parte das 1550 peças históricas que serão leiloadas em Los Angeles.

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O evento, organizado pela Propstore, decorre ao longo de três dias a partir de 25 de Março, com licitações presenciais no primeiro dia no Petersen Automotive Museum. Antes disso, uma selecção dos artigos estará exposta a 11 de Março no Hotel Maybourne, em Beverly Hills.

O valor estimado total dos lotes ronda os 9 milhões de dólares, sublinhando a dimensão do mercado de memorabilia cinematográfica.

C-3PO e o Peso da História

Entre os itens mais valiosos encontra-se a cabeça de fibra de vidro de C-3PO utilizada por Anthony Daniels em O Império Contra-Ataca (1980). Avaliada entre 350 mil e 700 mil dólares, esta peça apresenta características únicas, incluindo uma antena na testa e olhos luminosos.

Segundo Ibrahim Faraj, executivo da Propstore, trata-se de um objecto raro no mercado. A importância histórica do adereço, associado a uma das sagas mais influentes do cinema, deverá garantir forte competição entre licitantes.

Também ligado ao universo de Guerra das Estrelas, estará em leilão o cabo do sabre de luz utilizado por Luke Skywalker e Rey em O Despertar da Força. O valor estimado pode atingir os 100 mil dólares, sendo descrito como um dos objectos mais relevantes da franquia.

O Arpão de “Tubarão” e o Casaco do Exterminador

Os fãs do cinema de Steven Spielberg terão oportunidade de disputar a arma de arpão utilizada por Quint e Matt Hooper em Tubarão (1975). O conjunto inclui ainda a cana e o carreto de pesca Fenwick usados nas primeiras cenas do confronto com o tubarão. A estimativa aponta para valores até 500 mil dólares, sendo considerados os objectos mais significativos alguma vez leiloados do filme.

Já no universo da ficção científica dos anos 80, estará disponível o blusão usado por Arnold Schwarzenegger em Exterminador Implacável (1984). Com gola de couro, correntes metálicas e marcas de batalha — manchas de sangue falsas, rasgões, perfurações simuladas — a peça está avaliada entre 75 mil e 150 mil dólares.

Um Mercado em Crescimento

O leilão inclui ainda artigos como o Mapa do Maroto dos filmes de Harry Potter, reforçando a diversidade de franquias representadas. O interesse por memorabilia cinematográfica tem vindo a crescer, alimentado pela combinação de nostalgia, investimento e culto cultural.

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Mais do que simples objectos, estas peças representam momentos específicos da história do cinema. E em Março, algumas delas poderão ganhar um novo proprietário — por valores que confirmam que a magia de Hollywood continua a ter um preço elevado.

Aposta Total da Marvel? Executivos da Disney Já Viram “Vingadores: Doutor Destino” — E Há Sinais Positivos

Internamente o entusiasmo é evidente, mas o futuro do MCU não depende apenas deste filme

A expectativa em torno de Vingadores: Doutor Destino acaba de ganhar novo fôlego. Segundo um relatório publicado pela Variety, executivos da Disney já tiveram acesso a imagens do filme agendado para Dezembro — e a reacção interna terá sido claramente positiva.

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Num momento em que o Universo Cinematográfico da Marvel atravessa uma fase de ajustamento estratégico, a antecipação de exibições para a cúpula do estúdio revela a importância atribuída ao projecto. O filme é encarado como peça central na recta final da chamada Saga do Multiverso, arco narrativo que tem vindo a interligar múltiplas realidades e equipas sob uma nova ameaça de escala global.

De acordo com a publicação, os executivos estão satisfeitos com o que viram até agora. Paralelamente, líderes de estúdios concorrentes acreditam que Doutor Destino poderá tornar-se o maior êxito de bilheteira do ano.

Um Momento Decisivo para o MCU

Embora alguns analistas defendam que o futuro da franquia poderá depender do desempenho deste filme, fontes internas da divisão cinematográfica da Disney sublinham que a saúde do MCU não está condicionada a um único lançamento. O estúdio tem vindo a reorganizar o calendário e a reduzir o volume de projectos, procurando reforçar a coesão narrativa e a qualidade das produções.

A comparação com a Saga do Infinito é inevitável. Se essa etapa culminou num confronto progressivo com Thanos, o actual arco sofreu alterações estruturais, incluindo a redefinição do antagonista central. Nesse contexto, Vingadores: Doutor Destino surge como momento de convergência e possível reequilíbrio da narrativa.

O regresso de Joe e Anthony Russo à realização reforça o simbolismo da aposta. A dupla esteve associada a alguns dos maiores sucessos comerciais da Marvel e enfrenta agora o desafio de integrar múltiplas personagens e linhas temporais numa trama coesa.

Estratégia de Lançamento e Expectativas de Mercado

A Disney e a Marvel têm vindo a intensificar as acções promocionais, incluindo a divulgação antecipada de materiais para alimentar o envolvimento do público. O calendário competitivo de Dezembro exige uma campanha sólida e coordenada, sobretudo quando se trata de um filme com dimensão coral e forte carga simbólica dentro da marca.

Nos bastidores da indústria, o título já surge com destaque em análises de mercado que monitorizam tendências de bilheteira e impacto cultural. A percepção generalizada é a de que o filme poderá marcar uma nova etapa para o estúdio — seja como consolidação da Saga do Multiverso, seja como ponto de transição para o que se segue.

O Que Vem Depois

Independentemente do desempenho de Doutor Destino, o planeamento da Marvel Studios estende-se além deste capítulo. Entre os projectos em desenvolvimento encontram-se um reboot de X-MenPantera Negra 3 e Vingadores: Guerras Secretas, descrito como um possível “soft reset” dentro da cronologia do universo partilhado.

A mensagem interna parece clara: continuidade estratégica, mas com maior foco narrativo. Menos dispersão, mais integração.

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Com estreia marcada para Dezembro, Vingadores: Doutor Destino consolida-se como um dos eventos cinematográficos mais aguardados do ano — e como um teste relevante para a capacidade da Marvel em reinventar o seu próprio modelo de sucesso.

Espiões, Explosões e Churchill: O Novo Filme de Guy Ritchie Que Leva a Guerra a Outro Nível

“The Ministry of Ungentlemanly Warfare” estreia no TVCine com ação, humor e uma missão suicida pouco convencional

Há guerras que se travam com estratégia. Outras, com pura ousadia. E depois há aquelas em que o cavalheirismo é deixado à porta. É precisamente esse o espírito de The Ministry of Ungentlemanly Warfare, o mais recente filme de Guy Ritchie, que chega à televisão portuguesa no dia 27 de fevereiro, às 21h30, no TVCine Top  .

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Inspirado em factos reais — ainda que com uma boa dose de ficção à mistura — o filme mergulha numa das operações mais arrojadas da Segunda Guerra Mundial, misturando comédia de ação, espionagem e aventura num cocktail explosivo ao estilo inconfundível de Ritchie.

Uma Missão Fora de Todos os Protocolos

Estamos em 1941, no auge da Segunda Guerra Mundial. A Grã-Bretanha enfrenta o avanço das forças do Eixo na Europa e precisa desesperadamente de virar o jogo. Com o aval de Winston Churchill, nasce a Operação Postmaster: uma missão não sancionada, não autorizada e totalmente fora das regras militares convencionais  .

Sob a coordenação do brigadeiro Colin Gubbins e a liderança operacional do major Gus March-Phillipps, forma-se uma unidade ultrassecreta composta por soldados renegados, homens dispostos a tudo para atacar os nazis. O objectivo? Sabotar navios de apoio do Eixo que sustentam os temidos U-boats no Atlântico.

Como o próprio título sugere — “O Ministério da Guerra Pouco Cavalheiresca” — esta equipa especial adopta métodos nada ortodoxos. Sabotagens, infiltrações e confrontos diretos tornam-se rotina numa missão que parece saída de um romance de espionagem, mas que tem raízes históricas bem documentadas  .

Guy Ritchie em Território Familiar

Conhecido pelo seu estilo visual dinâmico e diálogos rápidos, Guy Ritchie volta a apostar numa narrativa de ação estilizada, depois de títulos como Snatch, Operation Fortune: Ruse de Guerre e The Covenant.

Aqui, o realizador combina sequências de ação vertiginosas com momentos de humor e camaradagem, criando uma versão cinematográfica vibrante da história real retratada no livro Churchill’s Secret Warriors: The Explosive True Story of the Special Forces Desperadoes of WWII, de Damien Lewis  .

O filme apresenta uma interpretação fortemente ficcionada do papel do Executivo de Operações Especiais (SOE) durante a guerra, transformando um episódio histórico numa aventura cinematográfica cheia de ritmo e personalidade.

Um Elenco de Peso em Missão Especial

À frente do elenco está Henry Cavill, acompanhado por Eiza González, Alan Ritchson, Alex Pettyfer, Henry Golding e Cary Elwes  .

O resultado é um grupo carismático que equilibra intensidade bélica com ironia e espírito de equipa, dando corpo a uma história de coragem pouco convencional.

Uma Estreia a Não Perder

Para os fãs de narrativas históricas com energia contemporânea, The Ministry of Ungentlemanly Warfare promete duas horas de puro entretenimento, onde estratégia militar e irreverência caminham lado a lado.

A estreia acontece na sexta-feira, 27 de fevereiro, às 21h30, no TVCine Top, estando também disponível no TVCine+  .

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Quando o mundo estava em guerra, houve quem decidisse lutar… sem pedir licença.

Um Thriller Para Poucos: O Filme Mais Subestimado e Estiloso de Guy Ritchie Está no Prime Video

Um jogo de vingança onde ninguém controla verdadeiramente as regras

Há filmes de Guy Ritchie que entram directamente no imaginário popular — cheios de diálogos rápidos, criminosos carismáticos e violência coreografada com ironia britânica. E depois há Revolver, talvez o seu projecto mais incompreendido, mais cerebral e, por isso mesmo, um dos mais fascinantes.

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Disponível no Prime Video, Revolver é um thriller que troca a acção imediata por tensão psicológica, trocando a vingança simplista por um labirinto de ego, paranoia e manipulação.

A história acompanha Jake Green, interpretado por Jason Statham, um homem que sai da prisão após sete anos em isolamento com um único objectivo: destruir Dorothy Macha, o poderoso dono de casino que o colocou atrás das grades. Mas Jake não quer apenas dinheiro. Quer humilhação pública. Quer inverter a hierarquia. Quer provar que aprendeu a jogar melhor do que todos.

Quando a provocação se transforma em guerra

Logo após recuperar a liberdade, Jake mergulha no submundo das apostas e começa a acumular uma fortuna com uma confiança quase provocatória. Entra no casino de Macha, senta-se à mesa certa e ganha — muito. Não é sorte. É estratégia. E é, acima de tudo, um desafio.

Dorothy Macha, interpretado por Ray Liotta, não é um vilão explosivo. É frio, calculista e habituado a controlar cada detalhe do ambiente à sua volta. Humilhá-lo diante dos próprios homens é um erro que não fica sem resposta.

A reacção é rápida: um assassino é colocado no encalço de Jake. O que parecia ser apenas um ajuste de contas transforma-se numa guerra silenciosa, feita de corredores vigiados, olhares desconfiados e ameaças implícitas.

Um prazo de vida que muda tudo

É então que o filme altera radicalmente o seu eixo narrativo. Jake descobre que sofre de uma doença rara e que terá apenas três dias de vida. A vingança deixa de ser apenas obsessão e passa a ser corrida contra o tempo.

Cada movimento ganha peso adicional. Cada decisão pode ser a última. A ameaça externa de Macha cruza-se com uma contagem decrescente interna, criando uma tensão que vai muito além do confronto físico.

Statham, conhecido por papéis mais directos e físicos, aqui trabalha com contenção. O seu Jake é introspectivo, desconfiado, quase paranoico. Há sempre a sensação de que algo está por revelar — ao espectador e ao próprio protagonista.

Mais do que crime: um estudo sobre ego

O elenco inclui ainda André 3000, cuja presença acrescenta uma camada ambígua ao jogo de interesses. O seu personagem move-se entre alianças e traições com naturalidade inquietante, reforçando a ideia de que ninguém está totalmente seguro.

Mas Revolver não é apenas um thriller criminal. É um ensaio disfarçado sobre ego e autossabotagem. Guy Ritchie constrói uma narrativa que flerta com reflexões quase filosóficas sobre medo, percepção e controlo. Em vez de respostas fáceis, oferece um puzzle.

O resultado é um filme que divide opiniões. Não é linear, nem complacente. Há momentos em que parece deliberadamente enigmático. Mas é precisamente essa ambição que o torna especial dentro da filmografia do realizador.

Um filme que merece uma segunda vida

Na altura do lançamento, Revolver não conquistou o público como outros títulos de Ritchie. Talvez fosse demasiado complexo para quem esperava apenas acção estilizada. Talvez estivesse à frente do seu tempo.

Hoje, disponível no streaming, ganha uma nova oportunidade. É um filme que exige atenção, que pede reflexão e que recompensa quem aceita entrar no jogo mental que propõe.

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Porque, no final, a maior batalha de Revolver não é travada nas mesas de apostas — é travada dentro da mente de quem acredita que pode controlar tudo.

E raramente alguém sai vencedor desse jogo. O filme está disponível no Netflix e no Prime Video.

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De desastre nas salas a fenómeno global no streaming

Há filmes que morrem nas bilheteiras. E depois há aqueles que ressuscitam no streaming. Tron: Ares encaixa perfeitamente na segunda categoria.

Produzido com um orçamento estimado em 220 milhões de dólares, o novo capítulo da lendária saga de ficção científica revelou-se um duro golpe para a The Walt Disney Company quando passou pelos cinemas. As receitas ficaram muito aquém do esperado, acumulando pouco mais de 142 milhões de dólares a nível mundial e gerando prejuízos que terão ultrapassado os 130 milhões.

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Mas eis que, poucos meses depois, o cenário muda radicalmente: o filme tornou-se o título de ficção científica mais visto no Disney+ em 56 países, alcançando o primeiro lugar em múltiplos mercados. Um fenómeno curioso que levanta uma questão inevitável — será que o público precisava apenas do ecrã certo?

Uma aposta arriscada… desde o início

A verdade é que a saga Tron nunca foi um colosso de bilheteira. O original, Tron, tornou-se um clássico de culto sobretudo pelo seu pioneirismo visual, mas não foi um fenómeno comercial. A sequela, Tron: Legacy, chegou 28 anos depois e também não incendiou as receitas globais, apesar da ambição estética e da memorável banda sonora dos Daft Punk.

Com Tron: Ares, a Disney voltou a arriscar forte, entregando o protagonismo a Jared Leto e investindo numa produção visualmente imponente. Ainda assim, os sinais de alerta estavam lá: uma franquia com histórico irregular e um orçamento digno de um blockbuster garantido.

O resultado foi um fracasso retumbante nas salas de cinema, agravado por críticas mornas. No Rotten Tomatoes, o filme apresenta uma taxa de aprovação de 53%, reflectindo uma recepção longe de entusiástica.

O último capítulo da saga?

Com números tão frágeis nas bilheteiras, tudo indica que Tron: Ares poderá marcar o fim da saga no grande ecrã. É certo que o universo Tron já provou ser resiliente — houve 28 anos entre o primeiro filme e a sua sequela, e 15 até este novo capítulo — mas, do ponto de vista financeiro, torna-se difícil justificar um novo investimento desta dimensão.

Poderá a Disney optar por um remake no futuro? Ou transformar o conceito numa série para streaming, onde parece encontrar agora um público mais receptivo?

Para já, o sucesso no Disney+ prova que há interesse na estética neon, nos mundos digitais e nas batalhas entre humanos e inteligências artificiais. Talvez o problema nunca tenha sido a história, mas sim o palco onde foi apresentada.

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Em Hollywood, um fracasso pode ser definitivo. No streaming, pode ser apenas o início de uma segunda vida.

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Um arranque desastroso para “Psycho Killer”

Há estreias que dividem opiniões. E depois há casos como Psycho Killer, que conseguiu algo raro — e nada invejável. Com 15 críticas publicadas até ao momento, o thriller abriu com 0% de aprovação no Rotten Tomatoes.

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Sim, leu bem: zero. Nem uma avaliação positiva.

O filme marca a estreia na realização de Gavin Polone, com argumento assinado por Andrew Kevin Walker, conhecido por trabalhos anteriores no género. No elenco encontramos Georgina Campbell — que muitos reconhecerão de Barbarian (Noites Brutais, em Portugal) — além de James Preston Rogers, Grace Dove, Logan Miller e Malcolm McDowell.

Mas, apesar do pedigree envolvido, a recepção crítica tem sido implacável.

“Um amontoado de clichés” e “nenhum suspense palpável”

O consenso entre os críticos é duro e directo: Psycho Killer falha praticamente em todos os aspectos essenciais de um bom thriller de terror.

Várias publicações apontam a ausência de tensão, a previsibilidade do enredo e um vilão descrito como uma mistura pálida de assassinos mais memoráveis do cinema. A acusação mais recorrente? Falta de originalidade.

Algumas críticas classificam o filme como uma colecção de clichés gastos, com escolhas narrativas consideradas ridículas e um antagonista sem carisma ou presença ameaçadora. Outras destacam diálogos forçados, interpretações pouco convincentes e uma montagem confusa que compromete o ritmo da narrativa.

Há ainda quem considere que o filme é demasiado simples para funcionar como thriller policial, mas simultaneamente demasiado aborrecido para resultar como filme de terror. Um limbo pouco favorável para qualquer produção que se proponha assustar o público.

Uma premissa promissora que não convenceu

A história acompanha uma agente da polícia rodoviária do Kansas que, após o brutal assassinato do marido, inicia uma perseguição ao responsável. À medida que a investigação avança, descobre que está perante um serial killer sádico, cujos planos revelam uma mente profundamente perturbada.

Em teoria, a premissa reúne todos os ingredientes para um thriller intenso: trauma pessoal, perseguição implacável e um antagonista perverso. No entanto, segundo os críticos, a execução não consegue transformar essa base narrativa em algo envolvente ou assustador.

Algumas análises sugerem mesmo que o filme parece indeciso quanto ao tom, oscilando entre o policial sombrio e o terror satânico sem nunca abraçar totalmente nenhum dos registos.

E o público?

Para já, Psycho Killer encontra-se em exibição nos cinemas norte-americanos, mas ainda não tem data prevista de estreia em Portugal.

Resta saber se o público terá uma reacção diferente da crítica — algo que não seria inédito no género. Afinal, o terror sempre viveu de divisões e surpresas.

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Mas começar com 0% no Rotten Tomatoes não é apenas um tropeço: é um cartão de visita difícil de ignorar.