CANNESERIES encerra hoje a 9.ª edição: o festival de séries da Croisette que merecia mais atenção

Hoje fecha as portas a nona edição do CANNESERIES, o Festival Internacional de Séries de Cannes que desde 2018 ocupa a Croisette uma semana antes da Palma de Ouro entrar em cena. De 23 a 28 de abril, o Palais des Festivals acolheu profissionais da indústria e público geral numa programação que incluiu longas-séries, curtas-séries e documentários serializados em competição, com cerimónias de abertura e encerramento separadas.

A edição arrancou com uma nota de prestígio: Jisoo, membro dos BLACKPINK e atriz em crescendo com séries como SnowdropNewtopia e o mais recente Boyfriend on Demand da Netflix, recebeu o prémio Madame Figaro Rising Star Award na cerimónia de abertura. Foi um momento de euforia no auditório — a estrela K-pop agradeceu “em inglês e com um merci” ao público presente — e um sinal da internacionalização crescente do evento. Adam Scott, por sua vez, recebeu o Canal+ Icon Award durante o festival, marcando presença acompanhado pela mulher Naomi.

A Air France estreou este ano o seu próprio prémio no festival — o Air France Travelers’ Choice Award — dedicado à série da edição anterior com melhor performance a bordo dos seus voos, medida por dados reais de visualização dos passageiros. É uma novidade que diz muito sobre como os festivais de séries procuram novas formas de medir impacto e relevância cultural para além dos júris tradicionais.

O CANNESERIES tem uma posição curiosa no calendário da indústria: não tem a visibilidade dos Emmy nem o prestígio artístico da competição principal de Cannes, mas posiciona-se como um espaço de descoberta de produções internacionais que de outra forma dificilmente chegariam ao radar do público europeu. O formato competitivo distribui prémios em categorias como Melhor Série, Melhor Argumento, Melhor Interpretação e Prémio do Público, com um júri renovado a cada edição.

Para o leitor português, o CANNESERIES é também um barómetro útil: as séries aqui distinguidas costumam aparecer em plataformas europeias nos meses seguintes. A edição de hoje termina com a cerimónia de encerramento e a revelação do palmarès completo, ainda a aguardar divulgação pública no momento desta publicação. O Festival de Cannes Cinema arranca a 12 de maio, a poucos quilómetros e numa outra escala de atenção mediática — mas o mês de Cannes começa, afinal, hoje.

Cannes 2026: Park Chan-wook preside ao júri, Almodóvar e James Gray na corrida à Palma de Ouro
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Cannes 2026: Park Chan-wook preside ao júri, Almodóvar e James Gray na corrida à Palma de Ouro

Faltam duas semanas para a abertura da 79.ª edição do Festival de Cannes e o entusiasmo já se sente na Croisette. A seleção oficial foi anunciada a 9 de abril por Thierry Frémaux e pela presidente Iris Knobloch, mas nas últimas semanas continuaram a cair confirmações importantes — a mais aguardada das quais foi a de Paper Tiger, de James Gray, que entra na competição oficial depois de semanas de suspense público. Frémaux havia deixado a dica em conferência de imprensa: “Há um filme de que vão dizer ‘ah, não está cá!’ Mas vai estar, eu garanto.” Estava. O thriller nova-iorquino, com Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller, será a sexta vez de Gray em competição em Cannes.

A seleção deste ano é assumidamente dominada por autores internacionais: Asghar Farhadi, Pedro Almodóvar, Hirokazu Kore-eda, Paweł Pawlikowski, László Nemes e Ryusuke Hamaguchi estão todos em competição, representando um regresso às origens cinéfilas do festival depois de uma edição 2025 marcada por uma forte presença de Hollywood. Ira Sachs é o único realizador americano em competição com The Man I Love, musical fantástico com Rami Malek centrado na crise de VIH nos anos 80 em Nova Iorque. Almodóvar apresenta Bitter Christmas, o único filme da seleção que já teve estreia mundial antes do festival.

A cerimónia de abertura, a 12 de maio, acontece com La Vénus Électrique de Pierre Salvadori — uma comédia romântica burlesca passada no início do século XX em Paris, com Pio Marmai e Gilles Lellouche. A mesma noite, o filme exibe-se simultaneamente em cinemas de toda a França. O cartaz oficial desta edição é uma homenagem a Thelma & Louise, trinta e cinco anos depois de a dupla ter estreado na Croisette — em 1991, com Ridley Scott — antes de chegar aos cinemas de todo o mundo.

Do lado do júri, a escolha de Park Chan-wook como presidente é um sinal claro da orientação artística desta edição. O realizador coreano, cujo trabalho mais recente — No Other Choice — chegou ao Hulu poucas semanas atrás, está a preparar simultaneamente o seu próximo projeto no mercado do festival, o que torna a sua presença em Cannes ainda mais movimentada do que o habitual.

O mercado, que decorre de 12 a 20 de maio em paralelo com a competição, já deu sinais de efervescência, com projetos ambiciosos a surgir antes da abertura oficial. Para além do western de Park Chan-wook, chega ao mercado Margot & Rudi, sobre o romance e a parceria artística entre Margot Fonteyn e Rudolf Nureyev, com Naomi Watts e o bailarino ucraniano Alexandr Trush. O festival e o mercado juntos fazem de Cannes, como sempre, o momento mais intenso do calendário cinematográfico europeu. Para o público português, a presença de Almodóvar — cujo cinema nunca precisou de legenda emocional por estas bandas — é razão suficiente para acompanhar o que se passa na Croisette nas próximas semanas.

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Park Chan-wook dirige western com McConaughey, Pedro Pascal e Austin Butler

O realizador de OldboyA Criada e Decisão de Partir tem um novo projeto em mãos — e é um western. Park Chan-wook confirmou esta semana que o seu próximo filme será The Brigands of Rattlecreek, com um elenco que por si só justifica atenção: Matthew McConaughey, Pedro Pascal, Austin Butler e a sua habitual colaboradora Tang Wei encabeçam o projeto. A notícia foi avançada em exclusivo pelo Deadline e rapidamente confirmada pelo Variety e Screen International.

O argumento é de S. Craig Zahler, o cineasta conhecido pelo western visceral Bone Tomahawk e por Brawl in Cell Block 99 — dois filmes que partilham com Park uma certa predileção pela violência que tem peso moral. O guião andou décadas na gaveta de Hollywood, onde McConaughey esteve ligado ao projeto desde 2019, quando a Amazon o tentou ressuscitar. O que mudou foi a chegada de Park ao leme, que fez revisões no texto mais recente.

A história centra-se num xerife e num médico que procuram vingar-se de uma quadrilha de bandidos que usa uma tempestade para atacar e aterrorizar uma pequena cidade. No papel do xerife está McConaughey; Butler interpreta o líder dos bandidos. Pascal e Tang Wei completam o quarteto principal, com detalhes sobre os seus papéis ainda por revelar. O orçamento está estimado em mais de 60 milhões de dólares, e o filme será apresentado a compradores internacionais no mercado de Cannes em maio, através da produtora 193 de Patrick Wachsberger.

A coincidência não é pequena: Park Chan-wook preside ao júri da 79.ª edição do Festival de Cannes — exatamente o evento onde o seu próximo projeto vai à procura de distribuição. A dupla presença na Croisette, como jurista e como vendedor, é uma jogada que poucos realizadores conseguiriam fazer com tanta naturalidade.

O que torna o projeto genuinamente estimulante é a tensão entre dois mundos. Park é um mestre da vingança enquanto tragédia — nenhum dos seus filmes deixa os seus personagens saírem impunes do ciclo de violência que desencadeiam. Zahler, por outro lado, escreve westerns onde a brutalidade é quase filosófica, despida de glória. A fusão dos dois pode resultar num dos filmes mais interessantes desta segunda metade da década.

Para Park, será apenas o segundo filme em língua inglesa depois de Stoker (2013). A experiência televisiva entretanto acumulada — com The Little Drummer Girl e The Sympathizer — fez dele um cineasta mais à vontade com estruturas narrativas mais longas e com equipas de produção anglo-saxónicas. The Brigands of Rattlecreek não tem ainda data de produção confirmada, mas a movimentação em Cannes sugere que o arranque das filmagens não deve tardar muito.

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O Filho de Rob Reiner Fala pela Primeira Vez sobre o Assassínio dos Pais: “O Meu Mundo Colapsou”

Rob Reiner realizou Quando Harry Conheceu SallyA Princesa PrometidaFicções e AfectosConta-me Tudo. Ao longo de cinco décadas, construiu uma obra que entrou na memória colectiva de gerações de espectadores. Em Dezembro de 2025, foi assassinado em casa, em Los Angeles, juntamente com a mulher Michele. O filho mais novo, Nick Reiner, foi acusado dos crimes e declarou-se não culpado. Uma audiência preliminar está marcada para esta semana no tribunal de Los Angeles.

Na sexta-feira passada, Jake Reiner — o filho mais velho, de 34 anos — publicou no Substack um texto em que fala pela primeira vez, em detalhe, sobre o dia em que soube da morte dos pais e sobre o que perdeu.

“Na tarde de 14 de Dezembro”, escreve Jake, “estava na Union Station numa celebração da vida de um dos meus melhores amigos, Christian Anderson, que morreu em Outubro. Foi nesse momento que recebi uma chamada da minha irmã Romy a dizer-me que o nosso pai tinha morrido. Minutos depois, ela voltou a ligar a dizer-me que a nossa mãe também tinha morrido.”

A viagem de Lyft de 45 minutos do centro para o lado oeste da cidade foi, nas suas palavras, “insuportável”. “O meu mundo, tal como o conhecia, tinha colapsado. Estava em transe. A única coisa em que me conseguia concentrar era que precisava de chegar à minha casa de infância. Precisava de chegar à minha irmã. Precisava de perceber o que tinha acontecido.”

Jake não usa o nome do irmão no texto — refere-se a ele apenas como “o meu irmão”. A contenção é deliberada e diz tudo sobre a dimensão do que a família está a atravessar: não apenas a perda dos pais, mas a perda em circunstâncias que envolvem outro membro da família, e a impossibilidade de separar o luto privado do processo judicial público.

O texto é, acima de tudo, um acto de memória. Jake descreve a mãe, Michele Reiner, como “o motor, a espinha dorsal e o coração de toda a nossa família” — a pessoa a quem recorria em momentos difíceis, pela “perspectiva brilhante” que ela oferecia. O pai é descrito com uma simplicidade que é, em si mesma, um retrato: “A forma como o meu pai se apresentava em público era exactamente a bela pessoa que era em casa. Era autêntico, apaixonado, e o sentido de humor dele sempre foi o meu sentido de humor.”

Pai e filho partilhavam o amor pelo basebol, especialmente pelos Dodgers. “Levou-me em viagens de basebol todos os verões a partir dos meus 11 ou 12 anos, e eventualmente visitámos todos os estádios das majors.” São os detalhes concretos — as viagens de verão, os estádios visitados, o basebol como linguagem entre pai e filho — que tornam o texto irresistível na sua honestidade.

“Fui roubado de tantas coisas naquele dia”, escreve Jake. “Os meus pais não vão estar no meu casamento, não vão poder pegar no futuro neto ao colo, não vão poder ver-me ter a carreira de sucesso que ainda estou a construir. Isso ao mesmo tempo parte-me o coração e enraivece-me.”

E mais adiante: “Nada pode preparar-te para o que é perder os dois pais instantaneamente ao mesmo tempo. É devastador demais para compreender. Ainda acordo todas as manhãs tendo de me convencer de que não, não é um sonho. Este é genuinamente o meu pesadelo em vida.”

Jake termina com um pedido que é também uma declaração sobre quem eram os seus pais: “Peço apenas amor e compaixão — os mesmos princípios pelos quais os meus pais viveram.”

Rob Reiner tinha 78 anos. A audiência preliminar do processo que envolve Nick Reiner realiza-se esta semana em Los Angeles.

Hulk Hogan: Real American — A Netflix Fez um Documentário sobre Hulk Hogan sem Coragem para Contar a História de Hulk Hogan

Werner Herzog aparece no quarto episódio de Hulk Hogan: Real American para dizer, com a gravidade que só Herzog consegue: “Na vida de Hulk Hogan, o que é a realidade? Qual é a verdade real? Estranhamente, as emoções são sempre verdadeiras, por mais loucas e implausíveis que as histórias possam ser. E a procura da verdade dá-nos dignidade, dá-nos sentido.” É uma introdução perfeita para um documentário muito melhor do que o que a Netflix fez. Pena que seja o documentário que Herzog devia ter feito — e não o que estamos a ver.

A série de quatro episódios dirigida por Bryan Storkel acompanha a ascensão de Terry Bollea — o homem por baixo das bandanas e dos calções amarelos — ao estatuto de Hulk Hogan, um dos fenómenos culturais mais reconhecíveis da América dos anos 80. Tem acesso considerável: horas de material de arquivo, filmagens caseiras, entrevistas com contemporâneos como Jesse Ventura, Bret Hart, Jimmy Hart e Ted DiBiase, e as últimas entrevistas que Hogan concedeu antes de morrer em Julho de 2025. Tem, portanto, todos os ingredientes para ser um retrato definitivo. Escolhe não o ser.

O problema começa na primeira frase da sinopse oficial: “Antes de ser Hulk Hogan, era Terry Bollea.” A promessa implícita é a de que vamos descobrir o homem por baixo da máscara. O que o documentário entrega é Hulk Hogan com o volume baixado quinze por cento. Terry Bollea gosta de bandanas também. É, como revelações vão, anticlimática. A distinção entre o homem e a personagem — que podia ser o coração de toda a série — dissolve-se rapidamente numa celebração da marca.

O contexto de produção explica muito. Hulk Hogan: Real American foi produzido “em associação” com a WWE Entertainment, que tem uma parceria lucrativa com a Netflix. Vince McMahon não participa — aparece apenas em áudio não atribuído, com o suficiente para quem não presta atenção ficar com a impressão de que participou. Brooke Hogan, filha do lutador, não aparece de todo. A acusação de agressão sexual de 1996 não é mencionada. O processo Gawker — um dos episódios mais reveladores da vida de Hogan, que envolveu financiamento secreto de Peter Thiel e levou à falência de um meio de comunicação social — é tratado de forma superficial e unilateral, sem vozes do outro lado e sem o nome de Thiel. Os insultos raciais da sex tape são reconhecidos mas nunca citados. Um casamento inteiro de dez anos é praticamente ignorado.

O que sobra é a parte fácil da história: a ascensão extraordinária de um músico de baixo da Florida à maior estrela do wrestling mundial, a Hulkamania, os anúncios, o programa de animação de sábado de manhã, os cameos. Para quem cresceu nos anos 80 com aquela cultura — e são muitos —, é uma viagem nostálgica genuinamente eficaz. Andre the Giant, Randy Savage, Roddy Piper passam pelo ecrã, e é impossível não sentir o peso da quantidade de nomes grandes que morreram prematuramente naquele mundo.

Mas há um documentário mais importante algures neste material que a Netflix não quis fazer. Um documentário sobre o custo físico do wrestling profissional no corpo de homens explorados durante décadas sem sindicato — porque Hogan terá sido um dos que se opuseram à sindicalização nos anos 80. Um documentário sobre a forma como a América fabrica heróis e o que acontece quando esses heróis revelam as suas contradições. Um documentário sobre como Donald Trump — que aparece aqui como talking head monossilábico e é tratado com uma deferência que a série não questiona — e Hulk Hogan partilharam exactamente o mesmo espaço cultural e o mesmo tipo de masculinidade performativa durante décadas.

Esse documentário não existe. Existe este — hagiografia corporativa bem filmada, com arquivo generoso e sem espinha dorsal. O público-alvo ficará satisfeito. Os outros ficam com a sensação de que alguém, em algum momento do processo, decidiu que a verdade era demasiado cara.

Gen V Cancelada — A Spinoff de The Boys Fecha com Dois Alunos a Menos e uma Promessa de Regresso

A Universidade de Godolkin está a fechar as portas. A Prime Video confirmou que Gen V — a spinoff de The Boyscentrada nos estudantes com superpoderes da universidade mais perigosa do mundo — foi cancelada após duas temporadas. A segunda e agora última temporada tinha concluído em Outubro de 2025, sem que na altura houvesse qualquer indicação de que seria a final.

O cancelamento não é propriamente uma surpresa para quem acompanhou os números da série. A primeira temporada beneficiou do halo de The Boys e de uma recepção crítica sólida — 82% no Rotten Tomatoes —, mas a segunda temporada registou uma quebra de audiências considerável e críticas mais divididas. A Prime Video nunca divulgou números concretos de visualizações para a série, mas a ausência de renovação rápida após o final da segunda temporada já era um sinal de que a decisão estava a ser ponderada.

Eric Kripke e Evan Goldberg, produtores executivos da série, fizeram questão de enquadrar o cancelamento com uma promessa de continuidade. “Enquanto gostaríamos de poder continuar a festa mais uma temporada em Godolkin, estamos comprometidos em continuar as histórias dos personagens de Gen V em The Boys temporada cinco e noutros projectos do universo VCU no horizonte. Vão vê-los de novo”, disseram em comunicado conjunto. A promessa tem substância: o final da segunda temporada de Gen V mostrava os personagens principais a serem recrutados para a resistência contra a Vought e o Homelander — uma saída narrativa que foi deliberadamente construída para uma fusão com a série-mãe.

O timing do cancelamento é sintomático do estado actual do universo de The Boys na Prime Video. A série principal está em curso com a sua quinta e última temporada, o que significa que a plataforma está a concentrar recursos e atenção no encerramento da história central. Em paralelo, há dois novos projectos em desenvolvimento: Vought Rising, uma série prequel prevista para 2027, e The Boys: Mexico, ainda nas fases iniciais. É um universo que a Amazon quer manter activo — mas com uma estrutura diferente da que Gen V representava.

Jaz Sinclair, Lizze Broadway, Maddie Phillips e London Thor — os rostos centrais de Gen V — devem aparecer nos episódios finais de The Boys, o que torna o cancelamento menos um fim do que uma absorção. Para os fãs que investiram nas duas temporadas da spinoff, é uma consolação parcial: os personagens continuam, mesmo que a série não. Para a Prime Video, é uma racionalização de um universo que cresceu rapidamente e precisa agora de uma arquitectura mais sustentável.

Gen V era, no fundo, a versão universitária de uma pergunta que The Boys faz desde o início: o que acontece quando o poder não tem supervisão, quando os heróis são produtos de uma corporação, quando a admiração é fabricada? A resposta da spinoff era mais desordenada e menos afiada do que a da série original — mas tinha momentos de genuína coragem criativa, especialmente na forma como explorava a cumplicidade institucional e a toxicidade dos sistemas de poder sobre os mais novos. Fecha com dignidade suficiente.

Jack Nicholson Aparece numa Foto Rara ao Lado de Joni Mitchell — e Faz 89 Anos

Jack Nicholson fez ontem 89 anos. A filha Lorraine Nicholson assinalou a data da única forma possível para um homem que há anos recusou o escrutínio público: com uma fotografia rara, publicada nos Instagram Stories, onde o pai aparece a aplaudir e a sorrir ao lado de Joni Mitchell — que está exactamente na mesma posição. Lorraine não indicou quando a foto foi tirada. Escreveu apenas “¡¡ 89 !!” por cima da imagem, depois de ter publicado outra fotografia de um Jack mais jovem numa t-shirt da Coca-Cola com a pergunta “89?”. É exactamente o tipo de celebração discreta que combina com um homem que decidiu, em determinado momento, simplesmente desaparecer.

A última aparição pública de Nicholson foi em Fevereiro de 2025, ao lado da própria Lorraine, durante o especial televisivo do 50.º aniversário do Saturday Night Live na NBC. Entrou em palco para apresentar uma actuação musical de Adam Sandler e recebeu uma ovação prolongada. Antes disso, a última aparição nos Óscares tinha sido em 2013, quando subiu ao palco com a então First Lady Michelle Obama para apresentar o prémio de Melhor Filme. Entre uma coisa e outra, passou uma década. Nicholson sempre soube como fazer uma saída — e como fazer uma entrada.

A carreira que ficou para trás é de uma dimensão que poucos actores de qualquer geração conseguiram aproximar. Três Óscares — Um Estranho no Ninho (1975), Laços de Ternura (1983) e Melhor é Impossível (1997) —, seis Globos de Ouro, três BAFTAs e até um Grammy. A estreia foi em 1958 num filme de Roger Corman chamado Cry Baby Killer. O último papel foi uma participação em Como Sabes de James L. Brooks, em 2010, com Reese Witherspoon, Paul Rudd e Owen Wilson — um fim de carreira tão discreto quanto o retiro que se seguiu.

A última nomeação ao Óscar foi em 2003, por A Propósito de Schmidt. Vinte e três anos depois, Nicholson continua a ser uma das presenças mais imediatas e inconfundíveis da história do cinema americano — uma daquelas raras figuras em que basta uma imagem, um sorriso, um par de óculos escuros, para que tudo o resto venha atrás. A foto com Joni Mitchell — dois veteranos do século XX a aplaudir algo que não sabemos o quê — é, sem querer ser, o retrato perfeito de duas pessoas que fizeram tudo o que tinham a fazer e agora simplesmente estão.

Lorraine é uma das seis filhas de Nicholson. A mãe é a actriz Rebecca Broussard, com quem o actor tem também um filho, Ray Nicholson, recentemente visto em Smile 2. A família mantém uma presença pública mínima — exactamente como o pai parece preferir.

Manuel Luís Goucha Perde Disputa de 1,17 Milhões com o Fisco — e Ainda Pode Recorrer

Há uma prática comum entre figuras públicas de alto rendimento — actores, apresentadores, desportistas — que consiste em criar uma empresa para canalizar os rendimentos profissionais, beneficiando da tributação em IRC em vez do IRS, geralmente mais pesado para rendimentos elevados. É uma estratégia que os advogados fiscalistas conhecem bem, que o Fisco conhece igualmente bem, e que quando ultrapassa determinados limites activa instrumentos específicos de combate à evasão fiscal. Manuel Luís Goucha ficou do lado errado dessa linha — e o tribunal arbitral acaba de o confirmar.

O Centro de Arbitragem Administrativa (CAAD) deu razão à Autoridade Tributária e Aduaneira num processo que envolve o apresentador da TVI. De acordo com o Jornal de Negócios, Goucha criou uma empresa à qual cedeu, a título gratuito, os seus direitos de imagem e o direito à sua exploração. A partir daí, era a empresa — e não o apresentador a título pessoal — que prestava serviços às entidades que o contratavam, e os rendimentos correspondentes eram tributados em IRC. A vantagem fiscal em relação ao IRS era considerável.

Uma inspecção do Fisco concluiu que a sociedade tinha sido criada exclusivamente com o objectivo de ali parquear esses rendimentos — sem actividade autónoma, sem razão de ser além da vantagem fiscal. A Autoridade Tributária activou a Cláusula Geral Antiabuso, o instrumento legal que permite desconsiderar estruturas criadas artificialmente para obter benefícios fiscais que não seriam possíveis de outra forma. O raciocínio do Fisco era simples: os rendimentos derivavam do trabalho pessoal de Goucha — da sua imagem, da sua voz, da sua presença física — e como tal deviam ser tributados em IRS, independentemente da estrutura societária criada para os receber.

O tribunal arbitral considerou “correcta” a aplicação da cláusula, sublinhando que a empresa recebeu gratuitamente “o direito à exploração da imagem e voz” do apresentador, e que as entidades contratantes “deixaram de contratar e pagar ao requerente os serviços por ele prestados, passando a fazê-lo com a sociedade.” Em linguagem mais directa: Goucha prestava o serviço, a empresa recebia o dinheiro, e o Fisco considerou que isso era, na prática, uma ficção.

A fatura final ficou fixada em 1,17 milhões de euros — 670 mil relativos a imposto e 500 mil a juros compensatórios — referentes apenas aos rendimentos de 2019. O valor já reflecte um acerto de contas com o IRC anteriormente pago pela empresa, pelo que não é o montante bruto da divergência fiscal mas o saldo final a liquidar.

Goucha não fica, no entanto, sem saída. Um dos três árbitros do CAAD votou vencido, o que significa que a decisão não foi unânime — e essa divergência abre-lhe a porta para recurso judicial. Se avançar, o processo pode ainda arrastar-se por mais alguns anos. A TVI não comentou o caso.

O processo de Goucha não é único nem surpreendente para quem acompanha a fiscalidade das figuras públicas em Portugal. A Autoridade Tributária tem intensificado nos últimos anos a inspecção a estruturas societárias criadas por personalidades de alta visibilidade — apresentadores, influenciadores, desportistas —, e a Cláusula Geral Antiabuso tem sido cada vez mais invocada com sucesso nos tribunais arbitrais. A linha entre planeamento fiscal legítimo e abuso é muitas vezes ténue, mas o critério dos tribunais tem sido consistente: quando a empresa não tem substância própria além de receber rendimentos que derivam directamente do trabalho pessoal do seu sócio, a ficção não se sustenta.

Cristina Ferreira, a TVI e o Limite do que se Pode Dizer sobre Violação em Directo

Há frases que, uma vez ditas em público, não têm retorno. “Mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve — claro que têm de ouvir —, alguém entende aquele: ‘não quero mais?'” Estas palavras, ditas por Cristina Ferreira no passado dia 14 de Abril em directo na TVI, durante a rubrica “Crónica Criminal” do programa “Dois às 10”, instalaram em Portugal um debate que dura há mais de uma semana e que não dá sinais de se esgotar.

O caso discutido era real e grave: uma rapariga de 16 anos terá sido violada em fevereiro do ano passado em Santo António dos Cavaleiros, num encontro que começou consentido e que continuou numa garagem próxima, onde a adolescente pediu que fosse parado. O Ministério Público acusa quatro influenciadores digitais — três com 19 a 20 anos à data, um com 17 — de mais de 30 crimes, entre violação, pornografia de menores e ofensa à integridade física. O julgamento decorre à porta fechada no Tribunal de Loures.

O que Cristina Ferreira disse — ou perguntou, como ela própria insiste na distinção — não foi recebido como uma questão jornalística. Foi recebido como uma naturalização. A reacção foi imediata e crescente: mais de 140 personalidades assinaram uma Carta Aberta de condenação, incluindo colegas de profissão. Mais de 4.400 queixas chegaram à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. As redes sociais transformaram o clip numa prova de acusação. A TVI respondeu falando em “manipulação grosseira” e prometeu recurso judicial para “repor a justiça”.

Dez dias depois, Cristina Ferreira foi ao Jornal Nacional do seu próprio canal falar sobre o assunto. Não pediu desculpa. Lamentou as proporções que o caso tomou. Distinguiu entre uma pergunta e uma opinião. Disse que “não é não, ponto.” Disse que quis perceber “o que se passou na cabeça de quatro jovens que não respeitaram aquela rapariga.” Perguntou, confrontada com as acusações de machismo: “Por que é que sou machista em querer perceber o comportamento de um violador?” O Jornal Nacional bateu 9,3% de rating e 19,1% de share nessa noite. O pico — 1,3 milhões de espectadores — coincidiu com a entrevista.

Maria João Faustino, doutorada em psicologia e primeira subscritora da Carta Aberta, não tem dúvidas sobre o que aconteceu. “Aquela pergunta não é uma pergunta neutra. É enviesada e problemática. Só a formulação já admite a possibilidade. A linguagem usada, ‘fazer sexo com’, é um eufemismo. O retrato ali quase nos transportaria para uma orgia. Não foi uma orgia. Aquilo foi uma violação em grupo.” A especialista aponta ainda a intervenção da psicóloga comentadora do programa como reveladora de “uma falta de preparação absoluta” — porque, no contexto de interacção sexual, “as pessoas são perfeitamente capazes de ler os sinais de recusa, e essa recusa não tem de ser verbal.”

Para Faustino, o que está em causa vai além das palavras de Cristina Ferreira. É o modelo de como os média em Portugal tratam a violência sexual — em “tom quase de tertúlia”, como conversa de café. “Os discursos amplificados pelos média têm um impacto tremendo na percepção das pessoas sobre a violência sexual. E muitas vezes são palco de profusão de mitos e de desinformação.” Em 2025, os crimes de violação em Portugal atingiram o valor mais elevado da última década, com um quinto dos arguidos entre os 16 e os 20 anos. “O problema é estrutural”, sublinha.

A presença de Cristina Ferreira no Jornal Nacional para responder à polémica foi, para a investigadora, mais um problema do que uma solução. “Foi uma espetacularização da violência. A resposta institucional responsável seria pedir desculpa às pessoas que se sentiram magoadas e indignadas — incluindo aquela vítima em particular.” A TVI, acusa, “aproveitou o momento para monetizar a tragédia e ganhar audiências.” Os números dão-lhe razão aritmética.

Do lado regulatório, a ERC confirmou à Euronews que recebeu cerca de 4.400 participações e que o Conselho Regulador abriu um procedimento de averiguações. Alberto Arons de Carvalho, professor universitário e ex-vice-presidente do Conselho Regulador, considera que foram ultrapassados os limites à liberdade de programação “com a agravante de que tudo se passou num horário acessível a crianças e adolescentes.” O caso, diz, pode justificar uma deliberação de condenação com divulgação obrigatória pelo canal — um instrumento raro mas previsto nos estatutos da ERC. Qualquer decisão nunca chegará antes de dois a três meses, uma vez que os visados ainda têm de ser ouvidos no processo.

O que este caso expõe não é apenas Cristina Ferreira. Expõe um modelo de televisão que trata crimes sexuais como entretenimento de horário da manhã, que convida comentadores sem formação específica para analisar violações em directo, e que mede o sucesso em rating — incluindo o rating gerado pela própria controvérsia. A apresentadora mais poderosa da televisão portuguesa disse o que disse. A pergunta que fica não é só sobre ela. É sobre o sistema que a deixou dizê-lo.

Heartstopper Forever — Nick e Charlie Dizem Adeus a 17 de Julho num Filme em Vez de uma Temporada

Há séries que criam comunidades. Heartstopper — a história de amor adolescente entre Nick Nelson e Charlie Spring, baseada nas graphic novels de Alice Oseman — é claramente uma delas. Desde que estreou na Netflix em Abril de 2022, tornou-se num fenómeno de representação LGBTQ+ com uma gentileza e uma autenticidade que raramente se encontram na televisão mainstream. Três temporadas, oito Emmys, e uma base de fãs que aguardou com uma paciência que raramente se vê no consumo de streaming contemporâneo. Ontem, no quarto aniversário exacto da estreia da primeira temporada, a Netflix confirmou que o fim está marcado: Heartstopper Forever chega à plataforma a 17 de Julho. 

O formato da despedida é uma decisão criativa que Oseman admitiu ter inicialmente encarado com “apreensão”. Em vez de uma quarta temporada — o que os fãs esperavam e o que parecia a continuação natural — a história vai concluir-se num único filme de longa-metragem. A razão é simples: Nick vai para a universidade, e Nick e Charlie vão enfrentar a realidade de uma relação à distância. É o momento de viragem que qualquer casal adolescente tem de atravessar — e Oseman argumentou que o formato de filme, sem a necessidade de cliffhangers episódicos ou reviravoltas semanais, permite uma narrativa mais contemplativa e atmosférica. “Toda a parte do Heartstopper pode ser elevada a uma qualidade superior para criar algo memorável, sofisticado e atmosférico”, disse a criadora.

Kit Connor e Joe Locke regressam como Nick e Charlie — e pela primeira vez servem também como produtores executivos, um reconhecimento do papel que os dois actores tiveram na construção da série além das suas performances. O restante elenco principal regressa quase na íntegra: Yasmin Finney, Will Gao, Corinna Brown, Kizzy Edgell, Tobie Donovan, Rhea Norwood. Há uma mudança de casting significativa: Olivia Colman, que interpretou a mãe de Nick nas três temporadas, não regressa — foi substituída por Anna Maxwell Martin, a actriz de Line of Duty e Philomena. Derek Jacobi junta-se ao elenco numa aparição ainda não revelada.

A realização é de Wash Westmoreland — o realizador de Still Alice e Colette, dois filmes sobre transformação identitária e sobre o custo emocional de viver fiel a si mesmo —, que traz ao projecto uma sensibilidade que é uma extensão natural do que a série sempre foi. Oseman descreveu o filme como “uma exploração do tempo, da memória, do amor, da dor, da mudança das estações, dos fins e dos começos.” É a linguagem de alguém que está a preparar uma despedida digna — não um encerramento apressado, mas um adeus que tem o espaço e a calma necessários para ser sentido.

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Justiça nas Ruas, Perigo em Casa: Anónimo T2 Chega ao TVCine Edition

Se há série europeia que nos faz questionar onde termina a justiça e começa a vingança, essa série é Anónimo. Depois de uma primeira temporada que conquistou público nos Países Baixos e rapidamente se tornou um fenómeno de culto nos canais TVCine, a produção holandesa regressa para uma segunda temporada ainda mais tensa, sombria e perigosa.

Estreia a 14 de abril, às 22h10, no TVCine Edition.

Do anonimato à liderança

Na primeira temporada, acompanhámos Jurre e Saar — um casal comum, aparentemente igual a tantos outros — a tomar decisões extremas para enfrentar o crime organizado. Agora, em Anónimo T2, a luta deixa de ser a dois. O casal assume a liderança de Anónimo, uma rede crescente de cidadãos anónimos (nunca tão bem nomeada) que se recusa a aceitar a impunidade do crime.

Mas o sucesso tem um preço. E quanto maior a visibilidade, maior o alvo nas costas.

O regresso de uma velha ameaça

O grande trunfo narrativo desta nova temporada é o regresso de Chris Cabo, um criminoso movido a vingança. A sua presença coloca Jurre e Saar sob uma pressão implacável — tanto na rua, onde lideram acções cada vez mais arriscadas, como em casa, onde tentam desesperadamente manter uma aparência de normalidade.

É essa dualidade que torna Anónimo tão fascinante. Não é apenas um thriller de ação urbana (ambientado numa Roterdão cinematográfica e contemporânea). É um estudo sobre o desgaste moral de quem decide fazer justiça com as próprias mãos.

Criador e elenco de peso

Criada por Diederik Van Rooijen (um nome de referência no suspense europeu), a série conta com as interpretações intensas de Jeroen Spitzenberger e Anniek Pheifer. Em oito episódios, a segunda temporada aprofunda os conflitos familiares, os dilemas éticos e a linha quase invisível entre herói e fora-da-lei.

Onde e quando ver

  • Estreia: 14 de abril, terça-feira, 22h10
  • Onde: TVCine Edition (e também no TVCine+)
  • Novos episódios: todas as terças-feiras, às 22h10

Se gosta de séries como The Bureau ou Gomorrah, mas sente falta de um olhar europeu mais intimista sobre o crime e a justiça — Anónimo T2 vai segurá-lo no sofá. E não o vai largar.

Ser “estrela de cinema” é sinónimo de ser mau actor? Talvez estejamos a olhar para eles mal

Há uma ideia feita de que os grandes nomes de Hollywood brilham mais pelo carisma do que pelo talento. Mas será justa? O Clube de Cinema defende o contrário: a maioria das verdadeiras estrelas também são boas — e às vezes excelentes — atrizes e atores.

É comum ouvir-se que os movie stars — aqueles nomes que, por si só, enchem salas e geram expetativa — são, muitas vezes, atores limitados. Que o seu sucesso assenta mais na aura, na imagem ou na sorte do que propriamente na qualidade interpretativa. Mas será esta a realidade ou apenas um preconceito?

Antes de mais, importa definir o que se entende por “estrela de cinema”. Não falamos do ator da moda ou daquele que protagoniza um êxito ocasional. Falamos de figuras maiores do que a vida, supernovas que comandam a atenção, forças carismáticas da natureza cuja presença muitas vezes ofusca os próprios filmes em que participam. São famosas, acima de tudo, por serem quem são.

E, neste lote restrito, a maioria são, na verdade, muito boas atrizes e atores.

Pensemos em nomes como Harrison Ford, Robert Redford, Tom Cruise, Brad Pitt, Leonardo DiCaprio, Nicole Kidman, Tom Hanks, Angelina Jolie, Denzel Washington, George Clooney, Julia Roberts, Charlize Theron, Will Smith, Matt Damon, Robert Downey Jr. ou Jennifer Lawrence. Todas elas pertencem a essa elite. E, sim, umas são melhores do que outras, mas todas são, no mínimo, “boas” no que fazem.

Claro que há exceções. Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone foram dois dos maiores ícones do seu tempo, mas nunca foram particularmente dotados como intérpretes — ainda que Stallone tenha surpreendido pela positiva em Creed (2015), revelando novos registos. Dwayne Johnson herdou o manto dos dois e, embora não vá ganhar um Óscar tão cedo, é tão bom ator quanto o cinema de ação exige que ele seja.

Talvez estas estrelas e o seu talento sejam dados como garantidos. E poucos exemplos ilustram melhor esse descuido do que Tom Cruise.

Ignorem-se os brilhantes, as controvérsias e os acrobacismos impossíveis. Tom Cruise é um ator extraordinário. Sempre foi. Ao longo de uma carreira de três décadas, Cruise provou ser tão bom quanto qualquer outro da sua geração.

Basta percorrer o seu currículo para encontrar atuações de altíssimo nível em praticamente todos os géneros:

  • Drama — Magnolia (1999)
  • Comédia — Tropic Thunder (2008)
  • Ação — Edge of Tomorrow (2014)
  • Ficção Científica — Minority Report (2002)
  • Crime — Collateral (2004)
  • Guerra — Nascido a 4 de Julho (1989)
  • Épico/Época — O Último Samurai (2003)

E no topo de tudo, Jerry Maguire (1996), onde Cruise oferece uma das melhores interpretações de sempre num papel principal. Tom Cruise, o ator, não recebe o crédito que merece. E isso vale para muitas outras estrelas.

Talvez por isso surja a pergunta: “Que estrelas de Hollywood são atrizes ou atores decentes ou mesmo bons?” A resposta, para quem olha com atenção, é simples: quase todas.

Ralph Fiennes acredita que o “navio já partiu” para repetir Voldemort na série da HBO, mas sugere Tilda Swinton

“Acho que ela seria fantástica”, diz o ator britânico, que admite que o tempo para o seu regresso já passou.

Ralph Fiennes, o icónico intérprete de Lord Voldemort na saga cinematográfica Harry Potter, revelou que o “navio já partiu” no que diz respeito a uma possível reprisação do papel na nova série da HBO. Durante uma participação no programa The Claudia Winkleman Show, exibido na sexta-feira à noite, o ator foi questionado sobre os rumores que envolvem a produção e quem poderá dar vida ao Senhor das Trevas na versão televisiva.

“Lembro-me de me terem perguntado, depois de termos filmado toda a série de filmes, se eu reprisaria o papel — e isto foi há alguns anos. Eu disse: ‘Sim, adorava'”, confessou Fiennes. “Mas depois nada aconteceu e acho que esse navio já partiu.”

No entanto, o ator deixou no ar uma sugestão entusiástica: “Mas digo-vos uma coisa: a Tilda Swinton foi mencionada algures como possível candidata, e acho que ela seria fantástica.”

O nome de Swinton tem sido apontado nos círculos de rumor como uma das opções para interpretar Voldemort, ao lado de Cillian Murphy. Contudo, o ator de Oppenheimer e Peaky Blinders já veio desmentir essas especulações.

“Não sei nada disso”, afirmou Murphy no podcast Happy Sad Confused, de Josh Horowitz. “Além disso, é muito difícil seguir qualquer coisa que Ralph Fiennes faça. Ele é uma lenda absoluta da representação, por isso boa sorte para quem quer que vá calçar esses sapatos.”

Curiosamente, Fiennes já tinha manifestado o seu apoio a Murphy para o papel, em dezembro de 2024, durante uma conversa com Andy Cohen no Watch What Happens Live: “O Cillian é um ator fantástico. É uma sugestão maravilhosa. Eu seria totalmente a favor do Cillian. Sim.”

A primeira temporada da série Harry Potter da HBO tem estreia prevista para este Natal, e as expetativas são altíssimas. A nova adaptação promete explorar os livros de J.K. Rowling com maior profundidade narrativa, algo que um formato seriado permite ao contrário da saga de cinema.

Resta agora saber se os fãs verão Tilda Swinton empunhar a varinha de teixo e penas de fénix — ou se o papel ficará para outro nome. Uma coisa é certa: a bênção de Ralph Fiennes já foi dada.

Hunger Games: Sunrise on the Reaping revela primeiras imagens e elenco de luxo

Elle Fanning, Kieran Culkin e Ralph Fiennes lideram a nova prequela da saga, que chega aos cinemas em novembro.

A Lionsgate revelou esta sexta-feira as primeiras imagens de The Hunger Games: Sunrise on the Reaping, o mais recente capítulo da saga baseada nos livros de Suzanne Collins. O teaser, aguardado com enorme expetativa pelos fãs da franquia, confirma um elenco de luxo e promete revisitar o universo distópico de Panem com novas — e velhas — figuras emblemáticas.

Entre os nomes revelados no vídeo estão Elle Fanning como Effie Trinket, Kieran Culkin como Caesar Flickerman, Jesse Plemons como Plutarch Heavensbee, Kelvin Harrison Jr. como Beetee Latier, Ralph Fiennes como o Presidente Coriolanus Snow, Lili Taylor como Mags Flanagan, Joseph Zada como Haymitch Abernathy e Maya Hawke como Wiress.

O realizador Francis Lawrence — que já dirigiu vários títulos da saga — regressa atrás das câmaras, desta vez com um argumento de Billy Ray, adaptado do romance homónimo de Suzanne Collins. O filme chega às salas de cinema a 20 de novembro, consolidando-se como a mais recente adição a uma franquia que ultrapassou os 3,3 mil milhões de dólares em bilheteira mundial.

O elenco inclui ainda Glenn Close, Mckenna Grace, Billy Porter, Ben Wang, Whitney Peak e Iris Apatow, num leque de nomes que promete elevar ainda mais a fasquia da série.

Sunrise on the Reaping decorre na manhã da ceifa para os 50.º Jogos da Fome, 24 anos antes dos eventos do primeiro livro, publicado em 2008. A história centra-se em Haymitch Abernathy (interpretado por Joseph Zada), numa altura em que Panem ainda se ressente das cicatrizes da guerra e o Capitólio reforça o seu domínio.

Em novembro do ano passado, o The Hollywood Reporter avançou que Jennifer Lawrence e Josh Hutcherson vão voltar a interpretar os seus papéis como Katniss Everdeen e Peeta Mellark, respetivamente. A última vez que os dois atores integraram a saga foi em The Hunger Games: Mockingjay — Parte 2 (2015), que terminava com o casal já casado e com filhos. Jennifer Lawrence foi recentemente nomeada para um Globo de Ouro pelo seu papel em Die My Love, enquanto Hutcherson protagonizou Five Nights at Freddy’s 2.

O novo filme é uma sequela direta de The Hunger Games: The Ballad of Songbirds & Snakes (2023), protagonizado por Rachel Zegler, Tom Blyth e Hunter Schafer. A produção fica a cargo de Nina Jacobson e Brad Simpson, da Color Force, com Cameron MacConomy como produtor executivo.

As primeiras reações ao teaser sugerem um tom mais sombrio e maduro, alinhado com o momento político e emocional dos 50.º Jogos da Fome — os chamados “Jogos do Centésimo Massacre”, que na história da saga ficaram conhecidos pelo dobro do número de tributos e por um vencedor inesperado.

Até novembro, que a sorte esteja sempre do vosso lado.

“Estamos a juntar a banda outra vez”: David E. Kelley dá novidades sobre a 3.ª temporada de Big Little Lies

A aguardada terceira temporada do fenómeno da HBO continua a ganhar forma, com o criador da série a prometer um regresso em grande.

David E. Kelley, o criador de Big Little Lies e membro do Television Academy Hall of Fame, concedeu uma pequena — mas animadora — atualização sobre o estado da tão desejada terceira temporada da série da HBO. Numa entrevista recente à revista People, Kelley revelou que, embora não esteja “autorizado” a adiantar pormenores específicos, os fãs podem esperar um reencontro com as mães da pacata comunidade à beira-mar.

“Estamos a juntar a banda outra vez. E deve ser uma boa corrida”, afirmou o argumentista e produtor, vencedor de 11 prémios Emmy.

Em setembro do ano passado, o Deadline avançou em exclusivo que a terceira temporada seria escrita e produzida por Francesca Sloane, cocriadora, produtora executiva e showrunner de Mr. & Mrs. Smith. A contratação de Sloane insere-se num contrato exclusivo de dois anos com a HBO, representando um avanço significativo para a produção, que continua em desenvolvimento.

Esta novagem surge depois de Casey Bloys, presidente e CEO da HBO e HBO Max Content, ter afirmado, em 2024, que a equipa aguardava pelo livro sequela da autora Liane Moriarty antes de avançar com a nova temporada. A continuação do romance que inspirou a série chega às livrarias a 25 de agosto deste ano e apresenta um salto temporal de dez anos, encontrando as protagonistas como mães de adolescentes.

“Desde o início, por causa da série, falava-se em escrever uma sequela, mas eu nunca estive interessada imediatamente porque se submete as personagens a tanta coisa que não me fazia sentido escrever algo que se seguisse diretamente”, explicou Moriarty ao USA Today. “Um salto temporal sempre fez sentido para mim.”

A série, que acompanha um quinteto de mulheres em Monterey, Califórnia, envolvidas numa investigação de homicídio, foi um fenómeno de crítica e público. A primeira temporada conquistou oito dos 16 Emmy a que estava nomeada.

O elenco original — composto por Reese Witherspoon, Nicole Kidman, Zoë Kravitz, Laura Dern e Shailene Woodley — é dado como certo para o regresso, bem como nomes como Alexander Skarsgård, Adam Scott, James Tupper e Jeffrey Nordling. Meryl Streep juntou-se ao elenco na segunda temporada.

Enquanto os fãs aguardam por mais novidades sobre o regresso de Monterey, Kelley prepara a estreia de Margo’s Got Money Troubles, uma nova série para a Apple TV, com Elle Fanning, Michelle Pfeiffer e Nick Offerman, que chega às plataformas a 15 de abril.

Há um filme que já conquistou Portugal… e agora regressa para provar porquê

“Gabriela” volta à televisão e continua tão provocadora, livre e irresistível como sempre

Há histórias que não envelhecem — apenas ganham mais sabor com o tempo. Gabriela é uma delas. E não é preciso muito para perceber porquê: basta regressar à Ilhéus dos anos 20, onde o calor, o cacau e os desejos mal escondidos se misturam numa combinação que continua a funcionar décadas depois.

Realizado por Bruno Barreto e baseado no universo literário de Jorge Amado, este clássico de 1983 regressa agora à televisão portuguesa numa exibição especial no TVCine Edition, no dia 29 de março às 22h00  . E sim, continua a ser daqueles filmes que se vêem como quem abre uma garrafa de vinho — sem pressa, mas com prazer.

No centro de tudo está Gabriela, interpretada por Sônia Braga num daqueles papéis que não se esquecem. Não porque seja apenas sensual — isso seria redutor — mas porque é livre. Radicalmente livre. Chega à cidade sem passado que a prenda nem futuro que a limite, e isso, num lugar governado por regras não escritas e homens com demasiado poder, é quase um acto revolucionário.

Quando começa a trabalhar para Nacib, vivido por Marcello Mastroianni, o que parecia ser apenas mais uma história de atração transforma-se lentamente em algo mais desconfortável — e muito mais interessante. Porque o problema nunca foi a paixão. Foi tudo o que vem com ela.

Nacib quer Gabriela, mas também quer moldá-la. Quer o encanto… mas dentro de limites. E é aí que o filme encontra a sua verdadeira força: no confronto entre o desejo de posse e a impossibilidade de controlar alguém que simplesmente não nasceu para obedecer.

À volta desta relação, desenha-se um retrato mais amplo de uma sociedade em transformação. Ilhéus não é apenas um cenário exótico — é um campo de batalha subtil, onde tradição, poder económico e mudança social colidem constantemente. Há coronéis, intrigas políticas, jogos de influência… mas, no meio de tudo isso, é uma mulher que desorganiza o sistema.

E fá-lo sem discursos. Sem grandes gestos. Apenas sendo quem é.

É precisamente essa naturalidade que faz de Gabriela um filme tão eficaz ainda hoje. Não tenta impor uma mensagem — deixa-a emergir. E talvez por isso continue a ser relevante: porque fala de liberdade, de identidade e de desejo de uma forma que não precisa de ser explicada.

Para o público português, há ainda uma camada extra de nostalgia. Antes deste filme, Gabriela, Cravo e Canela já tinha sido um fenómeno televisivo em 1977, tornando-se a primeira telenovela exibida em Portugal e marcando uma geração inteira  . Esta versão cinematográfica não substitui essa memória — mas dialoga com ela.

E isso torna este regresso ainda mais interessante.

Porque no fim de contas, Gabriela não é apenas uma história sobre amor ou sensualidade. É uma história sobre aquilo que acontece quando alguém recusa jogar pelas regras — e, sem pedir licença, muda tudo à sua volta.

E há poucas coisas mais perigosas — ou mais fascinantes — do que isso.

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Alejandro Amenábar regressa com uma história real que moldou o autor de “Dom Quixote”

Há figuras tão grandes na história da literatura que acabam por se tornar quase míticas. Miguel de Cervantes é uma delas. Mas antes de escrever Dom Quixote, houve um homem real — ferido, capturado e colocado à prova em circunstâncias extremas.

É precisamente esse capítulo menos conhecido que Cervantes: Antes de Dom Quixote leva agora ao cinema, com estreia marcada para 9 de Abril em Portugal  .

Uma história real digna de ficção

O filme transporta-nos até 1575, num momento decisivo da vida de Cervantes. Após uma batalha naval, o jovem soldado é capturado por corsários otomanos e levado para Argel, onde permanece prisioneiro.

Longe de qualquer ideia romantizada, este é um cenário de dor, incerteza e sobrevivência. Ferido e à espera de resgate, Cervantes encontra uma forma improvável de resistir: começa a contar histórias.

Histórias de aventura, de coragem, de mundos maiores do que as paredes da prisão.

E, pouco a pouco, essas narrativas tornam-se mais do que entretenimento — tornam-se um acto de resistência.

A imaginação como fuga — e como arma

Interpretado por Julio Peña, este jovem Cervantes ainda está longe de ser o nome que a história consagraria. Mas já carrega algo essencial: a capacidade de transformar sofrimento em narrativa.

As histórias que conta não só mantêm viva a esperança entre os companheiros de cativeiro, como acabam por chamar a atenção de Alessandro Borghi, que interpreta Hasan Paxá, o poderoso governante de Argel.

Este detalhe acrescenta uma camada inesperada ao filme: a palavra como ponte entre mundos opostos — e, simultaneamente, como instrumento de sobrevivência.

O regresso de um nome maior do cinema europeu

À frente do projecto está Alejandro Amenábar, vencedor do Óscar por Mar Adentro e responsável por obras como The Others e Agora.

Com Cervantes: Antes de Dom Quixote, Amenábar regressa a um território que domina bem: histórias intimistas com forte contexto histórico, onde o espectáculo nunca se sobrepõe à dimensão humana.

Aqui, o foco não está apenas na reconstituição de época, mas na construção de um retrato emocional — o momento em que um homem começa, sem saber, a tornar-se um autor.

Entre épico e intimidade

O filme equilibra dois registos distintos.

Por um lado, há a escala histórica: batalhas, capturas, o ambiente político e cultural do século XVI. Por outro, há um olhar mais próximo, quase silencioso, sobre o impacto psicológico do cativeiro e sobre a necessidade de criar para sobreviver.

Essa dualidade é, aliás, o grande trunfo da narrativa.

Porque, no fundo, esta não é apenas a história de um prisioneiro.

É a história de como nasce uma voz.

Uma origem que redefine o mito

Sabemos o que Cervantes viria a escrever. Sabemos a importância de Dom Quixote na literatura mundial.

Mas este filme propõe algo diferente: olhar para trás e perceber como essas ideias começaram a ganhar forma.

Como a adversidade molda a criatividade.

Como a imaginação pode ser um refúgio — e, ao mesmo tempo, um acto de resistência.

Estreia em Portugal

Distribuído pela NOS Audiovisuais, Cervantes: Antes de Dom Quixote chega às salas portuguesas a 9 de Abril, trazendo consigo uma história real que parece saída de um romance — e que ajuda a compreender melhor um dos maiores escritores de sempre  .

Porque antes do cavaleiro da triste figura…

houve um homem a lutar para não desaparecer.

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“Os Incríveis 3” já tem data de estreia e marca o regresso de uma das famílias mais icónicas da Pixar

A Pixar confirmou oficialmente aquilo que muitos fãs aguardavam: Os Incríveis 3 já tem data de estreia marcada. O novo capítulo da saga chegará aos cinemas a 16 de Junho de 2028, assinalando o regresso de uma das franquias mais populares do estúdio.

O anúncio foi feito durante um evento para accionistas da Disney, reforçando a aposta contínua da empresa em propriedades já consolidadas, numa altura em que a animação volta a assumir um papel central na estratégia do grupo.

Um regresso pensado há vários anos

A possibilidade de um terceiro filme não é recente. Os Incríveis 3 entrou no radar público em Agosto de 2024, durante a D23, onde foi confirmada a participação de Brad Bird — o criador da saga — ainda que sem muitos detalhes sobre o desenvolvimento.

Bird volta a assumir um papel central, agora como produtor, ao lado de Dana Murray, vencedora de um Óscar por Soul. A ligação ao universo da série mantém-se sólida, garantindo continuidade criativa numa franquia que sempre se distinguiu pelo equilíbrio entre acção, humor e comentário social.

Outro nome relevante é o de Peter Sohn, colaborador habitual de Bird. A relação entre ambos não é nova: Sohn esteve envolvido em praticamente todos os projectos do realizador, incluindo contribuições vocais em filmes como Ratatouille e Lightyear. Essa cumplicidade criativa poderá ser determinante para o tom do novo filme.

Um fenómeno com peso na história da animação

Os dois primeiros filmes de Os Incríveis não são apenas sucessos comerciais — são também marcos dentro da própria Pixar. No total, ultrapassaram os 1,8 mil milhões de dólares em bilheteira mundial, confirmando o apelo transversal da saga.

Mais do que números, o impacto mede-se na forma como a série conseguiu cruzar o universo dos super-heróis com dinâmicas familiares, algo relativamente raro quando o primeiro filme estreou, em 2004.

Nesse primeiro capítulo, conhecemos a família Parr, forçada a viver na sombra após a sociedade rejeitar os super-heróis. A narrativa acompanhava o regresso de Bob Parr à acção e a consequente reunião da família — Helena, Violeta e Flecha — numa missão que rapidamente se transformava numa afirmação do valor da união.

Já Os Incríveis 2 aprofundou essa dinâmica, invertendo os papéis e colocando Helena no centro da acção, enquanto Bob enfrentava os desafios da vida doméstica. O filme introduziu também uma camada de crítica contemporânea, através de um vilão que explorava a dependência tecnológica e a manipulação mediática.

O que esperar do terceiro filme?

Para já, os detalhes sobre a história de Os Incríveis 3 permanecem escassos. No entanto, há alguns pontos que parecem claros.

Por um lado, será difícil ignorar a evolução das personagens, sobretudo tendo em conta o potencial ainda por explorar de Zezé, cujos poderes continuam a ser imprevisíveis. Por outro, a saga tem mostrado uma tendência crescente para integrar temas sociais actuais — algo que poderá ganhar ainda mais peso neste novo capítulo.

A grande questão será perceber se a Pixar opta por expandir o universo — eventualmente introduzindo novos heróis — ou se mantém o foco na dinâmica familiar que sempre foi o coração da história.

O anúncio de Os Incríveis 3 confirma aquilo que já parecia inevitável: a Pixar continua a apostar nas suas propriedades mais fortes, mas com a responsabilidade de as fazer evoluir.

Mais do que uma simples continuação, este terceiro filme terá de justificar a sua existência — não apenas em termos comerciais, mas também criativos.

Se conseguir manter o equilíbrio entre espectáculo e emoção que definiu os anteriores, poderá voltar a provar que, neste universo, o verdadeiro superpoder nunca foi a força ou a velocidade.

Sempre foi a família.

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As canções que definem “Peaky Blinders”: Cillian Murphy revela a banda sonora da alma de Tommy Shelby 

Há séries que se vêem. E depois há aquelas que se sentem — que ficam no corpo, no ritmo, na memória. Peaky Blinderspertence claramente a esse segundo grupo. E muito disso deve-se à sua identidade sonora, tão marcante quanto os fatos, os diálogos ou o olhar impenetrável de Tommy Shelby.

Agora, com a chegada de Peaky Blinders: The Immortal Man à Netflix, Cillian Murphy decidiu abrir uma porta rara para o universo da série: revelou as canções que, para si, melhor captam a essência da história e da sua personagem.

E, como seria de esperar, não estamos a falar de uma simples playlist. Estamos a falar de uma declaração de intenções.

Uma banda sonora feita de sombras, intensidade e rebeldia

Entre as escolhas, destaca-se imediatamente ‘War Pigs’, dos Black Sabbath — uma música que Murphy descreve como “fenomenal”. Não é difícil perceber porquê. Há uma crueza, uma energia quase violenta, que encaixa na perfeição no mundo brutal e impiedoso dos Shelby.

Murphy vai mais longe e estabelece um paralelismo curioso: Tommy Shelby e Ozzy Osbourne partilham algo essencial — uma rebeldia quase visceral, uma forma de estar à margem, mesmo quando estão no centro de tudo.

Outra escolha que diz muito sobre o tom da série é ‘You Want It Darker’, de Leonard Cohen. Aqui, o actor toca no coração da questão: Peaky Blinders é, acima de tudo, uma história sombria — mas também profundamente elegante. Tal como a canção, move-se entre a escuridão e a beleza.

Entrar na pele de Tommy Shelby

Para Murphy, há uma música em particular que funciona quase como um ritual de transformação: ‘The Eraser’, de Thom Yorke. É com ela que encontra o tom, o ritmo interno da personagem.

Não é apenas uma escolha estética — é quase um método.

Já ‘Mandika’, de Sinéad O’Connor, surge associada a uma das figuras mais marcantes da série: Polly Gray. Murphy vê na cantora a mesma ferocidade e coragem que definem a personagem. Uma ligação emocional, mais do que musical.

Bowie, Shelby e uma ligação improvável

Mas é com David Bowie que surge um dos momentos mais pessoais deste relato.

A escolha de ‘Lazarus’, incluída no álbum Blackstar, não é apenas simbólica — é íntima. Murphy revela que Bowie era fã da série desde cedo, numa altura em que ainda não tinha conquistado o reconhecimento global.

Mais do que isso: chegaram a trocar palavras sobre Peaky Blinders. E há um gesto que diz tudo — Murphy enviou-lhe a boina icónica de Tommy Shelby, com a lâmina incluída. Bowie respondeu com uma fotografia a usá-la.

Um objecto. Um gesto. Uma memória que ficou.

Muito mais do que música

A banda sonora de Peaky Blinders nunca foi apenas um complemento. É parte da identidade da série — uma extensão emocional das personagens e do mundo que habitam.

As escolhas de Cillian Murphy confirmam isso mesmo: cada música ajuda a construir Tommy Shelby. Cada som contribui para a tensão, para o silêncio, para o peso das decisões.

E agora, com Peaky Blinders: The Immortal Man, essa ligação ganha nova vida.

Quatro anos depois do fim da série, Tommy regressa. E, ao que tudo indica, a música continuará a ser uma das suas armas mais poderosas.

Há algo de profundamente adequado no facto de Murphy escolher estas canções para definir Peaky Blinders. Nenhuma é óbvia. Nenhuma é leve. Todas carregam densidade, história, conflito.

Tal como a própria série.

E talvez seja isso que faz de Peaky Blinders algo especial: não é apenas o que vemos — é o que ouvimos… e o que sentimos entre cada silêncio.

Super Mario Galaxy: O Filme — Quando Mario deixa o chão… e o cinema cresce com ele 
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Super Mario Galaxy: O Filme — Quando Mario deixa o chão… e o cinema cresce com ele 🚀🍄

Depois de conquistar o mundo em 2023, Mario regressa ao cinema com uma ambição clara: deixar de ser apenas um fenómeno nostálgico e tornar-se num verdadeiro universo cinematográfico. Super Mario Galaxy: O Filme não é só uma sequela — é uma mudança de escala.

Desta vez, a história afasta-se do Reino Cogumelo e leva-nos para o espaço, num cenário muito mais vasto e imprevisível. Inspirado diretamente nos jogos Super Mario Galaxy, o filme coloca Mario, Luigi e companhia numa viagem por planetas e galáxias, onde cada mundo tem regras próprias e uma identidade visual distinta.  

Depois de conquistar o mundo em 2023, Mario regressa ao cinema com uma ambição clara: deixar de ser apenas um fenómeno nostálgico e tornar-se num verdadeiro universo cinematográfico. Super Mario Galaxy: O Filme não é só uma sequela — é uma mudança de escala.

Desta vez, a história afasta-se do Reino Cogumelo e leva-nos para o espaço, num cenário muito mais vasto e imprevisível. Inspirado diretamente nos jogos Super Mario Galaxy, o filme coloca Mario, Luigi e companhia numa viagem por planetas e galáxias, onde cada mundo tem regras próprias e uma identidade visual distinta.  

E isso muda tudo.

Se o primeiro filme funcionava como uma introdução — quase uma carta de amor aos fãs — este parece querer ir mais longe, com uma narrativa mais expansiva e um tom mais épico. A presença de personagens como Rosalina e Bowser Jr. reforça essa ideia de crescimento e de aposta num universo mais rico e interligado.  

Mas há um elemento que, para o público português, continua a ser absolutamente decisivo: a dobragem.

Uma dobragem portuguesa que dá identidade ao filme

Tal como no primeiro filme, a versão portuguesa volta a apostar na continuidade — e isso nota-se. Luís Barros regressa como Mario, acompanhado por Eduardo Frazão (Luigi), Laura Dutra (Peach), Pedro Bargado (Bowser) e Alexandre Carvalho (Toad), entre outros.  

Mais do que nomes, é a consistência que faz a diferença. As vozes já são reconhecíveis, já fazem parte da experiência, e isso ajuda a criar uma ligação imediata com o público. Não soa a “versão alternativa” — soa a versão nossa.

Num país onde a dobragem em animação é dominante, este detalhe não é menor. Pelo contrário: é muitas vezes o que transforma um filme divertido numa experiência memorável para famílias inteiras.

Um passo lógico… mas arriscado

Levar Mario para o espaço faz todo o sentido do ponto de vista criativo. Os jogos Galaxy são dos mais celebrados da saga precisamente por essa liberdade visual e mecânica.

Mas no cinema, essa mesma liberdade pode ser um risco. Um mundo demasiado fragmentado pode tornar a narrativa dispersa — e o desafio do filme será precisamente equilibrar espectáculo com coesão.

Ainda assim, há sinais positivos. A equipa criativa mantém-se — com Aaron Horvath e Michael Jelenic na realização e Matthew Fogel no argumento — e isso garante continuidade no tom e na abordagem.  

E depois há a ambição. Este não é um filme feito “para cumprir calendário”. É um filme feito para crescer.

Mais do que Mario

O mais interessante em Super Mario Galaxy: O Filme talvez não seja apenas o que mostra… mas o que sugere.

O espaço abre portas. A novas personagens. A novas histórias. A possíveis cruzamentos com outras propriedades da Nintendo.

E pela primeira vez, isso começa a parecer real.

Se o primeiro filme provou que Mario podia funcionar no cinema, este pode ser o momento em que percebemos que o universo Nintendo pode mesmo tornar-se algo maior.

Super Mario Galaxy: O Filme tem um desafio simples de enunciar — mas difícil de cumprir: ser maior, melhor e mais ousado do que o anterior.

Tem a vantagem da base construída.

Tem a força de uma marca global.

E tem, acima de tudo, a liberdade criativa que o espaço permite.

Agora resta saber se consegue fazer aquilo que os melhores filmes fazem: transformar ambição em algo memorável.

Se conseguir… Mario não vai apenas conquistar galáxias.

Vai consolidar-se como uma das maiores franquias do cinema moderno.

Um paraíso que se transforma num pesadelo: “Éden” chega ao TVCine com um elenco de luxo
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Uma despedida que deixa marca: elenco de Buffy homenageia Nicholas Brendon