O Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) abre a sua 51ª edição já esta quinta-feira, dia 10 de setembro, e a escolha do filme de abertura diz muito sobre a direção que o festival quer imprimir este ano: em vez de uma superprodução ou de um drama de prestígio mais previsível, o TIFF decidiu abrir com “Being Heumann”, um retrato biográfico de Judith Heumann, a lendária ativista pelos direitos das pessoas com deficiência, realizado por Sian Heder, a cineasta que conquistou o Óscar de Melhor Filme com “Coda” em 2022.
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“Being Heumann”, produção da Apple Original Films, é uma adaptação das memórias da própria Heumann, “Being Heumann: An Unrepentant Memoir of a Disability Rights Activist”, e centra-se num dos episódios mais determinantes da história dos direitos civis nos Estados Unidos: em 1977, Judith Heumann liderou mais de cem pessoas com deficiência numa ocupação do edifício federal de São Francisco, exigindo que o governo aplicasse finalmente a secção da Lei de Reabilitação que obrigava todos os espaços federais a tornarem-se acessíveis. A ocupação, que se prolongou por 28 dias, continua a ser a mais longa tomada de um edifício federal na história dos Estados Unidos, e o filme promete recriar essa tensão com o equilíbrio entre urgência política e humor que já tinha caracterizado o trabalho de Heder em “Coda”.
Ruth Madeley interpreta Heumann, liderando um elenco que inclui Mark Ruffalo, no papel de Joseph Califano, o secretário de Saúde, Educação e Bem-Estar da administração Carter que se tornou o principal obstáculo político à ocupação, além de Dylan O’Brien, Rob Delaney, Ray Fisher e Michael Patrick Thornton. Heder escreveu o argumento juntamente com Rebekah Taussig, e a estreia mundial acontece na noite de abertura, no Roy Thomson Hall, um dos palcos mais simbólicos do festival canadiano.
Se a abertura aposta na biografia política, o encerramento vira-se para a paixão pela velocidade: a 51ª edição do TIFF fecha a 19 de setembro com “Villeneuve: The Rise of a Legend”, de Yan Lanouette Turgeon, um drama biográfico sobre os primeiros anos de carreira do piloto canadiano de Fórmula 1 Gilles Villeneuve, com Remi Goulet no papel do lendário corredor. O filme acompanha a ascensão de Villeneuve ao lugar entre a elite do desporto automóvel, terminando antes da sua trágica morte em Zolder, em 1982, e serve também como uma homenagem ao facto de o TIFF, este ano, dar particular destaque ao cinema e aos talentos canadianos na sua programação de galas e apresentações especiais.
Entre a abertura e o encerramento, o festival promete um tapete vermelho de peso, com a presença confirmada de nomes como Margaret Qualley, Naomi Watts, Cynthia Erivo, Helen Mirren, Riz Ahmed e Chase Infiniti. A programação de galas inclui ainda “Misty Green”, de Chris Rock, “I Play Rocky”, de Peter Farrelly, e o documentário “Man in Motion: The Rick Hansen Story”, sobre a viagem de 40 mil quilómetros em cadeira de rodas do ativista canadiano Rick Hansen, reforçando novamente essa aposta em histórias de superação e ativismo que parece atravessar boa parte da seleção deste ano.
O festival decorre até 20 de setembro, com o mercado de cinema a funcionar até 16 de setembro, consolidando Toronto, mais uma vez, como um dos primeiros grandes termómetros da temporada de prémios que se segue, imediatamente depois de Veneza e antes da corrida final rumo aos Óscares.



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