Disney+ em Maio: o Justiceiro regressa, Stanley Tucci volta a Itália e os anos 80 de “Rivals” chegam a Portugal

Maio no Disney+ é um mês generoso para gostos muito diferentes — o que, na prática, é a melhor notícia possível para quem partilha uma conta com pessoas que não concordam em nada à hora de escolher o que ver.

O destaque mais inesperado é O Justiceiro: Uma Última Morte, disponível a 13 de Maio. Depois de anos de silêncio sobre o futuro de Frank Castle no universo Marvel, a plataforma lança uma apresentação especial da Marvel Television que recoloca Jon Bernthal no papel que definiu a sua versão do anti-herói: enquanto Castle procura um sentido para além da vingança, uma força inesperada traz-o de volta à luta. A formulação é deliberadamente vaga — a Marvel aprendeu a guardar os seus segredos — mas para os fãs de Bernthal neste papel, é suficiente para marcar a data.

A 15 de Maio chega a segunda temporada de Rivals, a adaptação do romance de Jilly Cooper que conquistou uma base de fãs considerável com a primeira temporada. A batalha pela concessão televisiva da região Central South West atinge novos níveis de brutalidade: Tony Baddingham está mais implacável do que nunca, casamentos desmoronam-se sob o peso da ambição e segredos há muito enterrados voltam à superfície com consequências explosivas. É o tipo de drama de época dos anos 80 — excessivo, glamouroso e completamente sem remorsos — que raramente é feito com esta qualidade.

A 12 de Maio, Stanley Tucci regressa a Itália para uma segunda temporada de Tucci em Itália. Desta vez visita cinco novas regiões, incluindo As Marcas — uma das menos turistificadas do país — e mergulha na controvérsia sobre as origens do tiramisu no Véneto, celebra uma casta de uva esquecida na Campânia e explora a relação entre gastronomia e longevidade na Sardenha. É exactamente o programa que parece feito para ser visto ao jantar de domingo, com algo italiano no prato.

Para completar o mês, a 28 de Maio estreia a segunda temporada de Deli Boys — a comédia de crime sobre dois irmãos que herdaram um império do crime sem saber como geri-lo, agora afogados em dinheiro sujo com os criminosos mais suspeitos da Filadélfia à espreita. E a 1 de Maio chega ao catálogo A Melhor Despedida de Solteira — o clássico de 2011 com Kristen Wiig, Melissa McCarthy e Maya Rudolph, que quinze anos depois continua a ser uma das comédias mais bem escritas da sua geração.

Uma nota para os mais novos da casa: a 20 de Maio chegam novos episódios de Bluey Curtas, a colecção de curtas de um a três minutos com Bluey e Bingo que os pais de crianças pequenas conhecem muito bem — e que os próprios miúdos pedem com uma insistência que desafia qualquer argumento.

E já que o mês começa no Dia de Star Wars — 4 de Maio, May the 4th be with you — o Disney+ aproveita para lembrar que todos os filmes da saga estão disponíveis na plataforma, com o último episódio da primeira temporada de Star Wars: Maul — Senhor da Sombra a estrear exactamente nesse dia.

“Mission: Impossible — The Final Reckoning” está no Prime Video e Tom Cruise merece uma despedida em condições
“Paper Tiger” de James Gray completa Cannes 2026: Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller na mafia russa e no sonho americano

“Mission: Impossible — The Final Reckoning” está no Prime Video e Tom Cruise merece uma despedida em condições

Há filmes que chegam ao streaming de forma silenciosa e merecem mais do que isso. Mission: Impossible — The Final Reckoning, o oitavo e último filme da saga de Ethan Hunt, estreou nos cinemas em Maio de 2025, chegou ao Prime Video a 3 de Abril e está disponível em Portugal desde então — sem grandes anúncios, sem campanha de regresso, apenas ali, à espera.

O filme divide a crítica de forma invulgar para um blockbuster desta escala. Com 78% no Rotten Tomatoes, há quem o considere uma conclusão digna de trinta anos de missões impossíveis — o Guardian deu-lhe cinco estrelas, a Rolling Stone chamou-lhe “o fim de uma era” — e quem o ache demasiado longo, demasiado expositivo e estruturalmente inferior a Fallout, o ponto alto da série. O que ninguém contesta é Tom Cruise: aos 62 anos, o actor continua a fazer as suas próprias acrobacias, desta vez incluindo uma sequência subaquática que exigiu meses de preparação e uma cena num avião que redefine o que se entende por “filmado em condições reais”.

O elenco de regresso inclui Ving Rhames, Simon Pegg, Hayley Atwell e Pom Klementieff. Angela Bassett interpreta a Presidente dos Estados Unidos. Henry Czerny regressa do filme original de 1996 numa função crucial para o segundo acto. A premissa continua a partir de Dead Reckoning: a Entidade — uma inteligência artificial rogue com capacidade de controlar sistemas nucleares globais — ameaça a sobrevivência da civilização, e Ethan Hunt é, uma vez mais, a única pessoa disposta a fazer o que é necessário.

É um filme imperfeito. É também, muito provavelmente, o último de um tipo de blockbuster que deixará de existir quando Cruise decidir parar — cinema de acção filmado em localizações reais, com stunts reais, por um actor que recusa o greenscreen por princípio. Por essa razão, e independentemente das suas imperfeições, The Final Reckoning merece ser visto. Está no Prime Video. Não há desculpa.

“Paper Tiger” de James Gray completa Cannes 2026: Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller na mafia russa e no sonho americano
“Victorian Psycho”: Maika Monroe é uma governanta perturbadora numa mansão gótica — e é um dos filmes mais aguardados de Cannes
Na Hong-jin regressa com “Hope” dez anos depois — e desta vez entra pela primeira vez em Competição em Cannes

“Paper Tiger” de James Gray completa Cannes 2026: Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller na mafia russa e no sonho americano

James Gray tem uma relação de décadas com Cannes — We Own the NightTwo LoversThe ImmigrantArmageddon Time passaram todos pela Croisette em Competição — mas nunca ganhou a Palma de Ouro. Paper Tiger, o seu novo filme, completa os 22 títulos da Competição Oficial de 2026 e é, à partida, uma das candidaturas mais sólidas ao prémio principal. E chegou a Cannes de forma tortuosa: Thierry Frémaux admitiu publicamente que estava à sua espera quando anunciou a selecção a 9 de Abril, e o filme só entrou na lista oficial duas semanas depois, após a resolução de questões contratuais.

A história centra-se em dois irmãos — interpretados por Adam Driver e Miles Teller — que tentam alcançar o sonho americano e acabam enredados num esquema demasiado bom para ser verdade, terrorizado pela máfia russa. Scarlett Johansson completa o trio principal num papel ainda não revelado. A premissa é um regresso claro ao Gray mais genre — o realizador de The Yards e We Own the Night, que começou a carreira no thriller urbano antes de se tornar num autor de prestígio com The Immigrant e Ad Astra. Frémaux descreveu-o como “um filme muito James Gray, muito indie” — formulação que os fãs do realizador reconhecerão imediatamente como um elogio.

O elenco tem uma história própria que vale contar: Anne Hathaway e Jeremy Strong estavam originalmente ligados ao projecto e saíram por incompatibilidades de agenda. A substituição por Johansson e Teller não foi um recuo — foi uma reconfiguração que reuniu Driver e Johansson pela primeira vez desde Marriage Story de Noah Baumbach (2019), o filme que valeu a ambos nomeações ao Óscar. Gray nunca tinha trabalhado com nenhum dos três actores, o que torna este Paper Tiger num filme de primeiras vezes em vários sentidos.

A Neon — a distribuidora por detrás dos últimos seis vencedores da Palma de Ouro, incluindo Parasita e Anatomia de uma Queda — adquiriu os direitos norte-americanos, o que é o sinal mais claro possível de que o filme chega a Cannes com expectativas sérias. Gray será um dos dois realizadores americanos em Competição este ano, ao lado de Ira Sachs com The Man I Love. A Palma de Ouro está em aberto — e Paper Tiger é uma das razões pelas quais.

“Victorian Psycho”: Maika Monroe é uma governanta perturbadora numa mansão gótica — e é um dos filmes mais aguardados de Cannes
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“Que a Força esteja contigo”: como o cinema colonizou o calendário, a linguagem e a vida quotidiana

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O título joga com American Psycho mas o filme tem vida própria. Victorian Psycho, seleccionado para Un Certain Regard no 79.º Festival de Cannes, é a adaptação do romance de Virginia Feito — a própria autora assina o argumento — rodada na Irlanda e protagonizada por Maika Monroe numa das personagens mais prometedoras da temporada de festivais.

A história passa-se em 1858: Winifred Notty, uma jovem governanta excêntrica, chega à remota mansão gótica de Ensor House. À medida que se instala na vida da casa, funcionários começam a desaparecer inexplicavelmente — e os donos começam a suspeitar que há algo de errado com a nova governanta. É horror gótico vitoriano com Monroe do outro lado da equação: a actriz de It Follows e Longlegs, habituada a ser perseguida, é aqui a ameaça. O realizador é Zachary Wigon, cujo Sanctuary (2022) revelou um talento invulgar para dissecar relações de poder em espaços fechados.

O elenco inclui Thomasin McKenzie como a criada de quarto que cria laços com Winifred, Jason Isaacs como o dono da mansão, Ruth Wilson e o jovem Jacobi Jupe, revelação de Hamnet. Monroe substituiu Margaret Qualley, que saiu do projecto por incompatibilidades de agenda — uma substituição que, à luz das primeiras imagens divulgadas, parece ter sido uma mais-valia. A distribuidora americana é a Bleecker Street, que confirma estreia em sala a 25 de Setembro nos EUA.

Na Hong-jin regressa com “Hope” dez anos depois — e desta vez entra pela primeira vez em Competição em Cannes
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Na Hong-jin regressa com “Hope” dez anos depois — e desta vez entra pela primeira vez em Competição em Cannes

Em 2016, The Wailing de Na Hong-jin passou por Cannes fora de competição e ficou na memória de toda a gente que o viu: um thriller sobrenatural ambientado numa aldeia rural coreana que começa como um procedimento policial e se transforma em algo muito mais difícil de classificar. Dez anos depois, Na Hong-jin regressa — e desta vez está em Competição pela primeira vez, com Hope, um thriller de ficção científica com um dos elencos mais ambiciosos da sua carreira.

A premissa é reconhecivelmente Na: em Hope Harbor, uma aldeia remota perto da Zona Desmilitarizada coreana, o chefe de polícia Bum-seok recebe notícias alarmantes de jovens locais — foi avistado um tigre. À medida que o pânico se instala na aldeia, Bum-seok é forçado a confrontar uma realidade que vai muito além de um animal selvagem. É o ponto de partida de um filme que o director artístico de Cannes, Thierry Frémaux, descreveu como algo que “muda constantemente de género” e conta “uma história que nunca foi contada antes”. O orçamento supera os 50 milhões de dólares — um dos maiores de sempre no cinema coreano — e o director de fotografia é Hong Kyung-pyo, o mesmo de Parasite e Burning.

O elenco é o mais internacional da carreira de Na: Hwang Jung-min e Zo In-sung nos papéis principais coreanos, com Hoyeon (Squid Game), Alicia Vikander e Michael Fassbender — casados na vida real — Taylor Russell (Bones and All) e Cameron Britton (Mindhunter) a completar um ensemble que cruza o cinema coreano de autor com o star system ocidental de uma forma sem precedentes. É também o quarto filme de Na Hong-jin a estrear em Cannes, depois de The Chaser (2008), The Yellow Sea (2011) e The Wailing (2016) — uma consistência de presença no festival que muito poucos realizadores conseguem.

Há ainda um dado que acrescenta pressão ao momento: o presidente do júri de Cannes 2026 é Park Chan-wook — o realizador coreano de Oldboy e Decisão de Partir, que será um dos juízes do filme do seu compatriota. A Palma de Ouro seria a primeira para o cinema coreano desde Parasita em 2019.

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“The Mandalorian and Grogu” estreia a 22 de Maio — Star Wars regressa aos cinemas pela primeira vez em sete anos

“Que a Força esteja contigo”: como o cinema colonizou o calendário, a linguagem e a vida quotidiana

Hoje é 4 de Maio. Em qualquer outro contexto, seria apenas uma segunda-feira de início de mês. Mas há décadas que esta data pertence a Star Wars — e ao trocadilho tão mau que só podia ter nascido na internet: May the 4th be with you. O que começou como uma piada de fãs tornou-se num feriado global não oficial, celebrado com maratonas de filmes, promoções em merchandising, posts nas redes sociais e, este ano, com a confirmação de que The Mandalorian and Grogu chega às salas a 22 de Maio. George Lucas criou uma saga. A saga criou um dia no calendário. É difícil pensar noutro exemplo de ficção que tenha conseguido isso.

Mas Star Wars não está sozinho. O cinema tem uma capacidade única — diferente da literatura, diferente da música, diferente de qualquer outra forma de arte — de invadir a cultura de formas que os seus criadores raramente anteciparam. Não são apenas as frases que ficam. É a forma como certas imagens, certos personagens e certas histórias se tornam em referências partilhadas que funcionam como linguagem comum entre pessoas que nunca se conheceram.

“Frankly, my dear, I don’t give a damn.” “Here’s looking at you, kid.” “You can’t handle the truth.” “I’m going to make him an offer he can’t refuse.” Estas frases saíram dos ecrãs há décadas e continuam a circular na conversa quotidiana de pessoas que nunca viram os filmes de onde vêm. O cinema criou um repertório de citações que funciona como código cultural — uma forma de sinalizar pertença, humor, cumplicidade. Quando alguém diz “Eu sou o teu pai” num contexto completamente diferente, toda a gente percebe. Isso é extraordinário.

Há também os gestos. O polegar levantado de Fonzie em Happy Days veio da televisão, mas foi o cinema que universalizou a linguagem corporal como código — de Marlon Brando a ajustar o chapéu em O Padrinho ao salto de Tom Cruise numa mota em qualquer um dos seus filmes. O cinema ensinou-nos a ler corpos de uma forma que o teatro nunca conseguiu, porque a câmara vai a lugares que o palco não alcança.

E depois há as datas. O 4 de Maio é de Star Wars, mas não é o único dia que o cinema tomou de assalto. O Dia de Groundhog — 2 de Fevereiro — é inseparável do filme de Harold Ramis com Bill Murray desde 1993; o conceito de repetição cíclica e aprendizagem forçada entrou na linguagem comum com o nome do feriado americano, mas é o filme que toda a gente cita. O Dia de São Valentim foi sempre uma data comercial, mas foram décadas de comédias românticas que lhe deram a forma que tem hoje — as expectativas, o vocabulário, a iconografia das flores e do jantar à luz de velas. O Halloween, nos países onde não tinha tradição, chegou através do cinema de terror antes de chegar através dos supermercados.

Os super-heróis são o capítulo mais recente desta história. A Marvel construiu em quinze anos um universo narrativo que gerou uma comunidade de referências partilhadas de dimensão global — não apenas frases e imagens, mas uma cronologia, uma mitologia, uma forma de organizar o tempo (“antes do Snap”, “depois de Endgame“) que os fãs usam como coordenadas. É a primeira vez na história que uma franchise cinematográfica funcionou como um texto sagrado partilhado por centenas de milhões de pessoas em simultâneo.

O que torna tudo isto possível é algo que o cinema tem e que nenhuma outra forma de arte combina da mesma forma: a escala e a simultaneidade. Um livro é lido por uma pessoa de cada vez, em ritmos diferentes, em solidão. Um filme é visto por milhões de pessoas ao mesmo tempo — nas mesmas salas, com o mesmo som, com a mesma luz — e essa experiência partilhada cria uma memória colectiva que a leitura nunca consegue replicar. Quando toda a gente viu o mesmo filme no mesmo fim-de-semana, a conversa de segunda-feira tem um ponto de partida comum.

George Lucas disse uma vez que não esperava que Star Wars durasse mais do que algumas semanas em cartaz. Hoje, 4 de Maio, o mundo inteiro sabe o que isso significa. Que a Força esteja com todos nós — e com The Mandalorian and Grogu, que chega às salas daqui a dezoito dias.

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Há histórias que só fazem sentido quando se conhece o contexto. Propeller One-Way Night Coach — o título completo do filme que John Travolta vai apresentar em Cannes na secção Cannes Première — é, na superfície, uma história de aviação sobre um rapaz de oito anos e a sua mãe numa viagem de avião para Hollywood. Na realidade, é um acto de amor de um pai ao filho que perdeu.

Travolta escreveu e ilustrou o livro original em 1997, baseando-se nas suas memórias de infância a observar aviões a descolar do aeroporto de La Guardia, perto de casa. O livro foi escrito para Jett, o seu filho, que morreu em Janeiro de 2009, aos dezasseis anos, vítima de uma convulsão durante umas férias nas Bahamas. O livro existia há quase trinta anos quando Travolta decidiu adaptá-lo para o ecrã — e esta semana, aos 72 anos, fará a sua estreia como realizador no festival que, em 1994, o relançou como actor com Pulp Fiction.

O filme é uma produção Apple Original Films de média-metragem, rodada parcialmente em Kansas City, com a participação da filha Ella Bleu Travolta como assistente de bordo — o mesmo papel que a própria mãe, Kelly Preston, falecida em 2020, poderia ter facilmente interpretado. O protagonista é o jovem actor desconhecido Clark Shotwell; a mãe no filme é Kelly Eviston-Quinnett. A história é deliberadamente simples: uma viagem de avião que se transforma numa aventura de formação. O que lhe dá peso é tudo o que está por baixo — a paixão de Travolta pela aviação, o filho a quem o livro foi dedicado, a filha que está no ecrã, a mulher que já não está.

Travolta tem mais de 9.000 horas de voo no currículo, é certificado para pilotar Boeing 707, 737 e 747 e foi o primeiro piloto privado a voar um Airbus A380. Voou em dois dos seus filmes — Look Who’s Talking e Broken Arrow. É, portanto, alguém que conhece o assunto do outro lado da câmara também. Propeller One-Way Night Coach estreia no Apple TV+ a 29 de Maio. Em Cannes, será apresentado no Teatro Debussy, com Travolta em sala. A quarta vez na Croisette — a primeira vez por detrás das câmaras.

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“Good Omens” termina a 13 de Maio com um único episódio de 90 minutos — e chegou aqui por um caminho muito difícil

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Cinemundo em Maio: Ewan McGregor às terças, Palmas de Ouro às quartas e Anne Hathaway numa noite de cinema

Há canais que enchem a grelha. E há canais que a constroem com critério. O Canal Cinemundo entra em Maio com uma programação que merece atenção — não pelo volume, mas pela coerência das escolhas.

O destaque mais substancioso do mês é o ciclo dedicado a Ewan McGregor, que ocupa as terças-feiras às 22h30 ao longo de todo o mês. A selecção percorre quatro filmes que, juntos, mostram exactamente por que McGregor continua a ser uma das presenças mais imprevisíveis do cinema contemporâneo: O Sonho de Cassandra (5 de Maio), o thriller moral de Woody Allen que ficou injustamente na sombra da carreira do realizador; Um Traidor dos Nossos (12 de Maio), o spy thriller de John le Carré onde McGregor é um professor universitário arrastado para um esquema de lavagem de dinheiro da máfia russa; Homens que Matam Cabras Só com o Olhar (19 de Maio), a comédia absurdista sobre soldados americanos com poderes paranormais que continua a ser um dos filmes mais estranhos e divertidos da sua geração; e Uma História Americana (26 de Maio), drama de formação passado nos anos 70 com a textura e o ritmo dos melhores filmes independentes americanos. Quatro filmes, quatro géneros, um actor — é exactamente o tipo de ciclo que um canal de cinema deve fazer.

Ewan McGregor em America Pastoral

Nas quartas-feiras, a partir das 22h30, o Cinemundo propõe algo mais exigente: três Palmas de Ouro em três semanas. O Quadrado de Ruben Östlund (13 de Maio), a sátira ao mundo da arte contemporânea que ganhou em Cannes em 2017; Parasitas de Bong Joon-ho (20 de Maio), o filme que em 2019 fez o que muitos julgavam impossível — ganhar a Palma de Ouro e o Óscar de Melhor Filme no mesmo ano; e Triângulo da Tristeza (27 de Maio), o regresso de Östlund a Cannes com uma comédia negra sobre riqueza, poder e naufrágio que dividiu a crítica e encantou o público. São três filmes que passaram por Cannes e ficaram — e que o Cinemundo tem o bom gosto de programar em sequência, como se fossem uma conversa sobre o estado do mundo.

A 22 de Maio, a partir das 21h00, o canal dedica uma noite inteira a Anne Hathaway — e as escolhas são felizes. Um Dia, a adaptação do romance de David Nicholls onde dois amigos se reencontram exactamente no mesmo dia durante décadas, é um dos filmes mais emocionalmente devastadores da actriz. Serenidade, logo a seguir às 22h50, é o seu oposto completo: um neo-noir perturbador que subverte todas as expectativas do género. É uma noite que serve tanto para quem ainda não conhece estes filmes como para quem os quer rever — e que, na semana em que O Diabo Veste Prada 2 domina a conversa cinematográfica, tem um timing perfeito.

Para os domingos, o Cinemundo preparou um ciclo temático em torno do Dia da Mãe que se estende por todo o mês, com dez filmes a partir das 12h00 — da comédia ao drama, com Fátima (24 de Maio) como o título mais inesperado e mais interessante da selecção.

O Canal Cinemundo está disponível na MEO (posição 60 HD), Vodafone (posição 77 HD) e NOS (posição 40 HD).

“Que a Força esteja contigo”: como o cinema colonizou o calendário, a linguagem e a vida quotidiana
Disney+ em Maio: o Justiceiro regressa, Stanley Tucci volta a Itália e os anos 80 de “Rivals” chegam a Portugal
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