Jason Statham e David Ayer Voltam a Juntar-se em John Doe — Um Homem Sem Memória e Sem Nome Para o Mercado de Cannes

Há parcerias que o mercado adopta com uma naturalidade quase reflexa. Jason Statham e David Ayer são uma delas. Depois de The Beekeeper — 163 milhões de dólares em bilheteira mundial — e de A Working Man, que rendeu 89 milhões com um orçamento contido, os dois voltam a unir forças em John Doe, um thriller de acção com argumento de Zak Penn que a Miramax e a Black Bear vão apresentar aos compradores internacionais no mercado de Cannes, em Maio.

A premissa é deliberadamente arquetípica — e isso é precisamente o ponto. Statham interpreta um homem sem memória, sem passado e sem nome, cuja única certeza é um rosto que não consegue esquecer: o de Eliza. À medida que fragmentos da sua identidade regressam, descobre que foi treinado para uma missão que ainda está em curso e que os próprios que o enviaram agora o caçam. A escolha entre cumprir o que começou ou proteger a única coisa que o faz sentir humano é o motor dramático. É, em traços largos, a geometria do thriller de amnésia que o género conhece bem — mas com Statham a executá-la e Ayer a dirigir, o mercado sabe exactamente o que está a comprar.

O argumento é de Zak Penn, um nome que em Hollywood é sinónimo de blockbuster funcional e bem construído. Penn escreveu ou co-escreveu Os Vingadores, Ready Player One, Free Guy, X2 e O Incrível Hulk — um currículo que não produz Palmas de Ouro mas que enche salas com uma consistência que poucos argumentistas conseguem. A junção Penn-Ayer-Statham é, do ponto de vista comercial, uma proposta sem grande risco.

A produção está prevista para arrancar em Setembro de 2026, com a Miramax a financiar e a produzir, e a Black Bear a tratar da venda internacional — precisamente o modelo que funcionou nas duas colaborações anteriores. Statham produz também através da sua Punch Palace Productions. O título chega a Cannes como uma das apostas mais sólidas do mercado independente, numa edição do festival que, como sempre, equilibra a competição artística com o pragmatismo comercial do Marché du Film.

Para contextualizar a dimensão de Statham enquanto activo de mercado: os seus filmes acumulam 8,5 mil milhões de dólares em bilheteira global. A agenda dos próximos anos inclui Viva La Madness de Guy Ritchie, com Ben Foster e Camila Mendes; Jason Statham Stole My Bike, a meta-comédia de acção de David Leitch; e The Beekeeper 2, com Jeremy Irons e Pom Klementieff. É, por qualquer medida, um dos actores mais rentáveis do cinema de acção contemporâneo — sem franquia, sem universo partilhado, apenas com a sua presença como garantia.

John Doe não vai disputar a Palma de Ouro. Mas vai provavelmente disputar o topo das bilheteiras europeias no Verão de 2027, e o leitor português que gosta de Statham já tem razões para apontar a data no calendário.

O Diabo Veste Prada 2: O Realizador Queria o Nate de Volta — Mas a Agenda Não Deixou

Há personagens que envelhecem mal. E depois há o Nate, o namorado chef de Andy Sachs em O Diabo Veste Prada, que envelheceu tão mal que se tornou um fenómeno cultural à parte — não pelo que faz no filme, mas pela forma como as audiências o foram relendo ao longo de quase vinte anos. Hoje, nas redes sociais, Nate é canonicamente o vilão da história: o rapaz que ficou ressentido porque a namorada quis ter uma carreira. Uma leitura que Adrian Grenier, o actor que o interpretou, parece ter abraçado com humor notável.

David Frankel, realizador de O Diabo Veste Prada 2, confirmou à Entertainment Weekly que chegou a ponderar incluir Grenier numa aparição surpresa na sequela. A ideia era “infiltrá-lo” discretamente, mas os calendários de produção não colaboraram e o cameo ficou pelo caminho. Frankel não revelou como teria incorporado a personagem na trama, mas deixou escapar um elogio inesperado: ficou encantado com o facto de Grenier ter feito recentemente um anúncio da Starbucks que brinca directamente com a sua ausência da sequela — “muito engraçado e autodepreciativo”, disse o realizador. “Adoro a humildade e a comédia.”

Grenier, por seu lado, já tinha falado sobre o assunto em Março ao Page Six, com uma candura que também tem o seu charme: “Foi uma desilusão não ter recebido a chamada para a sequela, mas percebo que existe alguma reacção negativa em relação ao Nate enquanto personagem, por isso talvez isso tenha tido algo a ver.” Acrescentou que a situação deixa espaço para um possível spin-off, e concluiu com uma frase que é simultaneamente diplomática e ligeiramente melancólica: “Somos todos fãs do filme, estejamos ou não nele.”

A sequela, que estreia a 1 de Maio nos cinemas — incluindo em Portugal, com o título O Diabo Veste Prada 2 —, reúne Anne Hathaway, Meryl Streep, Emily Blunt e Stanley Tucci vinte anos depois dos acontecimentos do primeiro filme. Andy regressa à Runway numa altura em que a revista luta para sobreviver num panorama mediático irreconhecível, e a trama obriga-a a convencer Emily — agora à frente de uma marca de luxo — a comprar publicidade que pode salvar a publicação. Miranda Priestley, naturalmente, continua a ser Miranda Priestley.

A ausência do Nate é, de certa forma, poeticamente justa. A personagem foi construída para ser o peso que puxa Andy de volta à mediocridade confortável, e o facto de a sequela o ignorar por completo é a vingança silenciosa que vinte anos de releituras feministas do filme estavam a pedir. Se Grenier vier a aparecer num spin-off, será porque a cultura pop tem um sentido de humor que não falha.

Michael: O Realizador Confirma Que Há Material para uma Sequela — e Explica Por Que as Acusações Ficaram de Fora

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Michael: O Realizador Confirma Que Há Material para uma Sequela — e Explica Por Que as Acusações Ficaram de Fora

O fim de semana foi de Antoine Fuqua. O biopic Michael, sobre a vida de Michael Jackson, arrecadou 97 milhões de dólares no mercado norte-americano e mais de 217 milhões a nível global na estreia — o melhor arranque de sempre para um biopic musical, num resultado que surpreendeu a própria indústria. Agora, com os números na mão, Fuqua falou com a Deadline sobre as decisões que moldaram o filme: a sequela que já está implicitamente preparada, os 50 milhões de dólares em reshoots que ninguém esperava, e a ausência das acusações de abuso sexual que continuam a definir a herança de Jackson.

O filme termina com um cartão a dizer “A Sua História Continua” — uma indicação clara de intenções. Fuqua confirmou que existe material filmado para uma segunda parte e que a estrutura narrativa do primeiro filme foi deliberadamente concebida como prólogo. A ideia era simples na teoria e complicada na execução: antes de poder confrontar o público com a complexidade e as sombras do Jackson adulto, era preciso construir empatia suficiente pelo Jackson humano — o rapaz de Indiana, o filho de Joe Jackson, o artista que se tornou num fenómeno sem precedentes.

A ausência das acusações de abuso sexual levantadas por Jordan Chandler não foi uma escolha criativa pura. Fuqua revelou que o filme originalmente abria com a invasão policial à Neverland Ranch em 1993, na sequência das alegações de abuso do então adolescente de 13 anos. Essa cena foi removida quando, já na fase de entrega do director’s cut, a produção descobriu que o acordo de resolução civil entre Chandler e o espólio de Jackson incluía uma cláusula que impedia que o caso fosse dramatizado. O resultado foi 50 milhões de dólares em reshoots — numa produção que já custava 200 milhões — e uma reconfiguração completa da estrutura do filme. “Foi um dia difícil”, disse Fuqua, com a contenção de quem está a descrever uma catástrofe logística de forma civilizada.

Jackson chegou a acordo civil com a família Chandler por um valor reportado de 25 milhões de dólares, após o que Chandler deixou de cooperar com os procuradores. Em 2005, Jackson foi absolvido de outras acusações de abuso de menores. O seu espólio continua a negar todas as alegações levantadas contra o cantor, incluindo as documentadas em Leaving Neverland, o documentário de 2019 que reacendeu o debate público sobre o seu legado. O filme de Fuqua não toma posição sobre nada disto — e é precisamente essa ausência que alimentou grande parte da discussão crítica em torno do projecto.

O realizador defende a opção com uma lógica que é cinematograficamente coerente, ainda que eticamente questionável para muitos: “A menos que possas verdadeiramente tomar o teu tempo, voltemos ao princípio e mostremos às pessoas quem ele era em palco. É um super-herói em palco. O cinema tem o poder da empatia para dizer que isto é um ser humano. Ninguém é perfeito.” A sequela — cuja existência Fuqua confirma “absolutamente” — será o espaço onde essas questões terão de ser enfrentadas, ou onde a franchise provará definitivamente que prefere a hagiografia à complexidade.

O que os números do fim de semana demonstram, acima de tudo, é que o público tem apetite para Michael Jackson independentemente do debate — ou talvez precisamente por causa dele. A crítica foi fria, com 38% no Rotten Tomatoes, mas o público respondeu com 97% na mesma plataforma, uma das maiores divergências do ano. Jaafar Jackson, sobrinho do cantor e protagonista do filme, convenceu quem foi ver: a performance física e musical é, por consenso, o elemento mais forte de uma produção que em tudo o resto divide opiniões.

Fuqua nunca chegou a conhecer Michael Jackson — o cantor morreu em Junho de 2009, aos 50 anos, de intoxicação aguda por propofol — mas esteve perto de o fazer: foi considerado para realizar o videoclipe de Remember the Time. Décadas depois, acabou por construir o retrato mais ambicioso que o cinema já fez do rei do pop. Se a sequela confirmar o que o primeiro filme apenas esboça, ficará a saber-se se estava à altura do desafio.

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Vinte e cinco anos. Isso é quanto tempo Johnny Knoxville, Steve-O, Chris Pontius, Wee Man e companhia levam a atirar-se contra o mundo com o entusiasmo suicida de quem nunca ninguém disse que não. Jackass começou como um programa de televisão na MTV em 2000, tornou-se fenómeno cinematográfico com quatro filmes — o último, Jackass Forever, em 2022 —, sobreviveu a lesões graves, mortes, polémicas e à própria MTV, e agora chega ao fim. Ou pelo menos é o que dizem: o trailer de Jackass: Último Shot de Loucura, revelado esta segunda-feira, apresenta-se explicitamente como a despedida definitiva da saga, com estreia marcada para 25 de Junho nos cinemas portugueses, com distribuição da NOS Audiovisuais.

O trailer — disponível no YouTube e à altura de tudo o que os fãs esperam — mistura novas acrobacias com momentos que revisitam o melhor de 25 anos de caos organizado. É simultaneamente um greatest hits e uma última volta à pista, com o grupo a garantir que vai sair pela porta grande, ou seja, provavelmente a voar pela janela com algo a arder.

É legítimo perguntar se Jackass merece atenção como fenómeno cultural. A resposta é sim, e não apenas porque os números sempre o justificaram. A saga teve um impacto genuíno na forma como a comédia física foi entendida nas últimas duas décadas, influenciou incontáveis criadores de conteúdo — para o melhor e para o pior —, e construiu em torno de si uma mitologia de camaradagem masculina disfuncional que encontrou eco em gerações inteiras. O académico pode franzer o sobrolho. O espectador que cresceu a ver Steve-O a fazer coisas que não vamos descrever aqui já comprou o bilhete.

A escolha do subtítulo em português — Último Shot de Loucura — é também uma declaração de intenções: este é um evento social tanto quanto cinematográfico. O PR é directo: “Reúna os amigos, levante o copo e prepare-se para um evento cinematográfico único.” Difícil imaginar uma sinopse mais honesta. Não há pretensões, não há arcos de redenção, não há mensagens. Há Johnny Knoxville a sofrer de formas que continuam, inexplicavelmente, a ser muito engraçadas.

Para quem nunca entrou neste universo — e que, admitamos, provavelmente não vai começar aqui —, Jackass é o tipo de coisa que se explica mal em palavras mas que funciona em sala com o público certo. Para quem cresceu com a saga, este quinto e alegadamente último filme é uma despedida que merece ser vista onde sempre fez mais sentido: numa sala cheia, às gargalhadas, com alguém ao lado que também não consegue acreditar que aquilo aconteceu mesmo.

Jackass: Último Shot de Loucura estreia a 25 de Junho nos cinemas em Portugal.

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O que começou como mais uma escaramuça entre a Casa Branca e o late-night americano ganhou uma dimensão muito mais perturbante nos últimos dias. Jimmy Kimmel fez uma piada. Dois dias depois, houve um tiroteio. E a Primeira-Dama dos Estados Unidos aproveitou o momento para pedir à ABC que tomasse uma posição contra o apresentador do seu próprio canal.

A cronologia importa. Na quinta-feira, 23 de Abril, Kimmel gravou para o seu programa na ABC uma paródia do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca — a gala anual que junta jornalistas, políticos e celebridades em Washington. O apresentador fez a paródia porque o jantar de 2026, ao contrário do habitual, não tinha um comediante como anfitrião, tendo optado pelo mentalista Oz Pearlman. No seu monólogo alternativo, Kimmel dirigiu-se a Melania Trump: “A nossa Primeira-Dama está aqui. Olhem para a Melania, tão bela. Sra. Trump, tem o brilho de uma viúva expectante.” No sábado seguinte, um atirador abriu fogo num ponto de controlo do Hotel Washington Hilton, onde decorria o jantar oficial. O Presidente, a Primeira-Dama e vários membros do governo foram rapidamente evacuados pelo Serviço Secreto. O agente atingido sobreviveu graças ao colete balístico.

Melania Trump reagiu publicamente esta segunda-feira, afirmando que as palavras de Kimmel são “corrosivas” e “aprofundam a doença política da América”, e exigindo que a ABC “tome uma posição”. Chamou-lhe “cobarde” e disse que as suas palavras eram “retórica violenta e odiosa”. A ABC e o próprio Kimmel não comentaram publicamente.

O pedido de Melania não existe no vácuo. Em Setembro de 2025, a ABC retirou temporariamente Kimmel do ar após comentários que fez na sequência do assassinato de Charlie Kirk. Quando regressou a 23 de Setembro, um visivelmente abalado Kimmel afirmou que nunca foi sua intenção fazer troça da morte de um jovem. A Casa Branca e os seus aliados mediáticos aproveitaram esse precedente para reforçar agora a pressão sobre a ABC.

O elefante na sala chama-se Stephen Colbert. Em Julho de 2025, a CBS cancelou The Late Show With Stephen Colbert — o programa mais visto do seu horário — dois dias depois de Colbert ter criticado publicamente um acordo de 16 milhões de dólares entre a Paramount e Trump, destinado a resolver um processo judicial sobre uma entrevista do 60 Minutes. A CBS insistiu que a decisão foi “puramente financeira”. Trump celebrou-a na Truth Social: “Adoro absolutamente que Colbert tenha sido despedido.” O próprio Colbert, já em modo de despedida, respondeu ao presidente em directo com uma frase que ficou célebre e que aqui não reproduzimos por razões óbvias, mas que a audiência recebeu de pé.

Colbert disse mais tarde à GQ que considera “razoável” que as pessoas associem o cancelamento à pressão política, sublinhando que a CBS pagou 16 milhões de dólares ao presidente num processo que os próprios advogados da Paramount consideravam sem mérito. O programa encerrou em Maio de 2026 — há poucas semanas. E Trump já tinha avisado: “Ouço que o Kimmel é o próximo.”

O que está em causa é uma questão que transcende a política americana e toca no coração do que o jornalismo e a sátira representam numa democracia. Os apresentadores de late-night — Kimmel, Colbert, Seth Meyers — têm sido, nos últimos anos, uma das últimas trincheiras de crítica directa à administração Trump num formato de grande audiência. A questão de saber se as redes de televisão vão continuar a proteger esse espaço, ou se o vão sacrificar à lógica de fusões empresariais e pressão governamental, é uma das mais importantes do panorama mediático actual. É também um teste precoce para o novo CEO da Disney, Josh D’Amaro, que sucedeu a Bob Iger no mês passado e que terá agora de decidir como responde à exigência da Casa Branca sobre um dos apresentadores mais populares da ABC.

Em Portugal e na Europa, onde a figura de Trump é observada com uma mistura de incredulidade e preocupação transversal a todo o espectro político, a pergunta não é se Kimmel foi longe demais com a piada. A pergunta é se uma Primeira-Dama pedir publicamente o despedimento de um apresentador de televisão — e a história recente sugerir que isso pode funcionar — é compatível com a democracia que os Estados Unidos dizem representar.

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Abril está a acabar e com ele um dos meses mais intensos do ano em termos de streaming. Antes de virar a página para Maio — que também não vem de mãos a abanar —, vale a pena fazer o ponto da situação: o que ainda está por ver, o que chegou nos últimos dias, e o que merece atenção já a partir de esta semana.

Na Netflix, o destaque de fim de mês é a estreia hoje de Straight to Hell, nova série dramática, que se junta a um Abril já considerável. O mês trouxe a Stranger Things: Tales from ’85 — o spin-off que expande o universo de Hawkins para os anos 80 com um elenco novo —, a segunda temporada de Beef, agora uma antologia com Oscar Isaac e Carey Mulligan, e a terceira temporada de Euphoria, um dos regresos mais aguardados da televisão dos últimos dois anos. Quem ainda não arrancou com nenhum destes títulos tem material suficiente para semanas. Para os próximos dias, o calendário de Maio indica ainda o regresso de Berlim — o spin-off de A Casa de Papel — com segunda temporada a 15 de Maio, e a estreia de A Good Girl’s Guide to Murder, segunda temporada, a 27 de Abril.

Na Prime Video, a semana que começa traz um título que não passa despercebido: Spider-Noir, com Nicolas Cage como detetive e super-herói nos anos 30 de Nova Iorque, chega globalmente a 27 de Maio — mas a Prime Video já confirmou que Portugal está incluído nos mais de 240 territórios do lançamento simultâneo. É o título de streaming mais aguardado de Maio. Antes disso, quem ainda não terminou a quinta e última temporada de The Boys tem um bom motivo para o fazer: o episódio final está marcado para 20 de Maio, encerrando uma das séries mais celebradas da plataforma.

Na Max, The White Lotus continua a ser o elefante na sala — ou melhor, no quarto de hotel. A temporada 4 está em rodagem em França e não deve chegar ao serviço antes do final do ano. Enquanto isso, quem ficou com a quinta temporada de House of the Dragon no horizonte pode confirmar: ainda sem data, mas com produção confirmada. O que está disponível e merece atenção nestas semanas é a segunda temporada de Criminal Record, a série britânica com Peter Capaldi e Cush Jumbo, que estreou a 22 de Abril.

Na SkyShowtime, Abril foi um mês de apostas europeias. Gomorrah: The Origins, a prequela que recua às origens de Don Pietro Savastano, está disponível na íntegra desde 1 de Abril — para os fãs do universo napolitano de Roberto Saviano, é leitura obrigatória. O thriller galês Under Salt Marsh, que acompanha uma ex-detetive a investigar a morte suspeita de um aluno numa comunidade costeira, está a ser emitido em episódios semanais. E já em Maio, a plataforma prepara Dutton Ranch, mais uma extensão do universo Yellowstone de Taylor Sheridan, que chega a 22 de Maio. Para quem segue as séries do criador de Yellowstone com regularidade, é o próximo capítulo de uma saga televisiva que não dá sinais de abrandar.

No Filmin, o mês de Abril trouxe cinema de autor de qualidade assinalável. A adaptação de François Ozon para O Estrangeiro, de Albert Camus — vencedora do César de Melhor Actor Secundário — chegou a 10 de Abril, assim como Franz Kafka, o biopic do escritor realizado por Agnieszka Holland (três vezes nomeada ao Óscar), que passou pelos festivais de Toronto e San Sebastián. Para Maio, a plataforma prepara Nouvelle Vague de Richard Linklater, a grande triunfadora dos prémios César, que chega a 1 de Maio; e A Cronologia da Água, a estreia de Kristen Stewart na realização, adaptando as memórias de Lidia Yuknavitch, prevista para 8 de Maio. O Filmin continua a ser, para o cinéfilo português, a melhor porta de entrada para o cinema de festival que não chega facilmente às salas.

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Há séries que chegam ao streaming e ficam. E há séries que chegam ao cabo e merecem a atenção que, por vezes, lhes foi negada no momento da estreia original. O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder, a produção da Amazon Prime Video que em 2022 se tornou simultaneamente o espectáculo televisivo mais caro de sempre e um dos mais debatidos da última década, chega agora à televisão portuguesa: o TVCine Edition estreia a primeira temporada a 29 de Abril, às 22h10, com novos episódios todas as quartas-feiras.

Para quem ainda não viu — e são mais do que se pensa, porque o Prime Video não é universal e a série passou rapidamente de fenómeno cultural para objecto de divisão fanática —, esta é uma boa oportunidade para a descobrir com algum distanciamento do ruído inicial. Situada na Segunda Era da Terra Média, milhares de anos antes dos acontecimentos narrados por Tolkien em O Senhor dos Anéis e O Hobbit, a série parte dos Apêndices do livro para construir uma narrativa original que acompanha várias linhas em simultâneo: Galadriel perturbada pelos sinais do regresso de uma antiga força maligna, o elfo Arondir às voltas com uma descoberta que pode alterar o equilíbrio do mundo, Elrond confrontado com um projecto ambicioso, e Nori, uma jovem dos pés-cabeludos, a quebrar uma regra da sua comunidade com consequências que ninguém previu.

A série foi criada por J. D. Payne e Patrick McKay, que já afirmaram ter concebido um arco narrativo de cinco temporadas. O elenco inclui Morfydd Clark como Galadriel numa versão mais jovem e guerreira do que a figura etérea de Cate Blanchett na trilogia de Peter Jackson, Charlie Vickers como Halbrand, Charles Edwards como Celebrimbor — o ferreiro élfico central na mitologia dos Anéis — Ismael Cruz Córdova como Arondir e Robert Aramayo como o jovem Elrond. A escala de produção foi, na altura da estreia, invocada com alguma insistência: mais de mil milhões de dólares para as cinco temporadas, filmagens na Nova Zelândia e no Reino Unido, efeitos visuais de cinema. O que ficou da série, passado o fumo, foi uma primeira temporada visualmente deslumbrante, narrativamente generosa no ritmo — talvez demasiado, para os impacientes —, e com um final que dividiu opiniões precisamente porque subverteu expectativas que muitos fãs tinham como certas.

Vale a pena vê-la sem as guerras de Reddit a acompanhar. A série tem, nos seus melhores momentos, uma ambição genuína que a distingue do streaming de conforto. E a pergunta sobre quem é realmente Sauron — que estruturou toda a temporada — ainda funciona como motor dramático na primeira visualização.

A estreia é a 29 de Abril, às 22h10, no TVCine Edition e no TVCine+.

Helena Bonham Carter Sai de The White Lotus Dias Depois de Começarem as Filmagens

A quarta temporada de The White Lotus mal tinha saído do papel — as filmagens arrancaram a 15 de Abril na Riviera Francesa — quando a HBO confirmou uma saída tão inesperada quanto diplomaticamente formulada: Helena Bonham Carter abandona a produção, o papel será reescrito e recastado.

O comunicado oficial da HBO não deixa muito espaço para dúvidas sobre o que aconteceu, mesmo que as palavras escolhidas sejam de uma cortesia impecável. “Ao iniciar as filmagens da quarta temporada de The White Lotus, tornou-se evidente que a personagem que Mike White criou para Helena Bonham Carter não se revelou adequada uma vez em rodagem”, disse a HBO. “O papel foi repensado, está a ser reescrito e será recastado nas próximas semanas.” A declaração termina a garantir que o realizador e a plataforma “permanecem fãs ardentes” da actriz e “esperam muito trabalhar com ela em breve”. Diplomacia de estúdio no seu estado mais puro.

Bonham Carter tinha sido anunciada como parte do elenco em Janeiro, numa lista que inclui nomes como Vincent Cassel, Steve Coogan, Kumail Nanjiani, Heather Graham, Rosie Perez e a francesa Nadia Tereszkiewicz. A actriz chega a esta temporada com um currículo que dispensa apresentações: duas nomeações para o Óscar, cinco para os Emmy (incluindo duas por The Crown), décadas de trabalho que vão de Fight Club à saga Harry Potter. Não é o tipo de casting que se anuncia em Janeiro e se descarta em Abril sem que algo tenha corrido genuinamente mal.

O que torna esta saída particularmente interessante é o contexto da temporada. The White Lotus 4 passa-se durante o Festival de Cannes — um cenário que Mike White escolheu precisamente porque o tema desta edição é a fama, a arte e o custo de ser artista. A produção divide-se entre dois hotéis de luxo transformados em localizações ficcionais: o Airelles Château de la Messardière em Saint-Tropez (que passa a ser o White Lotus du Cap) e o Hôtel Martinez em Cannes (o White Lotus Cannes). Os actores deverão inclusivamente estar presentes no tapete vermelho real durante a segunda semana do festival, em Maio. É um contexto suficientemente exigente para que qualquer desalinhamento criativo se torne rapidamente insustentável.

O produtor David Bernad, que falou publicamente sobre a temporada sem abordar directamente a saída de Bonham Carter, descreveu a experiência de trabalhar com o elenco francês — Cassel e Tereszkiewicz em particular — como “a parte mais excitante até agora”. A actriz Laura Smet, filha da saudosa Nathalie Baye, também faz parte do elenco. Há, portanto, uma aposta considerável na integração com o tecido cultural francês, o que pode ter acentuado as tensões criativas em torno de uma personagem que, ao que parece, não sobreviveu ao contacto com a realidade do set.

Para os fãs da série, a notícia é desconcertante mas não é necessariamente má. The White Lotus tem um historial de elencos que se revelam melhores do que o esperado — e de ausências que, em retrospectiva, parecem ter servido a história. A pergunta que fica é quem assumirá o papel reescrito, e se a reescrita altera de forma significativa o equilíbrio dramático da temporada. As filmagens decorrem até Outubro, o que dá tempo suficiente para resolver a questão sem comprometer a estreia prevista.

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