As previsões de bilheteira para a versão live-action de Moana, que estreou esta semana, têm vindo a cair de forma acentuada nos últimos dias. Se em junho as estimativas apontavam para uma abertura doméstica de 85 milhões de dólares, os números mais recentes já falam de um intervalo entre 60 e 70 milhões, um recuo que dificilmente passará despercebido à Disney.
Para o fim de semana alargado, a fasquia aponta para algo como 60 a 65 milhões de dólares nos EUA e mais 70 a 75 milhões a nível internacional, totalizando cerca de 130 milhões a nível global. Números que, à primeira vista, parecem sólidos, mas que ficam aquém do que se esperava de uma das apostas mais caras do ano da Disney, e apenas ligeiramente acima da abertura da animação original de 2016, sem ajuste à inflação.
Às previsões revistas em baixa juntou-se um problema adicional: a receção crítica. Moana estreou com apenas 33% de aprovação no Rotten Tomatoes, um resultado fraco que ecoa as dificuldades que têm perseguido a maioria dos remakes em ação real da Disney, quase sempre acusados de repetirem a fórmula original sem lhe acrescentarem nada de relevante.
Resta agora saber se o boca-a-boca negativo vai acentuar a quebra nas próximas semanas, ou se a força da marca Moana, ainda fresca na memória do público graças à sequela em animação, consegue segurar as receitas nos fins de semana seguintes.
Sullivan’s Crossing estreia a quarta temporada a 15 de julho, em exclusivo no TVCine+, com os dez episódios disponíveis em simultâneo logo no lançamento, um modelo de binge-watching que dispensa a espera semanal a que grande parte das séries continua agarrada. A série junta-se assim à terceira temporada, já disponível no serviço de streaming dos Canais TVCine.
Baseada nos bestsellers de Robyn Carr, Sullivan’s Crossing acompanha a neurocirurgiã Maggie Sullivan (Morgan Kohan), cuja vida vira do avesso depois de um escândalo profissional a obrigar a regressar à cidade natal e ao parque de campismo do pai, na pitoresca costa da Nova Escócia, em busca de um novo começo. Não é por acaso que a premissa recorda Virgin River: a série é produzida pela mesma equipa, incluindo a showrunner Roma Roth, e nasce da mesma autora que deu origem ao fenómeno da Netflix, ainda que por aqui a protagonista seja cirurgiã em vez de enfermeira e o cenário mude de costa a costa do continente norte-americano.
Nesta nova temporada, a vida de Maggie parecia finalmente a encaixar-se, depois de ter escolhido um novo rumo profissional e renovado o compromisso com Cal (Chad Michael Murray). A estabilidade dura pouco: o ex-marido, Liam (Marcus Rosner), reaparece com uma revelação que volta a pôr tudo em causa, deixando Cal a questionar se Maggie conseguirá mesmo deixar o passado atrás de si.
Com quatro temporadas já emitidas e uma quinta já confirmada nos EUA e no Canadá, Sullivan’s Crossing consolida-se como uma aposta segura para quem procura o conforto do drama romântico de pequenas comunidades, um género que a sombra de Virgin River tornou praticamente incontornável na grelha das plataformas.
Depois de gerar reações fortemente polarizadas na sua estreia em competição no Festival de Cannes, Hope, o novo filme do realizador sul-coreano Na Hong-jin (O Perseguidor, O Mar Amarelo, A Chegada do Mal), ganhou finalmente trailer internacional completo e data de estreia confirmada.
A história passa-se numa aldeia remota junto à zona desmilitarizada da fronteira entre as duas Coreias, onde o avistamento do que parece ser um tigre desencadeia uma investigação que rapidamente escala para algo muito mais perturbador: criaturas de origem desconhecida que a comunidade nunca antes enfrentou. No elenco, contam-se os atores sul-coreanos Hwang Jung-min e Zo In-sung, além de Hoyeon, conhecida de Squid Game, com Michael Fassbender e outros nomes de Hollywood a emprestar a voz às criaturas alienígenas do filme.A receção em Cannes já anunciava um filme divisivo, e assim se confirma: entre elogios à ambição visual e à escala da ação, e críticas a um estilo pouco convencional, Hope tornou-se um dos títulos mais comentados do festival deste ano, para o bem e para o mal.
O filme estreia primeiro nas salas sul-coreanas a 15 de julho, com a distribuidora norte-americana Neon a marcar a estreia nos EUA para 9 de setembro. Para os fãs de A Chegada do Mal, esta pode ser a prova de que Na Hong-jin continua incapaz de fazer um filme pequeno.
A Disney revelou esta semana o trailer de Enfeitiçadas: Bem-vindos a Hexe, novo filme de animação que assinala a 65.ª longa-metragem produzida pelos Walt Disney Animation Studios. Hailee Steinfeld, conhecida da série Hawkeye, dá voz à protagonista Billie, uma adolescente que, ao libertar acidentalmente poderes mágicos secretos, é transportada de um subúrbio comum para um reino mágico chamado Hexe.
O elenco de vozes junta ainda Rashida Jones, Tracey Ullman e Stephen Fry, e o filme tem a particularidade de ser dirigido a três mãos, por Fawn Veerasunthorn (argumentista de Wish), Jason Hand (realizador de Moana 2) e Josie Trinidad (responsável pelas curtas-metragens de Zootopia+), uma combinação que junta experiência recente em animação de aventura, comédia e construção de mundos.
A aposta em três realizadores, cada um com um currículo distinto dentro da própria Disney, sugere uma produção que tenta equilibrar humor, espetáculo visual e uma narrativa de descoberta pessoal, fórmula que tem funcionado bem para o estúdio nos últimos anos. Enfeitiçadas: Bem-vindos a Hexe estreia nos cinemas a 24 de novembro de 2026, posicionando-se já como uma das grandes apostas de animação da Disney para o final do ano.
Chegaram as primeiras críticas a Evil Dead Burn, e a receção tem sido, na generalidade, positiva, ainda que com reservas já previsíveis para quem acompanha a saga desde o filme original de Sam Raimi. Sob o comando de Sébastien Vaniček, realizador que assume agora as rédeas da franquia, o filme é descrito como o capítulo mais brutal de sempre, com sequências de violência que os críticos consideram inventivas e, nalguns casos, genuinamente perturbadoras.
Vários críticos elogiam o ritmo, que nunca esmorece, e a coragem em levar a mitologia dos Deadites ao limite, quarenta e cinco anos depois da estreia da saga original. Ao mesmo tempo, há um coro de vozes que sente falta do humor negro e do tom de comédia pastelão que sempre caracterizou os filmes de Evil Dead, uma marca que as entradas mais recentes têm vindo a abandonar em favor de um registo mais sombrio e visceral.
A crítica mais dura acusa mesmo o filme de ser um exercício técnico de violência sem substância, sem espaço para o humor ou para o exagero cómico que, para muitos fãs, é tão essencial à identidade da franquia quanto o sangue. Ainda assim, o consenso geral aponta para um filme de terror competente e visualmente marcante, ainda que distante do espírito mais brincalhão que consagrou o nome Evil Dead.
O filme estreia nos cinemas portugueses a 24 de julho.
As nomeações para a 78.ª edição dos Emmy foram anunciadas esta quarta-feira, e o drama médico The Pitt saiu com a folha de serviço mais robusta: 25 nomeações, à frente de todas as outras séries em competição. Do lado das comédias, a temporada final de Hacks, com Jean Smart e Hannah Einbinder, arrecadou 24 nomeações, um recorde absoluto para uma comédia na sua última temporada, superando a marca antes detida por Schitt’s Creek.
Ainda entre os mais nomeados, a nova comédia de terror da Apple TV+, Widow’s Bay, surpreendeu com 19 nomeações, seguida de perto pelo drama Pluribus, com 18. A cerimónia está marcada para 14 de setembro, uma segunda-feira em vez do habitual domingo, devido a um jogo da NFL transmitido pela NBC nesse fim de semana, e terá Mariska Hargitay como anfitriã.
Nem tudo foram boas notícias para os habituais favoritos: Jeremy Allen White ficou de fora da categoria de Melhor Ator de Comédia pela primeira vez desde a estreia de The Bear, série que no total recebeu apenas oito nomeações, um recuo acentuado face às edições anteriores. Séries como Outlander, Industry e Landman ficaram também completamente arredadas da corrida.
Em contrapartida, houve espaço para surpresas simpáticas: Sally Field regressou à corrida aos Emmy 17 anos depois, nomeada por Remarkably Bright Creatures, e o concurso Dancing with the Stars conseguiu, pela primeira vez numa década, uma nomeação para Melhor Programa de Competição.
Os cinemas portugueses recebem seis estreias que dificilmente poderiam ser mais diferentes entre si. De um lado, o regresso em carne e osso de uma das princesas mais amadas da Disney e o sexto capítulo de uma das sagas de terror mais duradouras de Hollywood. Do outro, cinema de autor vindo de Cannes e Toronto, um biopic sobre Franz Kafka e uma comédia dramática com um elenco de peso mas percurso comercial modesto. Eis o que vale a pena saber sobre cada uma.
Vaiana estreia-se em carne e osso, com Dwayne Johnson a repetir o papel de Maui
A grande aposta comercial da semana é a versão live-action de Vaiana, dirigida por Thomas Kail. Catherine Laga’aia assume o papel principal, numa estreia que a coloca ao lado de Dwayne Johnson, que regressa como Maui dez anos depois da versão animada original. John Tui, Frankie Adams e Rena Owen completam o elenco, esta última no papel da avó Tala.
O filme segue a mesma história que tornou o original um fenómeno global: a jovem navegadora que parte à descoberta do oceano para salvar o seu povo. “How Far I’ll Go” volta a ser cantada no ecrã, com Lin-Manuel Miranda de regresso à composição de canções originais. A Disney tem um histórico recente de remakes live-action que abrem com força considerável nas bilheteiras — casos de Aladdin, O Rei Leão e Lilo & Stitch — e todos os sinais apontam para que Vaiana siga o mesmo caminho.
Evil Dead Burn traz Sam Raimi de volta à saga que ajudou a criar
Para os fãs de terror, a estreia da semana é Evil Dead Burn, sexto filme da franquia Evil Dead e sequela autónoma de Evil Dead (2013) e Evil Dead Rise (2023). Sébastien Vaniček dirige, com Sam Raimi de novo como produtor. Souheila Yacoub, Tandi Wright e Hunter Doohan protagonizam a história de uma viúva recente que procura consolo junto da família do marido, apenas para ver o reencontro familiar transformar-se em pesadelo quando o Livro dos Mortos volta a despertar Deadites.
Nos Estados Unidos, onde a Warner Bros. distribui o filme, as previsões apontam para uma abertura entre 30 e 40 milhões de dólares, o que representaria o melhor arranque de sempre da franquia. O género terror tem tido um ano particularmente forte nas bilheteiras em 2026, e Evil Dead Burn chega a Portugal pela Big Picture embalado nessa tendência.
George Washington chega a Portugal depois de surpreender nos EUA
Estreado nos Estados Unidos com o título Young Washington, George Washington já não é uma incógnita comercial. Realizado por Jon Erwin e centrado nos anos de juventude do futuro primeiro presidente norte-americano durante a Guerra Franco-Indígena, o filme junta William Franklyn-Miller no papel principal a Ben Kingsley e Andy Serkis.
A estreia norte-americana, pela Angel Studios, rendeu 19,3 milhões de dólares no fim de semana de abertura — o segundo melhor arranque de sempre do estúdio, atrás apenas de Sound of Freedom. O sucesso foi suficiente para o realizador anunciar uma sequela, já intitulada 1776, que deverá seguir Washington até à Revolução Americana. Chega agora a Portugal pela NOS Audiovisuais.
O Convite junta Seth Rogen, Olivia Wilde, Penélope Cruz e Edward Norton
Com estreia marcada para 9 de julho pela Cinemundo, O Convite (The Invite, no título original) é a nova longa-metragem de Olivia Wilde como realizadora, a partir de um argumento de Will McCormack e Rashida Jones. Trata-se de um remake norte-americano de Els vents favorables, o filme espanhol de Cesc Gay conhecido internacionalmente como The People Upstairs.
A história acompanha um casal em crise que recebe os vizinhos de cima para jantar, numa única noite que expõe tudo o que já não funciona na relação. Seth Rogen, a própria Olivia Wilde, Penélope Cruz e Edward Norton dão corpo às personagens. O filme estreou no Festival de Sundance com boa receção crítica, mas o lançamento limitado nos Estados Unidos pela A24 e as críticas mornas na imprensa levaram a uma bilheteira modesta — pouco mais de 1,3 milhões de dólares arrecadados mundialmente até agora, apesar do elenco de peso.
Franz revisita a vida de Kafka pela mão de Agnieszka Holland
A realizadora polaca Agnieszka Holland assina Franz, biopic sobre o escritor Franz Kafka que percorre a sua vida desde a infância em Praga até à morte prematura em 1924. Idan Weiss interpreta Kafka, com Peter Kurth e Katharina Stark no elenco. O filme, construído como um mosaico não-linear em torno da figura do autor, estreou mundialmente no Festival de Toronto de 2025.
Chega às salas portuguesas pela distribuidora No Comboio, com uma proposta claramente dirigida a um público de cinefilia e não ao circuito comercial: são 127 minutos de reflexão sobre a relação de Kafka com o pai, com os seus editores e com os amores da sua vida, mais do que uma biografia convencional.
Pelo Adam, de Laura Wandel, chega de Cannes com Léa Drucker
Fechando a lista está Pelo Adam (L’Intérêt d’Adam), thriller psicológico da realizadora belga Laura Wandel, apresentado na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2025. Léa Drucker interpreta Lucy, enfermeira-chefe de pediatria, e Anamaria Vartolomei dá corpo a Rebecca, mãe de um menino de quatro anos hospitalizado por desnutrição por ordem judicial. Quando Rebecca se recusa a respeitar os limites de visita impostos pelo tribunal, a situação escala.
Rodado quase em tempo real e com grande proximidade às personagens, o filme confirma Wandel — autora também de Un Monde (2022) — como uma das vozes mais interessantes do cinema social belga-francês da atualidade. Chega a Portugal pela Alambique, com distribuição inevitavelmente limitada face à sua natureza de autor.
Lola Tung, protagonista da série A Sete Léguas do Amor (The Summer I Turned Pretty), vai integrar o elenco de Please, o próximo filme de Halina Reijn, realizadora de Babygirl e Bodies Bodies Bodies, produzido pela A24. O acordo marca um salto significativo na carreira da atriz, que troca o registo essencialmente juvenil da série pela sensibilidade mais adulta e provocadora que tem definido o trabalho de Reijn nos últimos anos.
A escolha não é inocente: depois de Bodies Bodies Bodies, sátira geracional sobre um grupo de jovens ricos, e Babygirl, drama sobre desejo e poder que relançou a conversa em torno de Nicole Kidman, Reijn tornou-se uma das vozes mais interessantes a explorar a psicologia de personagens jovens em contextos de tensão social e sexual, um território que parece talhado para testar Tung fora da zona de conforto que a tornou popular.
Para a A24, reforçar o elenco com um nome já com base de fãs consolidada é também uma jogada comercial inteligente, sem abdicar da assinatura de autor que caracteriza o estúdio. Resta agora esperar por mais detalhes sobre o argumento e restante elenco de Please, que deverá continuar a reforçar-se nos próximos meses.
A Netflix pôs fim a um dos projetos históricos mais ambiciosos que tinha em desenvolvimento: o épico sobre o general cartaginês Aníbal, protagonizado por Denzel Washington e realizado por Antoine Fuqua, foi cancelado depois de mais de três anos de espera. As filmagens estavam previstas para arrancar este verão, em Itália.
O motivo apontado é o orçamento, estimado em mais de 200 milhões de dólares, um valor que a plataforma terá considerado incomportável para um projeto sem garantias de retorno equivalente ao de uma franquia. O diretor de fotografia Robert Richardson, que estaria ligado à produção, resumiu o estado do filme de forma direta: está “efetivamente morto”.
Fuqua e Washington já trabalharam juntos várias vezes, da trilogia de O Protetor a Dia de Treino, uma parceria que alimentava expectativas altas em torno deste regresso a um género, o épico histórico de grande escala, que Hollywood tem cada vez mais dificuldade em financiar fora dos estúdios tradicionais. Fuqua vinha ainda de Michael, o biopic sobre Michael Jackson, o que tornava este Aníbal um dos projetos mais aguardados do realizador.
O cancelamento confirma uma tendência que se tem repetido nos últimos tempos: as plataformas de streaming, outrora dispostas a financiar produções de escala hollywoodesca sem os riscos da bilheteira, estão agora mais cautelosas com orçamentos de topo, sobretudo quando não há uma franquia ou propriedade intelectual conhecida a garantir audiência.
A versão live-action de Moana estreia nos cinemas a 10 de julho, uma data escolhida a dedo: coincide com o décimo aniversário da animação original de 2016. O projeto marca também a estreia na realização de longas-metragens de Thomas Kail, nome conhecido do teatro pela direção de Hamilton, que aqui assume o desafio de transpor para ação real uma das animações mais queridas da última década da Disney.
Catherine Laga’aia estreia-se no cinema no papel principal, sucedendo à voz original de Auli’i Cravalho, enquanto Dwayne Johnson regressa como Maui, papel que já lhe conhecemos da animação. Lin-Manuel Miranda mantém-se ligado ao projeto como compositor e produtor, garantindo continuidade musical com o filme original, e a produção conta ainda com Hiram e Dany Garcia e Beau Flynn ao lado do próprio Johnson.
O caminho até às salas não foi imediato: o filme estava inicialmente previsto para 27 de junho de 2025, mas a Disney decidiu adiá-lo um ano para evitar que a estreia coincidisse demasiado perto do lançamento de Moana 2 em animação, uma decisão que reflete bem a lógica de espaçamento de lançamentos que atualmente rege o calendário do estúdio.
Com a fórmula da adaptação em ação real já testada (e por vezes desgastada) noutros clássicos da Disney, Moana chega com a vantagem de partir de uma história mais recente e ainda fresca na memória do público, o que pode ajudar a evitar as comparações desfavoráveis que perseguiram outras destas transposições.
Acaba Com Eles chega aos Canais TVCine sem nunca ter passado pelas salas portuguesas. O thriller, conhecido internacionalmente como Bring Them Down, estreia como Inédito TVCine no sábado, dia 11 de julho, às 21h30, em exclusivo no TVCine Top e no TVCine+, com Barry Keoghan (Saltburn, Os Espíritos de Inisherin) e Christopher Abbott (Possessor, Sanctuary) nos papéis principais.
A história acompanha dois agricultores, Michael (Abbott) e Jack (Keoghan), cuja rivalidade de longa data na paisagem agreste do oeste da Irlanda se intensifica repentinamente, desencadeando uma espiral de violência que muda ambas as famílias para sempre. É um retrato cru da masculinidade tóxica, filmado com o rigor de quem conhece bem o território do drama rural irlandês.
O filme chega com um currículo de festivais que justifica a aposta da TVCine: depois de apresentado em Toronto, venceu o Prémio de Melhor Filme no Fantastic Fest, além do Prémio FIPRESCI no Festival de Mannheim-Heidelberg e o de Melhor Argumento em Roma. Na crítica internacional, reúne também uma recNo. de aprovação muito acima da média, com 90% de críticas positivas agregadas.
É a estreia em longa-metragem de Christopher Andrews, distinguido como Melhor Realizador Estreante nos British Independent Film Awards, um reconhecimento que confirma Acaba Com Eles como uma das apresentações mais sólidas do cinema independente irlandês dos últimos anos, mesmo sem ter chegado a estrear comercialmente em Portugal.
Depois da epopeia de Christopher Nolan, o mês de julho ainda guarda duas estreias que deverão disputar a atenção do público em registos opostos. A 24 de julho chega Evil Dead Burn, nova entrada standalone da franquia de terror Evil Dead, que continua a explorar variações sobre o mesmo pesadelo original sem se prender a uma cronologia rígida com os filmes anteriores.
Poucos dias depois, no derradeiro fim de semana do mês, estreia Homem-Aranha: Um Novo Dia, quarto filme do trepa-paredes no universo Marvel e o primeiro desde No Way Home. A história arranca quatro anos depois desse capítulo, com Peter Parker a continuar a sua rotina de combate ao crime até surgir uma ameaça nova e misteriosa que o obriga a juntar forças com outros aliados, e a lidar com uma evolução potencialmente perigosa dos seus poderes. Destin Daniel Cretton assume a realização, sucedendo a Jon Watts na cadeira de comando da saga.
A proximidade das duas estreias resume bem a lógica do calendário de verão: um título de nicho, pensado para os fãs fiéis do terror, e um blockbuster de escala familiar concebido para arrastar o público em massa às salas antes do fim das férias. Entre a Odisseia de Nolan, o terror de Evil Dead Burn e o regresso de Spider-Man, julho de 2026 dificilmente ficará marcado pela escassez de opções nos cinemas.
Julho não é só de estreias em sala: as plataformas de streaming também reservam títulos de peso para este mês. Na Netflix, o grande destaque é Enola Holmes 3, terceira aventura da irmã mais nova de Sherlock Holmes, com Millie Bobby Brown a repetir o papel principal ao lado de Henry Cavill, Louis Partridge, Himesh Patel, Sharon Duncan-Brewster e Helena Bonham Carter.
Ainda na Netflix, chega a 16 de julho The Hawk, comédia que junta Will Ferrell no papel de um antigo campeão de golfe, uma aposta clara no humor de fórmula que já deu bons resultados ao ator noutras produções do género.
A Prime Video já disponibilizou, desde dia 3, Project Hail Mary, adaptação de ficção científica com Ryan Gosling, um dos títulos mais aguardados do catálogo da plataforma para a primeira metade do ano. Já a HBO Max reserva para o final do mês, a 31 de julho, The Drama, produção da A24 filmada em Boston, num registo mais intimista e distante dos grandes orçamentos que dominam o resto da agenda de julho.
A oferta do mês confirma uma tendência que se tem vindo a consolidar: cada plataforma escolhe um género para se diferenciar, da comédia ao thriller sci-fi, passando pelo cinema de autor da A24.
O Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary chegou este ano à sua 60.ª edição, a decorrer entre 3 e 11 de julho na República Checa, e assinalou a efeméride com uma homenagem a Dustin Hoffman, reconhecendo uma carreira que atravessa seis décadas de cinema.
Antes mesmo do encerramento, o festival já revelou os primeiros vencedores, atribuídos na secção industry KVIFF Promises, dedicada a projetos em desenvolvimento. O Prémio Eurimages de Coprodução, no valor de 20 mil euros, foi para Selamlik, coprodução sueco-dinamarquesa realizada por Jerry Carlsson, com argumento de Khaled Alesmael e produção de Frida Mårtensson. O júri sublinhou a forma como o filme “ressoa com o contexto geopolítico atual”, numa referência direta à crise de deslocados que atravessa a Europa.
Outro reconhecimento distinguiu Reminiscence, projeto ucraniano liderado por uma dupla criativa feminina, uma realizadora emergente e uma produtora já estabelecida, que explora temas de perda, luto e sobrevivência na Ucrânia atual. Os vencedores da secção Promises seguem agora para o Marché du Film e a Producers Network, que decorrem durante o próximo Festival de Cannes.
Karlovy Vary continua, assim, a cumprir o duplo papel que o tornou incontornável no calendário europeu: celebrar a história do cinema e servir de rampa de lançamento para projetos que só chegarão às salas daqui a alguns anos.
O fim de semana alargado do 4 de Julho confirmou Minions & Monstros no topo da bilheteira norte-americana, mas os números não trouxeram grandes motivos de festa à Illumination e à Universal. A nova aventura das criaturas amarelas arrecadou 36,4 milhões de dólares no fim de semana e 61,4 milhões desde a estreia de quarta-feira, um valor que representa a abertura de cinco dias mais fraca de toda a franquia.
O feriado trouxe ainda a estreia larga de Young Washington, da Angel Studios, distribuído em cerca de 2.700 salas e sincronizado com a celebração dos 250 anos da fundação dos Estados Unidos. O filme, realizado por Jon Erwin e protagonizado por William Franklyn-Miller como um jovem George Washington, junta ainda Kelsey Grammer, Mary-Louise Parker e Ben Kingsley.
Enquanto isso, Disclosure Day, de Steven Spielberg, tornou-se o 13.º filme de 2026 a ultrapassar os 100 milhões de dólares em receitas domésticas, prova de que o ano continua a produzir sucessos de bilheteira em ritmo elevado. Já Obsession, veterano de cartaz, somou mais 5,3 milhões de dólares e ultrapassou a fasquia dos 245 milhões acumulados, mantendo-se irredutível semana após semana.
O contraste entre a quebra relativa de uma franquia de animação já consolidada e a resistência de títulos como Obsession, ou o marco atingido por Disclosure Day, diz muito sobre o estado atual do mercado: o público continua a ir ao cinema, mas cada vez de forma mais seletiva.
Wicked chega aos Canais TVCine já esta sexta-feira, dia 10 de julho, às 21h30, com estreia simultânea no TVCine Top e no TVCine+. O musical, que adapta para o grande ecrã duas décadas de sucesso nos palcos da Broadway e do West End, junta Cynthia Erivo e Ariana Grande num dos elencos mais comentados do cinema musical recente.
A história segue Elphaba, jovem incompreendida por causa da sua pele verde e que ainda não descobriu o seu verdadeiro poder, e Glinda, popular, ambiciosa e ainda por descobrir o seu verdadeiro coração. As duas cruzam-se como estudantes na Universidade de Shiz, na Terra de Oz, e constroem uma amizade improvável que um encontro com o Maravilhoso Feiticeiro de Oz acaba por colocar à prova, empurrando-as para caminhos opostos: um de sedução pelo poder, outro de fidelidade a si própria, com consequências que ecoam na história que todos já conhecem de O Feiticeiro de Oz.
Realizado por Jon M. Chu (Asiáticos Doidos e Ricos, Ao Ritmo de Washington Heights), Wicked venceu os Óscares de Melhor Guarda-Roupa e Melhor Cenografia, além de somar oito outras nomeações, incluindo Melhor Filme. Ao elenco principal juntam-se ainda Jonathan Bailey, Michelle Yeoh e Jeff Goldblum.
A chegada de Wicked à grelha marca também o culminar da aposta da TVCine no cinema musical, depois de já terem entrado em exibição nos seus canais O Feiticeiro de Oz e O Feiticeiro, ambos ligados ao mesmo universo. Para quem gosta do género, a sexta-feira promete ser de cartaz cheio.
A Odisseia, o novo filme de Christopher Nolan, estreia nos cinemas a 16 de julho, marcando o regresso do realizador ao grande ecrã depois do sucesso arrasador de Oppenheimer. Desta vez, Nolan troca a física quântica pela mitologia grega, adaptando a epopeia de Homero à sua maneira: uma leitura sobre o tempo, a memória e a resistência humana, mais do que uma simples reconstituição de aventuras marítimas.
Matt Damon veste a pele de Ulisses (Odisseu), o guerreiro que tenta regressar a casa depois da Guerra de Troia e se vê arrastado numa travessia repleta de provações. À sua volta, Nolan reuniu um elenco coral que poucos realizadores conseguiriam justificar num único filme: Anne Hathaway, Zendaya, Tom Holland, Charlize Theron, Robert Pattinson, Jon Bernthal e Mia Goth completam a lista de nomes que partilham cartaz.
A ambição da produção não é surpresa vinda de quem já trabalhou à escala de Interstellar, Dunkirk ou Oppenheimer. Ainda assim, A Odisseia promete ser o projeto mais coral, e ao que tudo indica um dos mais dispendiosos, da carreira de Nolan, um sinal claro de que Hollywood continua disposta a apostar em epopeias de autor mesmo num mercado dominado por franquias.
Resta saber se a fidelidade ao espírito de Homero, errância, hybris, o peso do regresso, sobrevive ao tratamento de blockbuster estival. É essa tensão, entre poema clássico e espetáculo de verão, que deverá definir as críticas quando o filme chegar às salas.
A cantora Maro vai estrear-se no mundo das dobragens em Patrulha Pata: O Filme dos Dinossauros, dando voz à personagem Nancy. A novidade é o destaque da versão portuguesa do filme, que chega às salas nacionais a 6 de agosto, exclusivamente dobrado, uma opção habitual da Paramount para esta franquia infantil e que garante o filme mais acessível ao público mais novo.
Ao lado de Maro, o elenco de vozes portuguesas junta nomes já habituais na dobragem nacional: Soraia Tavares, Bárbara Lourenço, Vasco Pereira Coutinho, Mafalda Luís de Castro, Rodrigo Costa e Romeu Vala emprestam a voz aos protagonistas da Patrulha Pata. A lista completa de vozes está disponível nos materiais de imprensa disponibilizados pela distribuidora.
O filme leva a equipa de cães-heróis a um território novo dentro da franquia: depois de a sua nave ser apanhada por uma tempestade misteriosa, os membros da Patrulha Pata aterram de emergência numa ilha tropical desconhecida, habitada por dinossauros. Ali conhecem Rex, um jovem cão que ficou preso na ilha durante anos e se tornou um verdadeiro especialista em tudo o que diz respeito aos répteis pré-históricos. A aventura complica-se quando o arqui-inimigo da equipa, o Presidente da Câmara Humdinger, inicia uma exploração imprudente dos recursos naturais da ilha e acaba por provocar a erupção de um vulcão adormecido, obrigando a Patrulha Pata a uma sucessão de missões de resgate de alto risco para impedir que tudo seja destruído.
A estreia de Maro insere-se numa prática cada vez mais comum em Portugal, a de trazer nomes da música para as dobragens de animação, como forma de ampliar o alcance destes filmes junto do público mais novo e das famílias que os acompanham às salas. Resta agora saber se a experiência terá continuidade, ou se ficará apenas por esta incursão pontual no universo da Patrulha Pata.