Depois de arrasar na temporada de prémios — Óscares, Globos de Ouro, BAFTA, Critics’ Choice, entre outros —, “Hamnet” chega finalmente a Portugal, em exclusivo na TVCine+, a partir de 29 de julho, gratuito para todos os subscritores dos Canais TVCine.
O filme parte de uma pergunta simples e pouco explorada: o que aconteceu a William Shakespeare antes de se tornar Shakespeare? Inglaterra, 1580. Will é ainda um tutor de latim empobrecido quando conhece Agnes, mulher de espírito livre que o cativa por completo. O que começa como um caso tórrido rapidamente se transforma em casamento e em três filhos — mas enquanto a carreira teatral de Will ganha forma na distante Londres, Agnes fica sozinha a gerir a vida doméstica. É quando a tragédia atinge a família que o vínculo entre os dois é verdadeiramente posto à prova, e é dessa dor pessoal, transformada em obra, que nasce “Hamlet” — a peça mais célebre de toda a literatura dramática ocidental, revelada aqui como resposta directa a uma perda íntima e devastadora.
A adaptação, do romance homónimo de Maggie O’Farrell, tem por trás um dos conjuntos de nomes mais fortes do cinema recente: realização de Chloé Zhao, que já tinha levado “Nomadland” a arrecadar os Óscares de Melhor Filme e Melhor Realização, e produção de Steven Spielberg e Sam Mendes — uma combinação de peso que ajuda a explicar tanto a ambição visual do filme como a atenção que recebeu ao longo de toda a temporada de prémios. Jessie Buckley, no papel de Agnes, venceu este ano o Óscar de Melhor Actriz, juntando ao troféu os prémios BAFTA, Critics’ Choice e SAG pela mesma interpretação — um consenso raro entre os principais círculos de crítica e de academia. Paul Mescal, como Will, completa a dupla central. Ao todo, “Hamnet” somou oito nomeações aos Óscares e venceu o Globo de Ouro de Melhor Drama.
Para quem só conhece Shakespeare através dos textos que sobreviveram até hoje, “Hamnet” oferece um ângulo raramente explorado no cinema: a ideia de que a maior obra de um autor pode nascer não da imaginação pura, mas da necessidade de sobreviver à própria dor. É, por isso, tanto um filme sobre a criação artística quanto um retrato de casamento e luto — e talvez seja essa dupla natureza que explica o consenso quase unânime da crítica e dos prémios em torno dele.
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