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Lee Cronin Tentou Ressuscitar A Múmia — e o Resultado Está Algures entre o Brilhante e o Excessivo

Lee Cronin tem uma carreira que parece desenhada para este momento. O realizador irlandês estreou-se em 2019 com The Hole in the Ground, um horror atmosférico que a crítica especializada recebeu com entusiasmo mas que passou despercebido ao grande público. Em 2023, a New Line deu-lhe Evil Dead Rise — a quarta entrada numa franchise histórica —, e o que Cronin fez foi notável: respeitou o material, actualizou o cenário para um apartamento urbano moderno, e entregou um horror doméstico de uma eficácia brutal que angariou 147 milhões de dólares globais e confirmou que o realizador sabe exactamente como calibrar o medo.

Lee Cronin’s The Mummy — o título coloca o nome do realizador na frente, à maneira dos auteurs clássicos, o que é simultaneamente uma declaração de intenções e um convite ao julgamento directo — parte de uma premissa que tem tudo para funcionar. Uma repórter e o marido investigam o desaparecimento da filha pequena no Egipto. Oito anos depois, recebem uma chamada das autoridades egípcias: a rapariga foi encontrada viva num sarcófago de 3000 anos. A reunião familiar que deveria ser o fim do pesadelo é o início de outro. A criança voltou — mas transformada em algo que não é totalmente humano.

É uma história sobre luto, sobre o que fazemos quando aquilo que esperávamos recuperar não é o que recebemos de volta. É também, nas mãos de Cronin, um horror físico extremamente desconfortável — os críticos que o elogiaram fizeram-no exactamente por isso, e os que o criticaram fizeram-no pela mesma razão. A Associated Press chamou-lhe “um bloodfest de causas perdidas.” O indiewire disse que Cronin “claramente é mais interessado no emocional do que no intelectual — e nesse sentido alcança algo genuíno.” A divisão é real: 45% nos críticos, 77% no público.

O elenco é sólido sem ser estrelar: Jack Reynor, o actor irlandês de Midsommar e Monsters of Man, como o pai; Laia Costa como a mãe; May Calamawy como a arqueóloga que tenta explicar o que está a acontecer; e a jovem Natalie Grace na difícil tarefa de interpretar uma criança que é simultaneamente a mesma que desapareceu e algo completamente diferente. Jason Blum e James Wan produziram através da Blumhouse e da Atomic Monster, numa colaboração que está a construir sistematicamente um novo universo de monstros clássicos reimaginados — depois do sólido Homem Invisível(2020) e do dececionante Wolf Man (2025), A Múmia fica algures no meio.

Com 13,5 milhões de dólares de abertura e um orçamento de apenas 22 milhões, o filme não é um desastre financeiro — na verdade, com os mercados internacionais a contribuírem com 17,5 milhões adicionais já no primeiro fim-de-semana, o break-even está ao alcance. Mas a Blumhouse claramente esperava mais, e o horror de 2026 ainda não encontrou o seu grande momento do ano. Cronin tem o talento. A premissa tinha potencial. O resultado é um horror que funciona melhor como experiência visceral do que como filme — o que, dependendo do que procuram numa tarde de cinema, pode ser exactamente o suficiente ou não ser suficiente de todo.

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