Quando o Amor se Torna Ruptura: Mata-te, Amor Chega aos Cinemas com Jennifer Lawrence em Estado de Graça

Um drama psicológico intenso sobre maternidade, identidade e colapso emocional

Há filmes que não pedem licença ao espectador. Mata-te, Amor é claramente um deles. Realizado por Lynne Ramsay, uma das vozes mais implacáveis e singulares do cinema contemporâneo, o filme chega finalmente aos cinemas portugueses a 15 de Janeiro, depois de uma passagem muito falada pelo Festival de Cannes e de uma nomeação aos Globos de Ouro para Jennifer Lawrence, na categoria de Melhor Atriz em Filme Dramático  .

ler também : Terry Gilliam não perdoa: porque Time Bandits falhou sem anões — e porque nunca poderia resultar

Baseado no romance homónimo da escritora argentina Ariana Harwicz, Mata-te, Amor mergulha de forma frontal e sem concessões nos territórios da maternidade, da saúde mental e da erosão da identidade feminina. Um filme desconfortável, exigente e profundamente perturbador — exactamente como Ramsay gosta.

Uma casa no campo, um bebé e o início do desmoronar

A história centra-se em Grace, interpretada por Jennifer Lawrence, e no seu companheiro Jackson, vivido por Robert Pattinson. O casal muda-se para uma antiga casa de campo numa zona rural dos Estados Unidos, numa tentativa de recomeço. Grace sonha tornar-se escritora, enquanto Jackson se ausenta frequentemente, deixando-a sozinha com o peso da vida doméstica.

O nascimento do primeiro filho, longe de unir o casal, funciona como catalisador de uma lenta mas implacável implosão emocional. A solidão, a frustração e a sensação de apagamento pessoal empurram Grace para um estado de instabilidade crescente, que Ramsay filma com uma proximidade quase sufocante.

Não há aqui romantização da maternidade nem respostas fáceis. Mata-te, Amor recusa o conforto narrativo e obriga o espectador a permanecer dentro do desconforto — um traço recorrente na filmografia da realizadora escocesa.

Jennifer Lawrence como nunca a vimos

A interpretação de Jennifer Lawrence tem sido amplamente apontada como uma das mais intensas e corajosas da sua carreira, valendo-lhe a nomeação aos Globos de Ouro  . Longe do glamour hollywoodiano, a actriz entrega-se a uma composição crua, física e emocionalmente desgastante, que raramente procura empatia fácil.

Ao seu lado, Robert Pattinson constrói um Jackson distante e opaco, cuja ausência pesa tanto quanto a sua presença. O elenco conta ainda com nomes de peso como Sissy SpacekNick Nolte e LaKeith Stanfield, reforçando a densidade dramática do filme.

Um olhar autoral sem concessões

O argumento é assinado por Enda Walsh, Lynne Ramsay e Alice Birch, numa adaptação que preserva a violência emocional e a linguagem interior do romance original. A produção reúne nomes de peso, incluindo Martin Scorsese, num sinal claro da relevância do projecto.

Apresentado em competição oficial em Cannes, Mata-te, Amor confirmou-se como uma das obras mais debatidas da temporada, consolidando Ramsay como uma cineasta interessada na fragilidade humana, na ruptura psicológica e nos espaços onde o amor deixa de ser abrigo para se tornar ameaça.

ler também : Comprou domínios só para gozar com Trump — e agora a piada tornou-se realidade no coração cultural de Washington

Estreia em Portugal

Distribuído em Portugal pela NOS AudiovisuaisMata-te, Amor estreia nos cinemas nacionais a 15 de Janeiro. Um filme que não pretende agradar a todos, mas que dificilmente deixará alguém indiferente.

Sequências, remakes e nostalgia: os trailers mais vistos de 2025 dizem muito sobre o cinema actual

Se havia dúvidas de que Hollywood continua profundamente ancorada na nostalgia e na força das marcas conhecidas, os números de 2025 tratam de as dissipar. Os trailers mais vistos do ano foram, quase sem excepção, sequências, remakes ou extensões de universos já bem estabelecidos — uma fotografia clara de uma indústria que aposta cada vez menos no risco e cada vez mais no reconhecimento imediato.

ler também : Jamie Lee Curtis agradece decisão da mãe: “Ainda bem que não me deixou fazer O Exorcista aos 12 anos”

O caso mais impressionante foi o de The Devil Wears Prada 2. Um teaser com menos de um minuto bastou para bater um recorde histórico: 181,5 milhões de visualizações nas primeiras 24 horas, tornando-se o trailer de comédia mais visto dos últimos 15 anos. O regresso de Meryl Streep e Anne Hathaway ao universo criado em 2006 mostrou que, duas décadas depois, Miranda Priestly continua a exercer um fascínio quase absoluto sobre o público.

Um dado curioso ajuda a explicar o fenómeno: cerca de um terço das visualizações veio directamente das redes sociais pessoais de Anne Hathaway. A coincidência com o seu aniversário reforçou ainda mais o impacto viral do lançamento, provando como hoje a promoção de um filme passa tanto pelo marketing tradicional como pela presença digital das suas estrelas.

A Disney domina — outra vez

Logo atrás surgem dois remakes em imagem real da Disney, confirmando a estratégia agressiva do estúdio em revisitar os seus clássicos animados. Moana somou 161,2 milhões de visualizações nas primeiras 24 horas, enquanto Lilo & Stitch alcançou 149,4 milhões. São números que colocam estes filmes muito acima da maioria das estreias originais do ano.

O top 5 fica completo com The Fantastic Four: First Steps, reboot da Marvel que chegou aos 144,1 milhões de visualizações, e Toy Story 5, com 133,6 milhões, marcando o regresso da saga sete anos depois do último filme.

Mais abaixo na lista continuam a surgir títulos bem conhecidos: Avatar: Fire and AshZootopia 2 e Wicked: For Good. Entre os dez trailers mais vistos, apenas um não pertence a uma sequela, remake ou propriedade intelectual pré-existenteMichael, a biografia de Michael Jackson protagonizada pelo sobrinho do cantor.

Streaming: Stranger Things continua imbatível

No universo do streaming, o domínio foi absoluto por parte de Stranger Things. A quinta e última temporada ocupou três dos quatro primeiros lugares entre os trailers mais vistos do ano, somando, no total, cerca de 490 milhões de visualizações em diferentes teasers e anúncios de data de estreia.

Também Squid Game e Wednesday confirmam que as grandes plataformas apostam sobretudo em fenómenos já testados, capazes de gerar atenção global imediata.

Menos visualizações, outras plataformas

Apesar destes números impressionantes, há sinais de mudança. No conjunto, os dez trailers cinematográficos mais vistos de 2025 registaram menos 8% de visualizações face a 2024. O YouTube perdeu peso, enquanto o TikTok ganhou relevância, sendo determinante para o sucesso de trailers como Lilo & StitchAvatar: Fire and Ash e Zootopia 2.

A Disney foi, ainda assim, a grande vencedora do ano, colocando sete filmes no top 10, um aumento significativo face ao ano anterior. O panorama é claro: menos espaço para apostas originais, mais investimento em marcas reconhecíveis e uma dependência crescente da nostalgia como motor de atenção.

2025 não deixa grandes dúvidas. O cinema continua a avançar… mas a olhar constantemente pelo retrovisor.

X-Men em Cena: Trailer Furtivo de Avengers: Doomsday Finalmente Acende o Entusiasmo dos Fãs

Durante meses, Avengers: Doomsday foi alvo de expectativa moderada, envolta numa estratégia de marketing curiosamente discreta para um dos filmes mais decisivos do futuro do Universo Cinematográfico da Marvel. Mas isso mudou nas últimas horas. Um novo trailer — desta vez centrado nos X-Men — começou a circular online em versões gravadas dentro de salas de cinema e, pela primeira vez, o entusiasmo parece genuíno.

Não é a estreia oficial que a Marvel gostaria, mas é a que está a funcionar.

Tal como aconteceu com os trailers dedicados a Steve Rogers e Thor, a Disney continua a apostar na exibição exclusiva em sala. O problema é que, em 2025, essa exclusividade dura minutos. O resultado? Imagens tremidas, som imperfeito… e uma avalanche de reacções entusiasmadas.

O regresso simbólico dos X-Men

O trailer é dominado por uma sequência inesperadamente contida: Professor X e Magneto jogam xadrez, num claro eco visual e temático do cinema clássico dos mutantes. Professor X surge com um casaco azul marcado pelo icónico “X” vermelho e preto, enquanto Magneto aparece com cabelo comprido e barba desgrenhada, transmitindo desgaste, luto e convicção.

Em voz-off, Magneto profere uma frase que define o tom do filme:

“A morte chega a todos nós. A questão não é se estás preparado para morrer, mas quem és quando fechas os olhos.”

É um discurso grave, quase filosófico, que contrasta com a leveza de muitos momentos recentes do MCU — e isso, só por si, já diz muito.

O momento que incendiou a internet

Mas o verdadeiro ponto de ruptura surge segundos depois.

Um Cyclops devastado pela dor aparece em pleno ecrã, vestido com o clássico uniforme azul e amarelo inspirado directamente em X-Men ’97. Sem visor. Sem contenção. Um disparo óptico massivo rasga o céu.

É um plano curto, mas suficiente para provocar algo raro nos últimos anos da Marvel: reacção visceral.

Durante décadas, Cyclops foi tratado como personagem secundária no cinema. Aqui, surge finalmente como líder trágico, poderoso e emocionalmente carregado. Para muitos fãs, este único momento vale mais do que trailers inteiros de filmes anteriores.

Entre o cânone e o multiverso

Embora a estética remeta directamente para X-Men ’97, a série animada nunca fez parte do cânone oficial do MCU. Mas estamos em plena saga do multiverso — e, neste território narrativo, quase tudo é possível.

Os X-Men confirmados no filme incluem:

  • Professor X
  • Magneto
  • Cyclops
  • Nightcrawler
  • Beast
  • Mystique
  • Gambit

Faltam nomes óbvios, desde logo Wolverine, cuja versão interpretada por Hugh Jackman já regressou ao MCU. Ainda assim, tudo aponta para que Doomsday funcione mais como uma ponte do que como ponto de chegada.

O grande confronto entre Vingadores e X-Men deverá ter consequências mais profundas em Avengers: Secret Wars, onde se espera já uma nova geração de mutantes — mais jovem, mais integrada e definitivamente pensada para o futuro da Marvel.

Mais do que nostalgia

O aspecto mais interessante deste trailer não é apenas o fan service. É o tom. Há peso dramático, conflito ideológico e uma sensação clara de que estes personagens não estão ali apenas para um cameo.

A ideia de um confronto entre X-Men e Vingadores parece apontar para um clássico “mal-entendido multiversal”, mas a duração e o foco do trailer sugerem algo mais substancial. Não se trata apenas de aparecer, lutar e desaparecer.

Um raro sinal de esperança

Depois de anos de hesitação estratégica, Avengers: Doomsday dá finalmente sinais de saber o que quer ser. E, talvez mais importante, de perceber o que o público quer sentir.

Se aquele disparo de Cyclops é um indicador do caminho criativo que a Marvel pretende seguir, então — pela primeira vez em muito tempo — há razões para acreditar que isto pode resultar.

Agora resta esperar pelo próximo trailer. Diz-se que será centrado em Doctor Doom. Se mantiver este nível de ambição, talvez o MCU esteja finalmente a reencontrar o seu rumo.

Os Números Não Enganam: Eis o Verdadeiro Motivo do Cansaço do Universo Marvel (E Como Ainda Pode Ser Salvo)

Desde a estreia de Avengers: Endgame em 2019, o Universo Cinematográfico da Marvel vive numa espécie de ressaca prolongada. O filme, que arrecadou uns impressionantes 2,8 mil milhões de dólares em todo o mundo, não foi apenas o culminar de uma saga — para muitos espectadores, funcionou também como um ponto final emocional. A partir daí, algo mudou.

ler também : James Cameron Promete Contar o Final de Avatar Nem Que Seja Numa Conferência de Imprensa

É verdade que ainda surgiram fenómenos pontuais, como Spider-Man: No Way Home ou o mais recente Deadpool & Wolverine, mas esses sucessos tornaram-se excepções num percurso cada vez mais irregular. A própria promoção de Avengers: Doomsday assume isso sem pudor, apostando forte na nostalgia e no regresso de figuras clássicas como Steve Rogers, interpretado por Chris Evans. A mensagem é clara: os novos heróis ainda não chegaram ao mesmo patamar emocional.

O problema não é só “demasiado conteúdo”

Internamente, a explicação oficial aponta para a chamada “diluição da marca”. Bob Iger já admitiu que a avalanche de séries e filmes associados ao Disney+ pode ter enfraquecido o impacto do MCU. Há verdade nisso, mas os números revelam algo ainda mais preocupante.

Quando se analisam os intervalos entre a primeira, segunda e terceira aparição dos heróis nas diferentes fases do MCU, o padrão é evidente: os personagens das Fases 1 a 3 regressavam muito mais depressa, permitindo ao público criar laços, acompanhar arcos narrativos e investir emocionalmente.

Nas Fases 1 a 3, o intervalo médio entre a estreia de um herói e o seu regresso rondava dois anos. Já na Fase 4, esse intervalo sobe para mais de três anos, com ainda mais tempo entre a segunda e a terceira aparição — quando esta acontece.

Novos heróis apresentados… e abandonados

Este atraso tem consequências claras. O público conhece uma nova personagem, simpatiza com ela, e depois… espera. Durante anos. Em alguns casos, sem qualquer sinal de continuidade.

Shang-Chi, interpretado por Simu Liu, é talvez o exemplo mais gritante. Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings foi um sucesso em plena pandemia, mas o herói só voltará ao grande ecrã seis anos depois, em Avengers: Doomsday. Seis anos é uma eternidade na cultura popular contemporânea.

O mesmo sucede com Kate Bishop, vivida por Hailee SteinfeldHawkeye teve uma recepção muito positiva, mas desde 2021 não houve qualquer desenvolvimento concreto da personagem em imagem real.

Até projectos televisivos sofreram do mesmo mal. Houve três anos de espera entre WandaVision e a série centrada em Agatha Harkness, e quase o mesmo com Ironheart, cuja série ficou concluída muito antes de finalmente ver a luz do dia.

A excepção que confirma a regra

Curiosamente, há uma personagem da Fase 4 que parece ter beneficiado de uma estratégia mais próxima do “velho” MCU: Yelena Belova, interpretada por Florence Pugh. A sua presença em Black Widow e Hawkeye no mesmo ano ajudou a solidificar a personagem, criando continuidade e empatia. Ainda assim, só quatro anos depois voltou a assumir um papel central em Thunderbolts.

Não é coincidência que seja uma das poucas novas figuras que realmente ganhou peso cultural.

O que a Marvel parece ter esquecido

O erro da Marvel não foi apenas apresentar demasiados heróis. Foi apresentá-los e não os acompanhar. O público não cria ligação emocional com personagens descartáveis ou intermitentes. Iron Man, Captain America ou Thor não se tornaram ícones por acaso: regressavam regularmente, cruzavam-se com outros heróis e evoluíam diante dos nossos olhos.

Com Avengers: Secret Wars no horizonte e a inevitável chegada dos X-Men a preparar uma nova saga, o risco repete-se. Se a Marvel não reaprender a investir tempo nas personagens que cria, continuará a viver de memórias em vez de construir o futuro.

ler também : “The Institute”: a série de Stephen King que começou na HBO Max e continua a conquistar público no Prime Video

Menos lançamentos pode ser uma boa decisão. Mas menos pressa e mais continuidade será, provavelmente, a única forma de devolver ao MCU a relevância emocional que já teve.

James Cameron Promete Contar o Final de Avatar Nem Que Seja Numa Conferência de Imprensa

Há realizadores persistentes. E depois há James Cameron.

Depois de 16 anos dedicados quase exclusivamente ao universo de Avatar, Cameron deixou claro que a história de Pandora vai ser concluída, aconteça o que acontecer — nem que para isso tenha de subir a um púlpito, abrir um microfone e explicar, ponto por ponto, o destino dos Na’vi, de Eywa e de todas as tribos que entretanto inventou.

ler também : “The Institute”: a série de Stephen King que começou na HBO Max e continua a conquistar público no Prime Video

A declaração surgiu numa entrevista recente, onde o realizador afirmou que, mesmo no cenário improvável de Avatar: Fire and Ash não gerar receitas suficientes para justificar os planeados Avatar 4 e Avatar 5ele revelaria publicamente todo o final da saga numa conferência de imprensa. Sem metáforas. Sem rodeios. Palavra por palavra.

A afirmação soa quase absurda — mas, vinda de Cameron, é apenas mais um capítulo numa carreira marcada por obsessão criativa, perfeccionismo extremo e uma confiança inabalável nas histórias que quer contar.

Um medo que, na prática, não existe

Na realidade, tudo indica que Cameron nunca terá de cumprir essa promessaAvatar: Fire and Ash arrecadou cerca de 500 milhões de dólares na primeira semana em cartaz, um valor inferior aos anteriores capítulos, mas ainda assim esmagador quando comparado com a esmagadora maioria dos filmes produzidos em Hollywood.

O fascínio global por Pandora, pelas ligações neurais com árvores, criaturas voadoras gigantes e baleias espaciais com consciência espiritual continua claramente intacto. A probabilidade de a Disney retirar o apoio à conclusão da saga é, neste momento, praticamente nula.

Ainda assim, há algo de fascinante na imagem de Cameron disposto a explicar todo o arco narrativo de Avatar à força da palavra, caso o cinema lhe fosse negado.

A mitologia que não cabe num slide

Parte do encanto desta ideia reside no próprio homem. Cameron não é conhecido por simplificar conceitos. Pelo contrário: a mitologia de Avatar cresce a cada filme, acumulando nomes de clãs, variações culturais, criaturas, sistemas espirituais e relações ecológicas cada vez mais complexas.

A simples hipótese de o realizador tentar organizar tudo isto numa conferência levanta questões legítimas:

— Usaria um PowerPoint?

— Precisaria de diagramas para distinguir Omatikaya, Metkayina e Mangkwan?

— Confundiria algum Toruk com um Tulkun a meio da explicação?

Ou, mais provavelmente, Cameron avançaria confiante, apoiado apenas na convicção absoluta de que Eywa quis assim, e que o público é que ainda não percebeu totalmente a grandiosidade do plano.

Uma obsessão assumida

Brincadeiras à parte, esta declaração revela algo essencial sobre Cameron: Avatar não é apenas uma franquia, é um projecto de vida. Ao contrário de muitas sagas planeadas em função de resultados trimestrais, esta foi concebida desde o início como uma narrativa fechada, com princípio, meio e fim.

Cameron já demonstrou noutras fases da carreira — de Titanic a The Abyss — que não abdica facilmente das histórias que sente que precisa de contar. E, se for necessário, fá-lo-á fora do grande ecrã.

ler também : Morreu Brigitte Bardot, Ícone Absoluto do Cinema Francês, aos 91 Anos

Mas, sejamos honestos: enquanto houver espectadores dispostos a ver humanos azuis ligados a árvores cósmicas durante três horas, James Cameron não vai precisar de púlpitos nem microfones improvisados.

Pandora continuará. Eywa continuará. E Cameron também.

Quatro Filmes, Quatro Olhares: Janeiro de Cinema de Autor no Cine-Teatro Avenida

O início de 2026 traz consigo uma proposta cinematográfica sólida e exigente no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco, que aposta em quatro filmes de forte identidade autoral e reconhecido relevo no panorama internacional contemporâneo. A programação de janeiro confirma uma linha curatorial coerente, centrada no cinema de autor europeu e norte-americano, com obras que exploram o trauma, a memória, o reencontro e a reconstrução pessoal e colectiva.

ler também : Val Kilmer: Talento Incandescente, Ego Indomável e a Carreira Que Hollywood Nunca Soube Domar

O ciclo arranca a 7 de janeiro com Onde Aterrar, do realizador norte-americano Hal Hartley. A comédia, de tom assumidamente existencial, acompanha um realizador aposentado que se vê confrontado com os equívocos, projeções e mal-entendidos daqueles que o rodeiam. Fiel ao estilo minimalista e irónico de Hartley, o filme propõe uma reflexão sobre identidade, envelhecimento e a forma como somos lidos pelos outros num mundo que raramente escuta com atenção.

13 de janeiro, chega ao ecrã Pequenos Clarões, da realizadora espanhola Pilar Palomero. Trata-se de um drama intimista centrado em reencontros familiares, no cuidado prestado aos outros e nas memórias que permanecem por resolver. Com uma abordagem sensível e contida, o filme inscreve-se numa tradição de cinema emocionalmente rigoroso, onde os silêncios e os pequenos gestos assumem um peso narrativo determinante.

No dia 20 de janeiro, é exibido Justa, da cineasta portuguesa Teresa Villaverde. Inspirado na tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande, o filme acompanha várias personagens num território marcado pela perda, pelo luto e pela difícil tentativa de reconstrução. Sem recorrer a dramatismos fáceis, Justa propõe um olhar humanista sobre uma ferida colectiva ainda aberta, cruzando experiências individuais com uma dimensão social e política profundamente enraizada na realidade portuguesa recente.

A programação encerra a 27 de janeiro com Miroirs Nº 3, do realizador alemão Christian Petzold. O filme explora as consequências do trauma e as relações humanas construídas a partir do acolhimento e da partilha. Petzold volta a demonstrar a sua mestria na construção de narrativas psicológicas densas, onde a identidade se reconstrói lentamente através do contacto com o outro e da aceitação da fragilidade.

ler também : O Génio Que Hollywood Aprendeu a Tolerar (Até Deixar de Conseguir): A Lenda e o Caos de Marlon Brando

Todas as sessões decorrem no Cine-Teatro Avenida, sempre às 18h00 e 21h30, com classificação etária M/12. O bilhete tem o custo de 4,00 euros, estando prevista uma oferta especial na compra de três ingressos, com direito ao quarto bilhete gratuito. Uma programação que reforça o papel do Cine-Teatro Avenida como espaço de resistência cultural e de promoção de um cinema exigente, reflexivo e profundamente humano.  

Ridley Scott volta ao futuro… mas o calendário mudou: The Dog Stars adiado para o final do Verão de 2026

Um thriller pós-apocalíptico com novo posicionamento estratégico

O próximo filme de Ridley ScottThe Dog Stars, já não vai chegar às salas de cinema na Primavera de 2026. A 20th Century Studios, em articulação com a Disney, decidiu adiar a estreia do aguardado thriller de ficção científica para 28 de Agosto de 2026, empurrando-o para o encerramento da época alta de Verão em Hollywood.

ler também : O destino do mundo está em jogo: Missão: Impossível –  chega à televisão portuguesa – Ajuste de Contas

O projecto, anunciado em Novembro de 2024 como o sucessor directo de Gladiator II, adapta o romance homónimo de Peter Heller, publicado em 2012. A história transporta-nos para um mundo devastado por uma pandemia que dizimou a humanidade, acompanhando um homem que vive isolado com o seu cão e um arsenal mínimo, até ao momento em que uma misteriosa transmissão de rádio sugere que talvez não esteja tão sozinho quanto pensava.

Um elenco de luxo num mundo em ruínas

Realizado por Ridley Scott, The Dog Stars reúne um elenco impressionante liderado por Jacob ElordiMargaret Qualley e Josh Brolin, contando ainda com Benedict Wong e Guy Pearce em papéis de relevo. Um conjunto de nomes que reforça a ambição do estúdio em transformar este filme num dos grandes eventos cinematográficos do ano.

Inicialmente marcado para 27 de Março de 2026, o filme viu essa data ser atribuída a Ready or Not 2: Here I Come, libertando assim o espaço primaveril para outros pesos-pesados do calendário.

Fuga à concorrência… ou sinal de confiança?

A mudança não é inocente. The Dog Stars estava inicialmente posicionado logo após Project Hail Mary, outra adaptação literária de ficção científica com ambições elevadas. Agora, Scott vê o seu filme chegar aos cinemas no mesmo fim-de-semana que o reboot de Cliffjumper, de Jaume Collet-Serra, e o muito falado Coyote vs. Acme, salvo à última hora do arquivamento e finalmente distribuído pela Ketchup Entertainment.

Mais do que uma fuga à concorrência feroz da Primavera — onde se perfilavam títulos como The Super Mario Galaxy MovieThe Mummy ou Michael —, este adiamento pode ser interpretado como um voto de confiança. O final de Agosto tem sido, nos últimos anos, terreno fértil para sucessos inesperados e apostas mais adultas.

Ridley Scott: génio incontestável, percurso irregular

Poucos realizadores têm um currículo tão influente na ficção científica como Ridley Scott, responsável por marcos absolutos como AlienBlade Runner e The Martian. No entanto, nem tudo tem sido consensual nas últimas décadas: Prometheus e Alien: Covenant dividiram fãs e crítica.

Nos anos 2020, o realizador alternou entre o fracasso comercial de The Last Duel, a recepção mista mas lucrativa de House of Gucci e o sucesso financeiro de Gladiator II. Falta-lhe, talvez, um triunfo que una crítica e público como não acontece desde The Martian.

Um regresso em grande… ou mais uma aposta arriscada?

The Dog Stars tem todos os ingredientes para ser esse filme: uma premissa forte, um elenco carismático e um realizador que sabe como poucos criar mundos devastados mas profundamente humanos. O adiamento pode revelar-se decisivo para que o filme respire longe da confusão primaveril e encontre o seu público.

ler também : 40,4 mil milhões em jogo: Larry Ellison entra em cena para reforçar a ofensiva da Paramount sobre a Warner Bros.

Se será o grande regresso de Ridley Scott ao topo da ficção científica, só 2026 o dirá. Mas uma coisa é certa: este não é apenas um filme sobre o fim do mundo — é mais uma prova de que Scott continua determinado a filmar como se o apocalipse nunca fosse suficiente para o fazer parar 🎬

Da glória ao embaraço: a Disney cancela discretamente a estreia europeia do seu maior flop de 2025

Ella McCay sai de cena depois de um desastre anunciado nas bilheteiras

Disney vive um daqueles contrastes difíceis de ignorar. Se, por um lado, celebra o enorme sucesso de Zootopia 2, actualmente o filme de Hollywood mais lucrativo do ano nos Estados Unidos, por outro tenta gerir — com o máximo de discrição possível — o maior fracasso comercial da sua história recente. Falamos de Ella McCay, cuja estreia francesa, prevista para 7 de Janeiro, foi entretanto cancelada sem grande alarido.

ler também : Avisem os miúdos (e não só): Lisboa prepara-se para receber o fenómeno das Guerreiras do K-Pop

A decisão foi avançada pelo site World of Reel, que não aponta uma razão oficial para a retirada do filme do calendário europeu. Ainda assim, o contexto dificilmente deixa margem para dúvidas. Ella McCay tornou-se rapidamente num verdadeiro pesadelo financeiro para a Disney.

Um arranque desastroso nos Estados Unidos

Estreado nos cinemas norte-americanos no passado fim-de-semana, o filme arrecadou cerca de 2,1 milhões de dólares em mais de 2500 salas — um número que o coloca entre as piores aberturas da Disney na última década. À data, a receita total ronda os 4 milhões de dólares, um valor irrisório face a um orçamento estimado em 35 milhões. Em comparação, até projectos ainda envoltos em incógnita, como Tron: Ares, parecem apostas seguras.

Este desempenho levou a Disney a cortar rapidamente perdas e a evitar prolongar o desgaste internacional de um título que nunca conseguiu gerar entusiasmo junto do público.

Um regresso pouco feliz de James L. Brooks

O mais surpreendente neste cenário é o nome por trás da câmara. Ella McCay marca o regresso à realização de James L. Brooks, quinze anos depois do seu último filme. Brooks é uma figura histórica da televisão e do cinema americano, ligado a clássicos como The Simpsons e As Good as It Gets.

O elenco também não parecia um problema. Emma Mackey e Jamie Lee Curtis lideram um grupo que inclui Rebecca Hall, Woody Harrelson, Ayo Edebiri, Albert Brooks, Kumail Nanjiani, Jack Lowden e Spike Fearn. Ainda assim, nada disso foi suficiente para salvar o projecto.

Crítica implacável e público dividido

Desde cedo, Ella McCay foi alvo de críticas duras. No Rotten Tomatoes, o filme apresenta um score de apenas 24%, com muitos críticos a questionarem se Brooks não teria ficado preso a uma sensibilidade de outra era. Jonathan Romney, do Financial Times, descreveu-o como “um fóssil confuso e auto-indulgente”, enquanto outros falaram de um filme incoerente e sem direcção clara.

O público mostrou-se menos uniforme nas reacções. Algumas vozes elogiaram o ritmo da narrativa, mas outras criticaram a personagem central interpretada por Mackey, considerada frágil e pouco convincente para a posição de poder que ocupa. O resultado é um Popcornmeter de 54%, insuficiente para contrariar a tendência negativa.

Um problema maior do que a crítica

Ao contrário de fenómenos como Five Nights at Freddy’s 2Ella McCay não beneficia de uma base de fãs pré-existente nem de um conceito que justifique a ida ao cinema como experiência “obrigatória”. Num mercado cada vez mais selectivo, a comédia política revelou-se um género difícil de vender em sala.

Tudo indica que o filme encontrará o seu público — se o encontrar — através do streaming, e mais cedo do que o inicialmente previsto. O cancelamento da estreia francesa parece ser apenas o primeiro passo nesse sentido.

ler também : Um tríptico sobre família, silêncio e distância: Pai Mãe Irmã Irmão  estreia nos cinemas portugueses

Para a Disney, Ella McCay ficará como um lembrete desconfortável: nem nomes consagrados nem elencos de luxo garantem relevância num panorama cinematográfico em rápida mutação 🎬

Avisem os miúdos (e não só): Lisboa prepara-se para receber o fenómeno das Guerreiras do K-Pop

Do streaming para o palco: o maior êxito infantil da Netflix ganha vida no Coliseu dos Recreios

Há fenómenos geracionais que se reconhecem ao primeiro refrão. Se os Millennials cresceram com A Pequena Sereia e O Rei Leão, e a Geração Z encontrou o seu hino em Frozen, a geração Alpha já tem um novo ponto de referência: Guerreiras do K-Pop. O filme de animação tornou-se no mais visto de sempre da Netflix, conquistando milhões de visualizações e, sobretudo, dominando recreios e salas de aula com as suas canções viciantes.

ler também : O destino do mundo está em jogo: Missão: Impossível –  chega à televisão portuguesa – Ajuste de Contas

Agora, esse universo salta do ecrã para o palco. Lisboa vai receber o espetáculo “As Guerreiras do K-Pop: Tributo”, com duas sessões marcadas para 6 de Junho, às 16h00 e às 20h00, no emblemático Coliseu dos Recreios.

Um tributo musical a um fenómeno global

O espetáculo promete celebrar os maiores êxitos do filme, incluindo temas como “Golden” e “How It’s Done”, canções que acumulam milhões de streams nas plataformas digitais e que rapidamente se tornaram parte do quotidiano dos mais novos — e, em muitos casos, também dos pais.

Trata-se de um projecto internacional que chega agora a Portugal pela mão do Grupo Chiado, apostando numa experiência pensada para toda a família, mas claramente focada no público infantil e juvenil que fez do filme um verdadeiro fenómeno cultural.

Acção, magia e coreografias ao estilo K-Pop

De acordo com a sinopse oficial, o espetáculo acompanha as Huntrix, lendárias guerreiras do universo K-Pop, que enfrentam os Saja Boys, liderados pelo enigmático Jinu. Uma narrativa simples, mas eficaz, que mistura acção, magia e emoção — exactamente os ingredientes que fizeram do filme um sucesso global.

Em palco, o público pode esperar coreografias enérgicas, inspiradas nos grandes espectáculos de K-Pop, efeitos visuais de inspiração cinematográfica e um cuidado visual assinalável, com mais de cinco figurinos diferentes, concebidos para transformar cada momento num verdadeiro número de palco.

O objectivo é claro: transportar o público para dentro do universo do filme, recriando a energia, as cores e o ritmo que conquistaram uma nova geração de fãs.

Bilhetes já à venda e procura elevada

Os bilhetes para As Guerreiras do K-Pop: Tributo já se encontram disponíveis online e nos locais habituais, com preços que variam entre 28€ e 40€. Tendo em conta a popularidade do filme e o entusiasmo em torno do espectáculo, é aconselhável garantir lugar com antecedência.

ler também : Um Natal Amarelo no Grande Ecrã: Porque o Novo Filme do SpongeBob É a Escolha Certa Para a Família 

Mais do que um simples concerto, este evento assume-se como um reflexo claro de como a animação e a música pop continuam a moldar novas gerações — agora com sotaque coreano, espírito de batalha e refrões impossíveis de tirar da cabeça 🎤✨

40,4 mil milhões em jogo: Larry Ellison entra em cena para reforçar a ofensiva da Paramount sobre a Warner Bros.

Um novo capítulo na guerra dos gigantes do entretenimento

A batalha pelo controlo da Warner Bros. Discovery está a transformar-se num verdadeiro drama corporativo em vários actos — e o mais recente inclui um dos homens mais ricos do planeta. Larry Ellison concordou em fornecer uma garantia pessoal irrevogável de 40,4 mil milhões de dólares, reforçando decisivamente a proposta da Paramount para adquirir a totalidade da Warner Bros. Discovery.

ler também : Já chegou o primeiro trailer de Odisseia, o novo épico de Christopher Nolan

Este movimento surge num momento particularmente sensível. No início do mês, a Warner Bros. Discovery tinha chegado a acordo para vender o seu estúdio e os activos de streaming à Netflix, numa operação avaliada em cerca de 83 mil milhões de dólares em termos empresariais. Um acordo que, desde então, tem sido alvo de críticas e resistência dentro e fora da indústria.

Paramount não sobe a oferta, mas reforça a segurança

A Paramount, através da sua estrutura Paramount Skydance, mantém uma posição firme: não aumentou o valor global da sua proposta, que avalia a Warner Bros. Discovery em 108,4 mil milhões de dólares, mas decidiu igualar a taxa de rescisão reversa apresentada pela Netflix. O objectivo é claro: demonstrar confiança absoluta na viabilidade da operação e reduzir qualquer margem de hesitação por parte do conselho da Warner.

A Warner Bros. Discovery confirmou ter recebido a proposta revista e declarou que irá analisá-la “cuidadosamente”, tendo em conta os termos já acordados com a Netflix.

A família Ellison entra definitivamente no jogo

Segundo explicou Gerry Cardinale, fundador e sócio-gerente da RedBird Capital Partners, no programa Squawk Boxda CNBC, a revisão da proposta teve como principal objectivo “eliminar a confusão” em torno do financiamento.

Nesse contexto, Larry Ellison comprometeu-se a apoiar a oferta através de um fundo irrevogável garantido por 1,2 mil milhões de acções da Oracle. Importa recordar que David Ellison, director-executivo da Skydance Media e figura central da Paramount Skydance, é filho do fundador da Oracle.

Com um património estimado em 345 mil milhões de dólares, Larry Ellison chegou, inclusivamente, a ser por breves dias a pessoa mais rica do mundo no início de Outubro, ultrapassando Elon Musk.

De acordo com a Paramount, Ellison comprometeu-se ainda a não revogar o fundo fiduciário da família nem a transferir activos de forma adversa durante o processo de transacção pendente — uma camada adicional de segurança que se soma aos fundos já garantidos pela RedBird Capital e por fundos soberanos.

“O acordo com a Netflix acaba com a concorrência”

A tensão em torno do negócio tem vindo a aumentar. Na semana passada, Samuel Di Piazza, presidente da Warner Bros. Discovery, expressou reservas quanto à solidez do apoio financeiro de Ellison.

Em resposta, Cardinale dirigiu-se directamente aos accionistas da Warner, lembrando que “os verdadeiros donos da empresa são os accionistas, não o conselho nem a administração”. Na sua leitura, a alternativa Netflix representa um risco estrutural para o sector.

A fusão entre Netflix e HBO Max criaria um gigante com cerca de 420 milhões de assinantes globais. Um cenário que, segundo Cardinale, “assusta artistas, criadores e exibidores”, devido ao poder de fixação de preços e à concentração de influência que resultaria dessa união.

ler também : Quando Roger Moore Mudou de Ideias — e Tirou James Brolin do Caminho de James Bond

Um desfecho ainda em aberto

Com garantias pessoais bilionárias, jogos de bastidores e visões opostas sobre o futuro do streaming, este negócio promete continuar a dominar as manchetes. A decisão final poderá redefinir o equilíbrio de poder em Hollywood durante a próxima década — e, desta vez, Larry Ellison não está apenas a observar a partir da plateia 🎬

Já chegou o primeiro trailer de Odisseia, o novo épico de Christopher Nolan

Um regresso ambicioso ao cinema de grande escala… e à mitologia clássica

A expectativa era enorme e confirma-se agora em imagens. Foi divulgado o primeiro trailer de Odisseia, o novo filme de Christopher Nolan, e o resultado não surpreende: escala monumental, cenários naturais esmagadores e uma sensação permanente de risco físico, marca registada do realizador.

O nível de antecipação é tal que, em Julho, doze meses antes da estreia, os bilhetes para sessões IMAX nos Estados Unidos esgotaram em várias salas em questão de minutos. Um fenómeno raro, mesmo para um cineasta habituado a sucessos de bilheteira e a estreias tratadas como acontecimentos culturais.

ler também : Quando Roger Moore Mudou de Ideias — e Tirou James Brolin do Caminho de James Bond

Um épico fundador da literatura ocidental

Odisseia adapta o poema épico homónimo de Homero, datado do século VIII a.C., acompanhando a longa e atribulada viagem de Ulisses após a queda de Tróia. O trailer não revela detalhes narrativos significativos, mas confirma o foco na dimensão física e emocional da jornada: o mar como ameaça constante, a natureza como força indomável e o regresso a casa como obsessão.

O papel principal cabe a Matt Damon, que interpreta Ulisses. Tom Holland surge como Telémaco, o filho que cresce à espera do pai, enquanto Anne Hathaway dá vida a Penélope, figura central da resistência silenciosa e da espera prolongada.

Filmagens no limite do conforto

Fiel à sua filosofia de cinema físico e prático, Nolan voltou a evitar soluções digitais sempre que possível. As filmagens arrancaram em Fevereiro e passaram por Marrocos, Grécia, Itália, Escócia e Islândia, privilegiando locais reais e condições naturais adversas.

Em declarações à revista Empire, o realizador explicou a abordagem:

“Passei os últimos quatro meses no mar. Levámos o elenco que interpreta a tripulação do navio de Odisseu para enfrentar ondas reais, em locais verdadeiros. Queríamos mostrar como estas viagens eram duras e o salto de fé que representavam num mundo desconhecido.”

A ideia é clara: não romantizar a aventura, mas devolver-lhe peso, perigo e desgaste humano.

Um elenco ao nível da ambição

Além de Damon, Holland e Hathaway, Odisseia reúne um elenco de luxo que inclui ZendayaMia GothRobert PattinsonLupita Nyong’o e Charlize Theron. Um conjunto de nomes que reforça a dimensão coral da narrativa e a ambição de criar um verdadeiro épico moderno.

Nolan no auge da carreira

De A Origem a Interstellar e Oppenheimer, Nolan construiu uma filmografia que alia sucesso comercial e reconhecimento crítico. Com mais de 180 prémios ao longo da carreira, incluindo Globos de Ouro e o Óscar finalmente conquistado com OppenheimerOdisseia surge como mais um teste à sua capacidade de reinventar géneros clássicos à escala do cinema contemporâneo.

ler também : O Segredo de Clint Eastwood: Porque é Que os Seus Filmes Nunca Estouram o Orçamento — Nem o Calendário

Se o trailer é indicativo, estamos perante um filme pensado para ser visto no maior ecrã possível — e sentido como uma verdadeira travessia cinematográfica 🎬

Os 20 Dias Que Antecederam o Regresso ao Poder: O Documentário Que Mostra Melania Trump Como Nunca a Vimos

Ainda há poucos dias falámos deste documentário que está a agitar as notícias destes dias. Finalmente temos algo de concreto para o público português.

Durante anos, Melania Trump foi uma das figuras mais enigmáticas da política americana. Discreta, controlada, muitas vezes reduzida a imagens protocolares e a frases cuidadosamente escolhidas, a antiga Primeira-Dama sempre pareceu manter o mundo à distância. Melania, o novo documentário dos Amazon MGM Studios, promete precisamente o contrário: abrir as portas de um período decisivo e mostrar, sem filtros, os 20 dias que antecederam a Tomada de Posse Presidencial de 2025.

ler também : O Vilão Que Faltava ao Cinema da DC: James Gunn Encontra Finalmente o Seu Brainiac

Com estreia mundial nos cinemas a 30 de Janeiro, o filme acompanha o regresso de Melania Trump à Casa Branca, num momento de enorme tensão política, mediática e pessoal. Não se trata de um retrato histórico convencional, nem de um panfleto político. O documentário aposta antes num registo intimista, observacional, centrado na logística, nas decisões e no peso simbólico de reassumir um dos papéis mais escrutinados do planeta.

O grande trunfo de Melania está no acesso sem precedentes concedido à câmara. Reuniões decisivas, conversas privadas e bastidores nunca antes filmados compõem um retrato raro da transição presidencial vista através dos olhos da própria Primeira-Dama. O espectador acompanha a coordenação da tomada de posse, a complexa mudança da família de volta para Washington e o equilíbrio delicado entre vida familiar, compromissos institucionais e estratégias de comunicação.

Nas suas próprias palavras, Melania Trump sublinha a natureza excepcional do projecto, assumindo que este período representa “um capítulo decisivo” da sua vida. O filme procura captar exactamente isso: não apenas a figura pública, mas a mulher que gere pressões contraditórias, expectativas globais e uma imagem construída ao longo de décadas sob o olhar permanente dos media.

Com 104 minutos de duração, Melania evita o tom sensacionalista e aposta numa narrativa contida, quase silenciosa em certos momentos, que reflecte a própria personalidade da protagonista. Há uma clara intenção de controlo da narrativa, mas também uma vontade de mostrar o peso real do cargo e a dimensão humana por detrás da coreografia política.

Para o Clube de Cinema, este documentário interessa menos pelo debate ideológico e mais pelo seu valor enquanto objecto cinematográfico e documento de época. É um raro exemplo de cinema político centrado não no líder, mas na figura que gravita à sua volta, muitas vezes subestimada, mas crucial na construção simbólica do poder.

ler também . Um thriller à moda antiga que sabe divertir: The Housemaid  arruma a casa no Rotten Tomatoes

Independentemente da posição que cada espectador tenha em relação à família Trump, Melania surge como um retrato revelador de como o poder se organiza, se encena e se vive nos bastidores. Um filme que, sem levantar a voz, diz mais do que muitos discursos.

O Vilão Que Faltava ao Cinema da DC: James Gunn Encontra Finalmente o Seu Brainiac

Durante décadas, os fãs de Superman perguntaram-se como era possível um dos vilões mais icónicos da banda desenhada nunca ter chegado, em condições, ao grande ecrã. Agora, essa lacuna histórica está prestes a ser preenchida. James Gunnjá escolheu quem vai dar vida a Brainiac em Man of Tomorrow: o actor alemão Lars Eidinger, um dos intérpretes mais respeitados do cinema europeu contemporâneo.

ler também : A casa mais doce do cinema de Natal: Sozinho em Casa inspira a maior casa de gengibre do mundo

A escolha não é inocente nem óbvia — e isso diz muito sobre o caminho que Gunn está a traçar para o novo universo cinematográfico da DC. Brainiac não é apenas mais um vilão musculado ou um antagonista de ocasião. Criado por Otto Binder e Al Plastino, estreou-se em Action Comics #242 como uma entidade fria, lógica e absolutamente obcecada com o conhecimento. Um andróide oriundo do planeta Colu, cuja missão é recolher — e preservar — todo o saber do universo, mesmo que isso implique destruir civilizações inteiras pelo caminho.

Em Man of Tomorrow, Brainiac será finalmente apresentado ao cinema como a ameaça cósmica que sempre foi nos comics. A história junta Superman, interpretado por David Corenswet, e Lex Luthor, agora com o rosto de Nicholas Hoult, numa improvável aliança contra um inimigo capaz de encolher cidades, apagar planetas e reescrever a própria história do universo. Nos comics, Brainiac tem ligações directas à destruição de Krypton, o planeta natal de Kal-El, o que abre portas a uma abordagem mais trágica e existencial da mitologia do herói.

A escolha de Lars Eidinger reforça essa ambição. Conhecido por trabalhos intensos e desconfortáveis em filmes como Clouds of Sils MariaPersonal Shopper ou White Noise, Eidinger traz consigo uma presença inquietante, cerebral e profundamente humana — qualidades raras num vilão digitalizado até ao último pixel. Nomeado recentemente para Actor Europeu do Ano nos European Film Awards pelo filme Dying, o actor alemão representa uma aposta clara num Brainiac menos caricatural e mais perturbador.

James Gunn confirmou pessoalmente a escolha nas redes sociais, escrevendo: “Na nossa procura mundial por Brainiac para Man of Tomorrow, Lars Eidinger destacou-se claramente. Bem-vindo ao DCU.” Uma frase simples, mas que diz muito sobre o método de Gunn: menos nomes óbvios, mais escolhas com peso artístico real.

Man of Tomorrow deverá iniciar filmagens em Abril e tem estreia marcada para 9 de Julho de 2027. O projecto surge depois do sucesso comercial de Superman, o primeiro grande filme do novo DC Studios liderado por Gunn e Peter Safran, que arrecadou mais de 616 milhões de dólares em todo o mundo. A expectativa é alta, não apenas por ser um novo capítulo do Homem de Aço, mas por finalmente trazer ao cinema um vilão que sempre foi demasiado grande, complexo e inteligente para ser ignorado.

ler também : Um thriller à moda antiga que sabe divertir: The Housemaid  arruma a casa no Rotten Tomatoes

Se Gunn cumprir o que promete, Brainiac pode tornar-se não só o maior antagonista cinematográfico de Superman, mas também o símbolo de uma DC mais adulta, ambiciosa e disposta a pensar para além do óbvio. E isso, para quem acompanha estas personagens há décadas, já é uma pequena vitória.

Um thriller à moda antiga que sabe divertir: The Housemaid  arruma a casa no Rotten Tomatoes

Durante anos, os thrillers eróticos e psicológicos liderados por protagonistas femininas dominaram as salas de cinema, sobretudo nos anos 90, antes de desaparecerem quase por completo dos multiplexes. The Housemaid surge agora como um curioso regresso a esse território — consciente das suas raízes, assumidamente exagerado quando convém e, acima de tudo, interessado em entreter sem pedir desculpa.

Realizado por Paul Feig, conhecido sobretudo pelo seu trabalho na comédia, o filme aposta num registo inesperadamente sombrio e sedutor. A história acompanha Millie, interpretada por Sydney Sweeney, uma jovem que aceita um emprego aparentemente perfeito ao serviço de um casal rico, vivido por Amanda Seyfried e Branden Sklenar. O que começa como uma oportunidade de recomeço transforma-se rapidamente num jogo perigoso de manipulação, segredos e relações de poder.

ler também : A casa mais doce do cinema de Natal: Sozinho em Casa inspira a maior casa de gengibre do mundo

A recepção crítica tem sido, no geral, bastante favorável. Com uma pontuação de 78% no Rotten Tomatoes, baseada em cerca de uma centena de críticas, The Housemaid assume-se como um “guilty pleasure” bem executado. O consenso do agregador descreve-o como um regresso astuto aos thrillers sensacionalistas que outrora dominaram os cinemas, destacando o sentido de diversão do filme e, sobretudo, a interpretação “deliciosamente inquietante” de Amanda Seyfried.

Vários críticos elogiam a forma como o filme abraça o seu lado mais provocador. Há quem sublinhe o prazer quase nostálgico de assistir a um thriller psicológico que não tem receio de ser excessivo, sensual e assumidamente popular. Para alguns, trata-se exactamente do tipo de filme que já não se faz com frequência: directo, retorcido e eficaz na forma como conduz o espectador por sucessivas reviravoltas.

Naturalmente, nem todos ficaram convencidos. Algumas críticas apontam que o filme poderia ter ido ainda mais longe no seu lado “camp”, explorando com maior descaramento a sua natureza exagerada. Outras consideram que, apesar da forte química entre Sweeney e Seyfried, a narrativa nem sempre acompanha o potencial das suas protagonistas. Ainda assim, mesmo entre os detractores, há consenso quanto à qualidade do elenco e à energia que as actrizes imprimem às personagens.

Um dos aspectos mais interessantes de The Housemaid é precisamente o modo como Paul Feig se afasta da comédia pura para explorar um território mais sombrio, sem nunca perder o controlo do tom. O realizador parece divertir-se com as convenções do género, equilibrando tensão, humor negro e provocação, num filme que sabe exactamente o que é — e o que não pretende ser.

Para Sydney Sweeney, o filme representa mais um passo na consolidação de uma carreira que tem sabido alternar entre projectos de prestígio e cinema de género. Já Amanda Seyfried entrega uma das interpretações mais memoráveis do filme, jogando com ambiguidade e ameaça de forma subtil e eficaz.

ler também : Quando Rambo deixou de ser vítima para virar super-herói: a guerra criativa entre James Cameron e Sylvester Stallone

The Housemaid não tenta reinventar o thriller psicológico, mas também não se limita a reciclar fórmulas. É um filme consciente do seu ADN, que aposta na tensão sexual, no jogo psicológico e na diversão pura. Para quem sente saudades dos thrillers adultos que enchiam as salas nos anos 90, esta é uma visita surpreendentemente satisfatória — e bem arrumada.

Tom Cruise Junta-se a Iñárritu num Filme Misterioso e Explosivo: Digger Já Tem Data e Promete Abalar Tudo

Há encontros no cinema que, só por si, já fazem disparar o alarme da curiosidade cinéfila. A união entre Tom Cruise e Alejandro González Iñárritu é claramente um deles — e agora já tem nome, cartaz e data de estreia. O novo filme chama-se Digger e chega às salas de cinema a 2 de Outubro de 2026, com um slogan que não podia ser mais intrigante: “uma comédia de proporções catastróficas”.

ler também : Esta Série da Netflix Mostra Porque os Zombies Ainda Podem Ser Assustadores (E Dá Uma Lição a The Walking Dead)

Produzido pela Warner Bros. Pictures e pela Legendary EntertainmentDigger marca o regresso de Iñárritu ao cinema falado em inglês pela primeira vez desde The Revenant. O argumento foi escrito pelo realizador em colaboração com Nicolás GiacoboneAlexander Dinelaris — parceiros criativos de Birdman — e Sabina Berman.

Tom Cruise interpreta Digger Rockwell, descrito oficialmente como “o homem mais poderoso do mundo”, que embarca numa missão frenética para provar que é o salvador da humanidade… precisamente antes da catástrofe que ele próprio desencadeou destruir tudo. É uma premissa deliciosamente ambígua, que sugere sátira, tragédia e um olhar feroz sobre o poder, o ego e a ilusão de controlo — territórios que Iñárritu conhece como poucos.

O elenco de luxo reforça a sensação de que estamos perante um projecto fora do comum. Ao lado de Cruise surgem Sandra HüllerJohn GoodmanMichael StuhlbargJesse PlemonsSophie WildeRiz Ahmed e Emma D’Arcy — um conjunto de intérpretes associados a cinema exigente, intenso e pouco previsível.

Rodado no Reino Unido ao longo de seis meses, Digger é também o primeiro filme de Cruise desde que assinou um acordo estratégico com a Warner Bros. Discovery para desenvolver e produzir projectos pensados para o grande ecrã. A escolha de um autor como Iñárritu indica claramente que o actor não está interessado apenas em blockbusters seguros, mas em desafios criativos de maior risco.

A data de estreia em Outubro levanta ainda outra possibilidade tentadora: uma estreia em grande num festival europeu. Veneza surge como hipótese forte, até porque foi lá que Iñárritu apresentou Birdman21 Grams e mais recentemente Bardo. Cannes também não está fora de hipótese, tendo sido o palco que lançou Amores Perros e acolheu Babel e Biutiful.

ler também : Uma Noite que Antecipou a Tragédia: O Confronto Familiar na Festa de Conan O’Brien Antes da Morte de Rob Reiner

Depois de Top Gun: Maverick e Mission: Impossible – The Final Reckoning, Tom Cruise prepara-se agora para trocar a adrenalina pura por uma “comédia catastrófica” assinada por um dos autores mais implacáveis do cinema contemporâneo. Se Digger cumprir metade do que promete, pode muito bem tornar-se um dos filmes mais falados de 2026 — não pelo espectáculo, mas pelo abalo.

O Homem-Aranha Fecha Teias e Promete Emoções Fortes: Brand New Day Termina Filmagens

As câmaras desligaram-se, as teias foram recolhidas e o fato voltou ao cabide: Spider-Man: Brand New Day concluiu oficialmente as filmagens. O anúncio foi feito pelo realizador Destin Daniel Cretton, que aproveitou o momento para deixar um agradecimento particularmente caloroso a Tom Holland, elogiando a sua “liderança generosa”, “ética de trabalho incansável” e “interpretações destemidas”.

O quarto filme a solo do Homem-Aranha protagonizado por Holland retoma a história imediatamente após os acontecimentos sísmicos de No Way Home. Peter Parker vive agora num mundo onde ninguém se lembra de quem ele é — nem sequer Zendaya (MJ) ou Jacob Batalon (Ned). Uma decisão heroica, mas devastadora, que redefine completamente a vida do jovem de Queens e abre caminho a uma nova fase do herói.

ler também: Quando o Pai Natal é Raptado, o Natal Entra em Alerta Máximo 

O elenco de Brand New Day confirma que a Marvel e a Sony não estão a jogar pelo seguro. Ao lado de Holland surgem Mark Ruffalo como Bruce Banner/Hulk, Jon Bernthal no regresso do implacável Punisher, além de nomes como Tramell TillmanLiza Colón-ZayasMichael Mando (Scorpion), Marvin Jones III (Tombstone) e Sadie Sink, cujo papel permanece envolto em segredo — e especulação.

Nas redes sociais, Cretton descreveu o filme como “o projecto mais recompensador” da sua carreira, elogiando não só o elenco como também a equipa técnica, a quem atribuiu uma criatividade e dedicação “fora do comum”. O realizador, que já tinha deixado marca no MCU com Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings, reforça assim a sua posição como uma das vozes mais sólidas da nova geração da Marvel.

Brand New Day tem estreia marcada para 31 de Julho de 2026, e chega carregado de expectativas. Não é para menos: cada filme do Homem-Aranha com Tom Holland superou o anterior nas bilheteiras. Homecoming arrecadou 880 milhões de dólares, Far From Home ultrapassou a barreira do milhar de milhões, e No Way Home tornou-se um fenómeno global com quase 2 mil milhões de dólares, ajudado pelo regresso histórico de Tobey Maguire e Andrew Garfield.

ler também : Esta Série da Netflix Mostra Porque os Zombies Ainda Podem Ser Assustadores (E Dá Uma Lição a The Walking Dead)

Com o multiverso temporariamente fechado, memórias apagadas e novas ameaças no horizonte, Spider-Man: Brand New Day promete ser menos um espectáculo de nostalgia e mais um teste emocional ao herói — e ao público. Se o passado foi esquecido, o futuro do Homem-Aranha nunca pareceu tão imprevisível.

Actores Britânicos Dizem Não à Digitalização e Enfrentam a Inteligência Artificial

Votação histórica do sindicato Equity mostra oposição esmagadora ao uso de IA e ameaça travar produções no Reino Unido

Os actores britânicos deram um passo decisivo na luta contra a utilização abusiva da Inteligência Artificial nas artes, ao votarem de forma quase unânime contra a prática de digitalização dos seus corpos e rostos em rodagem. Numa votação promovida pelo sindicato Equity, 99% dos participantes declararam que estariam dispostos a recusar ser digitalmente escaneados, num claro sinal de resistência a uma tecnologia que muitos consideram uma ameaça directa aos seus direitos e meios de subsistência.

ler também: Avatar: Fire and Ash: O Filme Mais Longo — e Mais Fraco — da Saga de James Cameron

A digitalização de actores tornou-se prática comum em produções de cinema e televisão, permitindo aos estúdios reutilizar a imagem, o corpo ou a voz de um intérprete em cenas futuras, reshoots ou até em projectos completamente diferentes. O problema, segundo os actores, é a falta de controlo sobre o destino desses dados e a possibilidade de serem usados sem consentimento, compensação ou sequer conhecimento do intérprete.

Paul Fleming, secretário-geral do Equity, descreveu o resultado da votação como um momento geracional. “A Inteligência Artificial é um desafio definidor da nossa geração”, afirmou. “Pela primeira vez em décadas, os membros do sindicato mostraram que estão dispostos a recorrer a acções industriais. Isto demonstra que a força de trabalho está preparada para disruptar seriamente as produções se não for respeitada.”

A votação, de carácter indicativo, envolveu mais de 7.000 membros, com uma taxa de participação de 75%. Embora não tenha, para já, valor legal — os actores ainda não estão juridicamente protegidos caso recusem a digitalização —, o sindicato sublinha que o objectivo foi medir o grau de indignação e união da classe, algo que ficou amplamente demonstrado.

Segundo o Equity, cerca de 90% da produção televisiva e cinematográfica no Reino Unido é realizada ao abrigo de acordos colectivos negociados pelo sindicato, e mais de três quartos dos profissionais envolvidos são seus membros. Este peso dá ao sindicato uma margem de manobra significativa para pressionar produtores e estúdios.

O próximo passo passa por negociações com a Pact, a associação que representa a maioria das produtoras britânicas, com o objectivo de estabelecer novos padrões mínimos de pagamento, condições de trabalho e regras claras sobre o uso de dados biométricos. Caso essas negociações não produzam resultados satisfatórios, o Equity admite avançar para uma votação formal, que poderá conferir protecção legal aos actores que recusem a digitalização em rodagem.

A preocupação com a IA tem vindo a crescer nos últimos meses, alimentada por testemunhos de actores consagrados e emergentes. Hugh BonnevilleAdrian Lester e Harriet Walter apoiaram publicamente a iniciativa do sindicato. Bonneville defendeu que “as vozes e imagens dos actores não devem ser exploradas em benefício de terceiros sem licença ou consentimento”, enquanto Lester alertou para a vulnerabilidade dos profissionais em início de carreira, frequentemente pressionados a aceitar cláusulas abusivas.

Em Outubro, Olivia Williams denunciou que muitos actores são levados a aceitar a digitalização dos seus corpos sem qualquer controlo posterior sobre a utilização desses dados. A actriz comparou a situação à necessidade de consentimento em cenas de nudez, defendendo que o mesmo princípio deveria aplicar-se aos body scans. Algumas cláusulas contratuais, segundo Williams, concedem aos estúdios direitos quase ilimitados sobre a imagem dos actores “em todas as plataformas existentes ou ainda por inventar, em todo o universo e para sempre”.

A polémica intensificou-se ainda mais com o surgimento da primeira “actriz de IA”, Tilly Norwood, reacendendo o debate sobre os limites éticos da tecnologia no entretenimento. As preocupações ecoam o que já se viveu em Hollywood em 2023, quando a utilização de IA esteve no centro das greves históricas de argumentistas e actores, que alertaram para o risco de a tecnologia redefinir radicalmente a indústria.

ler também : Óscares Vão Deixar a Televisão Tradicional e Passar a Ser Transmitidos no YouTube a Partir de 2029

A votação do Equity deixa claro que, pelo menos no Reino Unido, os actores não estão dispostos a ceder silenciosamente. A batalha entre criatividade humana e automação algorítmica entrou numa nova fase — e promete ter impacto real nos bastidores do cinema e da televisão.

Óscares Vão Deixar a Televisão Tradicional e Passar a Ser Transmitidos no YouTube a Partir de 2029

A maior cerimónia do cinema mundial abandona a ABC após meio século e aposta no streaming gratuito para chegar a novas gerações

Os Óscares preparam-se para uma das maiores mudanças da sua história. A partir de 2029, a cerimónia dos Academy Awards deixará de ser transmitida pela televisão tradicional nos Estados Unidos e passará a ser emitida em exclusivo no YouTube, em directo e de forma gratuita, marcando o fim de uma ligação de mais de 50 anos à ABC.

ler também : Susan Boyle Emociona-se com Elogio de Timothée Chalamet: “Foi Incrivelmente Tocante”

O anúncio foi feito esta quarta-feira pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences, que confirmou a assinatura de um acordo plurianual com o YouTube, garantindo à plataforma os direitos globais exclusivos da cerimónia até 2033. Até lá, a ABC manterá a transmissão das próximas edições, incluindo a gala já marcada para 15 de Março, encerrando assim um ciclo histórico iniciado em 1976.

A decisão representa mais do que uma simples mudança de parceiro de transmissão. É um sinal claro de como Hollywood está a reposicionar os seus maiores eventos numa indústria em profunda transformação, marcada por fusões, vendas de estúdios, cortes drásticos na produção e uma migração constante do público para o streaming.

Em comunicado conjunto, o CEO da Academia, Bill Kramer, e a presidente Lynette Howell Taylor sublinharam o carácter global da decisão. “A Academia é uma organização internacional, e esta parceria permitirá expandir o acesso ao nosso trabalho para a maior audiência mundial possível, o que beneficiará os nossos membros e toda a comunidade cinematográfica”, afirmaram.

A escolha do YouTube não é inocente. Ao longo das últimas décadas, as audiências televisivas dos Óscares têm vindo a cair de forma consistente, reflexo de hábitos de consumo cada vez mais fragmentados. Ainda assim, a edição de 2025 registou uma ligeira recuperação, impulsionada sobretudo por espectadores mais jovens, que acompanharam a cerimónia através de telemóveis, computadores e plataformas digitais.

Para o YouTube, a conquista dos direitos da cerimónia mais prestigiada do cinema é um enorme golpe simbólico. O CEO da plataforma, Neal Mohan, descreveu os Óscares como “uma das instituições culturais essenciais do nosso tempo” e afirmou que a parceria com a Academia pretende “inspirar uma nova geração de criadores e amantes de cinema, respeitando ao mesmo tempo o legado histórico da cerimónia”.

A ABC, por seu lado, reagiu de forma diplomática, garantindo que está entusiasmada com “as próximas três transmissões” que ainda irá assegurar antes da mudança definitiva. Ainda assim, a saída dos Óscares representa uma perda significativa para a televisão generalista norte-americana, que durante décadas fez da gala um dos seus maiores eventos anuais.

Este anúncio surge num contexto particularmente turbulento para a indústria. No mesmo dia, a Warner Bros. Discoveryrecomendou aos seus accionistas a rejeição de uma oferta hostil de aquisição por parte da Paramount Skydance, optando antes por um acordo com a Netflix — uma decisão vista por muitos como mais um sintoma da fragilidade estrutural dos grandes estúdios e canais de cabo face ao domínio crescente das plataformas digitais.

Com o YouTube a garantir os direitos dos Óscares, torna-se cada vez mais evidente que o futuro dos grandes eventos culturais passa pelo streaming, mesmo quando se trata de instituições com quase um século de história. A partir de 2029, a noite mais importante do cinema deixará de depender de um canal de televisão e passará a estar a um clique de distância — para qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo.

ler também : The Six Billion Dollar Man: O Documentário Mais Perturbador de 2025 Sobre Julian Assange

Resta saber se esta mudança trará novas formas de interacção, formatos mais flexíveis e, sobretudo, se conseguirá devolver aos Óscares a relevância cultural que já tiveram. Uma coisa é certa: a era da televisão como palco exclusivo do cinema está oficialmente a chegar ao fim.

Chris Evans Regressa como Capitão América em Avengers Doomsday  — e Agora é Pai

Primeiro teaser confirma o regresso de Steve Rogers e abre um novo mistério no Universo Marvel

Deixem-me começar por dizer que andam algumas dezenas de Pseudo Traillers do novo Avengers pelas redes sociais, a maioria nota-se claramente que são produzidos por AI e há que dizê-lo com frontalidade, que estão cada vez mais difíceis de destinguir.

No entanto esta notícia é suportada por notícias que podemos apanhar em outlets internacionais dignos de credibilidade…O Capitão América está de volta. Contra todas as expectativas, Chris Evans regressa ao papel de Steve Rogers em Avengers: Doomsday, o próximo grande evento do Universo Cinematográfico da Marvel, e fá-lo com uma reviravolta inesperada: Steve é agora pai de um recém-nascido.

O regresso foi confirmado através do primeiro teaser trailer oficial, exibido discretamente junto a sessões de Avatar: Fire and Ash, numa estratégia clássica da Marvel para gerar entusiasmo gradual. O filme tem estreia marcada para 18 de Dezembro de 2026, exactamente dentro de um ano, e este teaser funciona como o primeiro sinal claro de que Doomsday pretende mexer a sério na mitologia estabelecida.

ler também : The Six Billion Dollar Man: O Documentário Mais Perturbador de 2025 Sobre Julian Assange

O vídeo é curto, contido e deliberadamente enigmático. Num cenário rural e tranquilo, Steve Rogers surge a chegar a casa de mota, enquanto uma versão para piano do tema dos Avengers toca em fundo. O capacete azul faz lembrar imediatamente o uniforme clássico do herói. Dentro da casa, Steve segura um bebé nos braços, observando-o com orgulho silencioso. O teaser termina com a frase: “Steve Rogers will return for Avengers: Doomsday”, seguida de uma contagem decrescente até à data de estreia.

A Marvel não revela mais nada — e é precisamente aí que começa o frenesim.

Os fãs viram Steve Rogers pela última vez em Avengers: Endgame (2019), quando, após derrotar Thanos e devolver as Jóias do Infinito às respectivas linhas temporais, decide ficar no passado para viver uma vida com Peggy Carter. Já idoso, regressa brevemente à linha temporal principal apenas para entregar o escudo a Sam Wilson, passando-lhe o legado de Capitão América.

Este novo teaser levanta várias questões centrais. Estamos perante o mesmo Steve Rogers? Terá regressado à linha temporal principal depois de décadas no passado? Ou será esta uma variante do multiverso, algo que Doomsday deverá explorar de forma intensa? E, talvez a pergunta mais óbvia: quem é o bebé? Será filho de Steve e Peggy? Terá alguma ligação ao soro do supersoldado?

A Marvel, como é habitual, não confirma nada. Mas o simples facto de trazer Steve Rogers de volta — depois de um final que parecia definitivo — indica que Avengers: Doomsday não pretende jogar pelo seguro.

Curiosamente, este não é tecnicamente o primeiro regresso de Chris Evans ao MCU desde Endgame. Em Deadpool & Wolverine (2024), o actor apareceu num cameo hilariante como o Tocha Humana, personagem que interpretou nos filmes Fantastic Four da Fox em 2005 e 2007. No entanto, este é o verdadeiro regresso ao papel que o tornou um dos rostos mais icónicos da Marvel.

Evans não está sozinho. Avengers: Doomsday promete ser um dos elencos mais ambiciosos de sempre. Robert Downey Jr. regressa ao MCU, mas não como Tony Stark — desta vez interpreta Doctor Doom, o grande vilão do filme. Estão também confirmados Chris Hemsworth (Thor), Anthony Mackie, Sebastian Stan, Paul Rudd, Tom Hiddleston, Florence Pugh, Letitia Wright, Winston Duke, Simu Liu, Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn, David Harbour e muitos outros.

O filme irá ainda cruzar definitivamente o MCU com o universo dos X-Men, trazendo de volta nomes como Patrick Stewart, Ian McKellen, James Marsden, Alan Cumming e Rebecca Romijn, num verdadeiro festival de multiverso.

ler também : SpongeBob Junta-se à Surfrider Portugal para Defender o Oceano na Estreia do Novo Filme

Se o teaser de Avengers: Doomsday prova alguma coisa, é que a Marvel está disposta a reabrir capítulos que pareciam encerrados — e a fazê-lo com impacto emocional. Steve Rogers regressa não como soldado ou símbolo, mas como pai. E essa mudança pode ser mais explosiva do que qualquer batalha cósmica.

SpongeBob Junta-se à Surfrider Portugal para Defender o Oceano na Estreia do Novo Filme

A esponja mais famosa do mundo chega aos cinemas a 24 de Dezembro com uma missão que vai além do entretenimento

SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas estreia a 24 de Dezembro nos cinemas portugueses e traz consigo mais do que uma nova aventura subaquática. No âmbito desta estreia, a Paramount Animation e a Nickelodeon Movies associam-se à Surfrider Foundation, em Portugal representada pela Surfrider Foundation Portugal, numa parceria global de sensibilização ambiental que procura envolver crianças e famílias na proteção do oceano.  

ler também : SpongeBob – À Procura das Calças Quadradas: Fresco, Divertido e com Imaginação de Sobra

A iniciativa nasce da vontade de aproveitar a força cultural de uma das personagens mais icónicas da animação para transmitir uma mensagem clara e positiva: proteger o oceano começa com pequenos gestos no dia a dia. SpongeBob, Patrick e o resto dos habitantes de Bikini Bottom assumem aqui o papel de embaixadores ambientais, colocando a sua popularidade ao serviço de uma causa urgente e universal.

O principal eixo da parceria é o lançamento de um livreto educativo gratuito, desenvolvido em colaboração com a Surfrider Foundation. Pensado para um público jovem, o material combina atividades de colorir, ilustrações exclusivas do universo SpongeBob SquarePants e informação acessível sobre boas práticas ambientais, incentivando as crianças a aprender de forma divertida e a partilhar esse conhecimento em família.

Entre os temas abordados estão a redução do plástico, o respeito pela vida marinha e a importância de atitudes simples, como não deixar lixo na praia ou reduzir o uso de descartáveis. O objetivo não é moralizar, mas sim despertar curiosidade e criar uma ligação emocional entre as crianças e o mar, reforçando desde cedo a noção de responsabilidade coletiva.

Esta ação enquadra-se perfeitamente na missão da Surfrider Foundation Portugal, uma ONG dedicada à proteção do oceano, das zonas costeiras e das comunidades que delas dependem. Integrada na rede europeia da Surfrider Foundation, a organização atua através da educação, da ciência e da mobilização cidadã, apoiando-se numa rede ativa de voluntários em todo o país. A parceria com SpongeBob permite amplificar essa missão junto de um público mais jovem, num tom optimista e acessível.

A iniciativa acompanha a estreia de SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas, reforçando a mensagem positiva do próprio filme. Na nova longa-metragem, SpongeBob embarca na maior aventura cinematográfica da sua vida, decidido a provar que é um verdadeiro herói. Para impressionar o Sr. Krabs, segue o lendário Holandês Voador, um pirata fantasma misterioso, numa jornada que o leva às profundezas do oceano, onde nenhuma esponja jamais esteve.

Realizado por Derek Drymon, um nome histórico do universo SpongeBob, o filme aposta numa mistura de comédia marítima, imaginação visual e espírito aventureiro, mantendo o humor característico da série e acrescentando uma escala cinematográfica mais ambiciosa. A produção conta com um elenco de vozes de luxo, incluindo Tom KennyClancy BrownBill FagerbakkeRodger BumpassCarolyn LawrenceMark Hamill e participações especiais como George Lopez e Ice Spice.

A chegada do filme aos cinemas na véspera de Natal torna-o numa proposta ideal para sessões em família, agora enriquecida por uma componente educativa que prolonga a experiência para lá da sala de cinema. Ao associar entretenimento e consciência ambiental, SpongeBob prova que continua a evoluir com o seu público, sem perder a leveza e o optimismo que o tornaram um fenómeno global.

ler também :Sozinho em Casa Invade o STAR Channel e Promete o Natal Mais Animado do Ano

SpongeBob O Filme: À Procura das Calças Quadradas estreia a 24 de Dezembro, em versões dobrada e legendada, e chega acompanhado de uma mensagem clara: cuidar do oceano pode — e deve — começar desde cedo.