Clint Eastwood fez apenas um telefonema quando decidiu quem ia interpretar Francesca Johnson. Do outro lado estava Meryl Streep. Spielberg tinha resistido inicialmente, mas Eastwood insistiu — e o resultado, domingo dia 7 de Junho às 22h20 na STAR Life, é um dos romances mais bem realizados do cinema americano dos anos 90.
A história é simples até à crueldade. Francesca Johnson é uma dona de casa italiana casada com um agricultor do Iowa, vivendo uma vida boa mas pequena, num mundo onde a palavra “escolha” raramente se aplica às mulheres. Em 1965, o marido e os filhos partem para uma feira agrícola durante quatro dias. Um fotógrafo da National Geographic chama-se Robert Kincaid e precisa de encontrar as pontes cobertas do condado de Madison. Os quatro dias que se seguem mudam tudo — e não mudam nada. Eastwood filmou o romance cronologicamente, do ponto de vista de Francesca, “porque era importante trabalhar assim. Éramos duas pessoas a conhecermo-nos, em tempo real, como actores e como personagens.”
Catherine Deneuve e Isabella Rossellini fizeram testes para o papel de Francesca. Meryl Streep fez uma iteração de Francesca que torna essa hipótese impossível de imaginar. A performance — décima nomeação ao Óscar de Meryl Streep, que ganhou peso para o papel e trabalhou o sotaque italiano com uma precisão que os italianos reconhecem como autêntica — é construída em detalhes: a forma como fecha o frigorífico, os sorrisos envergonhados do início, a mão na maçaneta do carro na chuva numa das cenas mais tensas e mais contidas do romance cinematográfico. O New York Times escreveu que Streep “se eleva directamente de Christina’s World para encarnar toda a solidão e o desejo feroz que Andrew Wyeth capturou na tela”.
Eastwood, que tinha 65 anos quando rodou o filme, compôs parte da banda sonora em parceria com Lennie Niehaus. É uma música de jazz que serve o filme como um terceiro personagem — presente nas canções do rádio que acompanham os quatro dias, ausente quando o silêncio diz mais do que qualquer nota. É o tipo de detalhe que só um realizador que é também músico consegue acertar desta forma.
O filme fez 182 milhões de dólares globalmente com um orçamento de 22 milhões — um dos romances mais rentáveis da história de Hollywood. Trinta anos depois, a cena da maçaneta continua a ser uma das mais citadas do género. Domingo, 7 de Junho, às 22h20, na STAR Life.
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