“Ted Lasso” regressou à Apple TV+ a 5 de agosto, com a estreia da quarta temporada da série que se tornou, ao longo dos últimos anos, sinónimo de otimismo televisivo numa era marcada por narrativas cada vez mais sombrias. Com dez episódios previstos, lançados semanalmente todas as quartas-feiras até 7 de outubro, a série já vai a meio do seu percurso e, a esta distância, o balanço é claro: o coração da série mantém-se intacto, mas a receção crítica já não é tão unânime como nas primeiras temporadas.
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Desta vez, o desafio de Ted (Jason Sudeikis) muda significativamente de escala: em vez de comandar o AFC Richmond na Premier League masculina, o treinador norte-americano assume agora o comando de uma equipa feminina de segunda divisão, uma mudança que abre a porta a novas dinâmicas de equipa, novos desafios competitivos e, inevitavelmente, novas comparações com o que a série já tinha explorado nas temporadas anteriores. É uma decisão de argumento arriscada, mas que tem permitido à escrita explorar terreno que as primeiras três temporadas não tinham abordado, evitando cair na simples repetição de fórmula.
Do lado da crítica especializada, os números contam uma história de alguma divisão: no agregador Rotten Tomatoes, a quarta temporada tem oscilado entre os 78% e os 91% de aprovação, fixando-se atualmente nos 90%, uma pontuação sólida mas claramente distante do consenso quase absoluto que caracterizou as primeiras épocas da série. Já no Metacritic, a nota é mais reservada, situando-se nos 62 pontos, a mais baixa de qualquer temporada da série até à data, e 11 pontos abaixo do patamar mínimo anteriormente registado. Ainda assim, é importante contextualizar: mesmo esta pontuação “mais baixa” continua a situar-se num território de aprovação geral, longe de uma rejeição crítica generalizada.
O terceiro episódio da temporada, intitulado “Richmond’s Got Talent”, tem sido especialmente discutido nos últimos dias, com a crítica a elogiar a forma como a série aborda o tema da construção de equipa e da confiança conquistada, mas a apontar alguma hesitação na gestão dos arcos amorosos: a relação entre Rebecca e Matthijs tem vindo a ganhar destaque, num ritmo que alguns críticos consideram estar a atrasar propositadamente o desfecho, já muito aguardado pelos fãs, da relação entre Keeley e Roy, dois dos casais mais acompanhados de toda a série desde a primeira temporada.
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Para os fãs de sempre, esta quarta temporada continua a oferecer aquilo que fez de “Ted Lasso” um fenómeno cultural: humor caloroso, personagens profundamente humanas e uma mensagem de otimismo persistente sem nunca cair na ingenuidade vazia. Resta saber se, nos episódios finais, a série consegue reencontrar a unanimidade crítica que a acompanhou desde o início, ou se esta temporada ficará conhecida como aquela em que “Ted Lasso” finalmente mostrou as suas primeiras rugas.



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