“Ted Lasso” está de volta ao ativo, e a quarta temporada divide críticos e públicos

“Ted Lasso” regressou à Apple TV+ a 5 de agosto, com a estreia da quarta temporada da série que se tornou, ao longo dos últimos anos, sinónimo de otimismo televisivo numa era marcada por narrativas cada vez mais sombrias. Com dez episódios previstos, lançados semanalmente todas as quartas-feiras até 7 de outubro, a série já vai a meio do seu percurso e, a esta distância, o balanço é claro: o coração da série mantém-se intacto, mas a receção crítica já não é tão unânime como nas primeiras temporadas.

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Desta vez, o desafio de Ted (Jason Sudeikis) muda significativamente de escala: em vez de comandar o AFC Richmond na Premier League masculina, o treinador norte-americano assume agora o comando de uma equipa feminina de segunda divisão, uma mudança que abre a porta a novas dinâmicas de equipa, novos desafios competitivos e, inevitavelmente, novas comparações com o que a série já tinha explorado nas temporadas anteriores. É uma decisão de argumento arriscada, mas que tem permitido à escrita explorar terreno que as primeiras três temporadas não tinham abordado, evitando cair na simples repetição de fórmula.

Do lado da crítica especializada, os números contam uma história de alguma divisão: no agregador Rotten Tomatoes, a quarta temporada tem oscilado entre os 78% e os 91% de aprovação, fixando-se atualmente nos 90%, uma pontuação sólida mas claramente distante do consenso quase absoluto que caracterizou as primeiras épocas da série. Já no Metacritic, a nota é mais reservada, situando-se nos 62 pontos, a mais baixa de qualquer temporada da série até à data, e 11 pontos abaixo do patamar mínimo anteriormente registado. Ainda assim, é importante contextualizar: mesmo esta pontuação “mais baixa” continua a situar-se num território de aprovação geral, longe de uma rejeição crítica generalizada.

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O terceiro episódio da temporada, intitulado “Richmond’s Got Talent”, tem sido especialmente discutido nos últimos dias, com a crítica a elogiar a forma como a série aborda o tema da construção de equipa e da confiança conquistada, mas a apontar alguma hesitação na gestão dos arcos amorosos: a relação entre Rebecca e Matthijs tem vindo a ganhar destaque, num ritmo que alguns críticos consideram estar a atrasar propositadamente o desfecho, já muito aguardado pelos fãs, da relação entre Keeley e Roy, dois dos casais mais acompanhados de toda a série desde a primeira temporada.

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Para os fãs de sempre, esta quarta temporada continua a oferecer aquilo que fez de “Ted Lasso” um fenómeno cultural: humor caloroso, personagens profundamente humanas e uma mensagem de otimismo persistente sem nunca cair na ingenuidade vazia. Resta saber se, nos episódios finais, a série consegue reencontrar a unanimidade crítica que a acompanhou desde o início, ou se esta temporada ficará conhecida como aquela em que “Ted Lasso” finalmente mostrou as suas primeiras rugas.

Matthew McConaughey regressa ao cinema, seis anos depois, com “Os Rivais de Amziah King” — e a crítica está rendida

“Os Rivais de Amziah King” estreia nos cinemas portugueses a 3 de setembro, trazendo Matthew McConaughey de volta ao grande ecrã depois de um interregno de seis anos sem qualquer papel de protagonista em sala, um regresso que a crítica internacional já começou a apelidar de continuação da sua “McConaissance”, o renascimento criativo que relançou a carreira do ator há mais de uma década com títulos como “Mud” ou “Dallas Buyers Club”. Realizado por Andrew Patterson, o filme estreou nos Estados Unidos a 14 de agosto e reuniu, entretanto, uma das receções críticas mais entusiásticas do ano: 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, com base em mais de trinta críticas, e uma nota média de 8,3 em 10.

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A história leva-nos até às zonas rurais mais remotas do Oklahoma, onde Amziah King (McConaughey), uma figura carismática e dotada de talento musical invulgar, lidera uma banda de bluegrass composta por um grupo heterogéneo de músicos, enquanto gere simultaneamente a mais importante operação de produção de mel de toda a região. Quando a sua filha adotiva, de quem está afastado há anos, regressa inesperadamente à sua vida, Amziah agarra a oportunidade para reconstruir a relação entre os dois e transformar o negócio do mel num verdadeiro projeto de família. O problema é que o mundo da produção de mel se revela tudo menos pacífico: os rivais de Amziah, decididos a destruir tudo aquilo que ele construiu ao longo de uma vida, transformam a reconciliação familiar num verdadeiro campo de batalha.

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Ao lado de McConaughey, destaca-se a estreia de Angelina LookingGlass, atriz que a crítica tem apontado como uma das revelações mais surpreendentes do ano, ao lado de nomes já consolidados como Kurt Russell, Cole Sprouse, Owen Teague, Rob Morgan, Tony Revolori e Scott Shepherd, um elenco coral que reflete bem a ambição narrativa do próprio filme. Andrew Patterson, o realizador, já se tinha destacado anteriormente com “The Vast of Night”, uma estreia de ficção científica de baixo orçamento que se tornou rapidamente um pequeno fenómeno de culto entre a crítica especializada, e que já antecipava o gosto do cineasta por narrativas atmosféricas, ambientadas em comunidades rurais isoladas dos Estados Unidos.

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O consenso da crítica, resumido pelo próprio Rotten Tomatoes, descreve o filme como “uma epopeia expansiva, imprevisível e que confunde deliberadamente as fronteiras entre géneros, ancorada no charme de Matthew McConaughey e na estreia impressionante de Angelina LookingGlass”, uma descrição que ajuda a explicar por que razão “Os Rivais de Amziah King” se tem destacado entre a oferta cinematográfica do verão norte-americano, longe do habitual espetáculo de blockbuster e muito mais próximo de um cinema de género autoral, com raízes profundas na tradição americana do sul rural.

Para quem sentia falta de ver Matthew McConaughey a liderar um filme com este nível de ambição dramática, “Os Rivais de Amziah King” promete ser um dos regressos mais celebrados do ano.

“Spider-Man: Brand New Day” já vai em quatro semanas seguidas no topo da bilheteira mundial

“Spider-Man: Brand New Day” mantém-se, pela quarta semana consecutiva, no primeiro lugar da bilheteira norte-americana, arrecadando 39 milhões de dólares apenas no fim de semana de 21 a 23 de agosto, um resultado que representa a sétima melhor quarta semana de sempre para um filme em exibição nos Estados Unidos. Este novo marco confirma o que já se desenhava desde a estreia: o mais recente capítulo do homem-aranha tornou-se um dos fenómenos de bilheteira mais duradouros dos últimos anos, capaz de resistir mesmo à concorrência de estreias diretas, como “Insidious: Out of the Further”, que abriu na semana passada em segundo lugar.

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Os números acumulados ajudam a explicar a dimensão do fenómeno: o filme já ultrapassou os 2,2 mil milhões de dólares em bilheteira mundial, repartidos por cerca de 855 milhões de dólares no mercado doméstico norte-americano e 1,365 mil milhões de dólares no resto do mundo, tornando-se o filme de maior sucesso de sempre da Sony Pictures Studios, superando qualquer outro título alguma vez distribuído pelo estúdio. Ao longo do seu percurso em sala, “Spider-Man: Brand New Day” já bateu vários recordes de velocidade: foi o filme mais rápido da história a ultrapassar os 800 milhões de dólares no mercado doméstico, e o segundo mais rápido de sempre a atingir os 2 mil milhões de dólares a nível mundial, um feito alcançado por apenas oito filmes na história do cinema.

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Este desempenho surge num contexto particularmente favorável para a indústria: o ano de 2026 está a revelar-se o melhor ano para o cinema em sala desde antes da pandemia, com a bilheteira doméstica norte-americana já a ultrapassar os 7 mil milhões de dólares, um crescimento de 20% face ao período homólogo de 2025. Analistas da indústria têm apontado “Spider-Man: Brand New Day” como um dos principais motores dessa recuperação, ao lado de outros títulos de sucesso surpreendente lançados ao longo do ano, mas o filme distingue-se sobretudo pela sua capacidade de continuar a atrair público semana após semana, muito depois do habitual pico inicial de curiosidade que costuma definir o desempenho da generalidade dos blockbusters.

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Para a Sony e para a Marvel, que partilham os direitos cinematográficos do herói, este sucesso reforça a validade da aposta contínua no personagem mais rentável de sempre do universo Marvel fora do guarda-chuva direto dos Estúdios Marvel, numa altura em que o género de super-heróis enfrenta, globalmente, um período de alguma fadiga de mercado. “Spider-Man: Brand New Day” parece, para já, imune a essa tendência.

“Tony”, o biopic sobre os primeiros anos de Anthony Bourdain, estreia com aclamação quase unânime da crítica

“Tony”, o novo filme da A24 sobre os anos de formação de Anthony Bourdain, chegou aos cinemas norte-americanos em exibição limitada a 7 de agosto e alargou a sua distribuição a 21 de agosto, reunindo, entretanto, uma das receções críticas mais entusiásticas do ano para um biopic. O filme ainda não tem data de estreia confirmada para as salas portuguesas, mas a repercussão internacional que já gerou torna-o um dos títulos a acompanhar nos próximos meses.

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Realizado por Matt Johnson, o mesmo cineasta responsável por “BlackBerry”, um dos biopics mais elogiados dos últimos anos sobre o nascimento e queda do fabricante canadiano de smartphones, “Tony” foca-se não no Anthony Bourdain que o mundo conheceu através da televisão, o chef irreverente que se tornou uma das vozes mais influentes da gastronomia e da viagem através de programas como “No Reservations” ou “Parts Unknown”, mas sim no jovem de apenas 19 anos que ainda procurava o seu lugar no mundo. A história acompanha Bourdain quando este viaja até Provincetown, no estado norte-americano do Massachusetts, e acaba por mergulhar, quase por acaso, no universo caótico e imprevisível de uma cozinha de restaurante, um verão que viria a moldar o rumo de toda a sua vida profissional e pessoal.

No papel do jovem Bourdain está Dominic Sessa, ator que se notabilizou em 2023 com “The Holdovers” e que confirma, com “Tony”, o estatuto de uma das revelações mais interessantes da sua geração em Hollywood. A crítica tem sido particularmente generosa com a sua interpretação, destacando a forma como consegue capturar a energia inquieta e o carisma tosco de um Bourdain ainda por polir, sem cair na tentação de imitar diretamente os maneirismos do Bourdain televisivo que o público veio a conhecer décadas depois.

No agregador Rotten Tomatoes, “Tony” reúne uma das pontuações mais altas de sempre para um biopic recente, com a crítica a elogiar de forma quase transversal tanto o elenco como o tom do filme, descrito por vários críticos como uma homenagem sentida e ao mesmo tempo despretensiosa a um dos ícones culinários mais complexos e queridos da cultura popular americana, morto em 2018. Longe de se limitar a uma cronologia factual da vida de Bourdain, “Tony” opta por um retrato de origem mais íntimo, focado num momento específico e transformador, uma abordagem que tem sido apontada como um dos motivos do sucesso crítico do filme.

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Para os fãs de Anthony Bourdain, sobretudo aqueles que o descobriram através da televisão já na fase mais madura da sua carreira, “Tony” oferece uma oportunidade rara de conhecer o homem antes do mito, num filme que a crítica internacional já classifica como um dos melhores biopics do ano.

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Jason Statham enfrenta uma conspiração internacional em alto mar em “Mutiny: Código Vingança”

“Mutiny: Código Vingança” estreou em Portugal a 20 de agosto, trazendo Jason Statham de volta ao território que melhor conhece: o thriller de ação direto, económico na duração, mas denso em confrontos físicos. Realizado por Jean-François Richet, o mesmo realizador francês que já tinha trabalhado com Statham em “Mutiny” (título original mantido em Portugal), o filme junta-se à já longa lista de produções de ação protagonizadas pelo ator britânico ao longo da última década e meia.

A história segue Cole Reed (Jason Statham), um antigo membro das Forças Especiais que passou também pela polícia metropolitana de Londres antes de se dedicar à segurança privada. Reed é enquadrado pelo assassinato do seu patrão, um bilionário tailandês, e vê-se obrigado a embarcar sozinho numa cruzada pessoal para provar a sua inocência e vingar a morte do seu empregador. É precisamente aí que a trama ganha forma: a bordo de um cargueiro, Reed acaba por descobrir uma conspiração internacional muito maior do que aquilo com que inicialmente contava, incluindo um contentor com pessoas contrabandeadas que o capitão do navio, Marko Madsen, planeia entregar a uma rede de tráfico humano.

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Ao lado de Statham, destaca-se a atriz Annabelle Wallis no papel de Angie Ellis, oficial do cargueiro que descobre, pelo seu próprio lado, a operação criminosa a decorrer a bordo do navio onde trabalha. Segundo entrevistas recentes da atriz à imprensa internacional, Angie foi pensada como uma líder natural, tão determinada quanto Reed, mas movida também pela sua condição de mãe solteira, o que confere à personagem uma dimensão emocional que ajuda a equilibrar o ritmo mais frenético do filme. Completa o elenco principal Roland Møller no papel do antagonista Marko Madsen, além de Adrian Lester, Ramon Tikaram e Arnas Fedaravicius.

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Com apenas 95 minutos de duração, “Mutiny: Código Vingança” segue a fórmula que tem definido boa parte da carreira recente de Jason Statham: ritmo compacto, sem grandes desvios narrativos, focado quase exclusivamente na ação e na sobrevivência física do protagonista. É uma abordagem que tem conquistado consistentemente audiências fiéis ao género, mesmo quando a crítica especializada se mostra mais reservada quanto à originalidade da história, e que garante ao filme um lugar confortável entre os thrillers de ação de verão pensados para entretenimento imediato mais do que para prestígio.

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Argumento assinado por Lindsay Michel e J.P. Davis, “Mutiny: Código Vingança” estreou nos Estados Unidos também a 21 de agosto, pela Lionsgate, muito próximo da data de estreia portuguesa, o que confirma a aposta do estúdio numa estratégia de lançamento global simultâneo para maximizar o impacto do filme logo na primeira semana em sala.

“Harry Potter e a Pedra Filosofal” volta aos cinemas para celebrar 25 anos de magia

Os Cinemas NOS trazem de volta ao grande ecrã “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, entre 27 e 30 de agosto, no âmbito da celebração global “Back to Hogwarts 2026”, que assinala os 25 anos desde a estreia do primeiro filme da saga baseada nos livros de J.K. Rowling. A reposição integra um programa mais alargado da Warner Bros. Discovery que, entre 27 de agosto e 3 de setembro, disponibiliza os oito filmes da franquia nos cinemas de todo o mundo, ainda que o calendário exato de exibição varie consoante a região e o exibidor.

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Há 25 anos, em novembro de 2001, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” introduzia o mundo ao jovem bruxo interpretado por Daniel Radcliffe, dando início a uma das franquias mais bem-sucedidas comercialmente da história do cinema, que viria a somar oito filmes ao longo de uma década, arrecadar mais de sete mil milhões de dólares nas bilheteiras mundiais e transformar Hogwarts, o Beco Diagonal e o Expresso de Hogwarts em referências culturais reconhecíveis muito para além do público que leu os livros originais.

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Para esta reedição especial, o filme não regressa exatamente igual ao que o público viu em 2001: a versão exibida nos cinemas nesta celebração inclui 12 minutos de material nunca antes visto, com imagens dos bastidores da produção, o que representa um incentivo adicional mesmo para quem já assistiu ao filme dezenas de vezes ao longo destes 25 anos. É uma estratégia que a Warner Bros. Discovery tem vindo a repetir noutras franquias marcantes do seu catálogo, apostando na nostalgia como motor de bilheteira num ano particularmente forte para o cinema em sala.

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A celebração “Back to Hogwarts 2026” não se fica pela reedição: o anúncio inclui também eventos presenciais para fãs em quatro regiões globais e novos vislumbres da futura série da HBO baseada nos livros originais, atualmente em produção e aguardada com enorme expectativa por parte dos fãs da saga, que a acompanham como uma possibilidade de recontar a história com maior fidelidade ao material literário do que os filmes permitiram em alguns momentos.

Para o público português, esta é uma oportunidade rara de reviver em sala o início de uma saga que marcou gerações, não apenas pela nostalgia do primeiro contacto com o universo criado por J.K. Rowling, mas também pela experiência coletiva do cinema, algo que o consumo doméstico em streaming raramente consegue replicar. Vinte e cinco anos depois, Hogwarts continua, aparentemente, a encher salas.

“Orwell 2+2=5”: o documentário de Raoul Peck que devolve George Orwell à atualidade, estreia dia 29 nos Canais TVCine

Os Canais TVCine estreiam, em exclusivo, no sábado, dia 29 de agosto, às 22h10, no TVCine Edition e no TVCine+, “Orwell 2+2=5”, o documentário de Raoul Peck sobre a vida e a obra de George Orwell, um dos autores mais lidos e mais citados do século XX. O filme teve a sua estreia mundial em maio de 2025, na secção Cannes Première do Festival de Cannes, onde concorreu ao prémio L’Œil d’Or, e chega agora, pela primeira vez, à televisão portuguesa.

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Em 1949, poucos meses antes de morrer, George Orwell terminava aquele que ficaria conhecido como o seu romance mais importante: “1984”. Foi esse livro, ao lado de “A Quinta dos Animais”, que transformou Orwell num dos autores mais visionários do século passado, responsável por antecipar, com um rigor de detalhe hoje difícil de ignorar, um futuro autoritário assustadoramente credível. Conceitos como a novilíngua, o duplo pensamento ou a onipresença do Big Brother deixaram de pertencer apenas à ficção, tornando-se vocabulário corrente para descrever fenómenos políticos e sociais bem reais, décadas depois de terem sido escritos.

É precisamente essa persistência, essa capacidade de continuar a explicar o presente muito depois de ter sido escrito para imaginar o futuro, que “Orwell 2+2=5” se propõe explorar. Raoul Peck entrelaça excertos históricos, leituras do diário do próprio Orwell, referências cinematográficas retiradas de diferentes adaptações de “1984” e de “A Quinta dos Animais” ao longo dos anos, e imagens dinâmicas da atualidade, construindo não apenas um retrato biográfico convencional, mas uma verdadeira investigação sobre o que torna a obra de Orwell tão incomodamente atual. Segundo a crítica internacional, que recebeu o filme de forma bastante positiva em Cannes, o documentário não se limita a apresentar factos e datas: procura ativamente revelar padrões e ligações entre o pensamento de Orwell e os dias de hoje, defendendo o autor como um homem do passado que poderá, ainda assim, deter uma chave importante para compreender o futuro.

A narração está a cargo de Damian Lewis, ator britânico conhecido de séries como “Homeland” e “Billions”, que empresta a Orwell uma voz íntima e grave, um dos elementos mais elogiados pela crítica que acompanhou a estreia em Cannes. Já a realização pertence a Raoul Peck, um dos documentaristas mais respeitados da atualidade, nomeado para o Óscar de Melhor Documentário em 2017 por “I Am Not Your Negro”, um retrato do escritor e ativista James Baldwin que se tornou uma referência do género. Com “Orwell 2+2=5”, Peck assina ainda a sua primeira colaboração com os herdeiros de George Orwell, o que lhe permitiu um acesso pouco habitual a materiais de arquivo e diários pessoais do escritor.

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Mais do que uma simples biografia, “Orwell 2+2=5” posiciona-se como um ensaio cinematográfico sobre a linguagem, o poder e a manipulação da verdade, temas que, mais de setenta e cinco anos depois da publicação de “1984”, continuam a atravessar o debate público em praticamente todo o mundo. Para quem já leu Orwell e para quem nunca lhe pegou num livro, o documentário promete oferecer motivos igualmente válidos para (re)descobrir por que razão este continua a ser um dos autores mais incontornáveis da literatura política contemporânea.

“Está Cordialmente Convidado” estreia nos Canais TVCine, com Will Ferrell e Reese Witherspoon numa guerra de casamentos

Os Canais TVCine estreiam esta sexta-feira, dia 28 de agosto, às 21h30, no TVCine Top e no TVCine+, “Está Cordialmente Convidado” (“You’re Cordially Invited”), a comédia romântica de Nicholas Stoller que junta, pela primeira vez no grande ecrã, Will Ferrell e Reese Witherspoon. O filme tinha estreado originalmente em janeiro de 2025 na plataforma Amazon Prime Video, chegando agora, mais de um ano depois, à televisão portuguesa.

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A premissa assenta num erro de reserva tão simples quanto explosivo: dois casamentos, organizados por famílias diferentes, acabam marcados para o mesmo dia e no mesmo resort remoto. De um lado, uma irmã dedicada a planear o casamento perfeito para a sua irmã; do outro, um pai igualmente empenhado em garantir que o casamento da filha corre sem percalços. Quando ambos descobrem a coincidência, nenhum está disposto a ceder, dando origem a uma batalha de vontades cada vez mais caótica, em que cada grupo de convidados é chamado a proteger, a todo o custo, o momento especial da respetiva família.

É precisamente esse confronto entre Margot, interpretada por Reese Witherspoon, e Jim, interpretado por Will Ferrell, que sustenta o filme, num duelo cómico entre dois protagonistas igualmente teimosos e igualmente decididos a não abdicar do dia perfeito que planearam para quem mais amam. A química entre os dois atores, ambos com décadas de experiência em comédia, é apontada por boa parte da crítica internacional como o principal trunfo do filme, ainda que a receção geral tenha sido dividida: no agregador Rotten Tomatoes, o filme reúne cerca de metade de críticas positivas, com muitos críticos a elogiar precisamente a dupla protagonista, mas a apontar alguma falta de fôlego nalgumas das peripécias cómicas ao longo da história.

After: Depois de Tudo” fecha a saga em Portugal — e chega ao Cinemundo no fim de agosto

Nicholas Stoller, realizador e argumentista do filme, não é propriamente um estreante no género: assina também comédias como “Má Vizinhança” e “Ressaca de Amor”, dois títulos que ajudaram a consolidar o seu nome como um dos realizadores mais associados à comédia americana contemporânea, com um estilo caraterizado por humor físico, situações de embaraço social crescente e um ritmo de escrita bastante ágil, elementos que voltam a estar presentes nesta história de casamentos que corre inevitavelmente mal.

Ao lado da dupla principal, o elenco conta ainda com Geraldine Viswanathan, Meredith Hagner e Jimmy Tatro, nomes que têm vindo a afirmar-se sobretudo em comédias e séries de streaming dos últimos anos, e que reforçam o tom coral que a produção procura equilibrar em torno do confronto central entre Ferrell e Witherspoon.

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Para quem gosta de comédias de casamento com uma pitada extra de caos organizado, “Está Cordialmente Convidado” promete uma noite de sexta-feira descontraída, com duas estrelas veteranas da comédia americana a mostrar, finalmente juntas, se a espera valeu a pena.

Adria Arjona enfrenta um exército de supersoldados em “Ataque Implacável”, de Adam Wingard

“Ataque Implacável”, título português para “Onslaught”, o novo filme de Adam Wingard, o realizador responsável por “Godzilla vs. Kong”, “Godzilla x Kong: O Novo Império” e “The Guest”, estreia nos cinemas portugueses a 3 de setembro, um dia antes da estreia norte-americana, marcada para 4 de setembro pela A24. A distribuição em Portugal fica a cargo da NOS Audiovisuais.

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A história é simples na premissa e violenta na execução: no coração do deserto, uma experiência militar foge ao controlo, e uma unidade de supersoldados geneticamente modificados, concebidos originalmente para controlar populações, transforma a pequena comunidade de Windy Oasis num verdadeiro campo de batalha. A missão dos supersoldados passa a ser simples e brutal, eliminar todos os que possam revelar a verdade sobre a experiência que lhes deu origem, o que coloca os habitantes da comunidade, e sobretudo uma mãe em particular, numa luta pela sobrevivência ao longo de uma única noite.

Essa mãe é Celeste Cross, interpretada por Adria Arjona, atriz que se tem afirmado nos últimos anos como uma das presenças mais consistentes do cinema de ação e thriller, com papéis em “Assassino Profissional” e “Splitsville”. No filme, Celeste é uma antiga sniper do Exército que vive com a filha num parque de caravanas, tentando deixar para trás um passado militar que julgava enterrado, até ser obrigada a recuperar exatamente essas competências para proteger a filha e sobreviver.

Ao lado de Arjona, o brasileiro Alex Pereira, atual campeão de duas categorias de peso no UFC e uma das figuras mais dominantes das artes marciais mistas na atualidade, faz a sua estreia no cinema como uma das ameaças mais implacáveis que Celeste terá de enfrentar, seguindo uma tendência cada vez mais comum de Hollywood recrutar atletas de combate para papéis que exigem presença física e credibilidade em cena de ação. O elenco conta ainda com Dan Stevens, Rebecca Hall e Drew Starkey, entre outros nomes.

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O argumento é assinado por Simon Barrett, colaborador habitual de Adam Wingard desde “You’re Next” e “The Guest”, parceria que ajudou a definir o estilo caraterístico do realizador: ação visceral, humor negro afiado e uma abordagem assumidamente pulp que recusa a solenidade típica de tantos thrillers de ação contemporâneos. Em “Ataque Implacável”, essa identidade mantém-se firme, com aposta declarada em efeitos práticos, violência gráfica e sequências de combate de alta intensidade, num regresso do realizador às raízes mais independentes e irreverentes que o notabilizaram antes do salto para as produções de grande escala do universo MonsterVerse.

Com uma premissa que soa a cruzamento entre um filme de sobrevivência isolada e um thriller militar de ficção científica, “Ataque Implacável” aposta claramente na intensidade acima da subtileza, prometendo uma noite de cinema tão visceral quanto a experiência que a sua protagonista é forçada a enfrentar.

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