Há histórias de cinema português que merecem ser contadas pela raridade do percurso, e a de “First Date” é uma delas. A curta-metragem de Luís Filipe Borges, vencedora do primeiro Prémio Curta Pico, tornou-se um fenómeno improvável, com uma digressão por setenta festivais em dezanove países e vinte e quatro prémios somados pelo caminho.
O projeto nasceu de um concurso lançado em 2023 pela associação MiratecArts, com o apoio dos três municípios da ilha do Pico, nos Açores, para financiar a rodagem de uma curta de ficção no local. A ideia vencedora foi apresentada em janeiro de 2024 e, depois de muito voluntariado e de fundos públicos e privados adicionais, o filme estreou-se no Montanha Pico Festival em janeiro de 2025. A partir daí, a viagem não parou. Estreou-se na Índia, passou pela Suécia, pelo FEST de Espinho, onde foi nomeado para Melhor Obra Nacional de 2025, pelos Estados Unidos e pela Austrália, e em Angola, no Cinefest, arrecadou quatro prémios, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador para Luís Filipe Borges. Pelo meio, distinguiu ainda Cristóvão Campos e Ana Lopes nas categorias de interpretação.
O reconhecimento chegou também a casa, com a estreia televisiva no histórico CineMax da RTP2 em maio de 2026 e o lançamento na plataforma FILMIN. Mais do que uma curta premiada, “First Date” funciona como um cartão de visita da ilha do Pico, levando o nome dos Açores a júris e plateias das Filipinas ao Brasil. Para quem quiser seguir o exemplo, as candidaturas ao segundo Prémio Curta Pico estão abertas até 1 de julho.
“O Rei da Internet” leva aos cinemas a história real de um hacker adolescente
“Thelma”: June Squibb prova que ninguém se mete com a avozinha
Jennifer Coolidge confessa que pensou que ia ser a Elle Woods em “Legally Blonde”


