Elden Ring — Alex Garland Filma para a A24 com Kit Connor e Cailee Spaeny, Estreia em Março de 2028

Há videojogos que são arte. Elden Ring — o RPG de acção da FromSoftware e Bandai Namco lançado em Fevereiro de 2022, com world-building de George R.R. Martin e direcção criativa de Hidetaka Miyazaki — é um deles. Mais de 30 milhões de cópias vendidas, mais de 400 prémios Jogo do Ano, e uma comunidade global que continua activa e apaixonada quatro anos depois do lançamento. É o tipo de material que o cinema raramente toca bem — porque a experiência de jogar Elden Ring é fundamentalmente sobre solidão, descoberta e morte repetida, e nenhuma dessas coisas se traduz directamente para o ecrã. Alex Garland é provavelmente a escolha mais inteligente que a A24 poderia ter feito para tentar

A produção do filme está já em curso, com estreia confirmada para 3 de Março de 2028, filmagem para IMAX e um elenco que inclui Kit Connor, Ben Whishaw, Cailee Spaeny, Tom Burke, Nick Offerman, Jonathan Pryce e Havana Rose Liu. Garland — o realizador de Ex MachinaAnnihilation e Civil War, e argumentista de 28 Days Later e Sunshine — fez uma apresentação pessoal à Bandai Namco e à FromSoftware para ganhar os direitos de adaptação. É o sinal mais claro possível de que este projecto parte de uma obsessão genuína, não de um cálculo comercial.

O elenco é um estudo em escolhas inesperadas. Kit Connor — que toda a gente conhece de Heartstopper e que Garland já trabalhou em Warfare — como protagonista de uma fantasia de acção medieval sombria é uma subversão deliberada das expectativas. Ben Whishaw, um dos actores mais completos da sua geração, num universo de monstros e ruínas. Nick Offerman, recentemente nomeado ao Emmy por The Last of Us, num papel que os fãs do jogo especulam ser o do Dung Eater — o personagem mais perturbador de toda a narrativa. E George R.R. Martin como produtor executivo, fechando um círculo entre os dois criadores de mundos mais influentes da fantasia contemporânea.

O orçamento reportado de 100 milhões de dólares torna-o no filme mais caro da história da A24  — uma aposta que reflecte tanto a dimensão do projecto como a confiança que o estúdio deposita em Garland. O realizador descreveu Elden Ring como um universo que lhe permite explorar “a liberdade criativa total” — o mesmo adjectivo que usou para descrever o que a FromSoftware deu aos jogadores. Se Garland conseguir transferir para o ecrã a sensação de descoberta que define o jogo — a arquitectura de significado escondido, a narrativa que existe para quem a procura —, pode ser um dos filmes mais originais de 2028.

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Tiago Guedes em Cannes Première — Aqui Leva o Cinema Português à Selecção Oficial

Quando se fala de cinema português em Cannes, a memória recente não é escassa. Miguel Gomes esteve em competição com As Mil e Uma Noites. João Pedro Rodrigues tem uma relação longa com o festival. Teresa Villaverde, João Salaviza, Susana de Sousa Dias — o cinema português tem uma presença discreta mas consistente na Croisette ao longo das últimas décadas. E ontem, com o anúncio das últimas adições à Selecção Oficial de 2026, o nome de Tiago Guedes entrou nessa lista.

Aqui, o novo filme de Tiago Guedes, foi seleccionado para Cannes Première — a secção que acolhe filmes fora da competição principal mas com uma visibilidade e um prestígio que qualquer realizador do mundo reconhece imediatamente como significativos. Cannes Première é onde estreiam filmes de realizadores com carreira consolidada que o festival quer celebrar sem os colocar na corrida pela Palma de Ouro. É um lugar de honra, não uma concessão.

Tiago Guedes é um dos realizadores portugueses mais interessantes da sua geração. Tristeza e Alegria na Vida das Girafas (2013) — a adaptação da peça de Tiago Rodrigues sobre uma rapariga que decide falar com o primeiro-ministro — foi uma estreia que demonstrava uma voz cinematográfica com confiança e originalidade raras. O Filho (2019), com Albano Jerónimo e Sandra Faleiro, confirmou que Guedes sabe explorar a intimidade das relações familiares com uma contenção formal que amplifica em vez de diminuir a intensidade emocional.

Os detalhes de Aqui são ainda escassos — o festival não disponibilizou sinopse no momento do anúncio. Mas a presença em Cannes Première, numa edição que já inclui filmes de Almodóvar, Farhadi, Koreeda, Zvyagintsev, Dhont e James Gray, é por si mesma uma afirmação sobre a qualidade e a relevância do projecto. Para o cinema português, e para os que o acompanham, é a confirmação de que Tiago Guedes pertence a essa conversa internacional — e que Cannes, o árbitro mais exigente do cinema de autor mundial, reconhece isso.

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Stranger Things: Tales From ’85 — O Universo de Hawkins Regressa Hoje em Animação

O universo de Stranger Things ficou formalmente fechado em 2025, quando a quinta e última temporada encerrou a história de Eleven, Mike, Dustin, Lucas e Will com uma despedida que a Netflix tratou como um evento cultural de primeira ordem. O que a Netflix e os Duffer Brothers deixaram em aberto — deliberadamente — foi a possibilidade de regressar ao universo sem regressar à mesma história. Stranger Things: Tales From ’85, que estreia hoje na plataforma, é a primeira resposta a essa possibilidade.

A série animada passa-se no inverno de 1985, em Hawkins, e segue os personagens originais em novas aventuras paranormais.  É, nas palavras dos Duffer Brothers, uma tentativa de capturar “a magia de Hawkins de uma forma nova” — e a forma nova é a animação, com uma estética deliberadamente inspirada nos desenhos animados de sábado de manhã dos anos 80. O showrunner é Eric Robles, que produziu o projecto através da Flying Bark Productions, os mesmos responsáveis por What If…? da Marvel.

A aposta é arriscada por razões que qualquer fã de franchise conhece bem. A animação pode parecer uma extensão comercial — um produto para manter a marca activa entre os fãs mais jovens sem o risco criativo e financeiro de uma nova temporada live-action. Ou pode ser exactamente o oposto: uma forma de explorar o universo com uma liberdade que a série original não tinha, sem o peso das expectativas que cada temporada carregava. Os Duffer descreveram-na como uma oportunidade de “regressar no tempo e simplesmente estar com estas crianças” — uma frase que soa sincera e que, se a série concretizar essa promessa, pode ser exactamente o que a franchise precisava para sobreviver além do seu arco principal.

A série junta ao elenco de vozes de personagens familiares uma nova personagem, Nikki Baxter, com voz de Odessa A’zion, conhecida de Marty Supreme. Os Duffer Brothers e Hilary Leavitt produzem executivamente através da Upside Down Pictures, junto com Shawn Levy e Dan Cohen. É uma produção com o mesmo nível de cuidado da série original — a questão é se o público vai abraçar Hawkins numa dimensão diferente, ou se a magia era inseparável dos actores que a construíram ao longo de oito anos.

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Heartstopper Forever — Nick e Charlie Dizem Adeus a 17 de Julho num Filme em Vez de uma Temporada

Há séries que criam comunidades. Heartstopper — a história de amor adolescente entre Nick Nelson e Charlie Spring, baseada nas graphic novels de Alice Oseman — é claramente uma delas. Desde que estreou na Netflix em Abril de 2022, tornou-se num fenómeno de representação LGBTQ+ com uma gentileza e uma autenticidade que raramente se encontram na televisão mainstream. Três temporadas, oito Emmys, e uma base de fãs que aguardou com uma paciência que raramente se vê no consumo de streaming contemporâneo. Ontem, no quarto aniversário exacto da estreia da primeira temporada, a Netflix confirmou que o fim está marcado: Heartstopper Forever chega à plataforma a 17 de Julho. 

O formato da despedida é uma decisão criativa que Oseman admitiu ter inicialmente encarado com “apreensão”. Em vez de uma quarta temporada — o que os fãs esperavam e o que parecia a continuação natural — a história vai concluir-se num único filme de longa-metragem. A razão é simples: Nick vai para a universidade, e Nick e Charlie vão enfrentar a realidade de uma relação à distância. É o momento de viragem que qualquer casal adolescente tem de atravessar — e Oseman argumentou que o formato de filme, sem a necessidade de cliffhangers episódicos ou reviravoltas semanais, permite uma narrativa mais contemplativa e atmosférica. “Toda a parte do Heartstopper pode ser elevada a uma qualidade superior para criar algo memorável, sofisticado e atmosférico”, disse a criadora.

Kit Connor e Joe Locke regressam como Nick e Charlie — e pela primeira vez servem também como produtores executivos, um reconhecimento do papel que os dois actores tiveram na construção da série além das suas performances. O restante elenco principal regressa quase na íntegra: Yasmin Finney, Will Gao, Corinna Brown, Kizzy Edgell, Tobie Donovan, Rhea Norwood. Há uma mudança de casting significativa: Olivia Colman, que interpretou a mãe de Nick nas três temporadas, não regressa — foi substituída por Anna Maxwell Martin, a actriz de Line of Duty e Philomena. Derek Jacobi junta-se ao elenco numa aparição ainda não revelada.

A realização é de Wash Westmoreland — o realizador de Still Alice e Colette, dois filmes sobre transformação identitária e sobre o custo emocional de viver fiel a si mesmo —, que traz ao projecto uma sensibilidade que é uma extensão natural do que a série sempre foi. Oseman descreveu o filme como “uma exploração do tempo, da memória, do amor, da dor, da mudança das estações, dos fins e dos começos.” É a linguagem de alguém que está a preparar uma despedida digna — não um encerramento apressado, mas um adeus que tem o espaço e a calma necessários para ser sentido.

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Clayface — O Primeiro Trailer do Horror do DCU Chegou e É Exactamente Tão Perturbador Quanto Precisava de Ser

James Gunn disse desde o início que queria que cada filme do novo DC Universe tivesse um tom diferente. Superman era esperança e optimismo. Supergirl era aventura espacial. Clayface é horror. Horror a sério, classificação R, body horror vitoriano com influências de Darkman e O Homem Invisível — e o trailer que a Warner Bros. e a DC Studios lançaram ontem confirma que ninguém exagerou na descrição.

O filme estreia a 23 de Outubro de 2026 — posicionamento de Halloween deliberado e inteligente — e é realizado por James Watkins, com argumento de Mike Flanagan e Hossein Amini. A combinação de Flanagan — o mestre do horror literário adaptado, responsável por Haunting of Hill HouseMidnight Mass e a adaptação de Stephen King Doctor Sleep — com Watkins, realizador de A Mulher de Negro e episódios de Black Mirror, é exatamente o tipo de parceria criativa que sugere um filme com ambições além do franchising.

A história segue Matt Hagen, um actor em ascensão em Hollywood que é violentamente desfigurado por um gangster. Para recuperar a face e a carreira, submete-se a uma cirurgia experimental que o transforma no Clayface — feito de argila viva, capaz de se moldar a qualquer forma, imparável na sua busca de vingança. O trailer, com banda sonora de um remix etéreo de “Do You Realize??” dos Flaming Lips, mostra Hagen na cama de hospital com o rosto coberto de ligaduras, flashbacks da vida anterior, e finalmente a transformação — um braço que se transforma numa maça espinhosa para golpear alguém. É uma promessa de body horror que evita deliberadamente a estética de superhero habitual.

Tom Rhys Harries — o actor galês conhecido do público de streaming por White Lines e The Gentlemen — lidera o elenco no papel de Matt Hagen. A escolha é consistente com a estratégia de Gunn de evitar estrelas de primeira linha nos papéis principais em favor de actores menos conhecidos que possam ser associados definitivamente com as suas personagens. Naomi Ackie — indicada ao Óscar por I Wanna Dance with Somebody — interpreta a Dra. Caitlin Bates, a cientista cujos experimentos são centrais à transformação. Max Minghella é um detective de Gotham, e Eddie Marsan e David Dencik completam o elenco principal.

O que torna Clayface potencialmente o filme DC mais interessante do ano não é o horror em si — é o que o horror permite explorar. A história de um actor que perde o rosto e com ele a identidade, e que encontra na capacidade de ser qualquer coisa uma forma perversa de liberdade, tem uma densidade psicológica que a maioria dos filmes de superhero não tem paciência para explorar. O trailer sugere que Watkins e Flanagan não desperdiçaram essa oportunidade.

Miami Vice ’85 — Michael B. Jordan e Austin Butler São Tubbs e Crockett no Regresso ao Neon de Miami

Há franchises que o tempo trata com uma generosidade que os seus criadores não previram. Miami Vice — a série da NBC que entre 1984 e 1989 definiu literalmente a estética de uma década, da moda ao cinema, das gravatas às mangas dobradas dos fatos brancos — é uma delas. A adaptação cinematográfica de Michael Mann em 2006 com Colin Farrell e Jamie Foxx foi recebida com frieza na altura e tem vindo a ser progressivamente reabilitada pela crítica nas últimas duas décadas. A Universal Pictures decidiu que é hora de tentar de novo — e desta vez com uma combinação de estrelas e realizador que torna a aposta muito mais clara.

Miami Vice ’85 foi confirmado ontem com Michael B. Jordan e Austin Butler a fecharem os contratos para interpretar Tubbs e Crockett, respectivamente, sob a direcção de Joseph Kosinski.  O título diz tudo sobre a abordagem: não é uma adaptação contemporânea nem uma reimaginação que foge ao material original — é um regresso deliberado e assumido ao Miami dos anos 80, ao neon, à corrupção, à estética que a série original transformou em ícone cultural. O filme vai ser rodado para IMAX e está previsto para 6 de Agosto de 2027. 

O elenco é uma declaração de intenções. Michael B. Jordan acaba de ganhar o Óscar de Melhor Actor por Sinners de Ryan Coogler — o thriller de horror de blues que foi a maior surpresa cinematográfica de 2025 — e está no pico da sua relevância artística e comercial. Austin Butler transformou-se em nome bankable depois de Elvis e consolidou essa posição com Dune: Parte Dois e Bonecracker. Os dois juntos representam exactamente o tipo de casting que a Universal precisa para fazer de Miami Vice ’85 algo mais do que nostalgia.

Joseph Kosinski, por seu lado, tem uma relação muito específica com o cinema de acção de grande escala. Top Gun: Maverick — o maior blockbuster de 2022, com 1,49 mil milhões de dólares mundiais — demonstrou que o realizador sabe como fazer filmes de acção que funcionam tanto como espectáculo visual como como estudo de personagens. F1, estreado este ano, confirmou essa capacidade. A rodagem para IMAX é um sinal de que a Universal está a posicionar Miami Vice ’85 como um evento cinematográfico, não apenas como um produto de franchise.

O argumento é de Dan Gilroy — o realizador e argumentista de Nightcrawler, o thriller de 2014 com Jake Gyllenhaal que é um dos filmes mais perturbadores sobre o jornalismo e a América contemporânea. O filme baseia-se na inspiração do episódio piloto e da primeira temporada da série original, criada por Anthony Yerkovich e executivamente produzida por Michael Mann. TV Guide Mann, cujo nome está indissociavelmente ligado à série e ao filme de 2006, está associado ao projecto como produtor executivo. Há rumores de que Tom Cruise está em conversas para o papel do antagonista — conhece bem Kosinski de Oblivion e de Top Gun: Maverick, e o seu calendário de verão está aparentemente disponível.

Cannes 2026 Fecha a Selecção — James Gray, Victorian Psycho, Judith Godrèche e Tiago Guedes na Lista Final
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Cannes 2026 Fecha a Selecção — James Gray, Victorian Psycho, Judith Godrèche e Tiago Guedes na Lista Final

A selecção oficial de Cannes 2026 está fechada. Ontem, o festival anunciou os últimos 16 títulos que completam a programação da 79.ª edição — e a notícia mais aguardada era a que toda a indústria sabia que ia acontecer mas precisava de ver confirmada: Paper Tiger, de James Gray, entra em competição pela Palma de Ouro.

O filme é um thriller de crime passado em Nova Iorque sobre dois irmãos que tentam realizar o sonho americano e se enredam numa esquema com a máfia russa.  Estelarizado por Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller, é o sexto filme de Gray em competição em Cannes — ele esteve pela última vez na Croisette com Armageddon Time em 2022 — e foi adquirido pela Neon para a América do Norte, a distribuidora que já tem quatro filmes em competição esta edição e que está na corrida para a sua sétima Palma de Ouro consecutiva, depois de ParasitasTitaneTriângulo de TristezaAnatomia de uma QuedaAnora e It Was Just an Accident. A competição fica assim fechada com 22 filmes. Ira Sachs é o único outro americano em competição com The Man I Love.

Em Un Certain Regard, a adição mais comentada é Victorian Psycho de Zachary Wigon — um thriller de horror gótico passado na Inglaterra vitoriana sobre uma governanta excêntrica que chega a uma mansão remota e começa a gerar suspeitas entre os residentes. Maika Monroe, que substituiu Margaret Qualley após um conflito de agenda, lidera o elenco com Thomasin McKenzie, Jason Isaacs e Ruth Wilson. O filme foi originalmente desenvolvido na A24 antes de aterrar na Bleecker Street, e a sua presença em Cannes confirma Monroe como uma das presenças mais relevantes do cinema de género contemporâneo.

Também em Un Certain Regard, A Girl’s Story de Judith Godrèche. A actriz francesa que se tornou uma das figuras centrais do movimento #MeToo em França — depois de revelar em 2024 abusos sexuais por parte dos realizadores Benoît Jacquot e Jacques Doillon — estreia-se como realizadora de longa-metragem no mesmo festival onde denunciou os seus agressores. TheWrap Godrèche já tinha estado em Cannes como realizadora em 2023 com a curta-metragem Moi Aussi, que abriu precisamente o Un Certain Regard. Este regresso em formato longo é um dos momentos mais carregados de significado de toda a edição.

A lista de adições inclui ainda Titanic Ocean da realizadora grega Konstantina Kotzamani — uma história de formação passada numa escola especial no Japão que treina adolescentes como sereias profissionais —, Ulysse de Laetitia Masson como filme de encerramento de Un Certain Regard, e Ceniza en la Boca de Diego Luna na secção Cannes Première, onde estreia a sua primeira longa-metragem como realizador. Também em Cannes Première, Mariage au Goût d’Orange de Christophe Honoré, um drama familiar dos anos 70 com Adèle Exarchopoulos e Paul Kircher.

E há uma notícia especialmente relevante para o cinema português: Aqui de Tiago Guedes foi seleccionado para Cannes Première. O realizador de Tristeza e Alegria na Vida das Girafas e O Filho leva ao festival mais importante do mundo o seu mais recente trabalho, numa secção que acolhe filmes fora da competição principal mas com visibilidade e prestígio consideráveis. É uma das melhores notícias do cinema nacional deste ano.

Cannes 2026 decorre de 12 a 23 de Maio. Com a selecção agora completa — Almodóvar, Farhadi, Koreeda, Hamaguchi, Mungiu, Pawlikowski, Zvyagintsev, Dhont, Na Hong-jin, Ira Sachs e agora James Gray em competição — é difícil não concluir que esta é uma das edições mais densas em talento da última década.

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Rabo de Peixe: a série portuguesa que conquistou o mundo chega ao capítulo final na Netflix

A terceira temporada de Rabo de Peixe chegou há poucos dias à Netflix e marca o desfecho de uma das produções portuguesas mais ambiciosas alguma vez lançadas na plataforma. Desde a estreia em 2023, a série transformou-se num fenómeno nacional e internacional, levando os Açores, a sua paisagem agreste e uma história inspirada em factos reais a milhões de espectadores em todo o mundo.  

Uma história nascida do caos

Inspirada, ainda que de forma livre, num caso real ocorrido nos Açores no início dos anos 2000, Rabo de Peixe parte de uma premissa explosiva: um carregamento de cocaína dá à costa na ilha de São Miguel e muda para sempre a vida de uma pequena comunidade piscatória.

No centro da narrativa está Eduardo, interpretado por José Condessa, um jovem pescador que vive entre dificuldades económicas, responsabilidades familiares e o sonho de escapar ao destino aparentemente traçado pela ilha. Ao lado dos amigos Rafael, Carlinhos e Sílvia, vê naquele achado uma oportunidade única para mudar de vida.

A primeira temporada acompanha a ascensão deste grupo improvisado no mundo do narcotráfico, misturando tensão policial, violência, ambição e, acima de tudo, amizade. Foi precisamente esta combinação entre thriller criminal e drama humano que ajudou a série a destacar-se.

A segunda temporada elevou a escala do conflito. O negócio da droga já não era apenas uma aventura perigosa: tornou-se uma guerra aberta, com novos inimigos, traições e consequências devastadoras para todos os envolvidos. A série passou a explorar também o impacto social na própria vila, mostrando como o dinheiro fácil corrói relações e destrói inocências.  

A terceira temporada: justiça, vingança e despedida

A nova temporada, estreada a 10 de Abril, avança três anos no tempo. Eduardo regressa após cumprir pena de prisão e encontra uma comunidade profundamente transformada, ameaçada por interesses económicos e políticos que colocam em risco a pesca e as famílias locais.  

É neste cenário que os protagonistas criam um movimento clandestino, a chamada “Justiça da Noite”, numa tentativa de devolver poder à comunidade. A fronteira entre heroísmo, vingança e violência torna-se cada vez mais ténue, prometendo um final carregado de tensão.

Com seis episódios, esta terceira temporada serve como o grande final da série, fechando o arco das personagens que acompanharam os espectadores ao longo de três anos.

Produção de luxo made in Portugal

Criada por Augusto Fraga, Rabo de Peixe foi produzida pela Ukbar Filmes e pela RB Filmes, representando um dos maiores investimentos feitos numa série portuguesa para streaming.  

A realização dividida entre Augusto Fraga e Patrícia Sequeira trouxe à série um visual cinematográfico impressionante. As paisagens açorianas, o mar revolto, as falésias e as ruas da vila funcionam quase como uma personagem própria.

A fotografia é um dos pontos mais elogiados da produção, ajudando a criar uma atmosfera simultaneamente bela e ameaçadora.

Um elenco que ajudou a elevar a fasquia

Além de José Condessa, o elenco conta com Helena Caldeira, Rodrigo Tomás e André Leitão nos papéis centrais.

Ao longo das temporadas, juntaram-se nomes de peso como Maria João Bastos, Joaquim de Almeida, Kelly Bailey e Pêpê Rapazote, contribuindo para dar ainda mais densidade dramática à série.  

Mais do que uma série sobre crime, Rabo de Peixe tornou-se um retrato sobre amizade, desigualdade social, ambição e sobrevivência. E isso explica porque continua a gerar conversa — e alguma polémica — mesmo agora que chega ao fim.

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Maio no NOS Studios: ação, terror, romance e fantasia para todas as noites de cinema em casa

O mês de Maio chega ao NOS Studios com uma programação particularmente variada, que vai do suspense à comédia romântica, passando pela ação explosiva, fantasia e até animação para os mais pequenos. É um alinhamento pensado para diferentes públicos, com estreias semanais que prometem manter as noites de televisão bem ocupadas.

Entre os grandes destaques do mês estão dois nomes de peso de Hollywood: Tim Burton e Clint Eastwood, cada um com propostas muito diferentes, mas igualmente marcantes no panorama cinematográfico.

🎃 Beetlejuice Beetlejuice: Tim Burton regressa ao universo dos mortos-vivos

Um dos filmes mais aguardados do mês é Beetlejuice Beetlejuice, de Tim Burton, que traz de volta Michael Keaton no icónico papel do fantasista Beetlejuice.

Depois de uma tragédia familiar, a família Deetz regressa a Winter River, onde antigos fantasmas continuam bem vivos… ou melhor, bem mortos. A situação complica-se quando a filha de Lydia abre um portal para o mundo dos mortos, desencadeando o caos habitual do universo criado por Burton.

Com Jenna Ortega, Winona Ryder e Catherine O’Hara no elenco, este é um regresso carregado de nostalgia e estética gótica, marca registada do realizador.

⚖️ Jurado #2: o dilema moral segundo Clint Eastwood

No lado oposto do espectro cinematográfico surge Jurado #2, realizado por Clint Eastwood.

O filme acompanha Justin Kemp, um jurado envolvido num julgamento de homicídio que começa a enfrentar um dilema moral profundo: a verdade do caso pode estar directamente ligada às suas próprias decisões.

Com Nicholas Hoult, Toni Collette e J.K. Simmons, o filme aposta num thriller judicial centrado em tensão psicológica e escolhas éticas difíceis, algo muito característico da filmografia recente de Eastwood.

💣 Ação, espionagem e conspirações internacionais

O mês inclui também várias propostas de ação.

Em Operação Fortune: Missão Mortífera, de Guy Ritchie, Jason Statham lidera uma missão secreta para travar a venda de tecnologia militar perigosa, num registo típico de espionagem com humor britânico e ritmo acelerado.

Já The Bricklayer: Missão Mortal, de Renny Harlin, coloca um antigo agente da CIA no centro de uma conspiração internacional, depois de ser forçado a regressar ao activo para evitar uma crise global.

❤️ Romance, comédia e encontros improváveis

Maio também traz várias histórias românticas.

Em Um Encontro na Escócia, uma escritora vê-se envolvida num mal-entendido que pode mudar a sua vida amorosa.

Um Amor à Beira D’Água aposta numa narrativa emocional sobre segundas oportunidades.

Ao Som do Amor mistura música e romance num encontro inesperado.

Já Engenharia do Amor traz uma abordagem mais moderna, onde tecnologia e sentimentos se cruzam de forma imprevisível.

E em Love is a Dog’s Best Friend, até um cão traquinas serve de catalisador para novas relações e mudanças pessoais.

🔍 Thriller digital e tensão contemporânea

No registo mais moderno, 1 Milhão de Seguidores explora o lado sombrio da fama digital, onde a ascensão nas redes sociais traz consigo perigos inesperados, obsessões e consequências extremas.

👧 Domingos Animados para toda a família

Os mais pequenos também têm lugar garantido com os tradicionais Domingos Animados, que incluem títulos como Os MauzõesDavidOs Super Elfkins – Uma Nova Aventura e Snow e a Princesa, sempre em versão portuguesa.

🎬 Um mês de cinema para ver no sofá

Entre fantasia, ação, romance e suspense, Maio no NOS Studios aposta numa programação pensada para todos os gostos, com grandes nomes de Hollywood e uma oferta diversificada que transforma cada noite numa sessão diferente.

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IndieLisboa 2026 na TVCine: uma viagem pelo cinema independente português e as suas inquietações contemporâneas

Na semana que antecede o início do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema 2026, o canal TVCine Edition propõe uma viagem pelo cinema independente nacional com um especial dedicado a quatro filmes que marcaram edições anteriores do festival. Entre 27 e 30 de Abril, sempre pelas 23h00, o ciclo destaca obras que exploram temas como identidade, activismo, resistência comunitária e fragilidade emocional, reafirmando o papel do cinema independente como espaço de liberdade criativa.

Mais do que uma simples programação televisiva, trata-se de uma antevisão do espírito do festival: filmes que desafiam convenções e que colocam o olhar sobre o que é muitas vezes invisível no cinema mais comercial.

🎭 Carmen Troubles: desconstruir estereótipos através da arte

O ciclo abre com Carmen Troubles, de Vasco Araújo, uma obra que revisita a célebre ópera de Georges Bizet para questionar a forma como a figura da mulher cigana foi construída no imaginário ocidental.

Misturando cinema, performance e ensaio artístico, o filme funciona como uma reflexão crítica sobre representações culturais e preconceitos enraizados, ao mesmo tempo que dá voz a organizações de mulheres ciganas que procuram redefinir a sua própria narrativa.

Apresentado no IndieLisboa 2023, o filme destaca-se pela sua abordagem experimental e politicamente consciente.

🎶 As Fado Bicha: música como ferramenta de resistência

Na terça-feira, é a vez de As Fado Bicha, de Justine Lemahieu, um documentário que acompanha o percurso do projecto musical Fado Bicha.

Ao longo de vários anos, o filme segue Lila Tiago e João Caçador, explorando a forma como a sua música se tornou uma plataforma de intervenção social e política no contexto LGBTQIA+.

Com presença em festivais como o IndieLisboa 2024 e o Queer Porto, o documentário revela o lado íntimo de um projecto artístico que desafia tradições e preconceitos, reinventando o fado como espaço de resistência contemporânea.

🌄 A Savana e a Montanha: a luta por um território

Na quarta-feira, o destaque vai para A Savana e a Montanha, de Paulo Carneiro, uma obra que cruza documentário e ficção num registo próximo do western.

O filme acompanha a comunidade de Covas do Barroso, em Trás-os-Montes, que se organiza contra um projecto de exploração de lítio a céu aberto.

Mais do que um retrato ambiental, trata-se de uma narrativa sobre identidade colectiva, resistência e ligação ao território, onde a fronteira entre realidade e encenação se dissolve para reforçar a força do testemunho.

🌫️ Estamos no Ar: solidão, desejo e imaginação

A encerrar o ciclo, Estamos no Ar, de Diogo Costa Amarante, propõe uma viagem mais intimista e sensorial pelas vidas de três membros de uma mesma família.

Entre solidão, desejo e fuga emocional, o filme explora as fragilidades humanas num registo que oscila entre o real e o onírico, construindo uma atmosfera de inquietação silenciosa.

É uma obra que não procura respostas fáceis, antes convida o espectador a habitar as zonas cinzentas da emoção e da memória.

🎬 Um retrato do cinema independente português

No conjunto, este especial do TVCine Edition funciona como uma pequena montra do que o cinema independente português tem vindo a produzir nos últimos anos: obras que cruzam géneros, desafiam estruturas narrativas tradicionais e colocam o foco em temas sociais, políticos e existenciais.

Mais do que histórias fechadas, são filmes que abrem discussões — e que refletem a vitalidade criativa de uma nova geração de realizadores.

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