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Sete filmes, um só cartaz: o que estreia esta semana nos cinemas portugueses

Sete filmes estreiam esta semana nas salas portuguesas, e a distância entre o primeiro e o último desta lista diz tudo sobre como funciona hoje o mercado de cinema em Portugal. De um documentário sobre Sophia de Mello Breyner a um tentpole Marvel, o cartaz cobre praticamente todo o espectro possível. Vamos por ordem, do mais discreto ao que vai dominar as bilheteiras.

Sophia Setembro de 1963

Começamos pelo extremo oposto do espectáculo. Vanessa Duarte e Hugo Pereira assinam este documentário que segue os passos de Sophia de Mello Breyner na viagem que fez à Grécia em 1963, na companhia de Agustina Bessa-Luís, a partir dos fragmentos de diário que a poetisa deixou. Sessenta anos depois, os realizadores refazem o mesmo trajecto, cruzando a Grécia imaginada, a fragmentada, a de Sophia, a de Odisseu e a de ninguém. É cinema de nicho cultural no sentido mais literal: um filme dedicado a uma das figuras maiores da literatura portuguesa, distribuído pela pequena The Stone and The Plot, com apelo praticamente reservado a públicos de circuito cultural e cinéfilos ligados à poesia. Sem pretensões de bilheteira, mas com lugar garantido na programação de cineclubes e sessões temáticas.

Um Toque Familiar (Familiar Touch)

Sarah Friedland estreou-se na longa-metragem com este retrato de uma octogenária a adaptar-se à vida num lar, entre memória em fuga e uma relação cada vez mais complicada consigo própria. O resultado valeu-lhe o Leão do Futuro em Veneza e o prémio de melhor realização na secção Orizzonti, tornando “Familiar Touch” um dos filmes mais premiados de sempre nessa categoria do festival. É cinema de câmara, sensível e difícil, sobre um tema que o público em geral evita. A Alambique distribui-o com a discrição habitual dos seus lançamentos: pouco cartaz, público reduzido, mas um dos títulos mais interessantes da semana para quem gosta de cinema de autor.

O Misterioso Olhar do Flamingo

Diego Céspedes venceu a secção Un Certain Regard em Cannes 2025 logo com a sua estreia na longa-metragem, o que por si só é um feito raro. O filme acompanha Lidia, de doze anos, numa cidade mineira do norte do Chile nos anos 80, enquanto uma doença misteriosa ameaça a comunidade queer que a rodeia. Melodrama, realismo mágico e humor cruzam-se num retrato de infância que a crítica internacional recebeu com entusiasmo. A Films4You traz o filme para Portugal, mas o destino comercial é o mesmo dos títulos de autor latino-americanos premiados em festivais: cobertura crítica forte, salas praticamente vazias.

Her Private Hell

Nicolas Winding Refn regressa à longa-metragem dez anos depois de “The Neon Demon”, e o mundo do cinema estava de facto curioso para ver o que traria. A resposta dividiu tudo: a Variety chamou-lhe “um desastre à David Lynch com más drogas”, a Indiewire falou de visuais grotescos e um argumento que soa a auto-paródia, mas o Rotten Tomatoes reconhece um filme “intoxicante no estilo”, ainda que arrastado. Sophie Thatcher, Charles Melton e Havana Rose Liu emprestam rostos jovens e em ascensão a esta odisseia de neon sobre uma cidade envolta em nevoeiro e um GI à procura da filha no inferno. Não é filme para gerar filas, mas Refn continua a ter um culto fiel, e a NOS Audiovisuais garante-lhe distribuição suficiente para essa base de fãs. Vale a curiosidade da estreia, não a permanência em cartaz.

Motor City — Sede de Vingança

Aqui a conversa muda de registo. Potsy Ponciroli assina um thriller de acção ambientado na Detroit dos anos 70, com uma aposta rara para um filme de 30 milhões de dólares: praticamente sem diálogo. Alan Ritchson, hoje um dos rostos mais bancáveis da acção depois do sucesso de “Reacher”, protagoniza ao lado de Shailene Woodley e Ben Foster. A crítica reconheceu a presença física de Ritchson e a química com Woodley, mas apontou o risco do silêncio como entrave ao desenvolvimento das personagens. Mesmo com recepção mista, o nome de Ritchson sozinho já é motor comercial suficiente, e a Cinemundo dá-lhe um lançamento amplo. Um dos títulos a vigiar esta semana, sobretudo junto do público masculino habituado a thrillers de género.

Marsupilami

Philippe Lacheau já não precisa de provar nada ao público francês, e este ano superou-se a ele próprio: “Marsupilami” ultrapassou os 6 milhões de entradas em França, tornando-se o maior êxito de bilheteira do país em 2026 e o maior sucesso pessoal de Lacheau, batendo o seu próprio recorde com “Alibi.com 2”. É comédia de aventura familiar, fórmula testada à exaustão por Lacheau e que continua a funcionar. Em Portugal, onde as comédias francesas do realizador têm historicamente boa resposta junto do público jovem e familiar, a NOS Audiovisuais aposta forte. Um dos candidatos sólidos ao pódio da bilheteira nacional nas próximas semanas.

E o mais importante: Homem-Aranha — Um Novo Dia

Deixámos para o fim aquele que, sem margem para debate, vai dominar as bilheteiras portuguesas nas próximas semanas. “Spider-Man: Brand New Day” traz de volta Tom Holland ao papel que o tornou uma das maiores estrelas da sua geração, agora ao lado de Zendaya e Sadie Sink, sob a realização de Destin Daniel Cretton. É o tentpole Marvel/Sony do ano, com tudo o que isso implica: campanha de marketing global, expectativa acumulada há anos, público transversal a todas as idades e uma distribuição maciça pela Big Picture que vai garantir sessões em praticamente todas as salas do país. Não há outro filme nesta lista, nem provavelmente nas próximas semanas, capaz de rivalizar com o impacto deste lançamento. Se há um filme que resume o motivo pelo qual esta semana é das mais aguardadas do ano no calendário de estreias, é este.

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