Drake fez história no Billboard — e o cinema já está a tratar de marcar um encontro com ele

Drake ocupou os três primeiros lugares do Billboard 200 em simultâneo com o seu álbum triplo surpresa — quebrando recordes e igualando Taylor Swift. É o tipo de feito que a indústria da música raramente permite — três álbuns diferentes, três posições no topo, ao mesmo tempo. 

O que liga esta notícia ao Clube de Cinema não é apenas o tamanho do acontecimento mas o padrão que se repete: os maiores nomes da música chegam invariavelmente ao cinema. Drake produziu já vários projectos audiovisuais, incluindo a série documental Euphoria e colaborações com realizadores como Dave Meyers. O álbum triplo inclui referências directas a filmes e samples de bandas sonoras clássicas — e a conversa nas redes sociais sobre uma possível adaptação cinematográfica de partes do projecto já começou, com o nome de Barry Jenkins a circular como realizador ideal.

Nada está confirmado. Mas quando Drake ocupa os três primeiros lugares do Billboard, Hollywood ouve. É apenas uma questão de tempo.

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Sebastian Stan vai ser Duas Caras — e revelou em Cannes que já trabalha com a equipa de caracterização

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A semana de Sebastian Stan em Cannes foi das mais densas que qualquer actor pode ter num festival. Chegou com Fjordde Cristian Mungiu — irreconhecível, com a cabeça rapada e roupas que, nas palavras do Deadline, “podiam ter sido feitas de sacos de batatas” — e saiu com a Palma de Ouro. No meio, falou ao Deadline sobre o que vem a seguir: Londres, verão, The Batman: Part II.

Stan confirmou que vai em breve para Londres rodar o filme de Matt Reeves, onde vai interpretar “muitos papéis neste”. É uma referência directa à natureza do personagem Harvey Dent — o procurador do Ministério Público de Gotham que se transforma em Duas Caras após ter ácido atirado à face pelo crime organizado. Stan revelou também que já está a trabalhar com as equipas de cabelo e caracterização, que já definiram como vai ser a desfiguração da personagem no ecrã. 

O que torna Stan num actor invulgar é exactamente esta capacidade de usar o capital comercial dos franchises para financiar escolhas de risco. Após o Soldado de Inverno em vinte filmes Marvel, escolheu Donald Trump em The Apprentice, um homem desfigurado em A Different Man — que lhe valeu o Urso de Prata em Berlim — e agora um pai religioso romeno num filme de Mungiu. “Faço o que for necessário para o realizador”, disse ao Deadline. Para Fjord, isso significou rapar a cabeça e tornar-se irreconhecível. Para The Batman II, vai significar a desfiguração física mais complexa da sua carreira.

Na mesma entrevista, Stan falou sobre a paternidade recente — o filho com Annabelle Wallis nasceu este ano — e sobre a sua ligação a Londres, onde estudou teatro no Globe de Shakespeare com Mark Rylance como director artístico. E sobre o programa de televisão britânico favorito do casal: Gogglebox. “Tem uma qualidade estranha, agradável e sossegada”, disse. Há algo muito Sebastian Stan em encontrar paz num programa sobre pessoas a ver televisão.

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The Mandalorian e Grogu fez 82 milhões no fim-de-semana de três dias e 102 milhões no fim-de-semana alargado de quatro dias do Memorial Day. É a pior estreia de Star Wars desde que a Disney comprou a franchise em 2012. 

Para contextualizar: O Despertar da Força abriu com 238 milhões em 2015. Os Últimos Jedi com 220 milhões. A Ascensão de Skywalker — o filme que afastou uma parte significativa da base de fãs — com 177 milhões. Mesmo Solo: Uma História de Star Wars, o maior fracasso comercial da era Disney, fez 84 milhões num fim-de-semana de três dias — sem o Memorial Day a ajudar.

A Variety resume bem a contradição: é significativo para qualquer outro filme abrir acima de 100 milhões. Mas Star Wars é uma das propriedades cinematográficas mais importantes de Hollywood, e há uma expectativa de um certo nível de bilheteira. Os analistas estão divididos sobre o que os números significam. 

A leitura mais honesta é esta: sete anos sem Star Wars no cinema, uma série muito amada como ponto de partida, Pedro Pascal no topo do seu momento de popularidade — e ainda assim o público não apareceu em força. A cicatriz de A Ascensão de Skywalker é mais profunda do que a Disney queria acreditar. O CinemaScore de A- indica que quem foi gostou — o problema foi convencer as pessoas a ir.

Para os fãs da série, de Rogue One e de Andor que viram o filme, a notícia é mais simples: o filme existe, está em cartaz em Portugal, e vale o bilhete. A questão de saber se a Disney vai tirar as conclusões certas destes números é outra conversa — e uma muito mais importante para o futuro da franchise.

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Nicolas Cage revelou numa entrevista ao Deadline que Christopher Nolan deixou de o contactar depois de ele ter recusado um papel em Insomnia (2002). “A maioria deles fica com os sentimentos feridos e não volta a ligar. Aconteceu-me um milhão de vezes”, disse o actor.

Insomnia acabou por ser protagonizado por Al Pacino e Robin Williams — um dos poucos thrillers psicológicos de Nolan que raramente aparece nas conversas sobre a sua carreira, apesar de ser um filme sólido sobre um detective que investiga um assassinato numa aldeia do Alasca onde o sol nunca se põe no verão. Cage não revelou para que papel foi abordado, mas a sua ausência do filme foi claramente sentida por ambas as partes de formas diferentes. 

O actor, que esta semana estreia Spider-Noir no Prime Video, aproveitou a entrevista para nomear a excepção à regra: David O. Russell. “É o único realizador a quem disse não e que voltou a oferecer-me outro filme. Toda a gente me ofereceu um filme, eu disse não, e nunca mais ouvi falar deles. É o que acontece.” A observação diz tanto sobre o ego dos realizadores de Hollywood como sobre a carreira de Cage — que ao longo de décadas fez escolhas que muitos consideraram erradas e que acabaram por definir exactamente o actor que ele é. 

Nolan, por sua vez, não tem fama de guardar rancores — mas tem fama de saber exactamente o que quer. Cage admitiu que muitos realizadores tomam a rejeição “como algo pessoal”, acrescentando que é uma dinâmica que “acontece a toda a gente na indústria, não só a mim”. A ironia é que Cage está neste momento em melhor forma criativa do que em qualquer outro momento dos últimos vinte anos — PigThe Unbearable Weight of Massive TalentLonglegs e agora Spider-Noirformam uma fase tardia que muitos realizadores estariam felizes em ter no início da carreira. Se Nolan ainda não lhe telefonou, talvez seja altura.

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É a primeira vez que Nicolas Cage tem um papel principal numa série de televisão. Oitenta filmes no currículo, um Óscar por Leaving Las Vegas, e a primeira série da sua carreira chegou exactamente da forma certa: como um detective envelhecido e desgastado nos anos 30 de Nova Iorque, com um fedora, um impermeável e uma aranha bordada no peito. E o Trailer é magnífico!

Spider-Noir estreia amanhã, 26 de Maio, globalmente no Prime Video — com todos os oito episódios disponíveis em simultâneo. A série centra-se em Ben Reilly (Cage), um investigador privado em declínio na Nova Iorque da Grande Depressão que é forçado a confrontar o seu passado como o único super-herói da cidade após uma tragédia pessoal. O elenco inclui Lamorne Morris como Robbie Robertson, o jornalista amigo de Ben, Li Jun Li como Cat Hardy e Brendan Gleeson. 

A série foi descrita pelos criadores como “Marvel através da lente de Raymond Chandler” — sem fatos de lycra nem arranha-céus iluminados, mas com sombras, jazz e corrupção política. É o Spider-Man mais negro e mais humano que alguma vez chegou ao ecrã. 

O detalhe que torna Spider-Noir num objecto verdadeiramente singular é a opção de visualização. O Prime Video oferece dois modos: Preto e Branco Autêntico ou Cor Total — uma ideia que foi parcialmente do próprio Cage, que queria que a série tivesse a textura visual dos filmes noir dos anos 40. As primeiras críticas após o levantamento do embargo colocam a série nos 91% no Rotten Tomatoes, com os críticos a elogiar a direcção corajosa e a performance de Cage como “possivelmente o personagem Marvel mais convincente a aparecer num ecrã de televisão”. 

Amanhã, 26 de Maio, no Prime Video em Portugal. Escolham o preto e branco.