“Her Private Hell”: Nicolas Winding Refn regressa ao grande ecrã quase uma década depois de “The Neon Demon”

Alternativa: “Sophie Thatcher e Charles Melton perdidos num inferno de neon no regresso de Refn ao cinema”

Nicolas Winding Refn volta às salas de cinema portuguesas a 30 de julho com “Her Private Hell: Viagem ao Inferno”, a primeira longa-metragem do realizador dinamarquês desde “The Neon Demon”, de 2016. O filme estreou mundialmente em Cannes, fora de competição, e chega a Portugal pela distribuição da NOS Audiovisuais.

O regresso de Refn ao formato longa não é um dado menor para quem acompanha a carreira do realizador de “Drive” e “Only God Forgives”: depois de quase dez anos dedicados sobretudo a séries e projetos televisivos, “Her Private Hell” marca a retoma de uma linguagem visual que sempre foi a sua assinatura mais reconhecível, agora aplicada a um território que combina terror, ficção científica e thriller — um cruzamento de géneros que o cineasta já tinha ensaiado, com resultados divisivos, em trabalhos anteriores.

A história desenrola-se numa metrópole futurista engolida por um nevoeiro misterioso que liberta uma entidade esquiva e mortífera. Duas linhas narrativas cruzam-se: uma jovem perturbada à procura do pai desaparecido, e um soldado norte-americano que embarca numa odisseia perigosa para resgatar a própria filha das profundezas desse inferno urbano. É um ponto de partida que aposta claramente na atmosfera e na ameaça indefinida mais do que na exposição narrativa directa — outra marca registada de Refn.

O elenco reúne Sophie Thatcher (vinda de “Heretic” e “Yellowjackets”) e Charles Melton (de “May December”) nos papéis centrais, com Havana Rose Liu, Diego Calva e Hidetoshi Nishijima a completar um grupo internacional que reforça a ambição do projeto para lá do mercado escandinavo onde Refn construiu a sua reputação.

Com uma estreia em Cannes fora de competição e um elenco desta dimensão, “Her Private Hell” posiciona-se como um dos títulos de género mais aguardados do verão em Portugal — sobretudo para quem procura algo que fuja ao previsível dos blockbusters de julho.

TIFF 2026: Almodóvar, Chris Rock e o biopic de Stallone lideram primeira leva de Toronto

Juíza trava fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery: o que está em jogo

Juíza trava fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery: o que está em jogo

Alternativa: “Justiça dos EUA suspende por duas semanas negócio de 111 mil milhões de dólares entre Paramount e Warner Bros. Discovery”

Uma juíza federal dos Estados Unidos travou, esta segunda-feira, a fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery (WBD), num revés temporário mas significativo para uma das maiores operações de consolidação da história recente de Hollywood.

A juíza Araceli Martínez-Olguín, do tribunal distrital dos EUA, emitiu uma ordem restritiva temporária que suspende o negócio por duas semanas, na sequência de uma ação judicial movida por uma coligação de 12 procuradores-gerais estaduais, liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta. A ordem proíbe explicitamente as duas empresas de “fechar ou consumar a transação” ou de dar qualquer passo, direto ou indireto, para integrar ou consolidar as suas operações enquanto o processo estiver em curso.

Na decisão, a juíza escreveu que os procuradores-gerais “apresentam provas convincentes de que a empresa resultante da fusão terá uma quota de mercado substancial no mercado de distribuição teatral de grande lançamento” — e que essa quota de mercado, por si só, é suficiente para presumir que a fusão viola provavelmente a lei antitrust norte-americana.

O calendário aponta agora para 3 de agosto, data marcada para uma audiência que decidirá se a suspensão temporária se transforma numa liminar preliminar. Se isso acontecer, o negócio pode ficar congelado durante meses, atrasando os planos da Paramount, já fundida com a Skydance, para absorver o espólio da Warner Bros. — que inclui estúdios históricos, a HBO, a DC e um catálogo de streaming entre os mais valiosos do mercado.

Para lá da mecânica jurídica, o caso interessa a quem segue cinema por uma razão simples: junta debaixo do mesmo teto dois dos maiores distribuidores de cinema em sala dos Estados Unidos, numa altura em que a concentração do mercado de distribuição teatral já preocupa reguladores. Uma fusão aprovada sem condições reduziria de imediato o número de grandes estúdios independentes entre si, com efeitos previsíveis sobre calendários de estreia, negociação com exibidores e, a prazo, sobre a diversidade de oferta que chega às salas fora dos EUA, incluindo Portugal.

TIFF 2026: Almodóvar, Chris Rock e o biopic de Stallone lideram primeira leva de Toronto

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Alternativa: “Festival de Toronto anuncia 64 filmes para a 51ª edição, com abertura da Apple e nova feira de mercado”

O Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) revelou esta segunda-feira a primeira leva de filmes da sua 51ª edição, que decorre entre 10 e 20 de setembro. O festival mantém-se como um dos primeiros grandes testes públicos da temporada de prémios, e a lista agora conhecida confirma o padrão dos últimos anos: menos dependência do streaming puro e um regresso visível a nomes de autor.

A cerimónia de abertura, a 10 de setembro no Roy Thomson Hall, é reservada a “Being Heumann”, produção da Apple Original Films realizada por Siân Heder, a mesma cineasta de “CODA”. O filme é uma adaptação baseada em factos reais, e a escolha da Apple para abrir o festival sinaliza a aposta continuada do streamer em conteúdo de prestígio com potencial de prémios.

Nas secções Gala e Special Presentations, o TIFF anunciou 64 títulos, 32 dos quais estreias mundiais. Entre os nomes confirmados está Peter Farrelly, que traz “I Play Rocky”, biopic sobre Sylvester Stallone, ao lado de realizadores como Anton Corbijn, John Madden e Chris Rock. Consta também da lista “Misty Green”, outra estreia mundial ainda envolta em mistério quanto a elenco e sinopse.

A componente internacional do line-up é onde o festival mais aposta este ano: assinam presença Pedro Almodóvar, Danny Boyle, Lee Chang-dong, Jesse Eisenberg, Gael García Bernal, Ryûsuke Hamaguchi, Hirokazu Kore-eda, Mike Leigh, Cristian Mungiu, Rodrigo Sorogoyen, Florian Zeller e Andrey Zvyagintsev, entre outros, com obras vindas de quase 30 países. Para o público cinéfilo, é a lista mais reveladora: confirma que Toronto continua a servir de ponte entre os festivais europeus de verão (Cannes, Veneza) e a temporada de prémios americana no outono.

O festival estreia também este ano o TIFF: The Market, uma nova plataforma de indústria que decorre entre 10 e 16 de setembro no Metro Toronto Convention Centre, pensada para compra, venda e financiamento de projetos de cinema e televisão — sinal de como os festivais A-list estão a reforçar o seu papel comercial, para além do tapete vermelho.

A programação completa, incluindo as secções Platform e Discovery, deverá ser anunciada nas próximas semanas.

“Motor City – Sede de Vingança”: o filme que quase teve Chris Evans, Jake Gyllenhaal e Gerard Butler antes de chegar a Alan Ritchson

Alternativa: “Catorze anos depois, o thriller que a Warner Bros. abandonou finalmente chega às salas”

“Motor City – Sede de Vingança” estreou nos cinemas norte-americanos a 24 de julho, e a sua chegada às salas portuguesas — já confirmada pela distribuidora Cinemundo, embora sem data ainda fechada nas fontes disponíveis — fecha um dos ciclos de desenvolvimento mais longos e acidentados de Hollywood na última década e meia.

A história, ambientada na Detroit dos anos 70, segue John Miller, um homem comum incriminado por um gangster implacável depois de se envolver com a namorada deste, que regressa da prisão anos depois com um único objetivo: vingança. É um enredo simples, quase esquemático, mas a produção à sua volta é tudo menos simples.

O guião de Chad St. John esteve na Black List de 2009, a lista anual dos melhores argumentos por filmar em Hollywood, e chegou a ser projeto da Warner Bros. em 2011, com Albert Hughes na realização e Chris Evans convidado para o papel principal. Evans recusou; entrou Dominic Cooper; Cooper saiu por conflitos de agenda; entrou Jake Gyllenhaal, ao lado de Amber Heard e Gary Oldman; Gyllenhaal saiu pela mesma razão; entrou Gerard Butler. Adrien Brody chegou a ser anunciado como vilão. Em 2012, o projeto colapsou por completo — e Butler chegou a processar os produtores Randall Emmett e George Furla, alegando incumprimento de um acordo de pay-or-play que lhe garantia até seis milhões de dólares mesmo que o filme nunca se fizesse.

O projeto só ressuscitou em 2023, com Alan Ritchson anunciado para o papel principal sob a realização de Timur Bekmambetov. Em 2024, a realização passou para Potsy Ponciroli, e juntaram-se ao elenco Shailene Woodley, Ben Foster e Pablo Schreiber. As filmagens decorreram em Nova Jérsia e em Detroit, e Foster revelou na altura um pormenor que se tornaria a principal singularidade do filme: o guião final contém apenas cinco linhas de diálogo em todo o filme.

Estreado fora de competição na secção Spotlight do Festival de Veneza, em agosto de 2025, “Motor City” foi comprado pela RLJE Films por três a quatro milhões de dólares para distribuição nos EUA, uma fração modesta face ao orçamento de 30 milhões da produção. É, no fim, uma história de sobrevivência dentro e fora do ecrã: um filme quase mudo sobre um homem que recusa desistir, feito por uma produção que também recusou.

“Hypnotic – Arma Invisível”: Robert Rodriguez troca a acção pura por um thriller sobre manipulação mental

TVCine dedica a noite de domingo a Joachim Trier, com estreia de “Valor Sentimental”

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“Hypnotic – Arma Invisível”: Robert Rodriguez troca a acção pura por um thriller sobre manipulação mental

Alternativa: “Ben Affleck persegue um homem que controla mentes em ‘Hypnotic’, estreia de sexta-feira no TVCine Top”

O TVCine Top estreia esta sexta-feira, 24 de julho, às 21h30, “Hypnotic – Arma Invisível”, o thriller de Robert Rodriguez que junta o realizador de “El Mariachi” e “Sin City” a Ben Affleck num registo mais contido do que o habitual nos dois nomes — mais jogo mental do que tiroteio.

A história segue o detective Danny Rourke, obcecado com o desaparecimento da filha há três anos, que ao investigar uma série de assaltos a bancos acaba a questionar tudo o que julgava saber sobre si e sobre quem o rodeia. Com a ajuda de Diana Cruz, uma vidente interpretada por Alice Braga, Rourke lança-se num jogo do gato e do rato contra um homem capaz de manipular mentes — o mesmo homem que acredita ser a chave para encontrar a filha. O elenco de apoio soma nomes habituados a género, como JD Pardo, Dayo Okeniyi, Jeff Fahey e William Fichtner.

É um filme que resume bem uma certa fase de carreira de Affleck no pós-pandemia: thrillers de género, orçamento médio, distribuição menos ruidosa do que os blockbusters em que participou noutras décadas — e que por isso passam facilmente ao lado do público antes de chegarem à televisão, onde encontram muitas vezes uma segunda vida mais justa. Para Rodriguez, é também um regresso a um terreno que já tinha explorado antes, o da realidade que se desfaz debaixo dos pés da personagem principal, aqui aplicado a um enredo com pretensões de ficção científica que se sobrepõe ao puro suspense policial.

Não é o Rodriguez dos exageros pulp que fizeram a sua reputação, mas para quem gosta de thrillers com uma pergunta central por resolver até ao fim — quem controla quem — “Hypnotic” cumpre o que promete.

TVCine dedica a noite de domingo a Joachim Trier, com estreia de “Valor Sentimental”

Alternativa: “Vencedor do Óscar e do Grande Prémio de Cannes, “Valor Sentimental” estreia em maratona dedicada a Joachim Trier”

O TVCine Edition e o TVCine+ transformam a noite de domingo, 26 de julho, numa pequena retrospectiva a Joachim Trier, com a estreia televisiva de “Valor Sentimental” às 22h a servir de centro a uma programação que junta quatro filmes do realizador norueguês num só serão.

“Valor Sentimental” chega precedido de um currículo pouco comum: venceu o Óscar de Melhor Filme Internacional e o Grande Prémio do Festival de Cannes, e reúne um quarteto de intérpretes todos nomeados para o Óscar pelos respectivos papéis — Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Elle Fanning e Inga Ibsdotter Lilleaas. É um drama de família construído à volta da memória e do peso da arte: as irmãs Nora e Agnes reencontram o pai distante, Gustav, um realizador outrora conceituado que tenta um regresso triunfal e oferece a Nora, actriz de teatro, o papel principal do seu novo filme. Quando ela recusa, Gustav entrega o papel a uma jovem estrela americana em ascensão, e as duas irmãs veem-se forçadas a lidar em simultâneo com o pai e com a intrusa que passa a ocupar o centro da história familiar.

A escolha do TVCine de emparelhar a estreia com outros três títulos de Trier — “Ensurdecedor” (18h10), “A Pior Pessoa do Mundo” (19h55) e “Thelma” (00h15) — transforma a noite num raro exercício de contexto: em vez de isolar o filme premiado, o canal convida o espectador a ver a evolução de um dos autores europeus mais consistentes da última década, do body horror emocional de “Thelma” à comédia agridoce de “A Pior Pessoa do Mundo”, até este novo capítulo sobre herança e reconciliação.

Para quem só conhece Trier de nome, domingo é a oportunidade de perceber porque é que a crítica insiste em chamar-lhe o ponto alto da carreira do realizador — sem sair de casa.

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