“‘Não é um argumento de outra pessoa. É nosso’: actores britânicos unem-se contra a fusão Paramount-WBD”

Benedict Cumberbatch, Alan Cumming e Benedict Wong assinam um artigo de opinião no The Guardian a pedir ao governo britânico que trave a fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery, avaliada em 111 mil milhões de dólares — a mesma operação que, nos Estados Unidos, já foi suspensa temporariamente por uma juíza federal na sequência de uma acção de doze procuradores-gerais estaduais.

O texto, publicado sob o título “A TV and cinema calamity could be disastrous for what you watch and what you know. Act now to stop that”, apela directamente a Lisa Nandy, secretária de Estado para a Cultura, Media e Desporto, para que intervenha ao abrigo do Enterprise Act de 2002. “Os actores são frequentemente aconselhados a manterem-se fora de argumentos legais”, escrevem os três. “Mas passámos as nossas vidas em plateaus britânicos suficientes, trabalhámos ao lado de equipas técnicas britânicas suficientes […] para sabermos que isto não é o argumento de outra pessoa. É nosso.”

A preocupação central do trio vai além do impacto directo na indústria de produção: é sobre concentração de meios de informação. A fusão juntaria sob o mesmo tecto o Channel 5, propriedade da Paramount, e a CNN e a CNN International, controladas pela Warner Bros. Discovery. “Se um único proprietário com interesses comerciais controla o acesso a ambos, controla a matéria-prima da nossa memória histórica”, argumentam. “Um único proprietário a controlar esta fatia das notícias — e da verdade — põe em risco o público de uma forma que uma consolidação normal não põe.”

Nandy já reconheceu, em declarações recentes ao Parlamento britânico, estar “inclinada a intervir” no processo. Fica por saber se o apelo de três dos nomes mais respeitados do cinema e televisão britânicos – Cumberbatch com “Sherlock” e o universo Marvel, Cumming com décadas de teatro e televisão premiada, Wong como um dos rostos mais reconhecíveis do cinema de género britânico recente — vai pesar na decisão final, mas o caso soma-se agora a uma frente de resistência que já atravessa dois continentes.

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Canal Cinemundo dedica agosto a Alfred Hitchcock, com “O Homem que Sabia Demais” a abrir o ciclo

Teatro Aveirense recebe pela primeira vez o Festival AVANCA, na edição que assinala 30 anos

Canal Cinemundo dedica agosto a Alfred Hitchcock, com “O Homem que Sabia Demais” a abrir o ciclo

O Canal Cinemundo transforma as segundas-feiras de agosto num pequeno curso intensivo de Alfred Hitchcock, com cinco dos títulos mais influentes do realizador a passar, semana a semana, às 20h30. O ciclo arranca já no dia 3 de agosto com “O Homem que Sabia Demais”, de 1956, e segue depois com “A Mulher que Viveu Duas Vezes” (10 de agosto), “Psico” (17 de agosto), “Os Pássaros” (24 de agosto) e “Marnie” (31 de agosto) — um percurso que atravessa praticamente toda a fase mais reconhecível da carreira do “mestre do suspense”, da intriga internacional ao terror puro, passando pelo filme que redefiniu para sempre o que um thriller psicológico podia ser.

A escolha de abertura não é inocente. Em “O Homem que Sabia Demais”, James Stewart e Doris Day interpretam Ben McKenna e Jo Conway, um casal americano de férias em Marrocos que testemunha um crime e se vê arrastado para uma intriga internacional depois de o filho ser raptado para os silenciar. É um Hitchcock ainda a operar em registo mais clássico de espionagem e suspense geográfico, antes das obras mais sombrias que se seguem no resto do ciclo — uma escolha que funciona quase como isca para quem só conhece o realizador pelos títulos mais citados, “Psico” à cabeça.

Vale a pena assinalar o ciclo no seu conjunto, não apenas o arranque: são cinco segundas-feiras consecutivas que praticamente compõem uma retrospectiva em casa, sem necessidade de streaming de nicho ou cinemateca. Para o Canal Cinemundo, que assume no seu posicionamento uma programação pensada “para um público exigente”, é este tipo de curadoria temática — e não apenas a novidade — que continua a justificar espaço fixo na grelha.

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Teatro Aveirense recebe pela primeira vez o Festival AVANCA, na edição que assinala 30 anos

O Teatro Aveirense associa-se, entre os dias 27 e 30 de julho, às comemorações da 30ª edição do Festival de Cinema AVANCA, com uma programação gratuita que junta filmes premiados de edições anteriores, sessões dedicadas ao público infantil e a apresentação de obras da Competição Oficial de 2026, com a presença de realizadores e produtores. É a primeira vez, numa edição que se assume como histórica, que o festival expande a programação para lá de Avanca e chega a outras cidades e regiões do país.

As exibições arrancam hoje, segunda-feira, com duas longas já testadas junto do público do festival: às 18h00, a comédia belga “Amanhã, se Tudo Correr Bem”, de Ivan Goldschmidt; às 21h30, “O Palhaço de Cara Limpa”, do brasileiro Camilo Cavalcante, vencedor da última edição do AVANCA e um dos títulos mais aplaudidos de sempre no festival. Na terça-feira, dia 28, a programação segue com “Soula”, de Issaad Salah, um dos filmes que ajudou a revelar internacionalmente o novo cinema argelino, às 18h00, e “Obraz”, do montenegrino Nikola Vukčević, distinguido pelo AVANCA e amplamente reconhecido pela crítica internacional, às 21h30.

Quarta-feira, dia 29, marca o arranque oficial das competições da 30ª edição, com cerimónia de abertura em Avanca — incluindo a entrega dos prémios da edição anterior e um momento evocativo dos quase trinta anos de festival. No Teatro Aveirense, esse dia fica inteiramente reservado ao público mais jovem, com três sessões de cinema de animação, às 10h00, 11h00 e 15h00, com filmes de vários países.

Na quinta-feira, 30 de julho, o Teatro Aveirense passa a integrar directamente a programação competitiva do AVANCA 2026. Às 18h00, é exibido “A Voz da Mãe”, de Ganna Yarovenko, com a realizadora e os produtores presentes para um encontro com o público. Às 21h30, a sessão mais aguardada: “Livros Restantes”, da realizadora brasileira Marcia Paraiso, rodado parcialmente na região de Aveiro, com a presença da própria realizadora e da actriz Denise Fraga, protagonista do filme — uma ligação directa entre a produção e o território que a acolhe, e o momento que melhor resume a aposta desta edição em unir dimensão internacional e enraizamento local.

Todas as sessões têm entrada livre, sujeita à lotação da sala, pelo que a organização recomenda reserva antecipada de lugar. O Festival AVANCA é uma organização do Cine Clube de Avanca e do Município de Estarreja, com apoio do ICA/Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, IPDJ, CIRA, Junta e Agrupamento de Escolas e Paróquia de Avanca, entre outras entidades.

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Pamela Anderson está de volta — e desta vez é a musa mais perturbadora do ano

Já estão à venda os bilhetes para “Patrulha Pata: O Filme dos Dinossauros”


Arrancaram hoje as pré-vendas de bilhetes para “Patrulha Pata: O Filme dos Dinossauros”, que estreia nas salas portuguesas a 6 de agosto, com distribuição da NOS Audiovisuais. Quem quiser garantir lugar antes da estreia já pode comprar bilhete em https://www.patrulhapata-ofilme.pt/

A história leva a equipa canina a uma aterragem de emergência numa ilha tropical desconhecida, habitada por dinossauros, onde conhecem Rex, um jovem cão que ficou preso na ilha durante anos e se tornou um especialista improvável em tudo o que toca a répteis pré-históricos. O conflito surge pela mão do habitual arqui-inimigo da Patrulha, o Presidente da Câmara Humdinger, cuja exploração imprudente dos recursos da ilha desencadeia a erupção de um vulcão adormecido — obrigando a equipa a uma sucessão de missões de resgate de alto risco para salvar a ilha da destruição total.

A versão portuguesa confirma agora um elenco de vozes mais alargado do que o inicialmente avançado: além de Maro, na estreia em dobragens, juntam-se Soraia Tavares, Solange Santos, Romeu Vala, Rodrigo Costa, Sofia Brito, Bárbara Lourenço, Teresa Macedo, Vasco Pereira Coutinho, Mafalda Luís de Castro e Custódia Gallego, entre outros nomes por confirmar.

Com as pré-vendas já abertas a dez dias da estreia, fica claro que a distribuidora está a apostar forte num dos lançamentos familiares mais aguardados do verão — e que a expectativa em torno da estreia de Maro nas dobragens continua a ser, também ela, parte da estratégia de promoção.

“Hamnet”: antes de escrever “Hamlet”, Shakespeare teve de sobreviver à sua própria tragédia

Depois de arrasar na temporada de prémios — Óscares, Globos de Ouro, BAFTA, Critics’ Choice, entre outros —, “Hamnet” chega finalmente a Portugal, em exclusivo na TVCine+, a partir de 29 de julho, gratuito para todos os subscritores dos Canais TVCine.

O filme parte de uma pergunta simples e pouco explorada: o que aconteceu a William Shakespeare antes de se tornar Shakespeare? Inglaterra, 1580. Will é ainda um tutor de latim empobrecido quando conhece Agnes, mulher de espírito livre que o cativa por completo. O que começa como um caso tórrido rapidamente se transforma em casamento e em três filhos — mas enquanto a carreira teatral de Will ganha forma na distante Londres, Agnes fica sozinha a gerir a vida doméstica. É quando a tragédia atinge a família que o vínculo entre os dois é verdadeiramente posto à prova, e é dessa dor pessoal, transformada em obra, que nasce “Hamlet” — a peça mais célebre de toda a literatura dramática ocidental, revelada aqui como resposta directa a uma perda íntima e devastadora.

A adaptação, do romance homónimo de Maggie O’Farrell, tem por trás um dos conjuntos de nomes mais fortes do cinema recente: realização de Chloé Zhao, que já tinha levado “Nomadland” a arrecadar os Óscares de Melhor Filme e Melhor Realização, e produção de Steven Spielberg e Sam Mendes — uma combinação de peso que ajuda a explicar tanto a ambição visual do filme como a atenção que recebeu ao longo de toda a temporada de prémios. Jessie Buckley, no papel de Agnes, venceu este ano o Óscar de Melhor Actriz, juntando ao troféu os prémios BAFTA, Critics’ Choice e SAG pela mesma interpretação — um consenso raro entre os principais círculos de crítica e de academia. Paul Mescal, como Will, completa a dupla central. Ao todo, “Hamnet” somou oito nomeações aos Óscares e venceu o Globo de Ouro de Melhor Drama.

Para quem só conhece Shakespeare através dos textos que sobreviveram até hoje, “Hamnet” oferece um ângulo raramente explorado no cinema: a ideia de que a maior obra de um autor pode nascer não da imaginação pura, mas da necessidade de sobreviver à própria dor. É, por isso, tanto um filme sobre a criação artística quanto um retrato de casamento e luto — e talvez seja essa dupla natureza que explica o consenso quase unânime da crítica e dos prémios em torno dele.

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