Afinal a Última Estrela de Cinema Não é Tom Cruise — E Um Actor de 30 Anos Acabou de o Provar

A morte anunciada das estrelas… afinal foi exagerada

Durante anos, a ideia de que o conceito de movie star morreu tornou-se quase um dogma nos círculos cinéfilos. Entre franquias, universos partilhados e marcas mais fortes do que nomes próprios, muitos decretaram que já não existem actores capazes de levar pessoas ao cinema apenas pela sua presença no cartaz. Para muitos, Tom Cruise seria o último resistente dessa era dourada — o único cujo nome ainda garante bilhete comprado, independentemente do filme.

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Mas 2025 veio baralhar essa narrativa. E o responsável atende pelo nome de Timothée Chalamet.

Um filme improvável que se tornou fenómeno

À partida, Marty Supreme não parecia destinado a grandes feitos comerciais. Um drama centrado num jogador de ténis de mesa — Marty Mauser — inspirado livremente na figura real de Marty Reisman, passado numa Nova Iorque crua e nervosa, durante uma semana particularmente caótica da sua vida. Não há super-heróis, não há explosões, não há IP reconhecível à escala global.

O realizador Josh Safdie, apesar do prestígio conquistado com Uncut Gems, nunca foi sinónimo de salas cheias. O ténis de mesa está longe de ser um desporto popular nos Estados Unidos. E, ainda assim, Marty Supreme não só superou expectativas como quebrou recordes: tornou-se a estreia mais lucrativa da história da A24, com projecções que apontam para mais de 100 milhões de dólares só no mercado doméstico.

O factor diferenciador? Um nome no topo do cartaz.

Quando o marketing aposta tudo num actor

Toda a campanha promocional de Marty Supreme girou em torno de Timothée Chalamet. Não do conceito, não do realizador, não da história “baseada em factos reais”. O filme foi vendido, assumidamente, como “o novo filme de Timothée Chalamet”. Uma estratégia que parecia quase anacrónica — e que acabou por resultar.

Tal como acontece com Mission: Impossible e Tom Cruise, ou como acontecia com Julia Roberts nas comédias românticas dos anos 90, o público foi atraído menos pelo o quê e mais pelo quem. Um fenómeno cada vez mais raro, mas claramente ainda possível.

Uma persona de estrela em construção

A digressão promocional de Marty Supreme também revelou algo essencial: Chalamet já não se comporta como um jovem talento promissor. Assume-se como estrela. Confiante, frontal, por vezes excessivo aos olhos da cultura digital contemporânea, mas sempre focado num objectivo muito claro — levar pessoas às salas de cinema.

Essa atitude valeu-lhe críticas, memes e comentários irónicos, mas os números falam mais alto. A estratégia funcionou. O filme encheu salas, gerou conversa e reforçou as hipóteses de Chalamet na corrida aos Óscares, apoiado tanto pelo sucesso comercial como pelo aplauso crítico à sua interpretação.

O movie star afinal ainda respira

Num momento em que o cinema luta para manter relevância fora do streaming, Marty Supreme surge como prova de que o movie star não desapareceu — apenas mudou de geração. Timothée Chalamet demonstrou que ainda existem actores capazes de transformar um projecto improvável num acontecimento cultural.

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Tom Cruise pode não estar sozinho afinal. 🎬

E a estreia de Marty Supreme está marcada para 22 de Janeiro,

As Noites de Chicago Estão de Volta — E a Cidade Continua em Estado de Emergência

Médicos, bombeiros e polícias regressam com novas temporadas cheias de tensão, dilemas morais e escolhas impossíveis

Chicago nunca dorme — e quando o novo ano começa, a cidade volta a provar que cada noite pode ser decisiva. As chamadas Noites de Chicago regressam à televisão portuguesa com novas temporadas de Chicago MedChicago Fire e Chicago P.D., retomando o universo criado por Dick Wolf que transformou a rotina de médicos, bombeiros e polícias num dos mais consistentes dramas televisivos da última década.

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Entre 5 e 7 de Janeiro, sempre às 22h10, as três séries estreiam episódios inéditos, reforçando uma fórmula que continua a funcionar: histórias intensas, personagens em constante desgaste emocional e uma cidade onde salvar vidas nunca é um acto simples.

Chicago Med: quando cada decisão tem um custo

A 11.ª temporada de Chicago Med mergulha ainda mais fundo no quotidiano do Gaffney Chicago Medical Center, onde a urgência médica se cruza com conflitos pessoais e dilemas éticos cada vez mais complexos. Aqui, não se trata apenas de tratar doentes — trata-se de escolher quem pode ser salvo, quando o tempo, os recursos e as circunstâncias jogam contra.

O regresso de figuras familiares volta a agitar o hospital, trazendo à superfície histórias mal resolvidas e tensões antigas. A liderança continua a ser posta à prova, e a fronteira entre o profissional e o pessoal torna-se cada vez mais ténue. A série mantém aquilo que sempre a definiu: intensidade emocional, casos-limite e personagens que carregam o peso das decisões para lá do turno.

Chicago Fire: o quartel como campo de batalha

Na 14.ª temporada de Chicago Fire, o Quartel 51 enfrenta talvez um dos seus períodos mais instáveis. Mudanças na liderança, cortes e novas hierarquias criam um ambiente de tensão interna que se soma ao perigo constante das missões no terreno.

A série explora o impacto dessas transformações na identidade do quartel: o que significa liderar quando os valores estão em choque? Como manter a coesão quando o sistema parece desfazer-se por dentro? Entre incêndios, resgates e decisões de alto risco, Chicago Fire continua a ser, acima de tudo, uma história sobre pertença, lealdade e sacrifício.

Chicago P.D.: justiça sob pressão constante

A 13.ª temporada de Chicago P.D. regressa às ruas com o seu tom mais sombrio e directo. A Unidade de Inteligência enfrenta investigações cada vez mais perigosas, num ambiente onde a linha entre o certo e o necessário se torna progressivamente difusa.

O peso da responsabilidade recai sobre cada elemento da equipa, confrontado com dilemas morais que desafiam a própria noção de justiça. A série não suaviza o impacto das decisões: cada escolha tem consequências, e nem sempre há finais limpos. É este realismo cru que continua a distinguir Chicago P.D. dentro do universo policial televisivo.

Um universo que resiste ao desgaste

O que torna as Noites de Chicago particularmente interessantes não é apenas a longevidade das séries, mas a forma como conseguem evoluir sem perder identidade. Ao longo dos anos, o universo foi-se tornando mais adulto, mais consciente do desgaste psicológico das profissões que retrata e menos interessado em soluções fáceis.

Há um fio comum que atravessa as três séries: ninguém sai ileso. Seja numa sala de emergência, num incêndio fora de controlo ou numa investigação criminal, as personagens pagam um preço real pelo trabalho que fazem. E é essa continuidade temática que mantém o público investido, temporada após temporada.

Chicago continua a chamar

Num panorama televisivo cada vez mais fragmentado, poucas franquias conseguem manter coerência e relevância ao longo de tantos anos. As Noites de Chicago não reinventam a roda, mas refinam aquilo que sempre fizeram bem: contar histórias humanas em contextos extremos.

Para quem acompanha estas séries desde o início — ou para quem procura dramas sólidos, intensos e emocionalmente consequentes — o regresso a Chicago é menos um reencontro e mais uma necessidade.

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Porque, naquela cidade, todas as noites contam.

Filme da Marvel Realizado por Jordan Peele Sofre Travão Inesperado

Rumores ganham força… mas a realidade é bem mais fria

Durante meses, o nome de Jordan Peele tem surgido de forma insistente associado ao Universo Cinematográfico da Marvel. Para muitos fãs, a ideia de ver o realizador de Get Out a dar o seu toque autoral a um filme de super-heróis parecia apenas uma questão de tempo. No entanto, uma actualização recente veio deitar água fria a esse entusiasmo.

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Apesar do burburinho nas redes sociais e de especulações que apontavam para títulos como BladeMidnight Sons ou até um eventual Doctor Strange 3, tudo indica que não existe, neste momento, qualquer filme da Marvel em desenvolvimento com Jordan Peele na cadeira de realizador.

Reuniões existiram, mas sem compromissos

Segundo informações avançadas por fontes próximas da indústria, Jordan Peele chegou efectivamente a reunir-se com a Marvel Studios. No entanto, essas conversas são descritas como parte do funcionamento normal de Hollywood, mais exploratórias do que vinculativas. Em termos práticos, não há planos concretos nem um projecto atribuído ao realizador dentro do MCU.

Esta distinção é importante, sobretudo numa era em que reuniões preliminares são frequentemente interpretadas como confirmações encapotadas. No caso de Peele, o cenário parece ser bem mais simples: interesse mútuo, sim; compromisso artístico imediato, não.

Marvel continua interessada, mas Peele segue outro caminho

Curiosamente, o interesse não desapareceu do lado da Marvel. Fontes ligadas ao estúdio admitem que Jordan Peele continua a ser visto como um nome desejável para o MCU, precisamente pela sua capacidade de reinventar géneros e introduzir subtexto social em narrativas populares.

Esse interesse voltou a ganhar força quando a produtora do realizador, Monkeypaw Productions, reagiu de forma enigmática a um rumor recente, limitando-se a publicar um emoji de olhos atentos. O gesto foi suficiente para incendiar teorias entre fãs, embora, na prática, não confirme rigorosamente nada.

Um autor ocupado… e focado no seu cinema

O principal obstáculo a um eventual filme da Marvel parece ser o próprio calendário de Peele. O realizador encontra-se totalmente concentrado no seu próximo projecto original, ainda envolto em grande secretismo. De acordo com informações recentes, esse novo filme poderá estar pronto apenas em 2027, o que afasta qualquer colaboração a curto prazo com grandes franquias.

Desde que se estreou como realizador com Get Out em 2017, Jordan Peele construiu uma filmografia curta, mas extremamente influente. Seguiram-se Us (2019) e Nope (2022), três filmes muito diferentes entre si, mas unidos por uma assinatura autoral forte e uma recusa clara em trabalhar dentro de fórmulas previsíveis.

Um encontro que pode acontecer… mais tarde

Para já, a ideia de Jordan Peele no MCU permanece no domínio do “e se”. Não está cancelada, mas também não está em andamento. Num momento em que a Marvel tenta redefinir prioridades e reencontrar o equilíbrio criativo após anos de sobreprodução, talvez faça sentido que um realizador como Peele não seja apressado para dentro de uma máquina industrial.

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Se esse encontro acontecer, tudo indica que será nos termos de Peele, e não como resposta a uma vaga de rumores. Até lá, o realizador continua a fazer aquilo que melhor sabe: cinema original, inquietante e profundamente pessoal.

“Go F%&k Yourself”: George Clooney Dá Uma Lição Pública à CBS e à ABC Sobre Como Enfrentar Trump

Três palavras, uma herança jornalística e um alerta sério sobre o futuro da imprensa

George Clooney não é conhecido por escolher palavras mansas quando acredita que algo essencial está em risco. Desta vez, o alvo foram duas das maiores redes televisivas norte-americanas — CBS e ABC — acusadas pelo actor de se vergarem a Donald Trump ao aceitarem acordos judiciais que, na sua leitura, nunca deveriam ter sido feitos.

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Numa entrevista recente, Clooney afirmou ter ficado “furioso” com a decisão das duas estações de resolverem processos movidos pelo presidente sem os levarem até às últimas consequências. Para o actor, bastariam três palavras para mudar o rumo das coisas: uma recusa frontal, inequívoca, que teria evitado o precedente perigoso que hoje pesa sobre o jornalismo norte-americano.

Quando o medo substitui a coragem

O caso da CBS é particularmente sensível. A empresa-mãe da estação optou por encerrar um processo movido contra o histórico programa 60 Minutes numa altura em que precisava da aprovação da Administração Trump para avançar com uma fusão empresarial. Já a ABC seguiu caminho semelhante ao aceitar um acordo num processo de difamação interposto pelo presidente.

Para Clooney, estas decisões não são apenas estratégicas — são sintomáticas de um recuo moral. Segundo ele, se as redes tivessem enfrentado Trump em tribunal, o país não estaria hoje num ponto tão frágil em termos democráticos. A frase é dura, mas reflecte uma convicção profunda: ceder ao poder por conveniência abre caminho à erosão das instituições.

Edward R. Murrow como bússola moral

As palavras de Clooney ganham peso adicional quando se olha para o contexto. Recentemente, o actor interpretou o lendário jornalista Edward R. Murrow numa adaptação teatral de Good Night, and Good Luck, obra que revisita o confronto histórico entre Murrow e o senador Joseph McCarthy durante a caça às bruxas anticomunista dos anos 50.

Murrow tornou-se símbolo de um jornalismo que não recuava perante o poder político. Para Clooney, essa herança está hoje em risco. O actor manifestou preocupação com o que descreve como uma deriva ideológica dentro da CBS News, alertando para decisões editoriais recentes que, no seu entender, enfraquecem a missão informativa da estação.

“Como vamos distinguir a realidade?”

Mais do que uma crítica a decisões concretas, Clooney levanta uma questão estrutural: como pode uma sociedade funcionar sem uma imprensa forte, independente e disposta a enfrentar o poder? O actor teme que a normalização destes recuos transforme o jornalismo num exercício condicionado por interesses políticos e empresariais.

Para alguém que cresceu num ambiente profundamente ligado à comunicação social — Clooney estudou jornalismo e é filho de um jornalista — a degradação do papel da imprensa não é um tema abstracto. É uma ameaça directa à capacidade colectiva de distinguir factos de propaganda.

Desistir não é opção

Apesar do tom crítico, Clooney evita o derrotismo. Reconhece que o momento é difícil e emocionalmente desgastante, mas insiste que a resposta não pode ser o abandono do campo. Tal como Murrow fez no seu tempo, defende que é preciso avançar, mesmo quando o custo é alto.

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A mensagem final é clara: a democracia não se protege com acordos silenciosos, protege-se com confronto, clareza e coragem. E, às vezes, com três palavras bem escolhidas.

Daredevil nos Avengers? Charlie Cox Dá a Resposta Mais Sensata (e Inesperada)


O herói de Hell’s Kitchen pode juntar-se à maior equipa da Marvel… mas faz mesmo sentido?

Com 2025 a abrir caminho para uma nova formação dos Avengers e com Avengers: Doomsday já no horizonte, as especulações sobre quem poderá integrar — ou regressar — à mítica equipa de super-heróis não param de crescer. Entre regressos históricos, novas versões de personagens clássicas e a ameaça de um vilão de peso, há um nome que surge repetidamente nas conversas dos fãs: Daredevil.

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A questão foi colocada directamente a Charlie Cox durante uma convenção recente. Poderá Matt Murdock, o vigilante de Hell’s Kitchen, tornar-se oficialmente um Avenger? A resposta do actor foi tão honesta quanto inesperadamente coerente com a essência da personagem.

“Matt Murdock não é propriamente um homem de equipa”

Segundo Charlie Cox, a ideia é apelativa… mas complicada. Não para o actor, que admitiu que ficaria absolutamente entusiasmado com a oportunidade, mas para a personagem. Na sua leitura, Matt Murdock é um solitário por natureza, alguém que prefere operar sozinho e manter controlo total sobre o que faz.

O actor comparou-o mesmo a Frank Castle, sublinhando que ambos partilham essa resistência instintiva a integrar grandes equipas organizadas. Daredevil não é um herói de discursos épicos nem de batalhas globais — é uma figura moldada por becos escuros, dilemas morais íntimos e uma relação constante com a culpa e a fé.

É um argumento difícil de contrariar. Ao contrário de outros heróis mais simbólicos, Matt Murdock nunca foi pensado como estandarte. É um homem quebrado, movido por princípios muito pessoais e por uma ideia de justiça que raramente encaixa em estruturas formais.

A integração no MCU não foi por acaso

Ainda assim, a Marvel tem vindo a posicionar cuidadosamente a personagem dentro do seu universo cinematográfico. As aparições recentes de Matt Murdock em diferentes projectos deixam claro que o Demolidor deixou definitivamente de existir num canto isolado da televisão.

A nova fase de Daredevil: Born Again, com estreia marcada para 4 de Março, reforça a ideia de que o personagem terá um papel relevante nos próximos anos. A grande dúvida é saber se esse caminho passa por uma integração oficial nos Avengers ou por algo mais subtil.

Participar sem vestir a camisola

Há uma solução intermédia que parece agradar tanto a fãs como a quem pensa a narrativa a longo prazo: Daredevil pode participar nos acontecimentos de Avengers: Doomsday sem nunca se tornar, formalmente, um Avenger.

Não seria algo inédito. Ao longo da história da Marvel, vários heróis cruzaram caminhos com a equipa sem fazer parte do núcleo oficial. E, sendo realistas, Matt Murdock não compete em termos de escala com deuses, super-soldados ou entidades cósmicas.

No entanto, isso nunca foi um obstáculo absoluto. Personagens sem super-poderes evidentes, como Black Widow ou Hawkeye, estiveram presentes desde o início. Daredevil pode não ter força descomunal, mas compensa com uma eficácia brutal em combate corpo-a-corpo, inteligência táctica e uma resistência quase inumana.

Um papel pequeno… mas com peso simbólico

Mesmo que venha a surgir em Avengers: Doomsday, é pouco provável que Charlie Cox tenha um papel central. O filme promete reunir um número impressionante de personagens de várias gerações, o que inevitavelmente limita o tempo de ecrã disponível para cada um.

Ainda assim, uma participação especial — mesmo que breve — teria um enorme impacto simbólico. Para muitos fãs de longa data, seria a confirmação definitiva de que Daredevil pertence, finalmente, ao coração do universo cinematográfico da Marvel.

Prudência antes de tudo

Como é habitual neste tipo de projectos, Charlie Cox foi claro num ponto: não esperem confirmações antecipadas. Se Daredevil tiver um papel em Avengers: Doomsday, essa informação só será tornada pública quando a Marvel assim o decidir — possivelmente mais perto da estreia ou durante a exibição da nova temporada de Daredevil: Born Again.

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Até lá, a resposta do actor deixa uma ideia forte: mais importante do que saber se Daredevil será um Avenger é perceber se esse passo respeita quem Matt Murdock sempre foi. E, nesse ponto, Charlie Cox mostrou conhecer o seu personagem melhor do que ninguém.

Terry Gilliam não perdoa: porque Time Bandits falhou sem anões — e porque nunca poderia resultar

Terry Gilliam nunca foi conhecido por medir palavras. Mas, desta vez, o realizador de Brazil e 12 Monkeys foi particularmente directo: a série Time Bandits, reimaginada por Taika Waititi para a Apple TV, falhou por uma razão muito simples — não tinha anões. E, para Gilliam, isso não é um detalhe estético nem uma decisão lateral. É estrutural. É o coração do filme original.

A série, cancelada após apenas uma temporada, nasceu envolta numa decisão polémica desde o primeiro momento: substituir os icónicos anões do filme de 1981 por personagens de estatura “normal”, numa tentativa assumida de evitar controvérsia ou leituras problemáticas junto de um público mais jovem. Uma opção que, para Gilliam, retirou à história aquilo que a tornava única.

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Em declarações recentes à imprensa italiana, o cineasta foi claro ao afirmar que essa mudança foi escondida dele durante meses. Só quando o projecto estava já demasiado avançado percebeu que os ladrões do tempo deixariam de ser anões. Nessa altura, diz Gilliam, o destino da série estava traçado. Não por vingança pessoal ou purismo artístico, mas porque Time Bandits deixa simplesmente de ser Time Bandits sem esse elemento central.

O filme original, realizado por Gilliam em 1981, não usava os anões como curiosidade visual ou gimmick cómico. Eles eram parte essencial da lógica do mundo, da subversão da escala, do humor absurdo e da identidade visual profundamente ligada ao imaginário dos Monty Python. Eram figuras marginalizadas, irreverentes, moralmente ambíguas — e, acima de tudo, profundamente humanas. Retirá-los é tornar a narrativa genérica, indistinta, semelhante a qualquer aventura juvenil de catálogo.

Gilliam foi creditado como produtor executivo não argumentista na série, acreditando que teria algum controlo criativo. Mas, ao ler os guiões, percebeu que o espírito do projecto lhe escapava por completo. O próprio Waititi, de quem Gilliam diz ter gostado muito em Jojo Rabbit, acabou por se afastar criativamente do desenvolvimento da série, algo que o realizador veterano não deixou passar sem uma farpa subtil, referindo-se a trabalhos recentes do neozelandês como “desapontantes”.

A tensão tornou-se evidente durante uma visita de Gilliam ao set, na Nova Zelândia. A sua presença, que deveria durar duas semanas, resumiu-se a apenas três dias. Testemunhos da equipa descrevem um Gilliam visivelmente irritado, a comentar em voz alta e a demonstrar desconforto constante com o rumo do projecto. Saiu cedo e nunca mais falou bem da série.

O cancelamento acabou por confirmar aquilo que muitos fãs do filme original já suspeitavam: ao tentar “corrigir” Time Bandits para um novo contexto cultural, o projecto perdeu a sua alma. A decisão de eliminar os anões não foi apenas uma escolha de casting — foi uma amputação conceptual.

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Num tempo em que remakes e reimaginações parecem obcecados em evitar riscos, Time Bandits serve de exemplo claro de como o medo de ofender pode resultar em algo ainda mais problemático: um objecto cultural inofensivo, mas irrelevante. E, para Terry Gilliam, irrelevância é o maior dos pecados.

Comprou domínios só para gozar com Trump — e agora a piada tornou-se realidade no coração cultural de Washington


Há sátiras que envelhecem mal. Outras envelhecem tão bem que acabam por parecer profecias. É precisamente neste segundo grupo que entra a história, deliciosamente absurda, protagonizada por Toby Morton, argumentista de South Park, que decidiu comprar — meses antes de qualquer anúncio oficial — os domínios trumpkennedycenter.com e trumpkennedycenter.org. Não para lançar um negócio, nem para fazer dinheiro rápido, mas apenas para uma coisa: trollar Donald Trump.

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O mais notável é que, desta vez, a realidade não só acompanhou a piada como a ultrapassou. Em Agosto, quando Trump começou a mexer discretamente na estrutura de poder do Kennedy Center, Morton teve um pressentimento. Segundo contou mais tarde, percebeu rapidamente que aquilo não era apenas uma remodelação administrativa: era branding pessoal em marcha lenta. Comprou os domínios e ficou à espera.

Meses depois, Trump foi eleito presidente do conselho da instituição cultural mais emblemática de Washington. Seguiram-se declarações sobre o fim de produções “woke”, a substituição de membros do conselho e, por fim, a decisão que confirmou o palpite do argumentista: o edifício passaria a chamar-se Trump Kennedy Center. A sátira deixou de ser hipótese e passou a ser comentário político em tempo real.

Morton não revelou ainda o que planeia fazer com os domínios, mas deixou claro que não serão usados de forma neutra. Pelo contrário, prometeu que o conteúdo “vai reflectir a absurdidade do momento” e admitiu que há situações tão caricatas que se tornam difíceis de parodiar. Quando uma instituição criada para celebrar cultura, memória e legado passa a funcionar como extensão do ego de um político, a comédia quase se escreve sozinha.

O episódio encaixa perfeitamente num ano em que South Park voltou a afirmar-se como uma das poucas vozes satíricas verdadeiramente incómodas para o poder. Enquanto programas de comentário político parecem cada vez mais condicionados, a série animada continua a atacar sem pedir licença — e, talvez por isso mesmo, Trump tenha optado por um silêncio estratégico. Afinal, reagir seria amplificar.

Entretanto, o Kennedy Center tornou-se palco de protestos, cancelamentos simbólicos (como o musical Hamilton) e momentos de embaraço público, incluindo vaias e performances de drag queens na primeira visita de Trump após assumir o controlo. Tudo isto enquanto um argumentista de animação observa à distância, satisfeito por ter registado um domínio que passou de piada privada a símbolo público de um tempo estranho.

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Num mundo onde a política parece cada vez mais escrita como guião de comédia negra, há algo de reconfortante em saber que ainda existem autores capazes de antecipar o absurdo — e comprá-lo por uns poucos dólares anuais.

Quatro Filmes, Quatro Olhares: Janeiro de Cinema de Autor no Cine-Teatro Avenida

O início de 2026 traz consigo uma proposta cinematográfica sólida e exigente no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco, que aposta em quatro filmes de forte identidade autoral e reconhecido relevo no panorama internacional contemporâneo. A programação de janeiro confirma uma linha curatorial coerente, centrada no cinema de autor europeu e norte-americano, com obras que exploram o trauma, a memória, o reencontro e a reconstrução pessoal e colectiva.

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O ciclo arranca a 7 de janeiro com Onde Aterrar, do realizador norte-americano Hal Hartley. A comédia, de tom assumidamente existencial, acompanha um realizador aposentado que se vê confrontado com os equívocos, projeções e mal-entendidos daqueles que o rodeiam. Fiel ao estilo minimalista e irónico de Hartley, o filme propõe uma reflexão sobre identidade, envelhecimento e a forma como somos lidos pelos outros num mundo que raramente escuta com atenção.

13 de janeiro, chega ao ecrã Pequenos Clarões, da realizadora espanhola Pilar Palomero. Trata-se de um drama intimista centrado em reencontros familiares, no cuidado prestado aos outros e nas memórias que permanecem por resolver. Com uma abordagem sensível e contida, o filme inscreve-se numa tradição de cinema emocionalmente rigoroso, onde os silêncios e os pequenos gestos assumem um peso narrativo determinante.

No dia 20 de janeiro, é exibido Justa, da cineasta portuguesa Teresa Villaverde. Inspirado na tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande, o filme acompanha várias personagens num território marcado pela perda, pelo luto e pela difícil tentativa de reconstrução. Sem recorrer a dramatismos fáceis, Justa propõe um olhar humanista sobre uma ferida colectiva ainda aberta, cruzando experiências individuais com uma dimensão social e política profundamente enraizada na realidade portuguesa recente.

A programação encerra a 27 de janeiro com Miroirs Nº 3, do realizador alemão Christian Petzold. O filme explora as consequências do trauma e as relações humanas construídas a partir do acolhimento e da partilha. Petzold volta a demonstrar a sua mestria na construção de narrativas psicológicas densas, onde a identidade se reconstrói lentamente através do contacto com o outro e da aceitação da fragilidade.

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Todas as sessões decorrem no Cine-Teatro Avenida, sempre às 18h00 e 21h30, com classificação etária M/12. O bilhete tem o custo de 4,00 euros, estando prevista uma oferta especial na compra de três ingressos, com direito ao quarto bilhete gratuito. Uma programação que reforça o papel do Cine-Teatro Avenida como espaço de resistência cultural e de promoção de um cinema exigente, reflexivo e profundamente humano.  

O Génio Que Hollywood Aprendeu a Tolerar (Até Deixar de Conseguir): A Lenda e o Caos de Marlon Brando

Durante décadas, Marlon Brando foi tratado como uma força da natureza. Um actor revolucionário, um talento sísmico, o homem que mudou para sempre a forma como se representava no cinema. Mas, nos bastidores, Brando tornou-se também sinónimo de caos, imprevisibilidade e de uma pergunta que Hollywood foi adiando até ser tarde demais: até onde se pode tolerar o génio?

Nos anos 50, Brando era intocável. A Streetcar Named Desire, On the Waterfront e Viva Zapata! redefiniram a interpretação cinematográfica. O seu método era visto como intensidade pura, verdade emocional sem filtros. Os atrasos, as excentricidades e a recusa em obedecer a regras eram tolerados porque o resultado no ecrã era avassalador. O problema surgiu quando o comportamento deixou de ser excentricidade artística e passou a ser sabotagem activa de produções inteiras.

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O caso mais célebre é Apocalypse Now. Brando chegou às Filipinas com excesso de peso, sem ter lido o argumento e exigindo mudanças radicais no papel do coronel Kurtz. Recusava-se a ser filmado com luz total, improvisava longos monólogos e obrigou Francis Ford Coppola a reconstruir o filme à sua volta. O próprio Coppola admitiu mais tarde que Brando era simultaneamente um presente e uma ameaça constante à sobrevivência do projecto (fonte: Hearts of Darkness, documentário oficial).

Se Apocalypse Now ainda acabou como obra-prima, o mesmo não se pode dizer de The Island of Dr. Moreau. Aqui, Brando levou o descontrolo ao limite do absurdo: apareceu com um balde de gelo na cabeça, insistiu em ter um actor anão permanentemente ao seu lado e ignorava indicações básicas. O realizador original foi despedido, o substituto perdeu o controlo do filme e o resultado tornou-se um dos exemplos mais citados de colapso criativo em Hollywood (fonte: livro Lost Soul, de John Frankenheimer).

Ao longo dos anos, Brando passou a usar auriculares para que assistentes lhe ditassem falas em tempo real, recusava decorar textos e tratava o platô como um espaço que orbitava em torno dele. Ainda assim, durante muito tempo, ninguém ousou dizer “não”. Porque Brando não era apenas um actor: era um mito vivo.

Mas os mitos também cansam. A partir dos anos 90, os convites diminuíram drasticamente. O talento permanecia, mas o risco tornou-se demasiado elevado. Hollywood, pragmática como sempre, decidiu que já não compensava.

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Marlon Brando deixou uma herança contraditória. Inspirou gerações de actores, elevou o cinema a novos patamares… e mostrou como o culto do génio pode normalizar comportamentos que, noutras circunstâncias, seriam inaceitáveis. A pergunta que fica não é se Brando era brilhante — isso é indiscutível. A pergunta é: quanto do seu legado artístico teria sobrevivido sem o caos que o acompanhava?

Jimmy Kimmel usa a televisão britânica para um ataque natalício feroz a Donald Trump

“Do ponto de vista do fascismo, foi um grande ano”, ironizou o humorista no Channel 4

Jimmy Kimmel escolheu um palco improvável — e altamente simbólico — para lançar uma das críticas mais duras do ano a Donald Trump. O apresentador norte-americano foi o convidado da tradicional mensagem de Natal alternativa do Channel 4, no Reino Unido, onde deixou um discurso mordaz sobre autoritarismo, liberdade de expressão e o estado da democracia nos Estados Unidos durante o segundo mandato do presidente.

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Transmitida no dia de Natal, a intervenção integrou-se numa tradição iniciada em 1993, pensada como contraponto à habitual mensagem natalícia do monarca britânico. Ao longo dos anos, este espaço deu voz a figuras controversas e politicamente incómodas — e Kimmel correspondeu plenamente a essa herança.

Humor negro com alvo bem definido

Desde o início, o tom foi tudo menos conciliador. Kimmel acusou Trump de se comportar como um rei e alertou para o crescimento de tendências autoritárias, recorrendo a uma das frases mais citadas do discurso:

“Do ponto de vista do fascismo, este foi um ano realmente excelente. A tirania está em alta por aqui.”

A ironia serviu de porta de entrada para uma crítica mais ampla ao clima político nos Estados Unidos, com Kimmel a sublinhar que silenciar críticos não é uma prática exclusiva de regimes como a Rússia ou a Coreia do Norte — uma mensagem dirigida directamente ao público britânico.

Um discurso marcado por conflitos recentes

O contexto tornou a mensagem ainda mais carregada. Em Setembro, o programa Jimmy Kimmel Live! foi suspenso indefinidamente pela ABC após comentários polémicos do apresentador relacionados com o assassinato do activista conservador Charlie Kirk. Kimmel sugeriu que sectores ligados ao trumpismo estariam a tentar capitalizar politicamente a morte, o que desencadeou uma forte reacção.

Donald Trump celebrou publicamente a suspensão do programa, classificando-a como “grandes notícias para a América”, e chegou a defender o afastamento de outros apresentadores nocturnos. O episódio levantou preocupações generalizadas sobre liberdade de expressão e liberdade de imprensa, levando centenas de figuras de Hollywood e da indústria do entretenimento a apelar à defesa dos direitos constitucionais.

O programa regressaria ao ar menos de uma semana depois.

“Um milagre de Natal em Setembro”

Foi esse episódio que Kimmel descreveu perante a audiência britânica como um verdadeiro “milagre de Natal antecipado”. Segundo o humorista, milhões de pessoas — incluindo muitas que não apreciam o seu trabalho — manifestaram-se em defesa da liberdade de expressão.

“Nós ganhámos, o presidente perdeu, e agora estou de volta todas as noites a dar uma merecida reprimenda ao político mais poderoso do planeta”, afirmou, usando deliberadamente a expressão britânica bollocking para se aproximar do público do Reino Unido.

Um pedido de desculpa… e um aviso

No momento mais inesperado do discurso, Kimmel deixou o sarcasmo de lado e adoptou um tom quase contrito. Reconhecendo a histórica relação entre os Estados Unidos e o Reino Unido, pediu aos britânicos que não desistissem da América, descrevendo o país como estando “a passar por um grande abanão”.

Foi então que surgiu uma das declarações mais sombrias da noite:

“Nos Estados Unidos estamos, figurativa e literalmente, a destruir as estruturas da nossa democracia — da imprensa livre à ciência, da medicina à independência judicial, até à própria Casa Branca.”

A referência à demolição da Ala Este da Casa Branca funcionou como metáfora e realidade ao mesmo tempo. “Estamos numa grande confusão”, concluiu, antes de acrescentar um simples mas simbólico “desculpem”.

Uma mensagem que ultrapassou o humor

Mais do que um monólogo cómico, a intervenção de Jimmy Kimmel no Channel 4 assumiu-se como um discurso político directo, desconfortável e deliberadamente internacional. Sem rodeios nem neutralidade fingida, o apresentador usou o humor como arma para expor medos reais sobre o futuro da democracia — não apenas nos Estados Unidos, mas no impacto global das suas escolhas políticas.

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Num Natal tradicionalmente associado à conciliação, Kimmel optou pelo confronto. E foi precisamente isso que tornou a mensagem impossível de ignorar 📺🎄

Bailarina com dentes afiados: Abigail chega ao TVCine Top para uma noite de terror sem regras

Um rapto, uma mansão isolada… e uma vampira inesperada

O terror toma conta do serão de sábado, 27 de Dezembro, às 21h30, com a estreia televisiva de Abigail no TVCine Tope no TVCine+. Assinado pelo colectivo Radio Silence, o filme promete uma combinação explosiva de terror sangrento, humor negro e reviravoltas constantes — tudo concentrado numa única noite passada dentro de uma mansão isolada.  

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A premissa parece simples: um grupo de criminosos rapta uma bailarina de 12 anos, filha de um poderoso líder do submundo, e mantém-na sob vigilância durante 24 horas para exigir um resgate de 50 milhões de dólares. O plano é claro, metódico e, aparentemente, infalível. O problema é que Abigail não é uma criança indefesa.

Quando os raptores se tornam presas

À medida que a noite avança, a tensão cresce e a realidade começa a desfazer-se. A jovem revela a sua verdadeira natureza: é uma vampira ancestral, dotada de força sobre-humana, astúcia letal e um gosto particular por virar o jogo contra quem a subestima. O que deveria ser um sequestro rápido transforma-se numa luta claustrofóbica pela sobrevivência, onde os criminosos passam a ser caçados dentro da própria mansão.

O cenário fechado amplifica o terror, criando uma atmosfera opressiva onde cada divisão pode esconder uma armadilha e cada erro pode ser fatal. Abigail assume-se como um jogo cruel de gato e rato, pontuado por violência gráfica e surpresas constantes, recusando seguir o caminho previsível do género.

Radio Silence volta a subverter o terror

A realização está a cargo de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, dupla integrante do colectivo Radio Silence, responsável por filmes como Ready or Not – O Ritual e Gritos. Tal como nesses títulos, a abordagem é irreverente, energética e consciente das regras do terror — apenas para as quebrar quando convém.

Inspirado livremente em A Filha de DráculaAbigail moderniza o mito do vampiro com uma estética contemporânea, humor mordaz e uma violência estilizada que não pede desculpa.

Uma protagonista entre a inocência e a ferocidade

No centro do filme está a jovem Alisha Weir, que assume o papel de Abigail com uma performance surpreendentemente versátil. A actriz alterna entre a aparência frágil de uma criança em perigo e a ferocidade absoluta de uma criatura ancestral, tornando a personagem simultaneamente perturbadora e fascinante.

Essa ambiguidade é uma das grandes forças do filme: Abigail não é apenas uma ameaça física, mas um símbolo da arrogância dos adultos que acreditam controlar tudo — até perceberem que escolheram a vítima errada.

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error para fechar o ano em grande

Entre sangue, humor negro e criatividade visual, Abigail afirma-se como um filme de vampiros moderno, consciente do seu lado absurdo e disposto a levá-lo até às últimas consequências. Uma escolha perfeita para quem procura algo diferente do terror tradicional e não se importa de terminar o ano com dentes afiados e gargalhadas nervosas.

No dia 27 de Dezembro, às 21h30, a mansão abre as portas no TVCine Top. Entrar é fácil. Sair… já não tanto 🩸🎬

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O destino do mundo está em jogo: Missão: Impossível –  chega à televisão portuguesa – Ajuste de Contas

Ethan Hunt enfrenta a sua missão mais perigosa… agora no TVCine Top

A contagem decrescente começa já esta sexta-feira, 26 de Dezembro, às 21h30, quando Missão: Impossível – Ajuste de Contas se estreia na televisão portuguesa, em exclusivo no TVCine Top e na plataforma TVCine+. O mais recente capítulo da icónica saga protagonizada por Tom Cruise promete manter os espectadores colados ao sofá com uma ameaça à escala global e um inimigo tão invisível quanto imprevisível.

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Neste novo episódio, Ethan Hunt e a sua equipa da IMF enfrentam uma missão que ultrapassa tudo o que fizeram até agora: localizar e neutralizar uma poderosa entidade baseada em inteligência artificial, capaz de controlar redes de comunicação, sistemas militares e infra-estruturas críticas à escala planetária. O perigo não está apenas no que a tecnologia pode fazer, mas sobretudo em quem poderá vir a controlá-la.  

Uma corrida contra o tempo… e contra o inevitável

Perseguido por inimigos do passado e por forças que operam nas sombras, Ethan Hunt vê-se numa corrida desesperada contra o tempo. A IA conhecida como “the Entity” parece antecipar cada movimento, obrigando a equipa a agir num mundo onde a vigilância é constante e a margem de erro praticamente inexistente.

Ao lado de Ethan estão os inseparáveis Benji e Luther, enquanto a narrativa se expande para vários pontos do globo, num percurso marcado por perseguições implacáveis, pistas fragmentadas e decisões que podem custar tudo. À medida que os riscos aumentam, o protagonista é confrontado com dilemas morais profundos, escolhas impossíveis e a necessidade de sacrificar o que mais preza para impedir uma catástrofe à escala mundial.  

Christopher McQuarrie eleva a fasquia da saga

A realização está novamente a cargo de Christopher McQuarrie, colaborador regular da saga desde Missão: Impossível – Rogue Nation. Em Ajuste de Contas, McQuarrie aposta num ritmo incansável e em sequências de acção que privilegiam efeitos práticos e cenários reais, reforçando a sensação de perigo constante.

Como já é tradição, muitas das acrobacias mais arriscadas são realizadas pelo próprio Tom Cruise, numa demonstração física que continua a desafiar a lógica — e a idade. O filme foi amplamente elogiado precisamente pela sua abordagem visceral à acção, evitando excessos digitais e apostando numa experiência mais crua e imediata.

Uma nova dinâmica com Hayley Atwell

Uma das grandes novidades deste capítulo é a introdução da personagem Grace, interpretada por Hayley Atwell. A sua presença traz uma nova energia à narrativa e altera o equilíbrio dentro da equipa, acrescentando ambiguidade e imprevisibilidade a uma história já carregada de tensão.

Este é também um dos filmes mais ambiciosos da saga, não apenas pela escala da ameaça, mas pela forma como prepara o terreno para uma conclusão épica, prometendo fechar um arco narrativo que se tem vindo a construir ao longo de vários anos.  

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Um evento televisivo a não perder

Para quem perdeu o filme no cinema — ou para quem quer reviver cada momento de tensão —, esta estreia no TVCine Top é uma oportunidade ideal para mergulhar num dos capítulos mais intensos de Missão: Impossível. A mistura de acção de alto risco, reflexão sobre o poder da tecnologia e personagens em constante confronto com os seus próprios limites fazem de Ajuste de Contas um verdadeiro evento televisivo.

No dia 26 de Dezembro, às 21h30, o mundo volta a depender de Ethan Hunt. A missão aceita-se… ou falha-se. Não há meio-termo 🎬

O Homem-Aranha Fecha Teias e Promete Emoções Fortes: Brand New Day Termina Filmagens

As câmaras desligaram-se, as teias foram recolhidas e o fato voltou ao cabide: Spider-Man: Brand New Day concluiu oficialmente as filmagens. O anúncio foi feito pelo realizador Destin Daniel Cretton, que aproveitou o momento para deixar um agradecimento particularmente caloroso a Tom Holland, elogiando a sua “liderança generosa”, “ética de trabalho incansável” e “interpretações destemidas”.

O quarto filme a solo do Homem-Aranha protagonizado por Holland retoma a história imediatamente após os acontecimentos sísmicos de No Way Home. Peter Parker vive agora num mundo onde ninguém se lembra de quem ele é — nem sequer Zendaya (MJ) ou Jacob Batalon (Ned). Uma decisão heroica, mas devastadora, que redefine completamente a vida do jovem de Queens e abre caminho a uma nova fase do herói.

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O elenco de Brand New Day confirma que a Marvel e a Sony não estão a jogar pelo seguro. Ao lado de Holland surgem Mark Ruffalo como Bruce Banner/Hulk, Jon Bernthal no regresso do implacável Punisher, além de nomes como Tramell TillmanLiza Colón-ZayasMichael Mando (Scorpion), Marvin Jones III (Tombstone) e Sadie Sink, cujo papel permanece envolto em segredo — e especulação.

Nas redes sociais, Cretton descreveu o filme como “o projecto mais recompensador” da sua carreira, elogiando não só o elenco como também a equipa técnica, a quem atribuiu uma criatividade e dedicação “fora do comum”. O realizador, que já tinha deixado marca no MCU com Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings, reforça assim a sua posição como uma das vozes mais sólidas da nova geração da Marvel.

Brand New Day tem estreia marcada para 31 de Julho de 2026, e chega carregado de expectativas. Não é para menos: cada filme do Homem-Aranha com Tom Holland superou o anterior nas bilheteiras. Homecoming arrecadou 880 milhões de dólares, Far From Home ultrapassou a barreira do milhar de milhões, e No Way Home tornou-se um fenómeno global com quase 2 mil milhões de dólares, ajudado pelo regresso histórico de Tobey Maguire e Andrew Garfield.

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Com o multiverso temporariamente fechado, memórias apagadas e novas ameaças no horizonte, Spider-Man: Brand New Day promete ser menos um espectáculo de nostalgia e mais um teste emocional ao herói — e ao público. Se o passado foi esquecido, o futuro do Homem-Aranha nunca pareceu tão imprevisível.

Johnny Depp Prepara Novo Regresso a Hollywood com a Adaptação de um Clássico Literário

Actor vai produzir a primeira versão em inglês de O Mestre e Margarida, obra-prima de Mikhail Bulgakov

Johnny Depp continua a dar passos firmes num regresso a Hollywood que permanece tão observado quanto controverso. Depois de anos marcados por batalhas judiciais altamente mediáticas e por um afastamento quase total dos grandes estúdios, o actor prepara agora um novo projecto ambicioso: a primeira adaptação cinematográfica em língua inglesa de O Mestre e Margarida, o romance mais célebre do escritor russo Mikhail Bulgakov.

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De acordo com informações avançadas pelo The Hollywood Reporter, o projecto foi oficialmente apresentado durante a edição de 2025 do Red Sea International Film Festival, na Arábia Saudita, evento onde Depp marcou presença de forma inesperada para promover o filme. A adaptação será produzida através da IN.2 Film, produtora fundada pelo próprio actor, em parceria com Stephen DeutersStephen MalitSvetlana Dal e Grace Loh.

Importa sublinhar um ponto essencial: Johnny Depp não está, para já, ligado ao filme como actor. Apesar de alguns rumores em sentido contrário, não há qualquer confirmação de que venha a integrar o elenco. Até ao momento, não foi anunciado realizador nem elenco, estando o projecto ainda numa fase inicial de desenvolvimento.

Um romance lendário, finalmente em inglês

Publicado postumamente mais de vinte anos após a morte de Bulgakov, O Mestre e Margarida é amplamente considerado uma das grandes obras da literatura do século XX. Escrito entre 1928 e 1940, em plena União Soviética, o romance mistura sátira política, fantasia, crítica social e metafísica, numa narrativa ousada que desafiou durante décadas os limites impostos pela censura.

A história centra-se no reaparecimento do Diabo em Moscovo, acompanhado por um séquito de personagens excêntricas — incluindo o famoso gato falante Behemoth — que espalham o caos entre cidadãos corruptos e hipócritas. Paralelamente, o romance acompanha a trágica história de amor entre o Mestre, um escritor perseguido, e Margarida, numa reflexão profunda sobre arte, poder, liberdade e redenção.

Ao longo dos anos, O Mestre e Margarida conheceu inúmeras adaptações para teatro, ópera, televisão e cinema — sobretudo no espaço russo e europeu — mas nunca teve uma versão cinematográfica de grande escala em língua inglesa, algo que torna este projecto particularmente significativo e arriscado.

Segundo foi anunciado, a produção deverá arrancar no final de 2026, embora ainda faltem muitos detalhes essenciais para compreender que abordagem estética e narrativa será adoptada.

Depp regressa aos grandes estúdios

Este novo projecto surge num momento em que Johnny Depp parece decidido a reaproximar-se do cinema de grande orçamento. Nos últimos anos, o actor protagonizou Jeanne du Barry e realizou Modi: Three Days of the Wings of Madness, mas tem agora vários projectos alinhados com estúdios de peso.

Entre eles estão o thriller Day Drinker, da Lionsgate, onde contracena com Penélope Cruz, a comédia bíblica The Carnival at the End of Days, de Terry Gilliam, e uma nova adaptação de A Christmas Carol, de Charles Dickens, realizada por Ti West, onde Depp interpretará Ebenezer Scrooge.

Este último papel é apontado como um dos mais relevantes da sua carreira na última década, mas poderá não ser o ponto final do seu regresso. Continua a circular em Hollywood o rumor de um eventual retorno à saga Pirates of the Caribbean. O produtor Jerry Bruckheimer já confirmou a existência de um argumento para um sexto filme e admitiu que o objectivo passa por recuperar personagens conhecidas, reacendendo a especulação em torno de Jack Sparrow.

Um projecto ambicioso e simbólico

A escolha de O Mestre e Margarida como projecto de produção não é inocente. Trata-se de uma obra sobre artistas perseguidos, poder arbitrário e resistência criativa — temas que ecoam claramente na trajectória recente de Johnny Depp. Ainda assim, o sucesso desta adaptação dependerá menos do simbolismo e mais da capacidade de traduzir para o cinema anglófono uma obra complexa, densa e profundamente enraizada no seu contexto histórico.

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Para já, o projecto existe sobretudo como promessa. Mas é uma promessa que, pela sua dimensão literária e pelo nome envolvido, já começou a gerar expectativa.

Hokum: Adam Scott Mergulha no Terror Sobrenatural no Teaser Mais Perturbador do Dia

O realizador de Oddity e Caveat regressa com o seu filme mais ambicioso — e promete arrepiar até os mais resistentes

Há teasers que informam. Outros que despertam curiosidade. E depois há aqueles que, em escassos segundos, instalam desconforto, inquietação e uma sensação de ameaça difícil de explicar. O primeiro teaser de Hokum, novo filme de terror protagonizado por Adam Scott, pertence claramente a este último grupo. São apenas 40 segundos — mas chegam perfeitamente para deixar marca.

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Conhecido do grande público sobretudo por Severance, Adam Scott aventura-se agora num território bem mais sombrio, ao protagonizar o novo filme do realizador irlandês Damien McCarthy, autor de Caveat (2020) e do perturbador Oddity(2024). Para quem acompanha o terror contemporâneo com atenção, o nome de McCarthy já é sinónimo de atmosfera sufocante, tensão psicológica e sustos que não dependem de artifícios fáceis.

Um salto de escala… sem perder a identidade

Hokum é, até agora, o projecto mais visível de Damien McCarthy, muito graças ao envolvimento de Adam Scott, mas também à equipa que o rodeia. O filme é produzido pelos mesmos responsáveis por Late Night With the Devil, um dos títulos de terror mais falados de 2024, e conta com distribuição da Neon, estúdio que tem vindo a afirmar-se como uma das casas mais consistentes do género, com filmes como Longlegs e Presence.

O teaser faz questão de sublinhar essas ligações — não como mero marketing, mas como uma espécie de aviso ao espectador: este não será um terror convencional.

Uma história de luto, isolamento… e uma bruxa

Os detalhes narrativos continuam envoltos em mistério, mas a sinopse oficial ajuda a compor o cenário. Adam Scott interpreta Ohm Bauman, um romancista recluso que se refugia numa estalagem remota na Irlanda para espalhar as cinzas dos pais. É nesse local que começa a ouvir histórias sobre uma antiga bruxa que assombra a suite de lua-de-mel do edifício.

A partir daí, o filme mergulha num território familiar para McCarthy: visões perturbadoras, um desaparecimento inexplicável e um confronto progressivo com traumas do passado. Tudo indica que Hokum irá explorar o terror não apenas como ameaça externa, mas como reflexo de culpas, memórias reprimidas e luto mal resolvido.

Irlanda, folk horror e desconforto prolongado

Tal como Caveat e OddityHokum decorre na Irlanda, um cenário que McCarthy utiliza de forma exemplar, transformando paisagens rurais e interiores aparentemente banais em espaços de inquietação permanente. O teaser sugere uma forte presença de folk horror, aliada a elementos sobrenaturais e a uma atmosfera opressiva que se constrói lentamente — antes de explodir quando menos se espera.

Não se trata de terror ruidoso ou excessivamente gráfico, mas daquele que se infiltra, permanece e cresce.

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Estreia marcada — e expectativas em alta

Hokum chega às salas de cinema a 1 de Maio, e tudo indica que será um dos títulos de terror mais comentados do ano, especialmente entre os fãs de cinema de género mais autoral. Para Adam Scott, representa também uma viragem interessante na carreira, afastando-se do registo dramático e irónico para algo muito mais sombrio.

Se o teaser é indicativo do que aí vem, convém preparar os nervos.

Fallout Regressa Mais Cedo do que o Previsto: Temporada 2 Estreia Antecipadamente no Prime Video

A série baseada no icónico videojogo da Bethesda volta ao Wasteland ainda em Dezembro

Os fãs de Fallout podem começar a contar os dias — e são agora menos do que o esperado. A Amazon confirmou que a segunda temporada de Fallout vai estrear mais cedo do que o inicialmente anunciado, chegando ao Prime Video na terça-feira, 16 de Dezembro, às 18h00 (hora do Pacífico), antecipando em 24 horas a data anteriormente divulgada, que apontava para 17 de Dezembro.

A revelação não foi discreta. Pelo contrário: a Amazon decidiu transformar o anúncio num verdadeiro evento promocional, em parceria com a Exosphere do Sphere, em Las Vegas, um dos espaços mais impressionantes do mundo no que toca a projecções imersivas. O local foi convertido num gigantesco “globo de neve pós-apocalíptico”, evocando o universo da série e transportando simbolicamente o público para New Vegas, um dos cenários mais emblemáticos da saga Fallout.

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De Vaults de luxo a New Vegas: o caminho da segunda temporada

De acordo com a descrição oficial da Amazon, a Temporada 2 de Fallout retoma a narrativa logo após o final explosivo da primeira temporada, levando os espectadores numa nova viagem pelo Wasteland do Mojave, com destino à lendária cidade pós-apocalíptica de New Vegas. Para os fãs do videojogo Fallout: New Vegas, esta escolha de cenário não é apenas simbólica — é quase uma declaração de intenções.

A série continua a explorar o contraste central do universo Fallout: um mundo dividido entre os que tudo tinham e os que nunca tiveram nada. Duzentos anos após o apocalipse nuclear, os habitantes dos luxuosos abrigos subterrâneos são forçados a regressar à superfície, confrontando-se com uma realidade brutal, violenta, estranhamente absurda e surpreendentemente complexa.

O regresso do elenco e da equipa criativa

A nova temporada volta a contar com Ella PurnellAaron MotenWalton GogginsKyle MacLachlanMoisés Arias e Frances Turner, retomando personagens que rapidamente se tornaram favoritas do público na primeira temporada.

Nos bastidores, mantém-se a mesma equipa criativa que ajudou a transformar Fallout num dos maiores sucessos televisivos recentes da Amazon. A série é criada e supervisionada por Geneva Robertson-Dworet e Graham Wagner, com produção executiva de Jonathan NolanLisa Joy e Athena Wickham (Kilter Films), bem como Todd Howard, figura central da Bethesda Game Studios, e James Altman, da Bethesda Softworks. A produção está a cargo da Amazon MGM Studios e da Kilter Films, em associação com a Bethesda.

Um fenómeno que vai além dos fãs de videojogos

A primeira temporada de Fallout conseguiu algo raro: agradar simultaneamente aos fãs de longa data da franquia e a um público que nunca tinha tocado num dos jogos. O tom violento mas irónico, a construção de mundo detalhada e a fidelidade estética ao material original transformaram a série num fenómeno cultural e num dos títulos mais comentados do streaming em 2024.

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A antecipação da estreia da segunda temporada surge, assim, como um sinal claro da confiança da Amazon no projecto — e da expectativa elevada em torno do regresso a este universo radioactivo, imprevisível e irresistivelmente estranho.

A Casa de Sozinho em Casa Vai Voltar ao Passado — e ao Natal de 1990

O regresso de um dos cenários mais icónicos da história do cinema 🎄

Trinta e cinco anos depois da estreia de Sozinho em Casa (Home Alone), um dos filmes de Natal mais amados de sempre, a casa onde Kevin McCallister ficou… sozinho, prepara-se para regressar ao passado. Literalmente. A icónica moradia de Winnetka, no estado do Illinois, vai ser restaurada para espelhar o aspecto exacto que tinha em 1990, o ano em que o filme chegou às salas de cinema e se tornou um fenómeno cultural global.

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A informação foi avançada pela estação norte-americana ABC7 e rapidamente despertou a atenção dos fãs do filme, que há décadas tratam esta casa quase como um local de peregrinação natalícia. Afinal, não estamos a falar apenas de um cenário: esta é, provavelmente, a casa mais famosa da história do cinema de Natal.

Uma renovação moderna… para voltar atrás no tempo

A casa foi alvo de uma profunda renovação interior e vendida no início deste ano, passando por uma modernização que, embora impressionante do ponto de vista arquitectónico, a afastou da memória colectiva associada ao filme. No entanto, os actuais proprietários decidiram dar um passo inesperado — e profundamente cinéfilo — ao restaurar os interiores de forma a recriar o visual original visto em Sozinho em Casa.

O objectivo é claro: devolver à casa o espírito dos anos 90, com os espaços, cores e ambientes que ficaram eternizados no grande ecrã. Uma decisão que mostra até que ponto o impacto do filme continua vivo, não apenas no imaginário do público, mas também no valor simbólico dos seus locais.

“Vivemos ali enquanto o filme era rodado”

John Abendshien, antigo proprietário da casa, recorda com carinho o período das filmagens. Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, a família não saiu da residência durante a produção. Ficaram, observaram e viveram de perto o processo que transformaria a sua casa num ícone do cinema.

Essas memórias levaram-no a escrever um livro de memórias intitulado Home but Alone No More, onde relata a experiência única de ver a sua casa tornar-se parte da história do cinema popular. Um testemunho raro e curioso sobre os bastidores de um filme que continua a ser exibido, religiosamente, todos os Natais.

Um clássico que nunca saiu de casa

Realizado por Chris Columbus e protagonizado por Macaulay Culkin, Sozinho em Casa estreou em 1990 e tornou-se rapidamente num dos maiores sucessos comerciais da história do cinema. Mais do que isso, consolidou-se como uma tradição natalícia transversal a gerações.

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O regresso da casa ao seu visual original é mais uma prova de que alguns filmes nunca saem verdadeiramente de cena. Tal como Kevin McCallister, esta casa esteve apenas… temporariamente ausente.

Marcello Mastroianni: o homem por detrás do mito chega à RTP2 num documentário imperdível

Há actores que pertencem ao cinema. E depois há Marcello Mastroianni, que pertence à própria ideia de sedução, mistério e liberdade que o cinema tantas vezes tenta capturar. É essa figura — simultaneamente luminosa e inalcançável — que o documentário Marcello Mastroianni: Irresistivelmente Livre procura desvendar, numa estreia marcada para quinta-feira, às 22h55, na RTP2.

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A proposta é sedutora: desmontar o mito sem o destruir, compreender o homem sem o aprisionar numa narrativa fácil. Afinal, quem era realmente Mastroianni quando as câmaras deixavam de filmar? Que relação mantinha com a imagem de galã latino que o mundo lhe impôs — uma espécie de máscara dourada que ele próprio, discretamente, tentava afastar?

O documentário parte precisamente desse confronto entre persona e identidade, revelando um actor cuja aparente leveza escondia camadas de sensibilidade, contradição e indisciplina emocional. Não apenas o protagonista dócil e indolente que Fellini transformou em símbolo universal do desencanto moderno, mas um homem inquieto, determinado a não ser reduzido à perfeição dos seus traços ou ao charme que todos reconheciam antes mesmo de ele entrar em cena.

Os anos 60, com La Dolce Vita, elevaram-no ao estatuto de estrela absoluta. Naquela icónica imagem de Marcello a caminhar pela Via Veneto ao lado de Anita Ekberg, cristalizou-se uma ideia de masculinidade mediterrânica que o ultrapassou, quase como uma lenda que se escreve por si própria. Mas Mastroianni, homem de olho doce e espírito irónico, resistiu sempre à tentação de acreditar na sua própria mitologia.

Não era cínico, nem desencantado. Pelo contrário: transmitia a sensação de que a vida, demasiado séria para ser levada tão a sério, precisava de ser vivida com prazer, humor e, sobretudo, liberdade. Daí o título do documentário — Irresistivelmente Livre — que evoca não apenas o actor, mas também o ser humano que se recusou a deixar-se aprisionar pelos rótulos de uma indústria que fazia dele o seu ícone ideal.

O que o filme da RTP2 oferece é a oportunidade de reencontrar Marcello para lá da superfície: os bastidores, as fragilidades, a inteligência subtil e a permanente ambiguidade de um artista que parecia flutuar entre os papéis, como se cada personagem fosse apenas mais um ponto de partida para questionar o mundo e a si próprio.

Através de imagens de arquivo, depoimentos e uma construção narrativa que honra tanto o mito como o homem, o documentário traça o retrato íntimo daquele que muitos consideram o actor italiano mais complexo da sua geração — imprevisível, elegante e cheio de uma humanidade luminosa, difícil de capturar mas impossível de esquecer.

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Na noite de quinta-feira, a RTP2 convida-nos a olhar novamente para Mastroianni. E a descobrir que, por trás da maquilhagem, do sorriso preguiçoso e da aura eterna de La Dolce Vita, existia um homem que passou a vida inteira a tentar ser apenas isso: ele próprio.

Netflix cancela Starting 5 após duas temporadas — e nem LeBron James nem os Obama conseguiram salvar a série

A Netflix voltou a apertar o lápis vermelho. Starting 5, a ambiciosa série documental que prometia oferecer um olhar intimista sobre a vida de cinco estrelas da NBA em cada temporada, não regressará para um terceiro ano. Produzida por um trio improvável mas poderoso — LeBron JamesBarack Obama e Michelle Obama — a série parecia destinada a tornar-se um dos projectos premium do catálogo da plataforma. A realidade, porém, contou outra história.

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Cinco meses após a estreia da segunda temporada, a Netflix decidiu cancelar Starting 5. A decisão, segundo o Sports Business Journal, prende-se com um motivo que tem sido cada vez mais determinante na era do streaming: a audiência não correspondeu às expectativas. O público nunca aderiu de forma consistente e, pior ainda, a primeira temporada não conseguiu igualar os resultados de Quarterback, a série sobre a NFL que a plataforma lançou em 2023 e que rapidamente se tornou num fenómeno global.

No papel, Starting 5 parecia ter tudo para triunfar. A série oferecia acesso directo ao quotidiano de alguns dos atletas mais influentes do basquetebol contemporâneo, alternando entre os bastidores da competição, os dramas pessoais, a pressão da alta competição e a construção das suas respectivas heranças desportivas. A primeira temporada seguiu LeBron JamesJimmy ButlerAnthony EdwardsDomantas Sabonis e Jayson Tatum, um conjunto de protagonistas cujas histórias reflectem diferentes fases da vida na NBA — desde o estatuto de superestrela consolidada até ao talento explosivo em ascensão.

A segunda temporada manteve o conceito, mas apostou numa mistura de veteranos de elite e figuras emergentes: Jaylen BrownKevin DurantShai Gilgeous-AlexanderTyrese Haliburton e James Harden. O logline oficial prometia uma temporada marcada por episódios que “abalaram a liga”, lesões devastadoras e “uma série final para a história”. Tudo isto envolvido no tipo de tratamento cinematográfico que tem marcado os documentários desportivos da última década.

Mas a verdade é que a série nunca conseguiu romper a barreira do nicho. Apesar do peso dos nomes envolvidos — e de um trio de produtores executivos que inclui LeBron James, Maverick Carter e a equipa da Higher Ground dos Obama — Starting 5 não encontrou o mesmo apelo transversal que projectos como The Last Dance ou Drive to Survive. O basquetebol, global quanto é, não foi suficiente para transformar oito episódios por temporada em eventos obrigatórios no calendário dos assinantes.

A produção, realizada por Trishtan Williams, Susan Ansman, Peter J. Scalettar e Rob Ford, apresentava uma abordagem visual cuidada, com ritmo e intensidade, mas nunca deixou de ser vista como uma obra cujo principal público era… fãs hardcore de NBA. E, na guerra feroz pelo tempo de atenção do espectador, a Netflix tem demonstrado pouca paciência para títulos que não atinjam números sólidos rapidamente — mesmo que carreguem nomes presidenciais nos créditos.

O cancelamento de Starting 5 representa mais um sinal da mudança de prioridades no streaming: o período de investimento ilimitado deu lugar a uma lógica de corte rápido. A série tinha pedigree, tinha estrelas, tinha drama — mas não tinha audiência suficiente. E na era dos algoritmos, isso é o que mais pesa.

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Ironicamente, poderá ser esta decisão que venha a reavivar a discussão sobre como contar histórias desportivas num meio saturado de conteúdo. Mas, por agora, para LeBron, para os Obama e para a equipa criativa, o jogo acabou antes do tempo.

Daniel Day-Lewis apoia Paul Dano após insultos de Quentin Tarantino — e Hollywood mobiliza-se

A polémica desencadeada por Quentin Tarantino continua a incendiar Hollywood, e desta vez entrou em cena um dos actores mais respeitados da história do cinema: Daniel Day-Lewis. Ainda que discretamente e sem declarações públicas, o lendário actor manifestou apoio a Paul Dano depois das duras críticas de Tarantino, reacendendo o debate sobre respeito profissional, ética artística e a influência das opiniões do realizador de Pulp Fiction na indústria.

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A polémica explodiu depois de Tarantino, convidado do podcast The Bret Easton Ellis Show, ter revelado a sua lista dos 20 melhores filmes do século XXI. There Will Be Blood — uma das obras-primas de Paul Thomas Anderson — surgiu em quinto lugar. Até aqui, nada de surpreendente. O realizador elogiou o trabalho de Day-Lewis, sublinhando a “qualidade artesanal do velho Hollywood” e a forma como o actor carregava o filme sem necessidade de grandes set pieces.

Mas o entusiasmo durou pouco. Ao justificar porque não colocou There Will Be Blood mais acima na lista, Tarantino disparou contra Paul Dano, chamando-o, entre outras coisas, “weak sauce”, “a weak sister” e até “o actor mais fraco do SAG”. Uma afirmação tão desproporcional quanto desconcertante, sobretudo tratando-se de um actor elogiado de forma consistente pela crítica e pelos seus pares.

A reação da comunidade cinematográfica foi quase imediata. Matt Reeves, realizador de The Batman, onde Dano interpretou o perturbante Riddler, saiu em sua defesa. Simu LiuMattson Tomlin e outros criativos juntaram-se ao coro. Mas o gesto mais simbólico chegaria de forma inesperada.

Um fan account de Daniel Day-Lewis no Instagram — frequentemente apresentado como dedicado ao actor, mas não administrado por ele — partilhou duas cenas emblemáticas de There Will Be Blood em que Day-Lewis contracena com Dano, acompanhadas da legenda: “Paul Dano é um dos actores mais talentosos da sua geração.”

Vários meios noticiaram inicialmente que o perfil pertenceria ao próprio actor. Contudo, os representantes de Day-Lewis esclareceram ao The Guardian que o actor não tem redes sociais — mas deixaram uma nota que alterou por completo o impacto da publicação: o actor partilha integralmente o sentimento expresso no post.

É um detalhe poderoso. Day-Lewis, famoso pelo seu rigor absoluto e averso a polémicas, não precisava de dizer mais nada. Esta simples validação representou um apoio silencioso, mas profundamente significativo. Afinal, foi o próprio Day-Lewis quem sugeriu o nome de Dano para o filme, quando o actor inicialmente escolhido abandonou a produção em cima da hora. A confiança era, e continua a ser, total.

O mesmo fan account partilhou ainda uma série de imagens em defesa de Dano, destacando interpretações marcantes em Little Miss SunshinePrisoners12 Years a SlaveThe Batman e, claro, There Will Be Blood. Uma espécie de mini-retrospectiva que lembrava aquilo que Tarantino — ou qualquer espectador minimamente atento — dificilmente pode negar: Dano é um dos actores mais versáteis e sofisticados da sua geração.

Enquanto isso, a polémica continuou a alastrar-se. Tarantino não se limitou a criticar Dano; disse também não gostar de Owen Wilson e chamou Matthew Lillard de fraco. Lillard respondeu num painel da GalaxyCon em Ohio, visivelmente magoado, dizendo que os comentários o fizeram questionar a sua relevância em Hollywood. “Dói. É humilhante”, confessou. “E ele nunca diria isto a um Tom Cruise.”

A verdade é que a indústria pode ser implacável. E quando alguém da estatura de Tarantino dispara insultos, o impacto não se mede apenas em polémica — mede-se nas oportunidades futuras, na perceção pública e, sobretudo, na dignidade dos actores visados.

Neste caso, porém, Hollywood respondeu de forma clara: Paul Dano não está sozinho. E quando um actor como Daniel Day-Lewis — tricampeão dos Óscares e unanimemente respeitado — apoia, ainda que discretamente, o talento de um colega, o gesto fala mais alto do que qualquer insulto mediático.

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Tarantino pode continuar a fazer listas. Mas o legado — esse constrói-se com trabalho, não com declarações incendiárias. E Paul Dano continua a ser, para muitos dos melhores cineastas da sua geração, exactamente aquilo que Tarantino diz que ele não é: um actor excepcional.