Steven Spielberg Revela Disclosure Day, o Seu Novo Filme sobre OVNIs

O primeiro teaser levanta o véu sobre um regresso ambicioso à ficção científica

Steven Spielberg está de volta à ficção científica — e fá-lo com um projecto que promete mistério, inquietação e um olhar profundamente humano sobre o desconhecido. O primeiro teaser trailer do próximo filme do realizador já foi divulgado e confirma finalmente o título: Disclosure Day. Trata-se do primeiro filme de Spielberg desde The Fabelmans (2022) e marca um regresso a um território que ajudou a definir a sua carreira.

ler também : Johnny Depp Prepara Novo Regresso a Hollywood com a Adaptação de um Clássico Literário

Produzido pela Universal PicturesDisclosure Day tem estreia marcada nos Estados Unidos a 12 de Junho de 2026. Para já, a data de estreia em Portugal ainda não foi anunciada, algo habitual neste tipo de produções numa fase tão inicial da divulgação.

Um teaser enigmático e perturbador

O teaser não revela muito, mas revela o suficiente para gerar especulação. Emily Blunt interpreta uma meteorologista de televisão que, durante uma emissão em directo, começa subitamente a falar numa língua desconhecida, aparentemente de origem alienígena. A partir desse momento, o filme sugere uma mudança radical de escala: do quotidiano televisivo para algo muito maior, possivelmente global.

A personagem de Blunt junta-se depois a Josh O’Connor, numa espécie de jornada para revelar uma verdade que parece estar a ser escondida da humanidade. Pelo meio surgem imagens de Colin Firth e Colman Domingo, em papéis ainda envoltos em segredo, mas que aparentam ter peso institucional ou político na narrativa.

O tom do teaser remete para filmes como Arrival, de Denis Villeneuve, Signs, de M. Night Shyamalan, ou até Knowing, com Nicolas Cage. Ainda assim, tudo indica que Spielberg não está interessado em repetir fórmulas, mas sim em construir algo mais contemplativo e inquietante.

ler também : O Raro Filme de Viagens no Tempo Que Não Se Enreda em Paradoxos

“E se descobríssemos que não estamos sozinhos?”

A sinopse oficial aposta numa pergunta simples e poderosa:

“Se descobrisses que não estamos sozinhos, se alguém te mostrasse, te provasse isso, ficarias assustado?”

O texto termina com uma frase sugestiva:

“Este Verão, a verdade pertence a sete mil milhões de pessoas. Estamos a aproximar-nos do… Disclosure Day.”

Tudo aponta para um filme que não se centra apenas no contacto extraterrestre, mas sobretudo na reacção da humanidade a essa revelação. Uma abordagem muito alinhada com o Spielberg de Close Encounters of the Third Kindou War of the Worlds, onde o espanto e o medo são tão importantes quanto o fenómeno em si.

David Koepp volta a escrever para Spielberg

O argumento de Disclosure Day foi escrito por David Koepp, colaborador habitual de Spielberg, responsável por guiões como Jurassic ParkThe Lost WorldWar of the Worlds e Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull. A história original é do próprio Spielberg, que produz o filme através da Amblin Entertainment, ao lado de Kristie Macosko Krieger.

O elenco inclui ainda Eve Hewson, entre outros nomes que deverão ser revelados mais perto da estreia.

Um Spielberg diferente… ou um regresso às origens?

Depois do tom autobiográfico de The FabelmansDisclosure Day parece marcar um regresso à ficção científica, mas com a maturidade de um realizador que já não precisa de provar nada. Se o teaser é indicativo, o filme poderá ser menos sobre extraterrestres e mais sobre verdade, medo colectivo e responsabilidade.

Por agora, uma coisa é certa: Spielberg voltou a olhar para o céu — e quer que olhemos com ele.

Jo Nesbø’s Detective Hole: Netflix Revela Primeira Imagem e Data de Estreia da Série sobre Harry Hole

Tobias Santelmann encarna o icónico detective norueguês numa adaptação sombria e obsessiva dos romances de Jo Nesbø

A Netflix levantou finalmente o véu sobre uma das suas apostas europeias mais aguardadas, ao revelar a primeira imagem oficial e a data de estreia de Jo Nesbø’s Detective Hole, série baseada no universo literário criado pelo escritor norueguês Jo Nesbø. A produção, conhecida na Noruega como Jo Nesbøs Harry Hole, estreia a 26 de Março na plataforma, em lançamento global, e promete mergulhar os espectadores nos recantos mais sombrios de Oslo.

ler também: Warner Bros Rejeita Oferta de 108 Mil Milhões da Paramount e Mantém Acordo com a Netflix

Descrita pela Netflix como uma viagem pelas “ruas sombrias da capital norueguesa, onde nada é o que parece e cada pista conduz mais fundo ao coração negro da cidade”, a série assume desde logo um tom noir e psicológico, fiel ao espírito dos livros que transformaram Harry Hole numa das figuras mais emblemáticas do crime fiction contemporâneo.

Um Harry Hole à altura do mito

O papel principal fica a cargo de Tobias Santelmann, actor conhecido por séries como Exit e pelo filme The Arctic Convoy. Santelmann interpreta Harry Hole, o detective brilhante, obsessivo e profundamente atormentado, cuja genialidade investigativa caminha lado a lado com demónios pessoais difíceis de controlar.

Ao seu lado surge Joel Kinnaman (Altered CarbonThe Suicide Squad) como Tom Waaler, o grande antagonista da história: um polícia corrupto, manipulador e antigo colega de Hole, com quem mantém uma relação marcada por rivalidade, desconfiança e ódio mútuo. Pia Tjelta completa o trio central no papel de Rakel Fauke, uma das figuras emocionalmente mais importantes na vida do detective.

Jo Nesbø, que além de autor assume funções de criador, argumentista e produtor executivo, mostrou-se entusiasmado com a escolha do elenco:

“Finalmente podemos revelar a data de estreia e esta primeira imagem de Tobias Santelmann como Harry Hole. Vê-lo dar vida à personagem tem sido extremamente emocionante e marca um novo capítulo para o Harry. Estou ansioso por partilhar esta visão com o público, numa viagem verdadeiramente negra e retorcida.”

Um jogo de gato e rato em nove episódios

Jo Nesbø’s Detective Hole é composta por nove episódios e centra-se numa investigação de um assassino em série, servindo de pano de fundo para um confronto psicológico entre Hole e Waaler. A Netflix descreve a série como uma história de obsessão, traição e fronteiras cada vez mais difusas entre justiça e vingança.

Mais do que um simples thriller policial, a produção assume-se como um drama de personagens, focado em dois agentes da polícia que operam em lados opostos da lei, apesar de se apresentarem como colegas. Harry Hole surge como um detective brilhante, mas emocionalmente destruído, enquanto Waaler representa a corrupção sistémica e a perversão do poder.

Um elenco norueguês de luxo e uma produção de peso

Para além do trio principal, a série conta com um elenco vastíssimo de actores escandinavos e internacionais, incluindo nomes como Peter StormareAnders Danielsen LieJesper ChristensenIngrid Bolsø BerdalAne Dahl TorpAgnes Kittelsen e Kristoffer Joner, entre muitos outros.

A realização está dividida entre Øystein Karlsen (Exit) e Anna Zackrisson (The Helicopter Heist), enquanto a produção fica a cargo da Working Title, com a série a ser desenvolvida pela Universal International Studios, uma divisão do Universal Studio Group. Entre os produtores executivos destacam-se Tim Bevan e Eric Fellner, dois dos nomes mais influentes da produção europeia contemporânea.

Harry Hole chega finalmente em força à televisão

Depois de várias tentativas irregulares de adaptação ao cinema, o universo de Harry Hole encontra agora na televisão o espaço ideal para respirar, desenvolver personagens e explorar a densidade psicológica que define os romances de Jo Nesbø. Com uma abordagem assumidamente sombria, adulta e centrada no conflito humano, Jo Nesbø’s Detective Holeperfila-se como uma das grandes séries policiais do ano.

ler também : Timothée Chalamet, Pingue-Pongue e Susan Boyle: o Actor que Não Tem Medo de Sonhar em Grande

A estreia está marcada para 26 de Março, na Netflix.

Warner Bros Rejeita Oferta de 108 Mil Milhões da Paramount e Mantém Acordo com a Netflix

Conselho de administração recusou proposta considerada “superior” e fechou a porta a uma das maiores operações da história dos media

Warner Bros. Discovery rejeitou oficialmente a proposta de aquisição apresentada pela Paramount Skydance, avaliada em 108,4 mil milhões de dólares (cerca de 80,75 mil milhões de euros), numa decisão que volta a baralhar o tabuleiro das grandes fusões no sector do entretenimento global. A informação foi confirmada através de um comunicado dirigido aos accionistas, no qual o conselho de administração da Warner Bros. afirma ter recomendado “por unanimidade” a rejeição da oferta.

ler também : Pai Mãe Irmã Irmão: Jim Jarmusch Regressa ao Cinema Íntimo e Humano

A decisão surge apesar de a Paramount ter defendido publicamente que a sua proposta era “superior” ao acordo já estabelecido entre a Warner Bros. Discovery e a Netflix, avaliado em cerca de 72 mil milhões de dólares, e que envolve os activos de cinema e streaming do estúdio norte-americano. Ainda assim, a administração da Warner considerou que o entendimento com a Netflix representa a opção mais vantajosa para o futuro da empresa.

Dúvidas sobre financiamento pesaram na decisão

De acordo com o Financial Times, um dos factores determinantes para a rejeição da proposta da Paramount esteve relacionado com preocupações sobre a estrutura de financiamento do negócio. A Warner Bros. terá manifestado reservas quanto à solidez financeira da operação e à capacidade dos proponentes para concretizar uma aquisição desta dimensão sem riscos significativos.

A situação tornou-se ainda mais frágil quando se soube que a Affinity Partners, um dos principais financiadores da tentativa de compra, abandonou as negociações. A empresa, fundada por Jared Kushner, genro do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá saído do processo alegando a presença de “dois concorrentes fortes” na corrida — uma referência implícita à Netflix e a outros potenciais interessados.

Nem a Warner Bros. Discovery nem a Paramount comentaram publicamente a decisão até ao momento, apesar dos pedidos de esclarecimento feitos pela BBC. A própria Affinity Partners também não respondeu oficialmente.

Um estúdio em plena reconfiguração

A Warner Bros. Discovery colocou-se formalmente à venda em Outubro, depois de ter recebido múltiplas manifestações de interesse por parte de potenciais compradores, entre os quais se incluía precisamente a Paramount Skydance. O movimento foi visto como mais um sinal da profunda transformação que atravessa a indústria dos media, pressionada pela quebra das receitas tradicionais, pela guerra do streaming e pela necessidade de escala global.

5 de Dezembro, a Warner anunciou então o acordo com a Netflix, um dos mais significativos da história recente do sector, transferindo para a gigante do streaming os seus negócios de cinema e plataformas digitais. A rejeição da proposta da Paramount confirma agora que essa estratégia está a ser encarada como definitiva — pelo menos para já.

Um sinal claro para Hollywood

Este episódio ilustra bem o momento de incerteza vivido por Hollywood, onde estúdios históricos procuram alianças com plataformas tecnológicas para garantir sobrevivência e relevância. A decisão da Warner Bros. Discovery deixa claro que, apesar de propostas mais elevadas no papel, a previsibilidade, a execução e a confiança estratégica pesam tanto ou mais do que os números.

ler também : 28 Years Later: The Bone Temple Promete Ser o Capítulo Mais Perturbador da Saga

Para a Paramount, fica uma derrota pesada. Para a Netflix, uma vitória silenciosa. E para o sector, a confirmação de que a consolidação dos media está longe de terminar.

Pai Mãe Irmã Irmão: Jim Jarmusch Regressa ao Cinema Íntimo e Humano

Um tríptico delicado sobre relações familiares com estreia anunciada para Janeiro em Portugal

Jim Jarmusch está de volta ao grande ecrã com Pai Mãe Irmã Irmão, um filme que cruza drama e comédia através de um olhar sereno, observador e profundamente humano sobre as relações familiares. A longa-metragem tem estreia anunciada para 8 de Janeiro nas salas de cinema portuguesas, de acordo com a informação divulgada no press.

Conhecido pelo seu cinema de personagens, diálogos contidos e atenção ao não-dito, Jarmusch apresenta aqui uma obra estruturada como um tríptico narrativo, composta por três histórias independentes, ligadas por temas comuns e por uma abordagem emocionalmente contida, mas reveladora.

ler também: 28 Years Later: The Bone Temple Promete Ser o Capítulo Mais Perturbador da Saga

Três histórias, três países, as mesmas distâncias emocionais

Pai Mãe Irmã Irmão acompanha filhos adultos e a forma como se relacionam entre si e com figuras parentais emocionalmente distantes. Cada uma das três histórias decorre no presente e em contextos geográficos distintos, sublinhando a universalidade dos conflitos familiares, independentemente do lugar.

O primeiro segmento, “Pai”, decorre no nordeste dos Estados Unidos. Segue uma dinâmica marcada por silêncios, expectativas não verbalizadas e a dificuldade em estabelecer pontes emocionais numa relação paterna desgastada pelo tempo.

Em “Mãe”, a acção desloca-se para Dublin, na Irlanda, onde a relação entre filhos e mãe é explorada a partir de reencontros, memórias partilhadas e tensões latentes, num registo onde a melancolia convive com um humor subtil.

Por fim, “Irmã Irmão”, passado em Paris, França, centra-se na ligação entre irmãos adultos, examinando afectos, rivalidades e cumplicidades moldadas por uma história familiar comum.

Um cinema de observação, sem julgamentos

Fiel ao seu estilo, Jim Jarmusch constrói o filme como uma sequência de estudos de personagem. Não há dramatizações excessivas nem conflitos explosivos. O interesse do realizador está nos pequenos gestos, nas pausas, nos olhares e na forma como as personagens lidam com emoções que raramente sabem nomear.

O tom é descrito como tranquilo, observador e sem preconceitos, assumindo-se como uma comédia subtil, mas atravessada por traços de melancolia. O riso surge de situações humanas reconhecíveis, muitas vezes desconfortáveis, onde o afecto e a distância coexistem.

ler também: Hokum: Adam Scott Mergulha no Terror Sobrenatural no Teaser Mais Perturbador do Dia

Jim Jarmusch e o regresso ao essencial

Com Pai Mãe Irmã Irmão, Jarmusch parece regressar a um território que lhe é particularmente caro: histórias simples na forma, mas complexas naquilo que revelam sobre a condição humana. A fragmentação narrativa do tríptico permite olhar para diferentes configurações familiares sem hierarquias ou conclusões fechadas, convidando o espectador a reconhecer algo de si próprio em cada uma delas.

Mais do que respostas, o filme propõe observação, empatia e tempo — três elementos cada vez mais raros no cinema contemporâneo.

Estreia em Portugal

De acordo com a informação disponibilizada, Pai Mãe Irmã Irmão tem estreia anunciada para 8 de Janeiro nas salas de cinema portuguesas. Até lá, o filme perfila-se como uma das propostas mais discretas, mas potencialmente mais marcantes, do início do ano para quem acompanha cinema de autor.

28 Years Later: The Bone Temple Promete Ser o Capítulo Mais Perturbador da Saga

Nia DaCosta assume a realização e descreve o filme como “estranho, demente e chocante”

Quando 28 Years Later chegou às salas de cinema no início do ano, ficou claro que Danny Boyle e Alex Garland não estavam interessados em repetir fórmulas. O regresso ao universo iniciado com 28 Days Later trouxe infectados ainda mais violentos, uma Grã-Bretanha em ruínas passadas quase três décadas sobre o surto e novas mutações do vírus da raiva. Mas trouxe também algo inesperado: um tom surpreendentemente contemplativo, quase espiritual, atravessado por uma energia indomável e, para muitos espectadores, profundamente desconcertante.

ler também: Fallout Regressa Mais Cedo do que o Previsto: Temporada 2 Estreia Antecipadamente no Prime Video

E depois houve o final. Um desfecho que deixou o público dividido entre o choque e o espanto, com a entrada em cena dos Jimmies, um culto juvenil acrobático, violento e grotesco, cuja estética evocava — de forma deliberadamente inquietante — referências como Jimmy Savile. Um momento que confirmou que esta saga já não tem medo de ir a territórios desconfortáveis.

Ao que tudo indica, isso foi apenas o início.

Um “primo estranho e demente” no universo de 28

Filmado consecutivamente com 28 Years Later, o novo capítulo intitulado The Bone Temple foi novamente escrito por Alex Garland e produzido por Danny Boyle, mas passa o testemunho da realização para Nia DaCosta, cineasta responsável por Candyman. E, segundo quem já leu o guião, o tom será ainda mais sombrio, estranho e radical.

Em declarações à Empire, DaCosta não deixou margem para dúvidas:

“O meu filme é bastante… estranho. É surpreendente. Houve vários momentos em que, ao ler o guião, fiquei literalmente de boca aberta.”

Uma reacção partilhada por Jack O’Connell, que interpreta Sir Lord Jimmy Crystal, líder dos Jimmies. O actor descreve The Bone Temple como “o primo estranho e demente” do que vimos até agora — um filme de que se diz “orgulhoso”, precisamente por estar enraizado em questões de alma e em enormes “e se?”. “É mesmo chocante”, garante.

Cultos, crenças distorcidas e novos horrores

Em The Bone Temple, o perigo representado pelos Jimmies aumenta significativamente. O jovem protagonista Spike(Alfie Williams) acaba por ser integrado no culto, enquanto o aparentemente benevolente Dr. Kelson (Ralph Fiennes) desenvolve uma relação improvável com Samson, um Alpha infectado particularmente violento.

O filme irá aprofundar o sistema de crenças bizarro criado por Sir Lord Jimmy, uma ideologia moldada por memórias da cultura popular da sua infância — TeletubbiesPower Rangers, cricket e até Jimmy Savile, numa referência contextualizada pelo facto de, em 2002, a verdadeira natureza do apresentador ainda não ser publicamente conhecida.

Jack O’Connell sublinha que o objectivo não é provocar gratuitamente, mas confrontar o espectador com o choque entre a nossa percepção actual e a realidade distorcida das personagens: “Espero que convide as pessoas a pensar naquele tempo, naquele zeitgeist, naquele momento em que o mundo simplesmente colapsou.”

Horror que corrompe o que era inocente

Nia DaCosta faz questão de clarificar que o filme não pretende explorar Jimmy Savile enquanto figura histórica. O foco está na perversão simbólica: “Jimmy Crystal corrompe coisas que eram inocentes e boas e transforma-as em algo horrível.” Uma abordagem que reforça o desconforto e a violência psicológica que parecem estar no centro deste novo capítulo.

Tudo indica que 28 Years Later: The Bone Temple será mais do que uma simples sequela. Será uma descida ainda mais profunda num mundo devastado — não apenas pelo vírus, mas pela forma como a humanidade reconstrói sentido no caos.

ler também: A Febre de Zootopia 2 na China Está a Levar Jovens a Comprar Cobras Venenosas 

Preparem-se: o apocalipse da raiva ainda tem muito para mostrar.

Trump Avança com Processo de 10 Mil Milhões contra a BBC por Edição de Discurso de 6 de Janeiro

Presidente dos EUA acusa estação britânica de difamação e tentativa de influenciar eleições

Donald Trump apresentou esta semana um processo judicial contra a BBC, exigindo 10 mil milhões de dólares em indemnizações, acusando o serviço público britânico de difamação, práticas comerciais enganosas e manipulação política. Em causa está a edição de um discurso proferido pelo então presidente norte-americano a 6 de Janeiro de 2021, horas antes da invasão do Capitólio por apoiantes seus.

ler também : Trump goza com a morte de Rob Reiner e provoca indignação nos EUA

O processo, com 33 páginas, foi entregue num tribunal da Florida e acusa a BBC de ter difundido uma “representação falsa, difamatória, enganadora, inflamatória e maliciosa” de Trump. Segundo a queixa, o documentário Trump: A Second Chance?, exibido dias antes das eleições presidenciais de 2024, terá fundido excertos de diferentes momentos do discurso, separados por quase uma hora, criando a ideia de que Trump incitou directamente à violência.

“Puseram palavras na minha boca”

De acordo com o processo, a BBC terá editado selectivamente três excertos de duas partes distintas do discurso, apresentando-os como uma única declaração contínua. Entre os trechos omitidos encontrava-se uma passagem em que Trump apelava explicitamente a uma manifestação “pacífica” — um detalhe que, segundo os seus advogados, altera substancialmente o sentido do discurso.

O próprio Trump comentou o caso numa intervenção espontânea na Sala Oval:

Puseram palavras terríveis na minha boca sobre o 6 de Janeiro que eu nunca disse. As palavras bonitas, sobre patriotismo e coisas boas, essas não passaram.”

Pedido de desculpas, mas sem admissão de difamação

A BBC já tinha pedido desculpa publicamente no mês passado, classificando a edição como um “erro de julgamento”. Essa admissão levou à demissão do director-geral da BBC e do responsável pela área de informação, um abalo raro numa instituição conhecida pela sua rigidez editorial.

Ainda assim, o grupo rejeitou formalmente qualquer acusação de difamação. Até ao momento, a BBC não respondeu oficialmente ao pedido de comentário da Associated Press sobre o processo agora apresentado.

Um caso juridicamente complexo

Especialistas em direito levantam várias dúvidas quanto à viabilidade do processo em tribunais norte-americanos. O documentário não foi transmitido na televisão dos EUA, e os prazos para intentar uma acção judicial no Reino Unido já expiraram há mais de um ano.

A defesa de Trump argumenta, no entanto, que o conteúdo está acessível nos Estados Unidos através da plataforma BritBox, que disponibiliza produções originais da BBC, incluindo a série Panorama, onde o documentário foi exibido.

A BBC sob escrutínio máximo

Com 103 anos de existência, a BBC é financiada por uma taxa anual obrigatória paga pelos agregados familiares britânicos e está legalmente vinculada a princípios de imparcialidade editorial. Ainda assim, tem sido alvo recorrente de críticas tanto da direita como da esquerda, precisamente pelo seu papel central no debate público.

ler também : Netflix Quer Comprar a Warner Bros — e Trump Diz Que “Pode Ser um Problema”

Este processo coloca novamente a estação no centro de uma polémica internacional — e reabre o debate sobre edição jornalística, contexto político e responsabilidade editorial numa era de polarização extrema.

Point Break Vai Regressar — AMC Desenvolve Série de Continuação do Clássico de 1991

Trinta e cinco anos depois, Johnny Utah e Bodhi voltam a fazer ondas… pelo menos em espírito

Hollywood tem uma relação curiosa com o passado: quando parece que já não há mais nada para reciclar, alguém decide voltar a pegar numa prancha antiga e tentar outra vez. É exactamente isso que está a acontecer com Point Break, o icónico filme de Kathryn Bigelow de 1991, que está agora a caminho de uma série de continuação em desenvolvimento na AMC.

ler também : Voando Sobre um Ninho de Cucos  Faz 50 Anos — e Michael Douglas Recorda o Filme Que Mudou Tudo

Segundo avança a Deadline, o canal está a trabalhar numa série que decorre em 2026, ou seja, 35 anos após os acontecimentos do filme original. O projecto ainda não recebeu luz verde oficial, mas já está em fase activa de desenvolvimento, com Dave Kalstein como produtor principal — um nome bem conhecido da televisão norte-americana, sobretudo pelo seu trabalho no universo NCIS e, mais recentemente, na série Butterfly.

Um clássico improvável que se tornou culto

Realizado por Kathryn Bigelow, Point Break acompanha Johnny Utah, um jovem agente do FBI interpretado por Keanu Reeves, que se infiltra num grupo de surfistas suspeitos de uma série de assaltos a bancos. O líder do grupo é Bodhi, vivido por Patrick Swayze, um carismático filósofo do risco que vê o surf, o crime e a liberdade como partes do mesmo impulso vital.

O filme tornou-se um clássico improvável, misturando cinema de acção, espiritualidade new age, adrenalina e uma relação de camaradagem masculina que rapidamente entrou para o imaginário popular. A química entre Reeves e Swayze foi decisiva para o estatuto de culto que o filme viria a alcançar.

Uma continuação cheia de incógnitas

A grande questão em torno desta série prende-se, inevitavelmente, com o elenco. Patrick Swayze morreu em 2009, o que torna improvável — para não dizer impossível — um regresso de Bodhi. Também não há qualquer indicação de que Keanu Reeves esteja envolvido no projecto, sendo pouco provável que a AMC conte com a sua participação.

Outros nomes do elenco original permanecem, no entanto, no radar. Lori Petty, que interpretou Tyler, teve recentemente uma presença regular em NCIS: Origins, enquanto John C. McGinley — o agente Ben Harp — está confirmado no revival de Scrubs. Já Gary Busey, figura incontornável do filme original, representa um território mais delicado, estando actualmente em liberdade condicional após acusações de assédio em 2022.

Tudo indica que a série apostará mais no legado temático e estético de Point Break do que numa continuação directa das personagens centrais, explorando uma nova geração de surfistas, agentes da lei e criminosos atraídos pelo mesmo “rush” que definia o original.

O peso de um reboot falhado

Esta não é a primeira tentativa de ressuscitar Point Break. Em 2015, Hollywood lançou um reboot em imagem real que tentou modernizar o conceito, substituindo o surf por desportos radicais globais. O resultado foi amplamente rejeitado por público e crítica, reforçando a ideia de que Point Break é um daqueles filmes cuja magia reside num equilíbrio muito específico de tempo, lugar e pessoas.

A aposta numa série — e não num novo filme — pode ser a forma encontrada para contornar esse problema, permitindo desenvolver personagens e mitologia com mais espaço e menos pressão de bilheteira.

Nostalgia, risco e o apelo do perigo

Ainda sem guião fechado, realizador anunciado ou data de estreia, esta série de Point Break vive, para já, no território da intenção. Mas a própria existência do projecto revela algo claro: a nostalgia continua a ser uma força motriz na televisão contemporânea, sobretudo quando associada a marcas com identidade forte.

ler também: Fallout Regressa Mais Cedo do que o Previsto: Temporada 2 Estreia Antecipadamente no Prime Video

Resta saber se a AMC conseguirá captar o espírito rebelde, livre e perigosamente sedutor do original — ou se esta será apenas mais uma onda que se desfaz antes de chegar à praia

A Febre de Zootopia 2 na China Está a Levar Jovens a Comprar Cobras Venenosas 🐍🎬

O carismático Gary De’Snake conquistou o público — e está a ter consequências bem reais

Quando a Disney lançou Zootopia 2, dificilmente alguém imaginaria que um dos seus efeitos colaterais mais comentados surgiria fora das salas de cinema… e dentro de terrários. Na China, o novo personagem Gary De’Snake — uma cobra azul simpática, entusiasta e com voz de Ke Huy Quan — tornou-se um fenómeno cultural tão forte que está a inspirar jovens a comprar víboras altamente venenosas como animais de estimação.

Um dos casos mais emblemáticos é o de Qi Weihao, um estudante de 21 anos da província de Jiangxi, que decidiu adquirir uma víbora-de-bambu indonésia, conhecida localmente como island bamboo pit viper, apenas dois dias depois da estreia do filme. O preço? Cerca de 1.850 yuan (aproximadamente 260 dólares). O motivo? Gary.

ler também: Fallout Regressa Mais Cedo do que o Previsto: Temporada 2 Estreia Antecipadamente no Prime Video

Qi, apaixonado por répteis, confessou à CNN que sempre quis ter uma cobra azul, mas foi a representação positiva da personagem em Zootopia 2 que o fez avançar. Para ele, Gary ajudou a combater o preconceito associado a quem gosta de répteis, muitas vezes vistos na China como pessoas com “gostos estranhos por criaturas assustadoras”.

Um sucesso de bilheteira… e um efeito inesperado

O fenómeno não surgiu do nada. Zootopia 2 tornou-se rapidamente a animação estrangeira mais lucrativa de sempre na China, ultrapassando os 3,55 mil milhões de yuan em receitas, destronando o primeiro filme da saga, lançado em 2016. A nível global, o filme já ultrapassou mil milhões de dólares, consolidando-se como um dos maiores sucessos recentes da Disney.

No enredo, Gary De’Snake luta para limpar a reputação da sua família — e dos répteis em geral — com a ajuda de Judy Hopps e Nick Wilde. Uma mensagem nobre… mas que alguns espectadores parecem ter levado demasiado à letra.

Após a estreia do filme, plataformas chinesas de comércio electrónico registaram um aumento súbito nas pesquisas e nos preços da víbora-de-bambu indonésia, com valores a variar entre algumas centenas e vários milhares de yuan. Um entusiasmo que rapidamente começou a preocupar autoridades e especialistas.

Répteis exóticos: uma tendência em crescimento

A verdade é que a moda dos animais exóticos já vinha a crescer antes de Gary entrar em cena. Segundo dados citados pela agência estatal Xinhua, mais de 17 milhões de pessoas na China tinham animais exóticos no final de 2024, num mercado avaliado em cerca de 10 mil milhões de yuan. Mais de 60% dos donos pertencem à Geração Z.

Um relatório de 2025 indica ainda que as cobras representam mais de metade de todos os répteis mantidos como animais de estimação no país. Embora muitas sejam criadas em cativeiro e vendidas legalmente, a compra de espécies venenosas levanta sérias questões de segurança.

Qi, apesar de entusiasta, deixa um aviso claro:

“Se não têm experiência e equipamento adequado, não comprem cobras venenosas por impulso.”

Quando a ficção morde a realidade

A imprensa estatal chinesa não tardou a reagir. O Beijing News alertou que, apesar de Gary ser retratado como corajoso e adorável no filme, a versão real da víbora azul está longe de ser um brinquedo da moda. Uma fuga ou uma mordida podem transformar-se rapidamente num problema de segurança pública.

Entretanto, várias plataformas removeram anúncios de venda da cobra após alertas da CNN, incluindo a JD, que afirmou proibir estritamente a comercialização de animais venenosos. Ainda assim, o episódio deixou claro como a cultura pop pode ter impactos muito concretos — e perigosos.

Gary continua a vender… mas em versão segura 🧸

Felizmente, muitos fãs estão a optar por alternativas menos mortíferas. Bonecos de peluche, blind boxes e merchandising de Gary estão a voar das prateleiras. Em algumas lojas da Disneyland de Xangai, o peluche do personagem já está esgotado, sem previsão de reposição.

ler também : Trump goza com a morte de Rob Reiner e provoca indignação nos EUA

Com mais de 70 parcerias comerciais na China, Zootopia voltou a provar que a Disney sabe criar personagens irresistíveis. Talvez só não contasse que alguns fãs quisessem levar a experiência tão longe.

Trump goza com a morte de Rob Reiner e provoca indignação nos EUA

Presidente norte-americano reage ao assassinato do realizador com ataque político nas redes sociais

A morte violenta de Rob Reiner, um dos realizadores mais respeitados do cinema norte-americano das últimas décadas, ganhou uma inesperada e polémica dimensão política após Donald Trump ter reagido publicamente ao caso com comentários de escárnio. Segundo a Reuters, o Presidente dos Estados Unidos sugeriu, sem qualquer prova, que o cineasta teria sido vítima daquilo a que chamou uma “doença mental incapacitante” relacionada com a sua oposição política à actual administração.

ler também : Caso Rob Reiner: Filho Nick passa a principal suspeito e investigação ganha contornos mais claros

Rob Reiner, de 78 anos, e a sua esposa, Michele Singer Reiner, foram encontrados mortos no domingo na sua residência em Los Angeles. As autoridades classificaram o caso como homicídio, estando a investigação a cargo do Departamento de Polícia de Los Angeles. Ainda de acordo com a Reuters, o filho do casal, Nick Reiner, de 32 anos, foi detido e acusado em ligação com as mortes, tendo a fiança sido fixada em cerca de quatro milhões de dólares.

A publicação que incendiou as redes sociais

Horas após a confirmação das mortes, Donald Trump recorreu à sua rede social para comentar o caso, descrevendo Reiner como um antigo “talento” que teria enlouquecido devido à sua obsessão com o Presidente. Trump afirmou que o realizador sofria de algo a que chamou “Trump Derangement Syndrome”, insinuando que essa alegada condição teria contribuído para o desfecho trágico.

A publicação foi amplamente criticada nos Estados Unidos, tanto por figuras políticas como por representantes da indústria do entretenimento, sendo vista como um exemplo extremo da degradação do discurso público em torno de uma tragédia pessoal. A Reuters sublinha que Trump não apresentou qualquer evidência para as suas afirmações, limitando-se a atacar um opositor político já falecido.

Um cineasta central da história de Hollywood

Rob Reiner começou a sua carreira como actor, tornando-se conhecido como “Meathead” na série Uma Família às Direitas, antes de se afirmar como realizador de alguns dos filmes mais emblemáticos dos anos 80 e 90. Entre os seus trabalhos contam-se This Is Spinal TapConta ComigoA Princesa PrometidaQuando Harry Conheceu SallyMisery – O Capítulo Final e Uma Questão de Honra.

Para além do cinema, Reiner era também um activista político assumido, crítico feroz de Donald Trump e presença regular no debate público norte-americano. Essa postura tornou-o uma figura polarizadora, mas também uma voz influente dentro de Hollywood.

Investigação em curso

As autoridades continuam a investigar as circunstâncias exactas das mortes do casal, não tendo sido ainda divulgados detalhes sobre o motivo do crime. A autópsia e os resultados forenses deverão esclarecer os acontecimentos nos próximos dias.

ler também : Choque em Hollywood: mortes misteriosas num ícone do cinema americano

Enquanto isso, a reacção de Trump continua a dominar o debate mediático nos Estados Unidos, levantando questões sobre os limites do discurso político, mesmo perante uma tragédia que abalou profundamente o mundo do cinema.

Caso Rob Reiner: Filho Nick passa a principal suspeito e investigação ganha contornos mais claros


Novos dados reforçam cenário de crime familiar em Los Angeles

A investigação à morte do realizador e actor Rob Reiner e da sua mulher, a fotógrafa Michele Singer Reiner, conheceu novos desenvolvimentos nas últimas horas. Depois de uma primeira notícia marcada pela surpresa e pela escassez de informação oficial, surgem agora dados mais consistentes que apontam para um cenário de crime familiar, com o filho do casal, Nick Reiner, a ser tratado pelas autoridades como principal suspeito.

ler também: Choque em Hollywood: mortes misteriosas num ícone do cinema americano

Segundo avança a revista People, citando vários familiares próximos, Nick Reiner, de 32 anos, encontra-se a ser interrogado pela polícia de Los Angeles no âmbito do homicídio do casal. Embora as autoridades ainda não tenham confirmado formalmente a autoria do crime, fontes policiais citadas pelo The Washington Post indicam que Nick é, nesta fase, o principal suspeito, estando previstas diligências adicionais, incluindo a audição de outros membros da família.

Polícia confirma violência e mantém investigação em curso

Recorde-se que Rob Reiner, de 78 anos, e Michele Singer Reiner, de 68, foram encontrados mortos no domingo, na sua residência em Los Angeles. A polícia foi chamada ao local por volta das 15h30, hora local, encontrando ambos já sem vida. Desde o primeiro momento ficou claro que não se tratava de mortes naturais, tendo sido avançada a hipótese de um esfaqueamento, embora os detalhes concretos do método do crime continuem sob reserva.

As autoridades mantêm uma postura cautelosa, sublinhando que a investigação ainda decorre e que não foi formalizada qualquer acusação. Ainda assim, a evolução da informação nas últimas horas aponta claramente para um caso de violência doméstica extrema, afastando outras hipóteses inicialmente consideradas.

Um historial marcado pela toxicodependência

Um dos elementos agora trazidos a público diz respeito ao percurso pessoal de Nick Reiner. De acordo com familiares citados pela People, o filho do casal enfrentava problemas graves de toxicodependência desde a adolescência. Ao longo dos anos, terá passado por várias clínicas de reabilitação e vivido longos períodos em situação de sem-abrigo, num trajecto marcado por recaídas, instabilidade emocional e afastamento progressivo da família.

Este historial, embora não constitua prova de culpa, está a ser considerado no contexto da investigação, ajudando a compreender a complexidade de uma tragédia que ultrapassa largamente a esfera pública e mediática.

Uma família ligada ao cinema — dentro e fora do ecrã

Rob Reiner e Michele Singer conheceram-se durante a produção de Harry e Sally – Feitos Um Para o Outro, um dos filmes mais emblemáticos da carreira do realizador. Casaram-se em 1989 e tiveram três filhos: Jake, Nick e Romy. Antes disso, Reiner tinha sido casado com Penny Marshall, actriz e realizadora, entre 1971 e 1981, numa das uniões mais conhecidas de Hollywood nos anos 70.

A dimensão pessoal desta tragédia contrasta de forma dolorosa com a imagem pública de Reiner, frequentemente associada a histórias sobre amor, amizade e empatia — temas centrais em muitos dos seus filmes mais célebres.

Um legado artístico agora sombreado pela tragédia

Filho de Carl Reiner, uma lenda da comédia americana, Rob Reiner foi um dos realizadores mais influentes e versáteis de Hollywood nas décadas de 1980 e 1990. Assinou obras incontornáveis como This Is Spinal TapThe Princess BrideWhen Harry Met Sally e A Few Good Men, deixando uma marca profunda tanto na comédia como no drama.

A notícia da sua morte já tinha causado consternação no meio cinematográfico, mas os novos contornos do caso acrescentam uma dimensão ainda mais perturbadora, levantando questões difíceis sobre saúde mental, dependência e fragilidade familiar — realidades que Hollywood raramente consegue esconder quando irrompem de forma tão violenta.

ler também : Cristiano Ronaldo a Caminho de Velocidade Furiosa? Vin Diesel Lança a Bomba para o Filme Final da Saga

A investigação prossegue, e novas informações deverão surgir nos próximos dias.

Paul Dano: o actor “fraco”? Uma viagem pelos seus melhores filmes.

Porque continua Paul Dano a ser subestimado?

Poucos actores da sua geração provocam reacções tão contraditórias como Paul Dano. Para alguns, é um intérprete de uma intensidade rara, capaz de transformar fragilidade em força dramática. Para outros — Quentin Tarantino incluído — é “weak sauce”, uma presença alegadamente insuficiente para enfrentar pesos pesados do cinema. O problema dessa leitura é simples: ignora quase toda a sua filmografia.

A carreira de Dano é construída a partir de personagens desconfortáveis, vulneráveis, obsessivas ou moralmente ambíguas. Não é um actor de músculos nem de bravatas. É um actor de nervo, de silêncio e de tensão interna. E isso fica particularmente claro quando se olha para os seus melhores papéis em conjunto.

Ler também : Choque em Hollywood: mortes misteriosas num ícone do cinema americano

Aproveitei um ranking do The Guardian com uma pequena alteração no topo — porque There Will Be Blood merece, na minha modesta opinião, o primeiro lugar — eis um olhar aprofundado sobre os filmes que demonstram porque Paul Dano é tudo menos “fraco”, e apesar de ser um grande fã de Tarantino e dos seus filmes, são muitas as opiniões que discordo, sendo que esta discordo em absoluto.

10. The King (2005) — Um ensaio geral para o abismo

Neste thriller desconfortável de James Marsh, Dano interpreta um jovem religioso apanhado no colapso moral da sua família. O filme pode ser irregular e desagradável, mas já aqui se percebe algo que se tornaria marca do actor: a capacidade de dar vida interior a personagens que, no papel, poderiam ser apenas símbolos. Mesmo num filme menor, Dano nunca é decorativo.

9. Swiss Army Man (2016) — Ternura no meio do absurdo

À superfície, parece uma piada prolongada: um náufrago solitário e um cadáver falante usado como ferramenta multiusos. Mas Dano transforma o grotesco em algo inesperadamente humano. Entre gases, solidão e desespero existencial, nasce uma relação comovente. Poucos actores conseguiriam equilibrar este tom sem cair no ridículo.

8. The Fabelmans (2022) — A melancolia silenciosa

No filme mais pessoal de Steven Spielberg, Dano interpreta Burt Fabelman, uma figura paterna contida, emocionalmente deslocada, esmagada pela ambição alheia. É uma prestação feita de olhares engolidos e frases a meio caminho. Num registo oposto ao de The Batman, prova a sua notável versatilidade.

7. Little Miss Sunshine (2006) — Um grito que ficou para a história

Como o adolescente niilista que comunica apenas por escritos, Dano oferece uma das personagens mais memoráveis do cinema independente dos anos 2000. Quando o silêncio finalmente se quebra, o resultado é devastador e hilariante. É um momento de dor pura que poderia facilmente soar artificial — mas não nas mãos dele.

6. For Ellen (2012) — Destruição íntima

Aqui, Dano assume o centro absoluto do filme como um músico falhado que tenta desesperadamente reconectar-se com a filha. É um papel cru, físico e emocional, onde cada gesto parece estudado até ao osso. Um retrato sem romantização de um homem incapaz de crescer.

5. The Batman (2022) — O terror da normalidade

O seu Riddler é talvez a versão mais inquietante da personagem no cinema. Não é extravagante, é patético — e precisamente por isso aterrador. Quando finalmente vemos o rosto por trás da máscara, a tensão dispara. Dano compreende algo essencial: o verdadeiro medo nasce da banalidade.

4. L.I.E. (2001) — Vulnerabilidade em estado bruto

Num dos papéis mais perturbadores da sua juventude, Dano interpreta um adolescente emocionalmente negligenciado que se envolve com um adulto predador. O filme é difícil, mas a prestação é de uma honestidade desarmante. Ainda hoje impressiona pela coragem e ausência de protecção emocional.

3. Ruby Sparks (2012) — Amor, poder e controlo

Vendida como comédia romântica, esta é uma fábula profundamente inquietante sobre criação e dominação. Dano interpreta um escritor que literalmente controla a mulher que ama. O actor equilibra charme, egoísmo e crueldade com precisão cirúrgica, tornando o desconforto inevitável.

2. Love & Mercy (2014) — Genialidade fragmentada

Paul Dano encarna Brian Wilson nos anos de maior criatividade e maior colapso psicológico. A sua interpretação capta a exaltação artística, o medo, a fragilidade e a dor com uma subtileza notável. É um trabalho extraordinário, sem dúvida — mas há um papel que vai ainda mais longe.

1. There Will Be Blood (2007) — O poder da irritação

Promovido à última hora para o papel de Eli Sunday, Dano cria uma das figuras mais memoráveis do cinema americano do século XXI. Frente ao titânico Daniel Plainview de Daniel Day-Lewis, não tenta competir em força — infiltra-se. Eli não é um rival clássico; é um incómodo persistente, um espinho espiritual que Plainview nunca consegue arrancar.

ler também : Cristiano Ronaldo a Caminho de Velocidade Furiosa? Vin Diesel Lança a Bomba para o Filme Final da Saga

É precisamente isso que torna a dinâmica tão fascinante. Dano percebe que a sua personagem não precisa de dominar a cena para a corroer. A acusação de Tarantino falha porque confunde poder com volume. Aqui, Dano prova que a verdadeira ameaça pode ser pequena, irritante e absolutamente impossível de ignorar.

‘Street Fighter’ Ataca em Força: Trailer Revela Elenco de Luxo e Promete Combates Brutais no Cinema

Um clássico dos videojogos regressa em versão live-action

O universo de Street Fighter está oficialmente de volta ao grande ecrã — e desta vez com ambições claras de redenção. Foi revelado o primeiro teaser trailer do novo filme em imagem real durante os Game Awards 2025, trazendo consigo versões em carne e osso de personagens icónicas como Chun-Li, Ryu, Ken e muitos outros lutadores que marcaram gerações de jogadores.

O teaser foi apresentado com pompa e circunstância, com parte do elenco a subir ao palco para introduzir as primeiras imagens do filme, que promete uma abordagem mais fiel ao espírito original da saga criada pela Capcom. Depois de várias adaptações cinematográficas pouco consensuais ao longo das décadas, este novo Street Fighter parece determinado a levar a sério tanto a mitologia como os fãs.

ler também : Cristiano Ronaldo a Caminho de Velocidade Furiosa? Vin Diesel Lança a Bomba para o Filme Final da Saga

Um regresso a 1993 e ao coração do torneio

A história do filme decorre em 1993 e centra-se em Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo), dois lutadores afastados que são forçados a reunir-se quando a misteriosa Chun-Li (Callina Liang) os recruta para um novo World Warrior Tournament. O torneio promete ser um confronto físico e emocional extremo, onde cada combate carrega o peso do passado.

Por detrás da sucessão de lutas e rivalidades, esconde-se uma conspiração mortal que obriga os protagonistas a enfrentar não só inimigos externos, mas também os seus próprios demónios. A ameaça é clara: se falharem, é literalmente “game over”. O tom anunciado mistura artes marciais, drama pessoal e um sentido de fatalismo muito próximo do ADN da série original.

Um elenco improvável… mas curioso

Um dos aspectos mais comentados do projecto é, sem dúvida, o elenco. Para além do trio principal, o filme reúne um conjunto surpreendente de nomes vindos do cinema, da música, do wrestling e das artes marciais. Cody Rhodes interpreta Guile, Orville Peck surge como Vega, 50 Cent dá corpo a Balrog e Jason Momoa assume o papel de Blanka — uma escolha inesperada, mas intrigante.

O elenco inclui ainda Vidyut Jammwal como Dhalsim, Oliver Richters como Zangief, Hirooki Goto como E. Honda, David Dastmalchian como M. Bison e Roman Reigns como Akuma. A lista continua com Andrew Schulz, Eric André, Mel Jarnson, Rayna Vallandingham e até o lutador de MMA Alexander Volkanovski, numa clara aposta num espectáculo físico intenso e variado.

Uma produção com selo oficial da Capcom

O filme é realizado por Kitao Sakurai, com argumento de Dalan Musson, e conta com a Legendary na produção, em parceria directa com a Capcom — um detalhe importante para quem espera maior fidelidade ao material de origem. A distribuição fica a cargo da Paramount Pictures.

ler também: Choque em Hollywood: mortes misteriosas num ícone do cinema americano

Street Fighter tem estreia marcada para 16 de Outubro de 2026 e, pelo que o teaser sugere, esta poderá ser finalmente a adaptação cinematográfica capaz de fazer justiça a uma das mais influentes sagas da história dos videojogos.

Emma Mackey, entre o poder e a fúria contida: a actriz fala de Ella McCay, James L. Brooks e a herança dourada de Hollywood

Um retrato político com alma clássica

Em Ella McCay, o novo filme de James L. Brooks, Emma Mackey assume um dos papéis mais complexos e exigentes da sua carreira. A actriz interpreta Ella, uma jovem vice-governadora de 34 anos que entra em funções sob o olhar desconfiado de todos os que esperam vê-la falhar. O filme acompanha esta mulher num momento de enorme pressão: um cargo político de alto risco, um casamento em colapso, o regresso de um pai ausente e o pano de fundo da chegada da administração Obama à Casa Branca.

ler também : Cristiano Ronaldo a Caminho de Velocidade Furiosa? Vin Diesel Lança a Bomba para o Filme Final da Saga

Desde a primeira cena, em que Ella entra no seu gabinete e se torna imediatamente alvo de escrutínio, o tom está definido. Brooks constrói um filme profundamente humano, onde a política serve menos como espectáculo e mais como campo de batalha emocional. Para Emma Mackey, o processo começou muito antes das filmagens, com longas conversas com o realizador e uma imersão no quotidiano de responsáveis políticos reais, de forma a compreender o ritmo, a pressão e a solidão do serviço público.

A comédia clássica como bússola criativa

James L. Brooks nunca escondeu a sua admiração pela chamada idade de ouro de Hollywood, e Ella McCay assume essa influência com orgulho. Mackey explica que o filme bebe directamente da screwball comedy clássica, não apenas no ritmo dos diálogos, mas na forma como as personagens femininas são retratadas: inteligentes, determinadas, falíveis e profundamente humanas. A escrita foi sempre o ponto de partida, com um cuidado quase obsessivo em respeitar essa herança cinematográfica sem cair na nostalgia vazia.

Essa abordagem reflete-se também nas relações centrais do filme, em particular na ligação de Ella a duas mulheres fundamentais da sua vida: a tia Helen, interpretada por Jamie Lee Curtis, e Estelle, a sua secretária, vivida por Julie Kavner. Ambas funcionam como espelhos emocionais, figuras que reconhecem em Ella traços do seu próprio passado e que oferecem algo raro no mundo político: apoio incondicional. Mackey não esconde a admiração pelas duas actrizes, sublinhando a força vital de Curtis e o carisma quase magnético de Kavner.

Um grito que precisava de acontecer

Um dos momentos mais marcantes de Ella McCay surge perto do final, quando a protagonista, depois de abandonar um casamento tóxico, finalmente liberta toda a raiva e frustração acumuladas num grito partilhado com a tia. Curiosamente, essa cena não estava inicialmente planeada dessa forma. Segundo Mackey, foi uma necessidade que surgiu durante o processo, quase como uma exigência emocional da própria personagem.

O grito funciona como catarse, tanto para Ella como para o público, e resume o percurso de uma mulher que passou o filme inteiro a conter-se para sobreviver num sistema que não lhe perdoa falhas. É um momento cru, primitivo e profundamente libertador, que reforça a dimensão emocional do filme para lá da intriga política.

Entre Ella McCay e Nárnia

O futuro de Emma Mackey passa agora por um contraste curioso. Enquanto Ella McCay a coloca no centro de um drama político realista, a actriz prepara-se para integrar o universo fantástico de Nárnia, sob a direcção de Greta Gerwig. Mackey reconhece as diferenças entre Ella e Jadis, a Feiticeira Branca, mas identifica um ponto comum essencial: ambas ocupam posições de poder.

ler também : Choque em Hollywood: mortes misteriosas num ícone do cinema americano

Trabalhar com cineastas como Brooks e Gerwig, explica, é um privilégio raro. Ambos partilham uma abordagem profundamente honesta ao cinema, lideram pelo exemplo e acreditam que as fissuras — os momentos em que as personagens falham — são onde reside a verdadeira humanidade. Para Emma Mackey, é nesse espaço que o cinema se torna verdadeiramente vivo.

Cristiano Ronaldo a Caminho de Velocidade Furiosa? Vin Diesel Lança a Bomba para o Filme Final da Saga

Um encontro explosivo entre futebol e cinema

Será que Cristiano Ronaldo está prestes a acelerar rumo ao universo de Velocidade Furiosa? A pergunta ganhou força depois de Vin Diesel, protagonista e produtor da saga, ter publicado uma fotografia no Instagram ao lado do futebolista português, acompanhada de uma legenda que deixou pouco espaço para a imaginação. Segundo o actor, não só Ronaldo “faz parte da mitologia Fast”, como já existe um papel escrito especificamente para ele.

ler também: A Casa de Sozinho em Casa Vai Voltar ao Passado — e ao Natal de 1990

A imagem mostra ambos com o polegar levantado, num gesto cúmplice que rapidamente incendiou as redes sociais. Diesel descreveu Ronaldo como “a real one”, uma expressão que, no contexto da saga, equivale quase a uma bênção oficial para entrar na família liderada por Dominic Toretto.

Confirmação oficial ainda em suspenso

Apesar do entusiasmo gerado, nem Vin Diesel nem Cristiano Ronaldo confirmaram oficialmente a participação do jogador no 11.º filme da saga. O Hollywood Reporter tentou obter esclarecimentos junto das equipas de ambos, mas não recebeu qualquer resposta até ao momento da publicação. Ainda assim, o simples facto de Diesel afirmar publicamente que foi escrito um papel para Ronaldo é, por si só, altamente revelador.

A saga Velocidade Furiosa nunca foi alheia a participações-surpresa e cameos improváveis, mas a eventual entrada de uma das maiores figuras do desporto mundial elevaria a fasquia mediática a um novo patamar. Ronaldo, recorde-se, já deu sinais de interesse pelo cinema e pelo entretenimento global, tornando esta hipótese menos descabida do que poderia parecer à primeira vista.

O filme final e o regresso às origens

Vin Diesel aproveitou também para revelar novos detalhes sobre o capítulo final da saga, que tem estreia marcada para Abril de 2027. A data foi acordada com a Universal Pictures mediante três condições impostas pelo actor, todas elas directamente ligadas aos desejos expressos pelos fãs ao longo dos anos.

A primeira passa pelo regresso da história a Los Angeles, o local onde tudo começou. A segunda envolve um reencontro com a cultura automóvel e as corridas de rua, afastando-se do tom quase super-heróico que marcou os capítulos mais recentes. E a terceira — talvez a mais emotiva — é a reunião em ecrã de Dominic Toretto e Brian O’Conner.

Paul Walker e um adeus que ainda ecoa

Paul Walker, que deu vida a Brian O’Conner, morreu a 30 de Novembro de 2013, durante as filmagens de Velocidade Furiosa 7. Na altura, várias cenas ficaram por concluir, obrigando a uma solução técnica complexa que envolveu CGI, artistas de efeitos visuais e os irmãos de Walker, Cody e Caleb, para completar cerca de 350 planos.

A cena final desse filme, em que Dom e Brian se despedem ao volante antes de seguirem caminhos diferentes, tornou-se um dos momentos mais marcantes da história recente do cinema popular. Segundo o supervisor de efeitos visuais Joe Letteri, tudo foi feito para que o público não pensasse no processo técnico, mas apenas na despedida emocional da personagem — e do actor.

ler também : Choque em Hollywood: mortes misteriosas num ícone do cinema americano

A promessa de Vin Diesel de reunir novamente Dom e Brian no último filme levanta questões técnicas e emocionais, mas também sublinha a importância simbólica desse regresso. Tal como a possível entrada de Cristiano Ronaldo, é mais uma prova de que Velocidade Furiosa quer fechar o ciclo em grande, misturando espectáculo, nostalgia e emoção.

‘O Triunfo dos Porcos’: A Nova ‘O Triunfo dos Porcos’ de Andy Serkis Já Tem Distribuição e Trailer Revelado

Uma adaptação animada de luxo para um clássico sempre actual

A nova adaptação animada de O Triunfo dos Porcos (Animal Farm), realizada por Andy Serkis, acaba de dar um passo decisivo rumo às salas de cinema. O filme foi adquirido pela Angel para distribuição teatral nos Estados Unidos e tem estreia marcada para 1 de Maio de 2026, com lançamento em grande escala. A notícia foi acompanhada pela revelação do primeiro trailer oficial, apresentado em exclusivo, e confirma que esta versão do clássico de George Orwell está a ser preparada como um dos grandes acontecimentos da animação dos próximos anos.

O projecto conta com um elenco vocal verdadeiramente impressionante, reunindo nomes como Seth Rogen, Glenn Close, Woody Harrelson, Kieran Culkin, Jim Parsons, Kathleen Turner, Laverne Cox e Iman Vellani, entre muitos outros. A produção esteve a cargo da Aniventure e da Imaginarium Productions, com animação da reputada Cinesite, e teve estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, onde gerou forte expectativa.

Andy Serkis e a urgência de Orwell em 2025

Andy Serkis, que assina aqui não só a realização como também dá voz a duas personagens — Mr. Jones e Randolph, o galo —, assume esta adaptação como uma obra profundamente política e contemporânea. “O Triunfo dos Porcos nunca pareceu tão relevante”, afirmou o cineasta, sublinhando que vivemos numa era moldada por poder, propaganda e desigualdade.

Para Serkis, esta não é apenas mais uma adaptação literária: é um aviso. Um lembrete de que democracia, liberdade e integridade são frágeis e exigem vigilância constante. O realizador espera que o público saia da sala “comovido, pensativo e inspirado a defender os valores que realmente importam”, reforçando o carácter interventivo do filme.

Um elenco que dá voz à sátira política

No elenco vocal, Seth Rogen interpreta o porco Napoleão, Glenn Close dá voz a Freida Pilkington, Woody Harrelson é Boxer e Kieran Culkin assume o papel de Squealer. Gaten Matarazzo surge como Lucky, Laverne Cox interpreta Snowball, Jim Parsons é Carl, Kathleen Turner dá voz a Benjamin e Iman Vellani interpreta os leitões Puff e Tammy.

A diversidade e o peso dramático do elenco reforçam a ambição do projecto, que procura equilibrar fidelidade ao texto original de Orwell com uma abordagem acessível a novos públicos, sem diluir a força da alegoria política.

Angel aposta forte numa animação com consciência

A Angel, empresa sediada no Utah e anteriormente conhecida como Angel Studios, vê neste filme um projecto com enorme impacto cultural. Brandon Purdie, vice-presidente executivo da área teatral e de desenvolvimento de marca, descreve O Triunfo dos Porcos como “um projecto de enorme coração”, elogiando a visão de Serkis e sublinhando que, apesar de protagonizado por animais, o filme funciona como um espelho inquietante do mundo actual.

Adam Nagle, CEO da Aniventure, destacou ainda a importância da parceria com a Angel, sublinhando a capacidade da empresa para ligar histórias relevantes a grandes audiências, garantindo que esta adaptação chegue ao maior número possível de espectadores.

Um clássico reinventado para o grande ecrã

Com argumento de Nicholas Stoller e uma abordagem visual ambiciosa, O Triunfo dos Porcos promete ser mais do que uma simples adaptação animada de um clássico literário. É uma declaração política, uma sátira feroz e uma obra pensada para provocar reflexão num tempo em que as advertências de Orwell soam perigosamente actuais.

Se o trailer é indicativo do tom final, estamos perante um filme que não foge às suas responsabilidades e que pretende usar a animação como veículo de pensamento crítico — algo cada vez mais raro no cinema de grande distribuição.

“Undone”: A Série de Ficção Científica Que a Prime Video Escondeu — e Que Merece Ser Redescoberta Já

No vasto mar de séries lançadas por plataformas de streaming, há títulos que brilham intensamente… mas apenas para quem teve a sorte de os encontrar. Undone, estreada em 2019 na Prime Video, é um desses casos raros: uma obra-prima discreta, experimental, emocionalmente devastadora e, ainda assim, profundamente divertida — e que inexplicavelmente passou ao lado do grande público.

Seis anos depois, vale a pena dizê-lo sem rodeios: Undone é uma das melhores séries de ficção científica do século. E continua a ser um dos segredos mais bem guardados da televisão moderna.

ler também : Ethan Hawke e Sydney Sweeney: um combo perfeito fala de “Christy”, “Euphoria” e do lado perigoso de “perder-se” num papel

Uma viagem no tempo — e ao interior de uma mente em fratura

Criada por Kate Purdy e Raphael Bob-Waksberg (a dupla por trás de BoJack Horseman), Undone segue Alma Winograd-Diaz, interpretada pela extraordinária Rosa Salazar, cuja vida muda radicalmente após um acidente de viação. A partir daí, Alma percebe que consegue deslocar-se livremente no tempo — e decide usar essa capacidade para investigar a misteriosa morte do pai, interpretado por Bob Odenkirk.

Mas ao contrário de muitas narrativas sobre viagens temporais, Undone não está interessada em paradoxos cósmicos, nem em batalhas épicas. O que a série faz é mais íntimo, mais arriscado e muito mais perturbador: mergulha-nos no caos da memória, da identidade, da dor e da culpa.

A ficção científica é apenas a superfície; o que está por baixo é puro drama humano.

Animação rotoscópica que parece um sonho vivo

Visualmente, Undone é uma experiência singular. Filmada com actores reais e posteriormente animada em rotoscopia — uma técnica que confere aos movimentos um realismo fantasmagórico — a série situa-se num espaço entre o real e o impossível.

A comparação mais directa talvez seja Waking Life ou A Scanner Darkly de Richard Linklater. Mas mesmo estas referências não chegam para descrever o efeito de ver Alma cruzar portas que se transformam em memórias, mergulhar em pinturas abertas como portais e atravessar o passado como quem percorre uma casa familiar.

É como assistir a um sonho lúcido — um que nos quer dizer algo urgente.

Uma interpretação monumental de Rosa Salazar

É impossível falar de Undone sem sublinhar a performance de Rosa Salazar, que oferece um equilíbrio improvável entre humor, fragilidade, ironia e desespero absoluto. A série exige-lhe que mantenha os pés no chão enquanto a realidade desmorona ao seu redor — e ela fá-lo com uma autenticidade quase dolorosa.

Bob Odenkirk, por sua vez, dá ao pai de Alma um magnetismo ambíguo: protector? Manipulador? Mentor? Fantasma? Tudo ao mesmo tempo.

O elenco secundário (Daveed Diggs, Jeanne Tripplehorn, Angelique Cabral, John Corbett) completa uma série onde cada personagem importa — porque cada relação é uma peça do puzzle emocional de Alma.

O que torna “Undone” tão especial?

Porque é que esta série, apesar dos elogios, não encontrou o público que merecia? As razões podem ser várias — estética exigente, natureza introspectiva, marketing discreto — mas o essencial mantém-se: Undone continua a ser uma das experiências mais originais alguma vez produzidas pela Prime Video.

É profunda sem ser pretensiosa.

É experimental sem ser inacessível.

É surreal sem perder o coração.

E acima de tudo, é uma história sobre família, perdão e o modo como o tempo — real ou psicológico — molda quem somos.

Dois anos, duas temporadas, uma obra completa

Undone durou apenas duas temporadas. Para alguns, foi cancelada cedo demais; para outros, disse tudo o que tinha a dizer. O certo é que deixou uma marca indelével: uma série pequena no formato, mas gigante na ambição.

E se há 6 anos muitos a ignoraram, hoje já não há desculpa. Está ali, inteira, pronta a ser descoberta — e a mexer connosco.

ler também: O Regresso que Ninguém Estava à Espera: Katniss e Peeta Voltam ao Universo Hunger Games

Porque poucas séries conseguem, como esta, dobrar o tempo e fazer-nos sentir que o passado, afinal, nunca passou

O Regresso que Ninguém Estava à Espera: Katniss e Peeta Voltam ao Universo Hunger Games

Há anúncios que abanam uma fandom inteira — e depois há aqueles que praticamente abalam a internet. A notícia avançada por The Hollywood Reporter e Deadline pertence à segunda categoria: Jennifer Lawrence e Josh Hutcherson estão prestes a regressar ao universo de The Hunger Games. Sim, Katniss Everdeen e Peeta Mellark — os rostos que definiram uma geração de adaptações YA — vão voltar ao grande ecrã.

O novo filme, The Hunger Games: Sunrise on the Reaping, é uma prequela baseada no romance homónimo, e tudo indica que os dois actores reaparecerão numa sequência em flash-forward que faz parte do livro. Não se trata, portanto, de um “regresso completo”, mas sim de uma presença especial que promete deixar os fãs a chorar, a tremer ou simplesmente a berrar para o ecrã — tudo válido dentro da etiqueta emocional da saga.

ler também : Ethan Hawke e Sydney Sweeney: um combo perfeito fala de “Christy”, “Euphoria” e do lado perigoso de “perder-se” num papel

A produtora Lionsgate preferiu manter um silêncio estratégico, mas as fontes das publicações norte-americanas são firmes: Lawrence, hoje com 35 anos, volta a vestir a pele da icónica Rapariga em Chamas; Hutcherson, 33, regressa como o eterno aliado, cúmplice e tormento emocional dos espectadores, Peeta Mellark.

Um reencontro que os actores sempre desejaram

O entusiasmo dos fãs não podia ser maior, mas a verdade é que tanto Lawrence como Hutcherson já tinham deixado a porta escancarada. A actriz, que ganhou fama mundial com o papel de Katniss, confessou há alguns anos que estaria “totalmente disponível” para regressar ao papel que marcou a sua carreira. Josh Hutcherson, por sua vez, afirmou à Variety — com a candura típica de Peeta — que “seria lá num instante”, caso o chamassem.

Ora, chamaram.

Para milhões de espectadores que cresceram com a trilogia original e com Mockingjay – Part 2, este regresso é mais do que uma notícia cinematográfica: é um reencontro com personagens que ficaram, para sempre, coladas ao imaginário colectivo. E basta dar uma vista de olhos às reacções online para perceber a dimensão do impacto: um fã escreveu que isto “é como a Rihanna voltar à música”, enquanto outro foi ainda mais longe, dizendo que é “basicamente Jesus a regressar à Terra”.

Não está fácil competir com este nível de entusiasmo.

Entre a nostalgia e a surpresa (quase) roubada

Se muitos caíram em euforia completa, houve também quem lamentasse que a novidade tenha sido revelada tão cedo. Alguns fãs defendem que este podia ter sido aquele momento cinematográfico guardado a sete chaves, só descoberto na sala de cinema — um choque emocional digno de distritos inteiros em revolução.

Mas o universo Hunger Games sempre foi feito de antecipação, de especulação e de corações acelerados. E a verdade é esta: saber que Katniss e Peeta vão voltar só aumenta a expectativa para um filme que, por si só, já era um dos eventos cinematográficos mais aguardados do próximo ano.

ler este: Disney investe mil milhões na OpenAI e abre as portas a Mickey, Marvel e Star Wars no Sora: Hollywood entra noutra era

Resta agora esperar para ver como será este reencontro — e em que moldes a história da prequela irá ligar-se de forma tão directa às páginas finais da saga original. Uma coisa é certa: poucas franquias conseguem provocar esta onda instantânea de nostalgia, adrenalina e emoção. A chama, pelos vistos, nunca se apagou.

Ethan Hawke e Sydney Sweeney: um combo perfeito fala de “Christy”, “Euphoria” e do lado perigoso de “perder-se” num papel

Há entrevistas de actores que soam a promoção automática e depois há conversas que parecem uma aula aberta de cinema, empaquetada em confidências pessoais. Foi isso que aconteceu quando Sydney Sweeney, 28 anos, e Ethan Hawke, 55, se sentaram frente a frente para falar de Christy, de Blue Moon, de boxe, de teatro, de filhos e da arte de se atirar de cabeça a um papel.

No meio de histórias de bastidores, cabeçadas reais no ringue, crises existenciais e memórias de Dead Poets Society, ficou uma frase que praticamente resume o tom da conversa: “Man, I wish you were my dad”, diz Sweeney a Hawke, já perto do fim. Não é apenas uma graçola – é a forma mais directa de reconhecer aquilo que a entrevista mostra do início ao fim: um actor veterano em modo mentor, e uma das estrelas do momento a absorver tudo.

ler também : Marcello Mastroianni: o homem por detrás do mito chega à RTP2 num documentário imperdível

Uma campeã no ringue e no cinema

Em Christy, Sydney Sweeney interpreta Christy Martin, lenda do boxe feminino e pioneira num mundo dominado por homens. No ecrã, vemos uma campeã invencível no ringue, enquanto fora dele se afunda num casamento-abuso com o marido/treinador. Sweeney não chegou ao projecto por acaso: andava à procura de histórias de combate.

“Cresci a fazer kickboxing, queria algo mais físico”, conta. Quando o argumento sobre Christy lhe chegou às mãos, a meio da leitura já estava em lágrimas. No fim, ligou de imediato ao realizador David Michôd para praticamente implorar o papel: “Disse-lhe: faço qualquer coisa, quero perder-me nisto.”

E perdeu mesmo. Treinou duas vezes por dia, todos os dias, ganhou cerca de 15 quilos de massa, levou socos a sério e acabou com uma concussão de que fala com um orgulho quase perverso. As coreografias de combate foram recriadas a partir das lutas reais de Christy; ela insistiu que as duplas de risco lhe batessem a sério. “Houve narizes a sangrar. Era real”, diz, mais divertida do que arrependida.

Hawke reconhece esse “alto” de desaparecermos dentro de um papel: “Quando é bom, a representação não é sobre ti. É um estado que ando a perseguir há 40 anos.”

Ethan Hawke, pai, mentor e cúmplice cinéfilo

A ligação de Hawke a Christy começou em casa. O actor conta que a primeira vez que viu o filme foi porque a filha de 17 anos, zero impressionada com a carreira do pai, lhe mandou mensagem a perguntar se queria ir ao cinema. “Quero ver o novo filme da Sydney Sweeney”, disse-lhe ela. Ele obedeceu.

Entre hambúrgueres vegetarianos e uppercuts emocionais, saíram da sessão com uma conversa séria sobre abuso, dependência emocional e o labirinto de sair de uma relação tóxica. A filha pediu-lhe para agradecer a Sweeney por ter contado aquela história. É desse lugar de pai que Hawke olha para a colega: com a mistura perfeita de orgulho, respeito e entusiasmo genuíno pelo que ela está a construir.

Ao longo da conversa, Hawke vai alternando entre anedotas de carreira — da vez em que quis ser trompetista de jazz como Chet Baker até ao trauma de ter levado tareia na única luta de boxe em que entrou depois de ver Rocky — e conselhos muito concretos sobre ofício. De como memoriza diálogos (passar tudo à mão, ouvir gravações, atar os atacadores enquanto diz o texto) à forma como, inspirando-se em Paul Newman, tenta ficar com o melhor dos seus personagens e “desligar” os traços que reconhece como sombrios em si próprio.

Christy, Cassie e a arte de não ter plano B

Se Euphoria foi “o início de tudo” para Sweeney, Christy é o papel que, por agora, resume o ponto em que ela está: uma actriz que já provou que sabe ir ao limite e que não tem medo de decisões “malucas” em cena. Com Cassie, diz, teve de aprender a não julgar o que fazia, a atirar-se sem rede, a aceitar que as melhores takes às vezes nascem da improvisação emocional mais arriscada.

Hawke reconhece o método: também Richard Linklater lhe pedia, em Blue Moon, que fizesse uma versão “sem filtro” das cenas, onde dissesse e fizesse tudo aquilo que, noutras circunstâncias, teria vergonha de experimentar. Quase sempre, é daí que vem o ouro.

Sweeney conta ainda que começou a trabalhar aos 12 ou 13 anos e que nunca teve plano B. “Não estou preparada para falhar”, diz. Hawke concorda: quando a vocação aparece tão cedo, mais do que uma escolha, é um facto biográfico. E recorda como percebeu muito cedo que a arte iria salvar a vida da filha Maya Hawke, hoje estrela de Stranger Things e do cinema independente.

De “Dead Poets Society” a “Christy”: personagens que ficam connosco

Há um momento bonito em que Hawke fala do impacto duradouro de certos filmes. Décadas depois de Dead Poets Society, continuam a abordá-lo em cafés para lhe dizer “O Captain! My Captain!”. E é com essa perspectiva de longo prazo que ele diz a Sweeney que, daqui a 10 ou 15 anos, novas gerações lhe vão contar como Christy lhes mudou a forma de olhar para o abuso, o desespero e a resistência.

A conversa também entra em territórios mais dolorosos, como a relação de Christy com a mãe — uma cena que Sweeney descreve como uma das mais difíceis de rodar, por não conseguir compreender um pai ou mãe incapaz de proteger o próprio filho. Hawke pega nesse tema para falar dos pais que projectam nos filhos uma imagem de espelho, em vez de os verem como pessoas autónomas. É aqui que se nota, mais do que nunca, o lado “pai em serviço” de Ethan.

No fim, quando ele a encoraja a experimentar teatro e lhe diz que o nervosismo é só falta de prática, Sweeney solta a frase que já corre as redes sociais: “Man, I wish you were my dad.” Ele ri-se, mas a verdade é que, ao longo da entrevista, funcionou exactamente como tal: a tranquilizá-la, a validar o que ela faz, a lembrá-la de que a vulnerabilidade é uma força e que o mundo responde quando um actor tem coragem de se atirar ao abismo.

ler também . Billie Eilish chega ao grande ecrã em 3D: trailer e primeiras imagens de Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D) já disponíveis

Para o resto de nós, que só podemos assistir de fora, fica a sensação de termos espreitado um daqueles raros momentos em que a promoção se transforma em partilha verdadeira sobre aquilo que nos faz amar o cinema: histórias que nos lembram quem somos, quem podíamos ser — e como, às vezes, é preciso levar um murro bem dado para acordar.

Disney investe mil milhões na OpenAI e abre as portas a Mickey, Marvel e Star Wars no Sora: Hollywood entra noutra era

A relação entre Hollywood e a inteligência artificial sempre foi um casamento difícil: muita desconfiança, muita negociação, muitas linhas vermelhas. Mas esta quinta-feira, a Disney decidiu atravessar o espelho e assumir, sem reservas, que o futuro passa mesmo por aqui. A companhia anunciou um investimento de mil milhões de dólares na OpenAI e um acordo de licenciamento que permite ao Sora — a ferramenta de criação de vídeo da empresa — utilizar personagens das suas maiores franquias, como Star Wars, Pixar e Marvel.

ler também : Marcello Mastroianni: o homem por detrás do mito chega à RTP2 num documentário imperdível

É um gesto que não apenas altera as regras do jogo: estabelece um novo tabuleiro.

Trata-se de uma parceria para três anos que, se correr como ambas as partes esperam, poderá redefinir a forma como os estúdios criam conteúdos e como o público interage com as suas marcas favoritas. O acordo surge numa altura em que Hollywood ainda digere as polémicas recentes sobre IA e direitos de imagem, mas Disney e OpenAI avançam com o objectivo declarado de “trabalhar de forma responsável”, deixando de fora qualquer uso de semelhanças vocais ou físicas de actores reais.

A partir do início de 2025, o Sora e o ChatGPT Images poderão gerar vídeos com figuras icónicas como Mickey Mouse, Cinderella, Mufasa, Buzz Lightyear, Spider-Man ou Darth Vader — embora sempre com sistemas de segurança que impeçam representações indevidas ou conotações abusivas. É o tipo de controlo que a Disney exige e que a OpenAI, ao que tudo indica, aceitou desde o início das conversações.

Uma conversa que começou anos antes

Segundo fontes próximas do processo, Bob Iger e Sam Altman vinham a discutir esta colaboração há anos, muito antes das ferramentas de IA generativa se tornarem omnipresentes no quotidiano digital. A Disney recebeu versões preliminares do Sora e percebeu rapidamente que havia um potencial criativo difícil de ignorar — especialmente para um estúdio que vive de personagens, mundos e narrativas visuais.

Durante uma chamada com investidores em Novembro, Iger já tinha deixado escapar parte da estratégia: abrir espaço para que assinantes da Disney+ criem os seus próprios conteúdos curtos utilizando ferramentas de IA. Agora, tudo ganha forma concreta. Os vídeos criados pelos utilizadores poderão, inclusive, ser disponibilizados na própria plataforma, tornando o streaming num ecossistema mais interactivo e dinâmico.

Além disso, a Disney terá direito a warrants para adquirir participação adicional na OpenAI, reforçando a natureza estratégica — e não apenas operacional — da parceria.

A revolução interna e os receios externos

O acordo prevê ainda que a Disney adopte o ChatGPT nas suas equipas internas e utilize modelos da OpenAI para apoio em processos de produção, procurando optimizar etapas e tornar certas áreas mais eficientes. Numa indústria marcada por orçamentos gigantes e calendários apertados, esta integração pode significar uma reorganização profunda de fluxos de trabalho.

Mas, naturalmente, há nuvens no horizonte. Agências e sindicatos já tinham manifestado receios sobre o impacto destas tecnologias, especialmente depois de empresas como a Midjourney terem sido alvo de acções legais por uso indevido de personagens protegidas por direitos de autor. Recorde-se que Disney e Universal processaram a empresa em Junho por precisamente esse motivo.

Ross Benes, analista da Emarketer, não vê forma de travar este movimento: “Um gigante do entretenimento a juntar-se a uma empresa de IA vai inevitavelmente gerar reacções negativas, mas os sindicatos têm pouca margem para travar a maré.”

Há também um conflito latente entre estúdios e gigantes tecnológicos: no próprio dia do anúncio, a Disney enviou uma carta de cessar e desistir à Google, alegando infração de direitos por parte de sistemas de geração de imagem.

O futuro do conteúdo já começou

No meio das tensões e euforias, há um facto inegável: nunca um estúdio deste calibre tinha licenciado oficialmente personagens para uma IA generativa. E isso abre portas a um novo território onde criatividade, tecnologia e negócios se cruzam de forma irreversível.

Para os espectadores, poderá significar experiências personalizadas com figuras que moldaram a infância de várias gerações. Para os criadores, um desafio sem precedentes: reinventar-se num mundo onde ferramentas poderosas multiplicam possibilidades… e também responsabilidades.

ler também. Billie Eilish chega ao grande ecrã em 3D: trailer e primeiras imagens de Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D) já disponíveis

Disney e OpenAI prometem fazê-lo “com respeito pelos criadores”. Hollywood, entretanto, observa — hesitante, curiosa e, acima de tudo, consciente de que este é o momento em que o futuro começa a ganhar forma concreta.

“A F*ckuldade”: sexo, ambição e poder num thriller psicológico que expõe as sombras da academia

O TVCine prepara-se para estrear uma das minisséries europeias mais desconfortavelmente pertinentes dos últimos anos. A Fckuldade*, produção holandesa inspirada no impacto do movimento #MeToo no meio académico, chega à televisão portuguesa no dia 15 de dezembro, às 22h10, no TVCine Edition e TVCine+.  

Trata-se de uma série intensa, carregada de dilemas éticos, memórias reprimidas e um jogo de poder onde ninguém sai ileso. A narrativa acompanha Anouk Boone, interpretada por Julia Akkermans, uma jovem advogada em ascensão que se encontra à beira do momento decisivo da carreira: tornar-se a sócia mais jovem do seu prestigiado escritório. Mas aquilo que parecia um futuro promissor começa a ruir quando o passado que julgava enterrado regressa com força avassaladora.

ler também : Billie Eilish chega ao grande ecrã em 3D: trailer e primeiras imagens de Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D) já disponíveis

O detonador deste processo é o professor Patrick Hartman, antigo orientador de tese de Anouk e figura carismática da Faculdade de Direito onde estudou. Quando Hartman é acusado de conduta imprópria por várias mulheres, no auge da onda #MeToo, a protagonista sente o chão desaparecer. O caso ressoa de forma perigosa na sua própria vida, já que também ela manteve uma relação íntima com o professor durante a época universitária — uma relação que, na altura, encarou como o preço necessário para conquistar espaço num mundo dominado por homens. Agora, percebe que talvez sempre tenha sido algo mais sombrio.

Com o surgimento de novas denúncias, aquilo que Anouk considerava um episódio isolado revela-se parte de um padrão alargado de abuso de poder. A situação complica-se ainda mais quando um jornalista decide investigar os casos de assédio na faculdade. A jovem advogada torna-se, então, simultaneamente testemunha, cúmplice involuntária e potencial vítima de uma verdade que tentou ignorar. O conflito moral torna-se inevitável: poderá continuar a silenciar a sua própria história? E, acima de tudo, está preparada para enfrentar aquilo que realmente aconteceu?

Realizada por Simone van Dusseldorp, A Fckuldade* mergulha nas dinâmicas tóxicas que habitam instituições aparentemente inatacáveis: universidades que se querem progressistas mas escondem hierarquias rígidas; professores brilhantes que usam o estatuto para manipular; estudantes que confundem protecção com dependência; e sistemas legais que, por vezes, erguem barreiras invisíveis entre justiça e reputação.

A série funciona tanto como drama psicológico quanto como comentário social. Convida o espectador a interrogar-se sobre as zonas cinzentas das relações de poder, sobre a forma como a ambição pode distorcer decisões e como o silêncio, mesmo quando explicado pela sobrevivência, pode alimentar ciclos de abuso. É uma obra especialmente relevante num tempo em que o #MeToo continua a revelar as fissuras éticas de múltiplos sectores profissionais.

A Fckuldade* propõe uma narrativa que não procura respostas fáceis. Prefere explorar o desconforto, a ambiguidade e a culpa — elementos que raramente surgem de forma tão frontal em televisão. E, ao fazê-lo, oferece-nos um retrato brutalmente honesto de uma mulher obrigada a revisitar a história que passou a vida a tentar descrever de modo menos doloroso.

ler também : Nicolas Cage regressa a casa pelo Natal — com um filme de terror sobre Jesus que promete tornar-se culto instantâneo

Com estreia marcada para 15 de dezembro, às 22h10, e exibição nas segundas-feiras seguintes, esta é, sem dúvida, uma das séries mais desafiantes e pertinentes do final do ano — uma reflexão sobre o poder e as suas fronteiras, sobre o preço do silêncio e sobre o difícil processo de recuperar a verdade quando esta ameaça destruir tudo o que foi construído.