Nem Todos Aplaudiram: Teaser de The Mandalorian and Grogu no Super Bowl Está a Dividir os Fãs de Star Wars

Paródia, nostalgia e frustração: o anúncio milionário da Disney que deixou muitos a pedir mais (e melhor)

O Super Bowl é, há muito, um palco privilegiado para grandes revelações cinematográficas. Mas nem sempre mais visibilidade significa mais entusiasmo. O teaser de The Mandalorian and Grogu, exibido durante o Super Bowl, acabou por gerar uma reacção surpreendentemente polarizada entre os fãs de Star Wars — e não propriamente pelas melhores razões.

Com vários estúdios de peso, incluindo a Marvel, a optarem por ficar de fora do evento este ano, muitos espectadores aguardavam que a Disney aproveitasse o momento para mostrar finalmente algo mais substancial do muito aguardado regresso de Din Djarin e Grogu, agora em formato de longa-metragem. Em vez disso, receberam um anúncio de 30 segundos que mais parecia… um anúncio.

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Um anúncio caro com espírito de paródia

O spot, que terá custado cerca de 10 milhões de dólares para ser exibido, mostra Din Djarin e o inevitável Grogu a atravessarem uma paisagem gelada — assumidamente inspirada em Hoth — numa carruagem puxada por Tauntauns. Até aqui, tudo bem. O problema, para muitos fãs, surgiu com o tom: o anúncio imita descaradamente os clássicos reclames da Budweiser com cavalos Clydesdale, incluindo uma narração solene ao estilo de Sam Elliott.

O resultado? Uma peça publicitária divertida, bem produzida e cheia de referências… mas que deixou uma parte significativa do fandom frustrada. Nas redes sociais, multiplicaram-se as reacções divididas. Uns elogiaram a ousadia e o humor, outros acusaram a Disney de desperdiçar uma oportunidade de ouro para convencer o público de que este projecto é um verdadeiro “evento cinematográfico” — e não apenas The Mandalorian em versão longa.

Expectativas criadas… e não cumpridas

A crítica mais recorrente prende-se com o facto de o teaser não mostrar praticamente nada de novo sobre a história, o tom ou a escala do filme. O Super Bowl habituou os espectadores a trailers robustos e reveladores — basta lembrar o impacto de Deadpool & Wolverine noutras edições. Quando se prometem “novas imagens”, a expectativa raramente é a de um sketch estilizado e inconsequente.

Para muitos fãs, o anúncio reforça um receio já existente: o de que The Mandalorian and Grogu seja percebido como uma quarta temporada disfarçada da série, em vez de um verdadeiro salto cinematográfico dentro do universo Star Wars. A opção por efeitos práticos e um visual mais contido, que alguns classificaram como “qualidade televisiva”, também não ajudou a dissipar essas dúvidas.

Um calendário apertado e marketing tímido

O filme tem estreia marcada para 22 de Maio de 2026 — ou seja, pouco mais de três meses após o Super Bowl. Para um projecto desta dimensão, o esforço promocional tem sido surpreendentemente discreto. Tirando um trailer inicial pouco entusiasmante, a campanha de marketing tem deixado muito por explicar, sobretudo junto do público menos fiel à série.

O Super Bowl parecia o momento ideal para mudar essa narrativa, afirmar claramente que este é um Star Wars pensado para o grande ecrã e elevar as expectativas. Em vez disso, o teaser acabou por reforçar a sensação de ambiguidade em torno do projecto.

Sucesso garantido… mas e depois?

Apesar de toda a polémica, é difícil imaginar que o filme não seja um sucesso de bilheteira no arranque. A marca Star Wars, a popularidade de Grogu e o carisma de Pedro Pascal continuam a ser trunfos fortíssimos. A verdadeira questão está no pós-estreia: será que o entusiasmo se mantém? Ou as reacções mornas ao marketing vão influenciar o boca-a-boca?

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Por agora, The Mandalorian and Grogu continua envolto numa nuvem de curiosidade, expectativa… e alguma desconfiança. E, num universo onde a Força vive do equilíbrio, talvez esta divisão entre fãs seja apenas o primeiro grande teste do filme.

Sam Raimi Cumpre Promessa e Dá Finalmente a Rachel McAdams o Papel Que Hollywood Lhe Devia

Depois de Doctor Strange, o realizador regressa à actriz com um papel sombrio e surpreendente em Send Help

Há promessas que Hollywood faz em silêncio — e que, felizmente, acabam por ser cumpridas. Sam Raimi revelou que ficou com a sensação clara de que Rachel McAdams foi subaproveitada em Doctor Strange in the Multiverse of Madness, e que saiu dessa experiência com uma ideia fixa: voltar a trabalhar com a actriz… mas agora a sério.

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Em declarações recentes à Total Film, Raimi não deixou margem para dúvidas. McAdams, que interpretou novamente a Dra. Christine Palmer no Universo Cinematográfico da Marvel, merecia muito mais espaço dramático. “Vi o quão talentosa ela é e senti que foi, de facto, subutilizada”, confessou o realizador. “Prometi a mim próprio que iria trabalhar com ela outra vez.”

Essa promessa materializou-se em Send Help, um thriller de sobrevivência que, apesar de partir de uma premissa aparentemente simples, se transforma num exercício cruel de tensão psicológica — e numa inesperada desconstrução da imagem pública de McAdams.

De figura calorosa a ameaça imprevisível

Em Send Help, Rachel McAdams interpreta Linda, uma executiva que sobrevive a um acidente de avião juntamente com o seu chefe Bradley, vivido por Dylan O’Brien. Isolados numa ilha deserta, os dois são obrigados a cooperar para sobreviver… mas rapidamente as tensões acumuladas do passado profissional emergem com violência.

O grande trunfo do filme está precisamente na transformação da personagem de McAdams. Conhecida por papéis empáticos e emocionalmente acessíveis, a actriz é aqui empurrada para um território mais sombrio. Raimi sublinha que essa inversão foi totalmente intencional: o público entra no filme a confiar nela — e isso torna a viragem ainda mais perturbadora.

Segundo o realizador, a ideia de escalar McAdams como potencial vilã partiu também da produtora Zainab Azizi, que destacou o facto de a actriz nunca ter explorado verdadeiramente esse lado mais cruel. O resultado, garante Raimi, é uma surpresa constante para o espectador.

Um thriller que recusa caminhos óbvios

Raimi descreve Send Help como um filme que não quer saber “quem fez o quê”, mas sim “o que vem a seguir”. Não há estrutura clássica de mistério nem conforto narrativo. O realizador aposta numa sucessão de viragens inesperadas, onde cada decisão parece levar o filme para um lugar que o público não antecipa.

Essa abordagem encaixa perfeitamente no ADN de Raimi, conhecido por brincar com expectativas desde The Evil Deadaté aos seus thrillers mais recentes. Aqui, a tensão nasce não apenas da sobrevivência física, mas da erosão moral das personagens — e da percepção de que ninguém é exactamente aquilo que parecia ser no início.

Um reencontro que já está a dar frutos

Send Help encontra-se actualmente em exibição nos cinemas e está no bom caminho para alcançar o primeiro lugar do box office norte-americano no seu segundo fim-de-semana, mesmo competindo com a atenção mediática do Super Bowl. Um sinal claro de que a aposta de Raimi não foi apenas artística, mas também estratégica.

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Para Rachel McAdams, este papel pode marcar um ponto de viragem na sua carreira recente. Para Sam Raimi, é a confirmação de que, às vezes, cumprir uma promessa pessoal pode resultar num dos filmes mais inquietantes do ano.

A Música Não Era Para Aqui: Paul Thomas Anderson e Jonny Greenwood Exigem Remoção de Tema de Phantom Thread do Documentário Melania

Utilização não autorizada da banda sonora gera polémica e levanta questões sobre direitos criativos em Hollywood

Nem todo o silêncio é elegante — e, neste caso, a música também não estava no sítio certo. Paul Thomas Anderson e Jonny Greenwood pediram formalmente a remoção de um excerto da banda sonora de Phantom Thread do controverso documentário Melania, alegando uma violação directa do acordo contratual do compositor.

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A revelação foi feita através de um comunicado conjunto, obtido pela Variety, depois de ter sido detectada a utilização de música do filme de 2017 no documentário realizado por Brett Ratner, centrado na figura da antiga Primeira-Dama dos Estados Unidos. Greenwood foi claro: apesar de não deter os direitos de autor da partitura — pertencentes à Universal —, o estúdio falhou ao não o consultar para esta utilização por terceiros, algo que constitui uma quebra explícita do seu contrato como compositor.

Phantom Thread: uma identidade sonora demasiado específica para ser reciclada

A decisão não surpreende quem conhece a relação quase simbiótica entre Anderson e Greenwood. Em Phantom Thread, a música não é mero acompanhamento: é nervo, tensão, desejo e ameaça contida. A partitura, marcada por cordas inquietas e uma elegância venenosa, foi amplamente elogiada pela crítica, incluindo Owen Gleiberman, da Variety, que destacou a sua atmosfera “rapturária, carregada de ansiedade”, evocando o suspense hitchcockiano dos anos 50.

Transportar essa identidade sonora para um documentário político — ainda por cima sem consentimento criativo — não é apenas uma questão legal, mas também artística. Para Anderson e Greenwood, a música foi retirada do seu contexto narrativo e emocional, perdendo significado e integridade.

Um documentário caro, polémico… e financeiramente difícil de justificar

O caso ganha ainda mais peso quando se olha para os números em redor de Melania. O documentário arrecadou cerca de 13,35 milhões de dólares nas bilheteiras norte-americanas após duas semanas — um valor respeitável para o género, mas claramente insuficiente face ao investimento colossal da Amazon MGM Studios.

Segundo dados revelados pela imprensa especializada, o estúdio terá pago cerca de 40 milhões de dólares pelos direitos do filme e de uma série documental associada, somando depois mais 35 milhões em marketing para a estreia em sala. Um gasto praticamente sem precedentes no universo dos documentários, levantando suspeitas na indústria sobre possíveis motivações políticas por detrás da operação.

Jonny Greenwood: mais compositor de cinema do que rockstar

Nos últimos 25 anos, Jonny Greenwood tem sido mais prolífico no cinema do que nos palcos com os Radiohead. Para além de Phantom Thread, assinou ou colaborou em bandas sonoras de filmes como There Will Be BloodInherent ViceLiquorice Pizza e One Battle After Another, consolidando-se como um dos compositores mais singulares do cinema contemporâneo.

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Este episódio reforça uma ideia essencial: a música no cinema não é decorativa. É autoria. É narrativa. E não pode ser usada como papel de parede sonora sem o consentimento de quem a criou.

Park City Perde Sundance e a Fatura é Pesada: Menos 180 Milhões de Euros na Economia Local

A despedida do Sundance Film Festival deixa um vazio económico — e cultural — no Utah

Depois de mais de 40 anos a transformar Park City, no Utah, num dos epicentros mundiais do cinema independente, o Sundance Film Festival despediu-se definitivamente da cidade. A partir de 2027, o festival muda-se para Boulder, no Colorado, deixando para trás não apenas memórias cinéfilas, mas também um impacto económico difícil de ignorar: cerca de 196 milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 180 milhões de euros, que deixaram de entrar anualmente na economia local.

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Em 2025, a última edição completa em Park City atraiu 85.472 visitantes, um crescimento de 17% face ao ano anterior. Durante cerca de dez dias, hotéis, restaurantes, bares, transportes e comércio local funcionavam em modo de sobrecarga máxima. A partir de agora, esse fluxo económico seguirá para outro destino.

Uma decisão polémica… mas não inesperada

A decisão de abandonar Park City foi tomada após um processo competitivo de candidaturas, no qual uma proposta conjunta entre Park City e Salt Lake City chegou à fase final, juntamente com Cincinnati. Ainda assim, o festival acabou por escolher Boulder, decisão que caiu como um choque para muitos residentes.

Apesar disso, o presidente da câmara de Park City, Ryan Dickey, tenta desdramatizar o impacto imediato.

“Não diria que isto é esmagador. Fizemos tudo para manter o festival, mas também conhecemos bem os desafios que o Sundance enfrentava aqui”, afirmou ao SFGATE.

Mesmo que o festival tivesse permanecido no Utah, o plano do estado previa deslocar o centro de gravidade para Salt Lake City, mantendo Park City apenas como pólo secundário para eventos especiais.

Incentivos: Utah perdeu para o Colorado

O Utah apresentou uma proposta robusta: mais de 11 milhões de euros por ano em incentivos financeiros e apoios em espécie, acrescidos de cerca de 9 milhões de euros em donativos privados. No entanto, parte significativa desses apoios dependia de candidaturas a fundos e processos burocráticos.

O Colorado foi mais directo e agressivo: um pacote de cerca de 63 milhões de euros em incentivos ao longo de 10 anos, incluindo créditos fiscais, transportes gratuitos, passes para bicicletas eléctricas, estacionamento, segurança pública e apoio municipal garantido. Para Boulder, o dinheiro foi apenas parte do argumento.

Segundo Cris Jones, director de parcerias estratégicas da cidade, o Sundance “já tinha ultrapassado há muito a escala física de Park City”.

Trânsito, alojamento e frustração local

Para muitos residentes, o festival sempre foi uma relação de amor-ódio. Durante quatro ou cinco dias, a pequena cidade de montanha entrava em colapso total de trânsito, com SUVs pretos, estrelas de cinema e equipas de imprensa a dominar as ruas.

Além disso, 88% da força laboral de Park City vive fora da cidade, o que agravava ainda mais os constrangimentos diários. O alojamento era outro problema crónico: preços médios de cerca de 630 euros por noite, levando muitos participantes a dividir quartos, dormir em sofás ou até no chão.

“Se pensarmos nos jovens cineastas que frequentam festivais, muitos simplesmente não conseguiam pagar para ficar em Park City”, reconheceu Dickey.

Park City continua a ser… uma estância de ski

Apesar da associação mediática ao Sundance, a verdadeira espinha dorsal económica da região continua a ser o ski. Na temporada 2024-2025, a indústria do ski gerou cerca de 2,3 mil milhões de euros no Utah, sendo 1,2 mil milhões apenas no condado de Summit, onde se localiza Park City.

As grandes operadoras — Vail Resorts e Alterra Mountain Company — continuam a investir fortemente, com novas pistas, infra-estruturas e teleféricos. A esperança da autarquia é que dois fins-de-semana extra de ski possam compensar parte da ausência do festival.

Ainda assim, as contas não fecham totalmente: 10 dias fortes de ski geram cerca de 80 milhões de euros, bem abaixo do impacto anual do Sundance.

Restaurantes cheios… mas sem pânico

Negócios locais como o bar O’Shucks White House confirmam que o festival representa os 10 dias mais lucrativos do ano, com aumentos de faturação entre 200% e 400%. Ainda assim, o gerente Manny Luna acredita que o impacto será amortecido com mais visitantes locais e esquiadores.

“O que assusta mesmo é não haver neve. Se não houver neve, não vem ninguém — isso sim é preocupante.”

Um vazio cultural difícil de substituir

Mais difícil de quantificar é o impacto cultural. O histórico Egyptian Theatre, berço original do Sundance, tornou-se um símbolo do festival. Recebeu figuras como Robert Redford, Bill Gates e até Bill e Hillary Clinton, tudo no pequeno átrio de um teatro de montanha.

Apesar da saída do festival, o proprietário garante que não haverá despedimentos e aponta vantagens para os residentes, como preços mais acessíveis e menos filas.

“É como ver um amigo partir”

Para os cinéfilos de longa data, nada substitui o Sundance. Sean Baker, voluntário durante 20 anos e espectador de mais de 850 filmes no festival, resume o sentimento:

“É incrível ver realizadores começarem aqui e tornarem-se gigantes do cinema. Ver o festival sair de Park City é, honestamente, de partir o coração.”

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Baker irá seguir o Sundance até Boulder, mas admite: não será a mesma coisa.

Estes São Mesmo os 8 Melhores Filmes do Sundance 2026 Segundo a Rotten Tomatoes

Do horror corporal à comédia romântica reconfortante, um festival em grande forma

Sundance Film Festival 2026 despediu-se de Park City, no Utah, com emoção à flor da pele. Houve homenagens sentidas — como o tributo a Robert Redford, fundador do festival —, gargalhadas nostálgicas na sessão de aniversário de Little Miss Sunshine e, acima de tudo, cinema de alto nível. Muito cinema.

Apesar da incerteza sobre o futuro do festival na nova localização em Boulder, no Colorado, a edição de 2026 confirmou algo essencial: o Sundance continua a ser um dos grandes termómetros do cinema independente mundial. E segundo a Rotten Tomatoes, estes foram os oito melhores filmes exibidos no festival — uma selecção que atravessa géneros, tons e sensibilidades, mas que partilha um denominador comum: qualidade acima da média.

🎬 Os 8 filmes que marcaram o Sundance 2026

Ha-Chan, Shake Your Booty! (2026)

Uma comédia dramática vibrante sobre Haru, uma bailarina a recuperar de uma tragédia pessoal que encontra um novo impulso artístico — e emocional — graças a uma paixão inesperada. Com Rinko Kikuchi em grande forma e Alberto Guerra como instrutor carismático, o filme conquistou público e crítica pelo seu visual exuberante e pelo tom entre o delírio e a melancolia.

Josephine (2026)

Vencedor do Prémio do Público e do Grande Prémio do JúriJosephine foi um dos títulos mais comentados do festival. A história acompanha uma criança que testemunha uma agressão sexual, filmada de forma a colocar o espectador dentro da mente traumatizada da protagonista. A interpretação de Mason Reeves foi amplamente elogiada, tal como o trabalho de Channing Tatum e Gemma Chan.

Mum, I’m Alien Pregnant (2026)

O título chama a atenção — e o filme corresponde. Esta comédia de horror corporal mistura gravidez alienígena, tentáculos e muito humor grotesco, num híbrido improvável entre mumblecore e gross-out horror. Estranho, encantador e surpreendentemente eficaz, tornou-se rapidamente um favorito cult do festival.

The Incomer (2026)

Uma comédia negra sobre isolamento distópico e choque cultural. Dois irmãos vivem numa ilha remota segundo regras rígidas deixadas pelo pai falecido, até à chegada de um funcionário público socialmente desajustado. O resultado é uma sátira deliciosa sobre integração social, identidade e crescimento pessoal, com gargalhadas desconfortáveis pelo meio.

The Invite (2026)

Uma das grandes sensações do Sundance. Realizado e protagonizado por Olivia Wilde, este dramedy farsesco acompanha um casal em crise forçado a engolir os seus problemas quando recebe vizinhos ainda mais caóticos para jantar. O guião de Will McCormack e Rashida Jones foi amplamente elogiado e o filme desencadeou uma guerra de licitações entre estúdios.

The Moment (2026)

O mockumentary de Charli XCX foi o bilhete mais disputado do festival. Inspirado em This Is Spinal Tap, o filme satiriza a indústria da música, a mercantilização da arte e a construção de marcas pessoais. Dividiu opiniões, mas conquistou críticos que elogiaram o humor afiado e a leitura certeira do conflito entre arte e comércio.

The Weight (2026)

Um drama histórico intenso protagonizado por Ethan Hawke. Ambientado durante a Grande Depressão, o filme segue um homem enviado para um campo de trabalho forçado e confrontado com uma proposta moralmente devastadora: contrabandear ouro para conquistar a liberdade. Um filme duro, exigente e amplamente elogiado pela interpretação física e emocional de Hawke.

Carousel (2026)

O título mais “confortável” da lista, mas não menos digno. Esta comédia romântica delicada acompanha um médico divorciado que reencontra um amor do passado. Com Chris Pine e Jenny Slate, Carousel conquistou críticos pela sua sensibilidade, paciência narrativa e charme clássico, evocando romances cinematográficos de outra era.

Sundance continua a ditar tendências

A selecção da Rotten Tomatoes confirma que o Sundance 2026 foi tudo menos tímido: houve risco, diversidade e propostas que vão do desconforto absoluto ao puro aconchego emocional. Se este é o prenúncio do cinema que aí vem, então o futuro continua — felizmente — muito independente.

Muito Barulho Mediático, Poucos Bilhetes Vendidos: Melania  Falha Estreia no Reino Unido

O documentário sobre a primeira-dama americana passa quase despercebido nas salas britânicas

Apesar de toda a polémica, curiosidade mediática e ruído político que antecederam a sua estreia, Melania revelou-se um verdadeiro fiasco comercial no Reino Unido. O documentário centrado na primeira-dama dos Estados Unidos arrecadou apenas cerca de 38.600 euros no seu primeiro fim-de-semana em cartaz, valor que o colocou num discreto 29.º lugar do box office britânico — muito longe de qualquer impacto relevante junto do público.

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Exibido em 155 salas, o filme registou uma média de apenas cerca de 249 euros por cinema, um número que ajuda a explicar o cenário descrito por vários jornalistas: sessões quase vazias e, nalguns casos, totalmente desertas.

Um investimento milionário… com retorno mínimo

O desempenho fraco torna-se ainda mais embaraçoso quando comparado com o investimento envolvido. A Amazon terá desembolsado aproximadamente 33,9 milhões de euros apenas para adquirir os direitos de distribuição e assegurar a promoção do documentário. O custo total do projecto — produção incluída — é estimado em cerca de 69 milhões de euros.

Um contraste brutal com a realidade das salas britânicas, onde Melania mal conseguiu justificar a sua presença em cartaz.

Sessões vazias… e jornalistas em maioria

Antes da estreia, os sinais já eram preocupantes. Tim Richards, director executivo da cadeia de cinemas Vue, descreveu as vendas antecipadas como “fracas”. No dia de estreia, essa previsão confirmou-se: várias sessões decorreram com menos de meia dúzia de espectadores.

Em Londres, uma projecção no Vue Westfield Stratford contou com apenas cinco pessoas na sala — duas das quais jornalistas. Algumas exibições, como no Vue Islington, estiveram mais compostas, mas quase exclusivamente por membros da imprensa, depois de a Amazon ter decidido não realizar sessões de antevisão.

Enquanto 

Melania

 cai, outros filmes sobem

O contraste com outros títulos em exibição é particularmente revelador. No topo do box office britânico da semana surge Hamnet, realizado por Chloé Zhao, que liderou com cerca de 1,64 milhões de euros no fim-de-semana, elevando o seu total acumulado para aproximadamente 17,3 milhões de euros.

Outro caso que sublinha o embaraço de Melania é Iron Lung, um filme de terror independente financiado pelo YouTuber Mark Fischbach (Markiplier). Produzido com um orçamento modesto de cerca de 2,8 milhões de euros, o filme já arrecadou mais de 19 milhões de euros a nível global. No Reino Unido, alcançou o 4.º lugar, com receitas na ordem dos 1,11 milhões de euros, superando inclusivamente Shelter, protagonizado por Jason Statham.

Crítica demolidora, apoio ideológico

A recepção crítica a Melania tem sido amplamente negativa, com avaliações a rondar os 10% de aprovação da críticaem plataformas especializadas. Curiosamente, o público apresenta uma taxa de aprovação próxima dos 99%, algo interpretado por muitos analistas como um gesto político de apoio a Donald Trump, mais do que uma apreciação cinematográfica genuína.

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Numa crítica particularmente dura, o jornalista Nick Hilton descreveu o filme como “algo entre reality show encenado e ficção deliberada”, afirmando que Melania “não é, na verdade, um documentário”.

Muito ruído, pouco cinema

No final de contas, Melania confirma um fenómeno cada vez mais comum: a polémica gera cliques, mas não garante espectadores. No Reino Unido, o filme fez muito barulho fora das salas — mas dentro delas, o silêncio foi quase total.

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Um cartaz provocador, um telefonema inesperado e uma decisão polémica

Um pequeno cinema independente na área de Portland está no centro de uma nova controvérsia que cruza cinema, política e liberdade de programação. O Lake Theater & Cafe, uma sala conhecida pelo seu tom irreverente e provocador, revelou ter sido impedido pela Amazon MGM Studios de continuar a exibir o documentário Melania, centrado na actual primeira-dama dos Estados Unidos. A decisão terá sido comunicada por telefone no início da semana e, segundo o cinema, prende-se não com o filme em si, mas com a forma como foi promovido.

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O documentário acompanha Melania Trump durante os 20 dias que antecederam a tomada de posse presidencial de Donald Trump e chegou às salas norte-americanas a 30 de Janeiro, com uma estreia comercial que rondou os sete milhões de dólares no primeiro fim-de-semana — um valor significativo para um documentário, ainda que longe de consensual junto da crítica.

Frases no letreiro que não agradaram à Amazon

De acordo com Jordan Perry, gerente-geral do Lake Theater & Cafe, o contacto da Amazon surgiu após a exibição de mensagens provocatórias no letreiro exterior da sala. Entre elas estavam frases como “Para derrotar o inimigo, é preciso conhecê-lo” e “A Melania veste Prada?”, uma referência óbvia ao filme The Devil Wears Prada. Para a distribuidora, este tom foi considerado inadequado, levando à retirada imediata do filme da programação.

Perry defende, no entanto, que a intenção nunca foi partidária nem propagandística. Pelo contrário: o cinema encara a exibição de filmes como um acto cultural, não como um endosso político. “Mostrar Melania não é apoiar Melania, nem esta administração, nem as suas políticas”, escreveu o responsável numa publicação no site oficial do cinema. “Para mim, não existe uma linha divisória entre querer ver um filme e querer mostrá-lo aqui.”

Um filme caro, polémico e divisivo

Produzido e promovido com um orçamento estimado em 75 milhões de dólares, Melania tem sido alvo de críticas severas, com alguns analistas a descrevê-lo como uma “viagem ao vazio”. Ainda assim, conseguiu despertar curiosidade suficiente para gerar receitas consideráveis e reacções intensas, tanto de apoio como de rejeição.

No caso do Lake Theater, a exibição do documentário já tinha provocado uma onda de críticas e mensagens negativas por parte de clientes habituais, que associavam a projecção do filme a uma posição política. Perry rejeita essa leitura e sublinha que o cinema não classifica os seus filmes como “políticos”, mas sim como obras que merecem ser vistas e debatidas.

Entre a programação e a sobrevivência

O responsável acrescenta ainda que as alternativas disponíveis naquele período — como o thriller classificado para adultos Send Help ou The Bone Temple — dificilmente teriam o mesmo impacto junto do público local. Para um cinema independente, a escolha de programação é também uma questão de sobrevivência económica.

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Até ao momento, a Amazon MGM Studios não respondeu aos pedidos de esclarecimento feitos pela estação local KOIN 6. O episódio levanta, mais uma vez, a questão do equilíbrio de poder entre grandes estúdios e salas independentes — e até que ponto a liberdade de exibição resiste quando entra em conflito com a imagem de um produto altamente sensível.

Pergunta Demais? SmartLess Entra em Terreno Escorregadio com Charli XCX

Um momento desconfortável que incendiou as redes sociais

O popular podcast SmartLess está no centro de uma polémica depois de um momento considerado desconfortável por muitos ouvintes durante uma conversa entre Jason Bateman e a cantora Charli XCX. O episódio, emitido esta semana, tinha como objectivo promover o novo filme da artista, The Moment, mas acabou por gerar reacções negativas devido a uma troca de palavras sobre maternidade.

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Durante a conversa, Charli XCX falou abertamente sobre a sua infância como filha única e sobre a forma como os pais sempre apoiaram a sua carreira musical, chegando a acompanhá-la em actuações ainda adolescente. A artista explicou que essa experiência moldou a sua relação com o conflito e a maturidade emocional. Foi nesse contexto que Bateman lhe perguntou se pensava ter um filho — ou vários.

“Na verdade, não quero ter filhos”

A resposta da cantora foi directa e honesta: não sente vontade de ser mãe. Admitiu que a ideia pode mudar, mas reconheceu que o fascínio pela “fantasia” de ter um filho — como escolher um nome — lhe parece um sinal de que talvez ainda não esteja preparada. Uma reflexão pessoal, dita com leveza, que acabou por ganhar outro peso quando Bateman respondeu com uma história pessoal, sugerindo que Charli poderia “encontrar alguém” que a fizesse mudar de ideias.

A reacção da artista foi imediata: “Eu sou casada.” Bateman riu-se e respondeu que precisava de “ler um jornal de vez em quando”, assumindo o desconhecimento. O tom manteve-se cordial, mas nas redes sociais muitos fãs interpretaram o momento como pressão desnecessária sobre uma mulher em relação à maternidade, além de criticarem a falta de preparação do actor.

A filosofia do improviso… com riscos

O episódio reacendeu o debate em torno do formato do podcast, apresentado também por Will Arnett e Sean Hayes. Em SmartLess, apenas um dos anfitriões sabe quem será o convidado, enquanto os outros improvisam perguntas no momento. Esta abordagem espontânea é parte do charme do programa — e uma das razões do seu sucesso estrondoso, incluindo um contrato multimilionário com a SiriusXM.

No entanto, como ficou claro neste episódio, a improvisação também pode conduzir a momentos menos felizes. Ao longo da conversa, Bateman demonstrou desconhecer vários aspectos básicos da carreira de Charli XCX, incluindo o facto de a cantora ter popularizado o termo “brat”, algo que voltou a ser apontado como sinal de falta de pesquisa.

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Sucesso, críticas e uma lição aprendida

Apesar da controvérsia, Charli XCX lidou com a situação com humor e serenidade, mostrando que aprendeu, ao longo dos anos, a gerir momentos de desconforto — mesmo sem irmãos para treinar em casa. Para SmartLess, fica o aviso: a informalidade pode ser uma virtude, mas nem sempre é inofensiva.

Nada Volta a Ser Igual: The Last of Us Mexe no Elenco e Redefine o Rumo da Série

Mudanças cirúrgicas numa das séries mais debatidas da HBO

The Last of Us continua a provar que não é apenas uma adaptação de videojogo bem-sucedida, mas também uma série disposta a correr riscos — mesmo quando isso significa enfrentar a ira de parte dos fãs. A produção da HBO prepara-se para a terceira temporada com alterações significativas no elenco e uma reconfiguração narrativa que promete dividir opiniões, tal como aconteceu com o material original.

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Baseada no aclamado jogo da Naughty Dog, a série transporta-nos para um mundo pós-apocalíptico devastado pelo vírus cordyceps, que transforma humanos em criaturas violentas e descontroladas. No centro da história estão Joel e Ellie, duas figuras marcadas pela perda, pela sobrevivência e por decisões moralmente ambíguas que continuam a ecoar muito para lá do ecrã.

Abby assume o centro da narrativa

A terceira temporada irá aprofundar a adaptação de The Last of Us Part II, mudando deliberadamente o foco da história. Desta vez, a narrativa será contada sobretudo a partir da perspectiva de Abby, interpretada por Kaitlyn Dever. A personagem lidera uma jornada de vingança em Seattle contra Joel, vivido por Pedro Pascal, numa abordagem que já no videojogo original se revelou tão ousada quanto polémica.

Ao seu lado surge Manny Alvarez, um soldado leal do grupo WLF e amigo próximo de Abby, agora interpretado por Jorge Lendeborg Jr.. A escolha marca uma mudança importante, já que o actor substitui Danny Ramirez, que não regressa para a nova temporada depois de ter participado em quatro dos sete episódios da segunda.

Novas personagens, novas leituras

Outra novidade no elenco é a entrada de Clea DuVall, que dará vida a uma personagem associada aos Seraphites — o culto religioso rival dos WLF. Curiosamente, esta figura parece ser uma criação original da série, já que no jogo não existe nenhuma personagem adulta com grande peso narrativo dentro deste grupo. Um sinal claro de que a adaptação televisiva continua a expandir e reinterpretar o universo criado para as consolas.

Um capítulo final já traçado

Com Craig Mazin a assumir sozinho o papel de showrunner, após a saída de Neil Druckmann, as filmagens arrancam em Março, em Vancouver, no Canadá. A HBO já confirmou que a terceira temporada será o capítulo final da série, decisão tomada ainda antes da estreia da segunda temporada, prevista para Abril de 2025.

Mesmo com uma recepção mais fria por parte de alguns fãs — especialmente devido às alterações introduzidas em relação ao jogo — The Last of Us mantém-se fiel à sua essência: uma história desconfortável, emocionalmente exigente e sem medo de quebrar expectativas.

Jimmy Kimmel promete “invadir” os Óscares se documentário sobre Melania Trump for nomeado 🎭

Uma piada que virou ameaça… ou promessa solene

Jimmy Kimmel voltou a apontar baterias à política americana — e aos seus satélites mediáticos — durante o monólogo de 2 de Fevereiro do Jimmy Kimmel Live. O alvo desta vez foi a reacção entusiasmada da Fox News ao documentário Melania, centrado na antiga Primeira-Dama dos Estados Unidos. Segundo uma comentadora do canal, o filme “deveria ser nomeado para os Óscares”. Kimmel não deixou passar.

“Se Melania for nomeado para um Óscar, eu vou apresentar essa cerimónia”, garantiu o humorista, entre aplausos do público. “Quer me convidem ou não. Eu vou insistir.” Uma frase que, no universo de Kimmel, soa menos a bravata e mais a aviso formal.

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Rotten Tomatoes vs. Fox News: dois mundos, dois termómetros

O comediante sublinhou o contraste entre a recepção crítica e o entusiasmo televisivo: enquanto o documentário soma uns modestos 7% no Rotten Tomatoes, na Fox News atinge uns imaculados 100%. Para Kimmel, trata-se apenas de uma diferença de critérios… e de realidade.

Já antes da estreia, o apresentador tinha classificado o filme como “um suborno de 75 milhões de dólares pago pela Amazon”, acusando o projecto de ser um exercício de vaidade com produção corporativa musculada. Após a estreia, voltou à carga, descrevendo os sete milhões arrecadados no primeiro fim-de-semana como “o maior sucesso de sempre para um projecto de vaidade não musical com aroma a suborno empresarial”.

Uma velha guerra com novos episódios

A relação de Kimmel com Donald Trump está longe de ser pacífica e já teve momentos memoráveis na cerimónia dos Óscares. Em 2024, enquanto apresentava a gala, Kimmel interrompeu o espectáculo para ler em voz alta um ataque pessoal publicado por Trump nas redes sociais.

A resposta foi instantânea, cruel e eficaz, com uma piada que terminou numa referência directa ao sistema prisional. Um daqueles momentos em que Hollywood pareceu esquecer o guião e lembrar-se de que, às vezes, a comédia é a arma mais afiada.

Óscares, sátira e um documentário improvável

Em 2026, a cerimónia será novamente apresentada por Conan O’Brien, mas Kimmel já deixou claro que está disponível para regressar — especialmente se Melania entrar na corrida dourada. Quanto ao documentário, que acompanha a antiga Primeira-Dama nas semanas que antecederam uma nova tomada de posse presidencial, continua a dividir opiniões, gargalhadas e canais de televisão.

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Se chegar aos Óscares, uma coisa é certa: Jimmy Kimmel não vai ficar calado.

Três Documentários, Três Mundos: Fevereiro é Mês de Olhar Portugal no TVCine Edition

O documentário nacional em destaque nas noites de sexta-feira

Fevereiro traz um convite especial para quem gosta de cinema que pensa, questiona e observa o mundo com atenção. O TVCine Edition dedica os fins de tarde e as noites de sexta-feira ao documentário português, reunindo três obras muito distintas entre si, mas unidas por um olhar inquieto e profundamente contemporâneo sobre identidade, território, memória e criação. O especial Documentários: Olhar Portugal decorre nos dias 6, 13 e 27 de Fevereiro, com exibição exclusiva no TVCine Edition e disponibilidade no TVCine+.  

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Da memória revolucionária à criação colectiva

O ciclo arranca a 6 de Fevereiro com Espiral em Ressonância, realizado por Filipa César e Marinho de Pina. O documentário acompanha a construção de uma mediateca comunitária em Malafo, na Guiné-Bissau, pensada como espaço de preservação e activação da memória do cinema militante guineense. Entre arquivos, gestos colectivos e reflexão política, o filme questiona a forma como se guarda o passado sem o cristalizar, criando antes condições para o futuro. Distinguido no Cinéma du Réel e no Porto/Post/Doc, é uma obra que cruza cinema, história e resistência cultural.

A Trafaria como mapa sensorial e humano

No dia 13 de FevereiroNa Trafaria propõe um exercício radicalmente diferente. Desenvolvido no âmbito de um projecto participativo da NOVA FCSH e realizado por Pedro Florêncio, o filme utiliza o cinema como ferramenta de mapeamento alternativo de um território muitas vezes esquecido. A Trafaria surge aqui como um organismo vivo, feito de fragmentos, memórias, vozes e paisagens, numa abordagem que cruza antropologia, experimentação e cartografia emocional. Não é um retrato convencional, mas um convite a sentir um lugar através das suas camadas invisíveis.

Natália Correia, mito, corpo e palavra

O ciclo encerra a 27 de Fevereiro com A Mulher Que Morreu de Pé, de Rosa Coutinho Cabral, um ensaio visual sobre Natália Correia, figura incontornável da cultura e da política portuguesas. Misturando documentário e elementos ficcionados, o filme constrói um “casting poético” onde actores e testemunhos revisitam a vida, a obra e os fantasmas de Natália. Distinguido como Melhor Documentário no Porto Femme 2025, é uma abordagem livre, ousada e profundamente literária.

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Um convite à descoberta do cinema português

Documentários: Olhar Portugal não é apenas um ciclo televisivo: é uma montra do vigor, da diversidade e da maturidade do documentário nacional contemporâneo. Três filmes, três linguagens, três formas de olhar o mundo — todas elas a merecer atenção.

Um fenómeno independente chamado Iron Lung abala o box office e emociona Markiplier

Filme auto-financiado estreia com 21 milhões de dólares e prova que o cinema indie ainda pode vencer

Contra todas as expectativas — e praticamente contra todas as regras não escritas da indústria — Iron Lung tornou-se num dos casos mais falados do box office recente. O filme, escrito, realizado, protagonizado, financiado e distribuído de forma independente por Markiplier (nome verdadeiro: Mark Fischbach), estreou com 21,7 milhões de dólares a nível mundial, incluindo 17,8 milhões na América do Norte, onde alcançou o segundo lugar do top semanal em 3.015 salas.

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Um feito notável por várias razões: Iron Lung custou cerca de 3 milhões de dólares, não teve apoio de grandes estúdios e esteve inicialmente previsto para uma estreia muito mais modesta, em apenas 50 salas. Em vez disso, acabou a disputar o topo da tabela com Send Help, o novo thriller de Sam Raimi, produzido pela Disney, que arrecadou cerca de 30 milhões no mesmo período.

Um criador digital a jogar no campo dos gigantes

Baseado num videojogo indie de terror, Iron Lung decorre num cenário pós-apocalíptico, onde um fugitivo é forçado a explorar um oceano de sangue em busca de recursos, após um evento semelhante ao arrebatamento bíblico. A premissa é extrema, claustrofóbica e longe do cinema “seguro” que costuma dominar os multiplex — o que torna o seu sucesso ainda mais improvável.

Visivelmente emocionado, Markiplier reagiu aos resultados durante uma transmissão em directo no YouTube, onde não escondeu as lágrimas. Para o criador, o impacto financeiro do filme vai muito além de números ou rankings: significa poder pagar bónus à equipa e provar que modelos alternativos de produção e distribuição ainda são viáveis.

Ao optar por uma divisão de receitas próxima dos 50/50 com as salas de cinema, algo pouco comum nas grandes produções, Iron Lung tornou-se igualmente atractivo para os exibidores. “Toda a gente ganha”, sublinhou o realizador, numa indústria cada vez mais pressionada por margens reduzidas e pela concorrência do streaming.

Uma estreia curta… mas altamente lucrativa

Curiosamente, Iron Lung não deverá manter uma longa carreira nas salas. O próprio Markiplier confirmou que o filme terá uma exibição limitada no tempo, tornando esta estreia ainda mais impressionante do ponto de vista económico. Com um orçamento controlado e receitas já muito acima do investimento inicial, o filme posiciona-se como um dos exemplos mais claros de rentabilidade no cinema independente recente.

Houve, segundo o próprio, contactos de estúdios interessados em ajudar na distribuição, mas a decisão foi manter o controlo total do projecto. Uma escolha arriscada — e que acabou por se revelar acertada.

Um “momento de herói” para o cinema independente

Durante a transmissão, Markiplier fez questão de sublinhar que o seu objectivo não era “derrotar” Sam Raimi, mas sim mostrar que o domínio quase permanente dos grandes estúdios pode ser interrompido. Depois de várias semanas consecutivas com a Disney a liderar o box office, Iron Lung surgiu como um lembrete de que ainda há espaço para vozes exteriores ao sistema.

“Se isto inspirar alguém a continuar a fazer filmes de forma independente, já valeu a pena”, afirmou. Um discurso raro num momento em que o cinema parece cada vez mais fechado sobre si próprio.

Ironia das ironias: terminado o fim-de-semana de estreia, o próprio Markiplier revelou os seus planos imediatos. Ir ao cinema ver Send Help. Porque, apesar da competição, o amor pelo cinema continua a ser o ponto de partida.

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Um documentário de 75 milhões, protestos à porta e um país em combustão

Melania chega aos cinemas como o projecto mais controverso da era Trump

Não é todos os dias que um documentário se estreia como se fosse um comício político, um desfile de moda e um teste de resistência à realidade americana — tudo ao mesmo tempo. Melania, o novo documentário centrado na actual primeira-dama dos Estados Unidos, entrou em cena a 29 de Janeiro no Kennedy Center, em Washington, envolto num aparato raramente visto no cinema documental. O filme, orçado em 75 milhões de dólares, é já apontado como um dos documentários mais caros de sempre a chegar às salas de cinema.

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Produzido para a Amazon, o filme marca uma nova etapa na exposição pública de Melania Trump, num momento em que o país atravessa uma das fases mais polarizadas da sua história recente.

Brett Ratner regressa atrás das câmaras — e ao centro da polémica

A realização está a cargo de Brett Ratner, cineasta conhecido pela saga Rush Hour e afastado de Hollywood desde 2017, após várias acusações de assédio sexual, que sempre negou. Melania representa o seu primeiro grande projecto em quase uma década — um regresso que, por si só, já levantou fortes críticas dentro e fora da indústria.

Ratner descreve o seu papel como o de um observador invisível, afirmando ter sido “uma mosca na parede” durante as filmagens, que acompanharam Melania Trump ao longo dos 20 dias que antecederam a segunda tomada de posse do marido. O realizador rejeita a ideia de que este filme seja uma tentativa de reabilitação profissional, sublinhando que aceitou o projecto apenas pelo desejo de voltar a filmar.

Alta-costura, política e televisão de luxo

Segundo relatos de quem assistiu à estreia, Melania está longe de ser um documentário tradicional. O filme adopta uma estética altamente estilizada, mais próxima de um episódio de luxo de Real Housewives do que de um retrato político clássico. Guarda-roupa, decoração, encenação e imagem são tratados como elementos narrativos centrais, com a câmara a seguir Melania em provas de vestidos, reuniões de design de interiores da Casa Branca e conversas cuidadosamente coreografadas, incluindo um encontro com a primeira-dama francesa, Brigitte Macron, sobre bullying online.

A inspiração visual, segundo Ratner, aproxima-se mais de um videoclip de Jean-Baptiste Mondino do que de um documentário de observação, reforçando a ideia de que este projecto é também uma declaração estética — e estratégica.

Um lançamento em contraciclo com o país real

Enquanto no interior do Kennedy Center desfilavam figuras ligadas ao universo MAGA — de Robert F. Kennedy Jr. a Marco Rubio, passando por Dr. Phil e nomes inesperados como Nicki Minaj — cá fora o cenário era bem diferente. Protestos multiplicavam-se, alimentados por recentes casos de violência policial e pela crescente tensão social nos Estados Unidos. O contraste entre o luxo da estreia e a raiva nas ruas tornou-se impossível de ignorar.

Mais do que um filme, uma marca em construção

Para além do cinema, Melania parece funcionar como o primeiro capítulo de uma reinvenção pública da primeira-dama. O documentário posiciona-a não como figura política activa, mas como uma marca de lifestyle em potência — uma espécie de resposta conservadora a Martha Stewart ou Oprah Winfrey. A ambição passa por conteúdos, produtos de luxo e uma presença mediática cuidadosamente controlada, agora reforçada pela criação da sua produtora, Muse Films.

Do ponto de vista da Amazon, o investimento pode não fazer sentido apenas em termos de bilheteira. O verdadeiro trunfo poderá estar na futura estreia do documentário no Prime Video, onde poderá servir como chamariz para públicos conservadores, à semelhança do que já aconteceu com séries como Reacher.

Um objecto cultural impossível de ignorar

Quer seja visto como propaganda elegante, exercício de vaidade ou retrato genuíno de uma figura enigmática, Melaniadificilmente passará despercebido. Num país em permanente estado de choque político, o documentário surge como um objecto cultural estranho, luxuoso e profundamente deslocado do seu tempo — o que, paradoxalmente, o torna revelador.

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Resta saber se o público verá nele glamour… ou apenas mais um sintoma de um país em guerra consigo próprio.
Em Portugal neste fim de semana de estreia foram pouco mais de 720 os espectadores que o foram ver.

Quatro décadas a filmar o país sem concessões: TVCine homenageia João Canijo

Uma maratona inédita revisita a obra de um dos maiores cineastas portugueses

No domingo, 8 de Fevereiro, o TVCine Edition dedica mais de 24 horas consecutivas à obra de João Canijo, numa maratona cinematográfica sem precedentes na televisão portuguesa. Intitulada Maratona João Canijo: Quatro Décadas de Cinema, esta retrospetiva surge como uma homenagem sentida a um realizador que marcou de forma indelével o cinema nacional e que faleceu a 29 de Janeiro, aos 68 anos.

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Ao longo de um dia inteiro — da madrugada de domingo até às primeiras horas de segunda-feira — serão exibidos 13 filmes que percorrem praticamente toda a filmografia de Canijo. Em paralelo, os títulos estarão igualmente disponíveis no TVCine+, permitindo aos espectadores reverem — ou descobrirem pela primeira vez — uma obra exigente, incómoda e profundamente ligada à realidade social portuguesa.

Um cinema de realismo, conflito e identidade

Com uma carreira iniciada no final dos anos 80, João Canijo afirmou-se como uma das vozes mais consistentes e rigorosas do cinema português contemporâneo. O seu cinema nunca procurou o conforto nem a evasão fácil. Pelo contrário, construiu-se a partir de um olhar atento sobre as tensões familiares, os conflitos de classe, a precariedade económica e os silêncios morais que atravessam a sociedade portuguesa.

A retrospetiva do TVCine destaca precisamente essa coerência artística. Desde Três Menos Eu (1988), o primeiro filme exibido na maratona, até ao díptico Mal Viver e Viver Mal (2023), vencedor do Urso de Prata – Prémio do Júri no Festival de Berlim, a obra de Canijo revela um cineasta que nunca virou o rosto aos lados mais desconfortáveis do país que filmou.

Cópias restauradas e a versão definitiva de 

Noite Escura

Um dos aspectos mais relevantes desta maratona é a exibição de cópias restauradas pela Cinemateca Portuguesa, garantindo uma experiência visual fiel à intenção original do realizador. No caso de Noite Escura (2004), será apresentada a versão longa, correspondente à versão final desejada por Canijo aquando do processo de restauro — um detalhe particularmente significativo para cinéfilos e estudiosos da sua obra.

Filmes como Sapatos PretosGanhar a VidaSangue do Meu Sangue ou Fátima regressam assim ao pequeno ecrã com uma nova vida, reforçando a actualidade de um cinema que continua a dialogar com o presente.

As mulheres no centro do olhar de Canijo

Outro traço fundamental da filmografia de João Canijo, amplamente representado nesta maratona, é a centralidade das personagens femininas. Ao longo de décadas, o realizador construiu retratos densos e complexos de mulheres confrontadas com estruturas de poder, sobrevivência e identidade, recusando estereótipos e simplificações.

Essa abordagem atingiu um dos seus pontos mais altos com Mal Viver e Viver Mal, dois filmes que se complementam e se confrontam, oferecendo diferentes pontos de vista sobre as mesmas dinâmicas familiares e sociais. Uma espécie de síntese madura de um cinema que sempre se construiu a partir do conflito e da observação crítica.

Uma homenagem que é também um convite

Mais do que uma programação especial, Maratona João Canijo: Quatro Décadas de Cinema funciona como um convite à redescoberta de um autor essencial. Um cineasta que, como escreveu Tiago Rodrigues, “travou um combate poético com o país que somos”, mostrando-nos um espelho onde convivem violência e ternura, dureza e humanidade.

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No dia 8 de Fevereiro, o TVCine transforma-se, durante 24 horas, numa verdadeira sala de cinema dedicada a um dos seus maiores criadores. Uma oportunidade rara — e necessária — para voltar a olhar para o cinema português sem filtros.  

Um cerco real, uma arma ligada ao pescoço e a América em directo

Crime em Direto  (Dead Man’s Wire) estreia a 23 de Fevereiro e recupera um dos casos mais perturbadores dos anos 70

Inspirado num dos cercos mais mediáticos da história recente dos Estados Unidos, Crime em Direto — título nacional de Dead Man’s Wire — chega aos cinemas portugueses a 23 de Fevereiro, trazendo para o grande ecrã um episódio real que, em 1977, deixou um país inteiro colado à televisão. Mais do que um simples thriller baseado em factos verídicos, o filme revisita um caso que expôs de forma brutal as falhas do sistema financeiro, judicial e mediático norte-americano.

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Gus Van Sant e o regresso ao cinema da tensão moral

A realização pertence a Gus Van Sant, duas vezes nomeado aos Óscares da Academia por O Bom Rebelde e Milk. Conhecido pela sua abordagem contida e profundamente humana, Van Sant evita o sensacionalismo fácil e constrói um filme centrado na tensão psicológica, no desgaste emocional e na ambiguidade moral de todas as partes envolvidas.

O argumento é assinado por Austin Kolodney, que opta por uma reconstrução rigorosa dos acontecimentos, privilegiando o impacto humano do cerco e as questões éticas que dele emergem, em vez de uma dramatização excessiva.

Bill Skarsgård no centro do impasse

No papel de Tony Kiritsis surge Bill Skarsgård, numa interpretação intensa e desconfortável de um homem comum levado ao limite. Skarsgård afasta-se aqui de registos mais estilizados e mergulha numa personagem marcada pelo desespero, pela frustração acumulada e pela sensação de abandono por parte das instituições.

Ao seu lado, Dacre Montgomery assume um papel fundamental na dinâmica do cerco, acrescentando tensão emocional e conflito humano à narrativa, enquanto Coleman Domingo se destaca como uma das figuras-chave do sistema — seja ele judicial, policial ou mediático — oferecendo uma presença sólida e moralmente complexa, como já se tornou habitual na sua carreira.

Um acto extremo transmitido para todo o país

A 8 de Fevereiro de 1977, Tony Kiritsis entrou no escritório de Richard Hall, presidente da Meridian Mortgage Company, e tomou-o como refém de forma tão engenhosa quanto aterradora: uma caçadeira presa ao próprio pescoço, ligada por um fio — o “dead man’s wire” — que garantiria a morte de ambos caso o gatilho fosse libertado. O que começou como um acto isolado de desespero rapidamente se transformou num cerco policial prolongado, transmitido em directo pelas televisões norte-americanas.

À medida que as negociações se arrastavam, o caso deixava de ser apenas uma situação de reféns para se tornar um espelho de problemas estruturais: práticas financeiras abusivas, desigualdade de poder e um sistema judicial incapaz de responder eficazmente a quem se sente encurralado.

Um filme que recusa respostas fáceis

Crime em Direto não procura absolver nem condenar de forma simplista. Pelo contrário, coloca o espectador perante uma pergunta incómoda e actual: quando a lei falha em proteger os mais vulneráveis, onde começa — e acaba — a responsabilidade individual?

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Um filme tenso, sóbrio e profundamente inquietante, que prova que, por vezes, a realidade consegue ser mais perturbadora do que qualquer ficção.

O fenómeno pop dos anos 90 regressa à televisão — mas desta vez sem filtros

Ace of Base: All That She Wants revela o lado menos dourado de uma banda que marcou uma geração

Quem viveu os anos 90 dificilmente passou ao lado de Ace of Base. Entre rádios sempre ligados, compilações em cassete e pistas de dança improvisadas, canções como All That She Wants ou The Sign tornaram-se omnipresentes. Agora, mais de três décadas depois da fundação da banda, chega à televisão portuguesa um documentário que promete ir muito além da nostalgia fácil. Ace of Base: All That She Wants estreia em exclusivo nos Canais TVCine e propõe uma viagem completa — e sem maquilhagem — pela ascensão, glória e queda de um dos maiores fenómenos pop da década.

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Três episódios para contar uma história que parecia perfeita… mas não era

Com estreia marcada para 6 de Fevereiro, e novos episódios a 13 e 20 de Fevereiro, sempre às 22h10, no TVCine Edition (e também disponível no TVCine+), o documentário divide-se em três partes que acompanham o percurso de Jonas, Linn, Jenny e Ulf — os quatro amigos suecos que deram origem aos Ace of Base. Da criação do álbum de estreia Happy Nation (1992), um verdadeiro fenómeno global com mais de 28 milhões de cópias vendidas, até às tensões internas que acabariam por desgastar o grupo, nada fica por contar.

Ao longo dos episódios, o espectador é convidado a revisitar o impacto cultural da banda, que dominou tops internacionais e definiu o som pop de uma época, mas também a confrontar-se com o lado menos luminoso da fama: digressões extenuantes, conflitos criativos, pressões da indústria e desafios pessoais que foram corroendo a coesão do grupo.

Um olhar íntimo sobre a fama e o seu preço

Realizado por Jens von ReisAce of Base: All That She Wants distingue-se pelo acesso a imagens raras e por entrevistas que fogem ao discurso ensaiado. Aqui, a fama surge como uma experiência ambígua — sedutora, mas profundamente desgastante. O documentário mostra como o sucesso avassalador pode ser simultaneamente uma bênção e uma armadilha, sobretudo quando chega rápido demais.

Mesmo após o declínio mediático, a música dos Ace of Base continua surpreendentemente viva. Hoje, a banda soma mais de 11 milhões de ouvintes mensais no Spotify, prova de que os seus temas resistiram ao tempo e continuam a encontrar novas gerações de fãs.

Para fãs… e para quem quer perceber os bastidores do pop

Mais do que um exercício de nostalgia, Ace of Base: All That She Wants é um retrato honesto de um fenómeno global e das fragilidades humanas por trás do sucesso. Um documentário que interessa tanto a quem dançou ao som da banda nos anos 90 como a quem procura compreender os mecanismos — e os custos — da indústria musical.

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Uma estreia a não perder para quem gosta de música pop, histórias reais e bastidores que raramente vêm a público.  

Melania: glamour em Washington, polémica internacional e estreia hoje em Portugal

O documentário da primeira-dama divide atenções antes de chegar às salas portuguesas

O documentário Melania, centrado na vida de Melania Trump, chega hoje às salas de cinema portuguesas, com exibição assegurada em grande parte dos complexos da NOS Audiovisuais. A estreia acontece num contexto particularmente tenso a nível internacional, depois de o filme ter sido retirado das salas sul-africanas ainda antes da sua estreia naquele país, invocando-se de forma vaga o “clima atual”.

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O contraste não podia ser maior: enquanto em Washington o documentário foi apresentado numa noite de luxo, poder político e celebridades, na África do Sul o mesmo filme foi afastado silenciosamente da programação, levantando questões sobre política, diplomacia e liberdade de exibição cultural.

Uma estreia de alto perfil no coração do poder americano

A estreia mundial de Melania decorreu no Trump Kennedy Center, em Washington, perante uma plateia onde se misturaram membros do Governo norte-americano, figuras da música, empresários e personalidades mediáticas. Donald Trump marcou presença e descreveu o documentário como “uma história moderna da Casa Branca”, elogiando o seu potencial de sucesso junto do público.

Melania Trump surgiu como anfitriã da noite, vestida com um conjunto preto da Dolce & Gabbana, e acompanhada pelo realizador Brett Ratner e pelos produtores Fernando Sulichin e Marc Beckman. A primeira-dama afirmou estar “muito orgulhosa” do trabalho desenvolvido, destacando a coesão da equipa criativa.

Entre os convidados estiveram Robert F. Kennedy Jr.Nicki MinajGianni Infantino, Waka Flocka Flame, Dr. Phil McGraw e Jordan Belfort, numa lista que sublinha a dimensão simbólica e mediática do evento.

Um filme retirado das salas sul-africanas antes da estreia

Quase em simultâneo com o brilho da estreia em Washington, surgiu a notícia de que Melania tinha sido retirado das principais cadeias de cinema da África do Sul, a Nu Metro e a Ster Kinekor, poucas horas antes da sua estreia internacional, prevista para 30 de Janeiro.

Em declarações ao portal News24, Thobashan Govindarajulu, responsável de marketing da distribuidora Filmfinity, afirmou que “tendo em conta o clima atual, o filme não será mais exibido em salas no território”, sem especificar a que clima se referia. A agência France-Presse acrescenta que não foi possível obter esclarecimentos adicionais junto da empresa.

A decisão surge num momento de relações particularmente tensas entre o Governo sul-africano e a administração Trump, marcadas por divergências diplomáticas profundas, incluindo críticas de Washington à política externa de Pretória e à acusação apresentada pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça.

Cinema, imagem e política — tudo no mesmo ecrã

Melania apresenta-se como um retrato próximo de 20 dias decisivos antes da tomada de posse de Donald Trump, acompanhando a primeira-dama num momento de transição e reposicionamento político. Mais do que um simples documentário biográfico, o filme assume-se como um exercício de controlo narrativo e de afirmação pública, algo que ajuda a explicar tanto o aparato da estreia americana como o desconforto gerado noutros contextos internacionais.

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A chegada do documentário às salas portuguesas acontece, assim, envolta em polémica e curiosidade. Entre glamour, diplomacia e cinema político, Melania promete não passar despercebido — nem dentro, nem fora do grande ecrã.

Christian Bale faz anos hoje — o actor que nunca se escondeu atrás do estrelato

Um aniversário que é também um bom pretexto para revisitar uma carreira singular

Hoje, 30 de JaneiroChristian Bale celebra mais um aniversário. Nascido em 1974, no País de Gales, o actor completa 52 anos e continua a ser uma das figuras mais respeitadas, imprevisíveis e exigentes do cinema contemporâneo. A data serve de excelente pretexto para revisitar uma carreira construída à margem da vaidade fácil, marcada por escolhas difíceis, transformações físicas extremas e uma recusa persistente em se repetir.

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Num tempo em que Hollywood valoriza cada vez mais a presença mediática, Bale optou pelo caminho inverso: desaparecer dentro das personagens e deixar que os filmes falem por si.

De criança-prodígio a actor adulto sem rede de segurança

Christian Bale chamou a atenção do mundo ainda criança, ao protagonizar Império do Sol (1987), de Steven Spielberg. Com apenas 13 anos, revelou uma maturidade emocional rara, interpretando um rapaz britânico separado da família num campo de prisioneiros japonês durante a Segunda Guerra Mundial. O filme dividiu a crítica, mas houve unanimidade quanto a um ponto: aquele jovem actor não era um acaso.

Ao contrário de muitos actores-mirins, Bale conseguiu atravessar a transição para a idade adulta sem perder relevância. Durante os anos 90, alternou cinema, teatro e televisão, surgindo em títulos como Adoráveis MulheresVelvet Goldmine e Sonho de Uma Noite de Verão. Foram escolhas menos comerciais, mas fundamentais para cimentar uma identidade artística própria.

Psicopata Americano e o nascimento de um ícone incómodo

O verdadeiro ponto de viragem chega em 2000, com Psicopata Americano. A sua interpretação de Patrick Bateman — um yuppie narcisista, violento e emocionalmente vazio — tornou-se imediatamente icónica. Bale construiu uma personagem perturbadora, simultaneamente grotesca e fascinante, que permanece até hoje como uma das grandes criações do cinema moderno.

O filme dividiu opiniões, gerou polémica e consolidou a reputação do actor como alguém disposto a arriscar tudo por um papel. A partir daí, Bale deixou de ser apenas “promissor” para se tornar um actor central na sua geração.

O corpo como ferramenta dramática

Se há algo que distingue Christian Bale da maioria dos seus pares é a forma como transforma o corpo em extensão da personagem. Em O Maquinista (2004), emagreceu de forma extrema para interpretar um homem consumido pela culpa e pela insónia, num dos exemplos mais radicais de transformação física da história do cinema.

Pouco depois, surpreendeu novamente ao assumir o papel de Bruce Wayne na trilogia Batman: O InícioO Cavaleiro das Trevas e O Cavaleiro das Trevas Renasce, realizadas por Christopher Nolan. O seu Batman afastou-se do herói estilizado e aproximou-se de uma figura trágica, marcada pelo trauma e pela obsessão, ajudando a redefinir o género dos super-heróis no cinema moderno.

O reconhecimento da Academia — e a consagração definitiva

Em 2011, Christian Bale recebeu o Óscar de Melhor Actor Secundário pela sua interpretação de Dicky Eklund em O Lutador. O papel valeu-lhe também um Globo de Ouro, um SAG Award e vários prémios da crítica, confirmando aquilo que já era evidente: Bale era um actor de primeira linha, capaz de elevar qualquer projecto.

Nos anos seguintes, voltou a impressionar em filmes como Guia para um Escândalo AmericanoA Queda de Wall Street e Vice – O Segundo na Sombra. Neste último, transformou-se fisicamente para interpretar Dick Cheney, recusando qualquer caricatura fácil e optando por uma composição fria, meticulosa e profundamente inquietante.

Um actor que prefere desaparecer

Apesar da fama, Christian Bale sempre manteve uma relação distante com o estrelato. Evita redes sociais, raramente concede entrevistas promocionais e vive longe dos grandes centros de exposição mediática. Casado desde 2000 com Sibi Blažić, pai de dois filhos, construiu uma carreira longa e sólida sem depender de polémicas externas.

O que permanece é o trabalho — rigoroso, obsessivo e, muitas vezes, desconfortável. Bale não procura agradar; procura compreender as personagens que interpreta, mesmo quando estas são moralmente repulsivas ou emocionalmente opacas.

Um aniversário com futuro pela frente

Ao celebrar mais um ano de vida, Christian Bale continua longe de qualquer ideia de acomodação. Cada novo projecto gera expectativa não pelo espectáculo exterior, mas pela curiosidade de descobrir que nova transformação, física ou emocional, irá surgir no ecrã.

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Num cinema cada vez mais previsível, Bale permanece uma força inquieta. Um actor que faz do risco uma regra e da exigência uma ética. Hoje é dia de anos — mas o legado, esse, continua em construção.

Morreu João Canijo, uma voz incómoda e essencial do cinema português

Um cineasta que filmou o país sem filtros nem concessões

Morreu João Canijo, um dos realizadores mais importantes, coerentes e exigentes do cinema português das últimas décadas. Tinha 68 anos e faleceu esta quinta-feira, dia 29 de Janeiro, perto de Vila Viçosa, distrito de Évora, onde repartia residência com Lisboa. A notícia foi confirmada à agência Lusa por fonte da produtora Midas Filmes. Segundo informações avançadas pela CNN Portugal e pelo jornal Público, o cineasta terá sofrido um ataque cardíaco fulminante durante a noite, tendo o corpo sido encontrado pela empregada de limpeza.

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Distinguido com o Urso de Prata no Festival de Berlim em 2023, João Canijo deixa uma obra marcada por uma visão implacável da sociedade portuguesa, quase sempre observada a partir do interior das famílias, dos conflitos domésticos e das tensões invisíveis que atravessam gerações. O seu cinema nunca foi confortável — e talvez por isso tenha sido tão necessário.

Do assistente ao autor: um percurso sólido e singular

Natural de Vinhais, no distrito de Bragança, João Canijo iniciou a sua carreira nos anos 1980 como assistente de realização, trabalhando com nomes fundamentais do cinema europeu como Manoel de Oliveira, Paulo Rocha e Wim Wenders. Em 1990 estreia-se na realização de longas-metragens com Filha da Mãe, assinando também a série televisiva Alentejo Sem Lei.

A partir daí construiu uma filmografia profundamente autoral, reconhecível pela forma como expõe feridas sociais raramente tratadas com complacência: machismo, imigração, prostituição, corrupção, marginalidade e dificuldades socioeconómicas. Como escreveu o investigador Daniel Ribas, trata-se de uma verdadeira “dramaturgia da violência”, onde o conflito é estrutural e raramente encontra redenção.

Filmes que ficaram — e que ficam

Entre os títulos mais marcantes da sua carreira contam-se Sapatos Pretos (1998), Ganhar a Vida (2001), Mal Nascida(2007) e, sobretudo, Sangue do Meu Sangue (2011), frequentemente apontado como uma das grandes obras do cinema português contemporâneo.

Em 2023, Canijo atinge um novo patamar de reconhecimento internacional com Mal Viver, vencedor do Urso de Prata em Berlim e candidato português aos Óscares. O filme acompanha uma família de mulheres que gere um hotel, vivendo num ambiente corroído por ressentimento e rancor, abalado pela chegada inesperada de uma neta. A obra dialoga directamente com Viver Mal, que observa a mesma realidade a partir do ponto de vista dos hóspedes.

Em 2024, esta dupla cinematográfica ganha uma nova dimensão com a série Hotel do Rio, exibida na RTP, apresentada como a “visão total” deste universo narrativo.

Um cinema feito de mulheres, tensão e verdade

Grande parte da força do cinema de João Canijo reside nas personagens femininas, complexas, contraditórias e centrais. Atrizes como Rita Blanco, Anabela Moreira, Beatriz Batarda, Madalena Almeida ou Cleia Almeida tornaram-se presenças recorrentes na sua obra, num trabalho continuado de cumplicidade artística raro no cinema português.

Outro momento relevante da sua carreira foi Fátima (2017), um filme rodado com 11 atrizes portuguesas numa peregrinação ao santuário, onde Canijo explorou não a fé, mas as dinâmicas de grupo entre mulheres. “As relações de grupo entre mulheres parecem-me muito mais interessantes do que com homens à mistura”, afirmou então à Lusa.

Projetos por concluir e um legado difícil de substituir

À data da sua morte, João Canijo encontrava-se a finalizar Encenação, longa-metragem protagonizada por Miguel Guilherme, centrada num encenador de teatro confrontado com a idade e com a relação com as suas atrizes. Deixa ainda por estrear o filme As Ucranianas.

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Nas redes sociais, a Medeia Filmes recordou o cineasta com uma frase que resume bem a sua visão artística: “A verdade é a interpretação que cada um faz da realidade. E é uma escolha que cada um faz da realidade.” João Canijo fez essa escolha com frontalidade, rigor e uma recusa sistemática do facilitismo. O cinema português fica mais pobre sem ele — mas a sua obra permanece, incómoda, viva e indispensável.

De A Coisa a Inception: 25 filmes entram no Registo Nacional de Cinema dos Estados Unidos

O cinema enquanto património cultural voltou a ser celebrado nos Estados Unidos com o anúncio da mais recente selecção do Registo Nacional de Cinema, iniciativa da Library of Congress que visa preservar obras consideradas essenciais para a memória colectiva do país. Este ano, 25 novos filmes foram escolhidos, elevando o total para 925 títulos, abrangendo mais de um século de História do cinema, desde o final do século XIX até à segunda década do século XXI.

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A decisão foi tornada pública a 29 de Janeiro, pelo National Film Preservation Board, e reflete uma selecção particularmente eclética: cinema mudo, clássicos de Hollywood, documentários, animação e filmes contemporâneos que, apesar da sua relativa juventude, já demonstraram um impacto cultural duradouro.

Entre os títulos agora consagrados encontram-se A Coisa, de John Carpenter, Antes do Amanhecer, de Richard Linklater, e Inception, de Christopher Nolan — três obras muito diferentes entre si, mas unidas pela forma como moldaram o imaginário cinematográfico das últimas décadas.

Um século de cinema preservado

O arco temporal desta selecção é particularmente expressivo. O filme mais antigo incluído é The Tramp and the Dog(1896), enquanto o mais recente é O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson. Pelo meio, surgem obras que marcaram épocas, géneros e gerações, confirmando que a noção de “clássico” já não está limitada ao cinema do passado distante.

Entre os títulos mais reconhecidos pelo grande público estão Karate Kid – O Momento da VerdadeGloryPhiladelphiaAs Meninas de Beverly HillsO Show de Truman e Os Incríveis. Filmes que, apesar de recentes quando comparados com os primórdios do cinema, já provaram a sua relevância cultural e estética.

Seis filmes mudos e histórias recuperadas do esquecimento

Um dos aspectos mais sublinhados pela organização é a inclusão de seis filmes mudos, demonstrando um esforço contínuo de preservação dos primeiros anos da produção cinematográfica norte-americana. Segundo Jacqueline Stewart, presidente do conselho e rosto habitual da Turner Classic Movies, esta selecção “mostra a diversidade temática e estilística do cinema nos seus anos formativos”.

Entre estes títulos destaca-se The Tramp and the Dog, considerado perdido durante décadas e redescoberto apenas em 2021 na Biblioteca Nacional da Noruega. O filme tem ainda a particularidade de ser o primeiro comercialmente produzido em Chicago e incluir aquele que muitos historiadores consideram o primeiro exemplo de humor físico envolvendo… a perda de calças em cena.

Outros títulos mudos agora preservados incluem The Oath of the Sword, um dos primeiros exemplos conhecidos de cinema asiático-americano, The Maid of McMillan, considerado o mais antigo filme estudantil existente, The Lady, um melodrama realizado por Frank Borzage, e Sparrows, protagonizado por Mary Pickford, numa das suas interpretações mais elogiadas.

Autores modernos entram definitivamente no cânone

A lista de 2025 confirma também a consolidação de vários cineastas contemporâneos no cânone cultural norte-americano. Para além de Carpenter, Linklater e Nolan, surgem nomes como Amy Heckerling, com As Meninas de Beverly Hills, e Ken Burns, que entra pela primeira vez no Registo Nacional com um dos seus documentários históricos — um reconhecimento simbólico da importância do documentário enquanto forma de cinema.

Cinema como memória colectiva

Segundo Robert R. Newlen, “quando preservamos filmes, preservamos a cultura americana para as gerações futuras”. Uma ideia reforçada por representantes da indústria exibidora, que sublinham o papel das salas de cinema como espaços de memória social, descoberta e formação cultural.

Os 25 filmes agora escolhidos foram seleccionados a partir de quase 8.000 nomeações feitas pelo público, num processo que continua aberto a novas propostas. Qualquer filme com mais de dez anos pode ser nomeado até 15 de Agosto de 2026.

Para assinalar a selecção deste ano, a Turner Classic Movies vai emitir um especial televisivo a 19 de Março, com a exibição de vários dos filmes agora integrados no Registo Nacional.

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Entre o cinema mudo e os grandes filmes contemporâneos, esta lista lembra-nos de algo essencial: o cinema não é apenas entretenimento — é História, identidade e memória projectada em luz.