Do Mundo Invertido a um Sofá Fatal: O Novo Capítulo Sombrio de uma Estrela de Stranger Things

Charlie Heaton troca Hawkins pelo caos financeiro de Industry

Muitas histórias começam pelo fim. A de Charlie Heaton em Industry é exactamente isso — e com uma ironia quase cruel. O actor tinha acabado de fechar uma década da sua vida em Atlanta, onde filmou a série fenómeno da Netflix Stranger Things, quando recebeu a chamada que o lançaria directamente para um universo muito diferente: a quarta temporada de Industry, o drama financeiro da HBO que substitui monstros sobrenaturais por jogos de poder, drogas e ambição desenfreada.

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Se em Hawkins enfrentava Demogorgons e Mind Flayers, aqui a guerra é outra: corrupção, manipulação mediática e destruição moral a troco de estatuto.

E a sua história começa… pelo fim.

Um jornalista, uma espiral e um desfecho brutal

Heaton junta-se à quarta temporada como Jim Dycker, jornalista financeiro determinado a expor fraudes de alto nível — custe o que custar. É a primeira personagem que seguimos na nova temporada, sinal de que estamos perante alguém central na narrativa. Mas a ilusão dura pouco.

Após um episódio intenso marcado por consumo de drogas e confrontos morais com Rishi — personagem interpretada por Sagar Radia — Jim acaba morto no sofá do seu apartamento. Um desfecho abrupto, trágico e profundamente simbólico do tom da série.

Rishi, já destruído por decisões anteriores, tenta seguir o mesmo caminho fatal ao atirar-se da varanda. Sobrevive. E paga o preço moral.

Heaton sabia exactamente para o que vinha.

Uma audição que era já o fim

O mais surpreendente? A cena da morte foi o seu próprio teste de audição. Para garantir o papel, Heaton teve de gravar precisamente o diálogo final — um confronto caótico, repleto de jargão financeiro e tensão emocional quase ininterrupta.

O actor descreveu o processo como intimidante. Tinha acabado de encerrar Stranger Things e, subitamente, encontrava-se a decorar páginas e páginas de diálogo técnico num prazo de dias. A frustração e a ansiedade acabaram por alimentar a própria personagem — algo que os criadores da série, Mickey Down e Konrad Kay, procuravam.

A entrada em Industry foi vertiginosa: audição numa quarta-feira, conversa com os criadores na sexta, voo de Atlanta para o Reino Unido e filmagens na segunda-feira seguinte.

Dois finais. Um novo começo.

Um adeus que ainda não terminou

Entrar numa série estabelecida foi uma experiência inédita para Heaton. Durante anos esteve do lado oposto — o de quem recebe novos membros no elenco. Agora era ele o recém-chegado.

O peso emocional de terminar Stranger Things ainda estava fresco. A série marcou uma geração e definiu grande parte da sua carreira. E, curiosamente, muitos fãs ainda resistem à ideia de que acabou de vez.

Heaton admite que é fascinante observar como o público processa o fim de algo tão marcante. A ligação entre elenco mantém-se — existe um grupo de mensagens activo — mas a sensação de encerramento ainda não está totalmente assimilada.

Quanto a um eventual regresso daqui a 20 anos? Não fecha a porta. Recorda que a ideia original dos criadores era saltar 15 anos entre temporadas. No mundo das franquias modernas, nunca se pode dizer nunca.

Do fantástico ao realismo brutal

A transição de um fenómeno global juvenil para um drama adulto, denso e moralmente ambíguo não podia ser mais contrastante. Mas talvez seja precisamente isso que torna o percurso interessante.

Em Industry, não há monstros sobrenaturais — apenas humanos levados ao limite. E, como a morte de Jim Dycker demonstra, esses podem ser ainda mais devastadores.

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Charlie Heaton iniciou esta nova fase a partir de um final. E, ironicamente, foi esse fim que lhe abriu a porta para provar que há vida — e risco artístico — depois de Hawkins.

“Ele Vai Ser Melhor do Que Eu”: Daniel Radcliffe Reage ao Novo Harry Potter da HBO

O eterno “rapaz que sobreviveu” passa a tocha — e pede espaço para a nova geração

O mundo mágico está prestes a ganhar uma nova cara. Com a série da HBO baseada nos livros de J. K. Rowling a preparar-se para adaptar a saga ao longo de oito temporadas, a escolha de um novo Harry Potter era inevitável. E agora, o próprio Daniel Radcliffe decidiu comentar a mudança.

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A reacção? Surpreendentemente humilde.

Radcliffe acredita que o jovem actor escolhido para interpretar o feiticeiro — Dominic McLaughlin — vai superá-lo no papel que o tornou mundialmente famoso.

“Aprendi enquanto fazia”

Numa entrevista recente ao ScreenRant, Radcliffe foi directo: “Tenho a certeza de que o Dominic vai ser melhor do que eu.” Uma afirmação que, vinda do actor que encarnou Harry durante uma década no grande ecrã, não deixa de ser simbólica.

Radcliffe explicou que cresceu literalmente em frente às câmaras. “Aprendi enquanto fazia”, admitiu. Olhando hoje para as suas interpretações nos primeiros filmes, consegue fazê-lo com mais benevolência do que no passado. “Agora vejo com mais carinho e menos embaraço”, confessou, sublinhando que passou grande parte da saga a descobrir como actuar enquanto já estava a protagonizar uma das maiores franquias da história do cinema.

Recorde-se que Radcliffe assumiu o papel em 2001, com Harry Potter and the Philosopher’s Stone, dando início a um fenómeno cultural que redefiniu o cinema juvenil do início do século XXI.

Um pedido claro à imprensa

Mas houve algo mais importante do que a previsão optimista: um pedido.

Radcliffe considera que a imprensa está a prestar um desserviço aos novos actores ao insistir em comparações constantes com o elenco original. “Quando estes miúdos foram escolhidos, houve um discurso global de ‘temos de proteger estas crianças’”, recordou.

E acrescentou: se isso é mesmo para levar a sério, então uma das formas de o fazer é parar de perguntar constantemente sobre os actores anteriores — tanto aos novos como aos antigos.

Radcliffe não quer ser uma “presença espectral estranha” na vida destes jovens intérpretes. Prefere que tenham espaço para construir algo próprio, sem o peso permanente da comparação.

É uma posição sensata. Afinal, a nova série não será um remake directo dos filmes, mas uma adaptação televisiva mais extensa e detalhada dos livros.

Um novo capítulo em 2027

A série de HBO está prevista para estrear em 2027 e promete dedicar uma temporada a cada livro da saga. A aposta é clara: aprofundar personagens e subtramas que os filmes não conseguiram explorar em detalhe.

Entretanto, Radcliffe segue a sua carreira longe de Hogwarts. Actualmente promove a comédia desportiva da NBC, The Fall and Rise of Reggie Dinkins, onde interpreta um realizador desacreditado que decide fazer um documentário — uma escolha que demonstra o quanto o actor tem procurado diversificar papéis desde que deixou para trás a cicatriz em forma de relâmpago.

O universo de Harry Potter entra agora numa nova fase. E se depender da postura de Daniel Radcliffe, essa transição será feita com elegância, respeito e espaço criativo para a próxima geração.

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Afinal, todos tivemos o nosso Harry. Agora é a vez de outro jovem actor descobrir o que significa sobreviver — não apenas a Voldemort, mas também às expectativas do mundo inteiro.

Ninguém Esperava Isto: Martin Scorsese Surge no Trailer de The Mandalorian and Grogu

O realizador de Goodfellas invade o universo Star Wars — e a internet já reagiu

O novo trailer de The Mandalorian and Grogu trouxe batalhas, criaturas exóticas, Baby Yoda em modo irresistível… e uma surpresa absolutamente improvável: Martin Scorsese.

Sim, leu bem.

Cerca de vinte segundos após o início do trailer do novo filme do universo Star Wars, há um momento em que uma criatura alienígena fala — e a voz é inconfundível. O icónico realizador nova-iorquino empresta a sua entoação característica a um Ardennian, uma espécie de quatro braços e corpo coberto de pêlo, que gere uma loja e tenta encerrar uma conversa com Mando, que procura informações sobre um dos Hutts.

Scorsese em Star Wars. 2026 é oficialmente o ano em que tudo é possível.

De Goodfellas a uma criatura de quatro braços

O realizador de Goodfellas não é totalmente estranho ao trabalho de voz. Em 2004, participou na animação Shark Tale, onde deu vida a um peixe-balão particularmente ansioso. Ainda assim, ouvi-lo agora no meio de sabres de luz e caçadores de recompensas tem um sabor especial — sobretudo tendo em conta o seu conhecido cepticismo em relação ao cinema de super-heróis.

No trailer, o seu personagem surge como uma figura algo relutante, quase burocrática, a tentar cortar uma conversa com Din Djarin, interpretado por Pedro Pascal. É um cameo vocal breve, mas suficiente para incendiar as redes sociais.

E as reacções não tardaram.

Trailer redime receios?

O consenso geral entre os fãs parece ser positivo — e até de alívio. Depois de um teaser considerado morno e de um spot do Super Bowl que dividiu opiniões, este novo trailer conseguiu recuperar entusiasmo.

Comentários nas redes sociais elogiam a montagem e o tom mais aventureiro. Alguns chegam a afirmar que quem editou o trailer “salvou o filme”. Outros destacam que a proposta parece finalmente assumir aquilo que muitos desejam: diversão pura, espírito de aventura e uma experiência claramente pensada para o grande ecrã.

Há, no entanto, uma nuance importante.

Star Wars para uma nova geração?

The Mandalorian and Grogu parece apostar assumidamente num tom mais familiar. Isso tem gerado alguma resistência entre fãs mais antigos, que preferem narrativas mais densas ou politicamente complexas.

Por outro lado, pode ser uma estratégia inteligente para reintroduzir Star Wars no cinema junto de uma nova geração. Muitos pais sublinham que este será o primeiro filme da saga que os filhos já têm idade para ver em sala. E isso pesa.

O projecto é realizado por Jon Favreau, nome que não é estranho a revitalizações bem-sucedidas: lançou o Universo Cinematográfico Marvel com Iron Man e foi peça-chave no arranque de The Mandalorian em 2019 na televisão.

O filme marca também o regresso de Star Wars ao grande ecrã após sete anos de ausência — um hiato significativo para uma das maiores franquias da história do cinema.

A estreia está marcada para 22 de Maio.

Se o filme corresponder ao entusiasmo gerado por este trailer, poderá representar não apenas o regresso de Mando e Grogu, mas também um novo começo para a saga no cinema.

E quem diria que, pelo meio, ouviríamos Martin Scorsese a negociar informações com um caçador de recompensas intergaláctico?

O universo realmente expandiu-se.

O Hip-Hop de Belfast Não Pede Licença:  Chega ao TVCine Edition

Uma história verídica, irreverente e explosiva

Há filmes que contam uma história. E há outros que parecem sair directamente de um concerto suado, cheio de fumo, provocação e palavras afiadas como navalhas. Kneecap – O Trio de Belfast pertence claramente à segunda categoria.

Baseado numa história verídica, o filme acompanha três jovens de Belfast que encontram no hip-hop uma arma cultural — não para destruir, mas para afirmar identidade, língua e pertença. A estreia acontece no TVCine Edition, a 21 de Fevereiro, às 22h00, ficando também disponível no TVCine+, como refere o material oficial  .

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Mais do que um biopic musical, estamos perante um retrato geracional carregado de irreverência, humor mordaz e energia política.

Belfast, tensão e rimas em duas línguas

Em Belfast, cidade marcada por décadas de tensões sociais e políticas, três amigos — Liam Óg Ó hAnnaidh, Naoise Ó Cairealláin e J.J. Ó Dochartaigh — unem-se para formar os Kneecap. Conhecidos artisticamente como Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí, os próprios músicos interpretam versões ficcionadas de si mesmos no grande ecrã  .

A particularidade? Cantam em inglês e em irlandês, misturando crítica social com um humor corrosivo e uma energia quase punk. Entre concertos underground, confrontos com a autoridade e laços de amizade que resistem à pressão do meio envolvente, o filme mostra como o grupo se transformou numa voz poderosa para uma nova geração  .

Não é apenas música. É afirmação cultural.

Um triunfo crítico e premiado

Realizado por Rich Peppiatt, o filme tem sido amplamente elogiado pela crítica pela sua autenticidade e ousadia narrativa  . A recepção não ficou apenas nas palavras: Kneecap – O Trio de Belfast venceu o BAFTA de Melhor Estreia de um Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico e arrecadou sete prémios nos British Independent Film Awards em 2024, incluindo Melhor Filme Independente  .

Na Variety, o crítico Carlos Aguilar descreveu-o como “um triunfo tumultuoso, carregado de drogas, em nome da liberdade, que transborda de uma energia indomável”  .

A descrição encaixa: o filme não pede desculpa, não suaviza arestas, nem tenta ser consensual. Tal como a música dos Kneecap, prefere provocar do que agradar.

Juventude, resistência e identidade

O grande mérito do filme está em captar a tensão entre diversão e protesto. A irreverência não surge como pose, mas como mecanismo de sobrevivência. Crescer numa cidade com cicatrizes históricas profundas implica escolher como se responde a esse passado. O trio escolheu fazê-lo com rimas, batidas e um microfone.

Kneecap – O Trio de Belfast não romantiza o contexto nem transforma os protagonistas em heróis clássicos. Mostra-os como jovens imperfeitos, impulsivos, cheios de contradições — mas também determinados a reivindicar espaço numa cultura que muitas vezes marginaliza a sua língua e identidade.

No panorama do cinema musical recente, este é um dos exemplos mais vibrantes de como a cultura urbana pode ser filmada com nervo e verdade.

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No sábado, 21 de Fevereiro, às 22h00, o hip-hop de Belfast invade o pequeno ecrã português. E não vem pedir autorização.

A Noiva: O Monstro Que Sempre Viveu na Sombra Regressa — Agora Pela Mão de Maggie Gyllenhaal

Do mito clássico ao delírio romântico de The Bride!

Há personagens que marcaram a história do cinema mesmo tendo aparecido apenas durante alguns minutos. A Noiva surgiu em 1935, no clássico Bride of Frankenstein, realizado por James Whale, e apesar do reduzido tempo de ecrã tornou-se uma das imagens mais icónicas do terror universal.

O cabelo electrizado, o olhar assustado, o grito lancinante perante o monstro que lhe estava destinado. Bastou isso para entrar no imaginário colectivo.

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Quase noventa anos depois, a personagem regressa aos cinemas portugueses a 5 de Março com uma nova identidade e uma ambição muito mais ousada. A Noiva — no original The Bride! — é realizado por Maggie Gyllenhaal, que depois da surpreendente estreia atrás das câmaras com The Lost Daughter volta a mergulhar numa história feminina intensa, mas agora com contornos góticos, musicais e assumidamente excêntricos.

E sim, estamos longe de um simples remake.

Um Frankenstein em plena Chicago dos anos 30

The Bride! transporta o mito para a Chicago dos anos 30, num ambiente industrial, decadente e estilizado, onde horror se cruza com melodrama e até com elementos musicais. A proposta de Gyllenhaal não é reverente — é reinterpretativa.

A história acompanha Frankenstein — aqui interpretado por Jake Gyllenhaal — que pede a um cientista para criar uma companheira. A mulher ressuscitada ganha vida na pele de Jessie Buckley, actriz que tem demonstrado uma intensidade rara no cinema contemporâneo.

Mas, tal como no filme de 1935, a criatura não reage como esperado. Só que desta vez a narrativa não se limita ao momento da recusa. A Noiva sobrevive, foge, descobre o mundo e constrói uma identidade própria. A premissa sugere uma abordagem quase punk ao mito clássico: em vez de aceitar o destino traçado, ela revolta-se.

O elenco reforça a ambição do projecto. Christian Bale e Penélope Cruz integram também o filme, elevando-o desde logo a uma das produções mais aguardadas do ano no circuito de autor com músculo de grande estúdio.

A criatura que nunca teve escolha — agora com voz própria

No filme original, a Noiva nasce já condenada: criada como companheira para o monstro, concebida como solução para a sua solidão, desenhada para amar alguém que nunca escolheu. A sua recusa — um grito, um gesto de horror — tornou-se um dos momentos mais poderosos do cinema clássico.

Gyllenhaal parte dessa mesma centelha, mas transforma-a em combustão narrativa. A nova versão parece interessada em explorar o que acontece depois do “não”. O que significa existir apenas para satisfazer o desejo de outro? E o que acontece quando essa criação ganha consciência?

Há indicações de que o filme mistura horror gótico com uma dimensão quase operática, assumindo o excesso emocional e visual como parte da linguagem. A estética deverá ser estilizada, teatral, com um lado sombrio mas também irónico. Não se trata apenas de sustos: trata-se de identidade, liberdade e da recusa em aceitar um destino imposto.

Romance trágico ou manifesto de autonomia?

Uma das grandes questões será a relação entre Frankenstein e a sua criação. No clássico, a dinâmica era fatalista: duas criaturas condenadas à marginalidade. Aqui, parece haver mais espaço para conflito ideológico e emocional.

A Noiva não surge apenas como objecto de desejo, mas como sujeito activo da narrativa. E isso altera tudo. Em vez de um apêndice do mito masculino, passa a ser o seu centro.

Num momento em que Hollywood revisita constantemente os seus monstros fundadores, poucos regressos parecem tão arriscados quanto este. The Bride! não procura apenas actualizar o visual — quer redefinir o significado da personagem.

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A 5 de Março, o público português poderá descobrir se Maggie Gyllenhaal conseguiu transformar um ícone silencioso num grito cinematográfico à altura do século XXI.

Se o filme cumprir o que promete, esta Noiva não veio para casar. Veio para reescrever o próprio mito.

Keanu Reeves Acelera na Fórmula 1: O Novo Documentário Que Vai Mostrar os Bastidores da Cadillac

“Tudo muito intenso”: actor mergulha no nascimento da nova equipa norte-americana

Keanu Reeves está de regresso ao universo da Fórmula 1 — mas desta vez não como mero fã apaixonado. O actor encontra-se a produzir um novo documentário centrado nos bastidores da equipa Cadillac Formula 1 Team, a mais recente formação a juntar-se à grelha do campeonato mundial.

O projecto, anunciado em Julho de 2025, promete acompanhar de perto todo o processo de criação da estrutura norte-americana: desde a candidatura à entrada na competição até à preparação para a primeira corrida da temporada, marcada para Março.

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Falando à F1 TV durante os testes de pré-temporada no Bahrain, Reeves confirmou o seu envolvimento directo: “Sim, faço parte do documentário sobre a equipa Cadillac na Fórmula 1. O trabalho na criação da equipa, o trabalho na candidatura e o seu percurso até à primeira corrida em Março.”

Dos milagres da Brawn ao desafio Cadillac

Não é a primeira incursão de Reeves no mundo das corridas. Em 2023, foi o rosto e narrador de Brawn: The Impossible Formula 1 Story, série documental lançada na Disney+ e na BBC que contou a história improvável da equipa Brawn GP, campeã do mundo em 2009.

A experiência parece ter despertado um interesse ainda mais profundo pelo funcionamento interno do desporto automóvel.

“É incrível o quão profundos são estes processos”, afirmou o actor. “De fora, parece tudo muito intenso. Se olharmos para o carro de corrida, para a pista, para o lado técnico, a formação de uma equipa, o que é preciso para ter o carro, todos os elementos, a mudança nas regras… é impressionante.”

A intensidade de que fala não é apenas mecânica — é também estratégica, política e financeira. Criar uma equipa de Fórmula 1 é um exercício de precisão industrial e visão empresarial.

Uma história de ambição americana

A nova estrutura é liderada pela TWG Motorsports, em parceria com a General Motors, que traz a marca Cadillac para o palco máximo do automobilismo.

Dan Towriss (frequentemente referido como Dan Tauris em alguns contextos), CEO da TWG Motorsports e da equipa Cadillac, descreveu o documentário como “uma história de ambição audaciosa e de busca implacável”.

“É uma honra trabalhar com Keanu, cuja paixão e conhecimento sobre corridas são profundos, e estamos orgulhosos de fazer parceria com a General Motors nesta história incrível”, afirmou.

O objectivo passa também por captar uma nova geração de fãs para a Fórmula 1, aproveitando o alcance global e o carisma de Reeves para dar dimensão humana a um projecto eminentemente técnico.

Hollywood encontra a velocidade máxima

Nos últimos anos, a Fórmula 1 tornou-se um fenómeno mediático cada vez mais forte, impulsionado por séries documentais e pelo crescente interesse do público norte-americano na modalidade.

Com Keanu Reeves ao leme criativo, o documentário da Cadillac promete combinar o rigor dos bastidores com uma narrativa cinematográfica envolvente.

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Se a pista é palco de décimos de segundo, fora dela cada decisão pode definir anos de trabalho. E Reeves parece determinado a mostrar exactamente isso: que por trás de cada carro existe uma máquina muito maior — feita de pessoas, risco e ambição.

Para já, uma coisa é certa: a temporada ainda nem começou e já há um documentário que promete acelerar corações.

Do YouTube para a Eurovisão: Look Mum No Computer Vai Representar o Reino Unido em Viena

Artista electrónico promete “algo diferente” para inverter maus resultados britânicos

O Reino Unido decidiu arriscar — e arriscar a sério. O artista electrónico e criador digital Look Mum No Computer foi escolhido para representar o país na 70.ª edição do Eurovision Song Contest, que terá lugar em Viena, anunciou a BBC.

Conhecido fora dos palcos como Sam Battle, o músico construiu uma carreira singular que mistura electrónica, engenharia e espectáculo. Para além de cantor e compositor, é também uma estrela do YouTube, onde documenta a criação de máquinas musicais improváveis — de órgãos feitos com bonecos Furby a sintetizadores montados em bicicletas e teclados que disparam chamas.

Anderson Cooper Sai de “60 Minutes” Após Duas Décadas em Meio a Turbulência na CBS News

“É completamente louco estar a embarcar nesta jornada maravilhosa e selvagem”, afirmou o artista, confessando ser fã assumido da Eurovisão. “É uma honra enorme representar o Reino Unido.”

De Glastonbury à maior montra da pop europeia

Sam Battle surgiu na cena musical em 2014 como vocalista da banda indie Zibra, que actuou no Festival de Glastonbury em 2015 através do BBC Introducing. Desde então, reinventou-se como projecto a solo sob o nome Look Mum No Computer, apostando numa identidade visual e sonora muito própria.

Com cerca de 1,4 milhões de seguidores combinados nas redes sociais, tornou-se uma figura de culto no universo da electrónica experimental. A BBC destacou precisamente essa originalidade na escolha.

Kalpna Patel-Knight, responsável pelo entretenimento da estação pública britânica, elogiou a “visão ousada, som único e estilo eléctrico” do artista, sublinhando que ele representa criatividade, ambição e um humor tipicamente britânico.

“Vamos tentar algo diferente”

A canção que levará a Viena ainda não foi revelada, mas o radialista Scott Mills, da BBC Radio 2, já a ouviu — e garante que não será uma aposta segura.

“O Reino Unido é muitas vezes criticado por jogar pelo seguro na Eurovisão. Este ano vamos tentar algo diferente. Porque não?”, disse.

Segundo Mills, a música mistura referências improváveis: um toque de “Now You’re Gone” de Basshunter, ecos de “Parklife” dos Blur, sintetizadores à Pet Shop Boys e The Human League, uma pitada de Verka Serduchka e até um leve espírito punk à Sex Pistols. Tudo misturado num “grande hino” pensado para incendiar a arena.

A estreia radiofónica acontecerá nas próximas semanas no programa matinal de Mills.

Reino Unido quer quebrar ciclo de resultados modestos

O concurso deste ano realiza-se em Viena após a vitória do cantor austríaco JJ na edição anterior. A final está marcada para 16 de Maio, numa edição já marcada por polémica, depois de cinco países terem desistido na sequência da confirmação da participação de Israel.

Para o Reino Unido, o objectivo é claro: inverter uma série de resultados pouco animadores. Depois do segundo lugar de Sam Ryder em 2022, o país voltou a tropeçar. Mae Muller ficou em penúltimo lugar, Olly Alexander terminou em 18.º e Remember Monday ficou em 19.º.

Com Look Mum No Computer, Londres aposta agora numa identidade marcadamente alternativa, tecnológica e imprevisível.

Morreu Frederick Wiseman: O Cineasta Que Transformou Instituições em Monumentos Humanos

Se a Eurovisão é palco de extravagância, criatividade e espectáculo, talvez este seja mesmo o ano certo para um inventor de sintetizadores flamejantes subir ao palco europeu.

Anderson Cooper Sai de “60 Minutes” Após Duas Décadas em Meio a Turbulência na CBS News

Fim de uma era nos domingos à noite da televisão norte-americana

Anderson Cooper anunciou esta segunda-feira que vai deixar o prestigiado programa de jornalismo investigativo 60 Minutes, da CBS News, depois de quase 20 anos como correspondente. A sua saída ocorre num momento de mudanças profundas no canal, sob a liderança da nova editora-chefe Bari Weiss — uma fase que tem sido descrita como turbulenta para o icónico programa dominical.  

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Cooper, que também é âncora no canal CNN — onde apresenta o seu próprio programa de notícias desde 2003 — fez saber que tomou esta decisão para passar mais tempo com os seus filhos pequenos, um motivo que destacou oficialmente. Na sua declaração, considerou que trabalhar em 60 Minutes foi “uma das grandes honras” da sua carreira, recordando as histórias marcantes que contou e os profissionais com quem colaborou ao longo de tantos anos.  

Mudanças internas e dúvidas sobre a independência editorial

O anúncio da saída de Cooper chega no contexto de alterações significativas na direcção editorial da CBS News desde que David Ellison, proprietário da cadeia, nomeou Bari Weiss como editora-chefe em Outubro de 2025. A escolha de Weiss — uma jornalista de opinião sem experiência prévia em televisão — tem suscitado críticas e levantado questões sobre a independência jornalística da empresa.  

Um dos episódios mais polémicos sob a nova liderança ocorreu em Dezembro, quando a direção de 60 Minutes reteve um report sobre o centro penitenciário Cecot em El Salvador — uma investigação que examinava a detenção de imigrantes venezuelanos enviada pela administração Trump — alegando que faltava a perspectiva do próprio governo norte-americano, apesar de este ter recusado pedidos de comentário. Esse caso contribuiu para as dúvidas sobre interferências editoriais no programa.  

Além disso, relatórios recentes indicam que a saída de Cooper acontece em paralelo com outras mudanças de bastidores e despedimentos planeados para reforçar a chamada “mentalidade de streaming” da rede, numa tentativa de melhorar audiências que têm ficado atrás de rivais como ABC e NBC.  

Uma carreira marcada por reportagens globais e impacto jornalístico

Cooper começou a colaborar com 60 Minutes na temporada de 2006–2007, num acordo único que lhe permitiu continuar a trabalhar para a CNN ao mesmo tempo. Ao longo desses anos, fez reportagens sobre temas tão variados como as consequências de infecções prolongadas pós-Covid, respostas a desastres naturais e a descoberta de um que se crê ser o último navio negreiro a chegar aos Estados Unidos.  

Antes disso, a sua carreira no jornalismo já o tinha levado a cobrir eventos de grande impacto internacional, incluindo a guerra no Iraque, o furacão Katrina e o derramamento de petróleo no Golfo do México, consolidando-o como uma das vozes mais conhecidas e respeitadas da televisão americana ao longo das últimas duas décadas.  

CBS News manifestou o seu agradecimento pelo contributo de Cooper ao longo dos anos e deixou a porta aberta para uma possível colaboração futura, caso ele deseje regressar.  

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A sua saída marca o fim de um capítulo importante na história de 60 Minutes, e reflecte tanto escolhas profissionais e pessoais como um período de transição para o jornalismo televisivo tradicional num mundo mediático em rápida evolução

Morreu Frederick Wiseman: O Cineasta Que Transformou Instituições em Monumentos Humanos

Um olhar imersivo e sem concessões sobre a vida real

O cinema documental perdeu uma das suas vozes mais singulares. Morreu Frederick Wiseman, aos 96 anos, deixando uma obra monumental que redefiniu a forma como olhamos para as instituições e, através delas, para nós próprios.

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Ao longo de mais de cinco décadas, Wiseman construiu um corpo de trabalho que recusava atalhos narrativos, explicações fáceis ou comentários em “off”. Nos seus filmes não há narrador, não há entrevistas conduzidas pelo realizador, não há legendas orientadoras. Há apenas o mundo — cru, complexo, desconfortável — diante da câmara.

Se muitos documentários assentam num conceito claro e numa tese evidente, os de Wiseman eram o oposto: vastos, imersivos, exigentes. Não cabiam num “elevator pitch”. Eram o edifício inteiro.

O maximalismo aplicado ao quotidiano

Tradicionalmente, associamos filmes de duração épica a acontecimentos históricos extraordinários — como Shoah, de Claude Lanzmann, ou The Sorrow and the Pity, de Marcel Ophüls. Wiseman fez algo diferente: aplicou essa escala monumental a temas aparentemente banais.

Em Titicut Follies (1967), mergulhou na vida quotidiana de um hospital psiquiátrico para criminosos no Massachusetts. Em Welfare (1975), realizou um retrato devastador da burocracia da assistência social em Nova Iorque. Em Near Death(1989), com cerca de seis horas de duração, acompanhou decisões clínicas numa unidade de cuidados intensivos.

O seu método era paciente e observacional. Filmava longamente, montava com rigor extremo e deixava que as estruturas institucionais se revelassem através das interacções humanas. O resultado eram obras densas, sem música manipuladora nem explicações didácticas, mas cheias de humanidade.

“Welfare”: o labirinto kafkiano da assistência social

Entre os seus muitos trabalhos, Welfare é frequentemente apontado como obra-prima. O filme acompanha funcionários exaustos, seguranças e cidadãos desesperados dentro de um sistema que parece simultaneamente indispensável e impenetrável.

O título encerra uma ironia amarga: o “bem-estar” prometido transforma-se num labirinto burocrático onde ninguém parece verdadeiramente vencer. Como num romance de Kafka, os protagonistas tentam aceder a algo que está sempre fora de alcance.

Wiseman não julga. Observa. E é nessa ausência de comentário explícito que reside a força — e também a exigência — do seu cinema.

Um arquivo vivo da condição humana

Assistir a um documentário de Wiseman é como ter acesso a um arquivo gigantesco, uma base de dados audiovisual onde o espectador é convidado a construir as suas próprias conclusões. É um gesto profundamente democrático: a interpretação não é imposta, é partilhada.

Alguns críticos consideraram que essa abordagem poderia diluir o impacto político imediato. Outros — como o crítico Peter Bradshaw — viram nela algo raro: uma forma de empoderamento intelectual do espectador.

Entre os seus trabalhos mais recentes, destaca-se In Jackson Heights (2015), um retrato vibrante de uma comunidade nova-iorquina diversa sob pressão da gentrificação. O título não engana: sentimos verdadeiramente que estamos “em” Jackson Heights, vivendo o tempo e o espaço daquele lugar.

Frederick Wiseman filmou o sofrimento humano, os desafios colectivos e as possibilidades de mudança sem nunca recorrer ao espectáculo. As suas obras são monumentos silenciosos à complexidade da vida social.

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Num tempo de consumo rápido e narrativas simplificadas, o seu cinema lembrava-nos que compreender o mundo exige tempo, atenção e escuta.

E essa talvez seja a sua maior herança.

Hollywood Declara Guerra à IA: ByteDance Promete Travar “Seedance 2.0” Após Acusações de Pirataria

Gigantes do cinema acusam ferramenta chinesa de usar personagens protegidas sem autorização

A batalha entre Hollywood e a inteligência artificial ganhou um novo capítulo — e promete não ficar por aqui. A gigante tecnológica chinesa ByteDance anunciou que vai reforçar os mecanismos de protecção da sua nova ferramenta de criação de vídeo por IA, o Seedance 2.0, depois de uma onda de críticas vindas da indústria do entretenimento norte-americana.

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O Seedance 2.0 permite gerar vídeos realistas a partir de simples descrições em texto. O problema? Diversos vídeos que se tornaram virais nas redes sociais parecem incluir personagens protegidas por direitos de autor e até recriações de celebridades — sem qualquer autorização formal.

Num comunicado citado pela CNBC, a ByteDance afirmou respeitar os direitos de propriedade intelectual e garantiu estar a “tomar medidas para reforçar as salvaguardas existentes”, de forma a impedir o uso não autorizado de conteúdos protegidos.

Mas, para Hollywood, a resposta pode chegar tarde.

A Motion Picture Association exige acção imediata

A reacção mais contundente veio da Motion Picture Association (MPA), que representa os maiores estúdios de cinema norte-americanos, incluindo Netflix, Paramount Skydance, Sony Pictures, Universal Pictures, Warner Bros. Discovery e Disney.

Num comunicado público divulgado no final da semana passada, o presidente e CEO da MPA, Charles Rivkin, acusou directamente a empresa chinesa de permitir “uso não autorizado de obras protegidas em larga escala”.

Segundo Rivkin, ao lançar um serviço “sem salvaguardas significativas contra infrações”, a ByteDance estaria a ignorar leis de direitos de autor que sustentam milhões de empregos na indústria criativa dos Estados Unidos.

Disney avança com carta de cessação imediata

De acordo com a Axios, a Disney terá enviado uma carta formal de “cease-and-desist” à ByteDance, exigindo a interrupção imediata da utilização das suas propriedades intelectuais.

A acusação é particularmente grave: a empresa alega que o Seedance 2.0 foi disponibilizado já com uma espécie de biblioteca pirateada de personagens protegidas, apresentadas como se fossem imagens de domínio público.

Não é a primeira vez que a Disney enfrenta empresas de IA. Em Setembro, enviou um aviso semelhante à startup Character.AI por uso indevido das suas personagens. Curiosamente, enquanto combate algumas plataformas, a empresa tem vindo a investir noutras: celebrou recentemente um acordo de licenciamento com a OpenAI, permitindo o uso oficial de personagens das franquias Star Wars, Pixar e Marvel no gerador de vídeo Sora.

Já a Paramount Skydance também terá avançado com medidas legais semelhantes, segundo a Variety.

Um novo campo de batalha na era da IA

O caso Seedance 2.0 expõe uma tensão crescente entre inovação tecnológica e protecção da propriedade intelectual. As ferramentas de geração automática de imagem e vídeo evoluem a uma velocidade impressionante, mas a legislação continua a correr atrás dos acontecimentos.

A grande questão é simples, mas complexa na prática: como impedir que utilizadores criem conteúdos que reproduzam personagens protegidas sem bloquear totalmente o potencial criativo destas tecnologias?

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Para já, a ByteDance promete reforçar os seus filtros. Hollywood, por sua vez, promete não abrandar.

E no meio desta disputa está o futuro da criação digital — onde cada linha de código pode valer milhões.

Stephen Colbert Enfrenta a CBS em Directo e Publica Entrevista Proibida no YouTube

A polémica que agitou o “The Late Show” e reacendeu o debate sobre liberdade editorial

A televisão norte-americana voltou a entrar em território turbulento. Stephen Colbert revelou, em pleno monólogo do The Late Show with Stephen Colbert, que foi impedido pela CBS de entrevistar o deputado texano James Talarico.

O momento aconteceu no arranque do programa. Depois de apresentar a banda e anunciar a actriz Jennifer Garner como convidada da noite, Colbert perguntou ao público: “Sabem quem não é um dos meus convidados esta noite?” E respondeu de imediato: James Talarico.

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Segundo o apresentador, os advogados da cadeia televisiva contactaram directamente a produção para impedir a presença do político na emissão. Mais do que isso: terá sido também instruído a não mencionar publicamente que a entrevista tinha sido cancelada.

Naturalmente, fez exactamente o contrário.

A regra do “tempo de antena igual” volta ao centro da discussão

Colbert explicou que a decisão da CBS surge na sequência de novas orientações da Comissão Federal de Comunicações (FCC) sobre a chamada regra do “equal time”. Esta norma determina que, caso um candidato político qualificado apareça numa emissão, as estações de televisão devem conceder tempo equivalente aos seus adversários, caso estes o solicitem.

Historicamente, programas de informação têm estado isentos dessa obrigação ao abrigo da chamada “bonafide news exemption”. E, durante décadas, talk shows diurnos e nocturnos — como The View ou Jimmy Kimmel Live! — assumiram que também beneficiavam dessa excepção, mesmo quando recebiam figuras políticas como Joe Biden ou Kamala Harris.

Contudo, o presidente da FCC, Brendan Carr, indicou recentemente que essa interpretação poderá deixar de ser automática. Segundo Carr, a qualificação de um programa como “noticiário legítimo” dependerá de vários factores, incluindo a eventual “motivação partidária” por trás da escolha de convidados. Numa declaração particularmente polémica, afirmou: “Se forem ‘fake news’, não se qualificam para a excepção.”

Colbert comentou com ironia: “Não é surpresa que duas das pessoas mais afectadas por esta ameaça sejamos eu e o meu amigo Jimmy Kimmel.”

Da televisão para o YouTube

Numa reviravolta previsível — e estrategicamente moderna — Colbert anunciou que iria seguir o “conselho” implícito de Carr: publicou a entrevista completa com James Talarico no YouTube.

Se a televisão aberta impõe limites, as plataformas digitais oferecem margem de manobra. O gesto não é apenas uma provocação; é também um sinal dos tempos. A linha entre entretenimento e comentário político está cada vez mais ténue, e os late night hosts tornaram-se figuras influentes no debate público norte-americano.

A CBS ainda não comentou oficialmente o caso, mas a situação levanta questões delicadas sobre liberdade editorial, responsabilidade regulatória e o papel do humor político num cenário mediático altamente polarizado.

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No meio da tensão, Colbert fez aquilo que melhor sabe: transformou a controvérsia num espectáculo — e, ao mesmo tempo, numa declaração de princípios.

A Série Que Vai Falar de Sexo Como Nunca Vimos na Televisão Portuguesa

“Prazer Procura-se” estreia em Fevereiro e promete abalar tabus

Há séries que entretêm. Outras provocam. E depois há aquelas que fazem as duas coisas ao mesmo tempo — com frontalidade, humor e zero pudor. É o caso de Killjoy, que chega a Portugal com o título Prazer Procura-se.

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A estreia está marcada para 19 de Fevereiro, às 22h10, no TVCine Edition, com disponibilização também no TVCine+  . Uma proposta ousada que promete abrir conversas — e talvez algumas feridas — sobre sexualidade feminina e expectativas sociais.

Quando a “vida perfeita” começa a desmoronar

Nanna parece ter tudo controlado. Frequenta uma boa escola, mantém uma relação estável com um namorado carinhoso e aparenta equilíbrio emocional. Mas há um detalhe que muda tudo: percebe que nunca teve um orgasmo verdadeiro.

Esse momento de lucidez desencadeia uma crise profunda. Sentindo-se isolada e envergonhada por acreditar que é a única a fingir prazer no seu círculo social, Nanna começa a questionar não apenas a sua relação, mas também a imagem que construiu de si própria  .

Ao longo de seis episódios, acompanhamos esta busca crua e honesta pelo prazer — mas também pela verdade e autoaceitação. A série desmonta mitos, expõe inseguranças e enfrenta de frente as pressões invisíveis de uma sociedade obcecada com desempenho sexual e felicidade encenada  .

Humor mordaz e desconforto necessário

Produzida na Dinamarca, Prazer Procura-se equilibra comédia e drama numa narrativa intimista e contemporânea. A realização está a cargo de Jennifer Vedsted Christiansen e Emma Sehested Høeg, que assume também o papel principal e participa criativamente no projecto  .

A interpretação de Emma Sehested Høeg foi amplamente elogiada pela autenticidade e coragem com que dá voz a uma experiência feminina frequentemente silenciada. O reconhecimento não tardou: a série conquistou o prémio de Melhor Série TV de Curta Duração nos Danish Film Awards 2024  .

Com diálogos acutilantes, situações desconfortáveis e humor mordaz, a produção assume-se como um retrato geracional que não tem medo de ser explícito quando necessário.

Uma estreia que promete dar que falar

Com seis episódios, Prazer Procura-se estreia a 19 de Fevereiro e segue depois para exibição nas quintas-feiras seguintes no TVCine Edition  .

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Num panorama televisivo ainda reticente em abordar a sexualidade feminina com frontalidade, esta série dinamarquesa surge como uma lufada de ar fresco — ou talvez como um abanão necessário.

Porque, às vezes, procurar prazer é também procurar verdade.

O Regresso Mais Emocionante da Televisão Está Quase Aí — E Chega em Exclusivo a Portugal

“Sullivan’s Crossing” volta com a 3.ª temporada já em Março

Há regressos que sabem a casa. E a terceira temporada de Sullivan’s Crossing promete precisamente isso: emoção, reencontros e decisões que mudam vidas.

A nova temporada estreia em Portugal no dia 3 de Março, em exclusivo no TVCine+, numa aposta que reforça o compromisso dos Canais TVCine em trazer ao público nacional algumas das séries mais faladas do momento  .

Morreu Robert Duvall: O Silencioso Gigante Que Deu Alma a “O Padrinho” e Eternizou o Napalm de “Apocalypse Now”

Baseada na série de bestsellers da autora norte-americana Robyn Carr, a produção acompanha a história de Maggie Sullivan, uma neurocirurgiã cuja vida aparentemente perfeita sofre um abalo profundo após um escândalo profissional.

Um regresso às origens… e às emoções

Interpretada por Morgan Kohan, Maggie vê-se forçada a regressar à sua cidade natal e ao parque de campismo gerido pelo pai, situado na deslumbrante região costeira da Nova Escócia. O que começa como uma fuga transforma-se numa jornada de reconciliação, autodescoberta e segundas oportunidades.

Ao longo das duas primeiras temporadas, Sullivan’s Crossing conquistou uma base sólida de fãs graças à combinação de drama familiar, romance e temas de redenção. Não é apenas uma série sobre recomeços — é um retrato sensível das fragilidades humanas e da força dos laços comunitários.

O que esperar da terceira temporada?

A nova temporada, composta por 10 episódios disponibilizados em simultâneo, retoma a narrativa após o impactante final anterior, em que o pai de Maggie sofre um AVC  . Determinada a permanecer em Sullivan’s Crossing, Maggie tenta reconstruir a sua vida num contexto cada vez mais complexo.

Entre os desafios que enfrenta estão as consequências de um devastador incêndio na propriedade e a necessidade de redefinir o seu futuro profissional. Paralelamente, a relação com Cal Jones, personagem de Chad Michael Murray, entra numa nova fase, exigindo equilíbrio, maturidade e coragem.

As emoções estarão à flor da pele e as relações dentro da pequena comunidade serão testadas como nunca antes  .

Uma maratona pronta a acontecer

Para quem ainda não mergulhou neste universo, a segunda temporada já se encontra disponível no TVCine+, permitindo uma preparação ideal para a estreia da T3  .

Com todos os episódios lançados em simultâneo, o dia 3 de Março promete ser sinónimo de maratona. Romance, conflitos familiares e decisões difíceis aguardam os espectadores.

“28 Years Later: The Bone Temple” Falhou no Cinema… Mas Pode Renascer em Casa?

Se há séries que confortam como um abraço num dia frio, Sullivan’s Crossing é uma delas. E esta nova temporada promete provar que, mesmo depois de um incêndio — literal ou emocional — é possível reconstruir.

Morreu Robert Duvall: O Silencioso Gigante Que Deu Alma a “O Padrinho” e Eternizou o Napalm de “Apocalypse Now”


Um dos maiores actores da história do cinema partiu aos 95 anos

Hollywood perdeu um dos seus pilares mais sólidos. Morreu Robert Duvall, aos 95 anos, deixando para trás uma carreira monumental que atravessou mais de seis décadas de cinema norte-americano. O actor faleceu “pacificamente” no domingo, na sua casa em Middleburg, no estado da Virgínia, segundo comunicado divulgado pelos seus representantes em nome da esposa, Luciana.

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Discreto fora do ecrã e avassalador quando a câmara começava a rodar, Duvall construiu uma filmografia que inclui alguns dos títulos mais influentes da história do cinema, como The Godfather e Apocalypse Now. Foi ainda vencedor do Óscar de Melhor Actor por Tender Mercies (conhecido em Portugal como Amor e Compaixão).

Um início tardio… e inesquecível

Nascido em 1931, Duvall cruzou-se em Nova Iorque, nos anos 50, com nomes como Gene HackmanDustin Hoffman e James Caan — uma geração que viria a transformar o cinema americano. No entanto, o seu percurso arrancou de forma discreta, com pequenos papéis em televisão.

A estreia no grande ecrã aconteceu com um papel breve mas marcante: Boo Radley em To Kill a Mockingbird (Na Sombra e no Silêncio). Mesmo com poucos minutos em cena, a sua presença ficou gravada na memória do público.

Durante os anos 60, alternou entre televisão e cinema, surgindo em filmes como Bullitt e The Detective, consolidando-se como um actor de enorme versatilidade e rigor interpretativo.

Tom Hagen: o homem que falava pouco, mas dizia tudo

A verdadeira viragem chegou quando Francis Ford Coppola lhe confiou o papel de Tom Hagen, o filho adoptivo e “consigliere” da família Corleone em The Godfather Part II e no primeiro O Padrinho.

Num elenco que incluía Al Pacino e Diane Keaton, Duvall destacou-se pela contenção, inteligência e subtileza. Foi nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário, e a sua interpretação tornou-se um modelo de composição minimalista.

A ausência em O Padrinho – Parte III ficou marcada por divergências salariais, mas isso em nada diminuiu o peso da sua contribuição para a saga.

“Adoro o cheiro de napalm pela manhã”

Se Tom Hagen revelou a sua mestria silenciosa, o coronel Kilgore em Apocalypse Now mostrou o seu lado mais exuberante. A frase “I love the smell of napalm in the morning” tornou-se uma das mais icónicas da história do cinema.

Apesar de ser uma presença relativamente breve no filme, Duvall conseguiu criar uma personagem maior do que a própria narrativa — um feito reservado apenas aos grandes.

O Óscar e o reconhecimento definitivo

Em 1983, conquistou finalmente o Óscar de Melhor Actor com Tender Mercies, interpretando um cantor country decadente em busca de redenção. Foi o reconhecimento de uma carreira já repleta de personagens memoráveis.

Ao longo das décadas seguintes, continuou a trabalhar com consistência admirável, sempre fiel a um estilo interpretativo assente na verdade emocional e na precisão técnica.

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Robert Duvall nunca foi um actor de excessos. Não precisava. Bastava-lhe estar presente para elevar qualquer cena. Num cinema muitas vezes dominado por vedetas ruidosas, ele foi o mestre da subtileza.

Hoje, o cinema despede-se de um dos seus mais sólidos artesãos. E o eco do napalm continuará a ouvir-se, geração após geração.

“28 Years Later: The Bone Temple” Falhou no Cinema… Mas Pode Renascer em Casa?

A sequela que dividiu o público e desapontou nas bilheteiras

Um mês após a estreia, 28 Years Later: The Bone Temple enfrenta uma realidade difícil: críticas positivas não foram suficientes para salvar o filme nas bilheteiras. A sequela do universo iniciado por 28 Days Later arrecadou 25 milhões de dólares nos Estados Unidos e mais 31 milhões no mercado internacional, perfazendo um total mundial de 56 milhões.

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Para perceber a dimensão da quebra, basta recordar que o capítulo anterior da saga ultrapassou os 151 milhões de dólares apenas no mercado internacional. A diferença é brutal e levanta uma questão inevitável: terá o público perdido o interesse nesta história de sobrevivência pós-apocalíptica?

O mercado doméstico pode ser a salvação?

Nem tudo está perdido. A estreia digital acontece já a 17 de Fevereiro nas principais plataformas, incluindo iTunes, Fandango at Home e Prime Video. Já as edições físicas em 4K UHD e Blu-ray chegam a 21 de Abril.

O género de terror tem, historicamente, um comportamento curioso: muitos títulos encontram uma segunda vida fora das salas de cinema. O boca-a-boca positivo pode desempenhar aqui um papel decisivo, sobretudo para espectadores que hesitaram em pagar bilhete mas estão dispostos a arriscar a partir do sofá.

Além disso, a recepção crítica foi claramente mais favorável do que a do filme anterior. E há um elemento que se destacou de forma quase unânime: a interpretação de Ralph Fiennes como Dr. Kelson.

O que correu mal?

A ironia é evidente. The Bone Temple obteve um CinemaScore A–, uma classificação raríssima para um filme de terror. A crítica também se mostrou maioritariamente favorável, elogiando a abordagem mais introspectiva e moralmente ambígua da narrativa.

Mas talvez esteja aí parte do problema.

Enquanto muitos fãs esperavam um regresso ao caos visceral dos infectados, esta sequela optou por aprofundar conflitos humanos e dilemas éticos. Dr. Kelson surge como um médico à beira de uma descoberta científica crucial — potencialmente um tratamento para os infectados — mas vê-se envolvido numa guerra ideológica com o perturbado líder de culto Sir Lord Jimmy Crystal, interpretado por Jack O’Connell.

A tensão cresce quando Spike, personagem de Alfie Williams, regressa ao centro do conflito. O resultado é um filme mais contido, mais psicológico, talvez menos “evento” do que o público mainstream procura numa grande estreia de terror.

Num mercado saturado de lançamentos e com o público cada vez mais selectivo, isso pode ter pesado.

Edição caseira recheada de extras

Para os fãs da saga, a edição física traz um conjunto interessante de conteúdos adicionais:

  • Comentário áudio da realizadora Nia DaCosta
  • Documentários de bastidores: New BloodThe Doctor and the Devil e Beneath the Rage
  • Uma cena eliminada
  • Bloopers intitulados “Infected Takes”

É um pacote sólido, capaz de atrair coleccionadores e entusiastas do género.

E o terceiro filme?

A grande incógnita permanece: o anunciado terceiro capítulo da trilogia. O projecto prevê o regresso de Cillian Murphy ao papel de Jim, protagonista do filme original.

A concretização desse plano poderá depender, em larga medida, do desempenho desta sequela no mercado doméstico. Se The Bone Temple conseguir conquistar uma nova vaga de espectadores em digital e Blu-ray, o estúdio poderá ainda apostar na conclusão da trilogia.

Caso contrário, este poderá ser o momento em que uma das sagas mais marcantes do terror moderno perde definitivamente o seu fôlego.

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Resta saber se o público está preparado para regressar a este mundo infectado — mesmo que seja apenas através do comando da televisão.

O Lado Sombrio da Maternidade: “Nightborn” Leva o Horror às Emoções Que Ninguém Quer Falar

Há filmes de terror que apostam em sustos fáceis. E depois há aqueles que preferem mexer nas zonas mais desconfortáveis da experiência humana. É precisamente aí que se posiciona Nightborn, a nova fábula nórdica apresentada em competição no Berlin International Film Festival.

Realizado por Hanna Bergholm, o filme — cujo título original é Yön Lapsi — mergulha nas emoções difíceis que emergem com a parentalidade, explorando tabus persistentes em torno da maternidade e do corpo feminino.

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Quando a Alegria Dá Lugar ao Medo

A narrativa acompanha Saga (interpretada por Seidi Haarla) e o seu marido britânico Jon, papel assumido por Rupert Grint. O casal retira-se para o isolamento das florestas finlandesas, pronto para iniciar uma nova etapa como pais.

Mas o que começa como uma história de expectativa e entusiasmo transforma-se gradualmente numa experiência inquietante. Após o nascimento do bebé, algo parece errado — não apenas no comportamento da criança, mas na própria percepção de Saga. A dúvida instala-se: o que é real e o que é projecção emocional?

Bergholm constrói o filme a partir da perspectiva da mãe, deixando ao público a responsabilidade de interpretar os acontecimentos. A ambiguidade torna-se parte essencial da experiência, reforçando a tensão psicológica.

O Horror da Experiência Real

Mais do que criaturas sobrenaturais, Nightborn centra-se na fisicalidade do parto e nas transformações do corpo feminino — aspectos frequentemente ignorados nas narrativas convencionais.

A realizadora sublinha que queria mostrar o sangue, a dor, a fragilidade e até as possíveis rupturas físicas associadas ao nascimento. “É humano, é natural”, defende, apontando para o silêncio social que ainda envolve estes temas.

Rupert Grint revelou que o projecto teve um impacto particular na sua vida pessoal, já que aceitou o papel pouco depois de saber que iria ser pai. A experiência de interpretar Jon, num contexto tão carregado de medo e vulnerabilidade, ganhou assim uma dimensão inesperadamente íntima.

Ecos de “Rosemary’s Baby”?

Inevitavelmente, surgem comparações com Rosemary’s Baby, clássico do terror psicológico realizado por Roman Polanski. Questionada sobre a influência, Bergholm respondeu com humor que o seu filme “começa onde Rosemary’s Baby termina”.

A afirmação é reveladora. Em vez de se centrar na paranoia pré-natal, Nightborn investiga o que acontece depois — quando a criança já nasceu e a realidade física substitui a expectativa.

Um Novo Caminho para o Terror Nórdico

O cinema nórdico tem vindo a afirmar-se no panorama internacional através de histórias que combinam paisagens naturais imponentes com inquietação psicológica. Nightborn insere-se nessa tradição, mas acrescenta uma dimensão profundamente íntima e contemporânea.

Ao abordar o medo da inadequação parental, a solidão pós-parto e os conflitos internos que raramente são verbalizados, Bergholm transforma o terror num espelho emocional.

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Mais do que assustar, o filme parece querer confrontar — e talvez libertar. Porque, tal como a própria realizadora sugere, enfrentar as emoções pode ser mais perturbador do que qualquer criatura da noite.

O Hulk Selvagem Está de Volta? Primeiras Imagens de Spider-Man: Brand New Day Revelam Novo Visual e Vilões Clássicos

A expectativa em torno de Spider-Man: Brand New Day continua a crescer e, enquanto o primeiro trailer oficial não chega, a Internet faz aquilo que sabe melhor: investigar cada pista, cada imagem promocional, cada fuga de informação. E as mais recentes artes promocionais partilhadas nas redes sociais podem ter confirmado algo que muitos fãs desejavam — o regresso do Hulk na sua versão mais primitiva e destrutiva.

Adeus, Smart Hulk. Olá, Fúria Verde.

Desde Avengers: Endgame que o público se habituou ao chamado “Smart Hulk”, a versão equilibrada e intelectualmente controlada da personagem interpretada por Mark Ruffalo. No entanto, as novas imagens sugerem que em Brand New Dayveremos o regresso do chamado “Savage Hulk” — o monstro verde movido pela raiva que marcou os primeiros filmes dos Vingadores.

Na arte promocional, Hulk surge com o seu visual clássico (incluindo os icónicos calções rasgados), numa postura ameaçadora atrás de Peter Parker. A composição da imagem coloca-o mais como potencial adversário do que aliado, levantando a hipótese de um confronto directo entre o Homem-Aranha e o gigante esmeralda.

Se confirmado, este regresso às origens poderá representar uma reviravolta narrativa interessante. A teoria mais comentada aponta para uma manipulação que obrigará Hulk a regressar ao seu estado selvagem, transformando-o numa força incontrolável no coração de Nova Iorque.

Uma Galeria de Vilões Bem Familiar

Para além do Hulk, as imagens mostram silhuetas e visuais detalhados de vilões como Boomerang, Escorpião e Tarântula. As versões apresentadas parecem bastante fiéis às bandas desenhadas, reforçando uma tendência recente da Marvel Studios: abraçar visuais mais próximos do material original.

Tal como aconteceu com Galactus em The Fantastic Four: First Steps, a estratégia parece clara — honrar a estética clássica sem receio de parecer “demasiado banda desenhada”. O cinema de super-heróis evoluiu ao ponto de já não precisar de disfarçar as suas origens.

Entre os nomes mais entusiasmantes está Tombstone, que poderá ser interpretado por Marvin Jones Jr. (também conhecido como Marvin Jones III em alguns rumores). Numa das imagens divulgadas, a personagem surge a erguer o Homem-Aranha no ar durante um confronto físico intenso.

Muitos Vilões, Um Risco Antigo

Naturalmente, a presença de tantos antagonistas levanta preocupações. Filmes como Spider-Man 3 e The Amazing Spider-Man 2 sofreram precisamente por excesso de personagens, diluindo o impacto dramático.

Contudo, há a possibilidade de que vários destes vilões tenham apenas participações breves, talvez num segmento em formato de montagem que actualize o público sobre o que Peter Parker tem feito desde os acontecimentos de Spider-Man: No Way Home. Essa solução permitiria introduzir figuras conhecidas sem sobrecarregar a narrativa principal.

Uma História Mais Urbana?

Os rumores indicam que Brand New Day poderá adoptar uma abordagem mais “street-level”, centrada no crime organizado em Nova Iorque. Nesse contexto, Tombstone seria um antagonista ideal — menos extravagante do que Duende Verde ou Doutor Octopus, mas perfeitamente capaz de sustentar uma narrativa mais crua e física.

Se o objectivo for recentrar o Homem-Aranha num universo mais terreno, afastando-o temporariamente das ameaças cósmicas, esta poderá ser uma das decisões mais inteligentes da Marvel nos últimos anos.

Agora resta esperar pelo trailer oficial. Mas se estas primeiras imagens forem um indicador fiável, Spider-Man: Brand New Day pode estar a preparar uma mudança de tom significativa — e, quem sabe, um dos confrontos mais explosivos do MCU recente.

Elas Estão de Volta? Novo Charlie’s Angels Avança em Hollywood — E Drew Barrymore Pode Regressar aos Bastidores

Preparem-se: os Anjos de Charlie podem estar novamente a caminho do grande ecrã. A Sony Pictures está, segundo informações recentes, a desenvolver um novo reboot de Charlie’s Angels, tentando dar nova vida a uma das propriedades de acção mais reconhecíveis da cultura pop.

A saga começou como série televisiva nos anos 70 e 80, tornando-se um fenómeno global antes de saltar para o cinema em 2000 com Drew BarrymoreCameron Diaz e Lucy Liu. O filme arrecadou mais de 264 milhões de dólares em todo o mundo (valor que hoje equivaleria a quase o dobro), consolidando-se como sucesso de bilheteira e gerando a sequela Charlie’s Angels: Full Throttle em 2003.

Depois disso, o franchise entrou num período irregular. Houve uma tentativa de regresso à televisão em 2011, cancelada ao fim de apenas sete episódios. Mais tarde, em 2019, surgiu um novo reboot realizado por Elizabeth Banks e protagonizado por Kristen StewartNaomi Scott e Ella Balinska. O resultado? Recepção crítica morna e fraco desempenho comercial — apenas 73 milhões de dólares a nível global, face a um orçamento estimado em 50 milhões.

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Um Novo Argumentista, Uma Nova Estratégia

Desta vez, a Sony chamou Pete Chiarelli para escrever o argumento. O guionista é conhecido por comédias românticas de sucesso como The Proposal e Crazy Rich Asians, além de ter participado em projectos como Now You See Me 2.

A escolha pode indicar uma tentativa de equilibrar acção e leveza, duas características que marcaram o sucesso da versão de 2000. Ainda não é oficial quem produzirá o novo filme, mas há fortes indícios de que Drew Barrymore poderá regressar através da sua produtora, a Flower Films — a mesma responsável pelas adaptações cinematográficas do início do século.

Se confirmado, este envolvimento poderá funcionar como ponte entre gerações, trazendo legitimidade e memória afectiva ao projecto.

O Peso do Fracasso de 2019

O reboot de 2019 ficou marcado por controvérsias em torno do marketing e da recepção pública. Elizabeth Banks declarou posteriormente que sentiu que o filme foi enquadrado como um “manifesto feminista”, quando a sua intenção era simplesmente realizar um filme de acção protagonizado por mulheres.

A realizadora sublinhou também as limitações estruturais de Hollywood, referindo que raramente são atribuídos grandes franchises de acção a mulheres realizadoras, a menos que tenham protagonistas femininas. Segundo Banks, o problema não foi apenas o conteúdo, mas a forma como o filme foi apresentado ao público.

Há Espaço Para Mais Anjos?

A grande questão é inevitável: ainda há público para Charlie’s Angels?

Vivemos numa era dominada por universos partilhados e nostalgia reciclada. Para resultar, este novo projecto terá de encontrar um equilíbrio delicado entre respeito pelo legado e reinvenção efectiva. O charme irreverente, a química entre protagonistas e a mistura de humor com coreografias exageradas foram ingredientes essenciais do sucesso original — mas o mercado mudou.

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Se a Sony conseguir aprender com os erros do passado recente e apostar numa visão clara, talvez os Anjos possam voltar a voar alto.

Resta saber quem aceitará a chamada de Charlie desta vez.

“Está na Hora de Queimar a Casa”: Karim Aïnouz Ataca os Super-Ricos em Rosebush Pruning

Há filmes que criticam os ricos. E depois há filmes que lhes pegam numa tesoura de poda e começam a cortar sem piedade. É esse o caso de Rosebush Pruning, a nova obra do realizador brasileiro Karim Aïnouz, que promete transformar a sátira social num verdadeiro acto de demolição moral.

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Com um elenco de luxo — Callum TurnerJamie BellRiley KeoughElle FanningPamela Anderson e Tracey Letts — o filme mergulha na intimidade tóxica de uma família americana abastada que vive numa villa em Espanha, cercada de luxo, serventes e ressentimentos.

“Pessoas são rosas. Famílias são roseiras. E roseiras precisam de poda.” É com esta metáfora ameaçadora que a narrativa se apresenta. O que se segue é um retrato cruel de privilégio, patriarcado e decadência emocional.

Uma Família Podre Até à Raiz

Inspirado livremente em Fists in the Pocket, clássico radical de Marco Bellocchio, o filme adapta a ideia de uma família disfuncional ao contexto contemporâneo. O argumento é assinado por Efthimis Filippou, colaborador habitual de Yorgos Lanthimos, o que desde logo indica o tom absurdo e mordaz da proposta.

Aqui, o pai — uma figura cega, autoritária e abusiva — surge como símbolo de um poder masculino omnipresente, sem nome próprio, quase arquetípico. À sua volta, filhos emocionalmente fracturados: um irmão aparentemente estável mas marcado pelo trauma, outros à beira da psicose, relações ambíguas, segredos enterrados e a sombra da morte da mãe.

Aïnouz descreve o projecto como parte de uma trilogia de “monstros de carne e osso” iniciada com Firebrand e continuada com Motel Destino — filmes centrados em figuras masculinas tóxicas que exercem poder com naturalidade assustadora.

Sátira Como Arma

Se a premissa é sombria, o tom é surpreendentemente cómico. A decisão de abordar temas como desigualdade extrema e masculinidade venenosa através da sátira foi, segundo o realizador, essencial para tornar o discurso acessível — e eficaz.

Nos últimos anos, vimos várias obras a desmontar o luxo obsceno das elites — de Parasitas a Triangle of Sadness ou The White Lotus. Mas Aïnouz quis ir mais longe: não apenas criticar o privilégio, mas questionar como quebrar o ciclo de violência e concentração de riqueza que se tornou quase “natural”.

A metáfora da poda não é apenas estética: implica a ideia de que, por vezes, cortar é necessário para que algo novo possa crescer.

Um Laboratório Internacional

Rodado integralmente em Espanha, o filme nasceu de um processo colaborativo intenso. O elenco ensaiou durante semanas na própria casa onde decorre a acção, criando dinâmicas familiares para além do texto. Refeições improvisadas, exercícios fora do guião, convivência constante — tudo para construir uma intimidade desconfortável, mas palpável.

A produção é também um cruzamento cultural: realizador brasileiro-argelino, argumentista grego, actores americanos e britânicos, equipa espanhola. Um verdadeiro terreno fértil para experimentação.

“Queimar a Casa”

Ao aproximar-se dos 60 anos, Aïnouz afirma não ter nada a perder. Numa indústria cada vez mais dominada por plataformas de streaming e gestão de risco, o realizador defende o regresso à ousadia do cinema dos anos 60 — uma época de ruptura formal e política.

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Rosebush Pruning surge assim como um manifesto: contra o conformismo, contra a reverência excessiva, contra a neutralidade confortável. Se o sistema está podre, talvez seja preciso incendiá-lo para reconstruir algo diferente.

E, ao que tudo indica, Aïnouz não quer apenas podar a roseira. Quer mesmo deitar abaixo a casa inteira.

A Série Que Abalou o Género: Porque “Watchmen” Continua a Ser o Último Grande Risco da Televisão de Super-Heróis

Durante mais de uma década, o domínio do Marvel Cinematic Universe sobre o entretenimento de super-heróis foi praticamente absoluto. No cinema e na televisão, a fórmula tornou-se clara: fidelidade estética, humor calibrado, narrativa segura e risco mínimo. Mesmo quando há tentativas de variar o tom — como em Wonder Man — a sensação geral é a de que o género se move dentro de limites bem definidos. A televisão baseada em banda desenhada raramente desafia o espectador. Raramente incomoda. Raramente arrisca.

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Mas houve uma excepção. Em 2019, a Watchmen, produzida pela HBO, fez precisamente o contrário.

Um Legado Impossível de Ignorar

A obra original de Alan Moore e Dave Gibbons não é apenas uma das mais celebradas da história da banda desenhada — é frequentemente apontada como o padrão-ouro do meio. Publicada nos anos 80, Watchmen desconstruiu o mito do super-herói, mergulhando num universo sombrio, politicamente carregado e moralmente ambíguo. Questionava o poder, a vigilância, a idolatria e a corrupção num tempo marcado pela Guerra Fria.

Era, para muitos, inadaptável. E, no entanto, décadas depois, surge uma minissérie que não tenta repetir o que já foi feito — mas sim continuar o debate.

Uma Continuação, Não Uma Reverência

Sob a liderança criativa de Damon Lindelof, a série da HBO optou por uma abordagem ousada: em vez de adaptar directamente a narrativa original, expandiu o universo para o presente, incorporando temas contemporâneos como brutalidade policial, racismo sistémico e desigualdade económica.

A escolha de centrar a história no massacre racial de Tulsa de 1921 — um episódio real durante décadas omitido do discurso público — foi um gesto narrativo de enorme peso simbólico. Não se tratava apenas de super-heróis mascarados. Tratava-se de memória histórica, trauma colectivo e da forma como o poder institucional molda narrativas.

Ao contrário de muitas produções actuais, que se medem pela sua “fidelidade” à fonte, Watchmen recusou a nostalgia como muleta. Não viveu da repetição de ícones. Não transformou o material original numa peça de museu. Pelo contrário, compreendeu-lhe o espírito e actualizou-o com uma identidade própria.

O Problema da “Exactidão”

Nos últimos anos, a discussão em torno das adaptações de banda desenhada passou a girar excessivamente em torno da “exactidão”. Se o fato é igual ao da BD. Se a fala corresponde ao balão original. Se a cena recria o enquadramento clássico.

Produções como Secret Invasion, Agatha All Along, Hawkeye ou Daredevil: Born Again demonstram competência técnica e respeito pelo material de origem. Mas raramente parecem interessadas em questioná-lo ou expandi-lo de forma significativa.

A televisão de super-heróis tornou-se, em muitos casos, uma celebração contínua da propriedade intelectual — não uma exploração artística das suas implicações.

Porque Precisamos de Mais “Watchmen”

O que tornou Watchmen verdadeiramente especial foi a coragem. Coragem para assumir uma posição política clara. Coragem para confrontar temas incómodos. Coragem para não agradar a todos.

A série entendia profundamente a obra de Moore e Gibbons, mas recusava-se a tratá-la como intocável. Em vez disso, perguntava: “E agora?” Como é que estes conceitos vivem num mundo pós-11 de Setembro? Num mundo de redes sociais, extremismo e desconfiança institucional?

É essa ambição intelectual que parece ausente na maioria das produções actuais. O género precisa novamente de criadores dispostos a arriscar — não apenas a replicar fórmulas rentáveis.

Se 2019 marcou o último momento em que a televisão de super-heróis se permitiu verdadeiramente desafiar o público, talvez esteja na hora de recuperar essa ousadia. Porque, sem risco, não há evolução. E sem evolução, o género corre o risco de se tornar apenas um eco do que já foi.

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Talvez o verdadeiro legado de Watchmen não esteja nos prémios que venceu, mas na pergunta que deixou no ar: será que ainda estamos dispostos a deixar os super-heróis ser perigosos?