A DreamWorks está prestes a assinalar um momento inédito na história da animação de grande orçamento: “A Ilha Esquecida” (“Forgotten Island”, no título original), com estreia marcada em Portugal para 1 de outubro através da Cinemundo e da Universal Pictures, é a primeira longa-metragem de animação de um grande estúdio de Hollywood construída inteiramente à volta da mitologia e do folclore filipinos, um marco de representação que os próprios realizadores fazem questão de sublinhar sempre que têm oportunidade.
A história acompanha Jo e Raissa, duas melhores amigas de infância nas Filipinas dos anos 90, que prometem uma à outra permanecer unidas para sempre na noite em que celebram o final do liceu. Nessa mesma noite, as duas descobrem um portal misterioso que as transporta para Nakali, uma ilha mágica que se alimenta gradualmente das memórias de quem nela entra. Quando percebem que o preço a pagar para regressar a casa é esquecerem-se de toda a amizade que construíram ao longo da vida, Jo e Raissa têm de correr contra o tempo para encontrar uma forma de escapar antes de se esquecerem uma da outra para sempre, um conceito que consegue transformar uma premissa de aventura fantástica num retrato genuinamente comovente sobre a fragilidade e o valor da memória partilhada.
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As vozes originais de Jo e Raissa ficam a cargo de H.E.R. e Liza Soberano, ambas de ascendência filipina, uma escolha de casting deliberada por parte dos realizadores Joel Crawford e Januel Mercado, que quiseram garantir autenticidade cultural em cada etapa da produção. O elenco inclui ainda Dave Franco no papel de Raww, um lobisomem bem-intencionado mas desajeitado, Jenny Slate como Batiba, personagem inspirada na Batibat, uma criatura da mitologia filipina, e Lea Salonga, lendária voz de Disney conhecida por “Mulan” e “Aladdin”, no papel da temida Manananggal, uma das criaturas mais assustadoras do panteão de monstros filipinos.
O compromisso da equipa criativa com a autenticidade cultural não se ficou pelas escolhas de elenco. Segundo revelaram os próprios realizadores, Crawford e Mercado passaram seis anos a desenvolver a história e viajaram até às Filipinas na primavera de 2025 numa investigação de dez dias que os levou por várias ilhas do arquipélago e por Manila, trabalhando lado a lado com centenas de artistas filipinos e americanos ao longo da produção. Mercado é filipino-americano, enquanto Crawford, realizador também de “O Gato das Botas 2”, tem uma família filipina própria, e chegou a dedicar publicamente o filme à mulher, uma escolha pessoal que ajuda a explicar o cuidado extremo com que a mitologia local é tratada ao longo da narrativa, evitando a apropriação superficial que por vezes tem marcado tentativas anteriores de Hollywood em retratar culturas menos representadas no ecrã.
A receção crítica antes da estreia tem sido descrita como um verdadeiro “cartão de amor” à cultura filipina, com vários meios especializados em representação a destacarem como o filme consegue fazer com que espectadores de ascendência filipina se sintam genuinamente vistos, um objetivo que raramente é alcançado com este nível de fidelidade em produções de animação de grande orçamento destinadas ao mercado global.
Vale notar que a data de estreia em Portugal, 1 de outubro, surge uma semana depois da estreia norte-americana, marcada para 25 de setembro, e um dia depois da estreia brasileira, a 24 de setembro, seguindo o padrão habitual de desfasamento entre mercados que a Universal costuma aplicar aos seus lançamentos de animação internacionais.
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