Alternativa: “Catorze anos depois, o thriller que a Warner Bros. abandonou finalmente chega às salas”
“Motor City – Sede de Vingança” estreou nos cinemas norte-americanos a 24 de julho, e a sua chegada às salas portuguesas — já confirmada pela distribuidora Cinemundo, embora sem data ainda fechada nas fontes disponíveis — fecha um dos ciclos de desenvolvimento mais longos e acidentados de Hollywood na última década e meia.
A história, ambientada na Detroit dos anos 70, segue John Miller, um homem comum incriminado por um gangster implacável depois de se envolver com a namorada deste, que regressa da prisão anos depois com um único objetivo: vingança. É um enredo simples, quase esquemático, mas a produção à sua volta é tudo menos simples.
O guião de Chad St. John esteve na Black List de 2009, a lista anual dos melhores argumentos por filmar em Hollywood, e chegou a ser projeto da Warner Bros. em 2011, com Albert Hughes na realização e Chris Evans convidado para o papel principal. Evans recusou; entrou Dominic Cooper; Cooper saiu por conflitos de agenda; entrou Jake Gyllenhaal, ao lado de Amber Heard e Gary Oldman; Gyllenhaal saiu pela mesma razão; entrou Gerard Butler. Adrien Brody chegou a ser anunciado como vilão. Em 2012, o projeto colapsou por completo — e Butler chegou a processar os produtores Randall Emmett e George Furla, alegando incumprimento de um acordo de pay-or-play que lhe garantia até seis milhões de dólares mesmo que o filme nunca se fizesse.
O projeto só ressuscitou em 2023, com Alan Ritchson anunciado para o papel principal sob a realização de Timur Bekmambetov. Em 2024, a realização passou para Potsy Ponciroli, e juntaram-se ao elenco Shailene Woodley, Ben Foster e Pablo Schreiber. As filmagens decorreram em Nova Jérsia e em Detroit, e Foster revelou na altura um pormenor que se tornaria a principal singularidade do filme: o guião final contém apenas cinco linhas de diálogo em todo o filme.
Estreado fora de competição na secção Spotlight do Festival de Veneza, em agosto de 2025, “Motor City” foi comprado pela RLJE Films por três a quatro milhões de dólares para distribuição nos EUA, uma fração modesta face ao orçamento de 30 milhões da produção. É, no fim, uma história de sobrevivência dentro e fora do ecrã: um filme quase mudo sobre um homem que recusa desistir, feito por uma produção que também recusou.
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