John Carney tem uma forma muito específica de fazer filmes sobre música: não como espectáculo, mas como linguagem. Once (2007) era sobre dois músicos de rua em Dublin a escreverem canções para curar o coração partido. Sing Street(2016) era sobre um adolescente que formou uma banda para impressionar uma rapariga e descobriu pelo caminho quem queria ser. Letras Roubadas segue o mesmo fio — uma história sobre pessoas que encontram na música algo que não conseguem encontrar noutro lado — mas com um conflito no centro que os filmes anteriores de Carney nunca tinham explorado: o que acontece quando a música se torna num campo de batalha entre dois homens com histórias e ambições muito diferentes.
Rick (Paul Rudd) é um cantor de casamentos cuja carreira conheceu melhores dias. Danny (Nick Jonas) é uma antiga estrela de uma boyband em declínio. Os dois cruzam-se durante uma actuação, criam uma ligação através da música e passam uma noite inteira a improvisar juntos. É o tipo de encontro que os dois precisavam — e que nenhum dos dois esperava. Mas quando Danny transforma uma das canções de Rick no êxito que relança a sua carreira sem o creditar, Rick decide recuperar o reconhecimento que acredita merecer. Mesmo que isso signifique arriscar a amizade, a música e tudo o que mais valoriza.
Rudd é um dos actores mais versáteis da sua geração — capaz de ir de Ant-Man a Ghostbusters sem perder o timing cómico que o torna inconfundível, e com uma capacidade de vulnerabilidade que comédias dramáticas como esta exploram melhor do que qualquer blockbuster. Nick Jonas, que cresceu nos Jonas Brothers e construiu depois uma carreira a solo com resultados sólidos, tem aqui a oportunidade de habitar uma personagem que o espelha de formas que o argumentista certamente não escolheu por acidente.
Letras Roubadas estreia a 2 de Julho nos cinemas portugueses, com distribuição NOS Audiovisuais.



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