Em 31 de Julho de 2022, Mackenzie Shirilla, 17 anos, conduziu um Toyota Camry a 160km/h contra um edifício em Strongsville, Ohio. O namorado, Dominic Russo, 20 anos, e o amigo Davion Flanagan, 19 anos, morreram no impacto. Shirilla sobreviveu. Em 2023, um juiz condenou-a por assassínio — sem júri, apenas com o veredicto do magistrado que a descreveu como “um inferno sobre rodas”. Está a cumprir prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional aos 15 anos.
The Crash, realizado por Gareth Johnson e Angharad Scott, domina os charts globais do Netflix desde que estreou a 15 de Maio. O que torna o documentário diferente de outros casos reais é um detalhe que o Netflix Tudum confirmou esta semana: Shirilla nunca falou com a polícia, nunca testemunhou no julgamento e, nos anos desde a condenação, nunca tinha falado publicamente sobre o que aconteceu naquela noite — até agora. The Crash inclui a sua primeira entrevista, conduzida em prisão com a advogada presente.
O documentário reconstrói a noite do acidente através de entrevistas com as famílias das três pessoas envolvidas, amigos que estiveram com o grupo nas horas anteriores ao acidente, o procurador que construiu o caso e a advogada de defesa de Shirilla. O que o torna perturbador não é a questão da culpa — a maioria das pessoas que o vê não muda de opinião sobre o veredicto. É o retrato de uma jovem cuja presença nas redes sociais — os vídeos, os posts, a imagem construída — funcionou simultaneamente como prova de acusação no tribunal e como material para a fascinação pública que nunca acabou.
Enquanto o documentário domina o Netflix, a equipa jurídica de Shirilla pediu ao Supremo Tribunal de Ohio que reveja se as alegações pós-condenação merecem uma audiência. A história não terminou. Em Portugal, está disponível no Netflix.
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