Parallel Tales de Asghar Farhadi recebeu sete minutos de ovação na estreia em Cannes — um dos mais longos da história recente do festival, e uma validação tão eloquente quanto qualquer prémio para um realizador que chegou à Croisette carregando o peso de ser iraniano num mundo que o seu governo quer que não exista.
Farhadi — o realizador de A Separação (Óscar de Melhor Filme Internacional, 2012), O Vendedor (Óscar de Melhor Filme Internacional, 2017) e de alguns dos thrillers morais mais precisos do cinema contemporâneo — está em Cannes apesar de tudo. Apesar das restrições do regime iraniano. Apesar de anteriores conflitos com o estado sobre os seus filmes. Apesar de um sistema que preferia que ele ficasse em casa. Que o festival lhe dê sete minutos de pé é também um gesto político — sem discurso, sem comunicado, apenas palmas.
Parallel Tales tem no elenco Catherine Deneuve e Isabelle Huppert — duas das maiores actrizes da história do cinema francês, juntas pela primeira vez num mesmo projecto. Isabelle Huppert foi vista na estreia visivelmente emocionada após a ovação. A distribuição norte-americana ainda não foi confirmada, mas a presença em Competição com este elenco torna Parallel Tales numa das candidatas mais sólidas ao prémio de Melhor Actriz — embora a pergunta sobre qual das duas seria nomeada seja, em si mesma, um problema agradável para o júri.
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