Ted Turner morreu ontem aos 87 anos. O magnata dos media que fundou a CNN em 1980 — a primeira estação de notícias por cabo a operar 24 horas por dia, numa altura em que toda a gente na indústria dizia que era impossível — deixou um legado que atravessa a televisão, o desporto, o ambientalismo e, inevitavelmente, Hollywood. Jane Fonda, sua ex-mulher durante dez anos, foi das primeiras a reagir publicamente: “Amei Ted com todo o meu coração. Era uma força da natureza — imperfeito, impossível às vezes, mas genuinamente comprometido a tornar o mundo melhor.”
A relação entre Fonda e Turner é um dos capítulos mais coloridos da vida pública de ambos. Casaram-se em Dezembro de 1991, no rancho de Turner no Montana, numa cerimónia surpresa que apanhou a imprensa de surpresa. Durante dez anos foram um dos casais mais visíveis de Hollywood — ele, o cowboy dos media que coleccionava canais de televisão e fazendas; ela, a actriz e activista que tinha acabado de regressar ao cinema depois de um hiato. Divorciaram-se em 2001, com Fonda a dizer mais tarde que a relação a tinha ensinado tanto quanto a destruído. A homenagem de ontem sugere que a destruição ficou para trás há muito.
Para o cinema, Turner importa por razões menos óbvias do que a CNN. Foi através da Turner Entertainment — a divisão que adquiriu em 1986 ao comprar a MGM — que preservou e tornou acessível um dos maiores arquivos da história de Hollywood: mais de 3.600 filmes, incluindo títulos da MGM, RKO, Warner Bros. pré-1950 e Monogram. Foi Turner quem financiou as primeiras restaurações a cores de clássicos como Casablanca, O Feiticeiro de Oz e E Tudo o Vento Levou, numa altura em que a indústria não tinha ainda percebido o valor comercial do arquivo cinematográfico. É também responsável pela fundação do Turner Classic Movies — o canal que continua a ser a melhor televisão para cinéfilos no mundo anglófono.
Turner tinha defeitos que ele próprio nunca negou — um temperamento que destruiu mais do que uma relação profissional e pessoal, e uma tendência para a grandiosidade que os seus colaboradores descrevem com uma mistura de admiração e exasperação. Mas o homem que criou a CNN porque achava que as notícias mereciam mais do que meia hora por dia, e que preservou décadas de cinema americano porque achava que o passado merecia ser visto, deixa um vazio que é simultaneamente empresarial e cultural.
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