“Legends” estreia hoje no Netflix: Steve Coogan lidera a série britânica de crime mais aguardada do mês

Neil Forsyth criou The Gold — a série sobre o maior assalto da história britânica — e Guilt, o thriller familiar da BBC que encontrou uma base de fãs considerável em Portugal. Legends, que estreia hoje no Netflix com todos os seis episódios disponíveis em simultâneo, é o seu projecto mais ambicioso: uma série baseada em eventos reais sobre uma das operações policiais mais extraordinárias e menos conhecidas do Reino Unido.

A história passa-se no início dos anos 90, quando o serviço de alfândegas britânico — Her Majesty’s Customs and Excise — enfrentava uma crise sem precedentes: o tráfico de droga crescia mais rápido do que a capacidade de o combater pelos métodos convencionais. A solução foi radical: recrutar funcionários comuns das alfândegas — sem treino de espionagem, sem experiência de trabalho encoberto — e enviá-los a viver durante meses ou anos com identidades completamente falsas, as chamadas “legends”, infiltrados nas redes de tráfico mais perigosas do país. É uma história sobre pessoas completamente impreparadas para o que lhes foi pedido — e sobre o que isso faz a uma pessoa.

Steve Coogan lidera o elenco como Don, o recrutador que selecciona e lança estes agentes improváveis na sua missão. Tom Burke — conhecido de Strike e The Musketeers — é Guy, o inspector de malas de Heathrow que se torna o agente central da operação. O elenco inclui ainda Aml Ameen, Hayley Squires e Jasmine Blackborow, num conjunto de personagens que Forsyth construiu com o mesmo cuidado de The Gold — sem heróis limpos, sem vilões simples, e com uma atenção ao custo humano do trabalho encoberto que raramente aparece no género.

A série chega ao Netflix num momento em que o crime britânico de qualidade — AdolescenceThe GoldThe Day of the Jackal — está a ser visto em Portugal com uma regularidade que há dez anos seria improvável. Legends parece feita para esse mesmo público.

Brady Corbet vai fazer um filme sobre misticismo americano — e Selena Gomez pode ser a protagonista
Scarlett Johansson vai fazer um filme com Ari Aster — e a A24 continua a apostar nele apesar de tudo
Demi Moore, Ruth Negga e Chloé Zhao completam o júri de Cannes — e Jacob Elordi saiu por lesão
As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

Brady Corbet vai fazer um filme sobre misticismo americano — e Selena Gomez pode ser a protagonista

The Brutalist ganhou o Leão de Ouro em Veneza, seis Óscares incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador, e transformou Brady Corbet no nome mais aguardado do cinema independente americano. O próximo projecto foi confirmado ontem pelo próprio realizador ao The Playlist — e é exactamente tão inesperado quanto se poderia esperar de alguém que fez um épico de três horas e meia sobre um arquitecto húngaro refugiado na América do pós-guerra.

O filme explora, segundo as palavras de Corbet, “misticismo americano e a história do ocultismo” — uma descrição deliberadamente vaga que é também, provavelmente, o máximo que o realizador estava disposto a revelar. Selena Gomez está em negociações para o papel principal, segundo fontes próximas do projecto citadas pelo Deadline. A ligação não é tão improvável quanto parece à primeira vista: Gomez esteve em A Stranger of the Lake de Alain Guiraudie, trabalhou com James Gray em Selena Gomez: My Mind & Me e tem uma história de escolhas que privilegiam a substância sobre a visibilidade — Spring BreakersThe Dead Don’t DieOnly Murders in the Building.

Corbet produz com a sua parceira habitual Mona Fastvold, que co-escreveu The Brutalist. A distribuidora ainda não foi confirmada, mas a A24 e a MUBI são as apostas óbvias dado o perfil do projecto. O que é certo é que o anúncio vai alimentar especulação durante meses — Corbet tem um talento particular para deixar pouca informação a circular e muito espaço para o imaginário dos fãs. Um filme sobre o ocultismo americano com Selena Gomez, realizado pelo homem de The Brutalist, é exactamente o tipo de premissa que não precisa de sinopse para criar expectativa.

Novo “Planeta dos Macacos” confirmado com o realizador de “Quarteto Fantástico”

Matt Shakman tem um verão muito ocupado. Quarteto Fantástico: Primeiros Passos estreia a 24 de Julho nos cinemas portugueses — e antes de a sala sequer esfriar, a 20th Century Studios confirmou ontem que o realizador vai fazer o próximo filme do Planeta dos Macacos. Josh Friedman, o argumentista de A Guerra dos Mundos de Spielberg e de Avatar: O Caminho da Água, escreve o guião.

O anúncio chega num momento de saúde invulgar da franchise. O Reino do Planeta dos Macacos (2024), realizado por Wes Ball, fez 397 milhões de dólares globalmente — um número que surpreendeu a indústria dado o hiato desde A Guerra do Planeta dos Macacos (2017) e relançou a série com uma nova geração de personagens, vários séculos depois dos eventos da trilogia de Caesar. O novo filme de Shakman continuará esse fio narrativo, mas os detalhes da trama são ainda desconhecidos.

Shakman tem um perfil que a 20th Century claramente valoriza: é um realizador confortável em projecto de grande escala — WandaVisionAndor, o próximo Quarteto Fantástico — mas com uma atenção à dinâmica de personagem e ao ritmo dramático que distingue o seu trabalho do blockbuster mais genérico. No contexto do Planeta dos Macacos, onde a força das últimas trilogias veio precisamente da profundidade emocional dos protagonistas, é uma escolha que faz sentido.

Friedman é o nome que mais entusiasma os fãs da franchise: o seu trabalho em Avatar mostrou que consegue construir mundos complexos sem perder o fio narrativo central, e o histórico do Planeta dos Macacos — que inclui alguns dos argumentos de ficção científica mais bem construídos do cinema americano — merece essa qualidade de escrita. Data de estreia ainda não confirmada, mas a produção está prevista para arrancar em 2027.

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Scarlett Johansson vai fazer um filme com Ari Aster — e a A24 continua a apostar nele apesar de tudo

Ari Aster tem um currículo invulgar: dois filmes aclamados e rentáveis (Hereditary e Midsommar), dois filmes aclamados e deficitários (Beau Is Afraid e Eddington), e uma A24 que continua a financiá-lo. Scapegoat será o quinto — e desta vez com Scarlett Johansson à frente.

A notícia foi confirmada ontem pelo Deadline: Johansson é a primeira actriz a juntar-se ao projecto, que Aster escreveu e vai realizar, com produção da Square Peg, a sua empresa com Lars Knudsen. A A24 distribui, como em todos os seus filmes anteriores. O argumento — naturalmente — está completamente guardado. O título é a única pista: Scapegoat, o bode expiatório, sugere que Aster não abandonou os seus territórios favoritos de paranóia, culpa e violência social. Seja horror, ficção científica ou outra coisa qualquer, a armadilha só revela a sua forma depois de se fechar.

O detalhe que torna o anúncio mais rico é o contexto de Johansson. A actriz está neste momento em rodagens de The Exorcist com Mike Flanagan para a Universal — o seu segundo grande horror no espaço de poucos meses — e tem The Batman Part II marcado para o verão. Vai também a Cannes com Paper Tiger de James Gray. Tem Ray Gunn de Brad Bird em pós-produção. E dirigiu o seu próprio primeiro longa-metragem, Eleanor the Great. Num momento em que poderia escolher qualquer projecto, escolheu Aster. Segundo o Deadline, foi a primeira escolha do realizador, e Johansson leu o argumento e quis começar o mais depressa possível. As rodagens estão previstas para o final de 2026 para acomodar a agenda existente.

Para a A24, Scapegoat é também uma aposta de continuidade numa relação que a lógica puramente comercial já poderia ter encerrado. Beau Is Afraid custou 35 milhões e fez 4,5 milhões na bilheteira. Eddington custou 30 milhões e fez 13,7 milhões. Mas a A24 não é uma distribuidora que abandona os seus realizadores quando os números não batem certo — e Aster, com a sua capacidade de criar expectativa a partir do nada, continua a ser um dos activos mais valiosos do cinema independente americano. Johansson a protagonizar um filme de Aster é exactamente o tipo de projecto que não precisa de sinopse para gerar conversa.

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Demi Moore, Ruth Negga e Chloé Zhao completam o júri de Cannes — e Jacob Elordi saiu por lesão

O júri completo da Competição Oficial do 79.º Festival de Cannes foi confirmado ontem — e chegou com uma alteração de última hora. Jacob Elordi, que estava inicialmente previsto como membro do painel, retirou-se por lesão antes de o anúncio ser feito. O seu lugar foi preenchido pelo actor camaronês Isaach De Bankolé, presença habitual em filmes de Claire Denis e Jim Jarmusch.

Park Chan-wook preside. Juntam-se-lhe Demi Moore, a actriz irlandesa Ruth Negga — nomeada ao Óscar por Loving(2016) —, a realizadora Chloé Zhao (NomadlandEternals), o actor sueco Stellan Skarsgård, o realizador chileno Diego Céspedes, a realizadora belga Laura Wandel (Playground), o argumentista Paul Laverty — colaborador de toda a carreira de Ken Loach, com duas Palmas de Ouro no currículo — e Isaach De Bankolé.

É um júri geograficamente diverso e com perspectivas muito diferentes sobre o que o cinema pode ser. Demi Moore regressa à Croisette menos de doze meses depois de ter estado em competição com A Substância — o body horror de Coralie Fargeat que ganhou o Óscar de Melhor Argumento e que foi um dos filmes mais discutidos de Cannes 2025. Skarsgård vem de Sentimental Value de Joachim Trier, que ganhou o Grand Prix no ano passado e lhe valeu uma nomeação ao Óscar. Chloé Zhao, coming off Hamlet — o seu regresso ao cinema independente depois de Eternals — traz uma leitura do cinema que equilibra a sensibilidade de autor com o apelo popular.

A Palma de Ouro será entregue a 23 de Maio. Com Hope de Na Hong-jin, Paper Tiger de James Gray e Fatherland de Pawel Pawlikowski com Sandra Hüller entre os favoritos, a corrida está genuinamente aberta.

“Gary”: The Bear lançou ontem um episódio surpresa — e Richie e Mikey têm uma história que muda tudo

Sem aviso prévio, sem trailer, sem campanha. Na tarde de terça-feira, o FX colocou no Hulu um novo episódio de The Bear — não como parte da série principal, mas como um título autónomo que só aparece se se pesquisar especificamente por ele. Chama-se “Gary”, dura uma hora, e foi escrito pelos próprios protagonistas.

Ebon Moss-Bachrach e Jon Bernthal — Richie e Mikey na série — co-escreveram o episódio juntos, com o criador Christopher Storer a realizar. É um flashback situado antes dos acontecimentos da primeira temporada: Richie e Mikey numa viagem de trabalho a Gary, no Indiana, que vai revelando as camadas da sua relação e da saúde mental de Mikey com uma profundidade que a série principal nunca teve espaço para desenvolver. A descrição oficial diz que o episódio “recontextualiza a história desde o início” — o que, vindo da produção de The Bear, não é exagero.

O anúncio foi feito por Moss-Bachrach no Instagram, numa publicação que se tornou viral imediatamente: “COUSINS! PRIMOS! CUGINI!!! Preparem-se para GARY!!!!” O tom é celebratório — e faz sentido. Os dois actores estão neste momento também em palco juntos na Broadway, numa adaptação teatral de Dog Day Afternoon, o que torna “Gary” numa espécie de presente paralelo aos fãs de ambas as expressões do seu trabalho conjunto.

The Bear foi renovada para uma quinta e última temporada em Julho de 2025, com estreia prevista para Junho de 2026. “Gary” é o amuse-bouche — a expressão é tentadora num contexto de restaurante — antes da refeição final. Em Portugal, The Bear está disponível no Disney+. “Gary” chegará pela mesma via, embora sem data confirmada.

As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

Billie Eilish e James Cameron levam o concerto ao cinema — e “Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D)” já está em sala

As estreias de 7 de Maio: Billie Eilish e James Cameron, Hugh Jackman e ovelhas tagarelas e Mortal Kombat de volta

Esta semana o cartaz português tem seis estreias — e a combinação é suficientemente eclética para servir gostos muito diferentes. Da sala de concertos ao torneio de kombat, passando por uma Irlanda romântica e um piano em Paris, o que não falta é variedade.

O título mais inesperado — e provavelmente o mais comentado — é Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D), um filme de concerto co-realizado pela própria cantora e por James Cameron. A colaboração nasceu em Julho de 2025, durante as filmagens dos concertos de Manchester da digressão mundial de Eilish, quando Cameron estava na plateia com mais câmaras do que o habitual. O filme capta os concertos em 3D imersivo, com footage de bastidores e transições cinematográficas criadas especificamente para o grande ecrã — não é um registo de concerto, é uma experiência concebida para a sala. É o primeiro filme de Cameron com co-realizador desde Aliens of the Deep em 2005, e a terceira longa de concerto de Eilish depois de Happier Than Ever (2021) e Live at the O2 (2023). Distribuição NOS Audiovisuais.

As Ovelhas Detetives é a surpresa do cartaz familiar desta semana. O título original — The Sheep Detectives — diz tudo: uma comédia de mistério animada com as vozes de Hugh Jackman, Emma Thompson e Nicholas Braun, realizada por Kyle Balda, o mesmo de Minions e Gru, O Maldisposto. Com 109 minutos e classificação geral, é a escolha óbvia para quem tem crianças e quer uma tarde de cinema sem compromisso. Distribuição Big Picture.

Mortal Kombat II é a sequela do filme de 2021 com Karl Urban a liderar o elenco, realizado por Simon McQuoid. A franchise de videojogos — uma das mais longevas da história dos jogos de luta — regressa às salas com mais reinos, mais alianças e a promessa de combates à escala épica. Distribuição Cinemundo.

Para quem prefere o drama romântico, Amor em Quatro Letras (Four Letters of Love) chega com Fionn O’Shea, Ann Skelly e Pierce Brosnan num filme irlandês baseado no bestseller homónimo de Niall Williams — um romance que combina fantasia, espiritualidade e amor impossível numa paisagem rural irlandesa filmada com a beleza que o género exige. Realização de Polly Steele, distribuição NOS Audiovisuais.

Chopin – Uma Sonata em Paris é a proposta mais clássica da semana: um biopic sobre Frédéric Chopin realizado pelo polaco Michał Kwieciński, com Eryk Kulm no papel do compositor e Joséphine de la Baume como George Sand, a escritora e companheira de Chopin durante anos decisivos da sua vida criativa em Paris. Com 133 minutos e um rigor de produção que passou por vários festivais europeus, é a escolha para quem quer cinema histórico com substância. Distribuição Pris.

Por fim, Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral completa o cartaz infantil da semana: uma animação norueguesa baseada na franchise Kaptein Sabeltann — um dos personagens mais populares da cultura popular escandinava — realizada por Rasmus A. Sivertsen, Yaprak Morali e Are Austnes. Classificação M/6, 77 minutos, distribuição Films4You.

Seis filmes, seis géneros. A semana que vem traz A Providência e a Guitarra de João Nicolau com Salvador Sobral, Iron Maiden: Burning Ambition e Teresa – A Madre de Calcutá com Noomi Rapace — mas isso é conversa para daqui a sete dias.

Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

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Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”

Sydney Sweeney é Christy Martin no TVCine — e este é o papel que ninguém esperava dela

Sydney Sweeney construiu a sua carreira em papéis de vulnerabilidade contida — Cassie em Euphoria, Olivia em The White Lotus, a protagonista de Qualquer Coisa Como Amor. O que ninguém esperava era vê-la num ringue de boxe, com luvas, sangue e um corpo que passou meses a transformar para o papel. Christy: A Força de Uma Campeã estreia domingo, 10 de Maio, às 22h00 no TVCine Top e TVCine+, e é o filme que muda a conversa sobre o que Sweeney é capaz de fazer.

A história é real — e é extraordinária. Christy Martin cresceu numa pequena cidade da Virgínia Ocidental sem nenhum destino óbvio e encontrou no boxe uma saída, uma identidade e eventualmente a fama. Nos anos 90, tornou-se na primeira mulher pugilista a aparecer na capa da Sports Illustrated, partilhou cartaz com Mike Tyson em vários dos seus combates mais vistos, e foi durante anos o rosto do boxe feminino americano numa época em que o desporto mal reconhecia a sua existência. Por detrás do sucesso havia outra história: Christy era lésbica numa América que não perdoava isso, especialmente no mundo do desporto de combate, e a pressão social levou-a a casar com o seu treinador, James Martin — interpretado por Ben Foster —, numa relação que foi progressivamente revelando a sua natureza abusiva até chegar a um ponto de rutura literal.

David Michôd realiza — o australiano de Animal Kingdom e The Rover, dois filmes que conhecem bem a violência doméstica e a sobrevivência como temas — e a escolha não é acidental. Michôd tem uma capacidade particular de filmar a tensão que antecede a explosão, a contenção que precede o colapso, e é exactamente esse território que a história de Christy Martin habita. O filme não é sobre boxe. O boxe é o único lugar onde Christy Martin tinha controlo — e é por isso que as cenas no ringue são as únicas em que a personagem respira.

Sweeney preparou-se durante meses com treinadores de boxe profissionais, ganhou massa muscular visível e trabalhou a mecânica do combate com um rigor que se nota em cada cena. Mas a transformação mais impressionante não é física — é a forma como a actriz habita a dissociação de uma mulher que aprendeu a apresentar uma versão de si mesma para o mundo enquanto guardava outra para sobreviver. É o melhor trabalho da sua carreira, num papel que nenhum realizador de Euphoria alguma vez lhe ofereceria.

Domingo, 10 de Maio, às 22h00. TVCine Top e TVCine+.

Billie Eilish e James Cameron levam o concerto ao cinema — e “Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D)” já está em sala

Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”

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Dois vencedores de Óscares numa sala de montagem não é uma combinação que acontece todos os dias. Billie Eilish — quatro Óscares, nove Grammys, a artista mais nova a ganhar os quatro principais prémios da Academia na mesma noite — e James Cameron — o realizador de TitanicAvatar e The Abyss — co-realizaram juntos o filme-concerto que estreia hoje nos cinemas portugueses com distribuição NOS Audiovisuais. O resultado é Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft: The Tour (Live in 3D), e é exactamente tão improvável e tão inevitável quanto parece.

A colaboração nasceu durante a digressão mundial de Eilish em 2025. Cameron estava na plateia de um dos concertos de Manchester — com mais câmaras do que o habitual — e o que começou como uma presença de espectador transformou-se numa parceria criativa. O filme capta os concertos em 3D imersivo, com footage de bastidores e transições cinematográficas concebidas especificamente para o grande ecrã. Não é um registo de concerto transposto para sala — é uma experiência construída para funcionar em formato cinematográfico, com a linguagem visual que Cameron domina como poucos.

Para Eilish, é o terceiro filme de concerto da carreira, depois de Happier Than Ever: A Love Letter to Los Angeles (2021) e Billie Eilish Live at the O2 (2023) — mas o primeiro concebido desde o início como experiência de sala, e o primeiro com um co-realizador com este peso. Para Cameron, é o primeiro projecto com co-realizador desde Aliens of the Deep em 2005, e uma saída radical do universo da ficção científica que o tem ocupado nos últimos vinte anos.

A digressão Hit Me Hard and Soft foi uma das mais marcantes de 2025 — esgotou estádios em quatro continentes, foi descrita pela crítica especializada como a mais ambiciosa da carreira de Eilish em termos de produção visual, e serviu de plataforma de lançamento para o segundo álbum, que gerou os maiores números de streaming da história da plataforma Spotify na semana de estreia. Ver isso no grande ecrã, em 3D, com o som que as salas de cinema proporcionam, é uma proposta diferente de qualquer coisa que Eilish tenha feito antes — e de qualquer coisa que Cameron tenha feito antes também.

Já em cartaz nos Cinemas NOS e UCI em todo o país.

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Jane Fonda despediu-se de Ted Turner: “Amei-o com todo o meu coração”

Ted Turner morreu ontem aos 87 anos. O magnata dos media que fundou a CNN em 1980 — a primeira estação de notícias por cabo a operar 24 horas por dia, numa altura em que toda a gente na indústria dizia que era impossível — deixou um legado que atravessa a televisão, o desporto, o ambientalismo e, inevitavelmente, Hollywood. Jane Fonda, sua ex-mulher durante dez anos, foi das primeiras a reagir publicamente: “Amei Ted com todo o meu coração. Era uma força da natureza — imperfeito, impossível às vezes, mas genuinamente comprometido a tornar o mundo melhor.”

A relação entre Fonda e Turner é um dos capítulos mais coloridos da vida pública de ambos. Casaram-se em Dezembro de 1991, no rancho de Turner no Montana, numa cerimónia surpresa que apanhou a imprensa de surpresa. Durante dez anos foram um dos casais mais visíveis de Hollywood — ele, o cowboy dos media que coleccionava canais de televisão e fazendas; ela, a actriz e activista que tinha acabado de regressar ao cinema depois de um hiato. Divorciaram-se em 2001, com Fonda a dizer mais tarde que a relação a tinha ensinado tanto quanto a destruído. A homenagem de ontem sugere que a destruição ficou para trás há muito.

Para o cinema, Turner importa por razões menos óbvias do que a CNN. Foi através da Turner Entertainment — a divisão que adquiriu em 1986 ao comprar a MGM — que preservou e tornou acessível um dos maiores arquivos da história de Hollywood: mais de 3.600 filmes, incluindo títulos da MGM, RKO, Warner Bros. pré-1950 e Monogram. Foi Turner quem financiou as primeiras restaurações a cores de clássicos como CasablancaO Feiticeiro de Oz e E Tudo o Vento Levou, numa altura em que a indústria não tinha ainda percebido o valor comercial do arquivo cinematográfico. É também responsável pela fundação do Turner Classic Movies — o canal que continua a ser a melhor televisão para cinéfilos no mundo anglófono.

Turner tinha defeitos que ele próprio nunca negou — um temperamento que destruiu mais do que uma relação profissional e pessoal, e uma tendência para a grandiosidade que os seus colaboradores descrevem com uma mistura de admiração e exasperação. Mas o homem que criou a CNN porque achava que as notícias mereciam mais do que meia hora por dia, e que preservou décadas de cinema americano porque achava que o passado merecia ser visto, deixa um vazio que é simultaneamente empresarial e cultural.

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