Em 2016, The Wailing de Na Hong-jin passou por Cannes fora de competição e ficou na memória de toda a gente que o viu: um thriller sobrenatural ambientado numa aldeia rural coreana que começa como um procedimento policial e se transforma em algo muito mais difícil de classificar. Dez anos depois, Na Hong-jin regressa — e desta vez está em Competição pela primeira vez, com Hope, um thriller de ficção científica com um dos elencos mais ambiciosos da sua carreira.
A premissa é reconhecivelmente Na: em Hope Harbor, uma aldeia remota perto da Zona Desmilitarizada coreana, o chefe de polícia Bum-seok recebe notícias alarmantes de jovens locais — foi avistado um tigre. À medida que o pânico se instala na aldeia, Bum-seok é forçado a confrontar uma realidade que vai muito além de um animal selvagem. É o ponto de partida de um filme que o director artístico de Cannes, Thierry Frémaux, descreveu como algo que “muda constantemente de género” e conta “uma história que nunca foi contada antes”. O orçamento supera os 50 milhões de dólares — um dos maiores de sempre no cinema coreano — e o director de fotografia é Hong Kyung-pyo, o mesmo de Parasite e Burning.
O elenco é o mais internacional da carreira de Na: Hwang Jung-min e Zo In-sung nos papéis principais coreanos, com Hoyeon (Squid Game), Alicia Vikander e Michael Fassbender — casados na vida real — Taylor Russell (Bones and All) e Cameron Britton (Mindhunter) a completar um ensemble que cruza o cinema coreano de autor com o star system ocidental de uma forma sem precedentes. É também o quarto filme de Na Hong-jin a estrear em Cannes, depois de The Chaser (2008), The Yellow Sea (2011) e The Wailing (2016) — uma consistência de presença no festival que muito poucos realizadores conseguem.
Há ainda um dado que acrescenta pressão ao momento: o presidente do júri de Cannes 2026 é Park Chan-wook — o realizador coreano de Oldboy e Decisão de Partir, que será um dos juízes do filme do seu compatriota. A Palma de Ouro seria a primeira para o cinema coreano desde Parasita em 2019.
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