Há séries que chegam ao streaming e ficam. E há séries que chegam ao cabo e merecem a atenção que, por vezes, lhes foi negada no momento da estreia original. O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder, a produção da Amazon Prime Video que em 2022 se tornou simultaneamente o espectáculo televisivo mais caro de sempre e um dos mais debatidos da última década, chega agora à televisão portuguesa: o TVCine Edition estreia a primeira temporada a 29 de Abril, às 22h10, com novos episódios todas as quartas-feiras.
Para quem ainda não viu — e são mais do que se pensa, porque o Prime Video não é universal e a série passou rapidamente de fenómeno cultural para objecto de divisão fanática —, esta é uma boa oportunidade para a descobrir com algum distanciamento do ruído inicial. Situada na Segunda Era da Terra Média, milhares de anos antes dos acontecimentos narrados por Tolkien em O Senhor dos Anéis e O Hobbit, a série parte dos Apêndices do livro para construir uma narrativa original que acompanha várias linhas em simultâneo: Galadriel perturbada pelos sinais do regresso de uma antiga força maligna, o elfo Arondir às voltas com uma descoberta que pode alterar o equilíbrio do mundo, Elrond confrontado com um projecto ambicioso, e Nori, uma jovem dos pés-cabeludos, a quebrar uma regra da sua comunidade com consequências que ninguém previu.
A série foi criada por J. D. Payne e Patrick McKay, que já afirmaram ter concebido um arco narrativo de cinco temporadas. O elenco inclui Morfydd Clark como Galadriel numa versão mais jovem e guerreira do que a figura etérea de Cate Blanchett na trilogia de Peter Jackson, Charlie Vickers como Halbrand, Charles Edwards como Celebrimbor — o ferreiro élfico central na mitologia dos Anéis — Ismael Cruz Córdova como Arondir e Robert Aramayo como o jovem Elrond. A escala de produção foi, na altura da estreia, invocada com alguma insistência: mais de mil milhões de dólares para as cinco temporadas, filmagens na Nova Zelândia e no Reino Unido, efeitos visuais de cinema. O que ficou da série, passado o fumo, foi uma primeira temporada visualmente deslumbrante, narrativamente generosa no ritmo — talvez demasiado, para os impacientes —, e com um final que dividiu opiniões precisamente porque subverteu expectativas que muitos fãs tinham como certas.
Vale a pena vê-la sem as guerras de Reddit a acompanhar. A série tem, nos seus melhores momentos, uma ambição genuína que a distingue do streaming de conforto. E a pergunta sobre quem é realmente Sauron — que estruturou toda a temporada — ainda funciona como motor dramático na primeira visualização.
A estreia é a 29 de Abril, às 22h10, no TVCine Edition e no TVCine+.



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