De desastre nas salas a fenómeno global no streaming
Há filmes que morrem nas bilheteiras. E depois há aqueles que ressuscitam no streaming. Tron: Ares encaixa perfeitamente na segunda categoria.
Produzido com um orçamento estimado em 220 milhões de dólares, o novo capítulo da lendária saga de ficção científica revelou-se um duro golpe para a The Walt Disney Company quando passou pelos cinemas. As receitas ficaram muito aquém do esperado, acumulando pouco mais de 142 milhões de dólares a nível mundial e gerando prejuízos que terão ultrapassado os 130 milhões.
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Mas eis que, poucos meses depois, o cenário muda radicalmente: o filme tornou-se o título de ficção científica mais visto no Disney+ em 56 países, alcançando o primeiro lugar em múltiplos mercados. Um fenómeno curioso que levanta uma questão inevitável — será que o público precisava apenas do ecrã certo?
Uma aposta arriscada… desde o início
A verdade é que a saga Tron nunca foi um colosso de bilheteira. O original, Tron, tornou-se um clássico de culto sobretudo pelo seu pioneirismo visual, mas não foi um fenómeno comercial. A sequela, Tron: Legacy, chegou 28 anos depois e também não incendiou as receitas globais, apesar da ambição estética e da memorável banda sonora dos Daft Punk.

Com Tron: Ares, a Disney voltou a arriscar forte, entregando o protagonismo a Jared Leto e investindo numa produção visualmente imponente. Ainda assim, os sinais de alerta estavam lá: uma franquia com histórico irregular e um orçamento digno de um blockbuster garantido.
O resultado foi um fracasso retumbante nas salas de cinema, agravado por críticas mornas. No Rotten Tomatoes, o filme apresenta uma taxa de aprovação de 53%, reflectindo uma recepção longe de entusiástica.
O último capítulo da saga?
Com números tão frágeis nas bilheteiras, tudo indica que Tron: Ares poderá marcar o fim da saga no grande ecrã. É certo que o universo Tron já provou ser resiliente — houve 28 anos entre o primeiro filme e a sua sequela, e 15 até este novo capítulo — mas, do ponto de vista financeiro, torna-se difícil justificar um novo investimento desta dimensão.
Poderá a Disney optar por um remake no futuro? Ou transformar o conceito numa série para streaming, onde parece encontrar agora um público mais receptivo?
Para já, o sucesso no Disney+ prova que há interesse na estética neon, nos mundos digitais e nas batalhas entre humanos e inteligências artificiais. Talvez o problema nunca tenha sido a história, mas sim o palco onde foi apresentada.
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Em Hollywood, um fracasso pode ser definitivo. No streaming, pode ser apenas o início de uma segunda vida.



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