Marcia Lucas morreu esta quarta-feira de cancro metastático. Passou pacificamente em casa, em Rancho Mirage, Califórnia, rodeada de familiares. Tinha 82 anos. É uma das mortes mais significativas da história recente do cinema — e provavelmente a menos conhecida do grande público, apesar de ter um Óscar na prateleira.
Marcia Lucas ganhou o Óscar de Melhor Montagem em 1977 por Star Wars — o primeiro filme — em conjunto com os co-editores Richard Chew e Paul Hirsch. Era então casada com George Lucas. O que raramente é contado é o que essa montagem significou concretamente para o filme: quando a primeira versão de Star Wars foi projectada para os executivos da Fox em 1977, a reacção foi de pânico. O filme estava demasiado lento, a narrativa era confusa, o impacto emocional era quase zero. Foi Marcia Lucas quem trabalhou o corte final — a versão que chegou aos cinemas e mudou a história do cinema. O editor Brian De Palma, que viu a montagem intermédia, disse que o filme “não funcionava” antes da intervenção dela.
Trabalhou também em Taxi Driver de Martin Scorsese, Alice Já Não Mora Aqui e New York, New York. O seu divórcio de George Lucas em 1983 foi um dos mais comentados de Hollywood — e marcou também o fim da sua carreira activa em grandes produções. A indústria que ela ajudou a construir seguiu em frente sem ela.
A morte de Marcia Lucas acontece numa semana em que Star Wars volta a estar em destaque com The Mandalorian e Grogu em cartaz. É uma coincidência que diz algo sobre o tempo e sobre quem fica nas margens da história que o cinema conta sobre si próprio.
