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Olivier Awards 2026: Paddington Dominou com Sete Prémios e Rachel Zegler Ganhou por Cantar na Varanda

Há noites em que um urso de marmelada de Lima, Peru, rouba os prémios de teatro mais prestigiados do Reino Unido. Esta foi uma dessas noites. A cerimónia dos Olivier Awards 2026 — os equivalentes britânicos dos Tony Awards de Nova Iorque —, realizada ontem no Royal Albert Hall em Londres e transmitida pela BBC, foi dominada de forma avassaladora por Paddington the Musical, a adaptação teatral do adorado urso da literatura infantil britânica. Sete prémios no total, incluindo Melhor Musical, Melhor Realizador e Melhor Argumento de Musical. Um resultado que ninguém que tivesse visto o espectáculo no Savoy Theatre teria considerado surpreendente — mas que confirmou o que a crítica vinha a dizer desde a estreia: é um dos musicais mais completamente realizados dos últimos anos no West End.

Mas a história da noite tinha um nome humano. Rachel Zegler — a actriz americana que passou de ser a Maria de West Side Story (2021) aos papéis em Barbie e Branca de Neve — ganhou o Olivier de Melhor Actriz em Musical pela sua Eva Perón na produção de Évita de Jamie Lloyd no London Palladium. A produção tornou-se um fenómeno cultural londrino ao longo do último ano, em parte pela decisão de Lloyd de ter Zegler a cantar “Don’t Cry for Me Argentina” da varanda do teatro para os transeuntes na rua Argyll Street todas as noites — um gesto que transformou o concerto num evento espontâneo e aberto à cidade. “Obrigada a Londres por me fazer sentir tão bem-vinda. Nunca poderia ter imaginado isto”, disse Zegler ao subir ao palco. “Foi a honra de uma vida cantar para as pessoas na Argyll Street oito vezes por semana.”

Rosamund Pike — que não pisava os palcos londrinos há 14 anos — venceu o Olivier de Melhor Actriz pela sua interpretação em Inter Alia, um novo drama jurídico da dramaturga australiana Suzie Miller encenado no National Theatre. Pike, conhecida pelo público português pelo seu papel em Gone Girl e pela série The Wheel of Time, confessou à BBC que sempre foi “uma pessoa bastante tímida” e que a possibilidade de ser distinguida “enquanto ela própria” — e não enquanto personagem — era sempre assustadora. “Adoro o véu protector de uma personagem. Ser isolada como só eu é sempre bastante intimidante.” O prémio, claramente, valeu o desconforto.

Paapa Essiedu — o actor britânico de origem ganesa que o público internacional conhece de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada no West End e da série I May Destroy You —, ganhou Melhor Actor em Papel Secundário por All My Sons, o revival da peça de Arthur Miller de 1946 no Wyndham’s Theatre. All My Sons ganhou também o prémio de Melhor Revival, confirmando que o texto de Miller — sobre a culpa, a responsabilidade e o custo humano da ambição — continua a ressoar com uma urgência que as décadas não diminuem.

Para Portugal, os Olivier Awards têm um interesse que vai além do glamour da cerimónia. As produções premiadas em Londres chegam habitualmente às salas do Teatro Nacional D. Maria II, do Teatro Municipal do Porto e de outros palcos nacionais nos anos seguintes. Évita de Jamie Lloyd, Into the Woods do Bridge Theatre e Paddington the Musical são exactamente o tipo de produções que os programadores portugueses vão agora colocar no radar. A lista de vencedores desta noite é, de certa forma, um mapa do que vai acontecer nos palcos ibéricos nos próximos dois ou três anos.

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