Wesley Snipes faz 74 anos: o legado de um ícone que redefiniu o cinema de acção

Estilo, intensidade e uma presença impossível de ignorar

Há actores que atravessam décadas sem nunca perderem identidade. Wesley Snipes é um desses casos raros. Aos 74 anos, celebrados hoje, o actor continua a ser uma referência incontornável do cinema de acção — não apenas pelo impacto físico dos seus papéis, mas pela forma como elevou o género, trazendo-lhe carisma, técnica e uma intensidade muito própria.

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Falar de Wesley Snipes é falar de presença. Daquele tipo de magnetismo que prende o olhar do espectador mesmo quando não é o protagonista absoluto da cena. Desde cedo, Snipes mostrou que não queria ser apenas “mais um”. Queria deixar marca. E deixou.

Blade e a revolução silenciosa do género

É impossível não começar por Blade. Lançado numa altura em que o cinema de super-heróis ainda procurava o seu tom, o filme não só foi um sucesso comercial como redefiniu o que era possível fazer dentro do género. Snipes deu corpo a um herói sombrio, letal e profundamente cool, combinando artes marciais de alto nível com uma atitude que se tornaria icónica.

Muito antes do domínio absoluto da Marvel nos cinemas, Blade provou que personagens de banda desenhada podiam resultar em filmes adultos, violentos e esteticamente marcantes. E fê-lo graças, em grande parte, à entrega total do seu protagonista.

Muito mais do que um herói de acção

Reduzir Wesley Snipes ao cinema de acção seria profundamente injusto. Ao longo da carreira, mostrou uma versatilidade notável, tanto em dramas como em comédias. Filmes como White Men Can’t Jump revelaram um talento natural para o humor e o ritmo de comédia, enquanto Jungle Fever, de Spike Lee, expôs uma faceta mais crua e emocionalmente complexa.

Snipes nunca teve medo de arriscar. Escolheu projectos desconfortáveis, personagens ambíguas e histórias que nem sempre seguiam o caminho mais seguro. Essa coragem artística é parte essencial do seu legado.

Disciplina, artes marciais e respeito pelo ofício

Outro elemento que distingue Wesley Snipes é a sua impressionante formação em artes marciais. Praticante de várias disciplinas, o actor trouxe uma autenticidade física raramente vista em Hollywood. Cada movimento, cada combate, cada gesto tinha peso real — não era apenas coreografia, era linguagem corporal.

Essa disciplina reflecte-se também na forma como encara o trabalho de actor: com respeito, entrega e uma ética profissional que sempre falou mais alto do que modas ou tendências passageiras.

Celebrar 74 anos é celebrar uma carreira com impacto

Este aniversário não é apenas uma data simbólica. É a celebração de uma carreira construída com persistência, talento e uma vontade constante de ir mais longe. Wesley Snipes influenciou gerações de actores, abriu portas e ajudou a redefinir o que significa ser uma estrela de cinema de acção.

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Hoje, celebramos 74 anos de um percurso extraordinário — e de um impacto que continua bem vivo. 🎬

Protestos contra o ICE marcam Sundance: estrelas de Hollywood denunciam “o pior da humanidade”

Cinema, activismo e indignação em Park City

Sundance Film Festival, que decorre actualmente em Park City, no estado do Utah, ficou este fim-de-semana marcado por um forte momento de activismo político. Para lá das estreias e debates cinematográficos, centenas de participantes juntaram-se numa manifestação contra o ICE (Immigration and Customs Enforcement), na sequência de dois homicídios recentes atribuídos a agentes federais nos Estados Unidos.

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O protesto, intitulado “Sundancers Melt ICE”, teve lugar ao pôr-do-sol na Main Street de Park City e foi pensado como um momento “respeitoso” de homenagem a Renee Good, morta a 7 de Janeiro por um agente do ICE, e a Alex Pretti, abatido no sábado por um agente do Departamento de Segurança Interna. Durante cerca de dez minutos, os participantes ergueram os telemóveis iluminados e entoaram o cântico “love melts ICE”, enquanto alguns elementos das forças de segurança observavam à distância.

Elijah Wood junta-se à manifestação

Entre os presentes esteve Elijah Wood, conhecido mundialmente pela saga O Senhor dos Anéis. Em declarações à Deadline, o actor sublinhou a dimensão simbólica do protesto num festival dedicado à diversidade e à empatia: “As pessoas que foram ilegalmente abatidas no Minnesota… é terrível. Estamos aqui num festival que serve para unir pessoas e contar histórias de todo o mundo. Não estamos divididos; estamos a unir-nos.”

As palavras de Wood reforçaram a ideia de que, para muitos profissionais do cinema presentes em Sundance, o silêncio deixou de ser uma opção num contexto político cada vez mais polarizado nos Estados Unidos.

Natalie Portman e Olivia Wilde endurecem o discurso

Uma das vozes mais contundentes foi a de Natalie Portman, que apareceu em compromissos de imprensa com pins onde se lia “ICE out” e “Be Good”. A actriz foi directa nas suas críticas: “O que está a acontecer neste país neste momento é absolutamente horrível. O que o governo federal, o governo de Donald TrumpKristi Noem e o ICE estão a fazer é realmente o pior do pior da humanidade.”

Também Olivia Wilde se pronunciou, em declarações à Variety, classificando a situação como “ultrajante” e recusando aceitar a violência como uma nova normalidade. Para Wilde, apoiar movimentos que visem “delegitimar” o ICE é uma responsabilidade cívica.

Um festival que volta a ser palco político

O Sundance Film Festival tem um longo historial de cruzamento entre cinema independente e intervenção social, e este episódio confirma que o evento continua a ser um espaço privilegiado para debates políticos e culturais. Num momento em que a imigração, o papel das forças federais e os direitos humanos estão no centro da discussão pública nos EUA, a tomada de posição de figuras influentes do cinema dá maior visibilidade internacional ao tema.

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Entre filmes, protestos e declarações inflamadas, Sundance 2026 mostra que, para muitos dos seus protagonistas, contar histórias no ecrã não é dissociável de tentar mudar a realidade fora dele.

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Um regresso pouco consensual antes do Super Bowl

Matthew McConaughey voltou a juntar-se à Uber Eats para um novo anúncio promocional, mas aquilo que deveria ser mais um momento leve de entretenimento pré-Super Bowl acabou por gerar uma onda inesperada de indignação entre os fãs da NFL. O spot, exibido pela primeira vez durante uma pausa publicitária de uma das transmissões decisivas da pós-temporada, foi rapidamente apelidado de “atroz” e “insuportável” nas redes sociais.

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O actor, conhecido por filmes como Interstellar, já tinha protagonizado um anúncio da Uber Eats durante o Super Bowl de 2025, ao lado de nomes como Kevin Bacon, Greta Gerwig e Martha Stewart, num conceito humorístico que sugeria — em tom conspirativo — que a NFL teria sido criada para incentivar as pessoas a comer mais. Na altura, a campanha foi recebida com curiosidade e até alguma simpatia.

De piada recorrente a motivo de revolta

A edição de 2026, no entanto, parece ter cruzado uma linha para muitos espectadores. Após a estreia do novo anúncio durante uma pausa publicitária de um jogo decisivo do campeonato da AFC, as reacções não tardaram. Comentários nas redes sociais multiplicaram-se, com vários adeptos a manifestarem frustração extrema.

“Este anúncio da Uber Eats com o McConaughey consegue ser mais irritante do que o próprio jogo”, escreveu um utilizador. Outro foi ainda mais longe: “O anúncio da Uber Eats com o Matthew McConaughey pode muito bem ser o mais irritante que já vi na vida.” Houve até quem ameaçasse boicotar a marca durante o Super Bowl LX, como forma de protesto simbólico.

O efeito colateral da saturação publicitária

A reacção negativa levanta uma questão recorrente em torno da publicidade associada ao Super Bowl: quando uma campanha regressa com a mesma estrela e uma variação mínima do conceito original, o risco de saturação é elevado. O que num ano é visto como engenhoso, no seguinte pode parecer forçado — sobretudo quando exibido perante uma audiência já emocionalmente carregada por jogos decisivos.

Apesar das críticas, é improvável que a polémica tenha impacto real na estratégia da Uber Eats ou na presença de McConaughey no grande evento. Afinal, a conversa gerada — mesmo negativa — mantém o anúncio no centro da atenção mediática, um dos principais objectivos de qualquer campanha associada ao Super Bowl.

Super Bowl LX está marcado para 8 de Fevereiro de 2026, nos Estados Unidos.

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Gostem ou não do anúncio, uma coisa é certa: Matthew McConaughey e a Uber Eats já garantiram o que todas as marcas procuram nesta altura do ano — atenção total antes do apito inicial.

James Cameron Diz Adeus aos EUA: “Para a Minha Sanidade, a Nova Zelândia é Casa”

O realizador de Avatar explica porque decidiu sair definitivamente dos Estados Unidos — e aponta o dedo à polarização política e ao negacionismo científico

James Cameron já não vive nos Estados Unidos — e, ao que tudo indica, não tenciona voltar. O realizador canadiano, responsável por alguns dos maiores fenómenos da história do cinema, revelou que deixou o país de forma permanente, fixando-se na Nova Zelândia, onde está prestes a tornar-se cidadão. A decisão, segundo o próprio, não foi apenas logística ou profissional: foi uma questão de sanidade mental.

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Em declarações ao jornal Stuff e numa entrevista posterior ao programa In Depth with Graham Bensinger, Cameron explicou que a forma como a Nova Zelândia lidou com a pandemia de Covid-19 foi determinante para a mudança. “Fiz isto para a minha sanidade”, afirmou, descrevendo a experiência de viver nos EUA durante o período mais intenso da pandemia — e sob a presidência de Donald Trump — como “ver um acidente de automóvel vezes sem conta”.

Ciência, coesão social e um país “são”

Segundo Cameron, o contraste entre os dois países tornou-se impossível de ignorar. O realizador sublinha que a Nova Zelândia conseguiu eliminar o vírus por completo em duas ocasiões, e que, quando uma variante acabou por romper o controlo, o país já tinha uma taxa de vacinação de 98%. Nos Estados Unidos, pelo contrário, a taxa ficou pelos 62% — e, como nota Cameron, “a descer, no sentido errado”.

“É por isso que adoro a Nova Zelândia”, afirmou. “As pessoas aqui são, na sua maioria, sãs. Acreditam na ciência, conseguem trabalhar em conjunto para um objectivo comum.” Do outro lado do Pacífico, diz Cameron, encontrou um país “extremamente polarizado, de costas voltadas para a ciência, onde toda a gente está à garganta uns dos outros”.

O cineasta não poupa nas palavras: questiona directamente onde faria mais sentido viver caso surja uma nova pandemia — num país organizado e cooperante ou num em “completo estado de desordem”.

Uma ligação antiga à Nova Zelândia

A mudança não foi repentina. James Cameron e a mulher compraram uma propriedade agrícola na Nova Zelândia em 2011, muito antes da pandemia. O país tornou-se, entretanto, a base logística para a produção dos novos filmes da saga Avatar, grande parte deles rodados no hemisfério sul. Foi após a Covid-19 que o casal decidiu tornar a mudança definitiva, com o pedido de cidadania já em fase final.

Um êxodo silencioso de Hollywood?

Cameron junta-se a um número crescente de figuras do cinema que estão a abandonar os Estados Unidos, apontando a instabilidade política e o segundo mandato de Trump como factores decisivos. George Clooney obteve recentemente cidadania francesa; Jim Jarmusch anunciou que está a fazer o mesmo; Ellen DeGeneres mudou-se para o Reino Unido; e Rosie O’Donnell fixou-se na Irlanda.

Não se trata, para muitos, de um gesto simbólico, mas de uma decisão prática sobre onde viver, criar, trabalhar — e envelhecer.

Um cineasta global, um gesto político

James Cameron sempre foi um realizador de escala global, tanto nos temas como na ambição técnica. A sua saída definitiva dos EUA reforça essa imagem: menos um gesto de protesto isolado, mais uma escolha consciente sobre valores, ciência e futuro.

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Num mundo cada vez mais dividido, Cameron escolheu um lugar onde — nas suas palavras — “as pessoas ainda conseguem trabalhar juntas”. Para um cineasta obcecado com a sobrevivência da humanidade, talvez esta seja apenas mais uma decisão coerente com tudo o que tem filmado ao longo de décadas 🌍🎬.

Judd Apatow, Mel Brooks e a Comédia em Perigo: Uma Conversa Sobre Legado, Risco e o Futuro de Hollywood

O documentário sobre Mel Brooks, a crise das comédias de estúdio e um apelo pouco habitual: desligar a televisão e sair à rua

Quando Judd Apatow aceitou o convite da HBO para realizar um documentário sobre Mel Brooks, achava que conhecia tudo sobre o homem que ajudou a definir a comédia moderna. Estava enganado. O resultado desse reencontro — Mel Brooks: The 99 Year Old Man! — é um mergulho raro e profundamente humano na vida de um criador que, aos 99 anos, continua a ser uma referência absoluta… e um espelho incómodo para o presente de Hollywood.

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Dividido em duas partes, o documentário não se limita a alinhar anedotas ou sucessos. Apatow quis ir mais fundo: falar da II Guerra Mundial, das perdas, dos casamentos, das inseguranças e do que fica depois de uma vida inteira dedicada a fazer rir. Mel Brooks aceitou — e isso faz toda a diferença.

Quando Mel Brooks era “a Beyoncé” da comédia

Apatow recorda o impacto de Brooks nos anos 70 com uma comparação improvável, mas certeira: Mel Brooks era, na altura, “a Beyoncé da comédia”. Blazing Saddles e Young Frankenstein estrearam no mesmo ano, algo impensável hoje, e dominaram completamente a cultura popular.

Era um tempo em que o país inteiro parecia concordar sobre o que importava. Se alguém surgia na capa da Time, isso significava alguma coisa. Brooks fazia filmes escandalosos, politicamente incorrectos, cheios de sátira racial e sexual — e mesmo assim chegava ao centro do sistema. Ou talvez precisamente por isso.

Curiosamente, The Producers, hoje considerado um clássico absoluto, foi inicialmente um fracasso comercial. O reconhecimento veio mais tarde, incluindo um Óscar de Argumento Original que Mel Brooks ganhou… batendo Stanley Kubrick e 2001: Odisseia no Espaço. Um daqueles momentos que hoje parecem impossíveis.

O lado íntimo por detrás do humor

Uma das grandes forças do documentário está na forma como Apatow consegue afastar Brooks do registo de “contador de histórias profissionais”. O realizador admite que muitas das anedotas já tinham sido contadas dezenas de vezes. O desafio foi outro: perceber o que existe por baixo da persona.

Brooks perdeu o pai aos dois anos de idade, cresceu em dificuldades económicas profundas e construiu o humor como uma forma de sobrevivência. Apatow insiste nessas feridas antigas, não por voyeurismo, mas porque elas explicam a urgência, a agressividade e a coragem do seu cinema.

Rob Reiner, Carl Reiner e uma amizade irrepetível

Um dos momentos mais emocionantes do documentário envolve Rob Reiner, que surge numa das suas últimas entrevistas antes de morrer tragicamente, juntamente com a mulher. A sua presença é essencial não só pelo seu próprio percurso, mas porque funciona como ponte para o pai, Carl Reiner, um dos amigos mais próximos e colaboradores de Mel Brooks durante mais de 70 anos.

A relação entre Brooks e Carl Reiner é descrita como algo quase impossível de repetir: uma amizade criativa baseada em admiração mútua, generosidade e respeito. Brooks, figura explosiva e dominadora, via em Carl uma espécie de figura paterna — alta, calma, protectora. Uma revelação que muda completamente a leitura pública do comediante.

A comédia de estúdio está em vias de extinção?

A entrevista de Apatow aborda também um tema que lhe é particularmente caro: o colapso da comédia nos grandes estúdios. Segundo o realizador, o fim do mercado de DVDs destruiu o modelo económico que sustentava este tipo de filmes. Metade das receitas vinha das salas, metade do mercado doméstico. O streaming nunca compensou essa perda.

O resultado foi uma indústria cada vez mais avessa ao risco. Filmes de terror baratos tornaram-se apostas “seguras”, enquanto a comédia passou a ser vista como pouco exportável. O problema? Sem comédias, não surgem novos talentos. Não há novos Adam Sandler, Kristen Wiig ou Jim Carrey. O público continua a consumir humor — mas fora das salas, no TikTok ou no YouTube.

O paradoxo Apatow: cinema, activismo e desconforto

Talvez o momento mais inesperado da conversa surja quando Apatow, em plena promoção do documentário, faz um apelo frontal: desliguem a televisão e protestem contra o ICE. Para ele, a normalização do caos político e social nos Estados Unidos é tão perigosa quanto a estagnação criativa de Hollywood.

É uma posição desconfortável, até contraditória — pedir que não vejam o seu próprio trabalho — mas profundamente coerente com o espírito de Mel Brooks: usar a visibilidade para dizer algo que incomoda.

Um legado que desafia o presente

Mel Brooks: The 99 Year Old Man! não é apenas um retrato de um génio da comédia. É um lembrete de que Hollywood já foi um espaço onde o risco, a provocação e o mau gosto inteligente tinham lugar no centro do sistema. E que talvez seja isso que mais falta hoje.

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Aos 99 anos, Mel Brooks continua a rir-se da morte, do poder e do medo. E Judd Apatow, ao escutá-lo com atenção rara, deixa uma pergunta no ar: será que ainda há espaço para este tipo de coragem no cinema contemporâneo? 🎬

“Wonder Man” Surpreende Tudo e Todos: A Série da Marvel Que Já Está no Topo da Crítica

Com 96% no Rotten Tomatoes, a nova aposta do MCU torna-se um caso sério… apesar do silêncio promocional

Quando parecia que o Marvel Cinematic Universe já não conseguia voltar a surpreender pela positiva, surge Wonder Man — discretamente, quase às escondidas — para baralhar as contas. Estreada a 27 de Janeiro, sem grande campanha de promoção e lançada em formato binge, a série está a conquistar a crítica de forma esmagadora, ao ponto de já ostentar o segundo melhor resultado de sempre do MCU no Rotten Tomatoes.

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À data de escrita deste artigo, Wonder Man soma 96% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. Um número impressionante por si só, mas ainda mais relevante se tivermos em conta o contexto: uma fase recente do universo Marvel marcada por recepção morna, desgaste criativo e divisões claras entre fãs e críticos.

Um resultado histórico para uma série “esquecida” no lançamento

O mais curioso é que Wonder Man não chegou com o peso mediático habitual das grandes produções da Marvel. Sem trailers omnipresentes, sem tapetes vermelhos mediáticos e sem semanas de antecipação nas redes sociais, a série parecia destinada a passar despercebida. A ironia? É precisamente esse projecto “menor” que agora surge empatado como segundo melhor avaliado de sempre em todo o universo cinematográfico e televisivo da Marvel.

Neste momento, o ranking histórico de pontuações no Rotten Tomatoes coloca Wonder Man ao lado de pesos-pesados absolutamente consagrados:

  • Ms. Marvel – 98%
  • Wonder Man – 96%
  • Black Panther – 96%
  • Agents of S.H.I.E.L.D. – 95%
  • Avengers: Endgame – 94%
  • Iron Man – 94%
  • Thor: Ragnarok – 93%
  • Spider-Man: No Way Home – 93%
  • Spider-Man: Homecoming – 92%
  • Shang-Chi – 92%
  • WandaVision – 92%

O facto de Wonder Man surgir neste grupo diz muito sobre a qualidade da série — e talvez ainda mais sobre as expectativas surpreendentemente baixas com que foi recebida.

O que está a funcionar em “Wonder Man”?

Sem entrar em território de spoilers, a recepção crítica tem destacado uma abordagem mais fresca, autoconsciente e segura de si própria. Wonder Man parece saber exactamente o que quer ser: uma série que dialoga com o legado do MCU, mas que não se deixa esmagar por ele.

Num período em que várias produções recentes da Marvel foram acusadas de excesso de fórmulas recicladas, Wonder Man destaca-se pela clareza narrativa, pelo tom consistente e por personagens que funcionam para lá da simples função de “peças” num universo maior. É uma série que não parece desesperada por preparar o próximo grande evento — e talvez seja isso que a torna tão eficaz.

Um sinal de esperança para o futuro do MCU?

O sucesso crítico de Wonder Man surge num momento delicado para a Marvel. A fadiga do público é real, os resultados de bilheteira já não são garantidos e a crítica tem sido cada vez menos indulgente. Neste contexto, o triunfo silencioso da série pode funcionar como um aviso interno: talvez menos ruído promocional e mais foco criativo seja o caminho.

Se esta pontuação se mantiver — e tudo indica que sim — Wonder Man poderá tornar-se um caso de estudo dentro do próprio estúdio. Uma série lançada quase sem alarido que acaba por conquistar um lugar cimeiro na história crítica do MCU não é coisa pequena.

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Resta agora saber se o público acompanhará a crítica… ou se Wonder Man ficará como aquele segredo bem guardado que merecia ter sido descoberto mais cedo 🎬.

Óscares 2026: As Grandes Omissões (e as Surpresas) Que Dizem Mais do Que os Vencedores

Entre recordes, ausências gritantes e apostas inesperadas, as nomeações voltam a revelar o estado de Hollywood

As nomeações para os Óscares 2026 trouxeram um misto de espanto e previsibilidade. Por um lado, Sinners entrou directamente para a história com 16 nomeações, um recorde absoluto. Por outro, alguns dos melhores filmes e interpretações do ano ficaram inexplicavelmente de fora. E como a própria Amanda Seyfried lembrou recentemente, ganhar um Óscar não é sinónimo de carreira bem-sucedida — mas uma omissão continua a doer, sobretudo quando revela contradições difíceis de ignorar.

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Ao longo da história da Academia, os snubs (essas exclusões dolorosas) acabaram por ser, muitas vezes, um barómetro mais honesto do cinema de um determinado ano do que os próprios vencedores. Em 2026, não é diferente.

Surpresa: “Train Dreams” | Omissão: Joel Edgerton

A estreia da nova categoria de Melhor Casting parecia feita à medida de filmes como One Battle After AnotherSinnersou Hamnet. Ainda assim, Train Dreams conseguiu a proeza de ser nomeado para Melhor Filme… sem qualquer nomeação para os seus actores. A ausência de Joel Edgerton, protagonista absoluto, levanta uma pergunta incómoda: o que torna um filme digno de Melhor Filme se não as interpretações que o sustentam?

Omissão: “Avatar: Fire and Ash”

É oficial: pela primeira vez, um filme da saga Avatar ficou fora da corrida a Melhor Filme. Avatar: Fire and Ash até marca presença noutras categorias técnicas, mas a Academia parece ter perdido o deslumbramento com o universo criado por James Cameron. Eywa continua viva em Pandora — mas claramente ausente em Hollywood…

Surpresa (e polémica): “F1”

Talvez a nomeação mais inesperada do ano. F1 chega a Melhor Filme depois de dominar o box office de Verão, mas a decisão divide opiniões. O filme funciona como thriller desportivo competente, mas é difícil ignorar o seu lado promocional da Fórmula 1. Mais estranho ainda: ficou fora de Melhor Fotografia, a categoria onde parecia ter caminho aberto.

Omissão: Paul Mescal em “Hamnet”

Em HamnetPaul Mescal assume um papel secundário — e é precisamente isso que torna a sua ausência tão curiosa. Num filme nomeado para Melhor Filme, Realização, Argumento Adaptado e Casting, a exclusão de um dos intérpretes-chave soa a incoerência. Especialmente quando Jessie Buckley surge como forte favorita.

Surpresa: Delroy Lindo em “Sinners”

Nem todas as histórias são de frustração. A nomeação de Delroy Lindo para Actor Secundário é um dos momentos mais celebrados do ano. A sua personagem em Sinners protagoniza uma das cenas mais intensas e memoráveis de 2025 — e, no meio de um recorde histórico de nomeações, esta pode ser finalmente a consagração que lhe escapava há décadas.

Omissão: Odessa A’Zion em “Marty Supreme”

Se Marty Supreme está nomeado para Melhor Casting, a ausência de Odessa A’Zion torna-se difícil de justificar. Num ano de afirmação e visibilidade crescente, a actriz entregou uma das interpretações secundárias mais vibrantes de 2025 — e foi ignorada.

Omissão total: “No Other Choice”

Talvez o caso mais gritante. No Other Choice, de Park Chan-wook, ficou fora de todas as categorias, incluindo Filme Internacional. É mais um capítulo estranho na relação da Academia com um dos autores mais respeitados do cinema contemporâneo, ainda sem qualquer Óscar no currículo.

Quando os Óscares falam… e quando se calam

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As nomeações de 2026 mostram uma Academia dividida entre abertura e conservadorismo, espectáculo e autor, técnica e emoção. Como sempre, os prémios dirão quem vence — mas as omissões já disseram muito sobre o momento actual de Hollywood 🎬.

Rutger Hauer: O Actor Que Trouxe Humanidade aos Monstros do Cinema

Uma carreira irrepetível, entre o cinema europeu e Hollywood, marcada por personagens intensas e inesquecíveis

Assinala-se hoje o nascimento de Rutger Oelsen Hauer (23 de Janeiro de 1944 – 19 de Julho de 2019), um dos actores mais singulares da história do cinema moderno. Holandês de origem, cidadão do mundo por vocação artística, Hauer construiu uma carreira absolutamente extraordinária: mais de 170 papéis ao longo de quase 50 anos, atravessando o cinema europeu de autor, Hollywood e até a publicidade, sempre com a mesma intensidade magnética no olhar.

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Em 1999, o reconhecimento foi oficial e simbólico: o público dos Países Baixos escolheu Rutger Hauer como Melhor Actor Holandês do Século, uma distinção que resume bem o impacto duradouro do seu trabalho.

Das raízes holandesas ao reconhecimento internacional

A carreira de Hauer começou em 1969, no papel principal da série televisiva Floris, mas foi no cinema que rapidamente se afirmou. O grande ponto de viragem deu-se com Turkish Delight, filme que viria a ser eleito, também em 1999, Melhor Filme Holandês do Século.

Seguiram-se colaborações decisivas com o realizador Paul Verhoeven, em títulos como Soldier of Orange e Spetters, que abriram definitivamente as portas de Hollywood.

Roy Batty e a imortalidade cinematográfica

Nos Estados Unidos, Rutger Hauer rapidamente se destacou, mas foi em Blade Runner que alcançou a verdadeira imortalidade cinematográfica. Como Roy Batty, o replicante consciente da sua própria morte, Hauer criou uma das personagens mais complexas e emocionantes da ficção científica. O famoso monólogo final — improvisado em parte pelo próprio actor — continua a ser estudado, citado e celebrado como um dos momentos mais humanos do cinema.

A partir daí, seguiram-se títulos hoje clássicos: LadyhawkeThe HitcherEscape from SobiborThe Legend of the Holy Drinker ou Blind Fury. Hauer tinha o raro talento de tornar memorável qualquer papel, fosse herói, vilão ou algo indefinido entre ambos.

Um actor sem preconceitos artísticos

A partir dos anos 90, Hauer optou por uma carreira mais livre, alternando filmes de baixo orçamento com participações em grandes produções como Batman BeginsSin City ou The Rite. Nunca pareceu preocupado com estatuto ou prestígio, mas sim com o prazer de interpretar.

Nos últimos anos, regressou ao cinema holandês e foi distinguido com o Prémio Rembrandt de Melhor Actor, graças ao filme The Heineken Kidnapping.

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Um legado que não se apaga

Rutger Hauer morreu a 19 de Julho de 2019, vítima de cancro do pâncreas, aos 75 anos, na sua casa nos Países Baixos. Deixou um legado raro: o de um actor que nunca teve medo de ser estranho, intenso ou profundamente humano. Poucos conseguiram, como ele, fazer com que até os monstros parecessem compreender-nos melhor do que nós próprios 🎬.

O Último Inverno em Park City: Sundance despede-se da sua casa histórica e do legado de Robert Redford

O festival independente mais influente dos Estados Unidos vive uma edição emotiva, marcada pela mudança de cidade e pela ausência do seu fundador

Sundance Film Festival prepara-se para um adeus carregado de simbolismo. A edição de 2026, que arranca esta semana em Park City, no Utah, será a última a realizar-se nesta pequena cidade de montanha que, durante mais de quatro décadas, se tornou sinónimo de cinema independente norte-americano. Para agravar a carga emocional do momento, é também a primeira edição sem a presença do seu fundador, Robert Redford, falecido em Setembro.

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À superfície, tudo parecerá familiar: estrelas de cinema, filas intermináveis para as sessões, voluntários incansáveis apesar do frio intenso e uma programação que mistura dramas comoventes, comédias inesperadas, thrillers e filmes difíceis de catalogar. No entanto, por detrás dessa normalidade aparente, o festival atravessa um dos períodos de maior transformação da sua história. Em 2027, o Sundance muda-se definitivamente para Boulder, no Colorado, encerrando um capítulo essencial da sua identidade.

Um festival moldado por um legado

Não surpreende que a palavra “legado” atravesse toda a programação desta última edição em Park City. Estão previstas exibições de cópias restauradas de títulos marcantes do passado do festival, como Little Miss SunshineMysterious SkinHouse Party e Humpday, bem como Downhill Racer (1969), o primeiro filme verdadeiramente independente de Robert Redford. O actor e realizador será também homenageado num evento de angariação de fundos do Instituto Sundance, que distinguirá nomes como Chloé Zhao, Ed Harris e Nia DaCosta.

Para muitos cineastas, o Sundance foi mais do que um festival: foi um ponto de viragem. Realizadores como Paul Thomas Anderson, Ryan Coogler ou a própria Zhao viram as suas carreiras ganhar forma graças ao apoio do Instituto. Gregg Araki, presença habitual desde os anos 90, recorda que sem o Sundance “muitos cineastas simplesmente não teriam tido carreira”.

Estrelas, riscos e cinema sem medo

A programação de 2026 mantém a aposta em “grandes riscos” artísticos. Entre os títulos mais aguardados estão The Gallerist, sátira ao mundo da arte protagonizada por Natalie Portman, Carousel, drama romântico com Chris Pine e Jenny Slate, e I Want Your Sex, novo filme provocador de Araki. Olivia Wilde surge tanto à frente como atrás das câmaras, enquanto Alexander Skarsgård e Olivia Colman protagonizam Wicker. A presença de Charli XCX, em vários projectos, reforça a ligação do festival à cultura pop contemporânea.

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No campo documental, o Sundance volta a afirmar-se como espaço de reflexão urgente, com filmes sobre figuras públicas, direitos humanos, conflitos internacionais e injustiças históricas, mantendo a tradição de lançar obras que frequentemente chegam aos Óscares.

O fim de um lugar, não de uma ideia

Entre os habituais encontros na Main Street e as salas emblemáticas como o Egyptian Theatre, sente-se uma melancolia inevitável. Muitos participantes admitem que Park City já não comportava a dimensão do festival, mas isso não torna a despedida menos emotiva. Como recorda Gregg Araki, “os lugares mudam, mas a identidade do Sundance sobrevive”.

O festival pode abandonar Park City, mas a sua missão — dar voz ao cinema independente — segue intacta. O último inverno nesta cidade será, acima de tudo, uma celebração de tudo o que ali nasceu.

Alexander Skarsgård entra no seu “Brat Winter”: BDSM, Charli XCX, máscaras prostéticas e a recusa em ser óbvio

O actor sueco vive uma das fases mais ousadas da carreira, entre cinema independente, provocação estética e personagens que desafiam expectativas

Aos 49 anos, Alexander Skarsgård parece mais interessado em provocar do que em agradar. O actor sueco, conhecido do grande público por séries como True BloodBig Little Lies ou Succession, vive actualmente um momento particularmente arrojado da sua carreira, marcado por escolhas artísticas que fogem deliberadamente ao caminho mais seguro do estrelato clássico. O exemplo mais evidente é Pillion, drama de teor BDSM e temática gay que chega aos cinemas a 6 de Fevereiro e que já está a gerar intensa conversa muito antes da estreia.

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Moda, provocação e “method dressing”

Durante a digressão promocional de Pillion, Skarsgård tem chamado tanta atenção pela roupa quanto pelo filme. Verniz vermelho nas unhas, tops ousados, calças de cabedal, botas acima do joelho ou camisas decoradas com brinquedos sexuais tornaram-se parte do espectáculo. O actor desvaloriza a obsessão pública com o seu guarda-roupa, garantindo que não é um consumidor compulsivo de moda e que tudo resulta de uma colaboração criativa com o stylist Harry Lambert. Ainda assim, é difícil ignorar que esta estética funciona como uma extensão dos papéis que tem vindo a escolher — uma espécie de “method dressing” que reforça a provocação.

Pillion: poder, desejo e desconforto

Em Pillion, realizado por Harry Lighton, Skarsgård interpreta Ray, um homem emocionalmente distante que estabelece uma relação de dominação com Colin, personagem de Harry Melling. O filme não suaviza a dinâmica de poder, explorando temas como dependência emocional, desejo e humilhação, num retrato desconfortável mas deliberadamente honesto. Skarsgård optou por manter em segredo o passado psicológico da personagem, até mesmo do seu colega de cena, criando uma tensão real que se reflecte na relação entre as personagens.

O actor tem sido claro ao afirmar que não pretende que a discussão se centre na sua vida pessoal ou orientação sexual. Para Skarsgård, o mais importante é contar a história e dar espaço às personagens, evitando que a curiosidade mediática desvie a atenção do filme.

De Charli XCX a Olivia Colman

Pillion não é o único projecto a marcar este período criativo intenso. No filme The Moment, produção da A24 com estreia marcada para 30 de Janeiro, Skarsgård contracena com Charli XCX, que interpreta uma versão ficcionada de si própria. O actor dá vida a um director criativo carismático e manipulador, num filme que reflecte sobre fama, insegurança e a indústria musical. Grande parte das cenas foi improvisada, algo que tanto Skarsgård como Charli descrevem como libertador.

Já em Wicker, o actor surge irreconhecível sob uma complexa máscara prostética, interpretando uma criatura feita de vime e ervas que oferece companhia à personagem de Olivia Colman. O processo físico foi exigente — cola no rosto, olhos e lábios selados — obrigando Skarsgård a adoptar um estilo de interpretação mais exagerado, distante da subtileza que normalmente privilegia.

Um “cult actor” que recusa o óbvio

Apesar do estatuto de galã e de uma carreira sólida em grandes produções, Skarsgård continua a ser visto como um actor de culto, alguém que prefere a estranheza à previsibilidade. Depois de experiências menos bem-sucedidas no cinema mais comercial, como The Legend of Tarzan, o actor parece ter encontrado conforto na ambiguidade, na provocação e em personagens difíceis de ler.

Hoje, divide-se entre o cinema independente e projectos televisivos como Murderbot, da Apple TV+, onde interpreta um robô que desenvolve consciência própria. É mais uma prova de que Skarsgård continua interessado em explorar identidades marginais, recusando-se a repetir fórmulas.

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Talvez seja este o verdadeiro “Brat Winter” de Alexander Skarsgård: um período de escolhas artísticas feitas por curiosidade e instinto, sem medo de alienar parte do público — e exactamente por isso, mais fascinante do que nunca.

William Shatner, 94 anos, apanhado a comer cereais ao volante: “Bran me up, Scotty!” 🥣🚗

Há imagens que valem mais do que mil palavras — e depois há aquelas que parecem saídas directamente de um sketch de comédia improvisado pelo universo. Esta semana, William Shatner, a lenda viva de Star Trek, foi apanhado em plena hora de ponta em Los Angeles… a tomar o pequeno-almoço ao volante. Sim, leu bem.

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O pequeno-almoço mais ousado da galáxia

O actor de 94 anos, eternamente associado ao Capitão James T. Kirk, foi visto parado num semáforo de Los Angeles com uma taça de cereais no colo e uma colher na mão, a desfrutar calmamente de algo que parecia ser Raisin Bran. Enquanto muitos condutores aproveitam a paragem para olhar para o telemóvel (erradamente, diga-se), Shatner decidiu ir mais longe… e apostar na fibra.

As imagens mostram-no perfeitamente sereno, colherada após colherada, sem pressas nem dramas, como se comer cereais no banco do condutor fosse a coisa mais natural do mundo. Nada de copos de café apressados ou barras energéticas tristes — aqui estamos a falar de uma taça completa, ao estilo “pequeno-almoço de campeão”.

Energia interestelar… logo pela manhã

Apesar da situação insólita, Shatner não parecia minimamente stressado. Pelo contrário: postura relaxada, movimentos seguros e aquele ar de quem já viu tudo — incluindo alienígenas, viagens no tempo e, aparentemente, engarrafamentos com fome.

Com uma agenda que continua surpreendentemente preenchida para alguém com 94 anos, não é difícil imaginar que cada minuto conta. Se isso significa transformar o carro numa extensão da mesa da cozinha, então que assim seja. Afinal, se alguém pode redefinir as regras básicas da rotina matinal, é alguém que passou décadas a comandar a Enterprise.

Nem todos os heróis usam capa… alguns usam colher

Claro que não é todos os dias que se vê uma estrela de Hollywood a conduzir enquanto come cereais, mas há algo de estranhamente reconfortante nesta cena. Humaniza o mito, aproxima o ícone do cidadão comum e prova que, mesmo aos 94 anos, William Shatner continua a viver a vida à sua maneira — com humor, personalidade e, aparentemente, uma boa dose de farelo.

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Se é aconselhável? Provavelmente não. Se é memorável? Sem dúvida. E se há alguém que pode safar-se com isto sem que o universo colapse? Bem… estamos a falar do Capitão Kirk.

O primeiro filme imperdível de 2026 já está na Netflix — e junta Damon e Affleck num jogo perigoso

Quando dois velhos amigos trocam a comédia pela tensão máxima

Há duplas que o cinema aprendeu a respeitar com o passar das décadas, e a de Matt Damon e Ben Affleck pertence claramente a esse clube restrito. Amigos desde a adolescência em Boston, parceiros criativos há quase 30 anos e vencedores de Óscares, os dois regressam agora lado a lado em The Rip, um thriller de acção duro, sombrio e surpreendentemente diferente do que habitualmente associamos a esta dupla.

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Disponível na NetflixThe Rip assume-se já como o primeiro filme verdadeiramente obrigatório de 2026 no streaming, apostando numa narrativa seca, sem filtros, e num ambiente onde a confiança é tão escassa quanto a moralidade.

Polícias corruptos, dinheiro sujo e desconfiança total

No centro da história estão dois agentes da polícia envolvidos numa investigação sensível sobre colegas corruptos que desviam dinheiro de casas de droga durante rusgas. Damon interpreta o tenente Dane Dumars, enquanto Affleck dá vida ao sargento-detetive JD Byrne. O que começa como mais um caso incómodo rapidamente se transforma num jogo psicológico perigoso quando Byrne começa a suspeitar que o próprio parceiro pode não ser tão íntegro quanto aparenta.

A partir daí, The Rip constrói-se como um duelo silencioso entre duas personagens que se conhecem demasiado bem — um detalhe que ganha uma camada extra de interesse quando sabemos que Damon e Affleck são amigos inseparáveis fora do ecrã. Essa proximidade real é usada de forma inteligente pelo filme, transformando cumplicidade em ameaça e confiança em potencial sentença de morte.

Joe Carnahan e a herança de Tony Scott

A realização está a cargo de Joe Carnahan, conhecido por Smokin’ Aces e The Grey, que aqui assume sem pudor a influência do cinema de Tony Scott. O ritmo intenso, a atmosfera crua e o lado quase “B-movie” do projecto são escolhas conscientes, pensadas para servir uma história directa, agressiva e sem grandes concessões ao conforto do espectador.

Carnahan revelou que quis explorar precisamente a relação real entre Damon e Affleck para reforçar o conflito dramático: dois homens que, no ecrã, são obrigados a confiar um no outro quando tudo à sua volta indica que isso pode ser um erro fatal.

Recepção crítica e reacções do público

Apesar de algumas críticas apontarem um tom excessivamente sombrio, The Rip tem sido bem recebido no geral. O filme apresenta actualmente uma pontuação de 84% no Rotten Tomatoes, com elogios frequentes à química entre os protagonistas e à sua energia de thriller clássico, quase artesanal, num panorama cada vez mais dominado por fórmulas previsíveis.

É também refrescante ver Damon e Affleck longe da comédia ou de projectos mais auto-referenciais. Aqui, ambos apostam num registo contido, tenso e adulto, lembrando porque continuam a ser duas das figuras mais interessantes do cinema americano contemporâneo.

Um regresso que vale mesmo a pena

The Rip pode não ser um filme para todos os gostos, mas é exactamente esse risco que o torna relevante. Num catálogo saturado de apostas seguras, esta colaboração entre Damon, Affleck e Carnahan destaca-se como uma proposta diferente, madura e sem medo de incomodar.

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Se 2026 precisava de um ponto de partida forte no streaming, a Netflix encontrou-o com dois velhos amigos a jogarem um jogo onde perder não é opção.

Quem Será a Nova Lisbeth Salander? As Actrizes Que Podem Marcar a Série de “Millennium”

Sky prepara nova adaptação televisiva e a escolha da protagonista é tudo menos um detalhe

A Sky confirmou esta semana aquilo que muitos fãs da saga Millennium esperavam — e outros temiam: The Girl With the Dragon Tattoo vai ganhar uma nova adaptação, desta vez sob a forma de uma série televisiva de oito episódios. A obra seminal de Stieg Larsson, publicada em 2005, regressa agora num formato que promete aprofundar ainda mais o seu universo sombrio, contemporâneo e profundamente político.

Sabe-se, para já, que a série será passada nos dias de hoje e terá argumento de Steve Lightfoot e Angela LaManna. As filmagens arrancam na Primavera, o que indica que a decisão mais sensível de todas — a escolha da nova Lisbeth Salander — estará já tomada. Ainda assim, isso não impede o exercício favorito de qualquer cinéfilo: especular.

Uma personagem que cria estrelas (e expectativas altíssimas)

Lisbeth Salander não é apenas a protagonista de Millennium — é um teste de fogo para qualquer actriz. Em 2009, Noomi Rapace tornou-se uma revelação internacional na adaptação sueca, garantindo uma nomeação para os BAFTA. Dois anos depois, Rooney Mara recebeu uma nomeação para os Óscares sob a direcção de David Fincher. Já em 2018, Claire Foyassumiu a personagem em The Girl in the Spider’s Web, com uma abordagem diferente, mas igualmente intensa.

Ou seja: quem quer que venha a ser a nova Salander será imediatamente comparada a interpretações que entraram para a história do cinema recente.

Emma Corrin: intensidade fora do comum

Entre os nomes mais consensuais surge Emma Corrin. A sua interpretação de Diana em The Crown revelou uma actriz com magnetismo estranho, imprevisível e profundamente emocional — características que encaixam de forma quase inquietante em Lisbeth Salander. Acresce ainda o facto de a série ser produzida pela Left Bank Pictures, a mesma produtora de The Crown, o que torna esta hipótese particularmente sedutora.

Jodie Comer: versatilidade ao serviço do caos

Outra candidata de peso é Jodie Comer. O seu trabalho em Killing Eve demonstrou uma capacidade rara para oscilar entre vulnerabilidade, violência e humor negro. Comer sabe desaparecer dentro das personagens e lidar com complexidade psicológica extrema — algo essencial para uma Lisbeth credível.

Anya Taylor-Joy: tempo e terror psicológico

Apesar de mais associada ao cinema nos últimos anos, Anya Taylor-Joy continua a ser lembrada pelo impacto de The Queen’s Gambit. Lisbeth Salander beneficiaria claramente de uma actriz capaz de explorar o silêncio, o desconforto e a intensidade ao longo de vários episódios — e Taylor-Joy fá-lo como poucas.

Alba August… ou o regresso inesperado?

Há ainda quem defenda uma escolha mais fiel à origem escandinava da saga, como Alba August, vista em The Rain. E, numa hipótese mais ousada, porque não trazer de volta Noomi Rapace, agora numa versão mais velha e endurecida da personagem? Seria um risco criativo — mas também um gesto narrativo fascinante.

Independentemente de quem tenha sido escolhida, uma coisa é certa: Lisbeth Salander continua a ser uma das personagens femininas mais desafiantes e icónicas da ficção contemporânea. E a nova série da Sky terá muito a provar.

Prime Video Revela Primeira Imagem de Sophie Turner como Lara Croft no Novo “Tomb Raider”

Uma nova era para a heroína mais icónica dos videojogos

A Prime Video acaba de levantar o véu sobre uma das suas apostas mais ambiciosas no universo das adaptações de videojogos. A plataforma divulgou a primeira imagem oficial da nova série Tomb Raider, confirmando Sophie Turnercomo a nova encarnação de Lara Croft. As filmagens já estão em andamento e o reboot promete dar uma nova vida à arqueóloga aventureira que marcou gerações.

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Anunciada oficialmente em Maio de 2024, a série adapta o clássico franchise de videojogos criado nos anos 90 e marca a primeira grande série televisiva em imagem real dedicada a Lara Croft. A escolha de Sophie Turner, tornada pública em Novembro, confirma a intenção da Prime Video de apostar numa abordagem mais serializada e aprofundada da personagem.

Uma heroína com legado pesado — e grandes expectativas

Sophie Turner junta-se assim a uma linhagem de actrizes de peso que já deram corpo à icónica aventureira. Angelina Jolie interpretou Lara Croft em dois filmes no início dos anos 2000, enquanto Alicia Vikander assumiu o papel no reboot cinematográfico de 2018. Agora, cabe a Turner reinventar a personagem para uma nova geração, num formato que permite explorar melhor a sua psicologia, fragilidades e evolução.

A série surge numa altura em que as adaptações de videojogos vivem um momento particularmente positivo, e Tomb Raider pretende capitalizar essa onda, apostando numa narrativa mais madura e consistente.

Um elenco de luxo e uma criadora de peso

Além de Sophie Turner, o elenco inclui nomes como Sigourney WeaverJason Isaacs, Martin Bobb-Semple, Jack Bannon, John Heffernan, Bill Paterson, Paterson Joseph, Sasha Luss, Juliette Motamed, Celia Imrie e August Wittgenstein. Um conjunto diversificado que aponta para uma narrativa global e ambiciosa.

À frente do projecto está Phoebe Waller-Bridge, que assume os papéis de criadora, argumentista principal e produtora executiva. Conhecida pela sua escrita afiada e personagens complexas, Waller-Bridge promete trazer uma nova camada emocional e narrativa ao universo Tomb Raider. Chad Hodge actua como produtor executivo e co-showrunner, enquanto Jonathan van Tulleken será realizador e produtor executivo.

De ícone dos anos 90 a franchise do futuro

O primeiro Tomb Raider chegou aos videojogos em 1996, transformando Lara Croft num verdadeiro ícone da cultura pop. O jogo mais recente, Shadow of the Tomb Raider, foi lançado em 2018, com vários títulos clássicos a receberem remasterizações. O futuro da saga continua garantido, com Tomb Raider: Legacy of Atlantis e Tomb Raider: Catalystprevistos para 2026 e 2027.

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Produzida pela Story Kitchen, Crystal Dynamics e Amazon MGM Studios, esta nova série faz parte de um acordo mais vasto para expandir o universo Tomb Raider no cinema e na televisão. Se a primeira imagem servir de indicação, a aventura está apenas a começar — e promete ser tudo menos conservadora.

Um Novo Deus da Guerra Ganha Corpo: Ryan Hurst é Kratos na Série “God of War”

Prime Video aposta forte numa das maiores lendas dos videojogos

A aguardada adaptação em imagem real de God of War acaba de dar um passo decisivo: Ryan Hurst foi oficialmente escolhido para interpretar Kratos, o icónico Deus da Guerra, na série da Prime Video. A notícia confirma uma escolha que surpreende, mas faz todo o sentido — especialmente para quem conhece bem o universo da saga.

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Curiosamente, esta não é a primeira ligação de Ryan Hurst ao mundo God of War. O actor já tinha dado voz ao poderoso Thor no videojogo God of War: Ragnarok, regressando agora à franquia para assumir o papel central da narrativa. Desta vez, porém, deixa o martelo de lado para empunhar as Lâminas do Caos.

Kratos: do campo de batalha à paternidade

A descrição oficial da personagem relembra a origem trágica de Kratos: espartano de nascimento, deus por destino, moldado por uma cultura militar impiedosa. A sua ascensão como comandante de exércitos termina num pacto fatídico com Ares, que lhe garante vitória em troca da sua alma. Um passado sangrento que continua a assombrar cada passo do anti-herói.

A série irá adaptar os acontecimentos dos dois jogos mais recentes da saga, centrando-se na relação entre Kratos e o seu filho Atreus. Pai e filho embarcam numa jornada para espalhar as cinzas de Faye, esposa de Kratos e mãe de Atreus, numa viagem que é tanto física como emocional. Enquanto Kratos tenta ensinar o filho a ser um deus melhor, Atreus procura mostrar ao pai como voltar a ser humano.

Ryan Hurst: intensidade, dor e presença física

Ryan Hurst traz consigo um currículo televisivo impressionante. Ficou eternizado como Opie em Sons of Anarchy, papel que lhe valeu enorme reconhecimento, e voltou a marcar presença como o perturbador vilão Beta em The Walking Dead. A sua capacidade de transmitir dor contida, violência latente e humanidade ferida faz dele uma escolha particularmente interessante para dar vida a Kratos.

No cinema, participou em títulos como O Resgate do Soldado RyanDuelo de Titãs e We Were Soldiers, e prepara-se agora para integrar o elenco da próxima adaptação de A Odisseia, realizada por Christopher Nolan.

Um projecto turbulento, mas agora em mãos experientes

A adaptação de God of War para televisão teve um percurso atribulado. Anunciada em 2022, a série perdeu o seu showrunner original, Rafe Judkins, em Outubro de 2024. Pouco depois, o projecto encontrou novo rumo com a entrada de Ronald D. Moore, conhecido pelo seu trabalho em séries de grande fôlego narrativo.

Moore assume funções de argumentista principal, produtor executivo e showrunner, com realização dos dois primeiros episódios a cargo de Frederick E.O. Toye. A produção envolve pesos pesados como Sony Pictures Television, Amazon MGM Studios e PlayStation Productions, garantindo uma forte ligação ao ADN do material original.

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Se a escala épica dos jogos for respeitada e a complexidade emocional de Kratos for bem explorada, esta poderá ser uma das adaptações de videojogos mais marcantes da televisão moderna. E, com Ryan Hurst ao leme, o Deus da Guerra promete não passar despercebido.

“28 Anos Depois: O Templo dos Ossos” — O Quarto Capítulo da Saga Zombi Que Está a Dividir Opiniões

“No que dizem lá fora”: um quatroquel que supera as expectativas

Há franquias que, por definição, parecem fadadas a decair com o tempo. Sequências, prequelas e derivados inundam o mercado e muitas vezes tornam-se sombras pálidas do original. Ainda assim, 28 Years Later: The Bone Temple — traduzido para o português como 28 Anos Depois: O Templo dos Ossos — está a contrariar essa lógica, com muitos críticos a considerarem-no o melhor capítulo da saga desde 28 Days Later (2002).  

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O argumento de que um “quatroquel” possa ser superior ao resto da franquia parece improvável, mas é justamente esse o sentimento que paira nas primeiras reacções críticas: uma energia mais crua, personagens mais complexos e um sentido de crescente perigo que vai além do simples terror zumbi. Neste aspecto, o destaque vai, em particular, à performance de Ralph Fiennes, cuja interpretação é unanimemente elogiada como “fenomenal” e uma das melhores da sua carreira, com momentos memoráveis que misturam intensidade física com nuances inesperadas de humor negro e surrealismo.  

A narrativa — menos mortos-vivos, mais humanos perigosos

Ao contrário da esmagadora maioria dos filmes de zombies, onde “os infectados” são o centro da ameaça, O Templo dos Ossos vira esse cliché do avesso. No coração do filme está um confronto feroz entre humanidades agressivas e crepusculares, personificadas pela bizarra gangue liderada por Jack O’Connell como Sir Lord Jimmy Crystal. Esta facção — descrita por algumas críticas como quase mais assustadora do que os próprios zombies — transforma a narrativa num estudo de poder, manipulação e psicose colectiva.  

A história segue Spike (Alfie Williams), um jovem que se vê atolado no meio desta nova ordem brutal, confrontando a desumanidade que floresceu num mundo pós-apocalíptico. Ao mesmo tempo, o Dr. Ian Kelson (Fiennes) representa um contra-ponto quase messiânico — um homem que vive numa estranha quietude moral enquanto tenta compreender e, eventualmente, domar a ameaça gigantesca conhecida como Samson.  

O que dizem por aí: cinema que desafia expectativas

As primeiras impressões partilhadas por críticos e fãs que já viram o filme em exibições antecipadas sugerem que O Templo dos Ossos não se limita a repetir o mesmo formulaico terror zumbi a que estamos habituados. Pelo contrário, há quem o descreva como um filme “energético, cruel e profundamente humano”, onde a verdadeira ameaça já não é o vírus, mas sim a própria natureza humana quando despojada de estrutura social.  

Este enfoque renovado tem sido visto como um sopro de ar fresco para uma série que começou há mais de duas décadas e que, apesar de reverenciada, corria o risco de cair no esquecimento criativo. A mudança de realizador — com Nia DaCosta a assumir a direcção depois de Danny Boyle — parece ter rejuvenescido a franquia, oferecendo um olhar contemporâneo sobre um universo cheio de decay e violência visceral.  

Datas de estreia nos países de língua portuguesa

Se és fã do género e já queres marcar no calendário, aqui vai o que se sabe sobre as estreias no mundo lusófono:

  • Portugal: estreia nos cinemas a 15 de Janeiro de 2026.  
  • Brasil: está também confirmado para 15 de Janeiro de 2026.  

Para muitos, esta estreia conjunta em países lusófonos é um convite para comparar experiências e ver como a cultura local reage a um filme que está a gerar conversas intensas tanto pela sua abordagem narrativa como pelas performances surpreendentes.

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Conclusão

28 Anos Depois: O Templo dos Ossos” está a chegar como um capítulo controverso e, curiosamente, celebrativo de tudo aquilo que o cinema de horror pode oferecer: tensão, reacções inesperadas do público e uma narrativa que, mesmo no meio de mortos-vivos, encontra significado nos vivos. Se as reacções iniciais se confirmarem após o lançamento generalizado, poderemos estar perante um dos melhores filmes do género dos últimos anos.

“Go Ahead, Make My Day”: A Frase de Clint Eastwood Que Nunca Envelheceu 🎬

Quando uma linha de diálogo vale mais do que uma explosão

O cinema de acção sempre viveu de excessos: explosões, perseguições impossíveis, murros, tiros e corpos a voar em câmara lenta. Mas quem cresceu a ver filmes protagonizados por Stallone, Schwarzenegger, Van Damme ou Clint Eastwood sabe que, muitas vezes, o momento mais memorável não envolve efeitos especiais nem coreografias elaboradas. Basta uma frase bem colocada. Um one-liner perfeito.

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Do lendário “Yippee-ki-yay” de John McClane às tiradas musculadas de Arnold Schwarzenegger, a história do género está repleta de frases que ficaram gravadas na cultura popular. Ainda assim, há uma que continua a destacar-se pela sua simplicidade, frieza e poder absoluto. Uma ameaça dita sem levantar a voz. Um convite carregado de destino: “Go ahead, make my day.”

Sudden Impact: o momento em que Dirty Harry se torna eterno

Lançado em 1983, Sudden Impact foi o quarto capítulo da saga Dirty Harry. Quando o filme chegou às salas, o inspector Harry Callahan já não precisava de apresentações. Desde Dirty Harry (1971), passando por Magnum Force e The Enforcer, o público conhecia bem o olhar gelado, a moral inflexível e a relação nada romântica com a lei.

Mas é em Sudden Impact que tudo se cristaliza num único instante. Numa cena quase silenciosa, sem música sublinhadora ou montagem frenética, Harry confronta um criminoso. Não grita. Não gesticula. Limita-se a dizer a frase. E nesse exacto momento, o poder muda de lado.

A genialidade da cena está na contenção. Eastwood não precisa de teatralidade. A frase surge limpa, directa, quase casual. É precisamente isso que a torna devastadora. Harry não ameaça — constata. Ele sabe que já ganhou. E o espectador também.

Confiança como arma letal

Há algo de profundamente cinematográfico na forma como Clint Eastwood entrega esta fala. Não há raiva descontrolada nem heroísmo inflamado. Existe apenas certeza. Uma convicção inabalável de que está do lado certo — moral, legal e narrativamente.

Esta confiança “armada” resume tudo o que Dirty Harry representa: a fantasia de uma justiça simples, imediata e sem ambiguidades, num mundo cada vez mais complexo. A frase tornou-se um símbolo dessa visão romântica e polémica da autoridade, ecoando muito para lá do ecrã.

Importa lembrar que a linha foi escrita por Joseph Stinson, num raro momento de alquimia perfeita entre texto e intérprete. Sem Eastwood, talvez fosse apenas mais uma frase. Com ele, tornou-se História.

Quarenta anos depois, continua a funcionar

Mais de quatro décadas após a estreia, Sudden Impact mantém uma força curiosamente intacta. Entre os anti-heróis moralmente cinzentos dos anos 70 e os heróis hiperbólicos dos anos 80, Clint Eastwood ocupou um espaço único. Provou que o silêncio podia ser mais ameaçador do que um lança-foguetes.

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Hoje, “Go ahead, make my day” continua a ser citada, parodiada e reverenciada. Não apenas como uma frase icónica, mas como um lembrete de que o verdadeiro cool no cinema não precisa de barulho. Basta presença. E nisso, Clint Eastwood continua a não ter concorrência

Timothée Chalamet bate DiCaprio e conquista o Globo de Ouro numa noite cheia de surpresas Marty Supreme dá a vitória ao actor, enquanto One Battle After Another domina a cerimónia

A 83.ª edição dos Globos de Ouro confirmou aquilo que Hollywood já vinha a sussurrar: Timothée Chalamet está cada vez mais perto de se afirmar como um dos grandes nomes da sua geração. O actor venceu o prémio de Melhor Actor em Filme de Musical ou Comédia pela sua prestação em Marty Supreme, batendo uma concorrência de luxo que incluía Leonardo DiCaprio e George Clooney.

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A vitória representa um momento simbólico na carreira de Chalamet: depois de cinco nomeações, foi a primeira vez que subiu ao palco para receber um Globo de Ouro. No discurso, sublinhou a importância da gratidão, recordando os ensinamentos do pai, e admitiu que as derrotas passadas tornaram este triunfo “ainda mais doce”. O actor aproveitou ainda para agradecer aos pais e à companheira, Kylie Jenner, presente na plateia.

DiCaprio perde o actor, mas vence o filme

Apesar de Leonardo DiCaprio ter saído de mãos a abanar na categoria de interpretação, o seu filme One Battle After Another foi o grande vencedor da noite em termos absolutos. A produção arrecadou quatro estatuetas, incluindo Melhor Filme de Musical ou Comédia, Melhor Realização e Melhor Argumento para Paul Thomas Anderson.

Visivelmente emocionado, Anderson agradeceu o carinho demonstrado pela indústria, sublinhando o privilégio de continuar a fazer cinema com liberdade criativa. O filme confirmou-se, assim, como um dos pesos pesados da actual temporada de prémios.

Hamnet surpreende no drama

Uma das maiores surpresas da noite foi a vitória de Hamnet na categoria de Melhor Filme Dramático, numa corrida onde Sinners era apontado como favorito. A protagonista Jessie Buckley venceu também o prémio de Melhor Actriz em Drama, agradecendo a oportunidade de participar numa produção internacional que cruzou culturas, equipas e sensibilidades.

A realizadora Chloé Zhao mostrou-se surpreendida ao receber o prémio, enquanto o produtor Steven Spielberg elogiou o romance de Maggie O’Farrell e afirmou que Zhao era “a única cineasta capaz de contar esta história”.

Discursos marcantes e afirmação internacional

Outro dos momentos mais emocionantes da noite pertenceu a Teyana Taylor, distinguida como Melhor Actriz Secundária por One Battle After Another. Em lágrimas, deixou uma mensagem poderosa dirigida às “irmãs e raparigas racializadas”, lembrando que a sua luz não precisa de permissão para brilhar.

Na vertente internacional, o thriller político brasileiro The Secret Agent venceu o prémio de Melhor Filme Internacional, com Wagner Moura a conquistar o Globo de Melhor Actor em Drama. No discurso, falou de trauma geracional e da importância de manter valores em tempos difíceis.

Televisão também em destaque

Como é tradição, os Globos de Ouro distinguiram igualmente a televisão. A série Adolescence continuou a somar prémios, com Owen Cooper, de apenas 16 anos, a vencer como Melhor Actor Secundário. Humilde, descreveu-se como “um aprendiz que ainda está a aprender todos os dias”.

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A cerimónia confirmou, assim, que os Globos continuam a ser um termómetro essencial rumo aos Óscares — e que uma nova geração de talentos está pronta para assumir o protagonismo.

O Regresso do Rei? O Nome Que Volta a Agitar o Futuro de Black Panther no MCU

Damson Idris reage aos rumores e a Marvel prepara o terreno para uma nova era em Wakanda

Poucos papéis no cinema contemporâneo carregam um peso simbólico tão forte como T’Challa, o Pantera Negra. Desde a sua estreia no Universo Cinematográfico da Marvel, o personagem tornou-se um ícone cultural muito para lá do género de super-heróis, graças à interpretação de Chadwick Boseman. A sua morte prematura, em 2020, vítima de cancro do cólon, levou a Marvel Studios a tomar uma decisão rara em Hollywood: não recastar o papel de imediato e integrar a perda do actor na própria narrativa de Black Panther: Wakanda Forever, transformando o filme numa sentida homenagem.

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No entanto, com o MCU a entrar numa fase de profunda transformação, os rumores de um eventual regresso de T’Challa — agora com outro rosto — voltaram a ganhar força. E, desta vez, há um nome que se destaca.

Damson Idris e a resposta que diz tudo… sem dizer nada

Questionado pela Variety na passadeira vermelha dos Globos de Ouro de 2026, Damson Idris reagiu à especulação de que poderia ser o próximo Pantera Negra com uma diplomacia que não passou despercebida. “Sou grato aos fãs”, afirmou, sublinhando que se tratam apenas de rumores, mas confessando o seu amor pelo filme, pelo universo de Wakanda e pela direcção criativa da saga. Mais revelador do que as palavras foi o que Idris não disse: não houve qualquer negação categórica.

Num estúdio conhecido por contratos confidenciais e estratégias de silêncio absoluto, esta ambiguidade é, para muitos, um sinal claro de que algo está a ser preparado nos bastidores.

O momento ideal para recastar T’Challa

A especulação surge numa altura-chave para o MCU. A chamada Multiverse Saga aproxima-se do fim com Avengers: Doomsday e Avengers: Secret Wars, dois filmes que prometem lidar com o colapso de realidades alternativas e redefinir completamente o universo Marvel. O próprio Kevin Feige já confirmou que estes eventos funcionarão como uma espécie de “soft reboot”, abrindo a porta à reintrodução de personagens clássicos com novos intérpretes.

Feige chegou mesmo a referir explicitamente a possibilidade de figuras como Iron Man ou Captain America voltarem a existir noutras versões, estabelecendo um precedente claro para o eventual regresso de T’Challa sem apagar o legado de Boseman.

Black Panther 3 e o futuro de Wakanda

Importa recordar que Black Panther 3 é um dos poucos projectos de grande escala que a Marvel confirmou oficialmente como estando em desenvolvimento activo para o período pós-Secret Wars. A utilização do multiverso permitiria introduzir uma nova versão de T’Challa proveniente de outra realidade, preservando o impacto emocional da perda retratada em Wakanda Forever e, ao mesmo tempo, garantindo que o Pantera Negra continua a ser um pilar central do MCU na próxima década.

Esta abordagem permitiria uma distinção clara entre a era marcada por Chadwick Boseman e um novo capítulo, evitando comparações directas e respeitando o peso histórico do personagem.

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Um legado que não se apaga — transforma-se

Mais do que uma simples questão de casting, o eventual regresso de T’Challa levanta uma pergunta maior: como continuar um legado sem o desvirtuar? A Marvel parece consciente de que qualquer decisão terá de equilibrar respeito, inovação e necessidade narrativa. Se Damson Idris será ou não o próximo Rei de Wakanda, o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: o Pantera Negra ainda tem muitas histórias para contar.

Emmys criam novo prémio para celebrar séries históricas que marcaram gerações

A Television Academy apresenta o Legacy Award, uma distinção para programas com impacto duradouro na cultura e na sociedade

Television Academy anunciou a criação de um novo e ambicioso prémio no universo dos Emmys: o Legacy Award, uma distinção destinada a homenagear séries de televisão que tenham deixado uma “marca profunda e duradoura” no público, na indústria e na cultura popular. Trata-se da primeira grande novidade no conjunto de prémios Emmy em quase duas décadas, um sinal claro de que a Academia pretende reconhecer não apenas o sucesso imediato, mas também a relevância a longo prazo.

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De acordo com os critérios agora divulgados, apenas poderão ser considerados programas que tenham, no mínimo, 60 episódios distribuídos por pelo menos cinco temporadas. Além disso, as séries candidatas terão de demonstrar influência sustentada — seja dentro do seu género, junto de novas gerações de espectadores ou no impacto cultural mais vasto. No caso de franquias, estas serão avaliadas como um todo, e o prémio só poderá ser atribuído uma única vez a cada programa.

Clássicos, fenómenos de longa duração e séries ainda no ar

A lista de potenciais candidatos é, desde logo, impressionante. Séries já terminadas, mas com um legado inquestionável, como All in the Family ou Will & Grace, enquadram-se perfeitamente nos requisitos. Ambas ajudaram a redefinir a comédia televisiva e tiveram um papel relevante na forma como temas sociais passaram a ser discutidos no pequeno ecrã.

Mas o Legacy Award não se limita ao passado. Produções ainda em exibição, como Grey’s Anatomy, que já soma mais de duas décadas no ar, ou It’s Always Sunny in Philadelphia, conhecida pelo seu humor corrosivo e longevidade improvável, também são elegíveis. Até programas prestes a despedir-se, como The Late Show, entram nas contas, desde que cumpram os critérios estabelecidos.

Um processo aberto… até ao público

Outro aspecto curioso deste novo prémio é a forma como as nomeações podem surgir. Estas poderão ser feitas por membros do conselho de governadores da Television Academy, pelo comité de prémios especiais, mas também através de cartas enviadas por profissionais da indústria — ou mesmo pelo público em geral. Uma abertura pouco habitual num organismo tradicionalmente mais fechado, mas que reforça a ideia de que o impacto cultural não se mede apenas dentro dos bastidores.

A selecção final ficará a cargo do agora renomeado Special Awards Committee, anteriormente conhecido como Governors Award Committee, que escolherá anualmente o vencedor.

Um Emmy especial… em palco variável

O Legacy Award será materializado numa estatueta Emmy gravada, mas o local da entrega poderá variar. Dependendo do ano, o prémio poderá ser apresentado durante a cerimónia dos Primetime Emmy Awards, nos Creative Arts Emmys, no festival Televerse da Academia ou até na cerimónia do Hall of Fame.

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Mais do que um novo troféu, o Legacy Award surge como uma declaração de intenções: reconhecer que algumas séries não são apenas entretenimento, mas verdadeiros pilares da história da televisão.