Do estrelato ao risco de despejo: Mickey Rourke pede ajuda para evitar perder a casa

Dívidas acumuladas colocam o actor numa situação delicada

Aos 73 anos, Mickey Rourke, um dos rostos mais icónicos do cinema norte-americano das últimas décadas, enfrenta uma situação dramática fora do grande ecrã. O actor está em risco iminente de ser despejado da casa onde vive em Los Angeles, depois de acumular dezenas de milhares de dólares em rendas em atraso, o que levou amigos próximos a lançar uma campanha pública de angariação de fundos para o ajudar a manter um tecto sobre a cabeça.

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Segundo avança o Los Angeles Times, Rourke deverá mais de 59 mil dólares ao senhorio, um valor que corresponde a vários meses de renda não paga. A situação tornou-se suficientemente grave para que, no passado dia 18 de Dezembro, o actor tenha recebido um aviso formal de despejo, acompanhado ainda de exigências adicionais por alegados danos na propriedade e despesas judiciais.

Uma renda elevada e uma dívida que não pára de crescer

Mickey Rourke assinou o contrato de arrendamento da habitação — uma casa com três quartos e duas casas de banho — em Março de 2025. Inicialmente, a renda mensal fixava-se nos 5.200 dólares, mas acabou por ser aumentada para 7.000 dólares por mês, um valor difícil de sustentar mesmo para alguém com um currículo recheado de sucessos em Hollywood.

Para tentar travar o despejo, foi criada uma página na plataforma GoFundMe, por iniciativa de Liya-Joelle Jones, amiga próxima do actor, com o seu consentimento. Em menos de 24 horas, a campanha conseguiu angariar mais de metade do montante necessário, revelando que, apesar de tudo, Rourke continua a contar com o apoio de fãs e amigos.

“A fama não protege contra as dificuldades”

No texto que acompanha o apelo aos donativos, a organizadora da campanha lembra que “a fama não protege contra as dificuldades, e o talento não garante estabilidade”. Uma frase que resume de forma crua a trajectória irregular de Mickey Rourke, marcada tanto por grandes momentos de glória como por quedas abruptas.

Depois de se tornar uma estrela nos anos 1980, com filmes como Nove Semanas e Meia, o actor afastou-se progressivamente do cinema para se dedicar ao boxe profissional. Essa decisão teve um custo elevado: múltiplas lesões graves obrigaram-no a submeter-se a várias cirurgias de reconstrução facial, alterando de forma significativa a sua aparência e, em certa medida, a sua carreira.

Um regresso aplaudido… mas insuficiente

O regresso ao cinema deu-se de forma triunfal com O Wrestler, papel que lhe valeu um Globo de Ouro e uma nomeação ao Óscar, seguido de participações em títulos como Sin City. Ainda assim, esses sucessos não foram suficientes para garantir uma estabilidade financeira duradoura.

Na página de angariação de fundos, fala-se de “anos difíceis”, marcados por problemas de saúde, fragilidades económicas e “o preço silencioso de ser deixado para trás”. Um retrato duro de um actor que conheceu o auge de Hollywood, mas que hoje enfrenta uma realidade bem mais frágil.

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A campanha continua activa e pretende dar a Mickey Rourke tempo e espaço para “se reerguer”. Um lembrete desconfortável de que, mesmo no cinema, os finais felizes nem sempre acontecem fora do ecrã.

“Batalha Atrás de Batalha” domina os Critics Choice Awards e afirma-se como o filme do momento

Paul Thomas Anderson e Leonardo DiCaprio no centro da noite em Santa Mónica

A temporada de prémios arrancou oficialmente esta madrugada, com a realização da 31.ª edição dos Critics Choice Awards, e houve um grande vencedor inequívoco. Batalha Atrás de Batalha, protagonizado por Leonardo DiCaprio, conquistou o prémio de Melhor Filme, afirmando-se desde já como um dos títulos mais fortes da corrida aos Óscares.

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A longa-metragem arrecadou ainda os prémios de Melhor Argumento Adaptado e Melhor Realização, distinção entregue a Paul Thomas Anderson, que subiu ao palco visivelmente emocionado. “Este foi o melhor tempo que já passei a fazer um filme e penso que isso se nota”, afirmou o realizador, sublinhando a importância da equipa e do elenco que o acompanhou, onde se destacam nomes como Benicio del Toro e Teyana Taylor.

Chalamet surpreende DiCaprio na corrida a Melhor Actor

Apesar do domínio de Batalha Atrás de Batalha, a noite também ficou marcada por uma das surpresas da cerimónia. Timothée Chalamet, de apenas 30 anos, venceu o prémio de Melhor Actor pelo seu desempenho como Marty Mauser em Marty Supreme, superando Leonardo DiCaprio, Michael B. Jordan, Wagner Moura, Ethan Hawke e Joel Edgerton.

No discurso de agradecimento, Chalamet destacou o trabalho do realizador Josh Safdie, elogiando a forma como construiu “a história de um homem imperfeito com um sonho com o qual todos nos podemos identificar”. O actor aproveitou ainda para agradecer à namorada, Kylie Jenner, que o acompanhou na gala.

Jessie Buckley emociona com discurso sobre criação e comunidade

Um dos momentos mais aplaudidos da noite aconteceu na categoria de Melhor Atriz, entregue a Jessie Buckley pelo papel de Agnes Shakespeare em Hamnet, realizado por Chloé Zhao. Buckley superou concorrentes de peso como Emma Stone, Amanda Seyfried e Rose Byrne.

“Criar é um privilégio absoluto”, afirmou a actriz, destacando o espírito de partilha entre todas as nomeadas e descrevendo o cinema como uma verdadeira “aldeia”. As palavras dedicadas a Chloé Zhao, sobre o poder das histórias e a sua ligação à condição humana, foram particularmente emocionantes.

Terror, fantasia e surpresas técnicas

Nos papéis secundários, o terror e a fantasia dividiram honras. Amy Madigan venceu Melhor Atriz Secundária por Weapons, enquanto Jacob Elordi arrecadou o prémio de Melhor Ator Secundário por Frankenstein. Esta reinvenção do clássico de Guillermo del Toro destacou-se ainda nas categorias técnicas de guarda-roupa, caracterização e design de produção.

O filme mais nomeado da noite, Sinners, com 17 indicações, acabou por vencer Melhor Argumento OriginalMelhor Banda SonoraMelhor Jovem Ator (Miles Caton) e Melhor Elenco.

Cinema internacional, animação e televisão em destaque

Na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, venceu o brasileiro O Agente Secreto, de Kléber Mendonça Filho. Já KPop Demon Hunters confirmou o favoritismo ao conquistar Melhor Filme de Animação e Melhor Canção, com “Golden”.

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Na televisão, The Pitt foi a grande vencedora entre as séries dramáticas, enquanto Adolescência brilhou nas categorias de minissérie e interpretação.

Apresentada por Chelsea Handler e transmitida pelo canal E!, a cerimónia confirmou tendências, revelou surpresas e deixou claro que Batalha Atrás de Batalha parte na dianteira nesta temporada de prémios.

🏆 Vencedores dos Critics Choice Awards – Cinema

Melhor Filme

– Batalha Atrás de Batalha

Melhor Realização

– Paul Thomas Anderson (Batalha Atrás de Batalha)

Melhor Ator

– Timothée Chalamet (Marty Supreme)

Melhor Atriz

– Jessie Buckley (Hamnet)

Melhor Ator Secundário

– Jacob Elordi (Frankenstein)

Melhor Atriz Secundária

– Amy Madigan (Weapons)

Melhor Jovem Ator / Atriz

– Miles Caton (Sinners)

Melhor Filme de Comédia

– The Naked Gun: Aonde É Que Pára a Polícia

Melhor Filme de Animação

– KPop Demon Hunters

Melhor Filme em Língua Estrangeira

– O Agente Secreto (Brasil)


✍️ Argumento e Música

Melhor Argumento Original

– Ryan Coogler (Sinners)

Melhor Argumento Adaptado

– Batalha Atrás de Batalha

Melhor Banda Sonora

– Ludwig Göransson (Sinners)

Melhor Canção Original

– “Golden” (KPop Demon Hunters)


🎬 Categorias Técnicas

Melhor Fotografia

– Train Dreams (Adolpho Veloso)

Melhor Montagem

– F1

Melhor Som

– F1

Melhores Efeitos Visuais

– Avatar: Fogo e Cinzas

Melhor Design de Produção

– Frankenstein

Melhor Caracterização

– Frankenstein

Melhor Guarda-Roupa

– Frankenstein


👥 Elenco

Melhor Elenco

– Sinners

(Casting: Francine Maisler)


📺 Televisão (principais vencedores)

Melhor Série Dramática

– The Pitt

Melhor Ator em Série Dramática

– Noah Wyle (The Pitt)

Melhor Atriz Secundária em Série Dramática

– Katherine LaNasa (The Pitt)

Melhor Minissérie

– Adolescência

Melhor Ator em Minissérie

– Stephen Graham (Adolescência)

Melhor Ator Secundário em Minissérie

– Owen Cooper (Adolescência)

Melhor Atriz Secundária em Minissérie

– Erin Doherty (Adolescência)

Melhor Série de Comédia

– The Studio

Wonder Man: novos cartazes sugerem que o MCU entrou numa era de perseguição aos super-humanos

Os novos cartazes promocionais de Wonder Man não servem apenas para divulgar mais uma série do Universo Cinematográfico da Marvel. Funcionam, acima de tudo, como um aviso claro de que algo mudou profundamente neste mundo de heróis. A mensagem é desconfortável e dificilmente passa despercebida: os super-humanos deixaram de ser celebrados e passaram a ser encarados como uma ameaça.

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Nas imagens reveladas, surge a ideia de que Hollywood proibiu oficialmente o uso de super-poderes. Actores são obrigados a assinar declarações formais garantindo que não possuem quaisquer capacidades sobre-humanas. À primeira vista, o conceito parece satírico, quase absurdo, mas dentro do contexto do MCU aponta para uma narrativa muito mais séria, centrada no controlo, na vigilância e no medo do “diferente”.

https://twitter.com/marvelstudios/status/2007137310064734396?s=61

A série acompanha Simon Williams, um actor em dificuldades que tenta sobreviver numa indústria que agora rejeita precisamente aquilo que o torna especial. A presença de Trevor Slattery, personagem que regressa como elo entre o espectáculo e a farsa, reforça o tom meta da série e sublinha a forma como o próprio entretenimento é usado para mascarar realidades mais sombrias.

https://twitter.com/marvelstudios/status/2007136054633963718?s=61

Tudo indica que Wonder Man será o ponto de partida para uma nova fase do MCU, em que o Departamento de Controlo de Danos deixa de ser uma simples entidade burocrática e passa a assumir um papel claramente repressivo. A narrativa sugere que indivíduos com capacidades meta-humanas estão a ser identificados, detidos e isolados, mesmo quando nunca se apresentaram como heróis ou vilões.

Esta abordagem abre caminho para um conflito mais profundo, onde a linha entre segurança e opressão se torna cada vez mais difusa. Simon Williams surge como alvo não pelos seus actos, mas pela sua própria existência, tornando-se símbolo de uma sociedade que começa a temer aquilo que não consegue controlar.

Mais do que uma história isolada, Wonder Man parece preparar o terreno para a introdução dos mutantes no MCU. A perseguição sistemática dos “diferentes” funciona como metáfora clara para o universo dos X-Men, prometendo conflitos ideológicos e políticos muito mais densos do que a habitual luta entre heróis e vilões.

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Com estreia marcada para Janeiro de 2026, Wonder Man posiciona-se como uma das peças mais importantes da próxima fase do MCU. Menos ingénua, mais desconfortável e claramente mais política, a série sugere que o maior perigo já não vem de invasões alienígenas, mas das instituições que afirmam existir para proteger o mundo.

De Wuthering Heights a The Odyssey: os Filmes Mais Aguardados de 2026 Prometem um Ano de Excesso, Risco e Nostalgia

Clássicos reinventados, regressos inesperados e apostas gigantescas marcam um dos calendários mais ambiciosos do cinema recente

Se 2025 foi um ano de consolidação, 2026 perfila-se como um verdadeiro teste de força para Hollywood e para o cinema de autor. O alinhamento de estreias anunciadas revela uma indústria disposta a arriscar — ainda que muitas vezes através de material conhecido — com adaptações literárias de peso, sequelas tardias, regressos de franquias em pausa e novos projectos assinados por alguns dos realizadores mais influentes da actualidade.

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Entre o cinema épico, a reinvenção de mitos culturais e a nostalgia assumida, há uma ideia transversal: 2026 quer ser um ano de acontecimentos, não apenas de estreias.

Clássicos literários voltam ao centro do palco

Uma das tendências mais claras é o regresso em força da literatura clássica. O exemplo mais polémico é Wuthering Heights, nova adaptação do romance de Emily Brontë, realizada por Emerald Fennell. Desde o primeiro trailer, o filme dividiu opiniões, com acusações de infidelidade ao texto original, críticas ao elenco e reacções inflamadas nas redes sociais. Fennell, no entanto, assume a provocação: a sua leitura do romance é visceral, sexual e deliberadamente contemporânea.

No extremo oposto do espectro está The Odyssey, a adaptação monumental do poema de Homero por Christopher Nolan. Com um elenco recheado de estrelas e uma abordagem assumidamente épica, o filme tornou-se um fenómeno antecipado ao ponto de os bilhetes começarem a ser vendidos com um ano de antecedência. Nolan regressa ao grande espectáculo clássico, agora ancorado num dos textos fundadores da cultura ocidental.

Ainda no campo literário, 2026 traz novas versões de Sense and Sensibility e uma prequela de As Crónicas de NárniaThe Magician’s Nephew, realizada por Greta Gerwig, no seu primeiro projecto após o fenómeno Barbie.

Sequências tardias e nostalgia sem pudor

Hollywood continua a explorar o poder da memória afectiva. Practical Magic 2 surge quase três décadas após o original, transformado entretanto num filme de culto. O regresso de Sandra Bullock e Nicole Kidman é menos um gesto comercial imediato e mais uma aposta na ligação emocional com várias gerações de espectadores.

O mesmo se aplica a The Devil Wears Prada 2, que recupera personagens icónicas num contexto mediático profundamente diferente daquele de 2006. Moda, poder e influência digital prometem actualizar a dinâmica entre Miranda Priestly e Andy Sachs, agora em posições mais simétricas.

Na animação, Toy Story 5 confirma a dificuldade da Pixar em abandonar completamente as suas criações mais lucrativas. A nova entrada promete reflectir sobre obsolescência tecnológica, regressando ao coração conceptual do primeiro filme, mas adaptado a um mundo dominado por ecrãs e dispositivos.

Blockbusters em modo “tudo ou nada”

No campo do cinema de grande orçamento, 2026 é um ano de apostas gigantes. Avengers: Doomsday representa a tentativa mais clara da Marvel de recuperar o impacto cultural perdido após Endgame. O regresso de actores históricos, a junção de universos e a escolha de Robert Downey Jr. como vilão assumem uma estratégia de choque: mais personagens, mais nostalgia, mais escala.

Já The Mandalorian and Grogu marca o regresso de Star Wars ao cinema após anos de domínio televisivo. A aposta passa por capitalizar a popularidade de personagens criadas fora da saga principal, num movimento que reflecte a própria mutação da franquia.

Cinema de autor em escala maior

Apesar do peso das franquias, 2026 não abdica do cinema autoral. Ridley Scott regressa à ficção científica com The Dog Stars, um drama pós-apocalíptico intimista apesar do cenário devastado. Maggie Gyllenhaal reinventa o mito de Frankenstein em The Bride!, deslocando-o para o submundo de Chicago dos anos 30 e dando finalmente voz à figura feminina do título.

Alejandro G. Iñárritu prepara Digger, uma comédia descrita como “catastrófica”, protagonizada por Tom Cruise num registo radicalmente diferente da sua imagem habitual. É uma das apostas mais intrigantes do ano, tanto pelo realizador como pela promessa de subversão.

Música, moda e cultura pop em colisão

Filmes como Mother Mary e The Drama exploram a intersecção entre pop, identidade e performance, enquanto The Social Reckoning funciona quase como um comentário directo à era das redes sociais, assumindo-se como sucessor espiritual de The Social Network.

Estes projectos sugerem que, mesmo dentro de uma indústria dominada por IPs conhecidos, há espaço para propostas mais desconfortáveis e reflexivas.

2026: excesso como estratégia

O calendário de 2026 revela uma indústria consciente da sua própria fragilidade. Entre apostas seguras e riscos calculados, o cinema prepara-se para um ano de excesso deliberado: mais estrelas, mais mitos, mais passado reembalado.

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Resta saber quantos destes filmes serão apenas eventos momentâneos — e quantos resistirão ao tempo. Mas uma coisa é certa: 2026 não será um ano discreto no cinema.

Tony Dokoupil Assume o CBS Evening News com Promessa de Independência: “Eu Reporto para Si”

Novo pivot do noticiário garante distância de políticos, anunciantes e interesses corporativos num momento crítico para a credibilidade dos media

O jornalismo televisivo norte-americano prepara-se para uma mudança simbólica. Tony Dokoupil vai assumir, a partir de 5 de Janeiro, a condução do CBS Evening News, um dos noticiários históricos dos Estados Unidos, prometendo uma ruptura clara com pressões políticas, interesses empresariais e lógicas corporativas. A mensagem é directa e deliberadamente pessoal: “Eu reporto para si.”

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Num vídeo divulgado no Dia de Ano Novo, Dokoupil apresentou aquilo que descreveu como um compromisso com os espectadores — e, implicitamente, um reconhecimento de que os media tradicionais perderam a confiança do público. “Muita coisa mudou desde que a primeira pessoa se sentou nesta cadeira”, afirmou. “Mas a maior diferença é simples: as pessoas já não confiam em nós como confiavam.”

Reconhecer o problema para tentar resolvê-lo

Dokoupil não poupou críticas ao estado actual do jornalismo de legado. Referiu temas como a guerra do Iraque, os e-mails de Hillary Clinton, os confinamentos durante a pandemia e o caso do portátil de Hunter Biden como exemplos de uma cobertura percepcionada por muitos como enviesada, distante das preocupações do cidadão comum e excessivamente alinhada com elites políticas e académicas.

A partir desse diagnóstico, o novo pivot traça a sua linha vermelha: os espectadores vêm primeiro. “Não os anunciantes. Não os políticos. Não os interesses corporativos. E sim, isso inclui os próprios donos da CBS”, afirmou, numa referência directa à liderança da Paramount e ao seu presidente executivo, David Ellison.

Um noticiário em crise de relevância

Tony Dokoupil herda um CBS Evening News que há vários anos ocupa um distante terceiro lugar nas audiências, atrás dos concorrentes da NBC e da ABC. O declínio da relevância dos noticiários de horário nobre acompanha uma crise mais profunda de confiança no jornalismo televisivo tradicional, num ecossistema dominado por redes sociais, plataformas digitais e polarização extrema.

O desafio é ainda maior porque a mudança acontece num momento turbulento para a própria redacção da CBS. A recente decisão da directora editorial Bari Weiss de retirar uma reportagem do 60 Minutes poucos dias antes da emissão provocou desconforto interno e reacendeu o debate sobre critérios editoriais, censura preventiva e independência jornalística.

Uma nova cultura editorial?

Numa comunicação interna enviada na véspera de Natal, Bari Weiss defendeu que recuperar a confiança do público exige mais trabalho de campo, histórias inesperadas e atenção a temas negligenciados ou mal compreendidos. Por vezes, acrescentou, isso implica adiar reportagens para garantir rigor e equilíbrio.

Dokoupil mostrou-se alinhado com essa visão. No vídeo, comprometeu-se a explicar sempre o que sabe, quando sabe e como sabe — e a assumir publicamente os erros quando eles acontecem. “Também significa falar com toda a gente”, disse, “e aplicar o mesmo padrão a todas as figuras da vida pública”.

“Digam-me se eu falhar”

Ao contrário de discursos vagos sobre objectividade, a intervenção de Tony Dokoupil aposta num tom quase contratual com o público. “Telling the truth” — dizer a verdade — foi apresentado não como um slogan, mas como uma prática quotidiana que exige coerência, humildade e abertura ao contraditório.

“Sou o Tony Dokoupil, o pivot do CBS Evening News”, concluiu. “Cobrem-me por isto.”

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Num tempo em que a desconfiança em relação aos media é estrutural e transversal a todo o espectro político, a promessa é ambiciosa. Resta saber se a prática conseguirá acompanhar as palavras — mas, pelo menos, o novo rosto do noticiário parece consciente do peso da cadeira onde se senta.

Betty Boop e Blondie Entram em Domínio Público em 2026 — e Abrem a Porta a um Tesouro Cultural

Personagens icónicas, grandes detectives da literatura e clássicos do cinema passam a poder ser reinventados sem autorização

O início de 2026 assinala um novo e entusiasmante capítulo para a cultura popular: Betty Boop e Blondie juntam-se oficialmente ao domínio público, acompanhadas por obras literárias e cinematográficas fundamentais do início do século XX. Com o fim do prazo máximo de 95 anos de protecção de direitos de autor nos Estados Unidos, estas criações passam a poder ser usadas, adaptadas e reinterpretadas livremente por artistas, cineastas, escritores e criadores de todo o mundo.

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Depois da entrada histórica das primeiras versões de Mickey Mouse e Winnie the Pooh em anos recentes, o “lote” de 2026 pode não ter o mesmo impacto mediático imediato, mas representa uma riqueza cultural imensa — um verdadeiro retrato da criatividade entre guerras e da Grande Depressão.

Betty Boop: a flapper que começou como… um cão

A primeira versão de Betty Boop surge em 1930 no curto-metragem Dizzy Dishes. A personagem já é reconhecível como a flapper do Jazz Age — olhos grandes, cabelo curto, vestido justo — mas com um detalhe insólito: orelhas de caniche e um pequeno nariz preto. Estes traços desapareceriam pouco depois, dando origem ao ícone que atravessou décadas.

Criada pelos Fleischer Studios, Betty começou como personagem secundária ao lado de Bimbo, mas rapidamente o ultrapassou em popularidade. A sua famosa expressão “boop-oop-a-doop”, inspirada na cantora Helen Kane, tornar-se-ia marca registada de uma era. Importa sublinhar que apenas as primeiras versões entram em domínio público: os direitos de marca continuam a existir, sobretudo no que toca a merchandising.

Blondie: da flapper à comédia doméstica

Criada por Chic Young em 1930, Blondie Boopadoop nasceu como uma jovem moderna e despreocupada. Poucos anos depois, ao casar com Dagwood Bumstead, a banda desenhada transformou-se numa crónica doméstica cheia de humor — famosa, entre outras coisas, pelas sanduíches monumentais de Dagwood. O strip continua a ser publicado até hoje, tornando Blondie uma das séries mais duradouras da história dos jornais.

Detectives que definiram o século XX

A literatura também ganha três estreias absolutamente centrais no domínio público:

  • Nancy Drew, a jovem detective que se estreia em The Secret of the Old Clock (1930);
  • Sam Spade, protagonista de The Maltese Falcon, de Dashiell Hammett;
  • Miss Marple, que resolve o seu primeiro caso em Murder at the Vicarage, de Agatha Christie.

Estas personagens moldaram o romance policial e continuam a influenciar a cultura popular, do cinema à televisão.

Cinema clássico sem barreiras

No cinema, entram em domínio público títulos fundamentais como Animal Crackers, dos Marx Brothers, The Blue Angel, que imortalizou Marlene Dietrich, e dois vencedores do Óscar de Melhor Filme: All Quiet on the Western Front e Cimarron. São obras que definiram linguagens, géneros e estrelas — e que agora podem ser redescobertas e reimaginadas sem entraves legais.

Canções eternas para todos

A música não fica atrás. Clássicos como “I Got Rhythm”“Embraceable You”“Georgia on My Mind” e “Dream a Little Dream of Me” entram também no domínio público, permitindo novas gravações, adaptações e usos criativos.

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Um património que volta a ser de todos

Mais do que uma curiosidade legal, o domínio público é um acto de devolução cultural. Em 2026, estas personagens, histórias, filmes e canções deixam de pertencer apenas ao passado — passam a fazer parte activa do futuro criativo.

George Clooney Responde a Trump Após Ataque à Cidadania Francesa da Família

Actor rejeita críticas do Presidente dos EUA e diz que “a mudança começa em Novembro”

George Clooney reagiu de forma directa às declarações de Donald Trump, depois de o Presidente dos Estados Unidos ter ironizado sobre a recente atribuição de cidadania francesa ao actor, à sua mulher, Amal Clooney, e aos dois filhos do casal. A polémica surgiu dias após a confirmação oficial de que a família passou a deter passaportes franceses, na sequência de vários anos a residir no sul de França.

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Clooney, vencedor de dois Óscares e uma das figuras mais vocalmente críticas de Trump no universo de Hollywood, afirmou que concorda “inteiramente” com o Presidente quando este fala em “tornar a América grande outra vez” — acrescentando, porém, que esse processo “começa em Novembro”, numa referência directa às eleições intercalares nos Estados Unidos.

O ataque de Trump nas redes sociais

A reacção presidencial surgiu através das redes sociais, onde Trump descreveu George e Amal Clooney como “dois dos piores prognosticadores políticos de todos os tempos”, afirmando que a França estaria “feliz por os receber”. O Presidente associou ainda a concessão de cidadania a problemas de criminalidade e imigração em França, num discurso alinhado com a retórica anti-imigração que tem marcado a sua administração.

Trump foi mais longe, desvalorizando a carreira cinematográfica do actor, afirmando que Clooney teve “poucos filmes verdadeiramente relevantes” e que a sua visibilidade pública se deveu mais à política do que ao cinema. As declarações foram amplamente interpretadas como uma resposta pessoal à postura crítica que Clooney tem mantido ao longo dos anos.

Uma decisão familiar e consciente

George Clooney tem elogiado publicamente as leis francesas de protecção da privacidade, sublinhando que estas permitiram criar os filhos longe da pressão mediática constante associada a Hollywood. O actor comprou, em 2021, uma propriedade numa antiga herdade vinícola perto de Brignoles, na região da Provença, local que descreve como aquele onde a família é “verdadeiramente feliz”.

Amal Clooney, advogada internacional especializada em direitos humanos e com dupla nacionalidade britânica e libanesa, fala fluentemente francês e mantém colaborações regulares com instituições académicas e organizações internacionais sediadas em França. O casal tem passado longos períodos no país, alternando entre a Europa e o Reino Unido.

França defende a decisão

As autoridades francesas defenderam a atribuição da cidadania, esclarecendo que o processo cumpriu todos os requisitos legais, incluindo entrevistas formais, verificações de segurança e procedimentos administrativos rigorosos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros sublinhou que a família Clooney contribui para o prestígio cultural e a influência internacional de França, tanto através da actividade cinematográfica do actor como do trabalho jurídico de Amal Clooney.

Em 2024, cerca de 48.800 pessoas adquiriram a nacionalidade francesa por decreto, de acordo com dados oficiais do Ministério do Interior, num contexto em que as regras de naturalização se tornam mais exigentes a partir de 1 de Janeiro.

Um gesto político — e simbólico

A reacção de Clooney foi interpretada como mais do que uma simples resposta pessoal. O actor, filho de um jornalista e antigo estudante de jornalismo, tem defendido repetidamente a importância de uma imprensa livre e de instituições democráticas fortes. A sua mudança parcial para França surge, assim, como uma escolha pessoal, familiar e política.

Não é o único nome de Hollywood a manifestar esse desejo: o realizador Jim Jarmusch anunciou recentemente que também pretende obter cidadania francesa, referindo a necessidade de “um lugar para onde possa escapar dos Estados Unidos”.

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Num clima político cada vez mais polarizado, a troca de palavras entre Clooney e Trump ilustra como decisões privadas — como a cidadania — se tornaram símbolos de debates muito mais amplos sobre identidade, democracia e o futuro do espaço público.

Filha de Tommy Lee Jones Encontrada Morta em Hotel de São Francisco no Dia de Ano Novo

Victoria Jones, de 34 anos, foi encontrada sem vida no Fairmont; autoridades não suspeitam de crime, mas investigação continua

Victoria Jones, filha do actor e realizador Tommy Lee Jones, foi encontrada morta na madrugada de 1 de Janeiro num hotel de luxo em São Francisco. Tinha 34 anos. As autoridades confirmaram que responderam a uma emergência médica nas primeiras horas do dia de Ano Novo, mas a causa oficial da morte ainda não foi determinada.

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De acordo com informações prestadas pelos serviços de emergência, os paramédicos foram chamados por volta das 2h52 da manhã para o Hotel Fairmont, onde encontraram uma mulher adulta inconsciente. Apesar das tentativas de reanimação feitas por funcionários do hotel e posteriormente pelas equipas médicas, Victoria foi declarada morta no local.

Um alerta de possível overdose

Registos de emergência indicam que a ocorrência foi classificada como um “código 3”, uma designação usada para situações de possível overdose acompanhada de alteração de coloração da pele, sinal compatível com baixos níveis de oxigénio no sangue. Esta informação levou a que a hipótese de overdose seja considerada pelas autoridades, embora sublinhem que não existe, até ao momento, confirmação oficial da causa de morte.

A polícia de São Francisco assumiu a investigação, em articulação com o gabinete do médico-legista. Fontes policiais indicaram que não há suspeitas de crime nem sinais de intervenção de terceiros. No quarto não foram encontrados indícios de violência nem objectos que apontem para um acto criminoso.

Encontrada por outro hóspede

Segundo relatos recolhidos pelas autoridades, Victoria Jones terá sido encontrada no corredor do 14.º andar por um outro hóspede, que inicialmente pensou tratar-se de alguém que teria perdido os sentidos após consumir álcool. O alerta levou à intervenção imediata da equipa do hotel, que iniciou manobras de reanimação e chamou os serviços de emergência.

Apesar da rapidez da resposta, a jovem não reagiu aos procedimentos de socorro.

Um percurso discreto, marcado por dificuldades recentes

Victoria Jones era filha de Tommy Lee Jones e da sua segunda esposa, Kimberlea Cloughley, com quem o actor foi casado durante 15 anos. O casal teve também um filho, Austin Jones, actualmente com 43 anos.

Ainda jovem, Victoria fez algumas aparições no cinema e na televisão, incluindo um pequeno papel em Men in Black II, um filme protagonizado pelo pai, e uma participação em The Three Burials of Melquiades Estrada, realizado por Tommy Lee Jones. Surgiu também num episódio da série One Tree Hill em 2003. Nos últimos anos, porém, afastou-se da vida pública e da indústria do entretenimento.

Registos judiciais indicam que Victoria teve vários problemas legais recentes. Em 2025, foi detida em diferentes ocasiões na Califórnia, incluindo por posse de substâncias controladas, estar sob influência de drogas e obstrução a um agente da autoridade. Houve ainda detenções relacionadas com acusações de violência doméstica. Em todos os processos conhecidos, Victoria declarou-se inocente.

Um momento delicado para a família

Até ao momento, nem Tommy Lee Jones nem representantes do actor prestaram declarações públicas sobre a morte da filha. O hotel, o gabinete do médico-legista e as autoridades locais também optaram por não comentar para além das confirmações básicas do sucedido.

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A morte de Victoria Jones junta-se a uma lista de tragédias pessoais que, apesar de ocorrerem na esfera privada, acabam inevitavelmente por ganhar dimensão pública devido à notoriedade das figuras envolvidas. As autoridades aguardam agora os resultados da autópsia e dos exames toxicológicos para esclarecer definitivamente as circunstâncias da morte.

Will Smith Enfrenta Acusações Graves de Comportamento Predatório por Parte de Violinista da Sua Digressão

Músico Brian King Joseph acusa o actor e rapper de “grooming” e exploração sexual; defesa classifica alegações como “falsas e irresponsáveis”

Will Smith está a enfrentar uma das mais sérias polémicas da sua carreira. O actor e músico norte-americano foi formalmente processado por Brian King Joseph, violinista que integrou a digressão de 2025 associada ao álbum Based on a True Story. O processo, apresentado num tribunal superior da Califórnia, acusa Smith de “comportamento predatório” e de ter deliberadamente tentado preparar o músico para “exploração sexual”.

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De acordo com a queixa, Brian King Joseph terá sido contratado após subir ao palco com Will Smith pela primeira vez em Dezembro de 2024, integrando depois a digressão oficial de apoio ao novo álbum — o primeiro do artista em cerca de 20 anos. O músico alega que, desde cedo, Smith demonstrou uma atenção excessiva e pessoal, incluindo comentários que sugeriam uma ligação especial e exclusiva entre ambos.

Segundo o processo, numa dessas interacções, Will Smith terá dito a Joseph: “Tu e eu temos uma ligação especial que não tenho com mais ninguém.” Para o violinista, este tipo de abordagem fazia parte de um padrão de “grooming”, ou seja, uma tentativa gradual de criar dependência emocional com vista a um objectivo ulterior.

Um episódio inquietante em Las Vegas

O caso ganha contornos particularmente perturbadores num episódio alegadamente ocorrido em Março de 2025, durante uma data da digressão em Las Vegas. Brian King Joseph afirma que a sua mala e o cartão de acesso ao quarto de hotel desapareceram temporariamente, tendo sido devolvidos horas depois.

Nessa mesma noite, ao regressar ao quarto, o músico diz ter encontrado sinais claros de que o espaço tinha sido acedido sem autorização. Entre os objectos deixados para trás estariam toalhetes, medicação para VIH com o nome de outra pessoa e um bilhete manuscrito que dizia: “Brian, volto no máximo às 5h30, só nós <3, Stone F.”

Segundo Joseph, a situação levou-o a concluir que alguém planeava regressar ao quarto para manter relações sexuais consigo, sem o seu consentimento. O processo sublinha que apenas membros da equipa de produção e gestão da digressão teriam acesso às chaves e aos quartos dos artistas.

Denúncia, alegada retaliação e despedimento

O violinista afirma ter comunicado o incidente à segurança do hotel, aos representantes de Will Smith e às autoridades através de uma linha policial não urgente. No entanto, sustenta que, em vez de apoio, acabou por ser confrontado e humilhado por um membro da equipa de gestão do artista.

Pouco tempo depois, o seu contrato foi rescindido. O processo alega que o despedimento foi uma forma de retaliação, com a insinuação de que Joseph teria inventado ou exagerado o sucedido. Como consequência, o músico afirma sofrer actualmente de stress pós-traumático, além de prejuízos económicos significativos.

Para além de Will Smith, o processo inclui também a empresa Treyball Studios Management, apontando práticas de despedimento ilícito e represálias.

Defesa nega todas as acusações

Em resposta, o advogado de Will Smith, Allen B. Grodsky, rejeitou de forma categórica todas as alegações. Em comunicado, afirmou que as acusações são “falsas, infundadas e irresponsáveis”, garantindo que serão utilizados “todos os meios legais disponíveis” para defender o artista e esclarecer os factos.

Até ao momento, Will Smith não prestou declarações directas sobre o caso.

Um contexto já delicado

Estas acusações surgem numa fase particularmente sensível da carreira do actor. Based on a True Story, álbum lançado em 2025, marcou o regresso musical de Will Smith após duas décadas, abordando de forma directa episódios controversos do seu passado recente, incluindo o ataque a Chris Rock na cerimónia dos Óscares de 2022.

O disco revelou-se um fracasso comercial, não entrando nos principais tops internacionais e registando apenas uma passagem discreta por tabelas secundárias. A recepção crítica foi igualmente negativa, com várias análises a apontarem falta de identidade artística e excesso de autojustificação.

Um caso com potencial impacto duradouro

Embora o processo esteja ainda numa fase inicial e as acusações sejam veementemente negadas pela defesa, o caso coloca novamente Will Smith sob um intenso escrutínio público. Dependendo da evolução judicial, estas alegações poderão ter consequências profundas não só na sua carreira artística, mas também na percepção pública de uma figura que durante décadas foi associada a uma imagem de carisma e respeitabilidade.

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Por agora, trata-se de um confronto entre versões opostas — um músico que afirma ter sido vítima de abuso e um dos nomes mais conhecidos de Hollywood que garante estar a ser alvo de acusações sem fundamento. O desfecho caberá aos tribunais.

Stranger Things Despede-se em Grande: Final da Série Faz História nas Salas de Cinema na Passagem de Ano

Último episódio rendeu entre 20 e 25 milhões de dólares e tornou-se o maior sucesso teatral de sempre de uma produção Netflix

Poucas séries televisivas conseguiram marcar uma geração como Stranger Things. E poucas despedidas foram tão simbólicas quanto a do fenómeno criado pelos irmãos Duffer. O episódio final da série estreou na noite de 31 de Dezembro, simultaneamente na Netflix e em cerca de 600 salas de cinema, transformando a passagem de ano num verdadeiro evento cinematográfico — e num inesperado triunfo de bilheteira.

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De acordo com estimativas da indústria, Stranger Things: The Finale terá gerado entre 20 e 25 milhões de dólares em receitas, estabelecendo um novo recorde para uma produção da Netflix exibida em salas de cinema. Um resultado que surpreendeu até os exibidores mais optimistas e que simboliza uma reaproximação improvável entre o streaming e o circuito tradicional.

Um evento híbrido que ninguém previu

Durante anos, a relação entre a Netflix e os donos de salas de cinema foi marcada por tensão e desconfiança. A decisão de levar o episódio final de Stranger Things ao grande ecrã — durante apenas dois dias — acabou por funcionar como um inesperado ramo de oliveira entre dois mundos que raramente se entendem.

A exibição decorreu na noite de Passagem de Ano e ao longo do dia 1 de Janeiro, com sessões esgotadas em várias cidades. Uma parte significativa das salas envolvidas pertencia à maior cadeia de cinemas do mundo, a AMC, que revelou ter arrecadado cerca de 15 milhões de dólares apenas em créditos de comida e bebida associados ao evento.

Bilhetes… sem bilhetes

Curiosamente, a Netflix evitou o habitual escrutínio de números de bilheteira graças a um modelo alternativo: os espectadores não compravam bilhetes tradicionais, mas sim vouchers de consumo, adquiridos directamente nos cinemas. Em muitas salas, o preço foi fixado nos 20 dólares; noutras, desceu para 11 dólares — uma piscadela de olho à personagem Eleven, o coração da série.

Segundo dados divulgados pelos criadores, mais de 1,1 milhões de vouchers tinham sido vendidos antes do evento, número que subiu para cerca de 1,3 milhões de espectadores até ao final do Dia de Ano Novo, de acordo com empresas de análise de mercado.

Um recorde para a Netflix nas salas

O valor estimado entre 20 e 25 milhões de dólares coloca Stranger Things: The Finale no topo das produções Netflix exibidas em cinema. O anterior recorde pertencia a um evento especial lançado no verão, que tinha arrecadado cerca de 18 milhões de dólares.

Ainda que a Netflix continue oficialmente a não divulgar números de bilheteira, a dimensão do fenómeno tornou-se impossível de ignorar — e começou a surgir em vários rankings e relatórios do sector como um facto consumado.

“A forma perfeita de dizer adeus”

Os irmãos Duffer já tinham anunciado, em Outubro, que o episódio final chegaria às salas de cinema, contrariando declarações anteriores que afastavam essa hipótese. Na altura, assumiram que ver o final no grande ecrã era um desejo antigo.

“Estamos para lá de entusiasmados por os fãs poderem viver o último episódio no cinema”, afirmaram. “Vê-lo num ecrã gigante, com som poderoso e uma sala cheia de fãs, parece-nos a forma perfeita — atrever-nos-emos a dizer bitchin’ — de celebrar o fim desta aventura.”

O adeus a um fenómeno global

Desde a sua estreia em 2016, Stranger Things tornou-se uma das séries mais vistas de sempre da Netflix. Só a quarta temporada ultrapassou os 140 milhões de visualizações a nível global, consolidando o estatuto da série como um dos maiores sucessos da história do streaming.

A despedida em salas de cinema não foi apenas um golpe de marketing eficaz. Foi também um gesto simbólico: uma série que sempre viveu do imaginário cinematográfico dos anos 80 encontrou no grande ecrã a sua última casa.

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E, contra todas as probabilidades, provou que o cinema e o streaming ainda conseguem partilhar o mesmo espaço — pelo menos quando o fenómeno é verdadeiramente irresistível.

O Fim de Uma Era: a MTV Desliga os Canais de Videoclipes ao Som de “Video Killed The Radio Star”

A televisão musical fecha um capítulo histórico no último dia de 2025 — e fá-lo com a canção que deu início a tudo

O último dia de 2025 marcou o encerramento silencioso — mas simbólico — de uma das maiores aventuras culturais da televisão. A MTV desligou os seus canais dedicados exclusivamente a videoclipes, pondo termo a um formato que ajudou a definir gerações, lançar carreiras e moldar a relação entre música e imagem durante mais de quatro décadas.

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Em Portugal, os canais MTV Live e MTV 00s deixaram de estar disponíveis a 31 de Dezembro. A despedida surgiu sob a forma de uma mensagem simples e directa: “A MTV está agora fechada. Obrigado por nos ter visto”. No MEO, o canal principal da MTV Portugal também ficou offline, com o aviso de que deixara de integrar a grelha.

Não foi um corte isolado nem meramente local. No Reino Unido, vários canais temáticos — MTV Music, MTV 80s, MTV 90s, Club MTV e MTV Live — foram igualmente desligados. E, como não podia deixar de ser, a música escolhida para o momento final foi “Video Killed The Radio Star”, dos The Buggles.

A canção que abriu — e fechou — a história

A escolha não foi um acaso. “Video Killed The Radio Star” foi o primeiro videoclip transmitido pela MTV nos Estados Unidos, a 1 de Agosto de 1981. A letra, que falava do impacto da imagem sobre a música, tornou-se uma espécie de profecia cultural. Quarenta e quatro anos depois, a mesma canção encerra o ciclo.

O gesto é irónico, melancólico e profundamente consciente do seu próprio simbolismo. A MTV sempre soube trabalhar a sua mitologia — e esta despedida confirma-o.

Da revolução cultural ao declínio do videoclip televisivo

Quando surgiu, a MTV não foi apenas um canal de música. Foi um fenómeno cultural. Transformou artistas em ícones visuais, redefiniu a estética pop e aproximou música, moda, cinema e publicidade. O videoclip deixou de ser promoção para se tornar arte, narrativa e identidade.

A expansão foi rápida. Depois do lançamento nos EUA, a MTV Europe arrancou em 1987, abrindo emissões com “Money For Nothing”, dos Dire Straits — uma escolha igualmente carregada de ironia, já que a canção menciona o próprio canal. A MTV UK surgiu em 1997, mas, significativamente, deixou de passar videoclipes de forma regular já em 2011.

Esse dado é essencial para compreender o que agora acontece. O fim dos canais de videoclipes não é uma ruptura súbita: é o culminar de um processo longo, em que a música migrou para outras plataformas.

O streaming venceu — e a MTV mudou de pele

A ascensão do YouTube, das plataformas de streaming e das redes sociais alterou radicalmente o consumo musical. O videoclip passou a ser visto sob demanda, no telemóvel, no computador, fora da grelha televisiva. A MTV respondeu mudando o foco para reality shows, séries juvenis e formatos de entretenimento — uma estratégia que garantiu sobrevivência, mas afastou o canal da sua identidade original.

Com o desligar destes canais, a MTV assume oficialmente aquilo que já era evidente: o videoclip deixou de precisar da televisão.

Um adeus que é também um legado

Para muitos espectadores, este encerramento tem um peso emocional difícil de ignorar. A MTV foi banda sonora visual da adolescência, janela para novos géneros, novos artistas e novas atitudes. Foi ali que muitos descobriram o rock alternativo, o hip hop, a pop dos anos 80, 90 e 2000 — e aprenderam que a música também se vê.

O fim dos canais de videoclipes não apaga esse legado. Pelo contrário, cristaliza-o. A MTV pode já não passar música como antigamente, mas a forma como hoje consumimos imagem e som continua a carregar a sua influência.

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No silêncio do ecrã desligado, ecoa uma verdade simples: a MTV não morreu — transformou-se. E deixou para trás uma história que dificilmente será repetida.

Verdades Difíceis: Mike Leigh Regressa à Televisão com um Retrato Cru da Dor e da Família

Um drama intenso sobre solidão, raiva e empatia, em estreia no TVCine Top

Há filmes que não procuram agradar nem oferecer conforto fácil. Verdades Difíceis é um desses casos. O mais recente trabalho de Mike Leigh chega à televisão portuguesa como uma proposta exigente, profundamente humana e emocionalmente desarmante. A estreia acontece no dia 4 de Janeiro, às 21h50, no TVCine Top, numa sessão que promete marcar quem se deixar envolver pela história.

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Leigh, um dos grandes cronistas das fragilidades humanas no cinema britânico contemporâneo, regressa aqui ao território que melhor conhece: o das relações familiares tensas, das feridas emocionais não resolvidas e das palavras que custam a ser ditas — ou que são ditas da pior forma possível.

Pansy e Chantelle: duas formas opostas de sobreviver

No centro de Verdades Difíceis estão duas irmãs. Pansy vive consumida por uma dor profunda e por uma raiva constante que a leva a enfrentar o mundo com hostilidade, desconfiança e uma agressividade quase defensiva. Nada parece oferecer-lhe alívio. Cada interação é um confronto, cada gesto do outro uma ameaça.

Do outro lado está Chantelle, mãe solteira, de espírito aberto e atitude descontraída, que encontra algum sentido de pertença na relação com as filhas e na comunidade que construiu à sua volta, nomeadamente no salão onde trabalha. Onde Pansy se fecha, Chantelle abre-se. Onde uma reage com ressentimento, a outra responde com empatia.

Mike Leigh constrói este contraste sem moralismos fáceis. Não há heroínas nem vilãs. Há apenas pessoas a tentar lidar com a dor da forma que conseguem — mesmo quando essa forma é destrutiva.

A depressão que não se diz em voz alta

Um dos aspectos mais fortes de Verdades Difíceis é a forma como aborda a dor emocional e a depressão, sem nunca recorrer a discursos explicativos ou diagnósticos evidentes. O sofrimento de Pansy manifesta-se no corpo, na linguagem, na relação com os outros. É uma dor que não pede ajuda porque já desistiu de a receber.

O filme observa, com enorme sensibilidade, como esta dor se infiltra na dinâmica familiar, criando ciclos de incompreensão e afastamento. As tentativas de aproximação geram conflito; os silêncios tornam-se mais pesados do que as palavras. Leigh filma tudo isto com o seu habitual realismo, sem música manipuladora ou cenas feitas para “funcionar”.

Uma interpretação que sustenta o filme

Grande parte da força de Verdades Difíceis reside na interpretação de Marianne Jean-Baptiste, no papel de Pansy. A actriz entrega uma composição exigente, desconfortável e absolutamente convincente, que lhe valeu o prémio de Melhor Interpretação Principal nos British Independent Film Awards.

Não é uma personagem fácil de acompanhar — e isso é intencional. Leigh não procura criar empatia imediata, mas compreensão gradual. O espectador é desafiado a permanecer, a observar, a tentar perceber de onde vem aquela raiva constante e o que ela esconde.

Mike Leigh, o cronista das relações humanas

Autor de obras fundamentais como Segredos e MentirasVera Drake ou Happy-Go-Lucky, Mike Leigh mantém em Verdades Difíceis a sua abordagem característica: histórias construídas a partir de personagens aparentemente comuns, mas emocionalmente complexas, interpretadas com uma naturalidade quase documental.

O filme confirma a relevância contínua do realizador como observador atento das tensões sociais e familiares, sobretudo daquelas que raramente chegam ao centro do discurso público. Aqui, Leigh fala de solidão, de falhas de comunicação, de dores herdadas e da dificuldade de amar quando se está em guerra consigo próprio.

Um filme que não facilita — e por isso importa

Verdades Difíceis não é um drama para ver de forma distraída. Exige atenção, disponibilidade emocional e alguma coragem por parte do espectador. Em troca, oferece um retrato honesto e profundamente actual de relações familiares marcadas por feridas invisíveis.

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Num panorama televisivo dominado por narrativas rápidas e emoções simplificadas, esta estreia no TVCine Top é um lembrete poderoso de que o cinema também pode — e deve — ser um espaço de confronto.

As Figuras Que Perdemos em 2025: Um Ano de Despedidas no Cinema, na Televisão e na Cultura Popular

De ícones de Hollywood a gigantes do teatro e do cinema europeu, 2025 ficou marcado por perdas profundas

O ano de 2025 ficará para sempre associado a uma sucessão de despedidas marcantes no mundo da cultura. Cinema, televisão, teatro e música perderam algumas das suas figuras mais reconhecidas, artistas cuja obra atravessou décadas, moldou gerações e ajudou a definir aquilo que hoje entendemos como património cultural contemporâneo.

Entre os nomes que nos deixaram estão actores lendários de Hollywood, realizadores influentes, intérpretes que marcaram a televisão britânica e figuras centrais do cinema europeu. Alguns eram sinónimo de glamour, outros de ousadia artística, outros ainda de humor e humanidade. Todos, sem excepção, deixaram uma marca duradoura.

Hollywood despede-se de alguns dos seus rostos mais icónicos

Robert Redford foi um dos nomes mais sonantes a desaparecer em 2025. Actor e realizador premiado, protagonizou dezenas de filmes essenciais e construiu uma imagem que se tornou sinónimo do próprio ideal de estrela de cinema americana. Para lá dos papéis memoráveis, deixou um legado duradouro com a criação do Festival de Sundance, espaço fundamental para o cinema independente.

Diane Keaton, vencedora de um Óscar e presença incontornável do cinema das décadas de 70 e 80, foi outra das perdas sentidas. O seu trabalho em dramas e comédias, aliado a uma personalidade artística singular, fez dela uma figura única no panorama cinematográfico.

Gene Hackman, um dos grandes actores da sua geração, deixou igualmente um vazio difícil de preencher. Capaz de alternar entre dureza e ironia, venceu dois Óscares e construiu uma filmografia onde cabem alguns dos personagens mais complexos e humanos do cinema americano.

Val Kilmer, por muitos considerado “o grande protagonista subestimado da sua geração”, teve uma carreira marcada por escolhas ousadas e por uma relação difícil com a indústria. A sua despedida emocionou particularmente o público após o seu regresso simbólico a Top Gun, já profundamente afectado pela doença.

Actor Val Kilmer visits the United Nations headquarters in New York City, New York to promote the 17 Sustainable Development Goals (SDGs) initiative, July 20, 2019. (Photo by EuropaNewswire/Gado/Getty Images)

A televisão perde vozes e presenças irrepetíveis

No universo da televisão, a morte de Isiah Whitlock Jr. marcou profundamente os fãs de séries de culto. O actor ficou para sempre ligado a The Wire, onde deu vida a uma das personagens mais carismáticas da série, equilibrando corrupção, humor e humanidade com rara precisão.

Malcolm-Jamal Warner, eternamente associado a The Cosby Show, representou para muitos espectadores uma infância televisiva inteira. A sua carreira estendeu-se muito para lá dessa série, mas foi ali que se tornou um rosto familiar em milhões de lares.

Na televisão britânica, o desaparecimento de Prunella Scales e de Dame Patricia Routledge significou o fim de uma era. Ambas se tornaram imortais através de personagens cómicas que continuam a ser repetidas e celebradas, mas as suas carreiras estenderam-se muito além desses papéis mais populares.

Cinema europeu e internacional de luto

David Lynch foi, talvez, a perda artística mais singular do ano. Realizador de visão única, trouxe o surrealismo e o inconsciente para o centro do cinema mainstream. Filmes e séries como Twin Peaks mudaram definitivamente a linguagem audiovisual e continuam a influenciar criadores em todo o mundo.

Claudia Cardinale, uma das grandes musas do cinema italiano, representou o esplendor da idade de ouro europeia. A sua carreira atravessou mais de seis décadas e ligou-se a alguns dos maiores realizadores do século XX.

Brigitte Bardot, figura central da libertação feminina no cinema dos anos 50 e 60, teve uma vida pública tão intensa quanto controversa. Se a sua imagem mudou ao longo dos anos, o impacto cultural do seu percurso permanece incontornável.

Teatro, comédia e cultura popular

Dame Joan Plowright, uma das grandes damas do teatro britânico, deixou um legado que atravessou palco e ecrã, sempre com uma elegância rara. Pauline Collins, celebrizada por Shirley Valentine, foi outra actriz cuja carreira conciliou popularidade e reconhecimento crítico.

Terence Stamp, rosto marcante do cinema britânico desde os anos 60, teve uma carreira feita de reinvenções, passando de símbolo de “Swinging London” a vilão de grandes produções internacionais.

Stanley Baxter, mestre da comédia televisiva escocesa, encerrou uma carreira longa e extremamente popular, marcada pela versatilidade e pelo humor físico.

Graham Greene, actor canadiano de origem indígena, trouxe uma presença digna e profunda ao cinema americano, deixando personagens memoráveis em filmes de grande impacto emocional.

O adeus a um realizador que marcou gerações

Rob Reiner foi um dos cineastas mais queridos do grande público. Da comédia ao drama, construiu uma filmografia onde cabem alguns dos filmes mais acarinhados de sempre. A sua morte, envolta numa tragédia familiar de enorme violência, abalou profundamente Hollywood e abriu um debate que ultrapassou o cinema.

Um ano para recordar — e agradecer

2025 ficará registado como um ano de despedidas difíceis. Mas também como um momento de balanço e gratidão. As figuras que partiram deixaram obras que continuam vivas, revisitadas e transmitidas de geração em geração.

A morte fecha percursos, mas o cinema, a televisão e o teatro continuam a fazer aquilo que sempre fizeram melhor: lembrar-nos que estas vozes nunca desaparecem por completo.


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“A Vida é Dor Sem Ti”: Cary Elwes e Martin Scorsese Prestam Tributo a Rob Reiner Enquanto Autópsias Permanecem Sob Sigilo

Homenagens multiplicam-se ao realizador, num caso marcado pela tragédia familiar, polémica política e comoção em Hollywood

Mais de duas semanas após a morte violenta do realizador Rob Reiner e da sua mulher, a fotógrafa Michele Reiner, continuam a chegar homenagens sentidas de colegas, amigos e colaboradores que com eles trabalharam ao longo de décadas. Num momento em que o caso permanece envolto em forte tensão judicial e mediática, as palavras de quem conviveu de perto com Reiner ajudam a recentrar o foco na dimensão humana e artística do cineasta.

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Entre os tributos mais emocionados está o de Cary Elwes, protagonista de The Princess Bride, clássico absoluto da filmografia de Reiner. O actor explicou que só agora conseguiu encontrar forças para escrever publicamente sobre a perda.

“Passou tempo suficiente para conseguir finalmente pôr o meu luto em palavras”, escreveu Elwes, recordando o primeiro encontro com Reiner, quando tinha apenas 24 anos. Disse que se “apaixonou” de imediato pela sua energia, humanidade e sentido de humor, acrescentando que o realizador lhe deu, ao escolhê-lo para o filme, “as chaves do castelo”.

Um set marcado pelo riso — e pela empatia

Elwes partilhou imagens de bastidores de The Princess Bride e sublinhou que não se lembra “de um único dia sem gargalhadas”. Para o actor, o filme reflecte valores que Rob Reiner carregava consigo: amor, lealdade e sacrifício.

“Se eu conseguisse fazê-lo rir de volta, sentia que tinha ganho a lotaria”, escreveu, descrevendo a gargalhada de Reiner como um som que ainda ecoa na sua memória. “Era um homem que sentia profundamente, cheio de amor e compaixão. Não lhe interessava o dinheiro ou a origem social — só queria saber se eras uma boa pessoa.”

Elwes não esqueceu Michele Reiner, sublinhando que o casal formava uma equipa rara. “O meu coração continua a doer sempre que penso em vocês. Sei que esta dor não vai desaparecer.”

Concluiu com uma das frases mais icónicas de The Princess Bride:

“Claro que a morte não pode parar o verdadeiro amor… mas a vida é dor sem ti.”

Martin Scorsese recorda um amigo discreto e livre

Martin Scorsese também prestou homenagem a Rob Reiner, num texto onde recorda o primeiro contacto entre ambos, ainda nos anos 70. Scorsese descreveu uma afinidade imediata, sublinhando que Reiner era hilariante e mordaz quando queria, mas nunca alguém que precisasse de dominar a sala.

Tinha, segundo Scorsese, “um sentido de liberdade desinibido”, uma alegria genuína de viver o momento e uma gargalhada contagiante. Reiner trabalhou com Scorsese em The Wolf of Wall Street, onde interpretou o pai da personagem de Leonardo DiCaprio.

“Ele conseguia improvisar com os melhores”, escreveu Scorsese, elogiando o seu domínio da comédia e a compreensão profunda da condição humana da personagem: um pai orgulhoso do sucesso do filho, mas consciente de que a queda era inevitável.

Um caso sob forte controlo judicial

Enquanto as homenagens se sucedem, o processo judicial segue um rumo cada vez mais reservado. Um juiz do Tribunal Superior de Los Angeles determinou que os relatórios de autópsia de Rob e Michele Reiner fiquem sob sigilo, a pedido da polícia de Los Angeles. A ordem impede a divulgação pública de qualquer informação investigativa, notas, relatórios ou imagens relacionadas com o caso.

As autoridades já tinham confirmado que as mortes resultaram de homicídio, com referência a múltiplos ferimentos provocados por objectos cortantes. O filho do casal, Nick Reiner, foi acusado de dois crimes de homicídio em primeiro grau e encontra-se detido sem direito a fiança.

Polémica política agrava o luto

O caso ganhou ainda maior dimensão mediática após declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atribuiu a morte de Rob Reiner à sua postura crítica em relação a si. As palavras foram amplamente condenadas, incluindo por Joe Rogan, que considerou as declarações “decepcionantes” e desprovidas de empatia.

Rogan sublinhou que comentários desse género, sobretudo vindos de um presidente, revelam uma forma de pensar perigosa e desumanizante, defendendo que alguém deveria ter impedido Trump de se pronunciar publicamente naquele tom.

O legado permanece

No meio da violência, da polémica e do ruído político, as homenagens de Cary Elwes e Martin Scorsese funcionam como um contraponto essencial. Recordam Rob Reiner não apenas como um realizador de enorme importância para o cinema americano, mas como alguém cuja presença tornava os outros melhores — mais leves, mais humanos, mais vivos.

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Num momento em que a tragédia ameaça engolir tudo, é esse legado que muitos escolhem preservar.

Morreu Isiah Whitlock Jr., actor de The Wire, Veep e filmes de Spike Lee, aos 71 anos

Uma presença inconfundível na televisão e no cinema norte-americano

Isiah Whitlock Jr., actor norte-americano conhecido pelos seus papéis memoráveis em The WireVeep e em vários filmes realizados por Spike Lee, morreu esta terça-feira em Nova Iorque, aos 71 anos, após uma doença de curta duração. A informação foi confirmada pelo seu agente.

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Whitlock tornou-se um rosto absolutamente marcante da televisão graças à interpretação de Clay Davis, senador estadual corrupto e carismático em The Wire. Ao longo de 25 episódios, espalhados pelas cinco temporadas da série, o actor construiu uma personagem que rapidamente se tornou favorita do público — tanto pela sua ambiguidade moral como pelo célebre bordão “sheee-it”, dito com uma musicalidade impossível de esquecer.

Clay Davis: corrupção, humor e humanidade

Clay Davis não era apenas mais um político corrupto no universo sombrio de The Wire. Nas mãos de Whitlock, tornou-se uma figura paradoxalmente humana, capaz de gerar repulsa e empatia em igual medida. O bordão que o imortalizou surgiu, curiosamente, antes da série: Whitlock já o tinha usado no seu primeiro filme com Spike Lee, 25th Hour, gesto que acabaria por se tornar assinatura.

A personagem sintetizava uma das grandes virtudes do actor: a capacidade de equilibrar drama e comédia, mesmo nos contextos mais duros. Esse talento atravessou toda a sua carreira.

Uma relação artística duradoura com Spike Lee

A ligação entre Isiah Whitlock Jr. e Spike Lee foi profunda e duradoura. Para além de 25th Hour, o actor participou em mais quatro filmes do realizador: She Hate MeRed Hook SummerChi-RaqBlacKkKlansman e Da 5 Bloods.

Spike Lee reagiu à morte do actor com palavras carregadas de emoção, descrevendo-o como “uma alma bela” e alguém cuja presença fazia todos sentirem-se melhor. Recordou, em particular, o tempo passado com Whitlock durante as filmagens de Da 5 Bloods, na Tailândia, e sublinhou que, para lá do talento como actor, o que mais se destacava era a sua humanidade.

“Se estivesses perto dele, sentias isso imediatamente. Ele irradiava”, afirmou Lee, acrescentando que a sua natureza era genuinamente cómica, dentro e fora do ecrã.

De The Wire a Veep

Depois do impacto de The Wire, Whitlock voltou a destacar-se noutra produção da HBO, a sátira política Veep. Durante três temporadas, interpretou George Maddox, Secretário da Defesa e rival político da personagem de Julia Louis-Dreyfus nas primárias presidenciais. Mais uma vez, mostrou um domínio notável do timing cómico, sem nunca perder credibilidade dramática.

Com a sua voz grave, presença física sólida e expressividade controlada, Whitlock era frequentemente escolhido para papéis de autoridade — políticos, detectives, figuras institucionais — mas conseguia sempre acrescentar camadas inesperadas às personagens.

Um percurso construído longe dos holofotes fáceis

Natural de South Bend, Indiana, Isiah Whitlock Jr. estudou teatro na universidade enquanto jogava futebol americano. Lesões acabariam por o afastar do desporto, empurrando-o definitivamente para a representação. Mudou-se para São Francisco, onde trabalhou em teatro, antes de começar a surgir em pequenos papéis televisivos no final dos anos 80.

Teve participações breves em filmes como Goodfellas e Gremlins 2, mas foi a partir dos anos 2000 que a sua carreira ganhou verdadeira projecção. Nunca se tornou uma estrela no sentido tradicional, mas construiu algo talvez mais raro: uma reputação de actor sólido, respeitado e inesquecível.

Uma perda sentida por colegas e fãs

Isiah Whitlock Jr. é a segunda figura relevante de The Wire a morrer nas últimas semanas, reforçando o sentimento de perda entre fãs da série e da televisão de qualidade que ela representou.

O criador de The Wire, David Simon, descreveu-o como “um grande actor, mas um espírito ainda maior”, acrescentando que era “o maior cavalheiro” com quem trabalhou.

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A sua filmografia pode não ser extensa em termos de protagonismo, mas é rica em personagens que permanecem na memória colectiva. E isso, para um actor, é talvez a forma mais duradoura de imortalidade.

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Um clássico das bruxas finalmente disponível no streaming antes do regresso

Os fãs de magia, comédia romântica e cinema com alma têm motivos para sorrir em Portugal e no Brasil: o filme Practical Magic, protagonizado por Nicole Kidman e Sandra Bullock, acaba de ser adicionado à biblioteca do Prime Video. A estreia na plataforma acontece esta terça-feira, uma oportunidade perfeita para rever o título quase três décadas após a sua estreia original — e com um motivo extra de celebração: o filme terá uma sequela nos cinemas a 18 de Setembro de 2026.

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Embora tenha recebido críticas mistas na altura do seu lançamento em 1998, Practical Magic conquistou um lugar especial no coração de muitos espectadores, acumulando uma base de seguidores leal ao longo dos anos. Agora, a magia regressa em força, com o elenco original a retomar papéis que marcaram várias gerações.

O que é Practical Magic e por que continua tão amado

Realizado por Griffin DunnePractical Magic combina romance, humor e fantasia de um modo raro. A trama centra-se em Gillian e Sally Owens, duas irmãs provenientes de uma longa linhagem de bruxas que vivem numa pequena cidade da Nova Inglaterra. À medida que crescem, descobrem que a magia que corre nas suas veias é tão encantadora quanto perigosa — especialmente quando se trata de amor.

A sinopse clássica resume assim a essência da história: para estas irmãs, “apaixonar-se pode ser o feitiço mais complicado de todos”. A maldição da família faz com que qualquer homem por quem se apaixonem esteja fadado a uma morte prematura, obrigando as irmãs a confrontar não apenas forças sobrenaturais, mas também os medos, culpas e paixões que as definem.

Além de Kidman e Bullock, o elenco original inclui Dianne WiestStockard Channing e Aidan Quinn, contribuindo para uma narrativa rica em personagens memoráveis e relações emotivas.

A sequela que os fãs esperavam

A maior novidade não é apenas a chegada do filme ao streaming em Portugal e no Brasil, mas o facto de que Practical Magic 2 está a caminho dos cinemas. Maracado para 18 de Setembro de 2026, o projecto reúne o elenco original e novos nomes, prometendo expandir o universo mágico de Owens de forma moderna e envolvente.

Regressam aos seus papéis Nicole Kidman e Sandra Bullock, acompanhadas novamente por Dianne Wiest como Tia Jet e Stockard Channing como Tia Franny. A realização está a cargo de Griffin Dunne, que também esteve presente no filme original, com argumento de Akiva Goldsman e Georgie Pritchett.

Ao lado das estrelas veteranas, a sequela contará com um elenco contemporâneo que inclui Joey KingLee PaceMaisie WilliamsXolo Maridueña e Solly McLeod — uma mistura entre gerações que promete revitalizar a história com novas perspectivas e olhares.

Por que este é o momento certo para (re)ver o filme

A chegada de Practical Magic ao Prime Video em Portugal e Brasil não podia ser mais oportuna. Além de permitir que novos espectadores descubram a história, dá aos fãs antigos a possibilidade de se prepararem para o regresso mágico em 2026. É uma excelente porta de entrada para quem procura um filme que mistura fantasia, comédia romântica e laços familiares fortes — tudo isso com uma estética e sensibilidade que resistiram ao tempo.

Além disso, com a popularidade crescente de filmes de fantasia e adaptações modernas de clássicos, a sequência promete trazer nova vida a uma narrativa que sempre valorizou personagens femininas fortes, relações complexas entre irmãs e um olhar sensível sobre o amor e a identidade.

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Como ver em Portugal e no Brasil

O filme está agora disponível no catálogo do Prime Video tanto em Portugal como no Brasil, sem necessidade de compras adicionais, desde que faça parte da sua subscrição. Esta adição aproxima um pouco mais o público dos grandes títulos que definiram uma geração, ao mesmo tempo que serve de prelúdio perfeito para a nova aventura prevista para 2026.

Frank Herbert Não Foi Meigo: O Autor de Dune Acreditava que Star Wars lhe Devia Demasiado

Quando a galáxia muito, muito distante pareceu demasiado familiar

Quando Frank Herbert publicou Dune em 1965, criou algo que poucos romances de ficção científica tinham ousado antes: um universo político, religioso e social de tal forma denso que exigia glossários, árvores genealógicas e uma atenção quase académica por parte do leitor. Ambientada dezenas de milhares de anos no futuro, a saga de Duneapresentava um império galáctico governado por casas nobres, ordens místicas, profecias perigosas e uma substância central — a especiaria — essencial tanto para a expansão da consciência como para a navegação espacial.

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Durante anos, Dune foi um fenómeno sobretudo entre leitores dedicados, aqueles dispostos a mergulhar numa space opera complexa, filosófica e deliberadamente exigente. Em 1977, porém, o panorama da ficção científica no cinema mudou para sempre com a estreia de Star Wars: A New Hope. O impacto foi imediato e avassalador. Hollywood virou-se de repente para o espaço, os efeitos especiais tornaram-se prioridade e uma nova mitologia pop nasceu diante dos olhos do mundo.

Nem todos ficaram encantados.

“Isto soa-me demasiado familiar”

Na altura da estreia de Star Wars, Frank Herbert já tinha publicado Dune Messiah e Children of Dune, expandindo ainda mais o seu universo literário. Foi neste contexto que o autor deu uma entrevista onde deixou clara a sua irritação. Para Herbert, o filme de George Lucas não era apenas outra história espacial — parecia-lhe um conjunto de ideias demasiado próximas das suas.

Herbert chegou mesmo a ponderar avançar com um processo judicial. Numa entrevista de 1977, afirmou que tentaria “com afinco não processar”, mas não escondeu a suspeita de que Dune poderia estar na origem de várias semelhanças. Apontou, por exemplo, a coincidência entre os nomes Princesa Alia e Princesa Leia, a presença de desertos habitados por povos encapuzados e até restos de criaturas gigantes semelhantes aos vermes de areia de Arrakis.

O processo nunca avançou, mas a animosidade ficou no ar.

Lucas minimizou… e seguiu caminho

Questionado sobre as semelhanças, George Lucas foi seco: para ele, Star Wars e Dune tinham apenas uma coisa em comum — desertos. Lucas sempre foi transparente quanto às suas influências, citando repetidamente os serials de ficção científica como Flash Gordon, o cinema de Akira Kurosawa e até filmes de guerra britânicos dos anos 50. Duneraramente surgiu nas suas referências públicas.

Para muitos críticos, se houve influência, terá sido indirecta ou inconsciente. Dune já fazia parte do imaginário colectivo da ficção científica muito antes de 1977, e é plausível que algumas ideias tenham sido absorvidas sem intenção deliberada.

Afinal… as semelhanças existem?

Mesmo admitindo diferenças profundas de tom — Star Wars é uma fábula acessível e optimista, Dune uma tragédia política e religiosa —, as semelhanças estruturais são difíceis de ignorar. Ambas as histórias assentam em impérios galácticos, linhagens nobres, desertos hostis, forças místicas e protagonistas que se tornam peças centrais de profecias maiores do que eles próprios.

A comparação entre Leia e Alia é particularmente curiosa. Ambas são de sangue nobre, ambas irmãs dos heróis centrais das respectivas sagas e ambas sensíveis a forças extraordinárias: a Força, no caso de Leia; capacidades psíquicas induzidas pela Água da Vida, no caso de Alia.

Será isso suficiente para sustentar um processo judicial? Provavelmente não. Mas ajuda a perceber porque Frank Herbert sentiu que o seu território criativo estava a ser invadido.

Dois mitos, dois caminhos diferentes

O mais interessante é que, com o passar do tempo, Dune e Star Wars seguiram trajectórias muito distintas. Star Warstornou-se um fenómeno global, moldando gerações e definindo o blockbuster moderno. Dune, por seu lado, manteve-se como uma obra de culto respeitada, cuja influência se sente mais no cinema de autor e na ficção científica filosófica — algo bem visível nas adaptações recentes de Denis Villeneuve.

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Frank Herbert nunca processou George Lucas, mas nunca escondeu o desconforto. A sua reacção serve hoje como um lembrete curioso: mesmo na ficção científica, onde tudo parece possível, as ideias têm memória — e os seus criadores também.

Anthony Hopkins Celebra 50 Anos de Sobriedade e Deixa um Apelo Simples: “Escolham a Vida”

Uma mensagem de lucidez, gratidão e esperança vinda de um dos maiores actores vivos

Anthony Hopkins assinalou 50 anos de sobriedade com uma mensagem pública rara pela sua frontalidade e humanidade. Aos quase 88 anos, o actor galês — duas vezes vencedor do Óscar e unanimemente considerado um dos maiores intérpretes da história do cinema — aproveitou o momento para deixar um conselho directo a quem luta contra a dependência: “escolham a vida”.

A data não é simbólica por acaso. Foi a 29 de Dezembro de 1975 que Hopkins percebeu que estava à beira do fim. Depois de conduzir em estado de blackout alcoólico e de escapar por pouco à morte, o actor reconheceu que precisava de ajuda. “Foi aí que tudo acabou”, diz agora, meio século depois, numa mensagem partilhada nas redes sociais.

Não há moralismos nem dramatizações excessivas. Apenas a constatação serena de alguém que sobreviveu — e que sabe que poderia não ter sobrevivido.

“Estava a divertir-me demais”: o momento de ruptura

Na sua mensagem, Hopkins recorda o instante em que deixou de relativizar o problema. O que durante anos foi encarado como excesso, boémia ou excentricidade artística tinha um nome simples: alcoolismo. Reconhecer isso foi o primeiro passo.

O actor já tinha falado abertamente sobre esta fase da sua vida em ocasiões anteriores. Em 2018, perante estudantes universitários na Califórnia, descreveu-se como “difícil de trabalhar” no início da carreira teatral, frequentemente ressacado e emocionalmente instável. Disse mesmo que era “repugnante, quebrado e não digno de confiança” enquanto bebia.

A viragem aconteceu depois de falar com uma mulher ligada aos Alcoólicos Anónimos. Desde então, vive segundo um princípio simples, repetido agora com a tranquilidade de quem o pratica há décadas: um dia de cada vez.

Longevidade, clareza e uma carreira sem paralelo

Aos quase 88 anos — que completa esta semana — Hopkins olha para trás sem romantizar o sofrimento, mas também sem esconder o orgulho pela escolha feita. “Talvez tenha feito alguma coisa certa”, diz, com humor seco. A prova está não apenas na longevidade, mas na extraordinária fase tardia da sua carreira.

Depois de se tornar um ícone absoluto com The Silence of the Lambs, onde deu vida a Hannibal Lecter — papel que lhe valeu o Óscar de Melhor Actor em 1992 —, Hopkins recusou acomodar-se. Regressou à personagem em Hannibal e Red Dragon, mas foi muito além disso.

Em 2020, venceu o segundo Óscar da carreira com The Father, num retrato devastador da demência, contracenando com Olivia Colman. Um desempenho de uma precisão emocional raríssima, que muitos consideram o auge de uma carreira que parecia já não ter picos por atingir.

Uma mensagem para além do cinema

Apesar da dimensão artística, a mensagem agora partilhada não tem nada de performativo. Hopkins não fala como estrela, mas como sobrevivente. A sua voz é calma, quase íntima, e dirige-se directamente a quem “tem um pequeno problema com beber demais”.

O tom é claro: não é preciso estar no fundo absoluto para pedir ajuda. A vida, garante, é muito melhor do outro lado.

📽️ Mensagem de Anthony Hopkins — Transcrição e Tradução (vídeo)

“Há 50 anos, neste exacto dia, eu recebi ajuda. E isso foi o fim.

Sem querer estragar a festa, só vos desejo isto: escolham a vida, em vez do contrário.

Percebi que me estava a divertir demais. Chamava-se alcoolismo.

Por isso, se alguém aí fora sente que está a exagerar um bocadinho, vejam isso com atenção — porque a vida é muito melhor.

Parabéns a todos os que estão em recuperação, um dia de cada vez.

Eu vou fazer 88 anos daqui a dois dias, por isso talvez tenha feito alguma coisa certa.

Feliz Ano Novo — e uma vida feliz, feliz.”

Num tempo em que a longevidade é frequentemente associada apenas a genética ou sorte, Anthony Hopkins lembra algo mais simples — e mais difícil: escolher viver conscientemente. Uma mensagem curta, mas poderosa, vinda de alguém que conhece bem os dois lados do abismo.

A NOS Audiovisuais Revela o Mapa de Estreias para 2026 — E Há Boas Surpresas para Todos os Gostos 🎬

Dos grandes eventos de Hollywood ao cinema português, 2026 promete ser um ano cheio nas salas

A NOS Audiovisuais já levantou o véu sobre o que nos espera nas salas de cinema em 2026 — e o cenário é claro: o próximo ano quer voltar a encher o grande ecrã com blockbusters de pesoregressos muito aguardadosapostas familiarescinema de autor e uma presença robusta de produção portuguesa. Menos discurso promocional, mais leitura do terreno: o calendário é extenso, variado e pensado para manter o cinema relevante durante os doze meses do ano.

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Depois de um período em que a indústria tentou reencontrar o equilíbrio entre streaming e exibição em sala, o alinhamento agora apresentado aponta para uma estratégia simples: diversidade. Há espaço para super-heróis, terror, animação, música, comédia, drama histórico e histórias bem portuguesas — tudo distribuído de forma a evitar longos períodos sem “filmes-evento”.

Um ano que começa forte — e não abranda

O arranque de 2026 não perde tempo. Logo em Janeiro surgem propostas muito diferentes entre si, do cinema de autor ao terror, passando por dramas psicológicos e thrillers. É um início de ano que foge à ideia tradicional de “meses fracos”, apostando antes em variedade para captar públicos distintos.

Fevereiro e Março reforçam essa abordagem, combinando cinema de prestígio, sagas populares e animação. Hamnet surge como uma das propostas mais cinéfilas do ano, enquanto Gritos 7 garante continuidade a uma franquia que continua surpreendentemente resistente ao desgaste. Pelo meio, a Pixar volta a marcar presença e a música entra literalmente em cena com uma experiência cinematográfica pensada para fãs.

A época dos grandes regressos

A partir da primavera, o calendário começa a jogar em terreno mais familiar para o grande público. O Diabo Veste de Prada 2 chega como um daqueles títulos que misturam nostalgia e curiosidade, enquanto The Mandalorian and Grogu confirma a aposta em levar universos televisivos de sucesso para o cinema.

O verão é dominado por animação e cinema familiar — Toy Story 5Vaiana e Patrulha Pata garantem salas cheias durante as férias — mas há também espaço para propostas menos óbvias, distribuídas estrategicamente ao longo dos meses.

O peso do último trimestre

Como seria de esperar, o último trimestre concentra os títulos mais mediáticos. Street Fighter aposta no cruzamento entre cinema e videojogos, enquanto Novembro mistura comédia popular com propostas mais ousadas. Mas é Dezembro que surge como o grande clímax do ano.

Vingadores: Doomsday assume-se desde já como o maior evento cinematográfico de 2026, fechando o ano com a habitual promessa de salas esgotadas, discussões online intermináveis e impacto global. Poucos dias depois, Angry Birds 3 encerra o calendário com uma aposta clara no público familiar natalício.

Cinema português: mais do que presença simbólica

Um dos aspectos mais interessantes do alinhamento para 2026 é a forma como o cinema português surge integrado no calendário — não como nota de rodapé, mas como parte activa da programação. Há biopics, comédias populares, sátiras políticas, animação e projectos que cruzam música e cinema.

É uma aposta que reflecte maturidade do mercado: o cinema nacional já não ocupa apenas “janelas alternativas”, mas convive com produções internacionais no mesmo espaço e no mesmo calendário.

Um calendário pensado para manter o cinema vivo

Mais do que uma lista de títulos, o plano de estreias para 2026 revela uma intenção clara: manter o hábito de ir ao cinema vivo durante todo o ano. Há filmes para públicos muito diferentes, espalhados de forma inteligente, evitando períodos mortos e apostando tanto em grandes eventos como em propostas de risco controlado.

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Agora, resta saber como o público vai responder. Mas, pelo menos no papel, 2026 parece tudo menos aborrecido.

📅 Estreias de Cinema em Portugal — 2026 (Selecção)

FilmeData de Estreia
Pai Mãe Irmã Irmão8 de Janeiro
Mata-te, Amor15 de Janeiro
Primata22 de Janeiro
Cold Storage – Ameaça Mortal29 de Janeiro
Hamnet5 de Fevereiro
Gritos 726 de Fevereiro
Saltitões5 de Março
Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft (Live in 3D)19 de Março
O Diabo Veste de Prada 230 de Abril
The Mandalorian and Grogu21 de Maio
Toy Story 518 de Junho
Vaiana9 de Julho
Patrulha Pata: O Filme dos Dinossauros6 de Agosto
Street Fighter15 de Outubro
Os Novos Sogros do Pior26 de Novembro
Vingadores: Doomsday17 de Dezembro
Angry Birds 3: O Filme24 de Dezembro

Chevy Chase Sem Filtros: O Documentário Que Mostra o Comediante Tal Como Ele É — e Ele Aceita

Um retrato cru, incómodo e inesperadamente humano de uma lenda da comédia

Insultar a realizadora que está a fazer um documentário sobre a nossa vida não parece, à partida, a melhor forma de começar. Mas Chevy Chase nunca foi conhecido pela diplomacia. E é precisamente essa frontalidade — por vezes cruel, por vezes desconcertante — que dá o tom a I’m Chevy Chase and You’re Not, o novo documentário que coloca o comediante sob os holofotes, com todas as verrugas incluídas.

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Logo no primeiro encontro com a realizadora Marina Zenovich, Chase deixa claro que não será fácil de decifrar. Quando ela lhe pergunta porquê, a resposta surge sem rodeios: “Porque não és suficientemente inteligente.” O facto de esta troca ter ficado no filme diz tanto sobre Zenovich como sobre o próprio Chase — um humorista brilhante, mas profundamente difícil.

Um percurso brilhante… e cheio de fricção

O documentário percorre toda a vida e carreira de Chevy Chase, desde uma infância marcada por episódios de violência emocional e física, até à explosão de popularidade nos anos 70 e 80, com filmes hoje considerados clássicos como CaddyshackFletchThree Amigos e a saga National Lampoon’s Vacation. Pelo caminho, passa ainda pela sua relação complicada com Saturday Night Live e pelo período conturbado na série Community.

Ao longo do filme, surgem testemunhos de colegas, amigos e familiares, incluindo Dan Aykroyd, Goldie Hawn, Beverly D’Angelo, Martin Short, Lorne Michaels, Ryan Reynolds, a mulher Jayni Chase e as três filhas do actor. O retrato que emerge é o de um homem afiado, frequentemente mordaz, com um enorme grupo de fãs — mas também com uma longa lista de pessoas que se sentiram magoadas pelo seu comportamento.

Humor como mecanismo de sobrevivência

Zenovich, que já realizou documentários sobre figuras complexas como Roman Polanski, Richard Pryor, Robin Williams e Lance Armstrong, aponta para a infância de Chase como chave para compreender a sua personalidade. Em criança, foi fechado durante dias numa cave, castigado de forma severa e humilhado pelo padrasto e pela mãe.

Segundo a realizadora, o humor tornou-se a sua forma de lidar com esse passado. Uma arma defensiva que, com o tempo, passou a ferir também quem estava à sua volta. O filme não foge às polémicas: os conflitos com Bill Murray, John Belushi, Joel McHale ou Dan Harmon, nem os episódios que levaram à sua saída de Community, incluindo acusações de comentários racistas.

Um homem consciente… até certo ponto

Hoje com 82 anos, Chevy Chase diz saber que há muitas pessoas que não o suportam — mas garante que isso nunca o incomodou verdadeiramente. “É apenas Hollywood”, afirma. Ainda assim, o documentário revela momentos de fragilidade, como a mágoa por não ter sido convidado a subir ao palco na celebração dos 50 anos de Saturday Night Live.

Há também espaço para imagens inesperadamente ternurentas: Chase a brincar com um gato, a tocar piano, a ler cartas de fãs, a jogar xadrez ou a receber o carinho do público numa exibição recente de National Lampoon’s Christmas Vacation. E, talvez o mais surpreendente, o filme mostra uma relação próxima e saudável com as filhas — algo que a própria Zenovich considera uma vitória sobre o trauma geracional.

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Um retrato que dói… mas vale a pena

O maior crítico do documentário acaba por ser o próprio Chevy Chase — e ele aprova. Compara a experiência a uma massagem: agradável, mesmo quando dói. I’m Chevy Chase and You’re Not não tenta redimir nem condenar. Limita-se a observar, com honestidade desconfortável, um homem que fez rir milhões, mas que nunca foi fácil de amar.