Anos de Ouro do Cinema Italiano: Um Ciclo Imperdível Para Redescobrir Clássicos Que Mudaram o Cinema

De Rossellini a Fellini, de Visconti a Antonioni: um verdadeiro mapa da história do cinema

Nem todos os dias surge uma programação televisiva capaz de funcionar como aula de história do cinema em horário nobre. Entre 3 de Janeiro e 7 de Fevereiro, o TVCine Edition dedica as tardes e noites de sábado ao ciclo Anos de Ouro do Cinema Italiano, reunindo 43 filmes fundamentais que ajudaram a definir a linguagem cinematográfica do século XX — e que continuam a influenciar realizadores até hoje.

ler também : Populares, Poderosas… e Mázinhas: Mean Girls Chega à TV na Primeira Noite do Ano

Não se trata apenas de revisitar clássicos consagrados. Este ciclo funciona como um percurso coerente através de décadas de cinema italiano, desde o neorrealismo do pós-guerra até ao cinema moderno, político e existencial das décadas seguintes. É uma oportunidade rara de ver — ou rever — obras que resistem ao tempo e que continuam surpreendentemente actuais.

O neorrealismo como ponto de partida

O ciclo arranca com força máxima, mergulhando directamente no neorrealismo italiano, um movimento que nasceu das ruínas da Segunda Guerra Mundial e mudou para sempre a forma de filmar a realidade. Filmes como Roma, Cidade AbertaPaisà ou Ladrões de Bicicletas mostram um cinema cru, humano e profundamente político, filmado nas ruas, com actores não profissionais e histórias centradas na sobrevivência, na dignidade e na solidariedade.

Roberto Rossellini e Vittorio De Sica surgem aqui como pilares absolutos de um cinema que recusou o espectáculo fácil para olhar de frente a pobreza, a opressão e as contradições de um país em reconstrução.

Fellini, Antonioni e o cinema da inquietação

À medida que o ciclo avança, o olhar italiano afasta-se da urgência social imediata e vira-se para o interior das personagens. Federico Fellini entra em cena com Os InúteisA Doce Vida e , filmes que exploram o vazio existencial, a crise criativa e a decadência moral com uma mistura inconfundível de realismo, fantasia e autobiografia.

Michelangelo Antonioni aprofunda ainda mais essa introspecção com obras como A AventuraA NoiteO Eclipse e O Deserto Vermelho, onde o silêncio, a arquitectura e os espaços vazios dizem tanto como os diálogos. São filmes exigentes, mas recompensadores, que transformaram o cinema moderno.

Visconti, Bertolucci e a política do desejo

O ciclo não ignora o cinema abertamente político e histórico. Luchino Visconti surge com obras que cruzam decadência aristocrática, luta de classes e desejo reprimido, enquanto Bernardo Bertolucci assina títulos como Antes da Revolução e O Conformista, verdadeiros retratos de uma Itália dividida entre ideologia, moral e conveniência.

Aqui, o cinema italiano afirma-se como espaço de debate político, reflexão histórica e questionamento profundo das estruturas de poder.

Dos anos 70 ao virar do século

O percurso estende-se até décadas mais recentes, com realizadores como Nanni Moretti, que fecha o ciclo com Abril e O Quarto do Filho, dois filmes onde o íntimo e o político se cruzam de forma subtil e profundamente humana. É uma prova clara de que o cinema italiano nunca deixou de se reinventar, mantendo uma forte ligação à realidade social e emocional do país.

Um ciclo para ver com tempo — e atenção

Mais do que uma maratona, Anos de Ouro do Cinema Italiano pede tempo, curiosidade e disponibilidade. Não é programação de consumo rápido. É cinema para ver, pensar e, muitas vezes, discutir depois. Um verdadeiro serviço público cinéfilo, raro na televisão generalista.

ler também : Artistas Cancelam Actuações no Kennedy Center Após Trump Acrescentar o Seu Nome à Instituição

📅 Anos de Ouro do Cinema Italiano — Destaques do Ciclo

(Todos os sábados, de 3 de Janeiro a 7 de Fevereiro, no TVCine Edition)

Neorrealismo e Pós-Guerra

  • Roma, Cidade Aberta (1945) – Roberto Rossellini
  • Paisà (1946) – Roberto Rossellini
  • Ladrões de Bicicletas (1948) – Vittorio De Sica
  • Alemanha, Ano Zero (1948) – Roberto Rossellini
  • A Terra Treme (1948) – Luchino Visconti

Os Mestres

  • Os Inúteis (1953) – Federico Fellini
  • A Doce Vida (1960) – Federico Fellini
  •  (1963) – Federico Fellini
  • A Aventura (1960) – Michelangelo Antonioni
  • A Noite (1961) – Michelangelo Antonioni
  • O Eclipse (1962) – Michelangelo Antonioni

Cinema Político e Moderno

  • Antes da Revolução (1964) – Bernardo Bertolucci
  • O Conformista (1970) – Bernardo Bertolucci
  • Violência e Paixão (1974) – Luchino Visconti

Encerramento do Ciclo

  • Abril (1998) – Nanni Moretti
  • O Quarto do Filho (2001) – Nanni Moretti

(Programação completa inclui 43 filmes e pode variar)

Populares, Poderosas… e Mázinhas: Mean Girls Chega à TV na Primeira Noite do Ano

O clássico adolescente regressa em versão musical, com novas canções e velhas rivalidades

Há filmes que definem gerações — e Mean Girls é, sem dúvida, um deles. Agora, vinte anos depois do original que se tornou fenómeno cultural, a história regressa numa nova versão musical, pronta para conquistar uma nova geração de espectadores. Mean Girls estreia na televisão portuguesa no dia 1 de Janeiro, às 21h30, numa noite perfeita para começar o ano com humor, música e alguma maldade bem coreografada.

Esta nova adaptação parte do musical da Broadway, que por sua vez nasceu do filme de 2004 escrito por Tina Fey, mantendo o espírito mordaz que sempre caracterizou a história, mas acrescentando-lhe números musicais e uma energia renovada.

ler também : Chevy Chase Sem Filtros: O Documentário Que Mostra o Comediante Tal Como Ele É — e Ele Aceita

Cady Heron entra na selva social do liceu

A protagonista é Cady Heron, uma adolescente que passou grande parte da infância fora dos Estados Unidos, longe do sistema escolar tradicional. Ao chegar a um liceu americano, depara-se com um microcosmo feroz, dominado por hierarquias sociais rígidas, aparências cuidadosamente construídas e jogos de poder dignos de uma corte real.

Rapidamente, Cady chama a atenção das Plásticas — o grupo de raparigas mais populares da escola. Bonitas, influentes e temidas, as Plásticas são lideradas por Regina George, a indiscutível “rainha” do liceu. O problema surge quando Cady se apaixona por Aaron Samuels, o ex-namorado de Regina. A partir desse momento, o equilíbrio frágil do grupo começa a ruir.

Popularidade: um jogo com custos elevados

Incentivada por novas amizades, Cady aceita infiltrar-se no grupo das Plásticas com o objectivo de derrubar Regina. Mas aquilo que começa como uma missão quase ingénua transforma-se rapidamente numa espiral de rivalidades, traições e perda de identidade.

À medida que o estatuto social aumenta, Cady começa a afastar-se da pessoa que era. O filme acompanha essa transformação com ironia e humor, mostrando como o desejo de pertença pode facilmente tornar-se uma armadilha. Mean Girls continua a ser, acima de tudo, uma sátira afiada sobre adolescência, poder e a crueldade subtil — e nem sempre tão subtil — das relações sociais.

Um musical que respeita o legado

Realizado por Samantha Jayne e Arturo Perez Jr., este Mean Girls assume sem pudor a sua natureza musical. As canções ajudam a amplificar emoções, conflitos e exageros típicos do universo adolescente, sem perder o tom irreverente que tornou a história tão memorável.

Tina Fey regressa ao projecto, não só como argumentista, mas também em frente às câmaras, no papel da professora de matemática Ms. Norbury. O elenco jovem dá nova vida às personagens icónicas, com Angourie Rice como Cady Heron e Renée Rapp como uma Regina George carismática, dominante e deliciosamente cruel. Destacam-se ainda Auliʻi Cravalho e Christopher Briney, que completam um conjunto afinado e energético.

Uma história que continua actual

Apesar de ter mudado de formato, Mean Girls continua surpreendentemente актуado. As dinâmicas de exclusão, a obsessão com estatuto e a pressão para corresponder a expectativas sociais permanecem tão relevantes hoje como há duas décadas — talvez até mais, numa era dominada pelas redes sociais.

Este regresso em versão musical não tenta substituir o original, mas dialogar com ele, oferecendo uma leitura contemporânea que mantém o humor ácido e a crítica social intactos.

ler também : David Spade Viveu 25 Anos Convencido de Que Eddie Murphy o Detestava — Tudo por Causa de Uma Piada

A forma perfeita de começar o ano

Leve, divertida e com uma boa dose de ironia, Mean Girls é uma escolha certeira para a primeira noite do ano. Uma comédia que diverte, canta e, pelo caminho, lembra que nem sempre ser popular é sinónimo de ser feliz.

O Raro Filme de Viagens no Tempo Que Não Se Enreda em Paradoxos

Looper continua a ser um dos exemplos mais inteligentes da ficção científica moderna

As viagens no tempo são uma das ideias mais fascinantes da ficção científica — e também uma das mais traiçoeiras. Basta um detalhe mal explicado para tudo desmoronar: paradoxos insolúveis, regras que mudam a meio do filme ou finais que anulam o que veio antes. O cinema está cheio desses exemplos. Terminator torna-se cada vez mais confuso a cada sequel, Back to the Future é um clássico cheio de buracos lógicos e até Avengers: Endgame acaba por quebrar as próprias regras quando convém à emoção.

É por isso que Looper, realizado por Rian Johnson em 2012, continua a destacar-se. Não por ser perfeito — não é — mas por conseguir algo raro: criar um sistema de viagens no tempo compreensível, coerente e integrado na própria narrativa, sem tratar o espectador como distraído nem o afogar em explicações pseudo-científicas.

ler também : Timothée Chalamet, Pingue-Pongue e Susan Boyle: o Actor que Não Tem Medo de Sonhar em Grande

A história passa-se em 2044, num mundo onde as viagens no tempo existem, mas são ilegais. Para contornar a lei, organizações criminosas enviam vítimas do futuro para o passado, onde são executadas por assassinos conhecidos como “loopers”. O detalhe mais cruel do sistema é também o mais engenhoso: quando um looper envelhece e deixa de ser útil, é enviado de volta no tempo para ser morto pela sua versão mais jovem, fechando assim o ciclo — o “loop”.

Esta ideia simples resolve, de uma só vez, grande parte dos problemas clássicos do género. As vítimas não vivem tempo suficiente para alterar o passado, não há linhas temporais paralelas confusas e cada personagem segue uma trajectória essencialmente linear. O conceito não é apenas eficaz dentro da história; é uma solução narrativa elegante.

Tudo se complica quando o Joe mais velho, interpretado por Bruce Willis, foge ao seu destino. A partir daí, Looperassume claramente um modelo de linha temporal única, onde alterar o passado muda o futuro. Rian Johnson tem o cuidado de tornar esse mecanismo visível ao espectador: sempre que o Joe jovem, vivido por Joseph Gordon-Levitt, descobre algo novo, essa informação passa automaticamente para a versão mais velha. O filme transforma a causalidade temporal em drama, não em exposição teórica.

O desfecho leva esta lógica ao limite, obrigando a personagem a tomar uma decisão extrema para quebrar um ciclo de violência que ameaça repetir-se indefinidamente. É um final duro, moralmente incómodo e emocionalmente coerente com tudo o que veio antes — algo que falta a muitos filmes do género.

Claro que Looper não escapa totalmente às armadilhas do tempo. O próprio final levanta um paradoxo inevitável: se o Joe mais velho deixa de existir, como é que alguma vez regressou ao passado para provocar os acontecimentos que levam à decisão final? O filme também sugere, de forma subtil, que certas acções do futuro podem ser precisamente aquilo que cria o vilão que se tenta evitar, aproximando-se perigosamente de uma lógica circular.

Mas aqui está a diferença: Looper não se desfaz por causa disso. Porque o filme nunca promete uma explicação científica absoluta. Promete apenas respeitar as suas próprias regras — e fá-lo durante a maior parte do tempo.

ler também : Warner Bros Rejeita Oferta de 108 Mil Milhões da Paramount e Mantém Acordo com a Netflix

Mais de uma década depois, Looper continua a ser um dos exemplos mais sólidos de ficção científica do século XXI. Um filme que percebe que viagens no tempo não são sobre diagramas ou linhas num quadro, mas sobre escolhas, consequências e personagens presas a sistemas que tentam desesperadamente quebrar.

Num género onde a maioria tropeça, isso já é uma vitória considerável.

Choque em Hollywood: mortes misteriosas num ícone do cinema americano

Um caso em investigação que abalou a indústria

Hollywood acordou em choque com a notícia de que um homem de 78 anos e uma mulher de 68 anos foram encontrados mortos numa residência de luxo em Brentwood, Los Angeles, um bairro conhecido por acolher inúmeras figuras do cinema e da televisão. As autoridades norte-americanas abriram uma investigação por homicídio, embora, até ao momento, não exista qualquer suspeito identificado nem detenções efectuadas. A polícia de Los Angeles mantém absoluto sigilo quanto às circunstâncias das mortes, remetendo todas as conclusões para o relatório do médico legista do condado.

ler também : Kate Hudson e Jeremy Allen White: Duas Carreiras Ligadas Pela Música, Pelo Cinema… e Pela Emoção

De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, os serviços de emergência foram chamados à residência durante a tarde de domingo, para um pedido de assistência médica. No local estiveram elementos da polícia, bombeiros e detectives especializados em homicídios por roubo. Seis horas depois da chamada inicial, os corpos permaneciam ainda dentro da casa, o que sublinha a complexidade e sensibilidade do caso.

Identidades não confirmadas e prudência jornalística

Apesar de vários meios internacionais terem avançado com nomes conhecidos, a polícia de Los Angeles não confirmou oficialmente a identidade das vítimas nem a relação entre elas. As autoridades recusaram igualmente esclarecer se existiam sinais de violência, ferimentos visíveis ou a presença de qualquer arma no local. A causa das mortes será determinada exclusivamente pelo gabinete do legista, num processo que poderá demorar vários dias.

Um comunicado atribuído a um porta-voz da família pede respeito e privacidade num momento descrito como “inimaginavelmente difícil”, reforçando a necessidade de contenção mediática enquanto a investigação decorre.

Uma carreira ligada à história do cinema popular

Caso se confirme a identidade avançada por fontes políticas e institucionais, a perda representaria um abalo profundo para a história do cinema americano. O cineasta em causa construiu uma carreira ímpar, atravessando várias décadas com obras que marcaram gerações. Desde a televisão dos anos 70 até ao cinema dos anos 80 e 90, o seu percurso ajudou a definir a comédia, o drama e até o thriller psicológico no grande ecrã.

Filmes como This Is Spinal TapStand By MeThe Princess BrideWhen Harry Met SallyMisery ou A Few Good Mencontinuam a ser referências obrigatórias, estudadas, citadas e revisitadas por cinéfilos de todo o mundo. Um legado que vai muito além dos números de bilheteira, assente numa rara combinação de inteligência, sensibilidade popular e rigor narrativo.

ler também : Timothée Chalamet Quebra o Silêncio (Só Um Pouco) Sobre a Vida Pessoal em Plena Promoção de Novo Filme

Expectativa e respeito enquanto se aguardam respostas

Para já, Hollywood permanece suspensa entre a consternação e a cautela. Num tempo em que a velocidade da informação rivaliza com a verdade, impõe-se aguardar por confirmações oficiais antes de se tirarem conclusões definitivas. O Clube de Cinema acompanhará este caso com a atenção e o rigor que a importância da figura e a gravidade da situação exigem.

A Série de Ficção Científica da Netflix Que Mostra o Espaço Como Nunca Quisemos Vê-lo

Um thriller silencioso, claustrofóbico e assustadoramente plausível

Quando estreou em 2021, The Silent Sea passou despercebida a muitos subscritores da Netflix, confundida com mais uma série de ficção científica genérica, possivelmente até com contornos de creature feature. Foi um erro. A produção sul-coreana é, na verdade, uma das representações mais realistas, sufocantes e inquietantes de um desastre espacial alguma vez vistas na televisão — precisamente porque abdica do heroísmo fácil, da grandiloquência e da fantasia tecnológica habitual do género.

ler também : Um Beijo em Direto e uma Mensagem Nada Subtil:Um Momento Surpresa no SNL Que Está a Dar Que Falar em Hollywood

Aqui não há discursos inspiradores nem música épica a sublinhar a coragem humana. The Silent Sea opera noutra frequência: a do silêncio absoluto, da falha mecânica acumulada e da indiferença total do espaço à presença humana. É uma série que se devora de uma assentada, não porque avance depressa, mas porque cria uma tensão gravitacional constante que impede o espectador de desviar o olhar.

Uma missão movida pela sede, não pela glória

Uma das maiores diferenças entre The Silent Sea e a ficção científica ocidental está na motivação da missão. Ninguém vai à Lua para explorar o cosmos ou expandir fronteiras. As personagens vão porque a Terra está a morrer de sede.

A série decorre num futuro próximo devastado pela chamada “Grande Seca”, um colapso ambiental que transformou a água no recurso mais valioso do planeta. A sociedade passou a ser rigidamente estratificada por um sistema de “classificação hídrica”: quem tem melhor pontuação tem acesso a água potável; quem não tem, sobrevive com rações de segunda categoria. É um cenário brutal, mas perturbadoramente credível.

Os membros da missão lunar não são aventureiros idealistas. São soldados, cientistas e engenheiros que aceitam uma operação quase suicida em troca de um “Cartão Dourado” — um privilégio que pode garantir água suficiente para manter as suas famílias vivas durante mais alguns anos. A viagem não é um sonho; é um contrato desesperado.

O terror do desastre feito de pequenas falhas

A missão leva a tripulação até à Estação Lunar Balhae, abandonada cinco anos antes após um acidente misterioso que alegadamente matou toda a equipa devido a uma fuga de radiação. A tarefa parece simples: recuperar umas amostras e sair. Naturalmente, nada corre como planeado.

Desde o início, a série adopta o chamado “modelo do queijo suíço” do desastre: não há uma grande explosão inicial, mas uma sucessão de pequenas falhas que se alinham até tornar a catástrofe inevitável. Um problema estrutural na aproximação força uma aterragem de emergência que deixa a nave suspensa num precipício lunar, retirando imediatamente à tripulação qualquer hipótese de regresso rápido.

O que se segue é um dos momentos mais angustiantes da série: uma caminhada de 7,6 quilómetros pela superfície lunar até à base abandonada. Não é uma montagem rápida. É um suplício prolongado, onde vemos os indicadores de oxigénio descerem lentamente, percentagem a percentagem. Cada passo é um cálculo entre distância, consumo e sobrevivência.

A física como fonte de terror

O que realmente distingue The Silent Sea na história da ficção científica televisiva é o respeito absoluto pela física do espaço. Ao contrário de muitas produções que activam gravidade artificial por conveniência, aqui o peso é reduzido, mas a massa permanece. O resultado é um movimento instável, perigoso, quase grotesco.

As personagens não flutuam com elegância: tropeçam, projectam-se demasiado longe, caem com violência ao tentar parar. Cada salto é um risco. Cada corrida num corredor pode terminar contra uma parede. A produção recorreu a sistemas complexos de cabos para simular esta inércia específica, criando uma linguagem visual onde o corpo humano parece sempre prestes a falhar.

A Estação Balhae é outro elemento fundamental. Construída num estilo de brutalismo industrial, parece mais uma plataforma petrolífera abandonada do que um laboratório futurista. Betão gasto, tubos expostos, luzes fluorescentes doentes. A tecnologia não é elegante nem intuitiva: é pesada, analógica e constantemente avariada. Nada aqui parece feito para durar.

O som — ou a ausência dele — como arma narrativa

O design sonoro da série é exemplar. No exterior, não há explosões nem efeitos dramáticos. O que ouvimos são os sons internos dos fatos: respiração ofegante, cliques mecânicos, o bater do sangue nos ouvidos. Quando alguém embate contra uma superfície, o som chega-nos amortecido, transmitido pela vibração do fato, não pelo ar inexistente.

Quando a comunicação falha, o silêncio torna-se quase físico, uma pressão invisível. Até as cenas de descompressão evitam os clichés de Hollywood. Em vez de sucção violenta, vemos nuvens de condensação provocadas pela queda súbita de pressão — um fenómeno real conhecido como arrefecimento adiabático. O terror está nos números a descer lentamente nos ecrãs, não em destroços a voar.

Um elenco que sustenta o peso da ciência

Toda esta precisão técnica seria inútil sem interpretações à altura. Gong Yoo oferece uma performance contida e devastadora como o capitão Han Yun-jae, um líder esmagado pela responsabilidade. Grande parte da sua actuação acontece por detrás de um visor, através de olhares contidos e micro-expressões que revelam disciplina militar e pânico reprimido.

Bae Doona, como a astrobióloga Song Ji-an, funciona como âncora emocional e intelectual da série. A sua abordagem clínica ao horror — insistindo em observar, recolher dados e questionar a narrativa oficial — torna o mistério ainda mais perturbador. É através do seu cepticismo que a série constrói o seu comentário sobre instituições, crises ambientais e verdades convenientemente omitidas.

A dinâmica hierárquica da tripulação acrescenta uma camada extra de tensão: decisões erradas são executadas porque a cadeia de comando o exige. É horror cósmico, mas também horror corporativo.

Um espaço onde o erro não é perdoado

The Silent Sea triunfa porque trata o espaço não como palco de aventura, mas como um ambiente hostil onde a margem de erro é zero. Ao respeitar a gravidade, o silêncio, o desgaste físico e psicológico, constrói uma experiência pesada, claustrofóbica e profundamente inquietante.

ler também : Paul Bettany Confirma Regresso da Vision em ‘Avengers: Secret Wars’

Ao mesmo tempo, mantém no centro uma crise ambiental reconhecível, ancorando a ficção num medo muito real. Criada pela argumentista Park Eun-kyo e realizada por Choi Hang-yong, a série prova que a ficção científica pode ser tanto um espectáculo como um aviso.

Se existe uma série que mostra como um desastre espacial realmente se pareceria — lento, frio, burocrático e sem glória — é esta.

Um Beijo em Direto e uma Mensagem Nada Subtil:Um Momento Surpresa no SNL Que Está a Dar Que Falar em Hollywood

Uma participação surpresa que deixou o público em choque

A mais recente emissão do Saturday Night Live ficou marcada por um momento inesperado que rapidamente incendiou as redes sociais. Durante a actuação de Lily Allen, uma estrela de Hollywood surgiu de forma surpreendente em palco — e não foi apenas para marcar presença. Dakota Johnson juntou-se à cantora britânica num momento cuidadosamente encenado que muitos interpretaram como uma farpa directa a David Harbour, ex-marido de Allen e actor de Stranger Things.

Paul Bettany Confirma Regresso da Vision em ‘Avengers: Secret Wars’

Lily Allen, de 40 anos, apresentou vários temas do seu novo álbum West End Girl, o primeiro em sete anos, e que tem sido amplamente lido como um disco confessional sobre o fim da sua relação com Harbour. Foi durante a canção Madeline que o momento verdadeiramente memorável aconteceu.

“Madeline”: a canção, a encenação e a revelação final

Ao longo da actuação, o cenário mostrava uma figura feminina reclinada numa cama, parcialmente escondida por um véu, enquanto Lily cantava versos que muitos interpretam como referências a uma alegada infidelidade. No final da música, a cantora começou a recitar mensagens de texto enviadas por alguém chamado “Madeline”, enquanto a figura misteriosa dizia as falas em palco.

Quando as luzes finalmente revelaram a identidade da mulher, o público percebeu que se tratava de Dakota Johnson. Vestida com um elegante vestido preto e prateado transparente, a actriz aproximou-se de Lily Allen e beijou-a antes do escurecer do palco — um gesto simples, mas carregado de simbolismo.

Taylor Sheridan Não Vende Só Séries de Sucesso: Também Vende Velas, Chili e até Corda Usada (e Nós Fomos Ver se Vale a Pena)

Um detalhe que tornou tudo ainda mais afiado

A escolha de Dakota Johnson não foi inocente. A actriz de Fifty Shades of Grey contracenou com David Harbour no filme Black Mass (2015), onde interpretava a companheira do criminoso Whitey Bulger. Esse detalhe acrescentou uma camada extra de ironia ao momento, algo que os fãs perceberam de imediato.

Nas redes sociais, as reacções foram rápidas e entusiásticas. Muitos elogiaram a jogada como “genial”, destacando a precisão quase cirúrgica da escolha. Outros sublinharam o humor mordaz da encenação e a forma como Lily Allen conseguiu transformar um momento musical num comentário cultural com impacto.

O regresso confiante de Lily Allen

Esta actuação no SNL surge numa fase particularmente forte da carreira de Lily Allen. West End Girl, lançado em Outubro, estreou-se directamente no segundo lugar da tabela de álbuns do Reino Unido e marcou um regresso mais maduro, frontal e teatral da artista.

Numa recente aparição no The Tonight Show, Allen revelou que o álbum poderá vir a ser adaptado para teatro, afirmando que as conversas ainda estão numa fase inicial, mas que o projecto a entusiasma. A cantora já anunciou também uma digressão no Reino Unido para 2026, seguida de uma tournée em arenas norte-americanas.

Um capítulo encerrado… com estilo

Lily Allen e David Harbour começaram a namorar em 2019 e casaram em Setembro de 2020. A relação terminou no início de 2025, após cerca de seis anos juntos. Desde então, Allen tem optado por canalizar a experiência para a criação artística, sem nunca cair no silêncio ou na autopiedade.

Taylor Sheridan Não Vende Só Séries de Sucesso: Também Vende Velas, Chili e até Corda Usada (e Nós Fomos Ver se Vale a Pena)

O momento no Saturday Night Live não foi apenas um golpe mediático bem calculado. Foi uma afirmação criativa, uma encenação pop inteligente e um lembrete de que Lily Allen continua a saber exactamente como controlar a narrativa — com humor, elegância e uma boa dose de ousadia.

Paul Bettany Confirma Regresso da Vision em ‘Avengers: Secret Wars’

Um comentário aparentemente casual que diz muito sobre o futuro do MCU

O elenco de Avengers: Secret Wars continua envolto em secretismo, mas uma declaração recente veio acrescentar uma peça importante ao puzzle. Paul Bettany, actor que deu vida à Vision no Universo Cinematográfico da Marvel e que ganhou novo destaque com a série WandaVision, confirmou que irá regressar ao MCU — tudo indica que precisamente no aguardado Secret Wars.

ler também : Taylor Sheridan Não Vende Só Séries de Sucesso: Também Vende Velas, Chili e até Corda Usada (e Nós Fomos Ver se Vale a Pena)

Numa entrevista ao Telegraph, Bettany falou sobre vários projectos futuros, entre eles o novo filme de Tom Ford, Cry to Heaven. Pelo meio, deixou escapar uma frase que não passou despercebida aos fãs: revelou que tem “algumas obrigações com os Avengers no próximo ano”. Com Avengers: Doomsday já com as filmagens concluídas, o calendário aponta quase inevitavelmente para Avengers: Secret Wars.

Vision continua viva… de uma forma ou de outra

A confirmação do regresso de Bettany reacende imediatamente a discussão em torno da Vision, uma das personagens mais trágicas e complexas do MCU. Morta em Avengers: Infinity War, ressuscitada de forma conceptual e emocional em WandaVision, e posteriormente “reiniciada” como White Vision, a personagem ficou num limbo narrativo que a Marvel nunca resolveu totalmente.

Desde o final de WandaVision, o destino da Vision tem sido uma das grandes pontas soltas do universo Marvel. O facto de Bettany confirmar novas participações sugere que a Marvel não esqueceu essa linha narrativa — e que Secret Wars, com a sua dimensão multiversal, pode ser o palco ideal para dar um desfecho (ou um novo começo) à personagem.

Secret Wars começa a ganhar forma… ainda que em silêncio

Até ao momento, a Marvel Studios não anunciou oficialmente qualquer nome para o elenco de Avengers: Secret Wars. No entanto, é amplamente assumido que muitos dos actores presentes em Avengers: Doomsday deverão regressar no capítulo seguinte, até porque ambos os filmes fazem parte do mesmo arco narrativo culminante da Saga do Multiverso.

Avengers: Doomsday tem estreia marcada para 18 de Dezembro de 2026, enquanto Secret Wars chegará aos cinemas a 17 de Dezembro de 2027. Tal como aconteceu com Infinity War e Endgame, espera-se que estes dois filmes funcionem como eventos gémeos, com consequências profundas para o futuro do MCU — incluindo possíveis despedidas, regressos inesperados e reconfigurações totais do universo.

O que pode significar o regresso de Bettany

Embora Bettany não tenha mencionado explicitamente Secret Wars, a leitura é quase inevitável. A escala da história, aliada à mitologia do multiverso, abre espaço para várias versões da Vision coexistirem — algo que os fãs de banda desenhada conhecem bem.

Mais do que uma simples participação, o regresso de Paul Bettany pode indicar que a Marvel pretende recuperar algumas das personagens que deram densidade emocional ao MCU numa fase em que o estúdio procura reencontrar equilíbrio criativo e ligação ao público.

ler também : “Um Pesadelo”: A Guerra por Warner Bros Está a Virar Hollywood do Avesso

Se Secret Wars pretende ser o grande ponto de convergência de tudo o que a Marvel construiu — e desconstruiu — nos últimos anos, faz todo o sentido que a Vision esteja lá. Mesmo que, como sempre, não seja exactamente da forma que esperamos.

Taylor Sheridan Não Vende Só Séries de Sucesso: Também Vende Velas, Chili e até Corda Usada (e Nós Fomos Ver se Vale a Pena)

O showrunner milionário que transformou um rancho real numa marca de culto

Taylor Sheridan é hoje uma das figuras mais poderosas da televisão norte-americana. Yellowstone, as suas prequelas (18831923), os spin-offs anunciados, Tulsa KingLioness e Landman fizeram dele o raro autor capaz de dominar aquilo que resta da monocultura televisiva. Mas há um lado menos conhecido — e bastante mais insólito — do criador texano: Sheridan também vende produtos. Muitos produtos. Sob a marca 6666 Ranch, é possível comprar velas perfumadas, bebidas alcoólicas enlatadas, carne premium, temperos, roupa… e até uma corda de rancho usada.

ler também : Um Pesadelo”: A Guerra por Warner Bros Está a Virar Hollywood do Avesso

A história começa em 2022, quando Sheridan e parceiros adquiriram o lendário Four Sixes Ranch, fundado em 1870 e localizado no Texas Panhandle, com cerca de 270 mil acres. Um investimento colossal. O próprio Sheridan admitiu, numa entrevista de 2023, que parte da razão para produzir séries em catadupa foi precisamente pagar o rancho. A ficção a financiar a realidade — algo que não deixa de ser poeticamente coerente com o seu universo criativo.

Do ecrã para o carrinho de compras

Os fãs reconhecerão o Four Sixes de Yellowstone: é para lá que John Dutton envia o problemático cowboy Jimmy, numa espécie de purgatório texano onde se aprende disciplina à força de cavalos e pó. O rancho também surge, discretamente, em Landman, sob a forma de easter eggs. Um spin-off totalmente passado no local esteve em desenvolvimento, mas encontra-se actualmente em pausa.

Entretanto, o Four Sixes deixou de ser apenas cenário e tornou-se marca. No site oficial, há de tudo: cocktails enlatados, vodka, carne, T-shirts, bálsamo labial, velas e objectos de “estilo de vida”. Existe até um pop-up do Four Sixes Ranch Steakhouse no Wynn, em Las Vegas, e a carne é servida em clubes privados como o Ned’s Club, em Washington. O product placement chegou à própria série: em Yellowstone, Beth Dutton tenta pedir um Tito’s com soda e é informada de que ali só se serve vodka Four Sixes — logo, só pode pedir um “Sixes and soda”.

Velas, bálsamo e camisolas (ou: o lado doméstico do cowboy)

Comecemos pelo merchandising não comestível. A vela “Bunkhouse” promete notas de tabaco quente, bourbon envelhecido e patchouli. Tendo em conta o que um bunkhouse em Yellowstone realmente é — homens adultos em beliches, chili, guitarras e brigas —, poder-se-ia esperar algo mais… agressivo. Mas a vela é surpreendentemente suave e civilizada. Talvez demasiado limpa para quem procurava autenticidade olfactiva extrema.

O bálsamo labial de baunilha cumpre exactamente o que promete: é um bálsamo de baunilha com um rótulo do Four Sixes. Barato, funcional, perfeito como stocking stuffer para fãs da série.

Quanto à roupa, a camisola escolhida — um tank top com o logótipo — revelou um dado curioso: ninguém reconheceu a marca. Nem mesmo num ginásio às sete da manhã, território onde se esperaria encontrar o público-alvo. A única reacção veio de casa: “Isso parece MAGA”. Uma observação que, justa ou não, diz muito sobre a percepção cultural associada a este universo.

A corda usada: quando o fetiche vai longe demais

O produto mais estranho do catálogo é, sem dúvida, a corda de rancho usada. Vendida por cerca de 25 dólares, é anunciada com um poema sobre trabalho árduo e terreno agreste. A sensação inicial é clara: ninguém que não tenha vivido essa vida devia poder comprar este objecto. Mas a curiosidade vence.

A corda chega rígida, encerada, difícil de manusear. Tentativas de reutilização doméstica falham. No fim, acaba pendurada como peça decorativa sobre uma cabeça de alce de peluche. E, surpreendentemente, resulta. É inútil, mas visualmente eficaz — talvez a melhor definição possível para este produto.

Bebidas alcoólicas: o inesperado sucesso

O Four Sixes vende margaritas, cerveja e ranch water (tequila com soda e lima). Testadas por terceiros — devido a restrições de envio —, as bebidas receberam elogios inesperados. Sabores limpos, equilibrados, sem o efeito hiperactivo típico de algumas bebidas enlatadas. Um raro caso em que o branding não suplanta a qualidade do conteúdo.

A carne: o verdadeiro triunfo

O grande vencedor desta experiência é, sem discussão, a carne Four Sixes. Rib-eye, tenderloin e striploin incluídos num sampler revelam-se extraordinariamente macios, ao ponto de tornar difícil regressar à carne de supermercado comum. Segundo colaboradores do restaurante de Las Vegas, Sheridan defende uma filosofia simples: sal e pimenta, lume de lenha no exterior; ferro fundido no interior. Testada em casa, a carne confirma a reputação — e cria um problema sério: é impossível não notar a diferença.

O chili preparado com a mistura de especiarias da marca é robusto, intenso, embora a experiência tenha sido “contaminada” pela utilização de carne que não era integralmente Four Sixes. Ainda assim, o resultado foi impressionante.

Entre os rubs testados, o destaque vai para o Bunkhouse Campfire, que transforma até frango banal em algo digno de nota. O Smoky Maple revelou-se demasiado doce; o Original Cowboy funciona, mas é quase redundante quando a carne já é excelente.

Marca, mito e mercadoria

Há também produtos Yellowstone à venda — chili, feijão, mac and cheese — mas esses não são da autoria directa de Sheridan. E nota-se a diferença: os produtos Four Sixes são mais caros, mais cuidados, menos óbvios. Tal como as séries de Sheridan, nem tudo é consistente, mas quando funciona, funciona mesmo.

ler mais : ‘O Triunfo dos Porcos’: A Nova ‘O Triunfo dos Porcos’ de Andy Serkis Já Tem Distribuição e Trailer Revelado

Talvez seja essa a melhor conclusão. Tal como na sua televisão, comprar produtos do 6666 Ranch é um risco calculado. Pode sair algo trivial… ou algo surpreendentemente bom. Para um rewatch de 1883 neste Inverno, carne e ranch watersão escolhas seguras. A corda usada? Só se tiverem um alce de peluche à mão.

“Um Pesadelo”: A Guerra por Warner Bros Está a Virar Hollywood do Avesso

O fim de um estúdio lendário e o medo de mais um terramoto na indústria

“Desastre”, “catástrofe”, “pesadelo”. É assim que muitos profissionais de Hollywood descrevem o momento actual vivido pela Warner Bros, um dos estúdios mais históricos do cinema norte-americano, agora no centro de uma batalha feroz entre gigantes com visões muito diferentes para o futuro do entretenimento. Entre Netflix e Paramount Skydance, o destino da casa que produziu CasablancaGoodfellasBatman ou Harry Potter parece cada vez mais distante da Hollywood clássica que ajudou a definir.

ler também : ‘O Triunfo dos Porcos’: A Nova ‘O Triunfo dos Porcos’ de Andy Serkis Já Tem Distribuição e Trailer Revelado

A possível venda — seja da Warner Bros como um todo à Paramount Skydance, seja a divisão dos seus activos mais valiosos para a Netflix — está a ser vivida como um luto colectivo numa indústria já profundamente fragilizada. Depois de uma quebra histórica na produção, greves simultâneas de actores e argumentistas e milhares de despedimentos, a perda de mais um grande estúdio significa menos empregos, menos compradores de projectos e ainda menos margem de manobra criativa.

Netflix ou bilionários pró-Trump? Uma escolha sem boas opções

Segundo dezenas de entrevistas realizadas pela BBC a actores, produtores e técnicos, Hollywood sente-se presa a um dilema inquietante: aceitar o controlo de uma gigante tecnológica acusada de contribuir para o declínio das salas de cinema ou entregar o estúdio a interesses financeiros associados a bilionários com ligações políticas preocupantes.

No cenário Netflix, a plataforma adquiriria os “diamantes da coroa”: o estúdio com 102 anos de história, a HBO e o vastíssimo arquivo de filmes e séries. Já canais como a CNN, a TNT Sports ou a Discovery seriam deixados para outros compradores. No campo oposto, a proposta hostil de 108 mil milhões de dólares da Paramount Skydance conta com financiamento da Arábia Saudita, Abu Dhabi, Qatar e até de um fundo criado por Jared Kushner, genro do Presidente Donald Trump — um detalhe que acendeu alarmes sobre censura e interferência governamental.

As preocupações intensificaram-se quando o próprio Trump afirmou publicamente que “é imperativo que a CNN seja vendida”.

Um sector ainda em recuperação… que nunca recuperou

Esta guerra pela Warner Bros surge na sequência de uma década de instabilidade crescente. Após o pico de produção em 2022, impulsionado pelo pós-pandemia, a indústria entrou em colapso em 2023 com as greves históricas. Quando estas terminaram, o boom nunca regressou.

Desde então, fusões, encerramentos e cortes tornaram-se rotina. A própria Paramount — entretanto comprada pela Skydance Media de David Ellison — eliminou milhares de postos de trabalho. Agora, com a Warner Bros à venda, muitos trabalhadores sentem que estão a assistir ao desmantelamento definitivo do sistema que sustentou Hollywood durante um século.

O vilão da história tem nome: David Zaslav

Independentemente de quem acabe por vencer esta corrida, há um consenso raro entre os profissionais do sector: o grande vilão desta história é David Zaslav, CEO da Warner Bros Discovery. Em 2024, Zaslav recebeu 51,9 milhões de dólares em remuneração, num ano em que a empresa perdeu mais de 11 mil milhões e viu as suas acções cair cerca de 7%.

Várias fontes compararam-no directamente a Gordon Gekko, o personagem de Wall Street que celebrizou a frase “a ganância é boa”. Zaslav assumiu o comando em 2022, após a mega-fusão entre a Discovery e a WarnerMedia, uma operação que resultou em milhares de despedimentos e numa política agressiva de cortes e cancelamentos.

A Warner Bros rejeita esta leitura, defendendo que sob a liderança de Zaslav o estúdio recuperou força criativa, relançou o universo DC com um plano de dez anos e tornou o serviço de streaming lucrativo pela primeira vez.

Trabalhadores à deriva num sistema em colapso

Para muitos profissionais, quem compra a Warner Bros é quase secundário. O verdadeiro problema é estrutural: um mercado mais pequeno, dominado por menos empresas, cada vez mais dependente de algoritmos e com a Inteligência Artificial a ameaçar postos de trabalho criativos.

Há histórias duras. Um actor, agora sem-abrigo com a mulher e dois filhos, descreve acordar todos os dias com a sensação de ter falhado “em todas as direcções”. Outro profissional diz preferir ver a Warner nas mãos da Netflix do que de “dinheiro estrangeiro”. Já exibidores de cinema temem um futuro em que as salas se tornem irrelevantes, acusando a Netflix de nunca ter acreditado verdadeiramente na experiência do grande ecrã.

Ainda assim, alguns vêem sinais de boa-fé, como a recuperação do histórico Egyptian Theatre, em Hollywood, restaurado pela Netflix após décadas de abandono.

O futuro é incerto… mas o trabalho continua

No lote da Warner Bros, os turistas continuam a tirar fotografias no cenário do Friends. Nos escritórios, quem ainda tem emprego continua a trabalhar. Um produtor resume o sentimento geral: é triste perder um estúdio, mas “se fizeres coisas boas, continuas a fazer coisas boas”.

ler também : Jane Fonda Parodia Anúncio Icónico de Nicole Kidman e Atira-se à Consolidação de Hollywood

Numa indústria onde bilionários e trilionários podem surgir a qualquer momento — “até o Elon Musk podia entrar nisto”, brinca —, a única certeza é a incerteza. Para Hollywood, a batalha pela Warner Bros não é apenas um negócio. É um sinal claro de que a era dourada dos estúdios está, talvez, a chegar ao fim.

A Disney Traça uma Linha Vermelha: Google Remove Vídeos de IA com Personagens Icónicas

Um aviso formal e uma reacção rápida

A Google removeu dezenas de vídeos gerados por Inteligência Artificial que utilizavam personagens pertencentes à Disney, após ter recebido uma carta formal de cease and desist enviada pelo estúdio na passada quarta-feira. Os vídeos em causa estavam alojados no YouTube e recorriam a figuras emblemáticas como Mickey Mouse, Deadpool, personagens de Star Wars e Os Simpsons, muitas delas recriadas através do Veo, a ferramenta de geração de vídeo por IA desenvolvida pela própria Google.

ler também: Um Coelho, uma Raposa e um Marco Histórico: ‘Zootrópolis 2’ Junta-se ao Clube dos Mil Milhões

Durante algumas horas após o envio da carta, os links continuavam activos, mas passaram entretanto a redireccionar para uma mensagem clara: “Este vídeo já não está disponível devido a uma reivindicação de direitos de autor por parte da Disney”. Um sinal inequívoco de que o estúdio não está disposto a ceder terreno quando se trata do controlo das suas propriedades intelectuais.

Personagens icónicas no centro da disputa

Na carta enviada à Google, a Disney não se limitou a apontar casos isolados. O documento incluía uma lista extensa de personagens que o estúdio exige ver removidas tanto do YouTube como do YouTube Shorts, abrangendo universos tão populares como Frozen – O Reino do GeloMoanaToy StoryIron ManLilo & StitchWinnie the Pooh e, naturalmente, Star Wars.

A mensagem é clara: qualquer utilização destas personagens em conteúdos gerados por IA, sem autorização explícita, será combatida. Para a Disney, não se trata apenas de remover vídeos existentes, mas de estabelecer um precedente num momento em que as ferramentas de IA estão a evoluir a um ritmo acelerado e a tornar cada vez mais difusa a fronteira entre criação original e apropriação indevida.

Um momento particularmente sensível

O episódio ganha ainda mais peso por acontecer pouco antes de a Disney ter anunciado um acordo com a OpenAI, que permitirá o licenciamento de cerca de 200 personagens para utilização na ferramenta Sora. Ou seja, o estúdio não rejeita a Inteligência Artificial em si — rejeita o seu uso não autorizado.

Esta dualidade revela a estratégia da Disney: abraçar a inovação tecnológica, mas apenas dentro de um enquadramento legal e contratual rigoroso. Ao mesmo tempo que fecha a porta à Google, abre uma janela cuidadosamente controlada a outro gigante da tecnologia.

A resposta da Google

Em comunicado divulgado na quinta-feira, a Google procurou adoptar um tom conciliador, sublinhando a relação histórica entre as duas empresas. “Temos uma relação antiga e mutuamente benéfica com a Disney e vamos continuar a dialogar sobre esta questão”, afirmou a empresa.

A tecnológica acrescentou ainda que utiliza dados públicos da web para treinar os seus modelos de IA e que desenvolveu mecanismos adicionais de protecção de direitos de autor, como o Content ID do YouTube e ferramentas de controlo alargado para detentores de conteúdos. Ainda assim, a Disney foi mais longe nas suas exigências.

Muito mais do que vídeos removidos

Para além da eliminação imediata dos vídeos, a Disney exige que a Google implemente salvaguardas técnicas que impeçam os seus sistemas de IA de gerar personagens detidas pelo estúdio. Mais: quer que a empresa cesse qualquer utilização dessas personagens no treino dos seus modelos de Inteligência Artificial.

Este confronto ilustra um dos grandes debates do cinema e da indústria criativa em 2025: até que ponto a IA pode aprender com obras protegidas por direitos de autor? E quem controla o resultado final?

ler também: “Blah Blah Blah”: Amy Schumer Anuncia Divórcio Como Só Ela Sabe Fazer

A Disney, guardiã de alguns dos personagens mais reconhecíveis da história do cinema, acaba de deixar claro que não abdica desse controlo — nem agora, nem no futuro.

Um Coelho, uma Raposa e um Marco Histórico: ‘Zootrópolis 2’ Junta-se ao Clube dos Mil Milhões

A Disney volta a sorrir com um fenómeno global

A Walt Disney Company voltou a alcançar um feito cada vez mais raro em Hollywood: um filme a ultrapassar a fasquia simbólica dos mil milhões de dólares em receitas de bilheteira global. Zootrópolis 2, a sequela da animação lançada originalmente em 2016, deverá atingir esse valor já esta sexta-feira, tornando-se apenas o segundo filme norte-americano de 2025 a conseguir tal proeza, depois da versão em imagem real de Lilo & Stitch.

À entrada do fim-de-semana, o filme somava 232,7 milhões de dólares no mercado doméstico (Estados Unidos e Canadá) e impressionantes 753,4 milhões provenientes dos mercados internacionais, números que confirmam o enorme apelo global da dupla formada pela determinada coelha Judy Hopps e pela raposa Nick Wilde.

ler também :“Blah Blah Blah”: Amy Schumer Anuncia Divórcio Como Só Ela Sabe Fazer

Um “sonho Zootrópolis” à escala mundial

Jared Bush, director criativo da Walt Disney Animation Studios e uma das figuras-chave por detrás do projecto, reagiu ao marco com palavras que sublinham algo cada vez mais precioso na indústria: a experiência colectiva da sala de cinema. Segundo Bush, este sucesso “significa que o público está a regressar às salas para viver uma experiência partilhada, pessoas de todas as origens, juntas, a ver um filme no grande ecrã”.

Num contexto em que o streaming continua a disputar atenção e tempo com a exibição tradicional, Zootrópolis 2 surge como um lembrete claro de que certos filmes — sobretudo os pensados para toda a família — continuam a funcionar melhor quando vistos em comunidade.

A China como peça-chave do puzzle

Um dos dados mais impressionantes desta corrida aos mil milhões está no desempenho do filme na China. Quase 450 milhões de dólares da receita global de Zootrópolis 2 vêm desse território, um valor extraordinário numa altura em que o país tem vindo a reduzir significativamente o número de produções americanas autorizadas a estrear nas suas salas.

Ainda assim, a animação da Disney conseguiu quebrar recordes: teve a maior estreia de sempre para um filme de animação não local na China e tornou-se, em apenas cinco dias, o filme de animação estrangeiro mais rentável de sempre naquele mercado. Um feito que ganha ainda mais peso tendo em conta as tensões comerciais e as ameaças de novas restrições à exibição de filmes norte-americanos.

Um clube exclusivo em 2025

Até ao momento, apenas outro filme ultrapassou a marca dos mil milhões este ano: Ne Zha 2, produção chinesa que soma já uns impressionantes 2,2 mil milhões de dólares desde a estreia em Janeiro. O contraste é revelador: o cinema global está cada vez menos centrado em Hollywood, mas quando os grandes estúdios acertam no alvo, o impacto continua a ser massivo.

Segundo analistas da indústria, atingir este patamar voltou a ser uma raridade, depois de anos em que vários blockbusters conseguiam esse valor quase por inércia. Hoje, cada milhar de milhão representa uma verdadeira vitória.

O regresso em força dos filmes para toda a família

O sucesso de Zootrópolis 2 também ajuda a confirmar uma tendência clara no mercado norte-americano: os filmes com classificação etária PG (adequados para públicos mais jovens) estão a superar os PG-13 e os R-rated em 2025. Até agora, os filmes PG já renderam 2,7 mil milhões de dólares nos EUA e Canadá, contra 2,5 mil milhões dos PG-13 e 2,4 mil milhões dos filmes para adultos.

Curiosamente, esta mudança começou em 2024, quando, pela primeira vez, os filmes PG venderam mais bilhetes do que qualquer outra categoria. Um sinal claro de que são, muitas vezes, as crianças a decidir a ida ao cinema — e a arrastar consigo famílias inteiras.

ler também : Charlize Theron aos 50: o Envelhecer Sem Medo de Hollywood (e a Conversa que Isso Continua a Provocar)

No meio de super-heróis cansados e franchises em piloto automático, afinal, ainda há espaço para coelhos optimistas e raposas sarcásticas dominarem a bilheteira mundial.

Peter Greene, o Vilão Improvável de Hollywood, Morre aos 60 Anos em Nova Iorque

Uma carreira marcada por personagens intensas e memoráveis

Peter Greene, actor norte-americano conhecido por algumas das personagens mais inquietantes do cinema dos anos 90, foi encontrado morto na passada sexta-feira no seu apartamento no Lower East Side, em Nova Iorque. Tinha 60 anos. A informação foi confirmada pelo seu agente e amigo de longa data, Gregg Edwards, que trabalhava com o actor há mais de uma década.

ler também : SpongeBob – O Filme: À Procura das Calças Quadradas

Segundo as autoridades, Greene foi encontrado inanimado por volta das 15h25 no apartamento da Clinton Street, tendo sido declarado morto no local. A polícia não suspeita de crime, mas a causa oficial da morte será determinada pelo médico-legista.

O actor que deu rosto ao lado mais sombrio do cinema dos anos 90

Para muitos cinéfilos, Peter Greene ficará para sempre associado a duas personagens absolutamente icónicas: Dorian Tyrell, o gangster implacável de The Mask (1994), e Zed, o perturbador segurança de Pulp Fiction (1994), de Quentin Tarantino. Dois papéis curtos em tempo de ecrã, mas devastadores em impacto, que ajudaram a cimentar a sua reputação como um dos grandes vilões da sua geração.

Gregg Edwards não poupa elogios ao amigo. “Era um homem extraordinário e um actor verdadeiramente notável. O coração dele era tão grande como o talento. Vou sentir muito a sua falta”, afirmou, visivelmente emocionado.

Apesar de ter fama de ser difícil no set, o agente sublinha que Greene era, acima de tudo, um perfeccionista. Queria sempre ir mais longe, encontrar a verdade emocional de cada personagem, mesmo quando isso significava confrontar os seus próprios fantasmas.

Uma vida dura, dentro e fora do ecrã

Natural de Montclair, Nova Jérsia, Peter Greene teve uma juventude marcada pela instabilidade. Fugiu de casa aos 15 anos e viveu nas ruas de Nova Iorque, onde acabou por se envolver com drogas e pequenos crimes. Em entrevistas, nunca escondeu esse passado, assumindo-o como parte integrante do homem e do actor que se tornou.

Em 1996, após uma tentativa de suicídio, procurou ajuda e iniciou um longo processo de recuperação. “Lutou contra os seus demónios e conseguiu superá-los”, recorda Edwards.

Com cerca de 95 créditos no currículo, Greene participou em filmes como The Usual SuspectsTraining DayBlue StreakClean, Shaven ou Laws of Gravity, deixando sempre uma marca singular, muitas vezes desconfortável, mas impossível de ignorar.

Um último projecto que já não verá a luz com o actor

O actor preparava-se para iniciar, em Janeiro, a rodagem de um thriller independente intitulado Mascots, onde contracenaria com Mickey Rourke. A notícia da sua morte deixou profundamente abalados o realizador e a equipa do filme.

ler também : Euphoria salta cinco anos no tempo: as novas imagens da 3.ª temporada revelam um futuro ainda mais inquietante

Peter Greene pode nunca ter sido uma estrela convencional de Hollywood, mas foi, sem dúvida, um daqueles actores que elevavam qualquer filme onde entrassem. Um rosto inesquecível, uma presença inquietante e uma carreira que merece ser revisitada.

SpongeBob – O Filme: À Procura das Calças Quadradas

O que esperar da nova aventura cinematográfica da esponja mais famosa do oceano?

Depois de mais de duas décadas a conquistar gerações na televisão, SpongeBob SquarePants prepara-se para regressar ao grande ecrã com SpongeBob – O Filme: À Procura das Calças Quadradas, uma nova aventura que promete misturar nostalgia, humor absurdo e uma abordagem visual renovada. Para os fãs de longa data — e para quem cresceu a ouvir “Estou pronto!” — este é um regresso com peso simbólico. Mas o que é que o filme tem realmente para oferecer?

Um SpongeBob mais introspectivo… sem perder a loucura

Uma das grandes promessas do novo filme passa por explorar quem é SpongeBob para lá do uniforme do Siri Cascudo. A história parte de um ponto curioso: a perda — literal e simbólica — das icónicas calças quadradas. A partir daí, o filme constrói uma jornada que é tanto física como emocional, levando a personagem a questionar a sua identidade, o seu papel em Bikini Bottom e aquilo que o define enquanto herói improvável.

ler também : Euphoria salta cinco anos no tempo: as novas imagens da 3.ª temporada revelam um futuro ainda mais inquietante

Apesar deste ponto de partida mais reflexivo, tudo indica que o tom continuará fiel ao ADN da série: humor nonsense, ritmo acelerado e situações completamente imprevisíveis. A diferença está na ambição narrativa, que parece querer equilibrar o disparate clássico com uma história um pouco mais estruturada e emocionalmente envolvente.

Regresso a Bikini Bottom… e muito mais além

O filme promete revisitar locais emblemáticos do universo SpongeBob — como o Siri Cascudo, a Fenda do Biquíni e a casa-ananás — mas também expandir o mundo da série com novos cenários submarinos e aventuras fora da zona de conforto habitual.

Patrick, Sandy, Lula Molusco e o Sr. Krabs estão confirmados, cada um com um papel activo na história, evitando o risco de serem apenas “checklists” de personagens queridas. Há uma clara intenção de dar espaço a cada um, mantendo as suas dinâmicas clássicas, mas colocando-os em contextos diferentes do habitual.

Humor para várias gerações (como sempre)

Um dos segredos do sucesso duradouro de SpongeBob é a sua capacidade de falar para crianças e adultos ao mesmo tempo, e tudo indica que À Procura das Calças Quadradas seguirá essa tradição. O humor visual e imediato continua lá para os mais novos, mas o filme deverá incluir piadas meta, referências subtis e comentários irónicos pensados para quem cresceu com a série — e agora a vê com outros olhos.

Este equilíbrio tem sido particularmente importante nos filmes anteriores da franquia e é expectável que volte a ser um dos grandes trunfos desta nova longa-metragem.

Estilo visual renovado, mas reconhecível

Sem abandonar a estética clássica da animação 2D que tornou SpongeBob imediatamente identificável, o novo filme aposta numa apresentação visual mais dinâmica, com sequências mais cinematográficas, maior fluidez de movimento e uma utilização mais expressiva da cor e da escala.

Tal como aconteceu em anteriores incursões ao cinema, há também espaço para misturas de estilos e momentos visualmente mais experimentais, algo que sempre combinou bem com o espírito caótico da série.

Uma carta de amor aos fãs… antigos e novos

SpongeBob – O Filme: À Procura das Calças Quadradas parece assumir-se como uma celebração da personagem e do seu legado, sem cair na armadilha da simples repetição. A ideia não é reinventar SpongeBob, mas sim olhar para ele de um ângulo diferente, respeitando aquilo que o tornou um ícone da cultura pop.

ler também : Dick Van Dyke faz 100 anos — e a sua “fórmula secreta” para a longevidade tem ciência do seu lado

Para os fãs de longa data, o filme promete referências, emoção e aquele sentimento agridoce de reencontro. Para os mais novos, será mais uma aventura colorida, ruidosa e delirante. E, como sempre, SpongeBob prova que não precisa de crescer para continuar relevante — basta continuar fiel a si próprio… mesmo que, desta vez, tenha de o fazer sem calças.

Euphoria salta cinco anos no tempo: as novas imagens da 3.ª temporada revelam um futuro ainda mais inquietante

A espera foi longa, mas começa finalmente a ganhar forma. A HBO divulgou as primeiras imagens oficiais da terceira temporada de Euphoria e, como seria de esperar, não são exactamente tranquilizadoras. Sydney Sweeney segura um gelado a derreter, Jacob Elordi prepara carne crua, Zendaya surge sentada num banco de igreja e Hunter Schafer posa em frente a uma pintura. Fragmentos visuais que dizem pouco… e dizem tudo.

ler também : Dick Van Dyke faz 100 anos — e a sua “fórmula secreta” para a longevidade tem ciência do seu lado

A nova temporada da série criada por Sam Levinson estreia em Abril de 2026, na HBO e na Max, e traz consigo uma mudança estrutural decisiva: um salto temporal de cinco anos. As personagens já não estão no liceu, mas os fantasmas emocionais continuam bem presentes — talvez ainda mais difíceis de ignorar agora que a idade adulta começou oficialmente.

Segundo Levinson, a decisão de avançar no tempo foi deliberada. Cinco anos pareceram-lhe o ponto ideal para reencontrar estas personagens num momento em que, se tivessem seguido o percurso “normal”, já teriam terminado a universidade. O resultado é um retrato de jovens adultos à deriva, cada um a tentar sobreviver com as ferramentas — ou cicatrizes — que trouxe da adolescência.

Onde estão agora as personagens?

As imagens divulgadas funcionam quase como naturezas mortas emocionais, mas o criador da série já deixou cair algumas pistas importantes sobre o destino de cada personagem.

Rue, interpretada por Zendaya, é talvez o caso mais extremo. A personagem é reencontrada no México, endividada com Laurie e a tentar encontrar formas cada vez mais arriscadas de pagar o que deve. Um ponto de partida que promete manter a série no território sombrio que sempre a definiu.

Jules, vivida por Hunter Schafer, está numa escola de arte, a tentar afirmar-se como pintora enquanto foge, como sempre, às responsabilidades que a vida adulta exige. Maddy trabalha agora em Hollywood, numa agência de talentos, rodeada de poder e ilusões, mas com os seus próprios esquemas paralelos sempre em andamento.

Lexi, por sua vez, tornou-se assistente de uma showrunner interpretada por Sharon Stone, uma escolha de casting que promete trazer uma nova energia — e um novo tipo de tensão — à série. Já Cassie e Nate são, previsivelmente, o epicentro do drama mais desconfortável: vivem nos subúrbios, estão noivos e profundamente presos a uma relação marcada por dependência emocional, redes sociais e inveja constante das vidas aparentemente perfeitas dos antigos colegas.

Sam Levinson foi mais longe e confirmou aquilo que muitos fãs suspeitavam: Cassie e Nate acabam mesmo por casar. Um casamento que, nas palavras do criador, será “uma noite inesquecível” — o que, em Euphoria, dificilmente significa algo de positivo.

Uma série que cresce… mas não amadurece em paz

Desde a estreia, Euphoria destacou-se por recusar qualquer ideia de redenção fácil. A terceira temporada parece seguir exactamente esse caminho. O salto temporal não suaviza as personagens; antes expõe as consequências de escolhas mal resolvidas, traumas ignorados e dependências que nunca foram verdadeiramente enfrentadas.

As imagens agora reveladas reforçam essa sensação. Nada nelas é explícito, mas tudo é inquietante. Um gelado a derreter, carne crua, silêncio, contemplação. Euphoria continua a falar através de símbolos, gestos e atmosferas, mais interessada em estados emocionais do que em narrativas lineares.

ler também : Skarsgård contra Skarsgård: pai e filho, cinema, feridas antigas e uma improvável rivalidade na época dos prémios

A HBO também incluiu imagens da série num sizzle reel de 2026, ao lado de títulos como House of the Dragon e Lanterns, sublinhando que Euphoria continua a ser uma das apostas centrais do canal, apesar dos longos intervalos entre temporadas.

Se Sam Levinson tem razão ao afirmar que esta será “a melhor temporada até agora”, ainda está por provar. Mas uma coisa é certa: cinco anos depois, estas personagens podem ser adultas no papel — mas continuam perigosamente longe de estarem resolvidas.

Dick Van Dyke faz 100 anos — e a sua “fórmula secreta” para a longevidade tem ciência do seu lado

Há actores que parecem desafiar o tempo. Dick Van Dyke é, sem dúvida, um deles. O lendário intérprete de Mary PoppinsChitty Chitty Bang Bang e da inesquecível The Dick Van Dyke Show celebra 100 anos no dia 13 de Dezembro e, para lá da inevitável pergunta sobre genética ou sorte, o próprio actor tem uma resposta surpreendentemente simples: nunca ficar zangado.

Pode soar a conselho de avô simpático, mas a verdade é que a ciência parece estar decididamente do lado de Van Dyke. Ao longo das últimas décadas, múltiplos estudos têm associado níveis baixos de stress, uma atitude optimista e uma boa gestão da raiva a uma maior esperança de vida — e não apenas de forma simbólica, mas com impacto mensurável na saúde.

ler também : Skarsgård contra Skarsgård: pai e filho, cinema, feridas antigas e uma improvável rivalidade na época dos prémios

Dick Van Dyke nunca escondeu que encara a vida com leveza, humor e curiosidade. Mesmo aos 100 anos, continua a exercitar-se várias vezes por semana, mantém-se activo mentalmente e, sobretudo, evita alimentar ressentimentos. Essa recusa em viver permanentemente irritado pode ser mais poderosa do que parece.

O que diz a ciência sobre optimismo e viver mais

Um dos estudos mais citados nesta área remonta à década de 1930, quando 678 jovens freiras foram convidadas a escrever pequenos textos autobiográficos ao entrarem para o convento. Décadas mais tarde, investigadores analisaram essas narrativas e cruzaram-nas com dados de saúde e longevidade. O resultado foi notável: aquelas que expressavam emoções mais positivas — gratidão, esperança, serenidade — viveram, em média, dez anos mais do que as que demonstravam maior negatividade.

Resultados semelhantes surgiram noutros estudos, incluindo investigações realizadas no Reino Unido e análises mais recentes envolvendo cerca de 160 mil mulheres de diferentes origens étnicas. Em todos os casos, o padrão repete-se: optimismo está associado a uma vida mais longa e a menor incidência de doenças cardiovasculares.

A explicação passa, em grande parte, pela forma como o corpo reage à raiva. Episódios frequentes de irritação desencadeiam a libertação de adrenalina e cortisol, as principais hormonas do stress. Mesmo explosões breves podem afectar negativamente o sistema cardiovascular, aumentando o risco de doenças como enfartes, AVCs e diabetes tipo 2 — responsáveis por cerca de 75% das mortes prematuras.

Stress, envelhecimento… e telómeros

Há ainda uma dimensão microscópica nesta equação. O stress crónico tem sido associado ao encurtamento acelerado dos telómeros — estruturas que protegem os cromossomas e desempenham um papel fundamental no envelhecimento celular. Quanto mais curtos se tornam, mais difícil é para as células regenerarem-se de forma eficaz.

Estudos indicam que práticas que reduzem o stress, como a meditação ou técnicas de respiração, estão associadas a telómeros mais longos, sugerindo um envelhecimento celular mais lento. Em termos simples: menos raiva, menos desgaste interno.

Curiosamente, tentar “libertar” a raiva de forma explosiva — gritar, bater em objectos ou correr até à exaustão — não ajuda. Pelo contrário, mantém o corpo em estado de alerta e prolonga a resposta de stress. Estratégias mais calmas, como abrandar a respiração, focar-se no momento presente ou adoptar rotinas de relaxamento, são muito mais eficazes.

Um actor que sempre soube brincar com o tempo

Nada disto transforma Dick Van Dyke numa fórmula mágica ambulane, mas ajuda a explicar porque é que continua lúcido, activo e cheio de energia ao chegar aos 100 anos. O seu conselho não é o de um cientista, mas o de alguém que passou uma vida inteira a fazer rir — e a não levar tudo demasiado a sério.

ler também : Jason Momoa muda de planeta e de atitude: o primeiro olhar sobre Lobo no novo DCU já está aí

Num mundo cada vez mais ansioso, acelerado e permanentemente indignado, talvez haja algo de profundamente moderno nesta filosofia aparentemente antiquada. Para Van Dyke, viver bem sempre foi tão importante como viver muito. E, ao que tudo indica, uma coisa ajudou claramente a outra.

Skarsgård contra Skarsgård: pai e filho, cinema, feridas antigas e uma improvável rivalidade na época dos prémios

Há conversas que parecem escritas por um argumentista particularmente inspirado, mas que só podem acontecer porque a vida real, por vezes, é mais complexa — e mais interessante — do que qualquer guião. A longa conversa entre Stellan Skarsgård e Alexander Skarsgård, publicada no contexto da actual temporada de prémios, é uma dessas raridades: íntima, divertida, brutalmente honesta e atravessada por décadas de cinema, expectativas familiares e escolhas artísticas arriscadas.

ler também : Jason Momoa muda de planeta e de atitude: o primeiro olhar sobre Lobo no novo DCU já está aí

Para Stellan Skarsgård, Sentimental Value marca um regresso particularmente significativo. O actor sueco, hoje com 74 anos, sofreu um AVC em 2022 e admite que, durante algum tempo, ponderou seriamente se a sua carreira estaria a chegar ao fim. A recuperação coincidiu com projectos exigentes como Andor e Dune: Part Two, mas foi o convite de Joachim Trier que reacendeu algo mais profundo. Em Sentimental Value, Stellan interpreta um artista consagrado e emocionalmente distante, pai de filhos actores — uma coincidência temática que ele próprio não deixa de sublinhar, ainda que a relação com Alexander esteja longe da frieza da personagem.

O filme surge como um dos trabalhos mais elogiados da sua carreira tardia, precisamente por fugir aos estereótipos frequentemente associados a personagens mais velhas no cinema contemporâneo. Stellan fala com franqueza sobre o desinteresse que sente por papéis que reduzem a velhice à demência ou à fragilidade, e vê em Sentimental Value um raro retrato de um homem envelhecido tratado como pessoa, não como categoria.

Do outro lado da conversa está Alexander Skarsgård, num momento muito diferente da carreira, mas igualmente desafiante. Em Pillion, o actor mergulha num território raramente explorado no cinema de autor contemporâneo: uma história de amor gay ambientada no universo BDSM, onde interpreta uma figura dominante, opaca e emocionalmente enigmática. O risco não é apenas temático, mas também de exposição — física e emocional — algo que Alexander encara com naturalidade, desde que o texto e a visão do realizador justifiquem o salto.

Longe de ser provocatório por provocação, Pillion surpreende pela delicadeza com que aborda intimidade, poder e vulnerabilidade. Alexander confessa que não esperava encontrar um guião tão terno, tão humano, e que a confiança no realizador Harry Lighton, num primeiro filme, foi decisiva para aceitar o papel. Para ele, o verdadeiro risco está em aceitar projectos em que não acredita totalmente — não em enfrentar tabus.

A conversa entre pai e filho oscila constantemente entre o humor auto-depreciativo e reflexões profundas sobre o acto de representar. Ambos falam da necessidade de “desaparecer” dentro da personagem, da importância do acidente, do erro e da espontaneidade no plateau. Stellan compara o método de Trier ao de Lars von Trier, sublinhando essa abertura ao imprevisível que transforma cada cena num acto vivo, quase perigoso.

Mas há também espaço para uma rivalidade muito particular. Pai e filho concorreram na mesma categoria nos Gotham Awards, situação que ambos tratam com ironia mordaz. A “campanha de difamação”, como lhe chamam em tom de brincadeira, revela-se afinal uma celebração rara: dois actores de gerações diferentes, a partilhar o mesmo espaço artístico, sem condescendência nem paternalismo. Quando Stellan elogia Pillion, fá-lo com genuíno espanto, admitindo que viu no filho lados que desconhecia — “literalmente”, acrescenta, arrancando gargalhadas.

No fundo, esta conversa não é apenas sobre cinema, prémios ou performances extremas. É sobre herança, identidade e continuidade. Sobre como uma família profundamente artística tenta, geração após geração, encontrar o seu próprio caminho sem negar o passado. E sobre como o cinema, quando feito com verdade, ainda consegue ser um espaço de risco real — emocional, físico e existencial.

ler também : Vanguard – O Preço do Sucesso: a minissérie que expõe o lado mais obscuro do poder nos media europeus

Num tempo em que tantas entrevistas parecem ensaiadas ao milímetro, ouvir Stellan e Alexander Skarsgård a falar sem rede é um lembrete poderoso de porque é que continuamos a acreditar no cinema como forma de expressão humana. Imperfeita, contraditória e, por vezes, desconfortável — exactamente como eles próprios.

Jason Momoa muda de planeta e de atitude: o primeiro olhar sobre Lobo no novo DCU já está aí

Durante anos foi quase uma piada recorrente entre fãs de banda desenhada: Jason Momoa não nasceu para ser Aquaman, nasceu para ser Lobo. Agora, com o novo DC Universe a ganhar forma sob a liderança de James Gunn, essa ideia deixou de ser especulação para se tornar realidade. O primeiro trailer de Supergirl acaba de revelar, finalmente, Momoa no papel do mais caótico e politicamente incorrecto anti-herói da DC — e o resultado é tão certeiro quanto explosivo.

ler também : Vanguard – O Preço do Sucesso: a minissérie que expõe o lado mais obscuro do poder nos media europeus

O actor, que durante uma década foi o rosto de Aquaman no antigo DCEU, surge agora irreconhecível: pele branca como giz, cabelo preto comprido, visual de motociclista intergaláctico e uma presença que parece saída directamente das páginas da DC Comics dos anos 80. Não há aqui qualquer tentativa de suavizar a personagem. Este Lobo é bruto, exagerado, ameaçador e absolutamente fiel ao espírito original criado por Roger Slifer e Keith Giffen.

James Gunn nunca escondeu que Momoa era a sua primeira e única escolha para o papel. O realizador explicou que, ao adaptar Supergirl: Woman of Tomorrow, de Tom King, sentiu necessidade de criar uma linha narrativa mais coesa do que a estrutura episódica da banda desenhada permitia. Lobo surge precisamente como esse elemento agregador: um catalisador de conflito, humor negro e violência estilizada. Mais do que um mero coadjuvante, o personagem será uma peça-chave na arquitectura narrativa do filme — e, muito provavelmente, do próprio futuro do DCU.

Curiosamente, esta escolha parece fechar um ciclo que ficou em aberto desde o início. O próprio Momoa já admitiu várias vezes que acreditava que Zack Snyder o iria chamar para interpretar Lobo em Batman v Superman. Em vez disso, foi Aquaman quem lhe caiu nas mãos — um papel que reinventou com sucesso, tornando-o mais irreverente e físico, mas que nunca correspondeu totalmente à sua energia natural. Agora, longe dos oceanos da Terra, o actor encontra finalmente uma personagem que parece feita à sua medida.

Supergirl será o segundo grande capítulo cinematográfico do novo DCU, inserido no ambicioso Capítulo 1: Gods and Monsters. A realização está a cargo de Craig Gillespie (I, TonyaCruella), com argumento de Ana Nogueira, e o elenco revela bem a dimensão da aposta. Milly Alcock, conhecida por House of the Dragon, interpreta Kara Zor-El numa versão mais dura, desencantada e errante da heroína, enquanto Eve Ridley dá vida a Ruthye Marye Knoll, figura central na jornada de vingança que conduz a narrativa.

O antagonista principal será interpretado por Matthias Schoenaerts, no papel de Krem, com David Krumholtz e Emily Beecham como Zor-El e Alura In-Ze, os pais de Supergirl. David Corenswet regressa como Superman, e até Krypto, o Supercão, já está confirmado — sinal claro de que o novo DCU não tem medo de abraçar o lado mais estranho e cósmico do seu universo.

O trailer confirma que a história seguirá de perto o espírito de Woman of Tomorrow: uma viagem pelos confins do espaço, movida por perda, raiva e uma procura obsessiva por justiça. A presença de Lobo promete elevar ainda mais essa dimensão, injectando caos puro numa narrativa que, até aqui, parecia marcada por melancolia e introspecção.

ler também : Quando a Inteligência Artificial Não Vê a Série: Amazon Retira Recaps Automáticos Após Erro em Fallout 

Supergirl tem estreia marcada para 26 de Junho de 2026, e este primeiro olhar deixa claro que o DCU não está apenas a mudar de actores ou de cronologia. Está a redefinir o tom, a assumir riscos e a apostar em personagens que durante décadas pareceram “impossíveis” de adaptar. Se este Lobo for o prenúncio do que aí vem, James Gunn pode muito bem estar a construir o universo mais imprevisível — e interessante — da história da DC no cinema.

Vanguard – O Preço do Sucesso: a minissérie que expõe o lado mais obscuro do poder nos media europeus

A televisão portuguesa recebe esta semana uma das minisséries europeias mais faladas do ano. Vanguard – O Preço do Sucesso estreia na terça-feira, 16 de Dezembro, às 22h10, no TVCine Edition e no TVCine+, trazendo para o pequeno ecrã o retrato complexo e controverso de Jan Stenbeck, o homem que mudou para sempre o panorama dos media e das telecomunicações nos países nórdicos  .

ler também: Stephen Colbert questiona cancelamento de The Late Show após proposta bilionária da Paramount

Inspirada numa história real, a minissérie acompanha o regresso forçado de Stenbeck à Suécia depois de uma tragédia pessoal. Antiga estrela de Wall Street, o empresário vê-se confrontado com o legado da família e com um país ainda preso a estruturas conservadoras, num momento em que o mundo dos media começa a acelerar rumo à modernidade. É a partir desse choque — entre ambição, tradição e visão futurista — que nasce um império. E também o seu preç

Vanguard – O Preço do Sucesso não é apenas um relato de ascensão empresarial. É, acima de tudo, um estudo de personagem. Jan Stenbeck surge como uma figura profundamente ambígua: visionário para uns, tirano para outros. A série explora com detalhe as tensões familiares, os conflitos políticos e as decisões estratégicas que permitiram ao magnata desafiar monopólios estatais, redefinir o mercado das telecomunicações e transformar radicalmente os media nórdicos. Cada vitória vem acompanhada de perdas pessoais, isolamento e rupturas que deixam marcas difíceis de apagar.

A realização está a cargo de Goran Kapetanović, que constrói uma narrativa sóbria, rigorosa e visualmente elegante, apoiada numa cuidada reconstituição histórica. A base literária — a biografia Stenbeck: A Biography of a Successful Businessman, de Per Andersson — garante densidade factual e solidez dramática, evitando o sensacionalismo fácil. O resultado é uma série que observa o poder de perto, sem o romantizar, mas também sem cair em julgamentos simplistas.

Um dos grandes trunfos da minissérie é a interpretação de Jakob Oftebro, que dá vida a Stenbeck com uma intensidade contida e inquietante. O actor norueguês consegue transmitir simultaneamente carisma, frieza e vulnerabilidade, compondo um retrato humano de alguém que parecia sempre um passo à frente do seu tempo — e muitas vezes longe demais das pessoas que o rodeavam. Não por acaso, Oftebro foi distinguido este ano com o prémio de Melhor Actor no Festival de Televisão de Monte Carlo, onde a série arrecadou também o Golden Nymph para Melhor Série  .

ler também : Quando a Inteligência Artificial Não Vê a Série: Amazon Retira Recaps Automáticos Após Erro em Fallout 

Ao longo dos episódios, Vanguard – O Preço do Sucesso levanta questões que continuam a ecoar no presente: até onde pode ir a ambição individual? Que impacto têm as grandes decisões económicas na vida privada? E será possível construir um império sem pagar um preço humano elevado? Num tempo em que os media e a tecnologia continuam a concentrar poder a uma velocidade vertiginosa, a história de Jan Stenbeck revela-se surpreendentemente актуал.

A estreia acontece terça-feira, 16 de Dezembro, às 22h10, com novos episódios nas semanas seguintes, sempre no TVCine Edition e no TVCine+. Para quem se interessa por histórias reais de poder, ambição e queda — e por séries europeias de grande qualidade — esta é uma proposta difícil de ignorar.

Stephen Colbert questiona cancelamento de The Late Show após proposta bilionária da Paramount

“Falta de dinheiro” ou prioridades muito bem definidas?

Stephen Colbert voltou a mostrar que o humor continua a ser uma das melhores ferramentas para comentar os bastidores da indústria do entretenimento. No seu monólogo mais recente, o apresentador de The Late Show questionou abertamente a decisão da CBS de cancelar o programa, depois de se saber que a empresa-mãe, a Paramount, está disposta a investir mais de 108 mil milhões de dólares numa tentativa de compra da Warner Bros. Discovery.

ler também : Quando a Inteligência Artificial Não Vê a Série: Amazon Retira Recaps Automáticos Após Erro em Fallout 

A piada — que arrancou gargalhadas e aplausos no estúdio — foi tão simples quanto eficaz: se há dinheiro para uma das maiores aquisições da história dos media, talvez também haja margem para “descancelar” um dos talk-shows mais emblemáticos da televisão americana.

A proposta da Paramount que levantou sobrancelhas

Na segunda-feira, a Paramount, liderada pelo CEO David Ellison, lançou uma proposta hostil para adquirir a Warner Bros. Discovery, poucos dias depois de esta ter aceite um acordo com a Netflix. Esse negócio com a plataforma de streaming avaliava o grupo em cerca de 82,7 mil milhões de dólares, ou 27,75 dólares por acção.

A Paramount subiu a parada para 30 dólares por acção, elevando o valor total da proposta para mais de 108 mil milhões de dólares — um número que, inevitavelmente, reacendeu o debate sobre as finanças internas da empresa e as decisões tomadas nos últimos meses.

“Se há tanto dinheiro, porque cancelar o programa?”

Durante o monólogo, Colbert foi directo ao ponto:

“Se a minha empresa tem assim tanto dinheiro disponível, tenho a certeza de que pode pagar para não cancelar um dos seus melhores programas.”

A ironia não ficou por aqui. O apresentador aproveitou ainda para brincar com o facto de parte do financiamento da proposta envolver fundos soberanos da Arábia Saudita, Qatar e Abu Dhabi, sugerindo — com o seu habitual sarcasmo — que “certamente não há nenhuma condição associada”.

O comentário surge num contexto delicado. Em Julho, a CBS anunciou que The Late Show with Stephen Colbert chegaria ao fim após a temporada actual, justificando a decisão com razões financeiras. Segundo a estação, o programa representa um prejuízo anual na ordem dos 40 milhões de dólares.

Um símbolo maior do que um simples talk-show

Mais do que uma piada bem colocada, o comentário de Colbert expõe uma contradição difícil de ignorar: a de um conglomerado mediático disposto a investir somas astronómicas em aquisições estratégicas, enquanto corta custos em formatos tradicionais que continuam a ter impacto cultural, político e mediático.

The Late Show não é apenas um programa de entretenimento nocturno. Ao longo dos últimos anos, tornou-se um espaço central de comentário político e sátira social nos Estados Unidos, com Colbert a assumir um papel cada vez mais relevante no debate público.

ler também : Liam Neeson no centro da polémica: participação em documentário anti-vacinas gera forte reacção

O contraste entre o discurso oficial de contenção de custos e a agressividade financeira da proposta à Warner Bros. Discovery deixa no ar uma pergunta incómoda: estará o problema realmente no dinheiro — ou na forma como as prioridades estão a mudar dentro da indústria televisiva?

Quando a Inteligência Artificial Não Vê a Série: Amazon Retira Recaps Automáticos Após Erro em Fallout 


A promessa de um atalho inteligente tropeça num detalhe essencial

A Amazon Prime Video decidiu retirar, sem grande alarido, os seus recaps automáticos gerados por inteligência artificial, depois de a funcionalidade ter cometido um erro grave numa das séries mais discutidas do ano: Fallout. O caso tornou-se rapidamente um exemplo incómodo dos limites actuais da IA quando aplicada a narrativas complexas — sobretudo num meio onde o detalhe é tudo.

Lançados em fase de testes no mês passado, estes recaps pretendiam oferecer aos espectadores um resumo rápido em vídeo antes de avançarem para uma nova temporada. A ideia parecia sedutora: uma combinação de excertos da série com uma narração artificial que explicaria os principais acontecimentos da história. O problema é que, em Fallout, a máquina falhou redondamente naquilo que não podia falhar: a compreensão do mundo da série.

ler também : Liam Neeson no centro da polémica: participação em documentário anti-vacinas gera forte reacção

Um erro que mexe com o ADN de Fallout

No resumo da primeira temporada, a narração gerada por IA afirmava que um dos flashbacks de The Ghoul, personagem interpretada por Walton Goggins, decorria na América dos anos 50. Ora, para quem conhece minimamente o universo Fallout, este detalhe não é apenas incorrecto — é profundamente enganador.

O flashback acontece, na verdade, em 2077, o ano exacto que antecede o apocalipse nuclear que define toda a mitologia da saga. Confundir esse momento com a década de 1950 não é um erro estético: é uma leitura errada do contexto histórico-ficcional que dá sentido à personagem e à própria série. A estética retro-futurista de Fallout joga precisamente com essa ambiguidade visual, algo que a inteligência artificial não soube — ou não conseguiu — interpretar.

Quando o resumo simplifica o que não devia

O mesmo recap tropeçou também na relação entre The Ghoul e Lucy MacLean (Ella Purnell). Segundo a narração, a personagem masculina oferece a Lucy uma escolha directa entre “morrer” ou “partir com ele”. Na série, a situação é bem mais subtil e moralmente ambígua: Lucy podia acompanhá-lo ou ficar, correndo o risco de ser atacada pela Brotherhood of Steel. Reduzir essa decisão a uma escolha binária esvazia a complexidade dramática da cena e empobrece a leitura da narrativa.

Não surpreende, por isso, que os fãs tenham reagido rapidamente, apontando os erros e questionando a utilidade de um sistema que falha precisamente onde deveria ajudar.

Um recuo silencioso — mas revelador

Após o incidente, os recaps automáticos desapareceram não só de Fallout, mas também de outras séries incluídas no teste, como BoschUploadThe Rig e Tom Clancy’s Jack Ryan. A Amazon não prestou esclarecimentos oficiais, mas o desaparecimento da funcionalidade sugere uma retirada total — pelo menos até nova avaliação.

O episódio levanta uma questão inevitável: está a inteligência artificial preparada para interpretar histórias? O cinema e a televisão vivem de subtexto, contexto, simbolismo e memória emocional. São elementos que não se resumem facilmente a pontos-chave ou linhas narrativas simplificadas.

ler também : Undone”: A Série de Ficção Científica Que a Prime Video Escondeu — e Que Merece Ser Redescoberta Já

No caso de Fallout, ficou claro que compreender uma série não é o mesmo que analisá-la tecnicamente. E, para já, essa continua a ser uma diferença que só o olhar humano consegue preencher.