Os habitantes da Quinta de Mossy Bottom estavam ansiosos por um Halloween em grande, até o desastrado Agricultor destruir, num acidente com uma cabra e um estendal de roupa, a plantação secreta de abóboras que o rebanho tinha escondido atrás de uma parede falsa no celeiro. É este pequeno desastre doméstico que desencadeia a maior aventura já feita pela Aardman com a sua ovelha mais famosa: “A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta” (“Shaun the Sheep: The Beast of Mossy Bottom”, no título original) estreia nos cinemas portugueses a 24 de setembro, com distribuição que, à semelhança dos dois filmes anteriores da saga, “A Ovelha Choné, o Filme” (2015) e “A Ovelha Choné: A Quinta Contra-Ataca” (2019), deverá ficar a cargo da NOS Lusomundo Audiovisuais.
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Desesperado por salvar o Halloween de Timmy, Choné encontra um velho livro de ciência esquecido no galinheiro e decide transformar-se em cientista maluco, montando um laboratório improvisado dentro de um moinho abandonado que ninguém na quinta alguma vez tinha reparado existir. O plano: uma poção de crescimento rápido capaz de transformar uma última semente de abóbora numa colheita nova em 48 horas. O que Choné não previu foram as consequências verdadeiramente monstruosas de tentar alterar as leis da natureza. Quando o resto da poção acaba, por uma sucessão de acasos típicos da série, dentro de um frasco de loção capilar e é esfregado no couro cabeludo careca de uma personagem que tentava recuperar o cabelo a tempo de um baile de Halloween, nasce A Fera. Com o Agricultor desaparecido e uma criatura peluda a vaguear pelos bosques de Mossingham, o filme transforma-se numa perseguição trepidante entre aldeões furiosos, um moinho envolto em tempestade e uma abóbora gigante montada num trator, naquele que os próprios realizadores descrevem como o clímax mais ambicioso já filmado numa longa-metragem de Choné.
Realizado por Steve Cox e Matthew Walker, ambos veteranos da Aardman com décadas de trabalho na série televisiva, este é o terceiro filme de Choné a chegar às salas, depois do sucesso de bilheteira do primeiro filme (mais de 100 milhões de dólares em 2015) e da aventura extraterrestre de “Farmageddon”, nomeada para o Óscar de Melhor Filme de Animação em 2020. Desta vez, a equipa multiplicou a escala de tudo: 47 cenários (o dobro do habitual numa longa-metragem de Choné), 1.261 planos filmados ao longo de 38 semanas, e o maior objeto de cenografia jamais construído pelo estúdio, um cargueiro enferrujado com o comprimento equivalente a 15 placas de tecto do estúdio, tão grande que a equipa temeu não conseguir movê-lo pelos corredores. Entre as novidades está também a chegada de uma nova personagem, A Veterinária (com voz original de Nina Sosanya, de “Good Omens” e “Baby Reindeer”), descrita pela realização como uma “força da natureza” que desembainha duas pistolas de medicamentos como se fosse Clint Eastwood.
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Vale sublinhar uma particularidade que torna esta saga acessível a qualquer público sem barreiras de idioma: à semelhança de toda a filmografia de Choné, não há uma única linha de diálogo no filme, apenas grunhidos, balidos e expressões faciais. É uma marca de água que Nick Park, fundador da Aardman, recusou abandonar mesmo sob pressão dos próprios produtores para dar voz à ovelha, uma decisão que revelou recentemente numa entrevista à BBC, publicada esta semana a propósito dos 50 anos do estúdio britânico. Na mesma entrevista, Park recordou ainda que Gromit, o cão de Wallace, quase tinha sido um gato, ideia abandonada por ser tecnicamente difícil animar bigodes em stop-motion.
Esse aniversário redondo do estúdio de Bristol, fundado em 1976 e responsável por quatro Óscares e 18 BAFTA, incluindo o BAFTA de Melhor Filme de Animação para “Wallace & Gromit: A Vingança das Aves” em 2025, dá a “Trapalhada na Quinta” um significado adicional: é o filme mais ambicioso já produzido para esta personagem, numa altura em que a Aardman celebra meio século de plasticina, arame e paciência artesanal.



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